Setor audiovisual lança manifesto em defesa da Cinemateca Brasileira
Associações ligadas ao setor audiovisual lançaram um manifesto em defesa da Cinemateca Brasileira. O documento, que conta com apoio de Cinematecas europeias, foi divulgado durante um protesto realizado na quinta-feira (4/6) em frente ao prédio da entidade, que é mais uma vítima do desgoverno Bolsonaro. Ao menos 25 entidades e associações ligadas ao audiovisual brasileiro participaram da manifestação, convocada pela Associação Paulista de Cineastas (Apaci). No texto, os grupos criticam o governo federal, que parou de fazer repasses para a Associação Roquette Pinto (Acerp), responsável pela gestão da Cinemateca. A dívida do governo com a Acerp já soma R$ 11 milhões e a proposta do desgoverno é não pagar, visando estatizá-la. Sem dinheiro, a Cinemateca vai sofrer um apagão – literalmente. “Um eventual apagão elétrico será desastroso, pois atingirá a climatização das salas onde estão arquivados verdadeiros tesouros de seu acervo histórico. Sem refrigeração e inspeção constante, os filmes em nitrato de celulose ficarão expostos ao tempo e podem entrar em autocombustão como já ocorreu em 2016”, diz trecho do manifesto. A conta de luz já está dois meses atrasada. Além disso, contratos com terceirizados, como manutenção e segurança, estão prestes a acabar, e os funcionários da Cinemateca estão com os salários atrasados desde de abril. Tudo isso é fruto da “política cultural” de destruição de Bolsonaro. “Técnicos valiosos e especializados foram demitidos e as atividades foram reduzidas drasticamente. Entre outras coisas, isso se refletiu na subutilização dos equipamentos de ponta, fruto de vultosos investimentos, que correm o risco de sucateamento”, frisou a Apaci. Ao tomar ciência do caos, o Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP) encaminhou um ofício à Secretaria Especial da Cultura cobrando “informações a respeito da possível ausência de repasse orçamentário que vem prejudicando o funcionamento da Cinemateca Brasileira e causando danos a acervo audiovisual mantido pela citada entidade”. De acordo com o documento, que o jornal O Globo divulgou na sexta (30/5), a secretaria tem agora 54 dias para confirmar se houve ou não repasse à Cinemateca Brasileira. Se confirmada a falta de envio dos recursos — eram previstos R$ 12 milhões para 2020 — , o Ministério Público poderá entrar com uma ação civil pública contra a pasta. Só não se sabe quem responderá por isso. A pasta está sem comando. Regina Duarte foi “saída” por Bolsonaro há três semanas, mas o presidente ainda não publicou sua exoneração no Diário Oficial. Tecnicamente, ela ainda é a responsável por esse problema, embora não esteja mais em Brasília. Pior que isso: Regina sonha em presidir a Cinemateca, provavelmente confundindo a função com curadoria de mostras cinematográficas. Quando demitiu a ex-atriz, Bolsonaro se comprometeu em colocá-la na Cinemateca. Só que, para realizar isso, precisa retomar o controle da entidade, que desde 2018 é gerida pela Acerp, uma organização social (OS) independente. Em comunicado, o ministério do Turismo, onde Bolsonaro jogou a pasta da Cultura, confirmou os planos de “reincorporação” da Cinemateca pela União, declarando que a Acerp já não responde mais pela preservação do acervo. Entretanto, o desgoverno, que se elegeu com proposta desestatizante, não deu prazo para a estatização da entidade. O comunicado conclui dizendo apenas que “a Cinemateca Brasileira, que detém uma parcela significativa da memória audiovisual e documental brasileira, prosseguirá sob a Direção da secretária Regina Duarte”. Como o desgoverno determinou por conta própria que a Acerp não é mais responsável pela Cinemateca e, por outro lado, nem sequer oficializou o desligamento de Regina Duarte do cargo de secretária de Cultura, a responsabilidade pelo equipamento caiu oficialmente no limbo. Fundada em 1946, a Cinemateca guarda registros inestimáveis, como filmes feitos durante as incursões do Exército brasileiro na 2ª Guerra Mundial, filmes do Brasil do começo do século 20, coleção de imagens raras da TV Tupi, primeira emissora de TV do país, inaugurada em 1950, 1 milhão de documentos relacionados à área do audiovisual, 245 mil rolos de filmes e 30 mil títulos de cinema, entre obras de ficção, documentários, cinejornais, filmes publicitários e registros familiares de personalidades históricas. O descaso com o acervo precioso que trata da própria História do Brasil só não é maior que o descaso com a saúde dos brasileiros, considerando que, em plena pandemia, o Ministério da Saúde também encontra-se sem titular há três semanas.
