Masi Oka entra na versão americana de Death Note
A produção da versão americana de “Death Note”, que adapta o célebre mangá e anime para a Netflix, teve mais um nome de seu elenco confirmado: Masi Oka. O ator, que ficou conhecido por interpretar o personagem Hiro na série “Heroes”, é um dos produtores da série. Em entrevista para a revista Entertainment Weekly, ele revelou que decidiu também passar para a frente das câmeras. “Sou muito sortudo em ter a oportunidade de trabalhar nos bastidores da televisão. Recentemente terminei a produção de ‘Death Note’, e vou atuar na série também”, revelou. Até o momento não existem informações sobre quem Oka irá interpretar. O filme será estrelado por Nat Wolff (“A Culpa É das Estrelas”), no papel do protagonista Light Turner (o nome foi ocidentalizado para o público americano), Keith Stanfield (“Straight Outta Compton”) como o misterioso L e Willem Dafoe (“Ninfomaníaca”) como o espírito Ryuk. O elenco também conta com Margaret Qualley (“Dois Caras Legais”), Shea Whigham (série “Agente Carter”) e Paul Nakauchi (“O Grande Ataque”). Curiosamente, ao contrário do que aconteceu com a ocidentalização dos personagens de “Ghost in the Shell”, até agora nenhum protesto surgiu nas redes sociais contra a escalação de atores americanos nos papeis originais japoneses de “Death Note”. O mangá original foi criado por Tsugumi Ohba e Takeshi Obata e já foi adaptado em duas séries (uma anime e outra com atores), além de quatro filmes live action no Japão, sendo que o mais recente estreou em outubro. A Warner Bros. tentava desenvolver a adaptação americana há cerca de seis anos, até que desistiu, permitindo ao Netflix assumir a produção. O roteiro é de Jeremy Slater (“Quarteto Fantástico”) e a direção é de Adam Wingard (da continuação da “Bruxa de Blair”). Ainda não há previsão de estreia.
Atriz de Westworld revela no Twitter que já foi estuprada duas vezes
A atriz Evan Rachel Wood, estrela da série “Westworld”, causou comoção no Twitter, ao publicar na rede social a íntegra de uma carta que escreveu para a revista Rolling Stone, em que relata ter sido abusada sexualmente duas vezes. A confissão acompanhou uma entrevista publicada neste mês na revista americana, quando a atriz falou sobre aquilo que a atraiu na série “Westworld”, que evocava sua própria história, incluindo sua tentativa de suicídio aos 22 anos e de ter sido sujeita a abusos “físicos, psicológicos, sexuais”. No entanto, ela também disse ter hesitado em compartilhar sua história no passado porque não queria ser acusada de fazê-lo em busca de atenção. “Tive o desejo de não fazer disto uma história triste, não tornar isto sobre mim”, ela escreveu na carta, que já foi compartilhada quase 2 milhões de vezes nas redes sociais. No texto, Evan conta: “Sim, eu fui estuprada. Por uma pessoa importante na minha vida, enquanto ainda estávamos juntos. E em uma outra ocasião, pelo dono de um bar. Na primeira vez, eu não tinha certeza se quando praticado pelo parceiro, ainda é realmente estupro, até que era tarde demais. Mas também, quem é que acreditaria em mim”. “Na segunda vez, eu pensei ter sido minha culpa e que eu deveria ter lutado mais, mas eu estava assustada. Isso foi há muito tempo e é claro que agora sei que nenhuma das duas vezes a culpa foi minha. Isso aconteceu antes de eu tentar cometer suicídio, e tenho certe que isso foi um dos vários motivos. Pronto”, relata o texto. “Ainda estou de pé. Estou viva. Sou feliz. Sou forte. Mas ainda não estou ok”, ela ponderou. “Ainda acho que é importante que as pessoas saibam disto, que sobreviventes saibam disto, e que a pressão de se livrar disto de uma vez seja eliminada”, comentou, em tom de catarse. Veja a íntegra da carta abaixo: Well, since everything is out in the open now, figured I would share the confession letter I wrote to @RollingStone in its entirety. #NotOk pic.twitter.com/0FSP1gsE36 — #EvanRachelWould (@evanrachelwood) November 28, 2016
