Playlist: 10 clipes de bandas de rock indie lideradas por mulheres
A banda de Lydia Night, a adolescente mais cool dos Estados Unidos, abre a playlist abaixo, puxando com seu rock feminista uma coleção de vozes femininas e distorções da cena indie atual. A impressionante líder das Regrettes tem apenas 16 anos e começou a carreira com 12, tocando numa banda com Ryan Reynolds (ele mesmo, do filme “La La Land”). A inglesa Marika Hackman também possui conexões cinematográficas, já que seus pais são animadores e ela teve uma banda com Cara Delevingne (“Valerian e a Cidade de Mil Planetas”) antes de virar artista solo. No clipe de “Boyfriend”, Marika é acompanhada pela banda londrina The Big Moon, que aparece logo em seguida com o primeiro single de seu álbum de estreia. Quem acompanha mais atentamente a cena indie pode reconhecer as irmãs Clavin do Bleached de sua banda anterior, Mika Miko, de Los Angeles, famosa por suas performances frenéticas. Já o trio Hiccup é um spin-off televisivo. A cantora Hallie Bulleit (do Unlovables) conheceu seu parceiro Alex Clute quando os dois foram contratados para integrar um banda de TV, para fazer a trilha ao vivo do talk show nova-iorquino “The Chris Gethard Show”. Decidiram formar sua própria banda de verdade. The Coathangers vem de Atlanta e apresenta seu feminismo já no nome, que é um método abortivo. A lista ainda inclui o trio canadense The Courtneys, a dupla escocesa Honeyblood, a holandesa Pip Blom e a banda inglesa Milk Teeth. Ao apertar o play, reparem que os artistas têm uma sonoridade em comum, que evoca o rock alternativo que vigorou com mais força entre o final dos anos 1980 e o começo dos 1990, com notável influência de Nirvana, Hole, L7, Breeders, Blake Babes, Throwing Muses, etc. Dá até para supor, pela idade da turma, que cresceram ouvindo a coleção de discos de seus pais. A tracklist: The Regrettes – “Seashore” (EUA) Marika Hackman – “Boyfriend” (Inglaterra) The Big Moon – “Cupid” (Inglaterra) The Courtneys – “Silver Velvet” (Canadá) Honeyblood – “Babes Never Die” (Escócia) Pip Blom – “Truth” (Holanda) Bleached – “Wednesday Night Melody” (EUA) Hiccup – “Lady Macbeth & Miss Havisham” (EUA) The Coathangers – “Perfume” (EUA) Milk Teeth – “Owning Your Okayness” (Inglaterra)
U2 volta a soar dançante no primeiro clipe de seu novo disco
A banda U2 divulgou o primeiro clipe de seu novo disco em sua página do Facebook. Intitulada “The Blackout”, a música é dançante como a banda não soava desde o século passado. O clipe registra a banda ao vivo, com participação sonora da platéia, e foi filmado em Amsterdam no mês passado pelo diretor Richie Smyth, que trabalhou antes com o U2, justamente na fase dançante dos anos 1990 – nos clipes de “The Fly” e “Even Better Than the Real Thing”, entre outros. Ele também estreou como diretor de filmes no ano passado, à frente de “Jadotville”, produção da Netflix estrelada por Jamie Dornan (“Cinquenta Tons de Cinza”). A faixa faz parte do disco “Songs of Experience”, que começou a ser gravado em 2016 e ainda não possui previsão de lançamento. Na semana que vem, a banda pretende divulgar um novo single, “You’Re The Best Thing About Me”, além de mais informações sobre o álbum.