Senado aprova Lei Aldir Blanc de auxílio à Cultura brasileira
O Senado Federal aprovou nesta quinta-feira (4/6), por unanimidade, o projeto de lei que vai destinar R$ 3 bilhões para socorrer o setor cultural durante a pandemia do novo coronavírus. Conhecida como Lei Aldir Blanc, em homenagem ao compositor que morreu vítima de covid-19, a lei prevê um auxílio de R$ 600, em três parcelas, para trabalhadores da arte e da cultura, que Bolsonaro excluiu, via veto, do “coronavoucher” destinado aos trabalhadores informais, de baixa renda e microempreendedores individuais. Como o senado aprovou o projeto sem alterar o texto encaminhado pela Câmara, o texto vai seguir diretamente para a sanção presidencial. O relator do projeto, senador Jaques Wagner, fez um apelo para que o presidente da República sancione o projeto sem vetos. “Eu espero que Sua Excelência, o presidente da República, acolhendo o apelo de seus líderes, e me somo a esse apelo como Relator desta matéria no Senado, que Sua Excelência possa aprovar o texto sem vetos para que esse recurso possa rapidamente, como o texto prevê, em 15 dias chegar à ponta para que o remédio não encontre o paciente já em situação terminal”. De autoria da deputada Benedita da Silva (PT-RJ) e de outros 23 parlamentares, o projeto de Lei 1075/2020 prevê também que os espaços culturais terão direito a uma quantia que varia entre R$ 3 mil e R$ 10 mil até o fim da quarentena. Além disso, 20% do total deverá ser aplicado na manutenção de espaços artísticos e no apoio a micro e pequenas empresas culturais, cooperativas e instituições dedicadas à arte que tiveram as suas atividades interrompidas por força das medidas de isolamento social. O recurso também poderá ser usado para editais, chamadas públicas, prêmios, aquisição de bens e serviços vinculados ao setor cultural. De acordo com o texto, os R$ 3 bilhões serão divididos ao meio: 50% vão para os estados e o Distrito Federal e 50%, para os municípios. 80% do valor destinado aos municípios (R$ 1,5 bilhão) serão distribuídos de acordo com o tamanho da população deles. Os outros 20% serão distribuídos de acordo com os critérios do Fundo de Participação de Município (FPM), uma transferência constitucional que leva em consideração fatores como tamanho e renda per capita. A partir do momento em que o dinheiro entra em caixa, o município terá 60 dias para distribuir o apoio emergencial. Para ter direito ao auxílio emergencial, o trabalhador vai precisar comprovar sua atuação social ou profissional nas áreas artística e cultural dos últimos dois anos. Pela proposta, serão analisados os cadastros culturais dos estados, onde os artistas devem estar registrados. O profissional também não poderá ter outro emprego formal ativo e não pode ser titular de benefício previdenciário ou assistencial ou beneficiário do seguro-desemprego ou de programa de transferência de renda federal, ressalvado o Bolsa Família. E aqueles que já recebem o auxílio emergencial do governo pago a trabalhadores informais também não terão acesso a nova ajuda. O benefício de pessoa jurídica será para espaços culturais e artísticos, micro e pequenas empresas culturais, organizações culturais comunitárias, cooperativas e instituições culturais com atividades atualmente suspensas como prevenção contra a pandemia. Elas precisam comprovar que constam em ao menos um dos cadastros públicos existentes (estadual, municipal, distrital de Cultura, ou de pontos de cultura) para receber o montante. Estas empresas também não podem ter vínculo com a administração pública, Sistema S ou fundações e institutos mantidos por grupos empresariais. Esta lei se tornou emergencial porque Bolsonaro, além de barrar o auxílio de R$ 600 para artistas, não liberou nenhum valor dos fundos de fomento cultural, que superam esse montante. O dinheiro arrecadado desde 2018 para financiar a Cultura encontra-se parado em aplicações financeiras, enquanto o setor atravessa sua mais grave crise econômica. Como reação à essa “política cultural”, deputados, artistas e secretários estaduais e municipais de Cultura decidiram se organizar e negociar uma solução para o setor, via Congresso. Isso se provou necessário porque o desgoverno não tem nem sequer quem responda pela pasta da Cultura, assim como não tem ministro da Saúde em plena pandemia.
Dwayne Johnson cobra liderança compassiva de Trump em vídeo com 10 milhões de visualizações
O ator Dwayne Johnson questionou a atuação do presidente dos EUA, Donald Trump, em um vídeo disponibilizado nesta quinta (4/5) nas redes sociais, em que desabafa contra o racismo e manifesta seu apoio ao movimento Black Lives Matter. Em poucas horas, o vídeo, com oito minutos de duração, foi visto por mais de 10 milhões de pessoas só no Instagram, além de ter sido compartilhado 40 mil vezes no Twitter. Sem nomear diretamente Trump, Johnson pergunta: “Onde você está? Onde está o nosso líder? Onde está nosso líder neste momento em que nosso país está de joelhos, implorando, suplicando, magoado, zangado, frustrado, com dores em seus braços abertos, apenas querendo ser ouvido?” Os comentários de Trump sobre os protestos e distúrbios civis foram amplamente criticados por celebridades e políticos pela frieza e tom de ameaça contra os manifestantes. Em contraste com as declarações de guerra do presidente, que prefere tratar manifestantes como terroristas e ameaçá-los com ação militar, o astro de “Velozes e Furiosos” e “Jumanji” pede “liderança compassiva” nesse momento, em que o país foi convulsionado por protestos e está ressentido pelo racismo estrutural que resultou no assassinato de George Floyd à luz do dia por policiais brancos. “Você tem a minha palavra de que farei tudo que estiver ao meu alcance, até o dia da minha morte, meu último suspiro, para criar a mudança necessária, para normalizar a igualdade, porque as vidas negras são importantes. Mas onde você está?”, diz Johnson no vídeo. Johnson pede responsabilidade e liderança. “Devemos nos tornar os líderes que estamos procurando. Vou perguntar mais uma vez: onde você está? Onde está esse líder compassivo que deve assumir a responsabilidade por seu país e por todas as pessoas em nosso país? Onde você está? Vou te dizer uma coisa, nós estamos aqui. Estamos todos aqui. O processo de mudança já começou. Você pode sentir isso em todo o país. Mudança está acontecendo. Vai levar tempo. Nós vamos ser