Paul Verhoeven passa longe do politicamente correto com Elle
Desde o início de sua carreira, o holandês Paul Verhoeven provou que não havia meias palavras quando o assunto era sexo. Produzidos nos anos 1970, “Negócio É Negócio” e “Louca Paixão” foram os primeiros indícios da visão despudorada do realizador sobre o tema, atingindo o seu ápice em 1992 ao eletrizar o mundo com “Instinto Selvagem”. É essa credencial que faz de Verhoeven um nome perfeito para a direção de “Elle”, cuja premissa não facilita nem um pouco o julgamento da plateia diante do que testemunha. Adaptação do romance “Oh…”, de Philippe Djian, “Elle” abre somente com os sons de confronto sexual. Segundos depois, nos deparamos com o corpo estirado e violado de Michèle Leblanc (Isabelle Huppert, de “Amor”) em sua própria casa. Sem esboçar qualquer horror ao que acabou de atingi-la, simplesmente limpa as taças e louças que foram quebradas durante o ataque, descarta a sua roupa na lixeira e se banha reagindo somente ao sangue que se mistura com a espuma da banheira. Em um jantar, confidencia ao ex-marido Richard (Charles Berling, de “Qual É o Nome do Bebê”) e aos amigos Anna (Anne Consigny, de “Tudo Acontece em Nova York”) e Robert (Christian Berkel, de “O Agente da UNCLE”) o estupro com a mesma naturalidade que se fala com um estranho na rua sobre uma mudança climática. Diz que não comunicará o crime à polícia e segue naturalmente a sua rotina profissional como chefe de uma empresa de desenvolvimento de games. A excentricidade da personagem, confirmada em seu silêncio e em outras posturas injustificáveis (como a de destruir o para-choque de Richard antes de encontrá-lo e o de se relacionar com o marido de sua melhor amiga), sugere que Verhoeven, a partir do texto de David Birke (“Os 13 Pecados”), não está interessado em fazer um manifesto sobre a violência contra a mulher, uma abordagem que muitos visualizam mais pelo potencial comercial em tempos de empoderamento e menos por sua força discursiva. Isto porque Michèle é uma pessoa tão ou mais perigosa que o seu agressor. A partir de um background fantástico, a protagonista vai saindo da posição de mera vítima. Fatos passados e presentes modelam uma mulher nem um pouco preocupada em externar os seus julgamentos cruéis, o que a faz ganhar desafetos não somente no trabalho, como em seu núcleo familiar. Também é curioso perceber a sua incapacidade de se desvincular das ações criminosas de seu pai, autor de uma barbaridade que o fez pegar prisão perpétua. Não há dúvidas de que Michèle quer vingança, porém, há algo nesse desejo que pode desencadear nela uma maldade reprimida que quase anula o que ainda resta de nossa empatia por sua condição. Com tudo isso, Verhoeven não se vê no compromisso de fazer um filme politicamente correto. Ao contrário, pois há tanto humor ditando as interações de Michèle com os demais personagens que o resultado chega a desconcertar. Isto não impede o fascínio pelo curso da história, ainda que o terceiro ato amorteça consideravelmente toda a tensão arquitetada por uma obra então desprendida de zonas de conforto.
