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  • Etc,  Filme,  Série

    Cicely Tyson (1924 – 2021)

    29 de janeiro de 2021 /

    A pioneira Cicely Tyson, primeira atriz negra a receber um Oscar honorário, morreu aos 96 anos de idade de causas não reveladas. Conhecida por papéis populares, como a cozinheira de “Tomates Verdes Fritos” (1991) e a mãe de Viola Davis na série “Como Defender um Assassino” (How to Get Away with Murder), ela também teve desempenhos aclamados em drama históricos, foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz em 1973, venceu dois Emmys e quebrou muitas barreiras raciais ao longo de suas sete décadas de carreira. Com uma trajetória repleta de sucessos no cinema, teatro e televisão, Cicely Louise Tyson fez suas primeiros trabalhos artísticos para revistas de moda. Ela começou como modelo, brilhando nas páginas da Ebony, antes de estrear nas telas em 1951, na série “Fronteiras da Fé” (Frontiers of Faith). Após várias participações em séries e figurações em filmes, conseguiu seu primeiro papel fixo em 1963, na produção dramática “East Side/West Side”, como secretária de George C. Scott (o “Patton”), o que acabou sendo um feito histórico não apenas para sua carreira. Foi a primeira vez que uma atriz negra teve destaque e papel contínuo em uma série da TV americana. Depois disso, participou de “Os Farsantes” (1967), com Elizabeth Taylor, e “Por que Tem de Ser Assim?” (1968), com Alan Arkin, antes de emocionar a Academia com “Lágrimas de Esperança” (Sounder, 1972). No drama do diretor Martin Ritt, Tyson viveu a matriarca de uma família empobrecida do Sul dos EUA, que além da miséria precisava enfrentar o racismo da era da Depressão e manter a família unida após seu marido ser preso por roubar comida. Ela perdeu o troféu de Melhor Atriz para Liza Minnelli, em “Cabaret”, mas seu desempenho neste e em outros filmes finalmente foi reconhecido pela Academia em 2019, quando foi homenageada com um Oscar pela carreira. Apesar disso, sua trajetória foi muito mais marcante na televisão. A indicação ao Oscar (e ao Globo de Ouro) foi seguida por seu desempenho mais impactante, no telefilme “The Autobiography of Miss Jane Pittman” (1974), sobre uma mulher que nasceu escrava e viveu para acompanhar as lutas pelos direitos civis dos anos 1960. A Academia da Televisão se apaixonou pelo filme e pela protagonista, dando à produção nada menos que nove prêmios Emmy, incluindo o de Melhor Atriz para Tyson. O reconhecimento lhe rendeu convite para participar da célebre minissérie “Raízes” (Roots, 1977), primeira obra televisiva dedicada à diáspora africana. Seu desempenho como Binta, a mãe do protagonista Kunta Kinte, voltou a encantar a crítica, rendendo nova indicação ao Emmy. O mesmo aconteceu em relação à seu trabalho na minissérie “King” (1978), em que viveu Coretta Scott King, esposa de Martin Luther King, e na minissérie “The Marva Collins Story” (1981), como uma professora que enfrentou o sistema. Paralelamente às minisséries de prestígio, ela também participou de produções comerciais de cinema, como “Aeroporto 79: O Concorde” (1979), a comédia “Rompendo Correntes” (1981), com Richard Pryor, e “Tomates Verdes Fritos” (1991), drama multigeracional que marcou época. Ela voltou à escravidão na minissérie “Tempos de Guerra” (1994), pela qual ganhou seu segundo e último Emmy, embora tenha conseguido mais nove indicações nos anos seguintes, incluindo por seu último papel em “How to Get Away with Murder”. Cicely Tyson também colocou um Tony (o Oscar do teatro) na estante, pela montagem de “The Trip to Bountiful”, em 2013. Entre seus filmes mais recentes, estão “Histórias Cruzadas” (2011), “A Sombra do Inimigo” (2012), “Evocando Espíritos 2” (2013), “A Melhor Escolha” (2017) e “O Limite da Traição” (2020). E, além da série criminal de Viola Davis, ela também integrava o elenco de “Cherish the Day”, atração criada no ano passado pela cineasta Ava DuVernay. Nenhum desses muitos papéis citados incluiu prostitutas, criminosas ou drogadas, porque ela os considerava degradantes para mulheres negras e queria retratar apenas bons exemplos. “Em sua longa e extraordinária carreira, Cicely Tyson não apenas se superou como atriz, ela moldou o curso da história”, disse o então presidente dos EUA Barack Obama durante a cerimônia de 2016 em que entrou à estrela a Medalha Presidencial da Liberdade. “Cicely tomou uma decisão consciente não apenas de ter uma voz, mas de falar abertamente. As convicções e a graça de Cicely nos ajudaram a ver a dignidade de cada lindo membro da família americana – e ela é simplesmente linda.”