espancados. Nós vamos ficar com galos. Haverá sangue, mas o processo de mudança já começou”. O ator, que sugeriu uma possível carreira política no passado, já tinha tuitado em 30 de maio que estava “atordoado e tentando entender a morte de George Floyd”. Ele também agradeceu às muitas pessoas de outros países que protestaram em solidariedade ao movimento Black Lives Matter. Ver essa foto no Instagram Our country is crippled and on its knees, begging to be heard and pleading for change. Where is our compassionate leader? The leader who unifies and inspires our country at our most painful time when we need it the most. The leader who steps up and takes full accountability for our country and embraces every color in it. The leader who picks our country up off its knees and says you have my word – we got this – and together, change will happen. Where are you? Because we’re all here. Maybe one day that galvanizing leader will emerge. Either way, the process to change has already begun. #normalizeequality #blacklivesmatter Uma publicação compartilhada por therock (@therock) em 3 de Jun, 2020 às 7:33 PDT Ver essa foto no Instagram Past few days I’ve been stunned trying make sense of George Floyd’s death. The video. The plea for breath. The callous response. The racism. The killing. This is our ongoing disease. I’ve had cops in my family. Good men. And there’s a cop code, granting you the authority to use force if your life is in danger. But when a man is handcuffed, on the ground, no longer a threat, with your brothers in arms standing around watching and he struggles to say, “please I can’t breathe” when your knee is on his neck.. not his back, but his neck – cutting off his air. Cop code must become moral code. Ethics code. HUMANITY code. Knowing that if you don’t ease up, then that man is going to die. So when you decide to not ease up, your intention is to kill. And that’s what this was. George Floyd, said “officer I can’t breathe” as he struggled for air. He said these words a total of 15 times. Not once. Not twice. 15 times. These officers will be charged, I’m positive of that. Held accountable. But then where’s the greater accountability? The leadership to healing. More importantly, the leadership to EQUALITY. We ultimately win when we can normalize equality. I’m so sorry to the Floyd family. My heart breaks for you. Let the process begin now. #JusticeForGeorgeFloyd #NormalizeEquality Uma publicação compartilhada por therock (@therock) em 28 de Mai, 2020 às 10:30 PDT
Spike Lee faz curta pra juntar assassinato de George Floyd ao filme Faça a Coisa Certa
O cineasta Spike Lee criou um curta-metragem sobre a violência policial que tem assassinado afro-americanos desarmados. Concebido para a rede CNN, o vídeo foi publicado na noite de domingo (31/5) nas redes sociais e pode ser visto abaixo. Intitulado “3 Brothers – Radio Raheem, Eric Garner e George Floyd”, a obra reúne cenas brutais de assassinatos por asfixia de três homens negros por policiais brancos dos EUA. Um deles é um personagem criado pelo diretor, Radio Raheem (interpretado pelo falecido Bill Nunn), assassinado numa cena emblemática do filme “Faça a Coisa Certa”, de 1989. Os outros dois são vítimas recentes da brutalidade policial real. Tanto Eric Garner, em 2014, e George Floyd, no início desta semana, foram sufocados por policiais após serem rendidos e imobilizados. Ambas as mortes foram flagradas por testemunhas desesperadas, que gritavam para os criminosos fardados pararem o que estavam fazendo, enquanto as vítimas repetiam: “Eu não consigo respirar”. A reprise constante destas cenas, denunciada por Spike Lee lá no longínquo ano de 1989, indignou os EUA na segunda passada (25/5), quando o vídeo do assassinato de George Floyd viralizou nas redes sociais. Milhares de pessoas tomaram as ruas para protestar. A delegacia de Minneapolis onde trabalhava o policial assassino foi incendiada e os distúrbios saíram de controle, tomando uma dimensão que não se via desde os anos 1960, com confrontos entre a população e a polícia por todo o país. No fim de semana, o protesto se tornou internacional, gerando manifestações em países da Europa e até no Brasil (onde também houve repressão policial). O personagem fictício da Rádio Raheem, bem como Garner e Floyd, são três homens negros que morreram em circunstâncias semelhantes. O curta de Spike Lee pergunta: “A História vai parar de se repetir?” Veja abaixo. 3 Brothers-Radio Raheem, Eric Garner And George Floyd. pic.twitter.com/EB0cXQELzE — Spike Lee (@SpikeLeeJoint) June 1, 2020
Bolsonaro cria caos na Cinemateca para acomodar Regina Duarte
A situação de abandono e caos administrativo criada pelo governo Bolsonaro na Cinemateca Brasileira, o maior arquivo de filmes da América do Sul e uma das mais importantes instituições do gênero no mundo, voltou a chamar atenção da mídia e virou caso de justiça ao se tornar um prêmio de consolação para Regina Duarte. Ao anunciar a saída da ex-atriz do cargo de secretária de Cultura, na semana passada, Jair Bolsonaro disse que ela iria comandar a Cinemateca, com sede em São Paulo. Essa nomeação, porém, criou mais uma crise de desgoverno. Para começar, o cargo que Bolsonaro quer dar para Regina não existe, uma vez que a Cinemateca deixou de ser administrada diretamente pelo governo federal há quatro anos, quando teve sua gestão transferida para uma organização social, a Acerp (Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto). Desde então, o governo faz um repasse anual à Roquette Pinto para gerir o espaço. Mas como a proposta de Bolsonaro para a Cultura é o sucateamento, as verbas foram diminuindo até sumirem. No ano passado, a previsão era de entrada de R$ 13 milhões, mas só R$ 7 milhões foram transferidos até dezembro. Neste ano, nada. Como se não bastasse, o polêmico ministro da Educação, Abraham Weintraub, decidiu romper contrato com a Acerp, que era responsável pelos programas da TV Escola. Como a administração da Cinemateca era um adendo desse contrato, este ato deixou o mais importante espaço de preservação da história do cinema brasileiro sem acordo de gestão. Sem contrato e sem dinheiro, a Acerp tem feito mais que o Estado para preservar a Cinemateca. De janeiro a abril deste ano, o local foi mantido apenas com verbas próprias da Acerp, que teria desembolsado R$ 4 milhões para o pagamento de funcionários, prestadores de serviço