Belíssimo, O Filme da Minha Vida confirma talento do diretor Selton Mello
O escritor chileno Antonio Skármeta já teve um texto adaptado para o cinema que alcançou grande sucesso, “O Carteiro e o Poeta”, dirigido por Michael Radford em 1996. “O Filme da Minha Vida”, de Selton Mello, adaptação de “Um Pai de Cinema”, pode repetir o feito. É um filme que lida com o público de modo terno, afetivo e lírico. Traz para o cinema o clima poético e nostálgico do texto de Skármeta, acrescentando-lhe novos personagens e situações e fazendo novos elos que tornam a trama mais clara e compreensível, sem resvalar no melodrama ou nas soluções fáceis. E sem perder o clima de mistério, deixando um caminho para o espectador percorrer, que vai além das imagens e, portanto, também além do texto original. O que Selton Mello fez foi uma adaptação literária, mas de um modo muito pessoal, colocando-se no protagonista e no seu contexto de época. Ao transportar a trama das serras chilenas para as serras gaúchas, ele manteve o espírito interiorano da história, com seus limites, mas ressaltou o sonho dos personagens, envolvendo-os com referências brasileiras, mantendo e dando cor local à bela homenagem ao cinema que o texto de Skármeta faz. Em “O Palhaço” (2010), Selton Mello, um dos grandes atores da sua geração, encontrou seu caminho também como cineasta. Mostrou-se capaz de lidar com emoções de forma intensa, mas equilibrada. Buscou comunicar-se com um público amplo, usando o humor, homenageando a cultura popular, inclusive televisiva, sem adotar seu modelo simplista e popularesco. Ele mantém esse espírito em “O Filme da Minha Vida”, onde também dirige e atua simultaneamente, além de ser roteirista, ao lado de Marcelo Vindicatto. O filme tem a cara de Selton Mello. Já é reconhecível sua autoria neste terceiro longa. A fotografia, a cargo de Walter Carvalho, que tantas contribuições tem dado ao cinema brasileiro, é lindíssima. Nos seus tons marrons e amarelados, ressalta a luminosidade da serra e, sob névoa ou luz baixa, nos conduz ao clima frio serrano e aos anos 1960, em que se situa a história, na hipotética cidade de Remanso. Na verdade, as filmagens ocorreram em sete cidades diferentes, na região de Garibaldi. O filme é recheado de boa música daquele período histórico, com ênfase em canções francesas, já que o protagonista Tony Terranova (Johnny Massaro) também dá aulas de francês para sua turma de alunos e é filho de um francês, Nicolas, papel do conhecido ator Vincent Cassel, agora vivendo no Rio de Janeiro. Nem por isso deixa de soar estranho ouvir “My Way” em versão francesa. Outra estranheza para os mais novos pode ser ouvir a seminal “Rock Around the Clock”, de Bill Haley, em versão nacional. Estranhezas à parte, é fácil sair cantarolando do cinema. “Coração de Papel”, de Sérgio Reis, é um dos hits em destaque. E de Charles Aznavour, “Hier Encore”. A história remete à busca de um pai que abandonou misteriosamente mulher e filho para voltar a viver na França e esqueceu-se da família. Mas essa versão faz sofrer e não convence. O que estará por trás disso? O jovem personagem Tony, enquanto busca saber do pai, vai construindo uma vida como professor de província, lidando com a demanda sexual dos alunos pré-adolescentes e da sua própria demanda amorosa e sexual, ele próprio recém-saído da adolescência. Os meninos personagens dão margem a cenas fascinantes e divertidas. Já com a mãe Sofia (Ondina Clais) há afeto, mas a tristeza da perda marca a relação. As jovens Luna (Bruna Linzmeyer), que encanta Tony com seu jeito meio maluquinho, e sua irmã, Petra (Bia Arantes) têm papel decisivo no desenrolar da narrativa. Assim como o manipulador Paco, o papel de Selton Mello no filme. É um senhor elenco de atores e atrizes que mergulham intensamente em seus personagens, revelando que Selton é um ótimo diretor de atores. O que, afinal, não surpreende, com a cancha de representar que ele tem. Duas participações especiais merecem destaque. Rolando Boldrin faz um maquinista de trem, personagem criado por Selton para o filme, especialmente para ser vivido por ele. Antonio Skármeta também atua numa ponta e contracena com Selton Mello, reunindo, assim, os autores da bela narrativa, tanto literária quanto cinematográfica.
