Pussy Riot lança três novos clipes políticos, feministas e subversivos
A banda russa feminina Pussy Riot lançou três clipes nesta semana, um mais radical que o outro, mostrando sua nova guinada musical. As guitarras punk rock deram lugar à melodias elotrônicas, mas as letras continuam panfletárias e confrontadoras. Dirigido por Jonas Akerlund (“Spunk: Sem Limites”), que já assinou clipes de Madonna, Beyoncé e Taylor Swift, o vídeo de “Make America Great” é o mais subversivo, mostrando, com cenas de tortura da cantora Nadya Tolokonnikova, o que aconteceria aos EUA se Donald Trump vencesse as eleições. Em contraste às cenas de sadismo, a letra tanta ensinar o que realmente tornaria “a América grande”: “Deixem as pessoas entrar, ouçam suas mulheres, parem de matar crianças negras”. O segundo clipe exalta o poder da vagina (“”Straight Outta Vagina”), com um refrão que pergunta “de onde você veio?” para a resposta óbvia, enquanto o último (“Organs”) explora o corpo nu da cantora, numa banheira ensanguentada, para lamentar em sua língua natal e afiada a repressão sexual na Rússia, contrapondo proibições à preservativos com as penetrações do governo Putin em outros países, com tanques e tudo. As músicas fazem parte do novo disco da banda, que chega nesta sexta (28/10) às lojas dos EUA, com produção de Dave Sitek, da banda indie eletrônica TV on Radio. A Pussy Riot ficou famosa após duas de suas integrantes terem sido presas e condenadas na Rússia por terem cantado em fevereiro de 2012 uma “oração punk” contra o presidente russo, Vladimir Putin, na catedral de Moscou. O julgamento inspirou um documentário premiado no Festival de Sundance, “Pussy Riot: A Punk Prayer”, produzido pelo HBO em 2013. E a notoriedade resultante lhes rendeu, inclusive, uma participação na série “House of Cards”.
Após vídeo eleitoral, Will & Grace pode voltar para valer na televisão
Após o reencontro do elenco original para um vídeo de propaganda eleitoral, “Will & Grace” pode acabar ganhando mesmo um revival na rede NBC. O site TV Line apurou que a emissora viu a repercussão do vídeo e enxergou potencial, planejando fazer novos episódios da série com Eric McCormack (Will), Debra Messing (Grace), Megan Mullally (Karen) e Sean Hayes (Jack). Vale ressaltar que o canal não confirmou a informação. Mas o elenco se divertiu muito no reencontro, que ainda contou com os cenários originais, texto dos criadores da série, Max Mutchnick e David Kohan e direção de James Burrows, responsável por comandar 188 episódios da produção, exibida entre 1998 e 2006 nos EUA. Durante as entrevistas que o reencontro rendeu, todos falaram que adorariam voltar com a série se tivessem oportunidade. O problema é a agenda dos atores. Atualmente, Eric McCormack está na nova série “Travelers”, que estreia no Netflix em dezembro, Debra Messing participa do remake de “Dirty Dancing”, que será exibido como especial musical de fim de ano na rede ABC, Megan Mullally tem diversos filmes em andamento, além de uma participação na vindoura antologia sci-fi “Dimension 404”, e Sean Hays, que virou um produtor de sucesso, atuará a seguir no especial “Hairspray Live!”, previsto para dezembro na rede NBC.
El Comandante: Trailers da série mostram Hugo Chávez violento e sedutor
Surgiram os primeiros trailers de “El Comandante”, a série baseada na vida do Hugo Chávez. As cenas retratam o ex-presidente venezuelano com um homem violento e sedutor, capaz de mobilizar massas e conquistar mulheres, o que desagradou frontalmente aos chavistas. Na verdade, a produção da Sony Pictures Television foi mal-vista desde seu anúncio, a começar pela escolha do ator que interpreta Chaves, o colombiano Andrés Parra, que ficou conhecido na América Latina por ter interpretado o narcotraficante Pablo Escobar na série “Pablo Escobar: O Senhor do Tráfico”. O presidente Nicolás Maduro chegou a anunciar que seu governo faria um filme e uma série de televisão sobre Hugo Chávez em resposta à iniciativa “abusada” dos imperialistas de Hollywood. Mas até a oposição viu problemas nas prévias, já que as cenas picantes e heroicas poderiam promover a idealização do ex-presidente. Superprodução gravada em quatro países, a séria será composta por 60 capítulos e terá distribuição internacional. Na América do Sul, a exibição estará a cargo do canal pago TNT, mas ainda não há previsão para a estreia.