e dos custos da instituição. Os poucos funcionários na ativa trabalham sem receber e a instituição tem negociado débitos da conta de luz — que varia entre R$ 100 e R$ 200 mil ao mês – para impedir o corte de energia que seria fatal para o acervo, dadas as condições de refrigeração necessárias para sua preservação. Além disso, contratos de prestação de serviços, como o dos bombeiros, fundamentais para preservação do acervo de 250 mil rolos de filmes, o maior da América do Sul, também estão para prescrever, o que é mais um risco sobre o acervo. Enquanto isso, os arquivos da Cinemateca já sofreram com incêndio e inundação nos últimos meses. Muito material precioso já foi perdido. Ao tomar ciência do caos, o Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP) encaminhou um ofício à Secretaria Especial da Cultura cobrando “informações a respeito da possível ausência de repasse orçamentário que vem prejudicando o funcionamento da Cinemateca Brasileira e causando danos a acervo audiovisual mantido pela citada entidade.” De acordo com o documento, que o jornal O Globo divulgou na sexta (30/5), a secretaria tem até 60 dias para confirmar se houve ou não repasse à Cinemateca Brasileira. Se confirmada a falta de envio dos recursos — eram previstos R$ 12 milhões para 2020 —, o Ministério Público poderá entrar com uma ação civil pública contra a pasta. A decisão de Bolsonaro de colocar Regina Duarte à frente desse problema rendeu uma reunião na sexta-feira entre a Acerp e integrantes do governo. A expectativa da Acerp era fechar um termo de emergência com a Secretaria Especial de Cultura, mas o resultado do encontro foi uma nota, divulgada pelo ministério do Turismo, que afirma que a Cinemateca Brasileira será reincorporada à União. Para tanto, o governo decidiu pela oficialização do encerramento do contrato de gestão com a Acerp. “A Cinemateca Brasileira não será fechada e agora entra na fase natural de reincorporação pela União, uma vez que não existe respaldo contratual para a Organização Social permanecer”, diz a nota, enviada ao jornal O Estado de S. Paulo. “Todos os acertos jurídicos serão feitos com a Roquette Pinto”, garante o ministério. Com a rescisão do contrato, a instituição teria que interromper projetos já em andamento e a Acerp demitiria cerca de 150 funcionários. O governo, que deve milhões à instituição, também não arcaria com os custos das rescisões trabalhistas. Apesar do anúncio do ministério do Turismo, a Acerp teria recusado a proposta e acionado o conselho administrativo para tomar medidas judiciais. Afinal, a nota deixa claro que toda essa movimentação tem o objetivo exclusivo de dar função para Regina Duarte, que não tem a menor experiência com preservação e restauração de filmes. “A Cinemateca Brasileira, que detém uma parcela significativa da memória audiovisual e documental brasileira, prosseguirá sob a Direção da Secretária Regina Duarte”, assume o comunicado oficial do desgoverno. Como o ministério determinou por conta própria que a Acerp não é mais responsável pela Cinemateca e, por outro lado, nem sequer oficializou o desligamento de Regina Duarte do cargo que ela perdeu na semana passada, a responsabilidade pelo equipamento foi pro limbo. Quanto mais tempo o impasse demorar, maiores são as chances de deterioração e perdas de um arquivo inestimável. A situação de negligência por incompetência burocrática pode configurar crime e, conforme observado, já está sendo acompanhada pelo MPF-SP.
Regina Duarte ainda é secretária da Cultura, uma semana após anunciar saída do cargo
Uma semana depois de anunciar sua saída da secretária especial da Cultura, Regina Duarte segue no cargo. Ela não foi exonerada (desligada oficialmente) porque o ato que a desvincula da secretaria ainda não foi publicado no Diário Oficial da União até esta quinta-feira (28/5). O afastamento da ex-atriz e futura ex-secretária foi comunicado em vídeo pelo presidente, ao lado de Regina, na quarta-feira passada (20/5), quando anunciaram que ela seria transferida para o comando da Cinemateca, em São Paulo. Mas o cargo informado não existe, uma vez que a Cinemateca é gerida por uma ONG. Comprovando sua permanência, a agenda pública da secretária revela que, nesta semana, ela teve ao menos quatro atividades de despachos da pasta – duas internas, duas por videoconferência. Questionado pelo UOL, o Ministério do Turismo informou que Regina está em transição. “A secretária especial de Cultura, Regina Duarte, encontra-se em fase de transição dos trabalhos realizados por ela durante este período para valorizar a cultura no país”, comunicou a pasta. Desde o anúncio da saída de Regina, um dos nomes cotados para substituí-la é do ator Mário Frias, que almoçou com Bolsonaro na semana passada, antes mesmo da ida da ex-atriz para o limbo, e que o próprio presidente tachou de “excelente nome” para assumir a Cultura do país. Mas assim que sua participação no governo
Câmara dos Deputados aprova auxílio emergencial de R$ 3 bilhões para a Cultura
A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (26/5) o projeto de lei que concederá R$ 3 bilhões em ações emergenciais para a área da Cultura. Todos os partidos apoiaram a proposta, que agora precisa ser apreciada pelo Senado e seguir para promulgação da Presidência para virar lei. O Projeto de Lei 1075/2020, de autoria da deputada Benedita da Silva (PT-RJ) e de outros 23 parlamentares, conta com a relatoria da deputada Jandira Feghalli (PCdoB-RJ) e prevê aos trabalhadores informais no setor cultural uma complementação mensal de renda no valor de R$ 600, em três parcelas. Artistas tinham sido excluídos do “coronavoucher”, o benefício emergencial original de R$ 600, em veto do presidente Jair Bolsonaro, que desde o começo de seu governo só realizou ações que objetivam quebrar a indústria cultural brasileira, bem como seus trabalhadores e seus empreendedores. Ainda pela proposta, os espaços culturais terão direito a uma quantia que varia entre R$ 3 mil e R$ 10 mil até o fim da quarentena. Além disso, 20% do total deverá ser aplicado na manutenção de espaços artísticos e no apoio a micro e pequenas empresas culturais, cooperativas e instituições dedicadas à arte que tiveram as suas atividades interrompidas por força das medidas de isolamento social. O recurso também poderá ser usado para editais, chamadas públicas, prêmios, aquisição de bens e serviços