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  • Etc,  Filme

    Sondra Locke (1944 – 2018)

    14 de dezembro de 2018 /

    Morreu a atriz e diretora Sondra Locke, que foi parceira de Clint Eastwood em vários filmes e também na vida pessoal. Ela faleceu vítima de câncer em 3 de novembro, aos 74 anos, mas apenas agora o óbito foi confirmado. Sandra Louise Smith nasceu em 1944 em Shelbyville, Tennessee, e mudou seu nome para Sondra quando foi escolhida para viver a adolescente Mick Kelly em “Por que Tem de Ser Assim?” (1968), seu primeiro filme, que lhe rendeu indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante aos 24 anos de idade. Em seguida, estrelou o drama “Uma Sombra Me Persegue” (1970) e os filmes de terror “Calafrio” (1971) e “A Imagem do Medo” (1972), antes de viver Jesus Cristo de saias em “The Second Coming of Suzanne” (1974). Este lançamento foi tão mal recebido que a afastou do cinema por um bom período, levando-a para as séries. Ela apareceu em “Galeria do Terror”, “Kung Fu”, “Barnabie Jones” e “Planeta dos Macacos” até ser resgatada por Clint Eastwood, que a escalou como protagonista feminina em “Josey Wales, o Fora da Lei” (1976), dando início a uma parceria bem-sucedida também fora das telas. Os dois, que eram casados, passaram a viver juntos. E a filmar juntos também. Sondra emendou mais cinco filmes ao lado do ator e diretor, alguns deles famosíssimos. A lista inclui “Rota Suicida” (1977), “Doido para Brigar… Louco para Amar” (1978), a continuação “Punhos de Aço: Um Lutador de Rua” (1980), “Bronco Billy” (1980) e “Impacto Fulminante” (1983), penúltimo longa da franquia “Dirty Harry”, em que ela se vinga dos homens que a estupraram e a sua irmã. Sem medo de papéis controvertidos, Sondra ainda estrelou o cultuado “Death Game” (1977), em que, ao lado de Colleen Camp, seduzia e torturava um homem ingênuo. O filme ganhou remake recente, “Bata Antes de Entrar” (2015), com Lorenza Izzo e Ana de Armas se revezando na tortura de Keanu Reeves. Em 1986, ela mudou o foca da sua carreira, tornando-se diretora. Sondra dirigiu quatro longas: “Ratboy” (1986), “Tentação Perigosa” (1990), “Death in Small Doses” (1995) e “Ligados pelo Perigo” (1997). “Ratboy” teve mais repercussão, já que a trama lembrava “Calafrio”, do começo da carreira da atriz, mas a crítica foi impiedosa. Clint Eastwood assinou a produção, mas acabou processado por atitudes lesivas em 1989, quando quis abandoná-la. A briga começou quando Eastwood engravidou outra mulher e mudou as fechaduras de sua casa, colocando as coisas de Locke num depósito, enquanto ela estava em outro estado filmando seu segundo longa. Os dois chegaram a um acordo quando ele se comprometeu a produzir os próximos filmes dela, num acordo de distribuição com Warner. Entretanto, isso não foi honrado e, em 1995, Locke voltou a processar o ator e também a Warner por fraude e por conspiração para sabotar sua carreira. O caso acabou resolvido fora dos tribunais, mas Locke ficou com fama de “difícil” em Hollywood e teve sua carreira encurtada. Durante essa fase estressante, ela ainda passou por uma mastectomia dupla em 1990. E, após lançar seu último filme em 1997, publicou sua autobiografia, “The Good, the Bad, and the Very Ugly – A Hollywood Journey”, parafraseando o título de um filme estrelado por Eastwood nos anos 1960. O diretor Eli Roth a creditou como coprodutora de “Bata Antes de Entrar” e isso a recolocou em contato com a indústria cinematográfica. Sondra Locke voltou às filmagens pela última vez em 2017, como protagonista do drama “Ray Meets Helen”, do veterano cineasta Alan Rudolph.

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