O Filme da Minha Vida: Novo trailer destaca o papel de Selton Mello
A Vitrine Filmes divulgou um novo trailer de “O Filme da Minha Vida”, drama dirigido por Selton Mello, seis anos depois do sucesso de “O Palhaço”. A prévia volta a destacar a fotografia belíssima, que dá à produção de época um aspecto refinado, acentuado ainda mais pela participação do francês Vincent Cassel (“Em Transe”). Além disso, pela primeira vez o papel de Selton é apresentado com maiores detalhes. Passado nos anos 1960, o filme gira em torno de Jacques (Johnny Massaro, de “A Frente Fria que a Chuva Traz”), jovem professor de um povoado, que foi abandonado pelo pai, um forasteiro francês (Cassel), há vários anos, deixando para ele uma motocicleta e um amigo, o papel de Selton Mello. O elenco também destaca Bruna Linzmeyer (“A Frente Fria que a Chuva Traz”), Bia Arantes (“Real – O Plano por Trás da História”), Ondina Clais Castilho (“Meu Amigo Hindu”), Erika Januza (novela “Sol Nascente”), Martha Nowill (“Vermelho Russo”) e o veterano Rolando Boldrin (novela “Os Imigrantes”). A trama adapta o livro “Um Pai de Cinema”, do escritor chileno Antonio Skármeta (“O Carteiro e o Poeta”). E, além de dirigir e coadjuvar, Selton Mello também assina o roteiro em parceria com Marcelo Vindicato, com quem trabalhou em “Feliz Natal” (2008) e “O Palhaço” (2011). A estreia está marcada para 3 de agosto.
O Filme da Minha Vida: Drama de Selton Mello ganha novo trailer belíssimo
A Vitrine Filmes divulgou o pôster e um novo trailer de “O Filme da Minha Vida”, drama dirigido por Selton Mello, seis anos depois do sucesso de “O Palhaço”. A prévia destaca uma fotografia belíssima, que dá à produção de época um aspecto refinado, acentuado ainda mais pela participação do francês Vincent Cassel (“Em Transe”). Passado nos anos 1960, o filme gira em torno de Jacques (Johnny Massaro, de “A Frente Fria que a Chuva Traz”), jovem professor de um povoado, que foi abandonado pelo pai, um forasteiro francês (Cassel), há vários anos. Um dia, ao visitar a cidade vizinha para ir ao cinema, Jacques descobre que a explicação de tudo pode estar muito perto dele. O elenco também destaca Bruna Linzmeyer (“A Frente Fria que a Chuva Traz”), Bia Arantes (“Real – O Plano por Trás da História”), Ondina Clais Castilho (“Meu Amigo Hindu”), Erika Januza (novela “Sol Nascente”), Martha Nowill (“Vermelho Russo”) e o veterano Rolando Boldrin (novela “Os Imigrantes”). A trama adapta o livro “Um Pai de Cinema”, do escritor chileno Antonio Skármeta (“O Carteiro e o Poeta”). E, ao contrário de “O Palhaço”, Selton não fará o papel principal, participando apenas como coadjuvante, além de dirigir e assinar o roteiro em parceria com Marcelo Vindicato, com quem trabalhou em “Feliz Natal” (2008) e “O Palhaço” (2011). A estreia está marcada para 3 de agosto.