The Salesman: Novo drama premiado do diretor de A Separação ganha trailer
A Amazon divulgou dois pôsteres e o trailer de “The Salesman”, novo filme do iraniano Asghar Farhadi, que venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com “A Separação” (2011). O fio condutor é uma história de mistério e vingança, que envolve um casal de atores de uma montagem local da peça “A Morte do Caixeiro Viajante” de Arthur Miller. Após serem forçados a abandonar seu prédio devido a uma obra, Emad (Shahab Hosseini) e Rana (Taraneh Alidoosti) se mudam temporariamente para um apartamento no centro de Teerã, antes ocupado por uma moradora de comportamento “promíscuo”. Certa noite, o lugar é invadido e a mulher é atacada enquanto toma banho. Temendo por sua privacidade, ela se recusa a procurar a polícia, o que provoca uma mudança de comportamento no então sereno marido. A tensão se eleva e afeta o relacionamento do casal, prejudicando até o trabalho de Emad como professor e a peça na qual os dois atuam. Além disso, a história de Emad e Rana traça um paralelo com a dos protagonistas de “A Morte do Caixeiro Viajante”, que ambos encenam no palco. Farhadi, que estudou teatro antes de se envolver com cinema, disse durante a première no Festival de Cannes que se sentiu voltando às origens ao filmar o mundo teatral. Ele já havia trabalhado com Taraneh Alidoosti e Shahab Hosseini em “À Procura de Elly” (2009), o filme com o qual chamou atenção internacional, premiado no Festival de Berlim, e que era outra parábola moral, disfarçada de história de mistério. Vencedor de dois prêmios em Cannes (Melhor Roteiro e Ator), o filme tem estreia marcada para 12 de janeiro no Brasil, duas semanas antes do lançamento comercial nos EUA.
Death Note: Diretor promete violência e nudez na adaptação americana do mangá
O diretor Adam Wingard, que está em cartaz nos cinemas com o terror “Bruxa de Blair”, já está trabalhando em seu próximo filme, a adaptação do mangá e anime “Death Note”. E em entrevista para o site Collider, ele deixou claro que pretende extrapolar no uso da violência gráfica. Como o filme está sendo produzido pela Netflix, tecnicamente não estará sujeito a um sistema de classificação indicativa como nos cinemas. E, para Wingard, isto significa que não há limites. “Podemos fazer o que quisermos. Isso é o mais legal, porque é um filme de anime. Estamos trazendo um desenho à vida. E o grande negócio sobre anime é sua vocação para temas adultos”, ele adiantou. “Lembro-me de ver nas locadoras o vídeo de Akira com um selo estampado que não era para crianças. Isso sempre me impactou. Então, estou fazendo minha primeira adaptação de anime, e é importante ter estes temas adultos. Então, haverá nudez, palavrões, e uma tonelada de violência”, completa. O filme será estrelado por Nat Wolff (“A Culpa É das Estrelas”), no papel do protagonista Light Turner, Keith Stanfield (“Straight Outta Compton”) como o misterioso L e Willem Dafoe (“Ninfomaníaca”) como o espírito Ryuk. O elenco também conta com Margaret Qualley (“Dois Caras Legais”), Shea Whigham (série “Agente Carter”) e Paul Nakauchi (“O Grande Ataque”), que também é americano, mas o único ator do elenco com feições orientais. Curiosamente, ao contrário do que aconteceu com a ocidentalização dos personagens de “Ghost in the Shell”, até agora nenhum movimento de protesto tem se manifestado contra a escalação de atores americanos nos papeis originais japoneses de “Death Note”. O mangá original foi criado por Tsugumi Ohba e Takeshi Obata e já foi adaptado em duas séries (uma anime e outra com atores), além de três filmes live action no Japão. Por sinal, um quarto longa já vai estrear em outubro. A Warner Bros. tentava desenvolver a adaptação americana há cerca de seis anos, até que desistiu, permitindo ao Netflix assumir a produção. O roteiro é de Jeremy Slater (“Quarteto Fantástico”) e ainda não há previsão de estreia.
