História da agência de modelos Ford Models pode virar série
A rede americana ABC encomendou um piloto baseado no livro “Model Woman”, sobre a vida e a obra de Eileen Ford, fundadora da famosa agência Ford Models. A informação é do site da revista The Hollywood Reporter. Escrito por Robert Lacey, o livro conta uma história real envolvendo família, beleza, ambição e cultura popular, centrada em Ford, retratada na obra como uma figura intransigente, tirânica e brilhante, que transformou seu negócio de modelos, fundado nos anos 1940, numa das profissões mais glamourosas e desejadas do mundo. Entretanto, o projeto televisivo vai optar pela ficção. Desenvolvido por Helen Childress, que tem apenas um roteiro no currículo, a cultuada comédia “Caindo na Real” (1994), o piloto de “Model Woman” irá se centrar na fictícia Bertie Geiss, que gerencia uma agência de modelos renomada durante os anos 1970. “Model Woman” está sendo desenvolvido pela Sony TV e precisa ter seu piloto aprovado para virar série.
Diretor de Amy e Senna fará documentário sobre Maradona
O diretor Asif Kapadia, responsável pelos premiados documentários “Senna” e “Amy”, já definiu a próxima celebridade que irá filmar. Segundo o site da revista The Hollywood Reporter, ele está preparando um documentário sobre Diego Maradona. Ao contrário dos anteriores, que lembravam Ayrton Senna e Amy Winehouse, já falecidos, o novo projeto terá depoimentos do ex-jogador argentino, que é muito vivo. Vivíssimo, tanto que é conhecido como “La Mano de Dios”, por causa de um famoso gol que fez com a mão contra a seleção da Inglaterra. Além de entrevistas, o longa também contará com material inédito do arquivo pessoal do ícone do futebol, campeão do mundo em 1986. “Eu fui conquistado por sua personalidade, sua genialidade, honestidade, paixão, humor e vulnerabilidade. Acho sua jornada fascinante, não importa onde ele estivesse, sempre trazia seu brilho e uma pitada de drama, ele era um líder, levando seu time para o topo, mas também teve muitas baixas em sua carreira. Ele sempre lutou contra o sistema, contra a riqueza, o poder e sempre esteve disposto a fazer de tudo, de usar toda sua destreza e inteligência para vencer”, disse Kapadia. Além de “Maradona”, Kapadia também está envolvido na produção de um documentário sobre a banda britânica Oasis, mas apenas como produtor.
Kim Basinger negocia ser amante de Christian Grey na continuação de Cinquenta Tons de Cinza
A atriz Kim Basinger (“Los Angeles: Cidade Proibida”) está em fase final de negociações para atuar em “Cinquenta Tons Mais Escuros”, continuação do sucesso de bilheteria “Cinquenta Tons de Cinza”, informou o site da revista The Hollywood Reporter. Ela deve interpretar a executiva Elena Lincoln, ex-amante do protagonista Christian Grey que o apresentou às práticas do sadomasoquismo. Caso a escalação seja confirmada, marcará a volta da atriz ao universo do erotismo soft, após sua consagração como estrela de “9 1/2 Semanas de Amor” (1986), há exatos 30 anos. A adaptação do segundo livro da escritora E.L. James vai trazer novamente Dakota Johnson e Jamie Dornan nos papéis de Anastasia Steele e Christian Grey. O filme será dirigido por James Foley (“Sucesso a Qualquer Preço” ), com roteiro de Niall Leonard, marido da escritora. A estreia está marcada para 10 de fevereiro de 2017.
Harrison Ford entra em drama de espionagem sobre os bastidores da Guerra do Iraque
Os atores Harrison Ford (“Star Wars: O Despertar da Força”) e Anthony Hopkins (“Thor”) vão estrelar “Official Secrets”, thriller de espionagem dirigido por Justin Chadwick (“Mandela – O Caminho Para Liberdade”), informou o site da revista The Hollywood Reporter. Anthony Hopkins será uma general inglês aposentado, enquanto Harrison Ford vai interpretar um agente da CIA na trama, que terá como protagonista Natalie Dormer (“Jogos Vorazes: A Esperança – O Final”). Paul Bettany (“Vingadores: Era de Ultron”) e Martin Freeman (“O Hobbit”) completam o elenco de estrelas. “Official Secrets” se passa logo após a Guerra no Iraque e se centra nos segredos revelados por uma agente britânica (Dormer) para um repórter (Bettany) a respeito de uma operação secreta da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA) contra o Conselho de Segurança da ONU para forçar a aprovação da guerra. A história é baseada em fatos reais e a agente Katherine Gun, que trouxe à tona a ilegalidade da guerra, chegou a ser processada por traição, mas as acusações precisaram ser retiradas, porque o julgamento tornaria públicos documentos sensíveis, capazes de comprovar atos ilegais. Baseado no livro “The Spy Who Tried To Stop A War: Katherine Gun and The Secret Plot to Sanction the Iraq Invasion”, “Official Secrets” terá as gravações iniciadas em maio no Reino Unido.