O Filme da Minha Vida, novo longa dirigido por Selton Mello, ganha teaser belíssimo
A Vitrine Filmes divulgou o primeiro trailer de “O Filme da Minha Vida”, novo filme dirigido por Selton Mello, seis anos depois do sucesso de “O Palhaço”. A prévia é belíssima, revelando um drama de época refinado com participação do francês Vincent Cassel (“Em Transe”) e Bruna Linzmeyer (“A Frente Fria que a Chuva Traz”) mais linda que nunca. Passado nos anos 1960, o filme gira em torno de Jacques (Johnny Massaro, também de “A Frente Fria que a Chuva Traz”), jovem professor de um povoado, que foi abandonado pelo pai, um forasteiro francês (Cassel), há vários anos. Um dia, ao visitar a cidade vizinha para ir ao cinema, Jacques descobre que a explicação de tudo pode estar muito perto dele. A trama adapta o livro “Um Pai de Cinema”, do escritor chileno Antonio Skármeta (“O Carteiro e o Poeta”). E, ao contrário de “O Palhaço”, Selton não fará o papel principal, participando apenas como coadjuvante, além de dirigir e assinar o roteiro em parceria com Marcelo Vindicato, com quem trabalhou em “Feliz Natal” (2008) e “O Palhaço” (2011). A estreia está marcada para 3 de agosto.
Ator de Rua Cloverfield, 10 se junta a Kristen Stewart em filme de catástrofe submarina
John Gallagher Jr. (“Rua Cloverfield, 10”) se juntou a Kristen Stewart no filme de catástrofe submarina “Underwater”. Além dos dois, o elenco também conta com T.J. Miller (“Deadpool”), o francês Vincent Cassel (“Jason Bourne”) e a inglesa Jessica Henwick (série “Punho de Ferro”). Todos interpretarão cientistas na trama, que se passa num laboratório submarino. Após um terremoto destruir as instalações no fundo do mar, eles precisarão lutar pela sobrevivência. Com produção de 20th Century Fox, roteiro de Brian Duffield (“A Série Divergente: Insurgente”) e direção de William Eubank (“O Sinal”), “Underwater” tem previsão de estreia para 2018.
Jessica Henwick e Vincent Cassel se juntam a Kristen Stewart em thriller submarino
O francês Vincent Cassel (“Jason Bourne”) e a inglesa Jessica Henwick (série “Punho de Ferro”) se juntaram a Kristen Stewart no filme “Underwater”. Além deles, a produção também conta com T.J. Miller (“Deadpool”). Os atores darão vida a uma equipe científica que trabalha num laboratório submarino. A trama vai focar um desastre no lugar, após um terremoto destruir as instalações no fundo do mar, levando-os a lutar pela sobrevivência. Com produção de 20th Century Fox, roteiro de Brian Duffield (“A Série Divergente: Insurgente”) e direção de William Eubank (“O Sinal”), “Underwater” tem previsão de estreia para 2018.
É Apenas o Fim do Mundo embaraça o cinema pretensioso de Xavier Dolan
O prestígio que cerca precocemente jovens talentos costuma dividir opiniões. Não por acaso, todas as reações ao trabalho do cineasta canadense Xavier Dolan são exaltadas, sejam elas positivas ou negativas. Dolan tinha acabado de atingir a maioridade quando foi revelado ao mundo com o desconcertante “Eu Matei a Minha Mãe” (2009). Desde então, transformou-se em um queridinho dos franceses, recebendo em Cannes um Prêmio do Júri por “Mommy” (2014) e o Grande Prêmio do Júri por seu novo filme, “É Apenas o Fim do Mundo”, tendo somente 27 anos, algo que veteranos que batem cartão com frequência no festival jamais conseguiram. Por um lado, não se questiona que ele seja um bom diretor de elenco, algo que advém de também desempenhar o ofício da interpretação, e que compreende bem as possibilidades de artimanhas da linguagem, tendo em “Mommy” modificado a largura da tela com uma intenção muito mais do que estética. Por outro lado, a sua visão para dramas adultos soa infantilizada, por vezes tratando banalidades com a pirraça de um jovem que visualiza tudo como o fim do mundo – vem bem a calhar aqui o título de seu novo filme. Seu sexto longa-metragem concentra tudo o que de pior é apontado em seu cinema. Isso porque a adaptação que faz da peça de Jean-Luc Lagarce é insuportável, um