Keanu Reeves viaja ao futuro no trailer de Bill & Ted: Encare a Música
A Orion Pictures divulgou o pôster e o primeiro trailer de “Bill & Ted: Encare a Música” (Bill & Ted: Face the Music), em que Keanu Reeves retoma um dos personagens mais populares de sua filmografia. A prévia mostra o Ted de Keanu e o Bill vivido por Alex Winter lidando com o fato de, 30 anos depois, ainda não terem feito a música que salvaria a humanidade. Pior que isso: a carreira dos roqueiros está em franca decadência. Então, os agora pais de adolescentes têm uma ideia brilhante: viajar em sua cabine-telefônica-do-tempo para o futuro e descobrir logo a música que eles próprios já terão criado. Para quem não lembra do longa original, “Bill & Ted – Uma Aventura Fantástica” (1989), Reeves e Winter eram dois estudantes extremamente estúpidos de uma high school americana, que repetiriam de ano se não fizessem um bom trabalho de História. Sua sorte muda quando um homem de futuro resolve ajudá-los, convidando-os para uma viagem no tempo (a máquina do tempo é a cabine telefônica!), pois, por mais incrível que possa parecer, o destino da humanidade um dia dependerá da inteligência dos dois retardados, que criarão a música capaz de inspirar uma utopia perfeita. A comédia virou cult, ganhou sequência, “Bill & Ted – Dois Loucos no Tempo” (1991), além de série animada, videogame e até revista em quadrinhos, antes de sumir da lembrança da humanidade – obviamente, por uma artimanha do cientista maligno De Nomolos. Mas chegou finalmente a hora da aventura final, em que Bill e Ted precisarão cumprir a profecia – e criar a música perfeita. Escrito pelos criadores originais dos personagens, Chris Matheson (“Pateta: O Filme”) e Ed Solomon (“Homens de Preto”), o filme tem direção de Dean Parisot (“Heróis Fora de Órbita”) e também traz de volta William Sadler como a Morte. O elenco ainda destaca Brigette Lundy-Paine (de “Atypical”) e Samara Weaving (“Ready or Not”) como as filhas dos personagens. A estreia segue marcada para 21 de agosto, apesar da pandemia de coronavírus.
Maestro do Rock: Documentário sobre Andre Matos ganha trailer
Um documentário sobre o roqueiro Andre Matos (1971-2019), que será lançado em 2021, teve seu primeiro trailer divulgado. Intitulado “Andre Matos – Maestro do Rock”, o filme mostrará diversas imagens de arquivo pessoal e entrevistas com amigos, familiares e músicos, e mostrará a evolução musical do artista, que tem formação de regente, estudou canto lírico e participou de bandas clássicas do heavy metal brasileiro, como Viper, Angra e Shaman. Dirigido e editado por Anderson Bellini e com produção do jornalista Thiago Rahal Mauro, o projeto teve início em 2018, quando o próprio Andre autorizou o registro de entrevistas. A família cedeu o restante do material para a conclusão do documentário, concluído com participação de músicos como Kai Hansen (Helloween), Sascha Paeth (parceiro do projeto Virgo) e Kiko Loureiro (ex-Angra e Megadeth). O filme será lançado no dia 14 de setembro de 2021, como uma grande homenagem ao músico, que nesta data completaria 50 anos de idade. Ele morreu de infarto aos 47 anos, em 8 de junho de 2019, data que o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, decretou oficialmente como o Dia Municipal do Metal, em homenagem ao artista.