Mulher Maravilha vira Embaixadora da ONU e ganha novos inimigos: feministas
A Mulher-Maravilha, personagem famosa dos quadrinhos da editora DC, foi nomeada na sexta-feira (21/10) embaixadora da ONU para promover os direitos das mulheres. Apesar do caráter simbólico e do alcance global da personagem, especialmente entre crianças, a cerimônia aconteceu em meio a críticas de organizações feministas e de membros da própria ONU. A cerimônia aconteceu na sede da ONU em Nova York e contou com a presença das atrizes Lynda Carter, que encarnou a Mulher-Maravilha na série de TV da década de 1970, e Gal Gadot, que interpreta a super-heroína no filme “Batman vs. Superman: A Origem da Justiça” e na produção solo da personagem que estreia em 2017. Foi a primeira vez que as duas se encontraram num evento público, mas pareciam amigas de longa data. De acordo com a organização, a Mulher-Maravilha foi escolhida por ser “símbolo da paz, justiça e igualdade”. Agora, a personagem irá colocar seus super-poderes a serviço da campanha anual da ONU para promover a emancipação de meninas e mulheres. Em seu discurso, Gadot valorizou o aspecto simbólico da escolha: “Às vezes, precisamos de algo ou alguém para aspirar, para ajudar a informar nossas escolhas e dar o exemplo. Esse exemplo pode ser um super-herói como Mulher Maravilha, que pode nos inspirar a ser mais, exigir mais e fazer mais”. Mas a escolha não agradou, surpreendendo a comunidade geek. Durante a cerimônia, uma dezena de manifestantes, de ambos os sexos, deram as costas e alguns ergueram o punho. Um grupo de 350 funcionários da ONU também firmou uma petição para que Ban Ki-moon desista do projeto. O secretário-geral da ONU, entretanto, não compareceu ao evento. Shazia Rafi, dirigente do movimento She4SG, que luta pela nomeação de uma mulher para o cargo de secretária-geral da ONU, considerou “ridícula” a escolha de uma personagem de ficção. “Há tantas mulheres muito reais que poderiam ter sido eleitas”. A funcionária da ONU Cass Durant, que segurava uma placa dizendo “mulheres reais merecem embaixadoras reais” falou que as manifestantes “não acreditam que uma ficção em quadrinhos, com uma mulher vestida como ‘coelhinha da Playboy’, pode passar a mensagem correta para meninas e meninos sobre o que realmente importa”. Para completar, um site criado por manifestantes acusa a Mulher-Maravilha de ser uma pin-up, “a encarnação da garota do calendário – branca, de seios generosos e medidas improváveis – e ainda se veste com a bandeira dos Estados Unidos”. O lançamento da campanha da ONU coincide com o 75º aniversário da primeira aparição da Mulher-Maravilha nos quadrinhos, durante a 2ª Guerra mundial, e ajuda a promover o filme da Warner Bros. que está em produção.
O Doutrinador: Vem aí o primeiro filme de super-herói brasileiro desde os anos 1970
A Paris e a Downtown Filmes estão preparando o primeiro filme de super-herói brasileiro do século 21. Trata-se de “O Doutrinador”, que, como bom super-herói nacional, tem como seu maior inimigo a corrupção. Ex-soldado do Exército brasileiro, o Doutrinador decidiu deixar sua aposentadoria por não aguentar mais tanta impunidade, passando a se disfarçar com uma grande máscara de oxigênio e um casaco com capuz para limpar o país. Revoltado com o sistema e com sede de vingança, ele não mede esforços para eliminar políticos, donos de empreiteiras, dirigentes do futebol e até líderes religiosos. O personagem foi criado pelo carioca Luciano Ramos, inspirado nos quadrinhos do Batman de Frank Miller e já rendeu duas graphic novels. Originalmente concebido em 2008, o projeto ficou na gaveta do autor até 2013, quando ele resolveu publicar as primeiras páginas em seu Facebook. Três meses depois, explodiram as manifestações de protesto no país e o Doutrinador virou cult, ao encarnar, ainda que de forma extrema, a indignação com o panorama político e a revolta contra “tudo o que está aí”. A adaptação tem tudo para ser polêmica, já que o personagem divide opiniões. Há quem o considere fascista e outros que o enxergam como manifestação da anarquia. Não há meio termo com “O Doutrinador”, a começar por seu nome, mas principalmente por seus métodos – ele faz justiça com as próprias mãos, caçando e matando corruptos de todos os partidos. O segundo volume de suas histórias foi criado com ajuda do músico Marcelo Yuka (ex-baterista de O Rappa), que teve a ideia do roteiro. A ideia original de Ramos era negociar uma série do personagem. Acabou chamando atenção da Downton Filmes e da Paris Filmes, que se juntaram para realizar a adaptação cinematográfica. Com roteiro a cargo do ator Gabriel Wainer (visto na novela “Passione”), as filmagens estão previstas para 2017. Vale lembrar que, em 1973, o filme “O Judoka” foi a primeira adaptação de quadrinhos de super-herói nacional.