pavor. Escritor que oculta o fato de estar com uma doença terminal, Louis-Jean Knipper (Gaspard Ulliel, de “Saint Laurent”) volta para a casa de sua família com a intenção de revelar a sua condição. Não há um segundo que ele não ensaie o modo como trará a informação à tona, mas sempre se acovarda quando se julga preparado. Há quatro membros da família que o aguardam: a sua mãe (Nathalie Baye, de “Uma Doce Mentira”), a sua irmã caçula Suzanne (Léa Seydoux, de “007 Contra Spectre”), o seu irmão mais velho Antoine (Vincent Cassel, de “Em Transe”) e a sua cunhada Catherine (Marion Cotillard, de “Macbeth”, deslocada como nunca). Raramente se viu um núcleo familiar que usa tanto as trivialidades como justificativa para discutir aos berros. Ainda que alguma escolha no passado de Louis-Jean tenha deixado um mal estar na atmosfera da residência, briga-se por várias outras coisas, como a preparação do jantar, a ausência de cartas, a passividade de Catherine, a notificação de partida do anfitrião e por aí vai. Dolan faz algo pior que um teatro filmado. Quase sem pausas para respiros, a sua câmera fica grudada nas faces do elenco durante 90 minutos, como se pretendesse com isso representar a rua sem saída em que está o seu protagonista, captando cada olhar e gota de suor, mas jogando pela lixeira a potencialidade dos intérpretes, ao ignorar que uma atuação depende da anatomia em sua totalidade para se comunicar. A pretensão dessa escolha, somada à artificialidade da iluminação do diretor de fotografia André Turpin (também de “Mommy”) para reforçar a inconstância do temperamento dos personagens, marca “É Apenas o Fim do Mundo” como o ponto mais embaraçoso da carreira de Dolan, mais do que o elenco composto exclusivamente por atores franceses. E também leva a questionar os critérios do juri do último Festival de Cannes, presidido pelo cineasta George Miller (“Mad Max: Estrada da Fúria”), que preferiu premiar isso e ignorar, por exemplo, “Elle”, de Paul Verhoeven.
Doce Veneno é um filme de outra época, mais divertida e libertária
“Doce Veneno” evoca a época das pornochanchadas brasileiras ou, equivalente, a era de ouro do cinema erótico italiano. Mas também na França das décadas de 1970 e 1980 se produzia filmes mais apelativos, ainda que o cinema do país sempre parecesse tratar a sexualidade com mais naturalidade e menos malícia do que nós e os italianos. A comédia de Jean-François Richet (“Herança de Sangue”) é, na verdade, remake de um desses filmes, que busca fazer graça, mexer um pouco com a libido e também encher os olhos do espectador com a beleza e o viço de sua estrela, a ninfeta que dá em cima do melhor amigo do próprio pai. Para se ter ideia, o cartaz do filme original, traduzido como “Um Momento de Loucura” em 1977, era uma ilustração sacana de Georges Wolinski, o mestre do cartum erótico francês, assassinado no massacre da revista Charlie Hebdo, vítima da repressão e do mau humor contemporâneo. Na trama, dois amigos, Laurent (Vincent Cassel, de “Jason Bourne”) e Antoine (François Cluzet, de “Intocáveis”), levam suas jovens filhas para passar uns dias na praia para se divertirem. Laurent é divorciado e Antoine está passando por uma crise no casamento. O filme já começa com os quatro dentro do carro e a caminho da casa que servirá de local para muitas confusões e intrigas. Mas tudo é visto de maneira bem leve, embora às vezes o diretor pese um pouco a mão, e em ocasiões Cluzet esteja visivelmente exagerado no registro cômico, especialmente quando descobre que um sujeito bem mais velho andou mexendo com sua filha. A cena fica, claramente, parecendo mesmo de um filme de outra década. Curiosamente, a mesma premissa serviu de inspiração para um filme americano bem parecido, “Feitiço do Rio” (1984), que contou com Michael Caine como protagonista e trouxe Demi Moore de topless nas praias cariocas. “Doce Veneno” é um pouco menos apelativo, embora seja generoso em pelo menos uma cena de nudez da lolita