vinculados ao setor cultural. A lei pode ser batizada de Aldir Blanc, em homenagem ao artista que morreu vítima do novo coronavírus, e foi resultado de uma parceria entre deputados, artistas e secretários estaduais e municipais de Cultura, como reação à “política cultural” do governo – muito anterior à pandemia, a paralisação do setor foi iniciada no dia em que Bolsonaro assumiu o poder e decidiu travar uma guerra contra o que batizou de “marxismo cultural”, que seriam quase todos os filmes, séries, peças teatrais e exposições artísticas. “Entendemos que esse é um momento histórico do parlamento brasileiro. Cultura é o que nos simboliza. Como já dizia o nosso saudoso Aldir Blanc: o Brazil não conhece o Brasil. Mas esta casa de representação nacional certamente conhece”, disse a relatora Jandira Feghali, ao comemorar a aprovação. Líder do governo na Câmara, o deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO) afirmou ter se reunido com o presidente Jair Bolsonaro e com o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, e que o governo consentiu o apoio ao projeto. O líder afirmou ter construído um acordo para que a deputada da oposição tirasse pontos conflitantes do seu texto sob a garantia de o Planalto sancionar a proposta. Há um esforço coletivo de lideranças partidárias junto ao gabinete da presidência, a fim de que a proposta seja sancionada integralmente, sem vetos. De acordo com o texto, os R$ 3 bilhões serão divididos ao meio: 50% vão para os estados e o Distrito Federal e 50%, para os municípios. 80% do valor destinado aos municípios (R$ 1,5 bilhão) serão distribuídos de acordo com o tamanho da população deles. Os outros 20% serão distribuídos de acordo com os critérios do Fundo de Participação de Município (FPM), uma transferência constitucional que leva em consideração fatores como tamanho e renda per capita. A partir do momento em que o dinheiro entra em caixa, o município terá 60 dias para distribuir o apoio emergencial. Para ter direito ao auxílio emergencial, o trabalhador vai precisar comprovar sua atuação social ou profissional nas áreas artística e cultural dos últimos dois anos. Pela proposta, serão analisados os cadastros culturais dos estados, onde os artistas devem estar registrados. O profissional também não poderá ter outro emprego formal ativo e não pode ser titular de benefício previdenciário ou assistencial ou beneficiário do seguro-desemprego ou de programa de transferência de renda federal, ressalvado o Bolsa Família. E aqueles que já recebem o auxílio emergencial do governo pago a trabalhadores informais também não terão acesso a nova ajuda. O benefício de pessoa jurídica será para espaços culturais e artísticos, micro e pequenas empresas culturais, organizações culturais comunitárias, cooperativas e instituições culturais com atividades atualmente suspensas como prevenção contra a pandemia. Elas precisam comprovar que constam em ao menos um dos cadastros públicos existentes (estadual, municipal, distrital de Cultura, ou de pontos de cultura) para receber o montante. Estas empresas também não podem ter vínculo com a administração pública, Sistema S ou fundações e institutos mantidos por grupos empresariais. Esta lei se tornou emergencial porque Bolsonaro, além de barrar o auxílio de R$ 600 para artistas, não liberou nenhum valor dos fundos de fomento cultural, que superam esse montante. O dinheiro arrecadado desde 2018 para financiar a Cultura encontra-se parado em aplicações financeiras, enquanto o setor atravessa sua mais grave crise econômica. Atualmente, o desgoverno não tem nem sequer quem responda pela pasta da Cultura, assim como não tem ministro da Saúde. E daí?
Diretor de O Traidor fará minissérie sobre o caso Moro
O cineasta italiano Marco Bellocchio, grande vencedor do David di Donatello (o Oscar italiano) deste ano por “O Traidor”, vai produzir e dirigir uma minissérie sobre o caso Moro. No caso, o Moro não é aquele que você pode estar pensando, mas o ex-primeiro-ministro italiano Aldo Moro, sequestrado e assassinado em 1978 pelo grupo terrorista Brigadas Vermelhas. Intitulada “Exterior, Night”, a minissérie analisará o trágico caso Moro sob múltiplas perspectivas, levantando todos os interesses em jogo, inclusive daqueles que torciam à distância pelo assassinato político. Para quem não tem idade para saber ou já chegou na idade de esquecer, o caso Moro dominou a mídia mundial no final da década de 1970, pela ousadia dos terroristas e a importância da vítima. Um dos políticos mais populares da Itália, Moro foi eleito cinco vezes ao cargo de primeiro-ministro, como líder da Democracia Cristã, e revolucionou a política de sua época ao atrair o partido Socialista para seu governo de centro. Na época em que foi sequestrado, era tão querido na Itália que o Papa Paulo VI chegou a se oferecer para trocar de lugar com ele, disposto a se tornar refém dos Brigadas Vermelhas se o político fosse libertado. Embora os Brigadas Vermelhas fossem um grupo de extrema esquerda, as investigações sobre o assassinato de Moro apontaram um grande complô por trás da ação, que teria participação da CIA, a agência secreta americana, com o objetivo de criar tensões capazes de desestabilizar o governo e permitir um renascimento da direita na Itália, supostamente capaz de dar uma resposta mais dura aos terroristas. A história é intrincada, cheia de nuances, muitos elementos conspiratórios e tão fascinante que já inspirou vários longas, com destaque para o primeiro, “Aldo Moro – Herói e Vítima da Democracia”, vencedor do Urso de Prata de Melhor Ator (Gian Maria Volontè) no Festival de Berlim de 1986. Hollywood também filmou o caso em “O Ano da Fúria”, dirigido por John Frankenheimer em 1991 – com Andrew McCarthy no papel principal. E Paolo Sorrentino destacou a responsabilidade do primeiro ministro Giulio Andreotti pelo desfecho trágico em “Il Divo”, vencedor do Prêmio do Júri do Festival de Cannes em 2008. Mas o mais curioso é que o próprio Bellocchio já dedicou um filme ao tema: “Bom Dia, Noite”, premiado no Festival de Veneza de 2003. A série será uma coprodução da rede pública italiana RAI e as empresas Kavac e Fremantle, e deveria ter sido oferecida ao mercado internacional durante o Festival de Cannes deste ano, que foi cancelado devido à pandemia do novo coronavírus. Ainda não há previsão para o começo da produção ou data para seu lançamento.