Pesquisa revela que Tom Hanks é o ator favorito dos americanos
Tom Hanks é o ator favorito do público americano, revelou uma pesquisa organizada pelo site Harris Poll, seguido por Johnny Depp e Denzel Washington, que liderou o ranking no ano passado. Mas enquanto Denzel não estrelou nenhum filme em 2015, Hanks e Depp puderam ser vistos em “Ponte dos Espiões” e “Aliança do Crime”, respectivamente. A lista também homenageia John Wayne, falecido em 1979 e adorado até hoje, a ponto de aparecer em 4º lugar, logo à frente de Harrison Ford, que no ano passado retomou um de seus papeis mais memoráveis, Han Solo em “Star Wars: O Despertar da Força”. Entre as atrizes, Sandra Bullock, foi a mais bem-colocada, aparecendo em 6º lugar, logo à frente de Jennifer Lawrence, a estrela mais nova. Com 25 anos, ela tem quase metade da idade da próxima mais “jovem” da lista, Julia Roberts, que empatou com Brad Pitt em 9º lugar. Os 10 Atores Favoritos dos Americanos 1. Tom Hanks 2. Johnny Depp 3. Denzel Washington 4. John Wayne 5. Harrison Ford 6. Sandra Bullock 7. Jennifer Lawrence 8. Clint Eastwood 9. Brad Pitt / Julia Roberts (empatados)
House of Cards é renovada a 5ª temporada, mas perde showrunner
O serviço de streaming Netflix anunciou a renovação de “House of Cards” para sua 5ª temporada, dois meses antes da estreia do quarto ciclo. No entanto, a atração perdeu seu produtor, Beau Willimon, que também era criador do programa. Ele não participará do desenvolvimento dos próximos episódios. “A Netflix e a MRC, a empresa que produz a série, tem uma enorme dívida de gratidão com Beau Willimon por sua forte visão narrativa para ‘House of cards'”, disse o Netflix em um comunicado. “Como um escritor indicado ao Oscar, ele fez sua primeira incursão na televisão e construiu uma série fascinante e aclamada pela crítica, estabelecendo o seu lugar na história da TV. Os produtores, elenco e equipe técnica se juntam a nós para desejar a Beau o melhor em sua próxima criativa aventura.” Em sua própria declaração, Willimon disse que está “extremamente orgulhoso” por “House of cards” e desejou que a série continue o sucesso no futuro “nas mãos de uma equipe muito capaz.” Willimon irá se dedicar a “novos empreendimentos”, embora ele não tenha dito exatamente o que fará em seguida. Para o seu lugar em “House of cards” ainda não há ninguém nomeado. “House of cards”, que estreou em 2013 e é estrelada por Kevin Spacey e Robin Wright, representou a segunda tentativa da Netflix em programação original, após “Lilyhammer”. A série adaptou uma produção homônima britânica, mas ganhou vida própria graças aos roteiros de Willimon, indicada ao Oscar por outra trama sobre corrupção política, “Tudo pelo Poder” (2011). Desde então, o Netflix tem investido fortemente na área de atrações originais com programas como o “Orange Is the New Black”, “Demolidor” e “Narcos”, entre outros. A 4ª temporada de “House of cards” será disponibilizada em 4 de março.
