Emicida canta a liberdade em clipe gravado na maior ocupação cultural da América Latina
O rapper Emicida lançou um novo clipe, “Libre”, em que repete a parceria com a dupla franco-cubana Ibeyi (filhas do genial percussionista Anga Díaz, do Buena Vista Social Club), um ano após “Hacia El Amor”. O diretor é diferente, Fred Ouro Preto, mas a cenografia é parecida: paredes grafitadas. O novo clipe foi rodado na Ouvidor 63, a maior ocupação cultural da América Latina, localizada perto do Vale do Anhangabaú, na região central de São Paulo. Emicida, as gêmeas Ibeyi e dançarinos aparecem em vários cômodos, áreas comuns e até no teto do prédio, decorado com grafites e pichações. A música mistura português, espanhol, portunhol e inglês, e brinca com o som das palavras, especial “nós”, pronunciada “nóiz” e que soa como “noise” (barulho), em referência ao lema do rapper “a rua é noiz”, além de encontrar elementos comuns entre Brasil e África, por meio de uma rima entre Mandela e favela. Colorido e bastante alegre, o vídeo emana uma mensagem positiva, que exalta a liberdade como celebração de vida – o que vira protesto em dias de repressão e também pelo contexto do cenário. Ao final, o vídeo encaixa um palavrão e ainda registra um pedido de liberdade para o DJ Rennan da Penha, que cumpre pena desde abril por associação ao tráfico de drogas – o que confere ainda outro sentido para o título de “Libre”. Mesmo preso, Rennan é um dos concorrentes à categoria Canção do Ano do prêmio Multishow. “Libre” é o terceiro clipe extraído de “AmarElo”, próximo disco de Emicida, e foi antecedido por “Eminência Parda” e a faixa-título “AmarElo”. Clique nos títulos para ver os clipes anteriores.
José Padilha vai produzir filme sobre o rapper Sabotage
A produtora Zazen, do cineasta José Padilha (“Tropa de Elite”), vai realizar um filme sobre a vida do rapper paulista Sabotage, nome artístico de Mauro Mateus dos Santos Filho. Orçado em R$ 9 milhões, o longa-metragem vai chegar aos cinemas em 2020, 17 anos após a morte do cantor, uma das figuras mais importantes do rap nacional. Sabotage inspirou milhares de jovens ao gravar um rap consciente e carregado de realidade. Ela saiu do tráfico para criar rimas sobre a vida violenta na periferia e lançou um álbum elogiadíssimo em 2000, “Rap É Compromisso!”. Com a carreira em ascensão, chegou a participar dos filmes “O Invasor” (2002), dirigido por Beto Brant, e do premiado “Carandiru” (2003), de Hector Babenco. Mas foi alvejado com quatro tiros em via pública, após deixar sua esposa no trabalho, na manhã de 24 de janeiro de 2003. O suspeito Sirlei Menezes da Silva tentou colocar a culpa no PCC, mas acabou condenado a 14 anos de prisão pelo assassinato do artista. Relembre abaixo o clipe “Um Bom Lugar”, uma das músicas mais conhecidas do rapper, que teve entre seus diretores Beto Brant.
Clipe e vídeo de bastidores de Emicida emocionam com histórias de superação
O rapper Emicida lançou um dos clipes mais emocionantes do ano, “AmarElo”, em parceria com Pabllo Vittar e Majur. O tom é estabelecido por uma gravação de desabafo depressivo e construído em torno de um refrão de Belchior (da música “Sujeito de Sorte”) sobre sofrimento, enfrentamento de dificuldades e superação. Gravado no Morro do Alemão, no Rio de Janeiro, o clipe trouxe vários personagens da comunidade carioca como figurantes. O detalhe é que suas histórias enriquecem muito a mensagem musical, como demonstrou um segundo vídeo, dedicado a depoimentos dessas pessoas. Elas são Tuany Nascimento, professora de balé do projeto Na Ponta dos Pés, que ensina meninas a dançar quando não há tiroteios, Lu Costa, estilista e “costureira de raiz”, que perdeu sua oficina num incêndio e tatuou uma fênix para recomeçar, Jalmyr Vieira, bacharel de Direito que foi o único negro de sua turma, mais atletas amputados, dançarinos sobreviventes e outros. As histórias de superação individual se completam com as participações de Pabllo Vittar e Majur, que representam a comunidade LGBTQIA+. O próprio Emicida escreveu o roteiro do clipe, que teve direção de Sandiego Fernandes (dos documentários “Trans” e “Samba na Caixinha”, ambos da GloboNews). O single também dá nome ao novo disco de Emicida, que sai ainda neste ano.