Regina Duarte defende sua gestão na Cultura com ataques à esquerda
Regina Duarte já tenta fazer controle de danos de sua breve passagem pela Secretaria Especial da Cultura do desgoverno atual. Em artigo publicado nesta sexta-feira (22/5) no jornal O Estado de S. Paulo, ela se defendeu das críticas “à esquerda e à direita” que recebeu enquanto foi a secretária cultural de Bolsonaro, mas principalmente “à esquerda”. Dizendo-se consciente de que sua passagem pela Secretaria seria alvo de críticas, ela afirma que assumiu a missão com a convicção de que teria de “enfrentar interesses entrincheirados em ideologias cujo anacronismo não parece suficiente para sepultá-las”, mas mesmo assim lamenta “a ação coordenada de apedrejar uma pessoa que, há mais de meio século, vem se dedicando às artes e à dramaturgia brasileira”. No artigo, Regina diz ter sido “formuladora de diretrizes” na política cultural de Bolsonaro, sem detalhar suas realizações nos 77 dias em que esteve à frente da pasta. E sem trabalho para mostrar, o texto se revela apenas um roteiro para papel de vítima. Não da direita, que promoveu hashtag #ForaRegina, mas de colegas “de esquerda”. Os colegas que ficaram horrorizados com sua falta de sensibilidade às vítimas reais, da covid-19, e sua defesa da ditadura, com direito à marchinha patriótica, durante a entrevista fatídica para a CNN Brasil, em que tentou agradar terraplanistas para permanecer no cargo. “Amo meu país, sim, e tenho deixado isso sempre bem claro, a ponto de, numa recente entrevista à TV, ter cantado a conhecida marchinha dos anos 70, que fala de ‘todos ligados na mesma emoção’. Nada a ver com defesa da ditadura, como quiseram alguns, mas com o sonho de brasilidade e união que venho defendendo ao longo de toda a minha vida”, justificou a atriz. “E me desculpo se, na mesma ocasião, passei a impressão de que teria endossado a tortura, algo inominável e que jamais teria minha anuência, como sabem os que conhecem minha história. Dito isso, não será o veneno destilado nas redes sociais que me fará silenciar nem renegar amor à minha pátria”. Ela chega a lembrar da novela “Roque Santero”, de Dias Gomes, e seu famoso papel como a Viúva Porcina para dizer que enfrentou a censura nos primórdios da redemocratização – o que é meia-verdade. “Nos anos 80, na pele da Viúva Porcina e integrante do elenco da novela ‘Roque Santeiro’, enfrentei a censura nos primórdios da redemocratização. Fui aplaudida”, falou. “Duas décadas mais tarde, não me abstive de alertar a sociedade sobre a ameaça que representaria para o País um governo de matiz notoriamente socialista. Fui vaiada”. Na verdade-inteira, “Roque Santero” foi completamente censurada pela ditadura e proibida de ser produzida, mas em sua primeira versão, em 1975. Na ocasião, Betty Faria interpretaria a viúva “que foi sem nunca ter sido”. Regina até participou de movimento de repúdio à produção da obra, mas quando a novela foi liberada uma década depois, permitindo que ela vivesse Porcina, o Brasil já tinha um civil na presidência, José Sarney, e a infame Dona Solange, a burocrata que encarnou a censura no Brasil, já estava com a tesoura confiscada, de forma que Regina não enfrentou censura nenhuma para viver esse papel. Ao mesmo tempo, ela chama de “ameaça” “de matiz notoriamente socialista” um governo que, ao ser eleito, jamais ameaçou a democracia ou promoveu atos contra os poderes legislativo e judiciário, em defesa de um novo AI-5, como a administração da qual ela fez parte. Regina não enxerga essas diferenças. Pior: ela diz que chamar atenção para essas diferenças é ruim e sintomático de uma “infodemia” de esquerda. A citação a uma pandemia não vem com a lembrança, tão cobrada pelos artistas, às vítimas da covid-19, mas a uma “pandemia de informações tendenciosas em que conta o viés de quem as veicula e não o factual isento, não a verdade”. Trata-se, por óbvio, de uma visão ideológica do que é “verdade” – para bolsonaristas, ideológica é a “esquerda” e a verdade é “de direita”. Por fim, Regina Duarte acrescenta que o país precisa “de uma política cultural que transcenda ideologias”. Ou seja, que transcenda a esquerda. E finaliza: “Num país que tivesse nas comunicações uma elite pensante que não optasse pelo ‘quanto pior, melhor’, esse era o trabalho que deveria estar sob os holofotes da opinião pública – nunca a minha pessoa”. Vale lembrar, já que Regina esqueceu, que a elite que está nas comunicações lhe pagou salário por cinco décadas, e foi lembrada por ela, em seu próprio texto, via citação de novela, como produtora de arte que merecia ser defendida de um governo autoritário, na época em que estavam “todos ligados na mesma emoção”.