Michael Moore lança documentário surpresa contra Donald Trump
Michael Moore aproveitou a polêmica envolvendo Donald Trump para anunciar, de surpresa, a exibição de um documentário sobre os republicanos de Ohio, região onde o candidato republicado às eleições presidenciais dos Estados Unidos é mais forte. Intitulado “Michael Moore in TrumpLand”, a produção terá pré-estreia na noite desta terça-feira (18/10) no IFC Center, em Nova York. “E aí, Nova York? Quem quer dar uma olhada no que eu tenho feito? Terça, 9:30pm, no IFC Center. Os ingressos gratuitos e serão distribuídos por ordem de chegada a partir das 8:30pm”, divulgou o diretor em sua conta no Twitter. Descrito pelo próprio Moore como o filme que os republicanos de Ohio tentaram derrubar, “Michael Moore in TrumpLand” mostra o documentarista em uma região hostil do país para ele, fazendo piadas sobre Donald Trump. Em 2004, Moore venceu a Palma de Ouro do Festival de Cannes com “Fahrenheit 9/11”. Sucesso mundial, o documentário questionava as motivações suspeitas da Guerra do Iraque, numa época em que a mídia se recusava a questionar as mentiras do presidente George W. Bush.
Séries BrainDead e American Gothic são canceladas
A rede CBS cancelou oficialmente as séries “BrainDead” e “American Gothic”, que não conseguiram decolar na audiência durante a temporada do verão americano, vistas em média por 2,6 milhões de telespectadores. Apesar do desinteresse do público, “Braindead” caiu nas graças da crítica e ganhou status cult, graças a uma história mirabolante e a presença carismática de Mary Elizabeth Winstead (“Rua Cloverfield, 10”). Felizmente, seus criadores, Robert e Michelle King, responsáveis por “The Good Wife”, anteciparam o cancelamento e concluíram – ainda que apressadamente – a trama nos 13 episódios de sua única temporada. A série girava em torno de uma invasão de insetos alienígenas, que pretendiam conquistar a Terra devorando os cérebros dos políticos do Congresso americano. Mas o complô acabou descoberto pela mais nova funcionária do Congresso, a irmã de um senador, que se junta a uma médica e um homem obcecado por teorias de conspiração para impedir o apocalipse. Comprovando que o final foi antecipado aos integrantes da atração, Mary Elizabeth Winstead já está escalada para nova série em 2017. Ela foi contratada para a 3ª temporada de “Fargo”, ao lado de Ewan McGregor (“Álbum de Família”) e Carrie Coon (série “The Leftovers”). Já “American Gothic” era um melodrama criminal criado por Corinne Brinkerhoff (também de “The Good Wife”) que também teve 13 episódios exibidos. A trama acompanhava os desdobramentos da morte do patriarca de uma família importante, especialmente a descoberta de que o falecido poderia ter sido um serial killer. E pior: alguém da família foi seu cúmplice. Mas o mistério não rendeu público.