Pearl Jam lança versão inédita e sem censura de Jeremy contra a violência armada
A banda Pearl Jam liberou na noite de sexta (5/6) uma versão inédita do clipe de “Jeremy”, um de seus primeiros – e maiores – hits, que tinha sido censurada na época de seu lançamento. O vídeo original já era chocante, mostrando um garoto que sofre bullying na escola e acaba se matando. A versão conhecida do clipe de 1992, dirigido pelo futuro cineasta Mark Pellington (“A Última Palavra”), mostrava apenas closes do rosto do protagonista e de seus colegas de classe, manchados de sangue. Mas a nova versão traz Jeremy (interpretado por Trevor Wilson) sacando uma arma e colocando-a na própria boca. A música foi inspirada pela história real de Jeremy Wade Delle, que um ano antes tinha cometido suicídio na frente de seus colegas durante uma aula de inglês na Richardson High School, em Richardson (EUA). O relançamento com a cena mais chocante foi uma iniciativa do Pearl Jam para chamar atenção ao combate contra a violência armada. A data escolhida para o relançamento é justamente o dia nos EUA dedicado a essa luta. Em seu Twitter, a banda lamentou que, desde o lançamento do single, a violência armada apenas aumentou, atingindo “níveis assustadores” nos EUA. Além do clipe, o Pearl Jam também disponibilizou novas camisetas promocionais com a capa do single e a frase (escrita nas costas da camiseta) “10 entre 10 crianças preferem giz a armas”. Todos os lucros das vendas desse modelo irão para organizações dedicadas ao combate à violência armada. (1/3) In addition to the equity protests taking place around the country, today also marks National Wear Orange Day. The increase in gun violence since the debut of “Jeremy” is staggering. pic.twitter.com/xzdSFaw6gS — Pearl Jam (@PearlJam) June 5, 2020 (3/3) We have also released an updated Choices shirt with all proceeds to support organizations working to prevent gun violence: https://t.co/7sqiDOZOcM We can prevent gun deaths whether mass shootings, deaths of despair, law enforcement, or accidental. — Pearl Jam (@PearlJam) June 6, 2020
Pitty lança clipe “submersa” na quarentena
A cantora Pitty lançou o clipe de “Submersa”, em que aparece exatamente assim, submersa sem roupas em uma banheira azulada. O vídeo foi gravado aparentemente na própria casa da artista durante o período de isolamento social e a letra evoca esse clima de quarentena entre quatro paredes. “Me perdi por aqui/ Em alguma esquina desse apartamento/ Pedaços de mim pelos cômodos/ Eu não sei voltar”, entoa a cantora, que entretanto lembra no final: “Vai passar”. Ela mesma fez a captação das imagens, que foram posteriormente editadas pelo diretor Otavio Sousa. A música faz parte do álbum “Matriz”, que foi lançado há um ano e de onde ainda podem surgir 13 clipes, um para cada faixa e no mesmo conceito, com Pitty sozinha em casa, contracenando com objetos de seu cotidiano. Um vídeo, batizado de “VideoTrackz”, foi lançado em abril passado com várias cenas caseiras de Pitty ao som de trechos das canções, onde é possível vislumbrar algumas das imagens que agora aparecem ampliadas no clipe de “Submersa”. Confira mais abaixo.
A Despedida: Um dos melhores filmes de 2019 estreia em VOD no Brasil
Um dos melhores filmes de 2019, “A Despedida” (The Farewell), finalmente chegou ao Brasil. O lançamento acontece em VOD (locação digital), mas não é exatamente por causa da pandemia de coronavírus. A distribuidora nunca pretendeu lançar no cinema. A produção que projetou Awkwafina é um produção indie com toques de comédia, que começa de forma dramática e termina em tom reconfortante. Awkwafina vive a rebelde de uma família sino-americana, que viaja completa para a China para o casamento arranjado de um primo. Na verdade, trata-se de uma desculpa para todos se reúnam pela última vez com a vovó da família. Eles querem se despedir, ao mesmo tempo em que tentam esconder dela que um exame apontou que seu câncer está em estágio avançado. Baseado numa experiência real da diretora Lulu Wang, “A Despedida” rendeu o Globo de Ouro e o Gotham Awards de Melhor Atriz para Awkwafina, além de ter vencido o Spirit Awards (o Oscar indie) de Melhor Filme e Melhor Atriz Coadjuvante (para Shuzhen Zhao, a vovó). Imperdível. Mas fica a dica: não se apresse e leia todo o texto dos créditos finais sobre a verdadeira vovó da história. Confira abaixo outras estreias digitais, que também são inéditas nos cinemas brasileiros e