Emma Watson se junta às vozes indignadas pelo estupro coletivo no Rio
A atriz Emma Watson, que ficou conhecida por interpretar a bruxinha Hermione nos filmes da saga de “Harry Potter”, se juntou a uma campanha virtual motivada pelo caso do estupro coletivo que aconteceu no Rio de Janeiro e tomou conta do noticiário brasileiro nos últimos dias. Na manhã de domingo (29/5), Watson tuitou, em português, a hashtag #EstuproNãoÉCulpaDaVítima. Dezenas de fãs brasileiros repercutiram o post da atriz, agradecendo o apoio. Emma é embaixadora global da boa vontade da ONU Mulheres e interpretará um princesa da Disney em seu próximo filme, “A Bela e a Fera”, que estreia em março de 2017. #EstuproNaoÉCulpaDaVitima — Emma Watson (@EmWatson) May 29, 2016
Cannes: Diretor de A Separação usa violência sexual como parábola do Irã moderno
Último filme exibido na competição do Festival de Cannes, “The Salesman” (Forushande), do iraniano Asghar Farhadi, também se foca na violência sexual contra uma personagem feminina. Mas num contexto completamente diferente do elogiado “Elle”, de Paul Verhoeven. O novo drama do diretor de “A Separação” (2011), vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e de “O Passado” (2013), que rendeu à Bérénice Bejo o prêmio de melhor atriz em Cannes, volta a falar sobre os dilemas morais do Irã moderno. O fio condutor é uma história de mistério e vingança, que envolve um casal de atores de uma montagem local da peça “A Morte do Caixeiro Viajante” de Arthur Miller. Após serem forçados a abandonar seu prédio devido a uma obra, Emad (Shahab Hosseini) e Rana (Taraneh Alidoosti) se mudam temporariamente para um apartamento no centro de Teerã, antes ocupado por uma moradora de comportamento “promíscuo”. Certa noite, o lugar é invadido e a mulher é atacada enquanto toma banho. Temendo por sua privacidade, ela se recusa a procurar a polícia, o que provoca uma mudança de comportamento no então sereno marido. A tensão se eleva e afeta o relacionamento do casal, prejudicando até o trabalho de Emad como professor e a peça na qual os dois atuam. O diretor, que estudou teatro antes de se envolver com cinema, confessou que se sentiu voltando às origens ao filmar o mundo teatral, e que a história de Emad e Rana traça um paralelo com a dos protagonistas de “A Morte do Caixeiro Viajante”, que ambos encenam no palco. “Há tempos queria fazer um filme sobre uma peça de teatro”, disse o cineasta, durante a entrevista coletiva do festival. “A peça fala de personagens que tentam se encaixar em um mundo em transformação. O texto de Arthur Miller conta a história de homens e mulheres que não conseguem acompanhar as mudanças que estão acontecendo em Nova York nos anos 1940 e 1950. Emad e Rana também estão procurando seu lugar na sociedade iraniana, que está sedenta por modernidade. Eles não conseguem se adaptar aos novos tempos”, comparou. As comparações entre a vida real e a ficção teatral embutem na narrativa a discussão dos valores conservadores no Irã. “É fácil ver os conflitos anacrônicos. A escola em que Emad trabalha, por exemplo, ainda separa meninos de meninas. Eles vivem a dicotomia do país”, descreveu o diretor. Farhadi já havia trabalhado com Taraneh Alidoosti e Shahab Hosseini em “À Procura de Elly” (2009), o filme com o qual chamou atenção internacional, premiado no Festival de Berlim, e que era outra parábola moral, disfarçada de história de mistério. E os intérpretes conferem convicção a cada fotograma, enquanto a trama avança em ritmo firme para o suspense intenso.