estreante, Lola Le Lann. De fato, a cena que os dois protagonistas ficam pela primeira vez juntos, uma cena na praia, é uma das melhores do filme. Mas enquanto a lolita insiste que a vida é pra ser vivida agora, ou algo do tipo, Laurent morre de preocupação, pois estaria se envolvendo com uma menor de idade (17 anos e meio), bem mais nova do que ele e, pior, filha de seu grande amigo. Mas quem espera que o filme prossiga com esse tom de provocação sensual pode até ficar um pouco decepcionado, já que há um interesse maior no modo como essa relação, que nasceu em noite de lua cheia, abalará as estruturas das relações entre amigos e pais e filhas dentro daquele ambiente. Ainda que não se trate de um grande filme, é agradável de ver. E o anacronismo não incomoda. Ao contrário: acaba funcionando a seu favor, por mais que muitos considerem o resultado uma simples bobagem. Enquanto mais bobagens como essa aparecerem nas comédias contemporâneas, mais claro ficará que o cinema de décadas passadas era bem mais divertido e libertário. É como se a culpa que sente o personagem de Cassel tivesse sido incorporada por todas as novas gerações em relação ao prazer.
É Apenas o Fim do Mundo: Drama premiado com Marion Cotillard e Léa Seydoux ganha primeiro trailer legendado
A Califórnia Filmes divulgou o trailer legendado de “É Apenas o Fim do Mundo”, primeiro filme do cineasta canadense Xavier Dolan estrelado por atores franceses. E que atores! Gaspard Ulliel (“Saint Laurent”) tem o papel principal, como um jovem que decide reencontrar a família, após muitos anos, para comunicar que irá morrer. A prévia é toda narrada de seu ponto de vista, imaginando como se dará o encontro com a família interpretada por Léa Seydoux (“007 Contra Spectre”), Marion Cotillard (“Macbeth”), Vincent Cassel (“Em Transe”) e Nathalie Baye (“Uma Doce Mentira”). Adaptação da peça homônima de Jean-Luc Lagarce, o filme foi premiado com o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes (considerado o prêmio de 2º lugar da competição). Apesar do elenco francês, o filme foi escolhido como representante do Canadá na busca por uma indicação ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira. A estreia está marcada para 24 de novembro no Brasil, dois meses após a estreia no Canadá e na França.
Desculpe o transtorno, mas sete filmes nacionais estreiam nesta semana
Um terror é o principal lançamento no circuito nacional pela segunda semana consecutiva. Retomando a franquia que popularizou a estética dos vídeos encontrados (found footage) em 1999, “Bruxa de Blair” dará sustos no escuro de 734 cinemas pelo Brasil. A continuação acompanha uma nova equipe de documentaristas na floresta onde os integrantes do filme original desapareceram, e foi rodado em segredo por Adam Wingard (“Você É o Próximo”), um dos diretores mais incensados da nova geração do terror/suspense. A surpresa dividiu opiniões, com 53% de aprovação no site Rotten Tomatoes – bem melhor que a primeira sequência, lançada em 2000 com apenas 13%. O segundo filme americano nos shoppings é “Conexão Escobar”, que traz Bryan Cranston (série “Breaking Bad) como um agente da alfândega que enfrenta o cartel do narcotraficante colombiano Pablo Escobar. Chega em 119 salas após implodir nas bilheterias dos EUA e sem ter gerado um terço do hype da série “Narcos” sobre o mesmo tema. Mas a crítica gringa gostou (67% de aprovação). De todo modo, o que chama atenção na semana é a quantidade de estreias nacionais. São nada menos que sete longas: dois documentários e cinco obras de ficção, com destaque para um drama adolescente absolutamente imperdível. Apesar disso, apenas um dos lançamentos conta com distribuição ampla. “Desculpe o Transtorno” leva a 318 telas a tentativa de Gregório Duvivier emplacar como protagonista de comédia romântica, na esteira do colega de Porta dos Fundos Fábio Porchat. Nesta missão, ele contou com ajuda dos incautos que tornaram viral um texto de propaganda, publicado em sua