Clássico psicodélico dos Rolling Stones ganha clipe em homenagem a seus 50 anos
Os Rolling Stones lançaram um lyric video para “2000 Light Years From Home”, uma das músicas pioneiras do rock espacial, que completa 50 anos. O clipe antecipa o relançamento do álbum clássico “Their Satanic Majesties Request” (1967), considerado um dos discos mais psicodélicos de todos os tempos – obra-prima para alguns, “Sgt. Peppers” de segunda mão para outros. Dirigido por Lucy Dawkins (do documentário “My Secret World: The Story of Sarah Records”) e Tom Readdy (compositor de efeitos da série animada “Nina Needs to Go”), o vídeo é uma colagem psicodélica que evoca a arte do disco, mas também os primeiros curtas de ficção científica do cinema, dirigidos por Georges Méliès (1861–1938). As imagens desfilam astronautas, gurus, flores, outros mundos, dançarinas de can-can, exploradores renascentistas, demônios e garotas em trajes de banho, enquanto a letra surge na tela. A música clássica já tinha um registro, realizado com a banda, que pode ser visto abaixo para refrescar memórias. Mick Jagger declarou que escreveu a letra da música na Prisão de Brixton, onde esteve devido por três dias por porte de drogas, em junho de 1967. A edição de 50 anos de “Their Satanic Majesties Request” já está disponível para pré-venda e inclui versões remasterizadas das faixas do disco, além de um livro de 20 páginas com comentários do cineasta Rob Bowman e do ensaio fotográfico que o grupo fez para o LP original. O relançamento está marcado 22 de setembro pela gravadora ABKCO Records.
Filhas de Dave Grohl estrelam novo clipe do Foo Fighters
A banda Foo Fighters divulgou o clipe de “The Sky Is A Neighborhood”, que tem direção do cantor Dave Grohl e é estrelado por suas filhas, Violet, de 11 anos, e Harper, de 8. Bastante estilizado, o vídeo mostra as meninas numa cabana, lendo as letras da música em um livro antigo, enquanto o grupo começa a tocar sobre seu teto. À medida que a música se torna mais pesada, as meninas percebem a agitação sobre suas cabeças, saltando de alegria no início, mas logo se irritam ao perceber que o barulho as impede de dormir. Sem falar nas luzes que passam a se infiltrar pelos buracos causados pelos pulos da banda no teto. As luzes, na verdade, vêm de objetos voadores não identificados, e quando atingem as meninas, elas começam a levitar. O clipe termina com Grohl olhando para cima, no teto, cercado por objetos brilhantes, num clima de “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” (1977). Nunca é demais lembrar que o nome Foo Fighters é uma referência a objetos voadores não identificados. A música faz parte do vindouro álbum “Concrete and Gold”, que a banda gravou com um produtor de música pop, Greg Kurstin (trabalhou com Adele, Sia, Pink e outras). O disco será lançado em 15 de setembro, e conta com participação de Paul McCartney , que toca bateria em uma faixa.
Filme sobre a banda Queen escala intérpretes dos músicos do grupo
O filme sobre a banda Queen, intitulado “Bohemian Rhapsody”, finalmente escalou sua banda. Segundo o site The Hollywood Reporter, Gwilym Lee (série “Midsomer Murders”) terá o papel do guitarrista Brian May, Joe Mazzello (minissérie “The Pacific”) viverá o baterista Roger Taylor e Ben Hardy (o Anjo de “X-Men: Apocalipse”) interpretará o baixista John Deacon. Eles se juntarão ao anteriormente anunciado Rami Malek (série “Mr. Robot”) , intérprete de Freddie Mercury. Dirigido por Bryan Singer (“X-Men: Apocalipse”), “Bohemian Rhapsody” tem roteiro de Justin Haythe ( “A Cura” e “O Cavaleiro Solitário”) e previsão de estreia para o Natal de 2018.
Bastille grava cover de Green Day para a trilha da série The Tick. Ouça como ficou
A banda Bastille gravou um cover de “Basket Case”, grande sucesso do Green Day, para a trilha da série “The Tick”. A música foi disponibilizada no YouTube, ouça abaixo. Com arranjo orquestral, ficou bem diferente do original. Para lembrar, reveja também o clipe de 1994, dirigido por Mark Kohr, responsável pela maioria dos vídeos do Green Day nos anos 1990. “The Tick” é uma série de comédia inspirada pelos quadrinhos de Ben Edlund, que tinha 20 anos quando criou o personagem em 1988. O herói que se disfarça de carrapato azul surgiu como paródia das histórias de super-heróis, e a publicação o mostrava em luta com os mais diferentes vilões, sempre de forma atrapalhada. Fez tanto sucesso que ganhou uma versão animada em 1994. A atração durou três temporadas e é reprisada até hoje. Mas o personagem também teve série anterior com atores reais, estrelada por Patrick Warburton (série “Rules of Engagement”), que virou cult, apesar de ter rendido apenas nove episódios em 2001. A nova versão traz o ator Peter Serafinowicz (“Guardiões da Galáxia”) no papel-título e alguns coadjuvantes importantes dos quadrinhos, como Superian (Brendan Hines, da série “Scorpion”) e Arthur (Griffin Newman, da série “Vinyl”). A trama gira em torno de Arthur Everest, um contador sem nem um tipo de superpoder, que se envolve numa conspiração ao descobrir que a cidade em que vive é controlada por um supervilão. Em sua jornada, ele acaba se aliando ao estranho super-herói chamado de o Tick. Assim como as anteriores, a série foi desenvolvida pelo criador do personagem, Ben Edlund (que também escreve a série “Supernatural”). Ela será disponibilizada em duas partes. Os seis primeiros episódios de “The Tick” chegam no serviço de streaming Amazon Prime em 25 de agosto, enquanto a segunda metade da 1ª temporada é esperada para o começo de 2018.