Cannes: Filme de Paul Verhoeven excita, tensiona e eletriza o festival
O suspense “Elle” interrompeu a monotonia das vaias em Cannes com doses eletrizantes de tensão. Produção francesa dirigida pelo veterano holandês Paul Verhoeven, o filme traz Isabelle Huppert como uma empresária implacável que é estuprada, na própria casa, por um homem mascarado, e passa a lidar com a situação de forma ambígua. Ao retomar o gênero do thriller sexual, que traz à tona em sua filmografia o clássico “Instinto Selvagem” (1992), Verhoeven demonstrou que continua um mestre em criar situações perversas e obter desempenhos antológicos. A consagração, por meio de elogios rasgados da crítica, representa a volta por cima de um grande cineasta, que nos últimos anos, graças a sucessivos remakes de seus trabalhos, vem sendo alçado ao status de lenda cult. Inspirado em livro de Philippe Djian (o escritor de “Betty Blue”), “Elle” foi escrito pelo americano David Burke (“Os 13 Pecados”), especialista em terrores baratos, e quase foi rodado nos Estados Unidos, onde Verhoeven não filma desde “O Homem sem Sombra” (2000). Mas Hollywood não saberia lidar com a escuridão madura do filme, após virar as costas para o diretor que fez, ainda, “RoboCop” (1987), “O Vingador do Futuro” (1990) e “Tropas Estelares” (1997), franquias que rendem dinheiro para seus estúdios até hoje. “A ideia inicial do produtor Said Ben Said (coprodutor do brasileiro ‘Aquarius’), que já fez filmes para Roman Polanski, David Cronenberg e Brian DePalma, era, sim, ambientá-lo em uma cidade americana. Mas o livro é francês, Isabelle é uma atriz maravilhosa, e fiquei feliz de filmarmos em Paris. Seria um filme completamente diferente se feito nos Estados Unidos”, contou o cineasta, que está com 77 anos, na entrevista coletiva de Cannes. Sobre seu distanciamento de Hollywood, Verhoeven afirma que não tem encontrado roteiros interessantes nos Estados Unidos. “O que é feito lá hoje em dia não me interessa ou eu mesmo já fiz”, disse, ao mesmo tempo em que se mostrou aberto à propostas. “Se houver um bom roteiro… Dinheiro não importa. Ou melhor, ele chega de qualquer forma, se você é bom naquilo que faz.” Um bom roteiro, por sinal, foi o que fez Isabelle Huppert entrar em “Elle”. A grande atriz, que já foi premiada duas vezes em Cannes – na juventude, por “Violette” (1978), e no auge, por “A Professora de Piano” (2001) – , se disse encantada pela trama cheia de ironia, “que nunca dá explicações, só lança hipóteses, o que facilita a performance”. Sua personagem, Michelle, surge como uma mulher dura e pragmática, que administra tanto a empresa quanto a família da mesma forma, sem muita emoção. Marcada pelos crimes cometidos pelo pai em sua infância, ela mantém distanciamento nas relações com o filho, o ex-marido e a melhor amiga. E não altera sua rotina após sofrer a agressão sexual. Sem envolver a polícia, ela parece apenas curiosa em descobrir a identidade de seu agressor, aparentemente atraída pela ousadia. “A Michelle abre a porta para alguma coisa que gostaria que acontecesse com ela, mas não sabe como confessar isso. Ela é uma mulher que está se questionando o tempo todo, tentando entender quem é”, explicou Huppert. Ela não crê que o sentimento ambíguo despertado pelo estupro vá chocar o público. “A história não é um manifesto sobre um estupro. Não se trata de uma história realista, é como um conto de fadas, uma fantasia”, explica, separando arte e vida real. A consideração da atriz é importante nessa época em a arte vive sob ameaça constante do boicote politicamente correto. Num momento em que as mulheres debatam o machismo do cinema, a personagem de Huppert parece encontrar prazer em sofrer abusos. Sem esconder de ninguém, apenas da polícia, Michelle conta o caso de forma corriqueira para o ex-marido e colegas, que reagem com mais pavor que ela. Logo, fica clara a sua fascinação pelo homem que a violentou. O que deve causar grande rejeição entre as feministas. “A reação dela não é comum a todas as mulheres. Ela vive uma situação particular, que é só dela”, defende Huppert. “O filme não está falando sobre a situação geral das mulheres do mundo”, pondera. Para Verhoeven, porém, a reação de Michelle não é anormal. Anormal é quem se mostra capaz de voar numa produção cinematográfica. “Eu gosto de falar de pessoas, algo que anda se perdendo nas telas, sobretudo no cinema americano, onde os filmes de super-herói prevalecem. Com eles, nós estamos perdendo o contato com a normalidade. Devemos voltar a falar de pessoas normais, porque é nelas que está a riqueza”, disse o diretor. Veja Também: O Trailer