Andrzej Wajda (1926 – 2016)
Morreu Andrzej Wajda, um dos maiores cineastas da Polônia, vencedor da Palma de Ouro de Cannes e de um Oscar honorário pela carreira de fôlego, repleta de clássicos humanistas. Ele faleceu no domingo (9/10), aos 90 anos, em Varsóvia, após uma vida dedicada ao cinema, em que influenciou não apenas a arte, mas a própria História, ao ajudar a derrubar a cortina de ferro com filmes que desafiaram a censura e a repressão do regime comunista. Nascido em 6 de março de 1926 em Suwalki, no nordeste polonês, Wajda começou a estudar cinema após a 2ª Guerra Mundial, ingressando na recém-aberta escola de cinema de Lodz, onde também estudaram os diretores Roman Polanski e Krzysztof Kieslowski, e já chamou atenção em seu primeiro longa-metragem, “Geração” (1955), ao falar de amor e repressão na Polônia sob o regime nazista. Seu segundo longa, “Kanal” (1957), também usou a luta contra o nazismo como símbolo da defesa da liberdade, e abriu o caminho para sua consagração internacional, conquistando o prêmio do juri no Festival de Cannes. Com “Cinzas e Diamantes” (1958), que venceu o prêmio da crítica no Festival de Veneza, ponderou como pessoas de diferentes classes sociais e inclinações políticas tinham se aliado contra o nazismo, mas tornaram-se inimigas após o fim da guerra. Os três primeiros filmes eram praticamente uma trilogia temática, refletindo as ansiedades de sua geração, que tinha sobrevivido aos nazistas apenas para sofrerem com os soviéticos. Ele também filmou várias vezes o Holocausto, do ponto de vista da Polônia. Seu primeiro longa sobre o tema foi também o mais macabro, contando a história de um coveiro judeu empregado pelos nazistas para enterrar as vítimas do gueto de Varsóvia, em “Samson, a Força Contra o Ódio” (1961). Aos poucos, suas críticas foram deixando de ser veladas. Num novo filme batizado no Brasil com o mesmo título de seu terceiro longa, “Cinzas e Diamantes” (1965), lembrou como os poloneses se aliaram a Napoleão para enfrentar o império russo e recuperar sua soberania. A constância temática o colocou no radar do governo soviético. Mesmo com fundo histórico conhecido, “Cinzas e Diamantes” disparou alarmes. Aproveitando uma tragédia com um ator local famoso, Wajda lidou com a perigosa atenção de forma metalinguista em “Tudo à Venda” (1969), sobre um diretor chamado Andrzej, que tem uma filmagem interrompida pelo súbito desaparecimento de seu ator principal. Considerado muito intelectual e intrincado, o filme afastou o temor de que o realizador estivesse tentando passar mensagens para a população. Mas ele estava. Em “Paisagem Após a Batalha” (1970), o diretor voltou suas câmeras contra o regime, ao registrar o sentimento de júbilo dos judeus ao serem libertados dos campos de concentração no fim da guerra, apenas para sepultar suas esperanças ao conduzi-los a outros campos cercados por soldados diferentes – russos – , inspirando a revolta de um poeta que busca a verdadeira liberdade longe disso. Seus três longas seguintes evitaram maiores controvérsias, concentrando-se em dramas de família e romances de outras épocas, até que “Terra Prometida” (1975) rendeu efeito oposto, celebrado pelo regime a ponto de ser escolhido para representar o país no Oscar. E conquistou a indicação. Ironicamente, a obra que o tornou conhecido nos EUA foi a mais comunista de sua carreira. Apesar de sua obsessão temática pela liberdade, “Terra Prometida” deixava claro que Wajda não era defensor do capitalismo. O longa era uma denúncia visceral de como a revolução industrial tardia criara péssimas condições de trabalho para os operários poloneses, enquanto empresários enriqueciam às custas da desumanização na virada do século 20. Brutal, é considerado um dos maiores filmes do cinema polonês. Satisfeito com a consagração, Wajda manteve o tema em seus filmes seguintes, acompanhando a evolução da situação dos operários poloneses ao longo do século. Mas os resultados foram o avesso do que a União Soviética gostaria de ver nas telas. A partir daí, sua carreira nunca mais foi a mesma. Seus filmes deixaram de ser cinema para virarem registros históricos, penetrando nas camadas mais profundas da cultura como agentes e símbolos de uma época de transformação social. “O Homem de Mármore” (1977) encontrou as raízes do descontentamento dos trabalhadores da Polônia no auge do stalinismo dos anos 1950. O filme era uma metáfora da situação política do país e também usava de metalinguagem para tratar da censura que o próprio Wajda sofria. A trama acompanhava uma estudante de cinema que busca filmar um documentário sobre um antigo herói do proletariado, que acreditava na revolução comunista e na igualdade