Veteranos da Academia se revoltam contra mudanças na votação do Oscar
Nem todos gostaram das mudanças anunciadas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas após os protestos por mais diversidade entre os indicados ao Oscar. No anúncio feito na sexta-feira (22/1) em Los Angeles, a principal novidade foi que o voto dos acadêmicos – profissionais da indústria cinematográfica que somam cerca de 7 mil membros – não será mais perpétuo. Os integrantes da Academia terão direito a votar no Oscar por dez anos desde sua filiação, prolongando este direito por nova década se permanecerem ativos – isto é, se continuarem filmando ao longo do período. Com isso, vários membros atuais perderão o direito a votar no Oscar 2017, eliminando um dos maiores obstáculos para as mudanças desejadas. Mas a solução já virou problema, originando uma nova controvérsia. Os eleitores mais velhos, que perderão o direito a votar, começam se insurgir contra a reforma, argumentando terem sido, injustamente, transformados em bodes expiatórios para um suposto racismo de Hollywood. O cineasta Sidney J. Furie, de 82 anos, alega que sua geração foi pioneira ao premiar Sidney Poitier, o primeiro negro vencedor do Oscar de Melhor Ator, em 1963, e a indicar “No Calor da Noite”, estrelada pelo mesmo ator, como Melhor Filme em 1968. “Os mesmos que votaram para aqueles prêmios agora estão sendo acusados de serem entraves para a diversidade”, ele desabafou em um email. Furie, entretanto, continua na ativa e não será afetado pela mudança das regras. O mesmo não acontece com o diretor Sam Weisman (“Perdidos em Nova York”), que não filma desde 2003. Ele assinou artigo na revista The Hollywood Reporter em que lista suas realizações, questionando porque deveria pagar o pato. “Estou sendo condenado por ter vivido quando vivi, após trabalhar duro e fazer sucesso o suficiente para me juntar à Academia. O torna a minha experiência de vida menos digna para não merecer um lugar ativo na Academia?”, ele questiona. Segundo as publicações especializadas dos EUA, nos últimos dias a Academia recebeu diversas cartas raivosas. A ponto de Rod Lurie, diretor do remake de “Sob o Domínio do Medo” (2011), pedir “calma”. “A conversa se tornou muito violenta. Ninguém na Academia deve ser taxado de racista, mas obviamente há preconceitos criados pela demografia dos votantes”, disse, defendendo o ponto de vista da diretoria da entidade. O fato é que a maioria dos membros da Academia não compreendem porque há uma insatisfação profunda pela falta de diversidade no Oscar. Afinal, até aqui, a premiação do Oscar sempre foi um consenso entre homens brancos idosos. De acordo com relatórios da mídia, 94% dos integrantes da Academia são brancos, 77% do sexo masculino e a média de idade entre os votantes é superior a 60 anos. “Nós, os homens brancos, tivemos o poder nos últimos dez mil anos. Neste país, há pelo menos 250 anos. Você se acostuma a falar alto e a não ouvir ninguém. Então, essa insatisfação na Academia é semelhante ao barulho de dinossauros morrendo”, decretou o polêmico documentarista Michael Moore.
Trumbo lembra histeria anticomunista que afligiu Hollywood
Dalton Trumbo foi um dos mais bem-sucedidos roteiristas da história de Hollywood. Escritor muito talentoso, era capaz de produzir desde histórias banais, com personagens sem sentido, em função de atender às expectativas de lucro fácil dos produtores, a obras elaboradas, sofisticadas, passando por épicos, blockbusters e outros tipos de sucessos populares. Mas filiou-se ao Partido Comunista Americano num período em que, por conta da 2ª Guerra Mundial e suas consequências, muitos acreditavam que poderiam melhorar, transformar o mundo. Ocorre que, no pós-guerra, a paranoia anticomunista atingiu níveis brutais nos Estados Unidos, culminando na Guerra Fria e na política que sustentou as ditaduras da América Latina. Mas tudo começou com um movimento nacional de “caça às bruxas”. A partir de 1947, o chamado Comitê de Atividades Antiamericanas do Congresso dos Estados Unidos voltou sua atenção para Hollywood e pretendeu extirpar de seu meio os que eram