chegam em VOD neste fim de semana. A Despedida (The Farewell) | EUA, China | 2019 Quando a família de uma doce senhora descobre que ela possui apenas mais algumas semanas de vida, eles decidem não informá-la a respeito do diagnóstico. Em vez disso, seus filhos e netos tentam arranjar um casamento de última hora para que todos os parentes mais distantes possam vê-la por uma última vez sem que ela saiba o que está acontecendo de verdade. Now e Looke Lupin 3º: O Primeiro (Lupin III: The First) | Japão | 2019 Indicado ao troféu da Academia Japonesa, o primeiro anime computadorizado do personagem clássico de Monkey Punch acompanha Lupin 3º, descendente do famoso ladrão francês Arsene Lupin, em busca do precioso Diário de Bresson para descobrir a história de seu avô. Leia mais aqui. Now, Looke, Sky Play e Vivo Play Corpus Christi | Polônia, França | 2019 Indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional, o longa do polonês Jan Komasa (da série “Ultraviolet”) acompanha um jovem de 20 anos que passa por uma transformação espiritual em um centro de detenção e decide se tornar padre, mas é impedido por sua ficha criminal. Ao ser solto e se mudar para uma cidade pequena, ele acidentalmente assume a paróquia local. Cinema Virtual Amigos para Sempre (Storm Boy) | Austrália | 2019 Premiado no Festival de Cinema Infantil de Zlín, na República Tcheca, gira em torno de um homem aposentado que começa a se lembrar de fatos traumáticos de sua infância. Ele compartilha as histórias com sua neta, como a vez em que resgatou e criou um pelicano. Cinema Virtual Glastonbury | Reino Unido | 2006 Documentário dirigido por Julian Temple (“The Great Rock ‘n’ Roll Swindle”) que mostra a história do festival de música Glastonbury, criado no Reino Unido na década de 1970, e suas transformações. Belas Artes à La Carte
Shows clássicos: Abba, Sex Pistols, Ramones, The Jam, Blondie, Joy Divison, Bob Marley, etc
Pipoca Moderna traz a 4ª edição do festival de documentários musicais históricos, numa seleção de shows, festivais de rock e programas de TV dos anos 1970 que abrange da discoteca ao reggae, passando pelo hard blues, o punk rock e a new wave. A 3ª e última seleção setentista tem mais música que as anteriores. São 34 vídeos e muitos momentos icônicos, como a turnê japonesa das Runaways, a viagem londrina dos Ramones que virou o LP “It’s Alive”, show dos Dead Boys no palco lendário do CBGB, registro raro do Joy Division ao vivo, o último show da turnê (“Exodus”) que transformou Bob Marley numa estrela internacional e até o infame (des)concerto de barco dos Sex Pistols, interrompido pela polícia diante do Parlamento britânico após apenas três canções. Se perdeu algumas das edições semanais anteriores, clique nos links abaixo. E aguarde a chegada dos anos 1980… > Shows dos 1960 (iê-iê-iê, mod, folk e psicodelia) > Shows dos 1970 – Parte 1 (hard rock e glam) > Shows dos 1970 – Parte 2 (progressivo e funk) #FiqueEmCasa. #StayHome. KC & The Sunshine Band | 1975 Abba | 1979 The Carpenters | 1971 Neil Diamond | 1971 Badfinger | 1972 Eric Burdon & War | 1970 Fleetwood Mac | 1979 Tom Petty & The Heartbreakers | 1978 Dr. Feelgood | 1975 New York Dolls | 1973 Johnny Thunders & The Heartbreakers | 1979 The Runaways | 1977 Patti Smith | 1979 Ramones | 1977 Dead Boys | 1977 Sex Pistols | 1977 The Clash | 1978 The Avengers | 1978 X-Ray Spex | 1977 Siouxie and the Banshees | 1979 The Cure | 1979 Joy Division | 1979 Wire | 1979 Magazine | 1978 The Tubes | 1978 The Jam | 1979 Bram Tchaikovsky | 1979 Joe Jackson | 1979 The Knack | 1979 Elvis Costello & The Attractions | 1978 XTC | 1979 Talking Heads | 1978 Blondie | 1979 Bob Marley and the Wailers | 1977
Green Day lança clipe com ajuda do cachorrinho de Billie Joe Armstrong
A banda Green Day lançou o clipe de mais um cover, tradição estabelecida pelo vocalista Billie Joe Armstrong durante o isolamento social em decorrência da pandemia de coronavírus. O novo vídeo também é mais uma produção caseira, que usa imagens de bastidores e shows antigos, e conta com a participação especial de Lenny, o cachorrinho do cantor, que “sonha” todas as cenas. Nas redes sociais, Billie escreveu que “Lenny tem sonhado em voltar a fazer turnês, então nós três pensamos em lhe dar uma trilha”. A música que embala esse sonho canino não poderia ter título mais adequado. Trata-se de um cover de “Dreaming”, sucesso da banda Blondie de 1979. Confira o clipe da gravação abaixo.