Todd Haynes prepara documentário sobre a banda Velvet Underground
O próximo filme de Todd Haynes marcará uma progressão na carreira do cineasta, da ficção para a realidade. Duas décadas após lançar “Velvet Goldmine” (1998), filme sobre artistas fictícios do rock glam, gênero influenciado por Lou Reed, entre outros, ele vai filmar um documentário sobre a pioneira banda Velvet Underground, liderada por Lou Reed nos anos 1960. Ainda sem título, o projeto será o primeiro documentário do diretor, e marcará os 50 anos de lançamento do álbum de estreia do Velvet Underground – “The Velvet Underground and Nico”, com capa exclusiva do artista plástico Andy Warhol. O anúncio foi feito durante a participação de Haynes no Festival de Locarno, onde está sendo homenageado pelas realizações de sua carreira. Em entrevista para a revista Variety, o diretor revelou as dificuldades previstas em sua empreitada, descrendo o documentário como “desafiador”, diante da escassez de registros visuais sobre o grupo. Ele confirmou que irá usar os filmes experimentais de Andy Warhol, que registrou performances da banda, além de outros momentos de seus integrantes, e se disse ansioso pela “emoção da pesquisa e montagem visual”. Haynes também pretende incluir entrevistas dos membros sobreviventes da banda e de seus contemporâneos dos anos 1960. Ele também revelou que, paralelamente a este projeto, está preparando uma minissérie para a Amazon sobre “uma figura intensamente importante e de imensa influência histórica e cultural”, sem dar maiores detalhes.
Garbage lança clipe com estética gótica, repressão, sangue e o apocalipse
A banda Garbage assumiu a estética sombria do rock gótico – e a influência poética de Patti Smith – no clipe de sua nova música “No Horses”, que traz Shirley Manson vestida de noviça diabólica para lavar os pés dos demais integrantes da banda com água ensanguentada. Entre as frases da música, que prometem a chegada do apocalipse, ainda intercalam-se cenas de protestos, em que passeatas por direitos humanos são duramente reprimidas por tropas de choque da polícia. O sangue que escorre, porém, vai ajudar aos que precisam. Todos os lucros obtidos com os downloads da faixa serão doados à Cruz Vermelha Internacional. A inspiração, segundo o guitarrista Butch Vig, foram os Estados Unidos de Donald Trump. O clipe foi dirigido por Scott Stuckey, que já tinha feito o vídeo da música “Magnetized” para a banda, no ano passado, e está em processo de finalizar três documentários sobre o roqueiro paraplégico Vic Chestnutt (1964-2009).
Alexandra Daddario estrela clipe da banda White Reaper
A novo clipe da banda americana White Reaper traz a atriz Alexandra Daddario (“Baywatch”) de guitarra em punho e pose de roqueira, imitando o cantor Tony Esposito diante de um microfone enfeitado por uma bandeira americana. Embora as guitarras namorem o Van Halen dos anos 1980, a melodia é power pop e a letra se resume à descrever a paixão por uma garota de jeans rasgado, a “Judy French” do título, cujo nome nunca é evocado na canção. A música faz parte do segundo álbum da banda, “The World’s Best American Band”. E é este título que justifica o patriotismo do microfone. A direção do vídeo é de Brandon Dermer, que já gravou clipes de Panic! At The Disco, Major Lazer e Wavves, e assina a direção dos episódios da nova série de comédia “What Would Diplo Do?”, em que James Van Der Beek interpreta uma versão maluca do DJ e produtor Diplo (Major Lazer).