denunciados como comunistas. E o fez marcando-os, publicamente, impedindo-os de trabalhar em seu ofício e, em vários casos, encarcerando-os por algum tempo. Foi precisamente o caso do roteirista, cuja história é narrada no filme “Trumbo – A Lista Negra”, dirigido por Jay Roach (“Entrando numa Fria”). O filme procura mostrar quem foi esse personagem, suas relações profissionais e familiares, suas crenças e, sobretudo, a luta que travou para poder trabalhar e viver, dando trabalho a outros talentosos escritores banidos, além de seu permanente combate pelo fim da lista negra. Por mais de uma década, ele atuou clandestinamente, sem poder assinar seus roteiros e, ironicamente, venceu o Oscar por duas vezes, com os filmes “A Princesa e o Plebeu” (1953) e “Arenas Sangrentas” (1957), impedido de aparecer para receber o prêmio, que não estava em seu nome. Só a partir de “Spartacus”, dirigido por Stanley Kubrick, e por iniciativa do ator Kirk Douglas, seu nome pôde voltar a figurar nos créditos. No mesmo ano, em 1960, ele também assinou “Êxodus”, dirigido por Otto Preminger, e a abominável lista caiu por terra. Não está no filme, que vai até 1970, mas um dos mais importantes trabalhos de Dalton Trumbo no cinema foi a adaptação de sua obra literária “Johnny Vai À Guerra”, de 1939, que ele mesmo dirigiu em 1971. Vale a pena complementar a sessão, pois se trata de um dos mais importantes filmes sobre guerra já feitos. “Trumbo – A Lista Negra” funde cenas dos filmes originais à filmagens feitas agora, tanto em preto e branco como a cores, de um modo muito eficiente. Tem atuações marcantes do trio central de atores: Bryan Cranston (série “Breaking Bad”), como Trumbo (indicado ao Oscar pelo papel), Diane Lane (“O Homem de Aço”), como sua mulher, Cleo Trumbo, e a vilã da história, representada pela personagem Hedda Hopper, ex-atriz do cinema mudo e colunista de sucesso, que combateu ferozmente os chamados traidores comunistas de Hollywood. O papel coube à grande Helen Mirren (“A Dama Dourada”), que faz a vilã em um figurino excêntrico, com um chapéu diferente a cada cena, cada um mais extravagante do que o outro. E roupas de igual teor. O figurino e a caracterização de época são outro ponto alto do filme, por sinal. E seu senso de humor, também. Trata-se, no entanto, de um filme político e muito atual. A paranoia anticomunista continua por aí, travestida de outros nomes, às vezes. Mas nada mudou, essencialmente. As práticas políticas se repetem à exaustão, incluindo o ódio e a intolerância, simplistas e grosseiros, que fizeram parte do legado do período macartista da caça às bruxas, quando Dalton Trumbo realizava seu trabalho, com muito esforço e dedicação, em Hollywood.
Os Dez Mandamentos ocupa um terço dos cinemas do Brasil
O lançamento de “Os Dez Mandamentos” monopoliza o circuito cinematográfico, com a ocupação recorde de 1100 salas a partir desta quinta (28/1). Entusiasmado com a pré-venda, em torno de 2,5 milhões de ingressos, o parque exibidor nem questiona o que virá se continuar com a novela do cinema brasileiro dos últimos anos, cada vez mais subproduto da televisão. Versão resumida de uma novela que o público já viu – e recentemente – , o filme tem como atrativo cenas inéditas, um final alternativo e a chance de conferir, em tela grande, como são televisivos os seus efeitos visuais. Muito mais interessante será observá-lo como case publicitário, para estimular ou desmontar projetos similares, em que a venda de ingressos é aumentada artificialmente por marketing religioso. As sessões estão vendidas, mas serão preenchidas por público ou apenas pelo vazio existencial? A resposta não tardará. Os shoppings também vão receber dois filmes comerciais americanos, a comédia “Pai em Dose Dupla”, que foi sucesso nas bilheterias dos EUA, e o remake de ação “Caçadores de Emoção – Além do Limite”, que foi fracasso. No primeiro, Will Ferrell se esforça para impressionar os enteados, que vão receber seu pai (Mark Wahlberg) numa visita familiar. Já o segundo se esforça para superar o filme original de 1991, que transformou Keanu Reeves em herói de ação. Quando