Moonlight é o grande vencedor do “Oscar indie”
O drama “Moonlight” foi o grande vencedor do Independent Spirit Awards, principal premiação do cinema indie, considerado o “Oscar do cinema independente americano”. O filme escrito e dirigido por Barry Jenkins conquistou todos os cinco prêmios que disputava: Melhor Filme, Direção, Roteiro, Edição e Fotografia, além do troféu Robert Altman de melhor elenco. Por causa do troféu Robert Altman, cujo vencedor é definido previamente, nenhum dos atores de “Moonlight” disputou prêmios de interpretação. Assim, Casey Affleck ficou com o troféu de Melhor Ator por “Manchester à Beira-Mar” e Isabelle Huppert com mais uma estatueta de Melhor Atriz por “Elle” – um dia depois de conquistar o César, na França. Entre os coadjuvantes, Ben Foster venceu por “A Qualquer Custo” e Molly Shannon surpreendeu com o reconhecimento a seu trabalho em “The Other People”. Dos três brasileiros que concorriam, apenas um celebrou. O produtor Rodrigo Teixeira compartilhou a vitória do filme “A Bruxa” em duas categorias, Melhor Filme de Estreia e Melhor Roteiro de Estreia. O terror é uma coprodução da empresa brasileira RT Features, de Teixeira, com estúdios americanos. “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho, que concorria na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira, perdeu para o alemão “Toni Erdmann”, de Maren Ade. Já “Melhores Amigos”, que concorria a Melhor Roteiro, escrito pelo americano Ira Sachs e o brasileiro Maurício Zacharias, foi um dos longas que perdeu para “Moonlight”. Confira abaixo a lista completa dos premiados. Vencedores do Independent Film Awards 2017 Melhor Filme Moonlight Melhor Diretor Barry Jenkins (Moonlight) Melhor Atriz Isabelle Huppert (Elle) Melhor Ator Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar) Melhor Atriz Coadjuvante Molly Shannon (Other People) Melhor Ator Coadjuvante Ben Foster (A Qualquer Custo) Melhor Roteiro Barry Jenkins (Moonlight) Melhor Filme de Estreia A Bruxa Melhor Roteiro de Estreia Robert Eggers (A Bruxa) Melhor Edição Joi McMillon e Nat Sanders (Moonlight) Melhor Direção de Fotografia James Laxton (Moonlight) Melhor Documentário O.J.: Made in America Melhor Filme Estrangeiro Toni Erdmann (Alemanha e Romênia) Prêmio John Cassavetes (Melhor Filme Feito com Menos de US$ 500 mil) Spa Night Prêmio Robert Altman (Melhor Elenco) Moonlight
Indicados ao Oscar 2017 de Melhor Filme em Língua Estrangeira divulgam manifesto contra “fanatismo” dos EUA
A política internacional do governo de Donald Trump conseguiu uma façanha histórica, ao inspirar a união de todos os cineastas indicados na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira no Oscar 2017. Pela primeira vez na história do Oscar, os candidatos estrangeiros ao troféu da Academia emitiram um comunicado conjunto de cunho político, denunciando o fanatismo americano e de outros países. Palavras duras, no tom usado pelo próprio governo americano para descrever habitantes de outros países. Leia abaixo a íntegra do manifesto, assinado pelo dinamarquês Martin Zandvliet (“Terra de Minas”), o sueco Hannes Holm (“Um Homem Chamado Ove”), o iraniano Asghar Farhadi (“O Apartamento”), a alemã Maren Ade (“Toni Erdmann”) e os australianos Martin Butler e Bentley Dean (que concorrem juntos por “Tanna”). “Em nome de todos os candidatos, gostaríamos de expressar nossa desaprovação unânime e enfática ao clima de fanatismo e nacionalismo que vemos hoje nos EUA e em tantos outros países, em parte da população e, infelizmente, entre os líderes políticos. O medo gerado pela divisão em gêneros, cores, religiões e sexualidades como meio para justificar a violência destrói as coisas de que dependemos – não apenas como artistas, mas como seres humanos: a diversidade de culturas, a chance de ser enriquecido por algo aparentemente “estrangeiro” e a crença de que os encontros humanos podem nos mudar para melhor. Essas paredes divisórias impedem as pessoas de experimentar algo simples, mas fundamental: de descobrir que nem todos somos tão diferentes. Então nós nos perguntamos: o que o cinema pode fazer? Embora não queiramos superestimar o poder dos filmes, acreditamos que nenhum outro meio pode oferecer uma visão tão profunda das circunstâncias de outras pessoas e transformar os sentimentos de desconhecimento em curiosidade, empatia e compaixão – mesmo para aqueles que eles nos dizem que são nossos inimigos. Independentemente de quem ganhar o Oscar pelo Melhor Filme em Língua Estrangeira no domingo, nos recusamos a pensar em termos de fronteiras. Acreditamos que não há melhor país, melhor gênero, melhor religião ou melhor cor. Queremos que este prêmio seja um símbolo da unidade entre as nações e a liberdade das artes. Os direitos humanos não são algo que você tem que se candidatar. Eles simplesmente existem – para todos. Por isso, dedicamos este prêmio a todas as pessoas, artistas, jornalistas e ativistas que estão trabalhando para promover a unidade e a compreensão, e que defendem a liberdade de expressão e a dignidade humana – valores cuja proteção é agora mais importante do que nunca. Dedicando-lhes o Oscar, desejamos expressar-lhes o nosso profundo respeito e solidariedade.”
