Sondra Locke (1944 – 2018)


Morreu a atriz e diretora Sondra Locke, que foi parceira de Clint Eastwood em vários filmes e também na vida pessoal. Ela faleceu vítima de câncer em 3 de novembro, aos 74 anos, mas apenas agora o óbito foi confirmado.

Sandra Louise Smith nasceu em 1944 em Shelbyville, Tennessee, e mudou seu nome para Sondra quando foi escolhida para viver a adolescente Mick Kelly em “Por que Tem de Ser Assim?” (1968), seu primeiro filme, que lhe rendeu indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante aos 24 anos de idade.

Em seguida, estrelou o drama “Uma Sombra Me Persegue” (1970) e os filmes de terror “Calafrio” (1971) e “A Imagem do Medo” (1972), antes de viver Jesus Cristo de saias em “The Second Coming of Suzanne” (1974). Este lançamento foi tão mal recebido que a afastou do cinema por um bom período, levando-a para as séries.

Ela apareceu em “Galeria do Terror”, “Kung Fu”, “Barnabie Jones” e “Planeta dos Macacos” até ser resgatada por Clint Eastwood, que a escalou como protagonista feminina em “Josey Wales, o Fora da Lei” (1976), dando início a uma parceria bem-sucedida também fora das telas. Os dois, que eram casados, passaram a viver juntos. E a filmar juntos também.

Sondra emendou mais cinco filmes ao lado do ator e diretor, alguns deles famosíssimos. A lista inclui “Rota Suicida” (1977), “Doido para Brigar… Louco para Amar” (1978), a continuação “Punhos de Aço: Um Lutador de Rua” (1980), “Bronco Billy” (1980) e “Impacto Fulminante” (1983), penúltimo longa da franquia “Dirty Harry”, em que ela se vinga dos homens que a estupraram e a sua irmã.

Sem medo de papéis controvertidos, Sondra ainda estrelou o cultuado “Death Game” (1977), em que, ao lado de Colleen Camp, seduzia e torturava um homem ingênuo. O filme ganhou remake recente, “Bata Antes de Entrar” (2015), com Lorenza Izzo e Ana de Armas se revezando na tortura de Keanu Reeves.

Em 1986, ela mudou o foca da sua carreira, tornando-se diretora. Sondra dirigiu quatro longas: “Ratboy” (1986), “Tentação Perigosa” (1990), “Death in Small Doses” (1995) e “Ligados pelo Perigo” (1997).


“Ratboy” teve mais repercussão, já que a trama lembrava “Calafrio”, do começo da carreira da atriz, mas a crítica foi impiedosa. Clint Eastwood assinou a produção, mas acabou processado por atitudes lesivas em 1989, quando quis abandoná-la.

A briga começou quando Eastwood engravidou outra mulher e mudou as fechaduras de sua casa, colocando as coisas de Locke num depósito, enquanto ela estava em outro estado filmando seu segundo longa. Os dois chegaram a um acordo quando ele se comprometeu a produzir os próximos filmes dela, num acordo de distribuição com Warner. Entretanto, isso não foi honrado e, em 1995, Locke voltou a processar o ator e também a Warner por fraude e por conspiração para sabotar sua carreira.

O caso acabou resolvido fora dos tribunais, mas Locke ficou com fama de “difícil” em Hollywood e teve sua carreira encurtada.

Durante essa fase estressante, ela ainda passou por uma mastectomia dupla em 1990. E, após lançar seu último filme em 1997, publicou sua autobiografia, “The Good, the Bad, and the Very Ugly – A Hollywood Journey”, parafraseando o título de um filme estrelado por Eastwood nos anos 1960.

O diretor Eli Roth a creditou como coprodutora de “Bata Antes de Entrar” e isso a recolocou em contato com a indústria cinematográfica.

Sondra Locke voltou às filmagens pela última vez em 2017, como protagonista do drama “Ray Meets Helen”, do veterano cineasta Alan Rudolph.



Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna



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