social, mas, ao ter acesso a antigas filmagens censuradas para sua pesquisa, ela descobre que foi exatamente isto que causou sua queda e súbito desaparecimento da história. Diante da descoberta polêmica, a jovem vê seu projeto de documentário proibido. A censura política voltou a ser enfocada em “Sem Anestesia” (1978), história de um jornalista polonês que demonstra profundo conhecimento político e social numa convenção internacional, o que o faz ser perseguido pelo regime, que cancela suas palestras, aulas e privilégios, culminando até no fim de seu casamento, para reduzir o homem inteligente num homem incapaz de se pronunciar. Após ser novamente indicado ao Oscar por um longa romântico, “As Senhoritas de Wilko” (1979), Wajda foi à luta com o filme mais importante de sua carreira. “O Homem de Ferro” (1981) era uma obra de ficção, mas podia muito bem ser um documentário sobre a ascensão do movimento sindicalista Solidariedade, que, anos depois, levaria à queda do comunismo na Polônia e, num efeito dominó, ao fim da União Soviética. A narrativa era amarrada por meio da reportagem de um jornalista enviado para levantar sujeiras dos sindicalistas do porto de Gdansk, que estavam causando problemas, como uma inusitada greve em pleno regime comunista. Ao fingir-se simpatizante da causa dos estivadores, ele ouve histórias que traçam a longa trajetória de repressão aos movimentos sindicais no país, acompanhadas pelo uso de imagens documentais. O filme chega a incluir em sua história o líder real do Solidariedade, Lech Walesa, que depois se tornou presidente da Polônia. Apesar da trajetória evidente do cineasta, o regime foi pego de surpresa por “O Homem de Ferro”, percebendo apenas o que ele representava após sua première mundial no Festival de Cannes, onde venceu a Palma de Ouro e causou repercussão internacional. Sem saber como lidar com a polêmica, o governo polonês sofreu pressão mundial para o longa ir ao Oscar, rendendo mais uma indicação a Wajda e um confronto político com a União Soviética, que exigiu que o filme fosse banido dos cinemas. Assim, “O Homem de Ferro” só foi exibido em sessões privadas em igrejas em seu país. Considerado “persona non grata” e sem condições de filmar na Polônia, que virara campo de batalha, com o envio de tropas e tanques russos para sufocar o movimento pela democracia despertado pelo Solidariedade, Wajda assumiu seu primeiro longa internacional estrelado por um grande astro europeu, Gerard Depardieu. O tema não podia ser mais provocativo: a revolução burguesa da França. Em “Danton – O Processo da Revolução” (1983), o diretor mostrou como uma revolução bem intencionada podia ser facilmente subvertida, engolindo seus próprios mentores numa onda de terrorismo de estado. A história lhe dava razão, afinal Robespierre mandou Danton para a guilhotina, antes dele próprio ser guilhotinado. E mesmo assim o filme causou comoção, acusado de “contrarrevolucionário” por socialistas e comunistas franceses, que enxergaram seus claros paralelos com a União Soviética. Ficaram falando sozinhos, pois Wajda ganhou o César (o Oscar francês) de Melhor Diretor do ano. Sua militância política acabou arrefecendo no cinema, trocada por romances e dramas de época, como “Um Amor na Alemanha” (1983), “Crônica de Acontecimentos Amorosos” (1986) e “Os Possessos” (1988), adaptação de Dostoevsky que escreveu com a cineasta Agnieszka Holland. Em compensação, acirrou fora das telas. Ele assinou petições em prol de eleições diretas e participou de manifestações políticas, que levaram ao fim do comunismo na Polônia. As primeiras eleições diretas da história do país aconteceram em 1989, e Wajda se candidatou e foi eleito ao Senado. A atuação política fez mal à sua filmografia. Filmando menos e buscando um novo foco, seus longas dos anos 1990 não tiveram a mesma repercussão. Mas não deixavam de ser provocantes, como atesta “Senhorita Ninguém” (1996), sobre uma jovem católica devota, que acaba corrompida quando sua família se muda para a cidade grande, numa situação que evocava a decadência de valores do próprio país após o fim do comunismo. Por outro lado, seus filmes retratando o Holocausto – “As Duzentas Crianças do Dr. Korczak” (1990), sobre um professor que tenta proteger órfãos judeus no gueto de Varsóvia e morre nos campos de concentração, e “Semana Santa” (1995), evocando como a Polônia lidou com a revolta do gueto de Varsóvia em 1943 – receberam pouca atenção. O que o fez se retrair para o mercado doméstico, onde “Pan Tadeusz” (1999), baseado num poema épico polonês do século 19 sobre amor e intriga na nobreza, virou um sucesso. Durante duas décadas, Wajda sumiu dos festivais, onde sempre foi presença constante, conquistando