Luke Evans e Jemima Kirke estrelam novos clipes de Mick Jagger
Mick Jagger lançou dois clipes de surpresa para músicas inéditas com participações de atores famosos. “England Lost” e “Gotta Get A Grip” são descritas pelo cantor como respostas urgentes para a “confusão e frustração com os tempos em que vivemos”. Ele teria começado a compor as músicas em abril e decidiu lançá-las antes de ter mais material para um disco. As músicas, de fato, parecem mais esboços que canções acabadas, com paradas súbitas e melodias interrompidas. Mas têm uma pegada dançante e uma energia que não parecem vir de um senhor septuagenário. “England Lost” é especialmente contagiante. O clipe desta canção traz o ator Luke Evans (“A Bela e a Fera”) fugindo de tudo e todos ao seu redor, ao perceber que vive em meio a conspiradores. O figurino e o clima paranoico, filmado em preto e branco, que registra o pânico crescente de Evans e a noção de que se encontra cercado e sem saída, remete à “Vampiro de Almas” (1956). A letra poderia ser bobinha, sobre quando Mick Jagger foi ver uma partida de futebol sob a chuva e ficou encharcado só para ver a seleção da Inglaterra perder. Mas ele leva adiante a metáfora boleira, criando paralelos com o Brexit para falar sobre como a Inglaterra se perdeu. Já o clipe de “Gotta Get A Grip” traz Jemima Kirke (série “Girls”) farreando além da conta, numa noitada que descamba para a violência, quando os corpos suados querem avançar pela área VIP ou usar o banheiro ocupado. Na letra, Jagger descreve um mundo de cabeça para baixo, em que ninguém fala a verdade e os corruptos estão no poder. Ambos os vídeos foram dirigidos por Saam Farahmand, que o jornal The Guardian já chamou de “um dos mais talentosos diretores de clipes de sua geração”. Os trabalhos que renderam esse elogio incluem vídeos para as bandas The xx, Klaxons, Soulwax e The Last Shadow Puppets.
Sam Shepard (1943 – 2017)
O ator, roteirista e dramaturgo Sam Shepard morreu na última quinta-feira (26/7), aos 73 anos, em sua casa no estado americano de Kentucky. Ele foi vítima de complicações da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), e estava cercado pela família no momento da morte, segundo anunciou um porta-voz na segunda-feira (31/7). Vencedor do Pulitzer por seu trabalho teatral – pela peça “Buried Child” (1979) – e indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por “Os Eleitos” (1983), Samuel Shepard Rogers III nasceu em 1943, no estado de Illinois, filho de pai militar. Antes de ficar conhecido em Hollywood, ele tocou bateria na banda The Holy Modal Rounders (que está na trilha de “Sem Destino/Easy Rider”), e decidiu escrever peças num momento em que buscava trabalhos como ator em Nova York. Em 1971, escreveu a peça “Cowboy Mouth” com a então namorada Patti Smith, que marcou sua traumática estreia nos palcos. Já no início das apresentações, Shepard ficou tão perturbado por se apresentar diante do público que abandonou o palco e, sem dar nenhuma explicação, foi embora da cidade. Ele decidiu se concentrar em escrever. Acabou assinando até roteiros de cinema, como o clássico hippie “Zabriskie Point” (1970), de Michelangelo Antonioni, e a adaptação da controvertida peça “Oh! Calcutta!” (1972). Também escreveu, em parceria com Bob Dylan, “Renaldo and Clara” (1978), único longa de ficção dirigido por Dylan. O filme marcou a estreia de Shepard diante das câmeras, numa pequena figuração. Sentindo menos pânico para atuar em estúdio, enveredou de vez pela carreira de ator, trabalhando a seguir no clássico “Cinzas do Paraíso” (1978), de Terrence Malick, como o fazendeiro que emprega Richard Gere e Brooke Adams. Fez outros filmes até cruzar com Jessica Lange em “Frances” (1982). A cinebiografia trágica da atriz Frances Farmer iniciou uma longa história de amor nos bastidores entre os dois atores, que só foi encerrada em 2009. Na época, ele já era casado e o divórcio só aconteceu depois do affair. Shepard finalmente se destacou em “Os