Ferrell fracassa, é engraçado. Já o fiasco de mais um remake americano não é piada que valha o preço do ingresso. Com isso, dois filmes indicados ao Oscar têm suas estreias jogadas no circuito limitado. “Trumbo – Lista Negra”, estrelado por Bryan Cranston, que disputa o Oscar de Melhor Ator, chega ao circuito com 32 salas, e “Anomalisa”, candidato a Melhor Animação, tem exibição em 17 salas. “Trumbo” é a cinebiografia de Dalton Trumbo, roteirista que encabeçou a lista negra, que impedia o trabalho de supostos comunistas em Hollywood. O drama celebra a história do cinema, ao evocar uma época de intolerância e como a união de artistas foi capaz de enfrentar a politicagem, assunto sempre relevante. Por sua vez, “Anomalisa” é basicamente um drama indie realizado como animação, em que se discute questões como solidão, relacionamentos e existência. Roteiro e codireção são do visionário Charlie Kaufman, responsável pelas histórias surreais de “Quero Ser John Malkovich” (1999), “Adaptação” (2002) e “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças” (2004). Completa o circuito “Suite Francesa”, romance entre uma camponesa e um oficial alemão durante a ocupação nazista da França, que estreia em 15 salas. O destaque do filme é seu elenco, que inclui Michelle Williams, Kristin Scott Thomas e Margot Robbie. Estreias de cinema nos shoppings Estreias em circuito limitado
Jennifer Lawrence é o verdadeiro Nome do Sucesso de Joy
Curioso como Jennifer Lawrence está deixando de ser queridinha da crítica para ganhar a fama de atriz superestimada, na opinião de alguns. Mas, se não fosse por ela, o que seria de “Joy – O Nome do Sucesso”? Certamente é o mais frágil dos trabalhos de David O. Russell, que tem uma carreira marcada por altos e baixos, apesar de sua galeria de personagens memoráveis e bem interessantes. Em sua terceira parceria com o cineasta, depois de vencer o Oscar por sua interpretação em “O Lado Bom da Vida” (2012) e ser nomeada por “Trapaça” (2013), Jennifer Lawrence volta a eclipsar seus coadjuvantes famosos, como Robert De Niro, Bradley Cooper e Isabella Rossellini, obtendo, com sua performance, a única indicação de “Joy” no Oscar 2016. O filme é uma ode à capacidade humana de vencer os obstáculos. Embora de tom agridoce, é uma história real de superação e conquista de alguém que veio de uma classe pouco privilegiada, mas que conseguiu o sucesso graças à sua criatividade. “Joy” conta a história de Joy Mangano, uma jovem que mora com a mãe depressiva e viciada em telenovelas (Virginia Madsen), o ex-marido (Édgar Ramírez) e os filhos em uma casa em estado precário. Como se não bastasse, o pai (De Niro) também aparece para tumultuar o ambiente, depois de ser dispensado pela namorada. Diante desse caos, e tendo que trabalhar para manter a todos, Joy tem uma ideia: criar um esfregão prático, que até então não existia nos Estados Unidos. O problema estava em como capitalizar a ideia, vender o produto e ganhar dinheiro num mercado repleto de advogados e empresários picaretas. Mesmo se revelando uma obra menor, fica claro o quanto o filme deve à força e à presença de cena da atriz, que leva o filme nas costas, conferindo autenticidade a uma personagem que é mais velha que ela própria. Ela é responsável por momentos particularmente emocionantes, como a primeira apresentação de seu produto em um canal de vendas, especializado em infomerciais, além de voltar a evidenciar sua boa química com Bradley Cooper, embora o papel dele seja menor do que se espera. A obra, porém, tem uma fragilidade estrutural que coloca sua realização em cheque. Ainda que deliberadamente cômico, o tom se perde entre a recriação de época e o conto de fadas, terminando de forma pouco realista. Praticamente uma fábula encantada do capitalismo, “Joy” tem momentos de musical, em que atriz canta em dueto com Edgar Ramíres, além do otimismo antiquado de “A Felicidade Não se Compra”, sem esquecer o perdão aos parentes aproveitadores da “Cinderela”. Ao final, a gata borralheira não se contenta com a coroa de princesinha do empreendedorismo, almejando também o lugar da fada madrinha.