Cannes: Cristian Mungiu mostra a força irresistível da corrupção
O romeno Cristian Mungiu já tem uma Palma de Ouro, por “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias” (2007), uma obra-prima sobre o horror da vida sob os escombros do comunismo, cujo título descreve um aborto. Ele também foi premiado em Cannes pelo roteiro de “Além das Montanhas” (2012), em que a crença religiosa leva uma jovem à morte. Cineasta que dá cores vivas a um mundo repleto de tons de cinza, ele volta a focar escolhas morais em situações limite em seu novo drama, “Graduation” (“Bacalaureat” no original e “formatura” em tradução literal). O filme gira em torno de um pai dedicado e médico de uma pequena cidade da Transilvânia, chamado Romeo (vivido por Adrian Titieni, de “Instinto Materno”), que preparou a filha (Maria-Victoria Dragus, de “A Fita Vermelha”) para ganhar uma bolsa de estudo para estudar na Inglaterra. Mas, às vésperas dos exames finais do colegial, ela sofre um ataque sexual, desmorona e põe em risco os planos de estudar longe da Romênia. Diante do problema, o pai se desespera e apela para formas de garantir a aprovação da filha, num país marcado pela corrupção e distribuição de propinas, mesmo que isso comprometa todos os princípios que ele ensinou para a menina. Para complicar ainda mais, há uma operação policial contra a corrupção no país – uma Lava Jato romena. A história de “Graduation”, como toda a obra de Mungiu, vem da experiência de viver numa sociedade atrasada por décadas de burocracia comunista, mas encontra enorme ressonância no mundo contemporâneo. A citação à Lava Jato já demonstra como o filme se aproxima da realidade do Brasil, mostrando a universalidade do tema proposto. “A história de Romeo é também uma história sobre uma sociedade e suas instituições”, explicou Mungiu, durante a entrevista coletiva no festival. “Há uma relação entre compromisso, corrupção, educação e pobreza?”, ele questiona, mostrando o debate político que a trama é capaz de inspirar. Ao colocar seus personagens diante de escolhas morais, transfere as mesmas perguntas ao espectador. “O filme fala de um pai que escolhe o que acha ser o melhor para a filha, se é aprendendo a viver no mundo real ou a lutar da forma que for possível para mudar esse mundo”. O cineasta filma tudo com grande naturalismo, sem histeria, como um registro sóbrio de uma realidade social. E foca o mundo inteiro. “Esta história não fala somente da Romênia, mas de uma forma de fazer certas coisas, de como deixamos o comércio entrar em nossas vidas. Espero que seja um filme universal”, ele conclui.
Elle: Isabelle Huppert é vítima de ataque sexual em trailer que marca a volta de Paul Verhoeven ao suspense
A SBS Films divulgou o pôster e o primeiro trailer de “Elle”, filme que marca a volta do cineasta holandês Paul Verhoeven ao gênero do thriller sexual, que ele explorou famosamente em “Instinto Selvagem” (1992). “Elle” é uma produção francesa, estrelada por Isabelle Huppert (“Amor”) e baseada no romance homônimo de Philippe Djian, autor já adaptado em “Betty Blue” (1986) e “O Amor É um Crime Perfeito” (2013). Com roteiro de David Birke (“Prisioneira do Medo”), o filme se desenrola em torno de um ataque brutal que a protagonista sofre, em sua própria casa, por um invasor mascarado, as sequelas traumáticas que isso deixa e o plano traçado para descobrir a identidade do agressor. A estreia está marcada para 21 de setembro na França e ainda não há previsão de lançamento no Brasil.