Eleitos”, o grandioso drama de Philip Kaufman sobre os primeiros astronautas americanos, no qual viveu Chuck Yeager, que quebrou a barreira do som e sucessivos recordes como o piloto mais veloz do mundo. Sua história corria em paralelo à conquista do espaço, mas chegava a ofuscar a trama central, a ponto de lhe render indicação ao Oscar – perdeu a disputa para Jack Nicholson, por “Laços de Ternura” (1983). Fez seu segundo filme com Lange, “Minha Terra, Minha Vida” (1984), enquanto escrevia o fabuloso roteiro de “Paris, Texas” (1985), dirigido por Wim Wenders, que venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Paralelamente, ainda alinhavou a adaptação de sua peça “Louco de Amor” (1986). Dirigido por Robert Altman, “Louco de Amor” foi o filme que consagrou Shepard como protagonista, na pele do personagem-título, apaixonado por Kim Basinger a ponto de largar tudo para encontrá-la num motel de beira de estrada e convencê-la a dar mais uma chance ao amor. O ator e roteirista resolveu também virar diretor, e foi para trás das câmeras em “A Casa de Kate é um Caso” (1988), comandando sua mulher, Jessica Lange, num enredo sobre uma família que passou anos separada até finalmente decidir acertar as contas. O filme não teve a menor repercussão e Shepard só dirigiu mais um longa, o western “O Espírito do Silêncio” (1993), que nem sequer conseguiu lançamento comercial. Por outro lado, entre estes trabalhos ele se tornou um ator requisitado para produções de temática feminina, como “Crimes do Coração” (1986) e “Flores de Aço” (1989), que giravam em torno de vários mulheres e seus problemas, e de histórias de amor, como “O Viajante” (1991), “Unidos pelo Destino” (1994) e “Amores e Desencontros” (1997). Como contraponto a essa sensibilidade, também fez thrillers de ação em que precisou mostrar-se frio e calculista, como “Sem Defesa” (1991), de Martin Campbell, “Coração de Trovão” (1992), de Michael Apted, e “O Dossiê Pelicano” (1993), de Alan J. Pakula. Ele conseguiu o equilíbrio e se manteve requisitado, aparecendo em alguns dos filmes mais famosos do começo do século, como o thriller de guerra “Falcão Negro em Perigo” (2001), de Ridley Scott, e “Diário de uma Paixão” (2004), de Nick Cassavetes. Em 2005, estrelou seu último filme com Lange, “Estrela Solitária”, dirigido por Wim Wenders, como um astro de filmes de cowboy que abandona uma filmagem e tenta se reconectar com a família, apenas para descobrir que tem um filho que não conhece. Dois anos depois, fez um de seus melhores trabalhos como ator, “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford” (2007), de Andrew Dominik, no papel de Frank James, o irmão mais velho de Jesse, interpretado por Brad Pitt. Ele voltou a trabalhar com o diretor e com Pitt em “O Homem da Máfia” (2012). Entre seus últimos trabalhos ainda se destacam o suspense político “Jogo de Poder” (2010), de Doug Liman, o thriller de ação “Protegendo o Inimigo” (2012), de Daniel Espinosa, e os dramas criminais “Amor Bandido” (2012), de Jeff Nichols, “Tudo por Justiça” (2013), de Scott Cooper, e “Julho Sangrento” (2014), de Jim Mickle. Em alta demanda, Shepard permaneceu requisitado e desempenhando bons papéis até o fim da vida. Só no ano passado estrelou três filmes (“Ithaca”, “Destino Especial” e “Batalha Incerta”). Mas depois de tanto viver namorado e amante, no fim da carreira especializou-se em encarnar o pai de família. Eles fez vários filmes recentes nesta função, como “Entre Irmãos” (2009), de Jim Sheridan, como o pai de Jake Gyllenhaal e Tobey Maguire, e “Álbum de Família” (2013), de John Wells, cuja morte volta a reunir a família disfuncional, formada por Julia Roberts, Meryl Streep e muitos astros famosos. A sua última e marcante aparição foi na série “Bloodline”, da Netflix, como o patriarca da família Rayburn, sobre a qual girava a trama de suspense. A atração completou sua trama na 3ª temporada, lançada em maio deste ano. Sam Shepard deixa três filhos — Jesse, Hannah e Walker.