coluna num grande jornal, supostamente como declaração de amor à ex-esposa, que, “por coincidência”, é seu interesse amoroso no filme. Houve quem achasse o texto profundo. Mas a comédia não passa de uma versão besteirol de “O Médico e o Monstro”, em que Duvivier faz o público sofrer com suas duas personalidades, um estereótipo de paulista e um clichê de carioca. O roteiro foi escrito por Adriana Falcão e Tatiana Maciel, que assinaram juntas “Fica Comigo Esta Noite” (2006), e a direção é de Thomas Portella, que retorna ao humor de sua estreia, “Qualquer Gato Vira-Lata” (2011), após o terror banal “Isolados” (2014) e o ótimo policial “Operações Especiais” (2015). O contraste é brutal com o outro lançamento do gênero, “Turbulência”, que chega em apenas quatro salas no interior do Rio. Acompanhando os encontros e desencontros de dois casais, o filme tem uma história de aeroporto como pano de fundo, como em “Ponte Aérea” (2014), mas é muito amador, com elenco de coadjuvantes de novela, cenografia “Casas Bahia”, falta de timing humorístico e tom histérico permanente. A equipe vem da produção de séries da TV Rio Sul, braço da Globo no interior carioca, e é sub-Globo em tudo. Igualmente televisivo, “Os Senhores da Guerra” tem ambição épica, porém suas cenas de batalha são encenadas como minissérie da Globo – ou, no caso, da RBS TV, cujo padrão é bem mais elevado que o da TV Rio Sul. Assim como nos longas anteriores de Tabajara Ruas (“Netto Perde Sua Alma”), a produção foca conflitos históricos do Rio Grande do Sul, desta vez a Revolução Federalista do século 19. A carga dramática ganha contornos folhetinescos com a divisão política de uma família, que coloca irmão maragato contra irmão ximango. A distribuidora não revelou o circuito, mas o lançamento chega, além do RS, ao menos em São Paulo. Também rodado no Sul do país, “Lua em Sagitário” é um drama adolescente que acompanha uma garota entediada com seu cotidiano, numa cidadezinha catarinense na fronteira com a Argentina. Em busca de novidades, ela descobre o amor, o rock e os últimos hippies brasileiros. Um deles, claro, é Sergei. A outra é a recém-falecida Elke Maravilha, em seu derradeiro papel. Mas vale prestar atenção na jovem protagonista, a estreante Manuela Campagna, que passa meiguice extrema. Com vivência em documentários, a diretora Marcia Paraiso faz uma boa estreia na ficção, apesar de alguns problemas de dicção de seu elenco. Já o melhor da lista é, disparado, “Mate-me por Favor”, filme de estreantes, que mesmo assim rendeu os prêmios de Melhor Atriz e Direção para a Valentina Herszage e Anita Rocha da Silveira, respectivamente. Interessante como as melhores estreias da semana são dois primeiros filmes de novas diretoras, focados em adolescentes e sem atores globais. “Mate-Me por Favor”, inclusive, seguiu carreira internacional, exibido nos festivais de Veneza, Munique, IndieLisboa e SXSW, arrancando elogios da imprensa internacional – mas não foi submetido à comissão do Oscar. Escrito pela própria diretora, “Mate-me por Favor” explora medo e desejo, manifestando as pulsões de eros e thanatos na descoberta da sexualidade de um grupo de adolescentes numa região violenta, marcada pelo assassinato de meninas da sua idade, com reflexo na repressão feminina. Redondinho, rende várias leituras, prende a atenção do começo ao fim e já tem lugar garantido na seleção de melhores do ano da Pipoca Moderna. Mas pode ser difícil vê-lo, pois a distribuição é limitada e não teve seu circuito divulgado. Por falar em pulsão, há ainda um documentário nacional, “Hestórias da Psicanálise – Leitores de Freud”, que chega em 20 telas, dedicado a refletir a leitura de Sigmund Freud no Freud. Bem feito e convencional. O outro documentário é parte ficção. “Olympia” reflete sobre a realização das Olimpíadas no Rio e seu impacto, repisando o pisoteado tema da corrupção. O diretor Rodrigo Mac Niven (“O Estopim”) parte da construção do campo de golfe num terreno de reserva