prêmios, críticos e fãs. Mas estava apenas recarregando baterias, para retornar com tudo. Seu filme de 2007, “Katyn” se tornou uma verdadeira catarse nacional, quebrando o silêncio sobre uma tragédia que afetou milhares de famílias na Polônia: o massacre de 1940 na floresta de Katyn, em que cerca de 22 mil oficiais poloneses foram executados pela polícia secreta soviética. Quarta indicação ao Oscar de sua carreira, “Katyn” foi seu filme mais pessoal. Seu pai, um capitão da infantaria, estava entre as vítimas. Durante a divulgação do filme, o cineasta fez vários desabafos, ao constatar que jamais poderia ter feito “Katyn” sem que o comunismo tivesse acabado, uma vez que Moscou se recusava a admitir responsabilidade e o assunto era proibido sob o regime soviético. “Nunca achei que eu viveria para ver a Polônia como um país livre”, Wajda disse em 2007. “Achei que morreria naquele sistema.” Após acertar as contas com a história de seu pai, focou em outro momento importante de sua vida, ao retomar a trama de “Homem de Ferro” numa cinebiografia. Em “Walesa” (2013), mostrou como um operário simples se tornou o líder capaz de derrotar o comunismo na Polônia. Na ocasião, resumiu sua trajetória, dizendo: “Meus filmes poloneses sempre foram a imagem de um destino do qual eu mesmo havia participado”. Ao exibir “Walesa” no Festival de Veneza, Wajda já demonstrava a saúde fragilizada. Mas cinema era sua vida e ele encontrou forças para finalizar uma última obra, que ainda pode lhe render sua quinta indicação ao Oscar, já que foi selecionada para representar a Polônia na premiação da Academia. Seu último filme, “Afterimage” (2016), é a biografia de um artista de vanguarda, Wladyslaw Strzeminski, perseguido pelo regime de Stalin por se recusar a seguir a doutrina comunista. Um tema – a destruição de um indivíduo por um sistema totalitário – que sintetiza o cinema de Wajda, inclusive nos paralelos que permitem refletir o mundo atual, em que a liberdade artística sofre com o crescimento do conservadorismo. Com tantos filmes importantes, Andrzej Wajda ganhou vários prêmios por sua contribuição ao cinema mundial. Seu Oscar honorário, por exemplo, é de 2000, antes de “Katyn”, e o Festival de Veneza foi tão precipitado que precisou lhe homenagear duas vezes, em 1998 com um Leão de Ouro pela carreira e em 2013 com um “prêmio pessoal”. Há poucos dias, em setembro, ele ainda recebeu um prêmio especial do Festival de Cinema da Polônia. O diretor também é um dos homenageados da 40ª edição da Mostra de Cinema de São Paulo, que começa no dia 20 de outubro. A programação inclui uma retrospectiva com 17 longas do grande mestre polonês.
Quase metade da população brasileira mora em cidades sem cinema
Um relatório divulgado pelo Sindicato da Indústria Audiovisual (SICAV) revelou que o número de salas de cinema no Brasil cresceu 12,2% entre 2013 e 2015, de 2.679 telas para 3.005. Mas o resultado mal pode ser comemorado, porque, apesar do crescimento, 46% dos brasileiros moram em cidades em que não há cinema algum. Os dados fazem parte do estudo Impacto Econômico do Setor Audiovisual Brasileiro, que teve consultoria da Associação de Cinema dos EUA (MPA), entidade que representa os seis maiores estúdios de Hollywood em todo o mundo, e foi revelado no RioMarket, área de negócios do Festival do Rio. “Há uma concentração geográfica das salas de cinema em relativamente poucos estados, portanto, precisa ter mais oferta física para que as pessoas possam consumir também produto audiovisual”, disse o diretor da divisão da associação americana para a America Latina (MPA-AL), Ricardo Castanheira, à Agência Brasil. Entre 2013 e 2015, o número de ingressos vendidos nos cinemas do país também subiu de 149,5 milhões para 173 milhões, o que provocou alta no faturamento de R$ 1,7 bilhão para R$ 2,4 bilhões. O levantamento aponta ainda que, embora a participação dos filmes nacionais tenha crescido no total de lançamentos, saindo de 26,5% em 2009 para 28,9% em 2015, a renda com a venda de ingressos para as produções nacionais não acompanhou esse crescimento. E o motivo é o que os filmes estrangeiros concentram a maior parte da renda das bilheterias. O diretor da MPA-AL disse que muitos brasileiros ainda não frequentam o cinema por causa do valor dos ingressos, considerado elevado. “O valor médio do ingresso em 2013 corresponde 0,6 da renda mensal per capita do brasileiro. Nos países desenvolvidos, é apenas 0,3. Isso se deve à uma elevada carga tributária que incide sobre o setor audiovisual, que se projeta no preço final do ingresso. Reduzir a carga tributária é um desafio extremamente importante para dar um estímulo e vitalidade maior”, apontou. Apesar