Grupo evangélico faz campanha para Netflix cancelar série da Amazon
O grupo evangélico americano “Return To Order” resolveu protestar contra a exibição da série “Good Omens” e reuniu mais de 20 mil assinaturas para pedir para a Netflix cancelar a produção. O detalhe é a série é produzida por outra plataforma: a Amazon. “Eu amei que eles vão escrever para a Netflix para que ‘Good Omens’ seja cancelado”, manifestou-se o escritor Neil Gaiman em seu Twitter. “Isso diz tudo”. O texto da petição acusa a série de ser “mais um passo para fazer com que o satanismo pareça normal, leve e aceitável”, além de “ofender a sabedoria de Deus”. A organização ainda criticou o fato de Deus ser dublado por uma mulher (a vencedora do Oscar Frances McDormand). Para completar a falta de informação, o grupo pede que o cancelamento da série. Só que se trata de uma minissérie. Que teve todos os episódios disponibilizados na estreia e não produzirá 2ª temporada. Ou seja, além de mobilizar seus seguidores para atacarem a plataforma errada, o grupo pede o fim de uma série que já acabou. O Twitter da plataforma Amazon Prime Video brincou com a situação: “Ei, Netflix, eu cancelo ‘Stranger Things’ se você cancelar ‘Good Omens'”. E a Netflix também entrou na piada, comprometendo-se a não produzir mais a série. Adaptação do livro “Belas Maldições”, escrito por Neil Gaiman e o falecido autor Terry Pratchett, a série estreou em 31 de novembro e acompanha um anjo e um demônio que, após séculos em lados opostos, resolvem se aliar para impedir o apocalipse. Para isso, precisam encontrar o anticristo adolescente, que desapareceu, além de lidar com os quatro motoqueiros do apocalipse, anjos dissimulados e o arcanjo Gabriel, obcecados em levar a cabo o Armageddon. Sem esquecer, claro, de Deus e o diabo. Os personagens centrais são o anjo Aziraphale, vivido por Michael Sheen (série “Masters of Sex”), e o demônio Crowley, interpretado por David Tennant (séries “Doctor Who” e “Jessica Jones”), e o elenco ainda conta com Jon Hamm (“Em Ritmo de Fuga”), Jack Whitehall (série “Fresh Meat”), Michael McKean (série “Better Call Saul”), Miranda Richardson (franquia “Harry Potter”), Mireille Enos (“Guerra Mundial Z”), Yusuf Gatewood (“The Originals”), Lourdes Faberes (“Knightfall”), Sam Taylor Buck (“Medici”) e as vozes de Benedict Cumberbatch (“Doutor Estranho”) como o diabo, Frances McDormand (“Três Anúncios para um Crime”) como Deus e Brian Cox (“Succession”) dublando a Morte. Além de ter escrito o livro, Neil Gaiman assina a série como roteirista e showrunner. @neilhimself pic.twitter.com/XYbtfivKk1 — Walter de Bruin (@wdebruinjr) June 19, 2019 Hey @netflix, we'll cancel Stranger Things if you cancel Good Omens. ? https://t.co/EJPmi9rL7g — Amazon Prime Video US (@PrimeVideo) June 20, 2019 Best reply ever. #GoodOmens https://t.co/eiU8g7POMz — Neil Gaiman (@neilhimself) June 20, 2019
Clipe de Baco Exu do Blues faz História com prêmio no festival publicitário de Cannes