Megan Fox estrela clipe do cantor com quem teria caso
Para alimentar ainda mais as fofocas em torno do final de seu casamento, a atriz Megan Fox apareceu na cama de Machine Gun Kelly no novo clipe do cantor. No vídeo de “Bloody Valentine”, os dois se assumem como amantes, ao menos na ficção, e a atriz parece adorar a situação, que envolve dominar o parceiro em jogos sexuais violentos. O casamento de dez anos entre Megan e o também ator Brian Austin Green (de “Barrados no Baile”) acabou no começo da semana, após a atriz ser flagrada em fotos com Machine Gun Kelly. Os dois teriam se aproximado durante a filmagem de um longa, intitulado “Midnight in the Switchgrass”, que marca a estreia na direção do produtor Randall Emmett (de “O Irlandês”). “Ela conheceu esse Colson (nome real do cantor) no set de filmagens. Eu nunca o conheci. Megan e eu falamos sobre ele. Eles são apenas amigos no momento”, cotou Brian Austin Green em seu podcast, na segunda-feira (18/5), ao revelar o fim do casamento.
Shows clássicos: Documentários de Yes, Bowie, Velvet, Pink Floyd, Roxy Music, James Brown, Marvin Gaye, etc
Pipoca Moderna retoma o festival de documentários musicais históricos, iniciado com uma retrospectiva dos anos 1960 e a primeira parte da curadoria dedicada à década de 1970. Depois do glam rock, a nova seleção avança pelo rock progressivo, kraut rock, psicodelia, pega o final do glam, embala no soul e se acaba no funk. São 26 shows, que representam o apogeu do rock mais viajante e a ascensão da música dançante nos anos 1970. A lista inclui o fantasmagórico concerto do Pink Floyd nas ruínas de Pompéia, um raro registro de Lou Reed, John Cale e Nico tocando o catálogo do Velvet Underground, David Bowie descobrindo os “young americans” do funk, Curtis Mayfield com o repertório de “Superfly”, etc. Só tem performance clássica. Confira abaixo. #FiqueEmCasa. #StayHome. Pink Floyd | 1972 Genesis | 1973 Yes | 1972 Traffic | 1972 Supertramp | 1979
Diretor de Conduzindo Miss Daisy vai filmar cinebiografia de Buddy Holly
O veterano cineasta Bruce Beresford, indicado ao Oscar por “A Força do Carinho” (1983) e diretor do vencedor do Oscar “Conduzindo Miss Daisy” (1989), vai filmar uma nova cinebiografia do roqueiro Buddy Holly. Intitulado “Clear Lake”, o filme vai mostrar a trajetória do cantor e guitarrista desde sua adolescência ao sucesso nos anos 1950, em meio a suas turnês e amizades com outros artistas da época, como Little Richard, Dion e Lavern Baker, até a fatídica queda de avião que interrompeu sua trajetória em 1959. A produção está a cargo de Stuart Benjamin, que anteriormente fez “La Bamba” (1986), que também mostrou o mesmo acidente trágico, no qual morreram Buddy Holly, Ritchie Valens e outros pioneiros do rock’n’roll. A viúva de Holly, Maria Elena Holly, também está envolvida no projeto como produtora associada. Ela não tinha participado da cinebiografia anterior, “A História de Buddy Holly” (1978), que rendeu indicação ao Oscar para seu intérprete, Gary Busey. “Eu me senti atraído por ‘Clear Lake’ porque o roteiro conta a trágica história de Buddy Holly e sua época em detalhes fascinantes e com caracterizações vívidas. Nem preciso dizer que o acréscimo de toda sua música maravilhosa também foi um grande atrativo”, disse Beresford em um comunicado. “O ponto focal da história é como artistas negros, hispânicos e brancos se reuniram na primeira turnê de música verdadeiramente integrada para começar a quebrar as barreiras racial nos EUA”, acrescentou outro dos produtores, Rick French, que concebeu o projeto com Stephen Easley, diretor de uma fundação dedicada a Buddy Holly. O roteiro foi escrito por Patrick Shanahan (“The Fox Hunter”) e a previsão é de iniciar a filmagem no fim do ano, dependendo da evolução da pandemia de coronavírus.
