Zendaya denuncia racismo que sofreu durante o Oscar 2015
Cancelado em 2017 após muitas polêmicas, o programa “Fashion Police”, do canal pago E!, foi lembrado por Zendaya nesta quarta (17/3). Ela aproveitou que virou capa da revista de moda W para falar de elegância negra e finalmente denunciou o racismo que sofreu da apresentadora Giuliana Rancic. A denúncia foi reforçada com um post contundente em seu Instagram. Para quem não viu ou não lembra, a atriz foi alvo de comentários racistas durante a premiação do Oscar em 2015, porque apareceu na cerimônia com dreadlocks no cabelo. Ao comentar o look de Zendaya no tapete vermelho, Rancic afirmou que sentia que a atriz tinha cheiro de “óleo de patchuli” e “maconha”. Em seu Instagram, ela reforçou que esse comentário foi “escandalosamente ofensivo” e que “já existe uma crítica dura ao cabelo afro-americano na sociedade sem precisar da ajuda de pessoas ignorantes que optam por julgar os outros com base na ondulação de seus cabelos.” Zendaya ainda listou uma série de pessoas proeminentes que usam dreadlocks e afirmou que seu penteado era um “símbolo de força e beleza, quase como uma juba de leão”. Na época, a polêmica inspirou a fábrica de brinquedos Mattel a criar uma boneca Zendaya Barbie com o mesmo look da atriz na premiação. “É assim que a mudança acontece”, disse Zendaya à W Magazine. “E isso me fez pensar: como eu poderia sempre ter um impacto duradouro sobre o que as pessoas viram e associaram às pessoas negras?” Ao refletir sobre o fato de agora estar na capa da revista norte-americana, ao lado de John David Washington, com quem contracena no drama “Malcolm & Marie”, a atriz afirmou: “Dois atores negros neste cenário parecem reescrever a história de uma maneira elegante, como uma espécie de velha Hollywood que gostaríamos que existisse. É quase como consertar um erro.” Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Zendaya (@zendaya)
Ator e diretora de Selma dizem que filme foi vítima de racismo no Oscar
O filme “Selma: Uma Luta Pela Igualdade” (2014), que a Paramount liberou de graça para aluguel digital nos EUA, em apoio aos protestos contra o racismo estrutural, teria sido vítima deste mesmo racismo durante o Oscar 2015. Um dos filmes mais aclamados pela crítica em 2014, alcançando 99% de aprovação no Rotten Tomatoes, “Selma” teve uma recepção frustrante da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, recebendo apenas duas indicações ao Oscar: Melhor Canção Original (que ganhou) e Melhor Filme. Mas todos esperavam uma nomeação histórica para Ava DuVernay em Melhor Direção, além do reconhecimento da atuação impressionante de David Oyelowo como Martin Luther King Jr. Enquanto isso, dramas medíocres como “O Jogo da Imitação” (8 indicações), “A Teoria de Tudo” (5 indicações) e “Sniper Americano” (6 indicações) saíram consagrados. A frustração da equipe de “Selma” voltou à tona nesta semana, durante uma conversa de Oyelowo com a Screen International, em que ele acusou a Academia de ter sido racista. O ator lembrou que os atores de Selma usaram camisetas “I Can’t Breathe” em homenagem a Eric Garner, que, assim como no recente caso de George Floyd, foi sufocado até a morte por policiais brancos em julho de 2014. Integrantes da Academia teriam comentado que eles estavam “mexendo com m****” e não votariam no filme porque “onde já se viu fazer isso?” DuVernay confirmou o relato de Oyelowo no Twitter. “História verdadeira”, ela escreveu. Na ocasião, nenhum ator negro foi indicado entre as 20 vagas de interpretação possíveis do Oscar, disparando uma campanha histórica que enquadrou o racismo da Academia nas redes sociais com a hashtag #OscarSoWhite. Nos anos seguintes, a Academia mudou de comando e rumos, trabalhando para diversificar seu quadro de membros. Isto resultou nas vitórias até então impensáveis de “Moonlight” (2016) e “Parasita” (2019) na premiação, apesar da derrota do impactante “Infiltrado na Klan” (2018) para o convencional “Green Book” (2018) no ano retrasado. True story. https://t.co/l7j8EUg3cC — Ava DuVernay (@ava) June 5, 2020