Cinco Graças mostra a beleza reprimida pela cultura patriarcal
“Cinco Graças”, estreia da cineasta turca radicada na França Deniz Gamze Ergüven, é um exemplo representativo de cinema feminista, mas, por se passar em um vilarejo na Turquia, também se projeta como filme de resistência contra certas tradições culturais e religiosas, que se revelam desumanas. Mais que feminista, é uma obra humanista. Concorrente francês ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, a produção acompanha cinco irmãs de idades diferentes, que querem ser felizes, mas tudo o que encontram são imposições, barreiras, grades. A mais velha e mais esperta até consegue fugir de casa para transar com o namorado, usando métodos ousados para evitar perder a virgindade ou engravidar. Mas é a mais nova, uma criança ainda, quem narra o filme, e é por seus olhos que vemos a história se desenrolar. Olhos que já começam o filme chorando, ao se despedir da professora, no final do ano letivo. A natureza chama as meninas para os prazeres do amor e do sexo, e isso leva sua família a tomar atitudes drásticas. Encarceradas, elas são condenadas a casamentos de conveniência, para que possam sair de casa sem envergonhar os parentes. E assim as “Cinco Graças” vão se desmantelando. Mas como a trajetória de cada uma delas é singular, a história é rica em surpresas e momentos comoventes. De fotografia deslumbrante, a obra lida muito bem com a beleza dos corpos das moças, em fase de autodescoberta e também da descoberta do mundo em que habitam, que subitamente se revela cheio de maldade. Uma maldade não necessariamente deliberada, mas fruto de anos e anos de cultura arcaica, que exige submissão feminina em pleno século 21. A trama é apresentada com muita simplicidade, até para tornar sua denúncia mais eficaz, como um soco no estômago. E embora retrate uma situação específica, refletindo uma sociedade sob influência da religião muçulmana, poderia se passar em qualquer outro lugar ermo, até no interior do Brasil, onde o patriarcado ainda ditar as regras da convivência.
A Grande Aposta confunde para explicar e atordoa ao concluir
“A Grande Aposta”, de Adam McKay, lida com os bastidores do mercado financeiro com humor, mas de forma bem diferente do provocativo “O Lobo de Wall Street” (2013), de Martin Scorsese. Desta vez, não são golpistas que pretendem lucrar com a bolsa de valores. O golpe é a próprio mercado de valores imobiliários. Além disso, o diretor de “Tudo por um Furo” (2013), “Quase Irmãos” (2008) e outras comédias bobas surpreende ao optar por um registro contido e nervoso, ao abordar o colapso econômico de 2008, que levou não só os EUA ao buraco, mas todo o mundo. Baseado no livro de Michael Lewis (autor também de “O Homem que Mudou o Jogo”), o filme conta a história de quem se antecipou ao apocalipse financeiro. Enquanto os supostos especialistas reagiram com surpresa ao quebra-quebra dos bancos, atingidos pela crise especulativa e a inadimplência das hipotecas, uma pessoa olhou os números, fez as contas e antecipou o desastre: um médico de olho de vidro, fã de heavy metal, chamado Michael Bury (papel de Christian Bale), que administrava um fundo de investimentos milionário. Ao perceber a podridão dos ativos negociados na bolsa, a inclinação de Bury foi, imediatamente, apostar contra o sistema, investindo os milhões de seu fundo na criação de um seguro contra a falência do mercado. Foi taxado de louco, virou piada na bolsa, perdeu fortunas, credibilidade e recebeu ameaças de processo dos clientes cujo dinheiro ele investiu, antes de tudo vir abaixo e seu lucro se tornar bilionário. Essa é a grande aposta do título. Assim que Wall Street soube do negócio, abriu as portas para o louco, criando o seguro contra o que jamais, na opinião dos operadores, aconteceria. Mas a criação desse seguro permitiu que outros copiassem a iniciativa de Bury, após sua dica os levar a pesquisar o mercado. É onde entram os personagens de Steve Carell, Ryan Gosling e Brad Pitt, entre outros. Mas apostar contra a casa que controla o jogo é sempre arriscado. O filme também mostra o quanto os bancos tentaram disfarçar a crise do mercado imobiliário, apelando até mesmo para a fraude quando a profecia de Bury começou a se cumprir. A vitória desta aposta, porém, teve um saldo cruel. Como diz o personagem de Brad Pitt a certa altura, a fortuna obtida pelos que investiram na falência do sistema econômico foi diretamente proporcional à escalada do desemprego, perdas de lares e difusão da miséria. O filme lembra que não é apenas o lucro que está em jogo. E a lembrança do lado humanitário da crise ajuda a enquadrar todas as gracinhas do roteiro numa história que jamais esconde ser uma