Jeff Beck e Johnny Depp lançam clipe de Isolation, música clássica de John Lennon
Jeff Beck divulgou no YouTube o clipe oficial de “Isolation”, música original de John Lennon, que ele gravou em parceria com o ator Johnny Depp. O vídeo é o registro de uma apresentação da música ao vivo, captada num dos shows que a dupla fez em setembro do ano passado, quando apresentaram sua versão do clássico de 1970 pela primeira vez. As imagens são aprimoradas com o uso de filtros de efeitos visuais, que fazem sobreposições de cores sobre a interpretação “ao vivo” – as aspas se devem ao fato de o som incluir a gravação de estúdio. Um dos guitarristas mais famosos do rock, Beck fez parte da lendária banda Yardbirds, que foi contemporânea dos Beatles nos anos 1960. Já Depp faz incursões no mundo rock desde que era adolescente nos anos 1980, culminando mais recentemente na formação da banda Hollywood Vampires, com seus ídolos Slash e Alice Cooper. A parceria com Beck marca a primeira vez que ele enfatiza seu talento como cantor sobre sua tradicional condição de guitarrista de apoio. “Isolation” faz parte de um álbum completo que a dupla gravou no ano passado. Eles ainda não pretendiam divulgá-la, mas mudaram de ideia em abril, por perceberem que a letra da canção fazia sentido no contexto de coronavírus e do isolamento social. “Não esperávamos lançar tão cedo, mas tendo em mente todos os dias difíceis e o ‘isolamento’ real pelo qual as pessoas passam nesses tempos difíceis, decidimos que agora pode ser o momento certo para deixar vocês ouvirem”, disse Beck em comunicado, disponibilizado em seu site oficial. “Vocês ouvirão mais de mim e Johnny daqui a pouco, mas até então esperamos que encontrem algum conforto e solidariedade em nossa versão deste clássico de Lennon.”
Shows clássicos: Documentários raros de T-Rex, Sabbath, Kinks, Stones, Kiss, Queen, etc
Pipoca Moderna retoma o festival de documentários musicais históricos – iniciado na semana passada com uma retrospectiva dos anos 1960 – para apresentar a primeira parte da curadoria dedicada à década de 1970. A riqueza de material descoberto nas cavernas do Google rendeu tantas raridades, que a seleção de vídeos da década que começou hippie e terminou punk precisou ser divida em três partes. Nesta primeira leva, estão os artistas mais, digamos, rock’n’roll, abrangendo do garage rock do MC5 ao glam rock de Marc Bolan & T-Rex. Os 26 shows abaixo representam o apogeu da era dos álbuns duplos do rock. A lista traz alguns registros que marcaram época, como a turnê do disco “Exile on Main Street”, dos Rolling Stones, com Mick Taylor na guitarra solo, a apresentação nova-iorquina do Led Zeppelin que rendeu o álbum duplo “The Song Remains the Same”, a íntegra do show da banda The Who fatiado no documentário “The Kids Are Alright”, a pauleira do Deep Purple eternizada no clássico “Made in Japan”, a performance da banda Wings, de Paul McCartney, que virou o documentário “Rockshow”, a excursão “Alive II” do Kiss, a última turnê de Bon Scott no AC/DC, transformada no filme “Let There Be Rock”, o show do disco de John Lennon “Live in New York”, o “Live at Budokon” do Cheap Trick, o show do “A Night at the Opera”, do Queen, etc. Mais que um festival online, a seleção é praticamente um curso intensivo da história do rock. Confira. #FiqueEmCasa. #StayHome. MC5 | 1972 Led Zeppelin | 1973 Deep Purple | 1972 Nazareth | 1977 Black Sabbath | 1970 Alice Cooper | 1973 The Rolling Stones | 1972 Aerosmith | 1976 AC/DC | 1977 Creedence Clearwater Revival | 1970 Lynrd Skynyrd | 1974 The Band | 1976 Neil Young | 1971 Joni Mitchell | 1970 Peter Frampton | 1977 John Lennon | 1972 Paul McCartney and Wings | 1976 The Who | 1977 The Faces | 1970 The Kinks | 1973 Marc Bolan & T-Rex | 1972 Suzi Quatro | 1977 Heart | 1978 Cheap Trick | 1978 Kiss | 1977 Queen | 1977