Weezer vira Guns ‘N Roses em seu novo clipe, em homenagem aos 30 anos de Paradise City
A banda Weezer lançou o clipe de “Feels Like Summer”, em que aparece imitando o Guns ‘N Roses na época de “Paradise City”. No vídeo, o cantor Rivers Cuomo encarna Axl Rose de peruca e bandana, enquanto o guitarrista Brian Bell ostenta o chapelão de Slash. Já o baixista Scott Shriner adota apenas os óculos escuros de Duff McKagan, mas não a cabeleira, deixando para o baterista Pat Wilson o papel do… baterista do Weezer, Pat Wilson. A estética da produção usa imagens granuladas em preto e branco para documentar cenas de shows e bastidores, no mesmo estilo de “Paradise City” em 1987. Mas enquanto a música do Guns era uma celebração do estilo de vida roqueiro, a coisa mais louca que o Weezer faz nos bastidores é pular numa piscina infantil inflável. A música faz parte do 11º álbum do grupo, que ainda não tem título e deverá ser lançado só no final do ano. Aproveite e reveja abaixo o vídeo clássico dos anos 1980, que está completando 30 anos.
Em Ritmo de Fuga junta musical e tiroteios num dos filmes mais originais do ano
“Em Ritmo de Fuga” é um filme de assalto tarantinesco concebido como um musical de jukebox por um diretor inglês conhecido por besteiróis deliciosos como “Todo Mundo Quase Morto” (2004), “Chumbo Grosso” (2007) e “Scott Pilgrim Contra o Mundo” (2010). Edgar Wright é cultuado em muitos círculos, mas nunca foi levado a sério como deveria. Após “Em Ritmo de Fuga”, convém prestar mais atenção. Taí um cineasta com um febril e delirante senso de aventura, que nunca resvala no tom cerimonioso. Ao contrário, é ferina a sua inclinação para espinafrar a tradição. Wright sabe que o cinema de Hollywood – reflexo de uma sociedade imatura – acredita em super-heróis, vilões e forças ocultas. Assim, propõe em seus filmes zombar de todo esse sortimento sem medo de medir seus excessos. Para ele, faz sentido que entre todo esse novo mundo de linguagem cifradas, os adolescentes estejam num patamar superior. É uma figura do gênero que ele elege para empreender sua nova aventura. Ansel Elgort, o August de “A Culpa das Estrelas” (2014), faz Wheelman Baby, um motorista de fuga dos sonhos para qualquer assaltante de bancos. O tipo de garoto de poucas palavras, imerso na trilha pulsante de seu fone de ouvido e que dirige como o diabo, safando os ladrões da polícia com seu jeito audacioso e intuito de pilotar máquinas envenenadas. A viagem de Baby sempre é dupla, um delas ocorre na direção de um carro, a outra, introspectiva, acontece dentro da sua bolha musical. Enquanto espera que a quadrilha saia do banco, ele escuta a eletrizante “Bellbottoms” de Jon Spencer Blues Explosion, estalando os dedos, transformando o console do carro numa bateria e repicando o ritmo ao som dos limpadores do pára-brisa. Ao ver isso, um assaltante o chama de retardado, o outro quer matá-lo. Baby é menosprezado e tratado como um insignificante. Acontece que tudo o que os adultos fazem de forma atrapalhada, o garoto refaz com a leveza de um malabarista. Menos atirar. Ah, essa índole destrutiva não faz parte do caráter de Baby. Ele não pertence a essa geração. As escopetas vomitam fogo e ele se enfurna no seu mundinho. A violência alucinada ganha a tela e ele se comporta quase como um autista. Há cenas em que o ra-tá-tá-tás das metralhadoras são usadas como pontuação melódica, proporcionando uma seção de ritmo homicida. Isso até o momento em que Baby começa a levar pancadas, tiros de raspão. O menino não quer ser acordado. No particular, Baby é um dos personagens adolescentes mais comoventes a desfilar nas telas esse ano. Se em princípio parece meio bobo, um homem-criança atrofiado, no decorrer, descobrimos tratar-se de um menino forçado a crescer muito cedo. Um garoto que ficou meio surdo após um acidente