Bolsonaro nomeou Regina Duarte para cargo que não existe
Pegadinha do Mallandro? O cargo para o qual Jair Bolsonaro nomeou a ex-atriz e ex-secretária da Cultura Regina Duarte não existe. O presidente da República disse que ela iria presidir a Cinemateca Brasileira, responsável pela preservação e difusão do patrimônio audiovisual brasileiro. Mas a Cinemateca deixou de ser administrada diretamente pelo governo federal há quatro anos, quando teve sua gestão transferida para uma organização social, a Acerp (Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto). Desde então, o governo faz um repasse anual à Roquette Pinto para gerir o espaço. No ano passado, a previsão era de entrada de R$ 13 milhões, mas só R$ 7 milhões foram transferidos até dezembro. Neste ano, nada. A falta de recursos é um espelho do desgoverno na área da Cultura, administrada de forma deliberadamente incompetente, com demissões em série e cancelamentos de contratos, que visam manter a Secretaria Especial da Cultura desestruturada e paralisada. No Congresso, parlamentares já relataram dificuldades para transferir recursos de emendas para a Cinemateca por impedimento por parte do governo federal em empenhá-las. Enquanto isso, os arquivos da Cinemateca já sofreram com incêndio e inundação nos últimos meses. Muito material precioso já foi perdido. Para piorar, Bolsonaro odeia “ongistas”, a quem já culpou por incendiar a Amazônia e jogar petróleo no litoral brasileiro, sem provas ou razão. Administrada por uma ONG autônoma, a Cinemateca não está ao alcance da caneta nomeadora do presidente. No máximo, Regina poderia participar da coordenação-geral, um cargo de confiança, como representante da Secretaria do Audiovisual para supervisionar as ações do equipamento. Mas até a Secretaria do Audiovisual está desestruturada. Como se não bastasse, a Acerp está em briga declarada com o governo, após o ministro da Educação romper contrato com a associação, que era responsável pelos programas da TV Escola. Uma solução seria o governo “estatizar” a administração da Cinemateca, para desagradar seu desestatizante ministro da Economia. Só após promover o retorno da Cinemateca à administração federal é que o governo poderia alocar sua diretoria. O mais provável, porém, é Bolsonaro fazer o que tem feito com relação a todas as decisões urgentes que precisa tomar na pasta da Cultura: nada. Simplesmente deixar o tempo passar. Responsável por costurar a saída de Regina Duarte da Secretaria Especial da Cultura, a deputada Carla Zambelli, principal bolsonarista da Câmara, confessou na quarta (20/1) para a imprensa que a formalização da ida da atriz para a Cinemateca de São Paulo “ainda está pendente”. E, como se pode apostar, assim ficará por muito tempo. Segundo a própria deputada, a nomeação depende de questões burocráticas que não têm prazo para serem resolvidas. Um detalhe que veio à tona em meio a essa indefinição foi uma indefinição ainda maior na pasta da Cultura. Aparentemente, Regina Duarte foi saída sem realmente sair, deixando um vácuo em seu lugar, que não será preenchido enquanto o governo protelar a questão da Cinemateca. “A secretária [Regina] não saiu ainda [do cargo]. Ela vai fazer a transição”, disse Zambelli no Palácio do Planalto, apontando que ela continua como secretária da Cultura, sem ser mais a secretária de Cultura. Os detalhes do que seriam essa transição não foram esclarecidos nem pela parlamentar, nem pelo Planalto e nem pela atriz. Se não existisse de verdade, o governo Bolsonaro seria um pesadelo digno de Kafka – que não é comida árabe, ao contrário do que acredita o ministro da Educação.
Mario Frias já teria acertado substituir Regina Duarte na Secretaria de Cultura
O ator Mario Frias já teria sido convidado para assumir a Secretaria de Cultura, afirmaram aliados do presidente Jair Bolsonaro à vários veículos de imprensa. Ele vai substituir a atriz Regina Duarte, que foi exonerada nesta quarta (20/5), após cerca de dois meses no comando da pasta. Ainda não está definida a data em que o ex-ator será empossado. Sai a Viúva Porcina, de “Roque Santero”, e entra o Drácula, de “Os Mutantes”. Frias é uma ator de novelas de apenas 38 anos, cuja maior credencial para o cargo é ser bolsonarista. Revelado em “Malhação”, em 1998, ele também apareceu em “Senhora do Destino” e “Bela, a Feia”, e atualmente apresentava um game show na Redetv. Frias acompanhou a posse de Regina, mas foi rápido para sugerir seu próprio nome como sucessor da ex-atriz, durante o ápice da campanha #ForaRegina, promovida por terraplanistas das redes sociais. Ele se ofereceu para ocupar o cargo numa entrevista à CNN Brasil, há duas semanas. Na reta final da fritura da ex-atriz e agora ex-secretária, o ex-“Malhação” almoçou por dois dias consecutivos com Bolsonaro no Palácio do Planalto. Na tarde desta quarta (20/5), segundo atualização da agenda oficial do presidente, voltaram a se encontrar, quando o presidente teria batido o martelo. Sem grande currículo, Mario Frias pode se dar ao luxo de se queimar com a classe artística, ao abraçar a política anti-cultural de Bolsonaro. Quinto secretário de Cultura em menos de um ano e meio desse desgoverno, se ele ficar mais tempo na pasta que os dois meses de Regina, se tornará um dos mais resistentes no cargo. O recorde de longevidade pertence a Henrique Pires, que se demitiu após oito meses, recusando-se a praticar censura para agradar ao presidente. Este ato dramático, entretanto, acabou eclipsado pelo sincericídio de Roberto Alvim, que nem Bolsonaro conseguiu segurar após estrelar um vídeo da pasta com discurso inegavelmente nazista.