Little Richard (1932 – 2020)
O cantor, músico e ator Little Richard, um dos pais do rock’n’roll, morreu aos 87 anos, de causa ainda não revelada. Ele vendeu 30 milhões de discos em todo mundo e influenciou gerações de artistas que atingiram ainda maior projeção, como Elvis Presley, Beatles, Elton John e Prince. Pioneiro incontestável, desbravou todo o potencial do piano como instrumento de rock, ensinou Mick Jagger a dançar e Paul McCartney a cantar. Little Richard se destacou, ao lado de Chuck Berry e Fats Domino, na primeira leva de artistas de R&B (rhythm and blues) a fazer sucesso entre o público branco americano. Mas antes de assinar seu primeiro contrato musical em 1951, ele era apenas Richard Wayne Penniman, um jovem caipira de Macon, no estado da Geórgia, que só tocava em lugares segregados. Filho de diácono batista, ele começou a cantar na igreja. Mas a religião lhe traiu muitas vezes. A primeira, aos 15 anos de idade, quando foi expulso de casa pelo pai crente, devido a seus modos afeminados. Isso o levou ao “vaudeville” para sobreviver, onde chegou a tocar travestido para atrair plateias interessadas em freakshows. Foram nesses shows restrito aos negros que Little Richard conheceu sua maior inspiração, o “príncipe do blues” Billy Wright, que se apresentava em ternos coloridos, tinha um topete enorme e um bigode estreitíssimo. O jovem Richard logo passou a imitá-lo. Os shows energéticos que se seguiram chamaram atenção da indústria. Ele assinou com a RCA em 1951. Mas suas músicas só começaram a chegar no rádio em 1955 e por outra gravadora, a Specialty Records, quando o produtor Robert Blackwell o encorajou a revisitar sua época do vaudeville e cantar uma música que costumava entoar, com palavras inventadas e que começava com um grito. Era “Tutti Frutti” e sua carreira deslanchou. Mesmo assim, nada superava vê-lo ao vivo, tocando piano como ninguém – de pé diante do piano, com o pé sobre o piano, de pé em cima do piano. Jerry Lee Lewis tentou superá-lo colocando fogo no instrumento. Mas chegou depois de Little Richard ter incendiado a juventude dos EUA. Quando Elvis assinou com a RCA, Little Richard já era astro de cinema. Ele fez parte do elenco de “Música Alucinante” (Don’t Knock the Rock, 1956), ao lado de Bill Haley and the Comets, cantou a música-título de “Sabes o que Quero” (The Girl Can’t Help It, 1956) e arrebentou em “O Rei do Rock and Roll” (Mister Rock and Roll, 1957) com “Lucille”. Foi no primeiro filme que eternizou as performances de suas músicas mais famosas, “Long Tall Sally” e aquela que começa a frase icônica “A-wop-bop-a-loo-lop-a-lop-bam-boom!”, a célebre “Tutti-Frutti”, uma das canções mais regravadas de todos os tempos. Tanto Elvis quanto os Beatles gravaram versões das duas músicas. Na verdade, os Beatles gravaram até o lado B de “Long Tall Sally”, “Slippin’ and Slidin'” – além de incluir “Lucille” e “Good Golly, Miss Molly” em seu repertório. Paul McCartney foi uma das poucas pessoas do mundo capaz de cantar como Little Richard, porque o próprio Little Richard lhe ensinou em 1962, na época em que tocaram e conviveram juntos entre shows na Inglaterra e na Alemanha. Mas antes de escolher seu sucessor, a indústria tentou embranquecer suas canções à força, dando seu repertório para o ídolo pop Pat Boone gravar. As músicas de Boone eram versões literalmente pálidas das originais. Mesmo assim, era o galã quem aparecia na TV tocando “Tutti-Frutti”. O sucesso de Elvis trouxe nova versão de “Tutti-Frutti” para as paradas. Só que em vez de