Donald Trump avisa que não verá o Oscar 2017
Acostumado a tuítar em tempo real as premiações da Academia antes de assumir a presidência dos Estados Unidos, Donald Trump não irá assistir a cerimônia do Oscar 2017, anunciou o porta-voz do governo Sean Spicer. “Hollywood é conhecida por estar muito à esquerda em suas opiniões”, disse Spicer, respondendo a uma pergunta na conferência de imprensa desta quinta-feira. Segundo o porta-voz, Trump e a primeira-dama, Melania, estarão recebendo convidados no Governors Ball, um evento anual da Casa Branca, no mesmo horário da cerimônia. A ironia é que, numa sequência de tuítes durante a premiação de 2015, Trump chegou chegou até a se oferecer para apresentar a cerimônia. Neste ano, são esperadas várias críticas à sua política internacional. Já no Globo de Ouro, Meryl Streep atacou o presidente em seu discurso de agradecimento, e destacou que Hollywood é formada por atrizes e atores vindos de vários países. Imediatamente, Trump foi ao seu meio de comunicação favorito, o Twitter, para chamar Meryl Streep de “uma das atrizes mais superestimadas de Hollywood”, complementando de forma típica: “Ela é uma lacaia de Hillary que perdeu feio”. O anúncio de que não assistirá o Oscar também é uma forma de evitar que ele também apanhe no Twitter, com respostas como estas.
Deadpool vence prêmio como Melhor Campanha Publicitária do cinema
“Deadpool” tinha surpreendido expectativas por figurar entre os indicados de diversas premiações importantes de Hollywood, do Globo de Ouro ao Sindicato dos Roteiristas. Mas até este sábado (25/2) não tinha vencido nada. Por isso, a primeira vitória foi muito comemorada. E na categoria em que a produção realmente se excedeu, como Melhor Campanha Publicitária do ano. O filme faturou o Publicist Award 2016, conferido pela comunidade de relações públicas de Hollywood à equipe de profissionais da 20th Century Fox responsável pela publicidade da produção. A vitória, mais que merecida, ajuda a explicar como um filme de super-heróis para maiores, com humor violento e subversivo, feito por modestos US$ 58 milhões, conseguiu arrecadar US$ 132 milhões em seu primeiro fim de semana, atingindo US$ 363 milhões no mercado doméstico e US$ 783 milhões no mundo inteiro, de quebra consagrando-se como um dos maiores sucessos do cinema em 2016. O equivalente televisivo foi vencido pela série “This Is Us”, da rede NBC.