O clipe “Bluesman”, do rapper Baco Exu do Blues, foi premiado nesta terça (18/6) no Festival Cannes Lions, principal premiação da publicidade mundial, na categoria Entertainment for Music (entretenimento para música). O vídeo brasileiro, dirigido por Douglas Bernardt, dividiu o prêmio com “This Is America”, de Childish Gambino, considerado pela crítica internacional o melhor clipe de 2018. A conquista superou “Apeshit”, do casal Beyoncé e Jay-Z , e “Oh Baby”, do grupo LCD Soundsystem, que estavam indicados na categoria. “Bluesman” foi destaque na Pipoca Moderna em seu lançamento, em dezembro passado, e também integrou a lista do site com os Melhores Clipes Brasileiros de 2018, publicada logo em seguida. O mercado publicitário brasileiro está acostumado a vencer categorias do Cannes Lions, mas é a primeira vez que um clipe nacional é premiado no evento. “A primeira coisa que pensei quando soube da notícia foi sobre a importância disso para o rap nacional. Ver o rap brasileiro chegando, disputando com o rap estrangeiro e ganhando espaço entre eles é muito impactante”, disse Baco Exu do Blues sobre a façanha, em comunicado “Além disso, o fato de um filme com um discurso negro, com todo elenco negro e que retrata a fragilidade e a força negra conseguir conquistar um prêmio desse tamanho sendo rap brasileiro é muito doido.” Praticamente um curta-metragem, com mais de 8 minutos de duração, “Bluesman” combina trechos de três músicas de Baco Exu do Blues e subverte expectativas com sua narrativa visual, que parece sugerir mais uma história de “negro correndo da polícia”, ao estilo “Cidade de Deus”, para se revelar a história de um “jovem Basquiat”, de um artista correndo atrás de seu destino. Quem corre é o ator Kelson Succi (da série “1 Contra Todos”), deixando para trás um monte de preconceitos, ao manifestar em sua disparada a mensagem da letra. “Eles querem um preto com arma pra cima /Num clipe na favela gritando cocaína/ Querem que nossa pele seja a pele do crime/ Que Pantera Negra só seja um filme”. Entretanto, o protagonista do clipe é um jovem da classe média, atrasado para uma aula de música. Um jovem estudioso. “Eles têm medo pra c* de um próximo Obama”, segue a letra. O clipe já foi assistido quase 1,5 milhão de vezes no YouTube. Veja mais uma vez abaixo.
Good Omens ganha 18 pôsteres de personagens
A Amazon divulgou uma coleção com 18 pôsteres de personagens de “Good Omens”, adaptação do livro “Belas Maldições”, escrito por Neil Gaiman e o falecido autor Terry Pratchett, que estreou na sexta (31/5) na plataforma de streaming. Os personagens centrais são o anjo Aziraphale, vivido por Michael Sheen (série “Masters of Sex”), e o demônio Crowley, interpretado por David Tennant (séries “Doctor Who” e “Jessica Jones”). Após séculos em lados opostos, eles resolvem se aliar para impedir o apocalipse. Para isso, precisam encontrar o anticristo adolescente (Sam Taylor Buck, de “Medici”), que desapareceu, além de lidar com os quatro motoqueiros do apocalipse, anjos dissimulados e o arcanjo Gabriel (vivido por Jon Hamm, de “Mad Men”), obcecados em levar a cabo o Armageddon. Sem esquecer, claro, de Deus e o diabo. O elenco ainda conta com Jack Whitehall (série “Fresh Meat”), Michael McKean (série “Better Call Saul”), Miranda Richardson (franquia “Harry Potter”), Mireille Enos (“Guerra Mundial Z”), Yusuf Gatewood (“The Originals”), Lourdes Faberes (“Knightfall”) e as vozes de Benedict Cumberbatch (“Doutor Estranho”) como o diabo, Frances McDormand (“Três Anúncios para um Crime”) como Deus e Brian Cox (“Succession”) dublando a Morte. Além de ter escrito o livro, Neil Gaiman também assina a série como roteirista e showrunner. “Good Omens” é a segunda adaptação do escritor disponibilizada pela Amazon. Gaiman também escreveu o livro que virou “American Gods”, produção do canal pago Starz distribuída pela plataforma de streaming no mercado internacional.