popularizar o artista original, Elvis acabou substituindo-o. Até a juventude inglesa reconhecer na década seguinte que Little Richard era insubstituível. Beatles e Rollings Stones chegaram a servir de bandas de abertura para shows do cantor, em reverência a seu talento. Mas Richard, que foi o primeiro artista para quem fãs atiraram calcinhas no palco, acabou se convertendo à religião no auge da carreira. Ele apelou a Deus ao achar que ia morrer durante uma forte turbulência num voo para shows na Austrália e, depois de sobreviver, jurou ter visto um sinal dos céus – o satélite Sputnik reentrando na atmosfera. Em 1958, ele formou uma banda evangélica e passou a cantar gospel. A fase não foi longa. Ao embarcar em turnê com esse repertório, passou a ser vaiado por fãs que queriam ouvir rock. Em 1962, ele encontrou os Beatles e retomou seus antigos hits. No ano seguinte, os Stones abriram seu show. Ele se tornou adorado pelo público britânico e chegou a ganhar um especial na TV, que, a perdido dos fãs, foi reprisado várias vezes. E em 1964 contratou um guitarrista chamado Jimi Hendrix para integrar sua banda. A carreira musical, porém, jamais retomou o sucesso original nos EUA. Para complicar, ele passou a enfrentar a ira de religiosos por ter trocado a música de Deus pela música do diabo. A conversão religiosa acabou prejudicando até sua identidade sexual. Ele chegou a casar (entre 1959 e 1963) e passou a vida tentando negar rumores de que era homossexual. De fato, disse que considerava a homossexualidade “contrária à natureza”, anos depois de confessar publicamente que era gay em 1995. Ele começou a aparecer mais na TV que no rádio a partir dos anos 1960. Chegou a participar até do programa de Pat Boone, além de encontrar os Monkees num especial. E de repente se descobriu ator, explodindo na nova carreira nos anos 1980. Após ser escalado num episódio de “Miami Vice”, teve seu primeiro grande papel cinematográfico na comédia “Um Vagabundo na Alta Roda” (1986) e ainda contribuiu com uma música inédita para a trilha sonora. Esta revitalização coincidiu com sua premiação no Grammy em 1988, quando se autodeclarou “o arquiteto do rock’n’roll!”, com a plateia aplaudindo de pé. Desde então, tornou-se convidado frequente de programas de TV, séries e filmes, conquistando novos fãs com seu “timing cômico único”. A lista de aparições inclui o blockbuster “O Último Grande Herói” (1993), com Arnold Schwarzenegger, e se encerra com “Um Chefe Muito Radical” (1998), produção estrelada pelo comediante Carrot Top. Além disso, em 2000, sua vida foi dramatizada num telefilme com seu nome, dirigido por Robert Townsend (“Ritmo & Blues – O Sonho do Sucesso”). Little Richard continuou excursionando e fazendo shows para plateias entusiasmadas até que as dores de quadril se tornaram insuportáveis. Ele anunciou a aposentadoria em 2013, mas ainda continuou saudado pelo público em aparições ocasionais. A última foi no ano passado, quando recebeu um prêmio pela carreira do governador do Tennessee, nos EUA. “Deus abençoe Little Richard, um dos meus maiores heróis musicais”, escreveu Ringo Starr, baterista dos Beatles, nas redes sociais. “Ele foi uma das minhas maiores inspirações na adolescência”, disse Mick Jagger, a voz dos Rolling Stones. “Quando fizemos uma turnê juntos, eu observei atentamente seus movimentos todas as noites, para saber como entreter e envolver o público, e ele generosamente ainda me deu conselhos. Ele contribuiu tanto para a música que eu vou sentir sua falta para sempre”, acrescentou. “Uma perda muito triste”, ecoou Jimmy Page, guitarrista do Led Zeppelin. “As canções de Little Richard impulsionaram o rock’n’roll”.












