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Filme|31 de março de 2016

Haters não se conformam e inventam que Batman vs. Superman fracassou

É impressionante. Os blogueiros nerds que detonaram “Batman vs. Superman: A Origem da Justiça” meses antes do lançamento – e antes que qualquer um tivesse visto o filme – não se renderam diante dos recordes de bilheteria acumulados pela estreia da produção. Diga-se de passagem: a maior estreia mundial de um filme de super-heróis em todos os tempos. Não faltaram publicações que insistiram que o filme fracassou porque a bilheteria de domingo havia caído. E, por causa disso, a Warner estaria “preocupadíssima”.

A favor de sua tese, os haters contaram as críticas negativas. “Batman vs. Superman” teve 29% de aprovação crítica no site Rotten Tomatoes e nota B no levantamento do público feito pelo CinemaScore. Que tal comparar, então, com o desempenho de outro blockbuster vilipendiado pela crítica? “Transformers: A Vingança dos Derrotados” teve 19% de aprovação no RT e B+ no CinemaScore. Pois bem, a bomba de Michael Bay teve uma queda de arrecadação de 73% em sua segunda semana. E mesmo assim foi a segunda maior bilheteria de 2009, atrás apenas de… “Avatar”!

Mas os haters insistem. A bilheteria vai desabar. Já é um fracasso garantido.

O ódio aumenta, conforme se verifica o equívoco de sua avaliação. As pitonisas não se conformam pelo erro colossal que cometeram no dimensionamento do “fracasso”. Assim, em vez de mudar de assunto, insistem que o filme não deu certo.

Os dados, porém, são inequívocos. A “queda” de “Batman vs. Superman”, após as críticas negativas, rendeu US$ 35 milhões em bilheteria, entre segunda e quarta, só nos EUA. Além disso, o site Fandango, de venda de ingressos, registra que a procura pelo filme está sendo 30% maior que a dos típicos blockbusters, com grande parcela do público pagando para assistir ao filme pela segunda vez. Especialistas projetam, como pior quadro, uma queda de até 68% no segundo fim de semana – menos que o terceiro “Transformers” – , o que ainda garantiria a liderança, com folga, nas bilheterias e quase US$ 270 milhões somados na conta doméstica.

Por que, então, seu desempenho piorou tanto no domingo – a maior queda já registrada num filme de super-heróis, segundo a revista Forbes? Chama-se “pré-venda”, registra o Fandango. Vendeu-se antecipadamente mais ingressos para sexta e sábado.

O filme é um sucesso, com diversos recordes positivos, e não há como contestar este fato. O que aconteceu foi que a Warner jogou duro, manteve embargo da crítica até o último minuto, impedindo que a opinião da imprensa contaminasse o público, ao mesmo tempo em que liberou o Twitter dos fanboys, que despejaram elogios sobre a produção. E não deu folga para a competição, numa campanha de ocupação de salas em escala nunca antes vista ao redor do mundo. Só a estreia no Brasil dominou 45% de todas as salas disponíveis no circuito nacional.

A “tática do abafa” controlou o mercado e deixou os blogueiros, que se achavam influentes, sem a bola (ou sem essa bola toda). Ou seja, a indústria cinematográfica demonstrou ser um negócio de adultos, para surpresa de quem achava que adaptações de quadrinhos eram coisa de nerds. Por isso, tanto ódio. Tantas crianças rebeladas, com a pança tentando caber numa camiseta do Capitão América, o herói do próximo filme que ninguém ainda viu, mas que já deve ser, disparado, o melhor lançamento do ano.

Cabe agora à Disney fazer o possível para que, neste caso, os blogueiros videntes tenham razão.

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Marcel Plasse

Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna.

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