Emicida lança clipe de rap sobre a série Good Omens
A Amazon divulgou um clipe com o rapper Emicida para promover sua nova série “Good Omens”. A música se chama “Final dos Tempos” e remete à trama da atração, mostrando Emicida como dois personagens, um anjo e um demônio. Criado pela agência WMcCann, o clipe/campanha é um projeto colaborativo com o rapper, que é fã declarado do escritor Neil Gaiman, autor de “Good Omens” e também de “American Gods”, outra adaptação exibida pela plataforma Prime Video, da Amazon. O rapper teve liberdade completa para criar a música. Além do lançamento do clipe no canal do YouTube de Emicida, a Amazon também está utilizando a música nos comerciais da série. “Good Omens” estreou na sexta-feira em streaming. Com tom de comédia, a minissérie acompanha a aliança relutante entre um anjo e um demônio, que se tornaram amigos após séculos de interação em lados opostos e decidem e se juntam para impedir o apocalipse. Os personagens centrais são o anjo Aziraphale, vivido por Michael Sheen (série “Masters of Sex”), e o demônio Crowley, interpretado por David Tennant (séries “Doctor Who” e “Jessica Jones”). Eles resolvem encontrar o anticristo adolescente (Sam Taylor Buck, de “Medici”) antes do pior acontecer. Mas terão que lidar com os quatro motoqueiros do apocalipse e o arcanjo Gabriel (vivido por Jon Hamm, de “Mad Men”), obcecados em levar a cabo o Armageddon. Sem esquecer, claro, de Deus e o diabo. O elenco ainda conta com Jack Whitehall (série “Fresh Meat”), Michael McKean (série “Better Call Saul”), Miranda Richardson (franquia “Harry Potter”) e as vozes de Benedict Cumberbatch (“Doutor Estranho”) como o diabo, Frances McDormand (“Três Anúncios para um Crime”) como Deus e Brian Cox (“Succession”) dublando a Morte. Autor do livro em que a série se baseia, Neil Gaiman também assina a produção como roteirista e showrunner.
Novo clipe de Emicida escancara racismo “não assumido” do Brasil
O rapper Emicida lançou o clipe de “Eminência Parda”, que transforma em imagens o preconceito racial “não assumido” pelas classes mais abastadas do país. O vídeo acompanha uma família negra de classe média, que decide celebrar a formatura da filha na faculdade. O pai escolhe um restaurante chique para a comemoração, mas, ao chegar, o quarteto recebe olhares de desaprovação dos demais clientes – todos brancos – , como se estivesse invadindo um espaço que não lhes pertence. Alheios ao que acontece à sua volta, eles continuam celebrando, enquanto as imagens revelam o inconsciente dos incomodados. Em vez de ver uma família feliz e bem-sucedida, a elite branca vê drogados, prostitutas, bandidos, favelados, serviçais, escravos e vítimas de chacina. É uma mensagem sem a menor sutileza, que escancara a divisão racial do Brasil, onde até o sucesso dos negros incomoda. Curiosamente, a letra não tem nada disso. Fala em escapar da morte, sobrevivência, violência e orgulho negro, com críticas mais metafóricas ao racismo – contendo ainda versos de Jé Santiago e Papillon. Mas Emicida também é autor do roteiro do clipe, que foi dirigido por Leandro HBL (Leandro Lara), responsável pelo documentário “Favela on Blast” (2008) e por “Rodantes”, drama filmado há três anos que segue sem previsão de estreia. Após o lançamento do vídeo nesta quinta (9/5), Emicida usou as redes sociais para comentar o trabalho com fãs. E, ao responder uma pergunta sobre o final sangrento, ele resumiu a moral da história. “A partir do momento em que você encontra com uma família não branca, que tá fora do perfil do estereótipo que você espera pros lugares bacanas, os lugares bons da nossa sociedade, e você imagina que eles são todos aqueles estereótipos que passam pelo vídeo, você, mesmo que inconscientemente, vira cúmplice de um apertar do gatilho. É por isso que a gente tem uma verdadeira apatia quando vê várias tragédias acontecendo no nosso país, porque na mentalidade de várias pessoas a vida daquelas pessoas não importa. É isso que o final duro representa. Sacou?”