Framboesa de Ouro premia documentário sobre Hillary Clinton e Batman vs. Superman como piores do ano
A cerimônia de premiação do troféu Framboesa de Ouro, que elege os piores do ano no cinema, preparou terreno para o Oscar 2017, ao fazer uma escolha politizada no anúncio de seu grande vencedor. O documentário “Hillary’s America: The Secret History of the Democratic Party”, produção de extrema direita feita para atacar Hillary Clinton, candidata derrotada por Donald Trump nas últimas eleições presidenciais dos EUA, venceu quatro prêmios, incluindo Pior Filme, Pior Atriz (Rebekah Turner, intérprete de Hillary), Pior Ator (Dinesh D’Souza, no papel de Dinesh D’Souza) e Pior Direção para a dupla Dinesh D’Souza e Bruce Schooley. Apesar de desbancado pela produção política, “Batman Vs Superman: A Origem da Justiça” não decepcionou completamente sua torcida, vencendo também quatro prêmios: Pior Remake/Continuação, Pior Roteiro (Chris Terrio e David S. Goyer), Pior Dupla (Ben Affleck e Henry Cavill, respectivamente Batman e Superman na produção) e Pior Ator Coadjuvante (Jesse Eisenberg, como Lex Luthor). Kristen Wiig foi a nota dissonante, ao quebrar a hegemonia dos dois filmes com a Framboesa de Ouro de Pior Atriz Coadjuvante por “Zoolander 2”. Nem todos os prêmios Razzies (como as Framboesas douradas são conhecidas pelos íntimos) possuem conotação negativa. Um dos troféus celebra a volta por cima de artistas que já disputaram Framboesas e agora colhem louros. O vencedor desta ano foi Mel Gibson, que encantou a crítica ao dirigir “Até o Último Homem”, superando sua fase trash – como vilão em “Machete Mata” e “Os Mercenários 3”, feitos quando estava por baixo – , após protagonizar escândalos pessoais, com acusações de racismo, misoginia e violência. Confira abaixo a lista completa dos premiados. Vencedores do Framboesa de Ouro 2017 Pior Filme Hillary’s America: The Secret History of the Democratic Party Pior Remake, Continuação ou Paródia Batman vs Superman: A Origem da Justiça Pior Atriz Becky Turner (Hillary’s America) Pior Ator Dinesh D’Souza (Hillary’s America) Pior Atriz Coadjuvante Kristen Wig (Zoolander 2) Pior Ator Coadjuvante Jesse Eisenberg (Batman vs Superman) Pior Combinação Ben Affleck e Henry Cavill em Batman vs Superman Pior Diretor Dinesh D’Souza & Bruce Schooley (Hillary’s America) Pior Roteiro Chris Terrio e David S. Goyer (Batman vs Superman) Redimido do Ano Mel Gibson (Até o Último Homem)
Três brasileiros disputam o “Oscar do cinema independente” neste sábado
O principal prêmio do cinema indie americano, o Independent Spirit Awards, que na noite deste sábado (25/2) em Santa Monica, na Califórnia, será transmitido ao vivo pelo canal pago A&E e pode render troféus a brasileiros. Além do diretor Kleber Mendonça Filho, que concorre a Melhor Filme Estrangeiro por “Aquarius”, o produtor Rodrigo Teixeira está representado por dois filmes na disputa: “A Bruxa”, que concorre na categoria de Melhor Filme de Estreia, e “Melhores Amigos”, que disputa o prêmio de Melhor Roteiro. Para completar, este roteiro foi escrito pelo americano Ira Sachs e o brasileiro Maurício Zacharias. Os três brasileiros disputam com filmes de peso, como “Moonlight”, “A Qualquer Custo” e “Manchester à Beira-Mar”, que também estão no Oscar. “A Bruxa”, dirigido por Robert Eggers e produzido por Teixeira, concorre com “A Infância de um Líder”, “The Fits”, “Other People” e “Um Cadáver para Sobreviver”. Zacharias e Ira Sachs disputam com os autores de “Moonlight”, “Manchester à Beira-Mar”, “A Qualquer Custo” e “Mulheres do Século 20”. E “Aquarius” enfrenta “Chevalier” (Grécia), “Três Lembranças da Minha Juventude” (França), “Toni Erdmann” (Alemanha) e “Sob as Sombras” (Irã e Reino Unido). Na categoria de Melhor Filme do ano, a disputa acontece entre “Moonlight”, “Jackie”, “Manchester à Beira-Mar”, “Chronic” e “Docinho da América”. Confira abaixo a lista completa dos indicados. Indicados ao Independent Film Awards 2017 Melhor Filme American Honey Chronic Jackie Manchester à Beira-Mar Moonlight Melhor Diretor Andrea Arnold (American Honey) Pablo Larraín (Jackie) Jeff Nichols (Loving) Kelly Reichardt (Certas Mulheres) Barry Jenkins (Moonlight) Melhor Atriz Annette Bening (20th Century Women) Isabelle Huppert (Elle) Sasha Lane (American Honey) Ruth Negga (Loving) Natalie Portman (Jackie) Melhor Ator Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar) David Harewood (Free In Deed) Viggo Mortensen (Capitão Fantástico) Jesse Plemons (Other People) Tim Roth (Chronic) Melhor Atriz Coadjuvante Edwina Findley (Free In Deed) Paulina Garcia (Melhores Amigos) Lily Gladstone (Certas Mulheres) Riley Keough (American Honey) Molly Shannon (Other People) Melhor Ator Coadjuvante Ralph Fiennes (A Bigger Splash) Ben Foster (A Qualquer Custo) Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar) Shia LaBeouf (American Honey) Craig Robinson (Morris from America) Melhor Roteiro Barry Jenkins (Moonlight) Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar) Mike Mills (20th Century Women) Ira Sachs & Mauricio Zacharias (Melhores Amigos) Taylor Sheridan (A Qualquer Custo) Melhor Filme de Estreia The Childhood of a Leader The Fits Other People Swiss Army Man A Bruxa Melhor Roteiro de Estreia Robert Eggers (A Bruxa) Chris Kelly (Other People) Adam Mansbach (Barry) Stella Meghie (Jean of the Joneses) Craig Shilowich (Christine) Melhor Edição Matthew Hannam (Swiss Army Man) Jennifer Lame (Manchester à Beira-Mar) Joi McMillon e Nat Sanders (Moonlight) Jake Roberts (A Qualquer Custo) Sebastián Sepúlveda (Jackie) Melhor Direção de Fotografia Ava Berkofsky (Free In Deed) Lol Crawley (The Childhood of a Leader) Zach Kuperstein (The Eyes of My Mother) James Laxton (Moonlight) Robbie Ryan (American Honey) Melhor Documentário A 13ª Emenda Cameraperson I Am Not Your Negro O.J.: Made in America Sonita, uma Rapper Afegã Sob o Sol Melhor Filme Estrangeiro Aquarius (Brasil) Chevalier (Grécia) Três Lembranças da Minha Juventude (França) Toni Erdmann (Alemanha e Romênia) Sob as Sombras (Irã e Reino Unido) Prêmio John Cassavetes (Melhor Filme Feito com Menos de US$ 500 mil) Free In Deed Hunter Gatherer Lovesong Nakom Spa Night Prêmio Robert Altman (Melhor Elenco) Moonlight
Asghar Farhadi convida iranianos radicados nos EUA para representá-lo no Oscar 2017
O cineasta iraniano Asghar Farhadi, diretor de “O Apartamento”, indicado ao Oscar 2017 de Melhor Filme Estrangeiro, será representado por dois influentes americanos de origem iraniana na premiação: a engenheira Anousheh Ansari, conhecida por ser a primeira mulher turista espacial, e Firouz Naderi, ex-diretor da Nasa. Farhadi não comparecerá à cerimônia em resposta às medidas migratórias decretadas pelo presidente Donald Trump, que proíbe pessoas de seu país de viajar aos EUA. Ele considerou a decisão “humilhante” e resolveu que, independente dos desdobramentos legais, não compareceria ao Oscar em protesto. Com a escolha de seus representantes, Farhadi manda uma mensagem que enfatiza que os Estados Unidos são um país de imigrantes. Nascida no Irã, Ansari se transferiu aos EUA em 1984 ainda adolescente e em 2006 se tornou a primeira mulher a viajar ao espaço como turista, ao embarcar na nave russa Soyuz durante uma expedição de 8 dias. Naderi, também nascido no Irã e residente nos EUA desde 1964, passou mais de 30 anos trabalhando para a NASA em diferentes cargos, entre eles o de gerente do programa de exploração no planeta Marte. A reação de Hollywood à política internacional de Trump tem feito aumentar as chances de “O Apartamento” nas bolsas de aposta do Oscar. O filme é visto como candidato mais claro ao voto de protesto contra o presidente americano. Caso “O Apartamento” vença, será a segunda conquista do cineasta na categoria, após levar o Oscar 2012 por “A Separação”.
Pesquisa revela que 60% dos americanos não sabe citar nenhum filme que concorre ao Oscar
Pesquisa encomendada pela revista The Hollywood Reporter para o National Research Group revelou que 60% dos americanos não sabem o nome de nenhuma produção indicada ao Oscar 2017. Por outro lado, 70% dos entrevistados afirmam que irão assistir à cerimônia no próximo domingo (26/2) de qualquer jeito. A pesquisa foi feita com 800 pessoas em fevereiro, dividindo o público entre 400 eleitores de Donald Trump e 400 de Hillary Clinton. Para ambos os grupos, “La La Land” é o filme mais conhecido (39% para os democratas e 26% para os republicanos). O título menos conhecido é o policial “A Qualquer Custo” (5% para os dois lados). Os eleitores de Hillary informaram que pretendem ver a maioria dos filmes indicados ao Oscar, enquanto os de Trump se mostraram mais interessados no drama de guerra “Até o Último Homem”, dirigido por Mel Gibson. Quanto ao motivo que os faz querer assistir ligado a premiação estão, por ordem de interesse, os resultados, os números musicais e o apresentador. Já os comentários e as entrevistas no tapete vermelho e os discursos de agradecimento são os que os detalhes que despertam o menor interesse.