destes dados, Castanho conclui, como já é tradicional e piloto automático para a MPA, que o maior culpado pela dificuldade de expansão da indústria cinematográfica no país é a pirataria. Esta simplificação simplesmente não cola mais, já que o próprio relatório aponta a falta de salas, preços elevados e até a ausência completa de cinema em muitas cidades. Falta uma política audiovisual decente no país, que não incentive apenas a produção de filmes que a maioria da população não tem acesso. Uma reação à falta de infra-estrutura cinematográfica pode ser constatada em outra parte do relatório, que diz respeito ao crescimento do mercado dos serviços de Vídeo On Demand (VoD), como a plataforma Netflix. Em um ranking mundial, o Brasil é o 8º país que mais consome este tipo de serviço, com receita estimada em US$ 352,3 milhões em 2016. Superando, por exemplo, o México, com receita estimada em US$ 188,4 milhões, e Argentina (US$ 124,8 milhões). No entanto, o VoD também depende de uma política de expansão das telecomunicações, com ampliação do acesso à internet de banda larga a preços mais baixos e de maior velocidade. Afinal, mesmo somando o VoD, apenas 11% da população têm acesso a serviços audiovisuais no país. Se quase metade da população brasileira mora em cidades em que não existem cinemas, se apenas 11% da população tem acesso a serviços VoD, dá realmente para culpar a pirataria? Ao contrário, apenas a pirataria tem cumprido o serviço de levar filmes à maioria da população do país. E combatê-la, em vez de “resolver o problema”, só tende a agravar a dificuldade de acesso aos produtos audiovisuais para o público brasileiro. Infelizmente, a MPA vê a América Latina como um continente criminoso e busca incentivar táticas de repressão numa guerra frontal contra a pirataria, repetindo o que fez a DEA, em sua guerra ao narcotráfico. Tanto é que seu relatório aponta a existência de mais de 400 websites de pirataria voltados para o mercado brasileiro. Desta lista, 57 recebem mais de 1 milhão de visitas mensais. Então, aí está. Um país com 3 mil salas de cinema tem 1 milhão de visitas mensais em sites de pirataria cinematográfica e a culpa é do crime. Que fácil seria se fosse tão simples. Mas, gente, bora ler o relatório completo. Afinal, pagaram por isso.
Elenco de Star Trek diz que Donald Trump é ameaça ao futuro vislumbrado pela franquia
Os diretores J.J. Abrams e Justin Lin, atores, roteiristas e indivíduos envolvidos com a franquia “Star Trek” publicaram uma carta aberta no Facebook contra o candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual pedem que os eleitores votem na representante democrata Hillary Clinton. Junto ao Abrams estão os nomes de George Takei, Walter Koenig, Chris Pine, Zachary Quinto, Simon Pegg, Zoe Saldaña, Karl Urban, John Cho, Brent Spiner, LeVar Burton, Will Wheaton, René Auberjonois, Scott Bakula, Denise Crosby, Marina Sirtis, Connor Trinneer, Robert Picardo, Linda Park e Tim Russ, entre outros, assim como parentes de Leonard Nimoy (Spock) e do criador de “Star Trek”, Gene Roddenberry. “‘Star Trek’ sempre ofereceu uma visão positiva do futuro, uma visão de esperança e otimismo e, de maneira grande, uma visão de inclusão, onde as pessoas de todas as raças recebem igual respeito e dignidade, onde as crenças individuais e os estilos de vida são respeitados a ponto de não significarem uma ameaça para outros”, diz o texto. A carta ainda destaca que nunca houve um candidato presidencial tão completamente oposto aos ideais da saga espacial quanto Donald Trump e que, por isso, a franquia não poderia “dar as costas” às eleições presidenciais dos EUA. “Sua eleição levaria este país para trás, talvez de maneira desastrosa. Precisamos escolher um presidente que leve este país para frente, ao tipo de futuro que todos sonhamos, onde as diferenças pessoais são compreendidas e aceitas, onde a ciência prevalece sobre a superstição e onde o povo trabalha em conjunto, e não uns contra os outros”, diz a mensagem. O texto também rejeita os argumentos de que Hillary Clinton e Donald Trump são dois candidatos com falhas iguais, afirmando que se trata, como diria Spock, de um raciocínio “ilógico e impreciso”. “Um (Trump) é um amador com uma ignorância desdenhosa pelas leis nacionais e pela realidade internacional, enquanto o outro (Hillary) entregou sua vida ao serviço público. Vote por um futuro de inclusão, um futuro que algum dia nos leve às estrelas”, conclui a carta. A franquia “Star Trek”, que completou 50 anos em 2016, está atualmente em cartaz os cinemas com o filme “Star Trek: Sem Fronteiras” e se prepara para voltar à TV com “Star Trek: Discovery”, nova série que será lançada em maio de 2017.