Retrospectiva: Os 50 melhores clipes nacionais de 2018
2018 foi o ano em que os clipes brasileiros mudaram de patamar com o envolvimento de muitos diretores de publicidade e cinema, fazendo com que até as produções de música indie atingissem uma qualidade muito acima da média de outras retrospectivas. Sejam do rock independente ou da nova MPB, os clipes brasileiros nunca tiveram uma qualidade tão uniforme, passando pelos mais diferentes ritmos. Claro que ninguém foi tão longe quanto Anitta, que deu a volta ao mundo só para gravar um clipe – e lançou pelo menos mais três vídeos fantásticos em 2018, embora apenas um tenha entrado na lista, para dar espaço a 50 artistas diferentes. Mas ela não foi a única a ter músicas transformadas em superproduções. Não faltam, entre as obras selecionadas, efeitos visuais cinematográficos e participações de astros famosos em dramatizações de impacto – com pelo menos uma estrela de cinema atrás também do microfone. Outro detalhe visível é o engajamento da maioria das produções, contra a intolerância e o racismo, e em defesa dos direitos LGBTQIA+ e do empoderamento feminino. Há retratos de trabalhadores e estudantes em seus cotidianos, e histórias de amor que acontecem longe dos cenários tradicionais das novelas da Globo. A diversidade chega a dar esperanças no futuro. Aperte o play para ver e ouvir, numa ordem definida por afinidade sonora, e confira os nomes dos artistas abaixo. 1 Baco Exu do Blues – Bluesman | 2 Criolo – Boca de Lobo | 3 Rincon Sapiência – Crime Bárbaro | 4 Àttooxxá – Caixa Postal | 5 Karol Conka & Sabotage – Cabeça de Nego | 6 Emicida & Fióti – Rap do Motoboy | 7 Iza – Dona de Mim | 8 Xenia França – Pra que me Chamas? | 9 Mawu – Chamamento | 10 Cordel do Fogo Encantado – Liberdade, a Filha do Vento | 11 Scalene – Esc (Caverna Digital) | 12 Molho Negro – O Jeito de Errar | 13 Canto Cego – Eu Não Sei Dizer | 14 The Mönic – Buda | 15 Marcelo Gross – Alô, Liguei | 15 Wasadog – I’m Willin’ | 16 Daniel Groove – Seu Amor | 18 Leela – YouTube Mine | 19 Letrux – Além de Cavalos | 20 Dani Vellocet – A Rainha e o Leão | 21 Gab – Not Yours | 22 André Cardinali – Contos de Fadas | 23 Marcelo Perdido – Tesoura sem Ponta | 24 Alaska – Vazio | 25 Lupa – Lunático | 26 Fresno – Convicção | 27 Isabel Lenza – Cinematográfico | 28 Verônica Ferriani – Amado Imortal | 29 Luiza Lian – Azul Moderno | 30 Ana Cañas – Eu Amo Você | 31 Baleia – Eu Estou Aqui | 32 Duda Beat – Bixinho | 33 Bel – Esse calor | 34 Alok, Zeeba & IRO – Ocean | 35 Pabllo Vittar – Indestrutível | 36 Prume – 606 On Fire | 37 Filipe Catto – Canção de Engate | 38 Cleo – Jungle Kid | 39 Teach Me Tiger – Drive | 40 Trago – A Ponte | 41 Plutão Já Foi Planeta – Estrondo | 42 Rubel – Colégio | 43 Tagua Tagua – Rastro de Pó | 44 Alex Sant’Anna – Insônia | 45 Leo Moraes – Incrível | 46 Fran Rosas – Relatividade | 47 Nana – Gato É Crime, Denuncie | 48 Francisco, El Hombre – Tá com Dólar, Tá com Deus | 49 Adriana Calcanhotto – O Cu do Mundo | 50 Anitta – Medicina
Baco Exu do Blues subverte expectativas com clipe-manifesto de hip-hop blueseiro
Para acompanhar “Bluesman”, um dos melhores álbuns brasileiros de 2018, o rapper Baco Exu do Blues liberou as primeiras imagens de seu manifesto de hip-hop blueseiro, um curta-metragem que reúne a faixa-título à trechos de “Preto e Prata” e “Queima Minha Pele”. Com direção de Douglas Ratzlaff Bernardt, o “clipe” é um épico de oito minutos, que subverte expectativas ao transformar a narrativa visual, de “negro correndo da polícia”, estilo “Cidade de Deus”, para um “jovem Basquiat”, artista correndo atrás de seu destino, estilo “Tudo Que Aprendemos Juntos”. Quem corre é o ator Kelson Succi (da