ambiental, mas o escândalo se passa numa cidade fictícia chamada Olympia, onde as pessoas nascem com asas, que logo são cortadas. A alegoria dilui a denúncia, colateralmente lembrando que no Rio tudo inspira carnaval. A programação se completa com dois lançamentos europeus em circuito limitado. Apesar da popularidade dos personagens, a animação espanhola “Mortadelo & Salaminho – Em Missão Inacreditável” estará disponível em cerca de 20 salas com exclusividade na rede Cinépolis. A produção usa computação gráfica para dar novas dimensões à obra clássica de Francisco Ibáñez e terá, inclusive, algumas exibições em 3D, mas seu humor não reflete a graça dos quadrinhos originais. Por fim, o francês “Meu Rei” chega a oito salas do Rio de Janeiro. Sorte dos cariocas, pois é o melhor filme internacional da semana. Dirigido pela bela atriz, que virou brilhante cineasta Maïween (vejam também “Polissia”), acompanha um romance que se torna um relacionamento abusivo, com cenas de amor e violência doméstica, estendendo-se por anos. Emmanuelle Bercot foi premiada como Melhor Atriz do Festival de Cannes por seu papel, e o elenco ainda inclui Vincent Cassel e Louis Garrel – todos, mais a diretora, indicados ao César, o “Oscar francês”. A expectativa é que o circuito se expanda nas próximas semanas para outras cidades.
Fantasia adulta de O Conto dos Contos é capaz de encantar e repugnar
O cineasta Matteo Garrone pegou muita gente de surpresa quando, depois de fazer filmes de temática mais realista, com “Gomorra” (2008), resolveu dirigir um filme de fantasia. Mas vale dizer que não é um filme de fantasia convencional. É uma fantasia para adultos. Se bem que muitos contos infantis mais antigos têm uma característica bastante cruel e até violenta. A preocupação com o medo que esses contos poderiam gerar nas crianças é que fez com que fossem atenuados. A própria Bíblia, inclusive, cheia de sangue por todos os lados, é também atenuada quando contada para as crianças. “O Conto dos Contos”, baseado na obra de Giambattista Basile (1566-1632), junta três histórias que se entrecruzam. Histórias bem estranhas que acontecem em três reinados diferentes. A primeira envolve uma rainha que quer muito ter filhos, mas que não consegue. A rainha é vivida por Salma Hayek (“Selvagens”), o rei por John C. Reilly (“Guardiões da Galáxia”). Sua única esperança vem de um homem estranho e até assustador, que diz que ela engravidará se comer o coração de uma besta do mar. E esse coração deverá ser cozido por uma virgem. O que ocorre a seguir é mesmo fantástico. Uma pena que este núcleo se perca ao longo da narrativa, embora tenha um final até bonito. A outra história é talvez a melhor, a de um rei (Vincent Cassel, de “Em Transe”) que se apaixona pela voz de uma mulher simples de seu povoado. Ele julga se tratar de uma jovem donzela, mas a tal mulher é bastante idosa. E, nesse sentido, o filme não economiza nos aspectos grotescos, principalmente quando mostra a pele envelhecida da mulher e sua tentativa de enganar o rei e atraí-lo para uma noite de sexo, apesar de todas as circunstâncias não ajudarem. Felizmente, o filme vai além disso, ao adicionar um tempero mágico em sua trama. A terceira história é a que parece menos interessante a princípio, mas ganha força em seu desenrolar: Toby Jones (série “Wayward Pines”) vive um rei cuja filha adolescente já sente vontade de casar e de sair de seu castelo. No dia em que ela canta uma canção para o pai, o velho entra em contato com uma estranha pulga, que passa a ser seu animal secreto de estimação. A história da pulga, felizmente, funcionará como link para outra história melhor. Trata-se de uma obra estranha, mas que tem uma fotografia e uma direção de arte que se destacam, além de um elenco internacional bem interessante. E embora talvez falte alguma coisa para que o filme alcance o grande público, não deixa de ser um daqueles trabalhos que, só pela estranheza e pela singularidade, já vale a conferida.