Leonardo DiCaprio alerta o mundo sobre os perigos da mudança climática em trailer de documentário
A National Geographic divulgou o pôster e o trailer do documentário “Before the Flood”, em que Leonardo DiCaprio roda o mundo, fala com autoridades e cientistas, e tenta aumentar a conscientização sobre a importância de discutir a mudança climática que afeta o planeta. Quem acompanha a carreira do ator sabe que ele é um ativista dedicado à causa do meio ambiente. Este nem é seu primeiro envolvimento num documentário sobre o tema. Mas é o que mostra mais fôlego, ao levá-lo ao Ártico para testemunhar in loco o derretimento da calota polar e acompanhar seu testemunho sobre o que viu na ONU, diante de delegações de vários países. Graças a sua popularidade, ele também é capaz de ser recebido pelo Papa Francisco e o Presidente dos EUA Barack Obama para registrar seus depoimentos sobre a questão. Além de ser narrador e condutor do filme, ele também mostra fôlego como entrevistador, e ainda divide a produção com o cineasta Martin Scorsese. A direção, por sua vez, é de Fisher Stevens, documentarista vencedor do Oscar em 2010 por “The Cove”, que já abordava a depredação do meio ambiente. A estreia vai acontecer em 21 de outubro nos EUA e ainda não há previsão para o lançamento no Brasil.
Rodrigo Lombardi não vai mais interpretar o juiz Sérgio Moro no cinema
O ator Rodrigo Lombardi não vai mais viver o juiz Sérgio Moro no filme sobre a Operação Lava Jato. E a culpa é da rede Globo, que tomou a agenda do ator. Escalado para protagonizar “À Flor da Pele”, novela de Gloria Perez que substituirá “A Lei do Amor” na faixa das 9, ele acabou entrando também na série “Carcereiros”, para substituir o falecido Domingos Montagner, protagonista de “Velho Chico”. Com isso, a série, baseada no livro de mesmo nome do médico Drauzio Varella, ocupou o espaço que havia para Lombardi fazer o filme. Emendando um trabalho no outro, ele se viu obrigado a dispensar a produção cinematográfica. Intitulado “Polícia Federal – A Lei é Para Todos”, o longa será co-dirigido por Marcelo Antunez e Roberto Santucci, especialistas em besteiróis, que trabalharam juntos antes em “Qualquer Gato Vira-Lata 2” (2015), “Até que a Sorte nos Separe 3: A Falência Final (2015)” e “Um Suburbano Sortudo” (2016). Segundo o produtor Tomislav Blaziac, o filme será o primeiro de uma trilogia e também deve render uma série de televisão. A produção está orçada em R$ 12 milhões e ainda não tem data de estreia definida. Vale lembrar que o cineasta José Padilha (série “Narcos”) também está preparando uma série sobre a Lava Jato para a plataforma de streaming Netflix.
Will & Grace: Elenco da série clássica se reúne em vídeo para rir de Donald Trump
Sabe a “volta” de “Will & Grace”, que diversos sites anunciaram como retorno da série, mas a Pipoca Moderna apurou que podia ser propaganda eleitoral de Hillary Clinton? Pois é. O quarteto formado por Eric McCormack, Debra Messing, Megan Mullally e Sean Hayes voltou a se reunir para a campanha da candidata à presidente dos EUA, criando um vídeo bastante fiel ao espírito e visual da série clássica, em que Donald Trump é a vítima da maioria das piadas. O curta, que pode ser conferido abaixo, foi gravado nos cenários originais da atração, exibida entre 1998 e 2006. Isto porque um dos criadores de “Will & Grace”, Max Mutchnick, guardou e preservou tudo. Ele também assinou o roteiro em parceria com o cocriador da série David Kohan. E, para completar, a direção ficou a cargo de James Burrows, responsável por comandar os 188 episódios da produção. O retorno foi nostálgico e deu esperanças de um revival real da série. Atualmente, Eric McCormack está na nova série “Travelers”, que estreia no Netflix em dezembro, Debra Messing participa do remake de “Dirty Dancing”, que será exibido como especial musical de fim de ano na rede ABC, Megan Mullally tem diversos filmes em andamento, além de uma participação na vindoura antologia sci-fi “Dimension 404”, e Sean Hays, que virou um produtor de sucesso, atuará a seguir no especial “Hairspray Live!”, previsto para dezembro na rede NBC.