série “1 Contra Todos”), deixando para trás um monte de preconceitos, ao manifestar em sua disparada a mensagem da letra. “Eles querem um preto com arma pra cima /Num clipe na favela gritando cocaína/ Querem que nossa pele seja a pele do crime/ Que Pantera Negra só seja um filme”. Entretanto, o protagonista do clipe é um jovem da classe média, atrasado para uma aula de música. Um jovem estudioso. “Eles têm medo pra c* de um próximo Obama”. Segundo disco de Baco Exu do Blues, “Bluesman” é o herdeiro de “Esú”, lançado no ano passado – e de Luis Melodia, o blueseiro que rima com brasileiro. Procure, ouça e queime na pele.
Legalize Já acerta praticamente tudo ao contar a gênese do Planet Hemp
É raro uma cinebiografia acertar a mão. Muitas tentam dar conta da vida completa do artista ou da pessoa em questão e acabam por tornar tanto a narrativa quanto o personagem rasos. Não é o caso de “Legalize Já – Amizade Nunca Morre”, dirigido por Johnny Araújo e Gustavo Bonafé, que faz um recorte destacando a amizade entre Marcelo D2 e Skunk, responsáveis pela criação de uma das bandas mais importantes do cenário brasileiro dos anos 1990, o Planet Hemp. Bastava estar vivo naquela década para lembrar o que o rolava nas rádios e nas televisões: era o boom do pagode e do axé. O surgimento das novas bandas da turma de 1994 foi crucial para dar uma oxigenada no rock daquele período, ainda que as bandas da década anterior ainda estivessem ativas e interessantes. Mas era preciso sangue novo e essa nova turma em geral soube lidar com a transgressão de maneira muito mais efetiva que a turma anterior. Colocar a legalização da maconha como principal bandeira por si só já foi um trunfo. Mas o Planet Hemp tinha também muito a oferecer no que se refere à qualidade de sua música. Uma coisa que muita gente não sabia era a importância de Skunk para a criação do conceito da banda. Marcelo não acreditava em si mesmo, embora as letras tenham partido dele desde o começo. Skunk, soropositivo, tentou lidar com a doença até onde deu. Na época, os coquetéis para combater o avanço do HIV eram muito desconfortáveis e tinham efeitos colaterais desagradáveis. “Legalize Já” ganhou o subtítulo “Amizade Nunca Morre” justamente por focar mais na amizade da dupla do que na criação musical. As linhas paralelas das vidas de Marcelo, camelô que vendia camisetas de banda de rock na rua, e Skunk, que morava com um amigo argentino dono de bar e de uma espécie de mini-estúdio caseiro, cruzam-se em um momento em que o rapa aparece para desmontar as bancas de alguns vendedores de rua. Chega a ser tocante ver a aproximação e a ótima química entre os dois, com Skunk sempre sendo o cara que motiva Marcelo a acreditar em si, em pensar grande com a ideia de montar uma das melhores bandas de rock do país. Apesar de haver aspectos dramáticos muito fortes, devido às situações nada fáceis da vida de ambos, o filme tem uma pegada leve, com cenas bem divertidas. E há também momentos musicais, que são de arrepiar. O que dizer da primeira vez em que ouvimos “Phunky Bhuda”? O que é aquele riff de guitarra, aquela energia? Vale destacar aqui as excelentes performances dos atores. Tanto Renato Góes (“Pequeno Dicionário Amoroso 2”) como Marcelo D2 quanto Ícaro Silva (“Sob Pressão”) como Skunk estão ótimos. Principalmente o segundo, que exala um carisma impressionante. E também a evolução do diretor Johnny Araújo, que filma rock desde sua estreia, “O Magnata” (2007), com roteiro de Chorão e participação do Marcelo Nova, e seguiu firme no tema com “Depois de Tudo” (2015), uma espécie de ode à canção “Soldados”, da Legião Urbana. “Legalize Já” é poesia urbana que, em vez de rimas, usa imagens.