Daniel Bruhl e Rosamund Pike vão estrelar próximo filme de José Padilha
Os atores Daniel Bruhl (“Capitão América: Guerra Civil”), Rosamund Pike (“Garota Exemplar”) e Vincent Cassel (“Jason Bourne”) estão em negociações avançadas para integrar o elenco de “Entebbe”, próximo filme dirigido pelo brasileiro José Padilha (“Tropa de Elite”). A produção britânica da Working Title e do StudioCanal será o segundo longa estrangeiro de Padilha, após estrear em Hollywood com o remake de “RoboCop” (2014). A nova produção também é uma espécie de remake, pois a história já rendeu um filme israelense, “Operação Thunderbolt” (1977), com direção de Menahem Globus, o dono do estúdio Cannon, além do telefilme americano “Resgate Fantástico” (1976), estrelado por Charles Bronson (“Desejo de Matar”) e dirigido por Irvin Kershner (“O Império Contra-Ataca”). Baseado em fatos reais, “Entebbe” vai dramatizar uma das missões de resgate e combate ao terror mais famosas de todos os tempos: o salvamento dos passageiros de um voo da Air France, vindo de Tel Aviv, que teve sua trajetória desviada para Entebbe, em Uganda, por quatro sequestradores (dois palestinos e dois alemães) em 1976. Ameaçando matar a tripulação e os israelenses presentes no voo, os terroristas exigiam a libertação de dezenas de palestinos aprisionados por Israel, e contavam com o apoio do ditador de Uganda, Idi Amin Dada. Em resposta, o governo israelense mobilizou uma tropa de elite, composta por 100 combatentes, que invadiu o aeroporto, enfrentou o exército ugandense, matou os sequestradores e libertou os passageiros. A operação durou 90 minutos e deixou um saldo de 53 mortos. Entre as baixas, contam-se apenas três passageiros e um único militar israelense, justamente o comandante da invasão, Yonatan Netanyahu, irmão do atual Primeiro Ministro de Israel Benjamin Netanyahu. O roteiro está a cargo de Gregory Burke do ótimo filme britânico “71: Esquecido em Belfast”, filme premiadíssimo que, para variar, saiu direto em DVD no Brasil. A ideia de Padilha é explorar a história por meio de diferentes pontos de vista: dos sequestradores, dos reféns e dos governos de Israel e da Palestina.
Jason Bourne: Veja 20 fotos da volta da franquia de ação estrelada por Matt Damon
A Universal Pictures divulgou 20 fotos de “Jason Bourne”, que marca a volta de Matt Damon ao papel-título, como o espião mais perigoso dos EUA. As imagens trazem Damon armado e pilotando uma motocicleta, além de destacar os coadjuvantes principais, vividos por Alicia Vikander (“O Agente da UNCLE”), Tommy Lee Jones (“Homens de Preto”), Vincent Cassel (“Em Transe”) e Julia Stiles, que retoma a personagem de Nicky Parsons, vista nos longas anteriores da franquia. Além deles, também é possível ver o diretor Paul Greengrass em duas fotos de bastidores. “Jason Bourne” tem estreia agendada para 28 de julho no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.