autêntica tragédia. Adam McKay fala muito sério com seu humor, repleto de recursos metalinguísticos. Ele usa o personagem de Ryan Gosling como comentarista da trama, fazendo-o quebrar a quarta parede para se dirigir ao público e explicar jargões técnicos, visando construir um contexto para a narrativa. Mas também chama celebridades para ajudar a montar o quadro, o que torna seu filme um exercício de edição, com influência de reality show, documentário e até da MTV. O caso mais emblemático é a participação de Margot Robbie, estrela do “Lobo”, que é convidada a dar explicações econômicas numa sequência didática da trama. Ela aparece dentro de uma banheira, detalhando o funcionamento dos negócios imobiliários. Mas quem consegue prestar atenção a algo mais que seu banho de espumas? Esta é a razão pela qual ninguém sairá do filme expert no mercado financeiro. McKay finge que explica, o público se diverte fingindo que entendeu, e tudo vira bolha de sabão. Acostumado a dirigir as comédias estúpidas de Will Ferrell, o cineasta parece temer um resultado dramaticamente mais profundo. Mas isso não impede que a cacofonia de “A Grande Aposta” tenha subtexto. As dissonâncias da trama, que visam mais confundir que esclarecer, lembram as táticas do velho Chacrinha, de divertir as massas, enquanto passa mensagens cifradas. O atordoamento é a sensação dominante e faz sentido que seja, pois a conclusão é que a corrupção e a falta de limites para a ganância sempre ficarão impunes. Afinal, independente do tamanho da aposta, mesmo quebrando a banca, a casa jamais perderá – com apoio político e econômico do governo. Ao menos, o filme permite uma compreensão básica do mercado financeiro, ajudando a expressá-lo em termos populares, com merecidos palavrões.
Carol é um dos filmes mais belos da temporada de premiações
Um dos filmes mais belos desta atual temporada de premiações é “Carol”, de Todd Haynes, cineasta que já havia mostrado sua sensibilidade no trato de relacionamentos proibidos no igualmente ótimo “Longe do Paraíso” (2002), que também se passava na década de 1950 e que emulava, de maneira mais forte, o cinema de Douglas Sirk, o mestre do melodrama na velha Hollywood. A diferença é que nos filmes de Haynes, e em “Carol” especificamente, as emoções são mais contidas. Como numa tentativa de captar também o sentimento de impotência diante de uma sociedade que não permite seguir impulsos fora da norma. As paixões devem ser tolhidas ou muito bem escondidas, o que não é fácil, especialmente para uma mulher casada, como é o caso de Carol, vivida brilhantemente por Cate Blanchett. Conhecemos inicialmente Carol pelos olhos assustados, mas também muito curiosos, de Therese (Rooney Mara), uma moça que trabalha como balconista em uma loja de departamentos e que sonha em ser fotógrafa. É nessa loja que as duas se descobrem, com uma troca de olhares e de informações e um par de luvas esquecido que faz com que Therese queira mudar de vida, deixar para trás tudo aquilo que não lhe faz mais sentido, inclusive o namorado. Já Carol tem uma história de vida mais longa e complicada. Está passando por um processo de divórcio e tem uma filha que ela corre o risco de perder na justiça para o marido. Aliás, a questão da filha chega a causar mais emoção do que o próprio relacionamento entre as duas mulheres, que é tratado de maneira mais sutil e sóbria. As cenas fotografadas através de vidros e véus funcionam como uma metáfora da dificuldade de alcançar o objeto de desejo naquela sociedade que arruinava a vida de quem fugisse ao padrão estipulado de família. Se nos dias de hoje ainda é um pouco assim, que dirá na década de 1950, quando astros de Hollywood eram obrigados a esconder suas preferências sexuais, ainda que fossem óbvias. Haynes recria a época com apuro, emoldurando tudo de maneira muito elegante. Cada detalhe de roupa, penteado ou mobília ao redor do casal é cuidadosamente pensado, a fim de compor uma espécie de pintura viva, em movimento. Os detalhes da intimidade compartilhada se beneficiam com a direção segura, mas também com a bela atuação do par central, indicadas ao Oscar, assim como a fotografia, o desenho de produção, a trilha e o roteiro adaptado. Curiosamente, o filme é baseado em um romance de Patricia Highsmith, mais conhecida por escrever livros policiais – ela é a autora de “Pacto Sinistro”, que virou um clássico de Alfred Hitchcock, e criadora do assassino serial Ripley, já adaptado em diversos filmes. Mas “Carol”, de certa forma, é um filme sobre um crime, pelo menos um crime para as normas que deviam ser seguidas naquela época. Como dois ladrões, as duas mulheres fogem de carro pelos Estados Unidos em busca de liberdade, paz e amor.