Moonlight é um poema em três estrofes sobre desilusões e masculinidade
“Moonlight – Sob a Luz do Luar” tem o encanto de se apresentar como um poema em três estrofes. A primeira trata de uma criança franzina, tímida e de olhos assustados (interpretada pelo estreante Alex Hibbert), que depois revela-se um adolescente frágil (Ashton Sanders) que sofre bullyng na escola e, por fim, torna-se um traficante adulto de aparência intimidadora (Trevante Rhodes). Chiron adulto é um gigante. Usa uma prótese de ouro na boca para lembrar quem manda no pedaço. A natureza e o significado da masculinidade é uma das principais preocupações que o filme tira da peça “In Moonlight Black Boys Look Blue”, escrita por Tarell Alvin McCraney , e adaptada e dirigida para o cinema por Barry Jenkins. Numa periferia violenta de Miami, o que você deve aprender? O quão duro você tem que ser? E o quanto deve ser cruel? A iniciação de Chiron em tais perguntas parece ser através do medo e da confusão. Primeiro, encontramos o menino em fuga, escapando de um monte de outras crianças. Chiron é menor que a maioria deles – seu apelido humilhante é Little. Seu esforço para entender essa diferença – para descobrir a conexão entre a homofobia do pátio de escola de seus pares e seus próprios desejos confusos – é uma das pistas ao longo do qual sua crônica episódica prossegue. Outra, igualmente dolorosa e complicada, diz respeito ao relacionamento dele com a mãe, Paula (Naomie Harris, de “007 – Operação Skyfall”). O crack dissolve qualquer laço de afetividade da mulher com o filho. Sem condições de ser educado, Chiron busca refúgio na casa de um narcotraficante (o ótimo Mahershala Ali, da série “Luke Cage”). O menino idolatra o fora da lei como se esse fosse um cantor de rap. Apesar de barra pesada, o sujeito tem desenvoltura, uma fala suave e uma certa vergonha de admitir para o garoto, que ironicamente ele é o responsável pelo vício e o processo de destruição da matriarca. Olhando por um viés realista, é muito difícil acreditar no dono de uma boca de tráfico como um sujeito com pendor humanista. Ainda que Mahershala seja um ator de categoria para nos convencer que o personagem tem lá suas contradições, esse humanismo é um exagero. Se analisarmos com mais profundidade, não é apenas o personagem do traficante que soa artificial, pouco de “Moonlight” se sustenta se olharmos para o filme como um drama realista. Não há policiais na rua, nem tensão, e mesmo a violência nunca aparece em primeiro plano. O próprio Chiron sofre injustiças, mas é desenhado como um personagem leve. Ele é fofo, um Simba da periferia. E mesmo quando finalmente cresce e assume a boca de fumo de seu pai postiço, sabemos que, no fundo, Chiron continua a ser um cara legal. Neste sentido, é impressionante como “Moonlight” se aproxima muito de “La La Land”. Quando a realidade se pronuncia de uma forma muito aguda, os protagonistas de ambos os filmes tendem a se refugiar num mundo imaginário. Em “La La Land”, a evasão se dá pelo canto e pela dança, em “Moonlight”, o refúgio está no mar e numa noite ao luar. Mas “Moonlight” não é apenas o filme indie do momento, é o candidato ao Oscar (concorrendo em oito categorias) que melhor afronta a América que elegeu o presidente Donald Trump. O filme trata da identidade do homem pobre, negro e gay norte-americano, algo que não está inscrito na atual agenda política e social republicana. Nele, há uma ausência quase completa de pessoas brancas. Mesmo assim, o diretor Jenkins é um cineasta inteligente demais para reduzir seus personagens a símbolos. Ele não generaliza. Ele simpatiza. Cada momento é infundido com o que o poeta Hart Crane chamou de “consanguinidade infinita”, o vínculo misterioso que nos liga uns aos outros e que só uma imaginação artística alerta e sensível pode tornar visível. Jenkins aposta nessa consanguinidade, e vende isso pra gente como poesia. Uma poesia cheia de nuances, que inquieta e emociona.