Regina Duarte não é mais secretária de Cultura
Regina Duarte não é mais secretária especial da Cultura. Um dia depois de almoçar com um dos nomes cotados para assumir o cargo, o ex-“Malhação” Mário Frias, o presidente confirmou nesta quarta (20/5) o remanejamento da ex-atriz de 73 anos para a Cinemateca Brasileira, com sede em São Paulo. Bolsonaro afirmou nesta manhã que Regina estava com saudade da família e que a mudança seria para o “bem” dela, em respeito ao “passado” da atriz e “por tudo o que representa para todos nós”. Vale lembrar que ela encerrou um contrato de mais de 50 anos com a TV Globo, com salário muito maior e todas as garantias possíveis para seu futuro, para atender ao convite do presidente e virar secretária de Cultura. Mas não pode reclamar de falta de exemplos de traição, inclusive de amigos íntimos, cometidas por Bolsonaro no poder. Há poucos dias, Regina reclamou foi de “matérias tendenciosas, maldosas, fakes, venenosas” que apontavam sua fritura, em meio à campanha #ForaRegina nas redes sociais, incentivada pelo próprio Bolsonaro. Segundo fontes ouvidas pelo jornal Folha de S. Paulo, os dois estavam insatisfeitos um com o outro e se dedicaram a encontrar uma saída honrosa para a artista, que vinha sofrendo intervenção no cargo, sem poder nomear ninguém. A tal saída honrosa, o comando da Cinemateca, foi estabelecida em um café da manhã desta quarta, no Palácio da Alvorada. A solução encontrada reflete uma reclamação de Bolsonaro, que já havia dito publicamente que Regina não dava expediente em Brasília, ficando a maior parte do tempo em São Paulo, trabalhando pela internet, o que prejudicava a gestão da pasta. A ausência da atriz abriria espaço, de acordo com o presidente, a conflitos ideológicos dentro da secretaria. Conflitos ideológicos, na visão de Bolsonaro, não são os absurdos terraplanistas defendidos por seu mentor Olavo de Carvalho, mas a defesa de direitos humanos. “Tem muita gente de esquerda [na secretaria de Cultura] pregando ideologia de gênero, essas coisas todas que a sociedade, a massa da população não admite. E ela tem dificuldade nesse sentido”, afirmou ele em 28 de abril. A ex-atriz esperava ter carta branca — algo que lembrou, em sua posse, ter-lhe sido prometido pelo presidente — para poder nomear os subordinados. Mas nunca teve. Bolsonaro mandou exonerar quem ela contratou em duas ocasiões e ainda impediu um terceiro de assumir um cargo, ao mesmo tempo em que manteve quem ela queria destituir e ensaiou trazer de volta quem tinha sido demitido por ela. Em seu discurso por ocasião da demissão-transferência da ex-atriz e ex-secretária de Cultura, Bolsonaro foi condescendente, sugerindo ter dado uma migalha para ela não ficar tristinha. “Pode ter certeza de uma coisa, acho que você quer ajudar o Brasil e o que eu mais quero é o seu bem pelo pelo seu passado e por tudo o que representa para todos nós. Ir para Cinemateca do lado do apartamento, saber que você vai ser feliz e produzir muito mais. Fico feliz por isso. Mas chateado porque sai um pouco do convívio com a gente”, disse o presidente. Bolsonaro postou um vídeo no Twitter ao lado da ex-atriz para justificar a decisão. E ela seguiu firme no papel que escolheu para si mesma pelo resto de sua vida, definindo a mudança como um “presente”. “Acabo de ganhar um presente, que é o sonho de qualquer profissional de comunicação, de audiovisual, de cinema e de teatro, um convite para fazer a Cinemateca que é um braço da cultura em São Paulo. Ficar secretariando o governo na cultura dentro da Cinemateca. Pode ter presente maior do que isso?” A atuação de Regina Duarte como secretária foi digna do Framboesa de Ouro, a premiação dos piores do ano em Hollywood, tendo como auge da canastrice a entrevista desastrosa que deu à CNN Brasil, quando teve chilique, defendeu a ditadura e minimizou as mortes de artistas por coronavírus para não perder o cargo. Tanto que a classe artística chegou a criar um manifesto dizendo que “ela não nos representa”. Decididos a ignorá-la, artistas buscaram alianças com secretários municipais e estaduais da Cultura para se dirigir diretamente ao Congresso em busca de aprovação de leis e alternativas de sobrevivência para o setor, durante a crise do novo coronavírus, que Regina não foi capaz de formular. A queda da ex-atriz, pouco mais de dois meses após sua posse, também faz parte do método implantado por Bolsonaro para neutralizar a pasta da Cultura e congelar todo e qualquer fomento para o setor. Trata-se de uma repetição escancarada de situações, que revela a tática de mudar tudo, o tempo todo, para que nada aconteça e ninguém faça coisa alguma. O método das demissões em série, desorganização estrutural e sabotagem assumida implode organogramas e trava definições de comitês importantes, como o responsável pela gestão do FSA (Fundo Setorial do Audiovisual). Essa desgovernança, que se aproveita da morosidade burocrática para transformar inoperância em modelo administrativo, explica porque nenhum dinheiro da Cultura foi liberado por Bolsonaro desde que assumiu a presidência. Além de não liberar, seu desgoverno se caracteriza por cortar incentivos e vetar leis que possam ajudar a classe artística, com o objetivo claro de sangrar o setor até matá-lo. Regina Duarte foi peão e cúmplice do maior ataque estatal já sofrido pela Cultura brasileira em todos os tempos. Seu sucessor deve apenas esquentar banco para o próximo, e assim sucessivamente, para que o pior presidente da História do Brasil avance em sua guerra cultural declarada, com o objetivo de sucatear o setor.
Legalmente Loira 3: Criadores de Brooklyn Nine-Nine e Eu Nunca… escreverão a continuação
A MGM contratou Mindy Kaling e Dan Goor para escreverem o roteiro de “Legalmente Loira 3”, a esperada continuação da trajetória jurídica de Elle Woods, com Reese Witherspoon de volta ao papel que a consagrou no cinema. A dupla é conhecida por criar séries de sucesso. Mindy criou e estrelou “Projeto Mindy” (The Mindy Project) e, mais recentemente, o remake televisivo de “Quatro Casamentos e Um Funeral” e a série inspirada em sua juventude, “Eu Nunca…” (Never Have I Ever), na Netflix. Já Dan Goor é criador de “Brooklyn Nine-Nine”, além de ter escrito-produzido “Parks & Recreation”. O filme original foi um dos maiores sucessos de 2001 e acompanhava os esforços de Elle Woods, uma patricinha fútil que tenta provar sua inteligência na universidade de Direito após ser abandonada pelo namorado. O longa ganhou uma sequência em 2003, em que Elle descobria os bastidores da política americana. Reese Witherspoon confirmou a produção da sequência em junho do ano passado. Na época, as roteiristas originais, Kirsten Smith e Karen McCullah, negociavam escrever o novo capítulo. Mas, na semana passada, foram anunciadas à frente de um remake da comédia “Mulher Nota 10”.