Emicida e Fióti lançam clipe do Rap do Motoboy com participações de motoboys de verdade
A parceria de Emicida e Fióti, “Rap do Motoboy”, ganhou um clipe rodado nas ruas de São Paulo. E rodado literalmente, com duas rodas girando sem parar, pois o vídeo acompanha a rotina de motoboys – e motogirls – de verdade. A abertura já dá o tom, com depoimentos dos “figurantes” do trânsito paulistano, registrados em estilo de documentário. Seguem-se cenas de aceleração em espaço reduzido, para driblar os congestionamentos e cumprir o trabalho cotidiano, compiladas enquanto os cantores rimam em outros closes pela cidade. Tudo muito bem fotografado sob a direção de Fred Ouro Preto (sobrinho do cantor do Capital Inicial), que tem assinado os trabalhos mais recentes de Emicida. Vale apontar um detalhe: não é coincidência que todos os motoboys tenham o mesmo uniforme vermelho com o logotipo do aplicativo iFood – e da produtora do clipe, Laboratório Fantasma Produções. Neste caso, a publicidade não é tão explícita e está alinhada ao tema, além de oferecer uma unidade visual à produção. Não é como se Emicida pegasse um sorvete aleatório e exibisse o rótulo para a câmera com um sorriso canastrão, feito outros artistas.
Brasil sofre destruição apocalíptica no novo clipe de Criolo, candidato a melhor do ano
O rapper Criolo divulgou o clipe de “Boca do Lobo”. E sem exagero dá para dizer que é candidato a melhor clipe do ano. É uma loucura, que combina cenas reais da destruição do Brasil com efeitos surreais de sci-fi apocalíptica, em que mutações gigantes se encarregam de exterminar os últimos sobreviventes. São muitas citações à realidade nacional, do incêndio do Museu Nacional, no Rio, à tragédia da barragem de Mariana, em Minas Gerais, com imagens chocantes de corrupção explícita e da violência policial cotiana contra a população negra pobre do país. Além do corpo estendido no chão e do menor cheio de hematomas, também estão lá a falência do sistema de saúde, o avanço dos incêndios no centro de São Paulo, as correrias dos protestos reprimidos à bombas de gás, o blackout da crise energética, a multiplicação das pestes urbanas, com ratos gigantes surgindo de obras abandonadas do metrô paulistano e mosquitos transmitindo novas epidemias em série, em meio ao lixão que se tornaram as grandes cidades brasileiras. “É que a industria da desgraça pro governo é um bom negócio/ Vende mais remédio, vende mais consórcio/ Vende até a mãe, dependendo do negócio”, comenta a letra certeira, à queima-roupa. Óbvio que a imagem final, do morcego voando em Brasília, é uma metáfora para o presidente vampiro. Mas todos os atores políticos, da extrema direita à extrema esquerda, compactuam para criar este retrato apocalíptico, fruto da corrupção extrema sem ideologia, que se materializa na obra sombria-expressionista dirigida por Denis Kamioka, profissionalmente conhecido como Denis Cisma. Diretor de comerciais internacionais, ele já tinha feito dois clipes futuristas para Criolo há quatro anos, “Duas de Cinco” + “Cóccix-ência”. E este novo trabalho é mais apocalíptico que o próximo projeto “Cloverfield”, do produtor hollywoodiano J.J. Abrams.