Moonlight e A Chegada conquistam o prêmio do Sindicato dos Roteiristas
O Sindicato dos Roteiristas dos EUA surpreendeu ao premiar dois filmes que não estavam entre os favoritos da crítica, na avaliação dos melhores roteiros do ano. “Moonlight – Sob a Luz do Luar” e “A Chegada” foram os grandes vencedores do WGA Awards. O trabalho de Barry Jenkins venceu na categoria de Melhor Roteiro Original derrotando dois candidatos mais incensados, “La La Land – Cantando Estações” e “Manchester à Beira-Mar”. Já a ficção científica roteirizada por Eric Heisserer recebeu a estatueta de Melhor Roteiro Adaptado, superando “Estrelas Além do Tempo”, “Um Limite Entre Nós”, “Animais Noturnos” e o surpreendente “Deadpool”. Entre os documentários, o vencedor foi “Command and Control”. Também nas categorias televisivas houve surpresas. Quem esperava a vitória de“Game of Thrones” ou “Stranger Things” se surpreendeu com a conquista de “The Americans” entre as séries dramáticas. Já “Atlanta” ganhou duplamente, como Melhor Roteiro de Série de Comédia de Melhor Série Estreante.
Star Trek, Esquadrão Suicida e La La Land são premiados pelo Sindicato dos Maquiadores
O Sindicato dos Maquiadores dos EUA distribuiu seus prêmios aos melhores trabalhos de cinema e televisão no setor. E os filmes premiados foram “Animais Noturnos”, “Esquadrão Suicida”, “Star Trek – Sem Fronteiras”, “La La Land – Cantando Estações” e “Ave, César!”. A quantidade de vencedores reflete a diversidade de categorias. O suspense dirigido por Tom Ford ganhou como Melhor Maquiagem contemporânea, enquanto o sucesso da DC Comics venceu como Melhor Maquiagem de Personagem. O novo “Star Trek” recebeu a estatueta de Melhores Efeitos Visuais de Maquiagem. Já “La La Land” e “Ave, César!” foram premiados por Melhor Penteado em Filme Contemporâneo e Melhor Penteado de Personagem. A disputa do Oscar, porém, concentra todas estas categorias num único troféu, disputado por apenas um filme. Um deles, por ser estrangeiro, sequer concorreu ao prêmio do sindicato. Os indicados ao Oscar 2017 de Melhor Maquiagem e Penteado são “Star Trek: Sem Fronteiras”, “Esquadrão Suicida” e o sueco “Um Homem Chamado Ove”. O Sindicato dos Maquiadores também distribuiu troféus para trabalhos televisivos, que foram vencidos por “Westworld”, “Game of Thrones”, “The People v. O.J. Simpson: American Crime Story” e o reality “Dancing with the Stars”.
La La Land vence prêmio do Sindicato dos Técnicos de Som dos EUA
“La La Land” foi o grande vencedor do prêmio do Sindicato dos Técnicos de Som dos EUA, em sua contínua ascensão na temporada de premiações de Hollwood. O musical de Damien Chazelle é o filme com mais indicações ao Oscar 2017, inclusive nas categorias de Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som. O evento da Cinema Audio Society Awards também rendeu troféus para “Procurando Dory” na categoria de animações e “The Music of Strangers: Yo-Yo Ma and The Silk Road Ensemble” entre os documentários. Na lista de premiados televisivos, os destaques incluíram o impressionante episódio da “Batalha dos Bastardos”, de “Game of Thrones”, “Modern Family” entre as séries de 30 minutos e “The People v. O.J. Simpson: American Crime Story” como melhor som de minissérie.
Personagens de Zootopia invadem cartazes dos indicados ao Oscar 2017
“Zootopia”, que já saiu até em DVD e Blu-ray, ganhou novos pôsteres “de cinema”, como parte de sua campanha para conquistar a simpatia dos eleitores do Oscar 2017. Indicado ao Oscar de Melhor Animação, a produção usou seus personagens para recriar os cartazes de alguns candidatos em outras categorias da premiação: “La La Land”, “A Qualquer Custo”, “Florence – Quem é Essa Mulher?”, “Animais Noturnos”, “Até o Último Homem” e “Animais Fantásticos e Onde Habitam”. Confira o resultado abaixo, clicando nas imagens para ampliá-las em tela inteira.