de carro que matou seus pais, e que agora está a mercê de Doc (Kevin Spacey, da série “House of Cards”), um líder criminoso, especialista em colocá-lo nas missões mais perigosas. Baby acredita que o próximo assalto será o último. Depois estará fora. Mas quem disse que Doc deixará ele partir? A generosidade de Wright com os atores muitas vezes é subvalorizada. Aqui ele compõe com Elgort, seu protagonista excêntrico. Embora em princípio, a auto-terapia musical de Baby pareça apenas uma muleta estilística para Wright, no prolongamento ele busca uma compreensão no uso da trilha que se traduz num ideal e nas próprias motivações de Baby. A música acrescenta sombras a um personagem que se inclina para um vazio severo. Quando Baby se interessa por uma garçonete chamada Debora (Lily James, a “Cinderela”), seu flerte desajeitado se reafirma de novo pela música, e o diálogo passa a ser tanto sobre a história da canção, como também sobre a história de cada um dos dois. Lily James acaba não fugindo muito da mocinha meiga, mas o resto do elenco integra-se perfeitamente ao enredo. Kevin Spacey condensa em seu líder criminoso tanto a frieza de um assassino, como uma certa ternura: algumas vezes ele trata Baby como filho. E só mesmo Spacey é capaz de combinar essas duas contradições, tornando o personagem convincente. Outro que surpreende é Jamie Foxx (“Annie”). Ele compõe o criminoso mais psicótico da quadrilha. Batts, seu personagem, é um observador inteligente, com uma habilidade para deduzir pensamentos precisa – e acredita que é exatamente esse dom que o mantém vivo. Jon Hamm (da série “Mad Men”) constrói a persona de seu ladrão com uma ilexão avessa a de Foxx. Ele parece afável, controlado, mas basta alguém espetar os olhos gordos sobre sua esposa, Darling (Eiza González, da série “From Dusk Till Dawn”), e o homem se transforma. Num piscar de olhos, ele passa do sujeito equilibrado a uma raiva inquietante e mais assustadora do que a violência de Batts. Há um quinto ator em cena precioso, CJ Jones (“What Are You… Deaf?”). O ator, que é surdo de verdade, interpreta Joseph, o pai adotivo de Baby. A interação de seus personagens, usando a língua de sinais dos surdos-mudos, é cheia de alegria e ternura, e suas advertências contra a profissão de Baby são suavizadas pelos olhares de simpatia e amor incondicional para o menino. Por trás da diversão inconsequente, “Em Ritmo de Fuga” pode ser visto também como sátira à briga pelo poder que existe na atual Hollywood. O garoto nerd, imerso no mundinho do fone de ouvido, e que todo mundo menospreza, está assumindo a chefia dos estúdios. E Wright, muito cáustico, brinca com a ideia da sucessão, ao mostrar que a esperteza de Baby pode levá-lo a dominar as circunstâncias. Num certo momento, no entanto, Wright zomba de Baby, mostrando que ele não deve ficar muito cheio de si. Um garoto ainda mais novo que ele aparece para suplantar sua esperteza. A criança intervém em apenas duas cenas, mas sua presença é suficiente para desarmar o herói nerd, ilustrando como o talento está se tornando algo cada vez mais precoce. Ou seria um infantilismo? “Em Ritmo de Fuga” orbita em torno dessas duas ideias. Botemos alguns defeitos. Na meia hora final, Wright empolga-se tanto com seu tour de force cinemático, que quase desaba no maneirismo estéril. As cenas e sacações de Wright extrapolam a duração do filme, que podia acabar uns 15 minutos antes. O excesso de entusiasmo põe em risco o resultado final. Mas para um diretor tão preocupado com a necessidade de crescer sem perder de vista suas obsessões artísticas, até no exagero Wright continua a aprimorar suas habilidades. Não é definitivamente um diretor fascinado apenas pela pirotecnia. Com “Em Ritmo de Fuga” ele comprova, sim, ser o cineasta de ação mais original de sua geração.












