Steve Carver (1945 – 2021)
O diretor Steve Carver, especialista em filmes de ação, morreu na sexta-feira (8/1) após um ataque cardíaco em Los Angeles, aos 75 anos. O primeiro amor de Carver foi a fotografia e ele chegou a trabalhar como freelancer para publicações como Architectural Digest e National Geographic, além da agência de notícias United Press International, antes de se mudar para Los Angeles em 1970, onde matriculou-se no American Film Institute e conseguiu um estágio no DGA (o Sindicato dos Diretores dos EUA) para aprender como virar cineasta. Seu primeiro filme foi um curta universitário de 27 minutos que adaptava o conto de terror “O Coração Revelador”, de Edgar Allan Poe, em 1971. Três anos depois, fez o primeiro longa, o cultuado “The Arena” (1974), um filme de gladiadoras romanas estrelado por Pam Greer, que marcou sua colaboração inicial com o produtor Roger Corman. Carver comandou mais dois filmes para Corman, ambos sobre gângsteres: “A Mulher da Metralhadora” (1974), com Angie Dickinson, e “Capone, o Gângster” (1975), com Ben Gazzara. A grande virada de sua carreira aconteceu quando se juntou ao astro de ação Chuck Norris em “O Ajuste de Contas” (1981). O sucesso moderado daquela produção foi extrapolado com a segunda e melhor parceria da dupla, “McQuade, o Lobo Solitário” (1983), que rendeu um dos papéis mais lembrados de Norris, estabelecendo o protótipo do Texas Rangers que ele revisitaria uma década mais tarde em sua famosa série televisiva, “Chuck Norris: O Homem da Lei” (Walker, Texas Ranger). O diretor seguiu fazendo filmes apelativos (como “Jocks”) e de ação (como “Prova de Fogo”) pelo resto da carreira, sem voltar a repetir o sucesso, até se ver restrito a lançamentos para vídeo. “Crazy Joe: Treinado para Exterminar” e “The Wolves” foram seus últimos trabalhos, distribuídos diretamente em VHS em 1993 e 1996. Ele preferiu abandonar a filmadora para retomar a máquina de fotografia. Em 1995, abriu The Darkroom, um laboratório fotográfico em Venice Beach, onde desenvolveu técnicas de arquivo para preservar imagens históricas para colecionadores e museus particulares, e passou a ensinar técnicas de impressão tradicionais. Em 2019, Carver publicou seu livro de fotos (“Western Portraits: The Unsung Heroes and Villains of the Silver Screen”) com registros inéditos de sua carreira, destacando retratos de atores com quem trabalhou, como Robert Forster, Karl Malden, Richard Roundtree, David Carradine, Bo Hopkins, Clu Gulager, Jan-Michael Vincent e muitos outros.
Deezer D (1965 – 2021)
O ator e rapper Deezer D, que marcou a série “Plantão Médico” (ER) como o bem-humorado enfermeiro Malik McGrath, morreu na quinta-feira (7/1) de suspeita de ataque cardíaco em sua casa em Los Angeles, aos 55 anos. Deezer D era o nome artístico que Dearon Thompson assumiu ao estrear no cinema em 1991, no longa “Na Onda do Rap”, estrelado por Vanilla Ice (ele também apareceu no clipe “Cool as Ice” do cantor). Como ator, ainda se destacou na comédia musical “CB4 – Uma História Sem Rap End” (1993), ao lado do comediante Chris Rock, antes de entrar em “Plantão Médico”. Ele foi um dos poucos atores que participou de todas as 15 temporadas da série médica. “Que espírito especial todos nós perdemos!”, escreveu o colega de “Plantão Médico”, Mekhi Phifer, no Instagram . “Desde o primeiro dia em que o conheci no set, ele absolutamente me fez sentir em casa e muito bem-vindo. Meu irmão fará falta para sempre! Muitas condolências aos amigos, fãs e familiares”, completou. Outra antiga colega, Parminder Nagra, acrescentou: “Isso é tão incrivelmente triste”. E o produtor da série, Neal Baer, lembrou-se do ator como um “homem muito doce, gentil e maravilhoso de se trabalhar junto”. Seu crédito de atuação mais recente foi a comédia de 2017 de Kristy Swanson, “Crowning Jules”, e sua última gravação de rap, “History Can’t Be Stopped”, foi lançada postumamente na quinta-feira (8/1). O ator-rapper, que se submeteu a várias cirurgias cardíacas na última década, tinha anunciado a música no Instagram há apenas quatro dias. Veja abaixo, com um trecho de clipe. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Deezer d. (@deezerd10)
Michael Apted (1941 – 2021)
O diretor britânico Michael Apted, que dirigiu vários filmes famosos, inclusive uma aventura do agente secreto James Bond, e uma série documental ainda mais célebre, morreu nesta sexta (8/1) aos 79 anos. Em seu primeiro emprego depois de se formar na Universidade de Cambridge, Apted virou trainee na Granada Television em 1964 e foi encarregado de encontrar algumas crianças que seriam entrevistadas para um documentário de 40 minutos da ITV chamado “Seven Up!”. Paul Almond, o diretor do projeto, “estava mais interessado em fazer um belo filme sobre ter sete anos, enquanto eu queria fazer um trabalho desagradável sobre essas crianças que têm tudo e essas outras crianças que não têm nada”, disse Apted em uma entrevista de 2012 à RadioTimes. “Seven Up!” foi projetado para ser um documentário “único”, mas a Granada resolveu reencontrar as 14 crianças novamente em 1970, resultando no lançamento de “7 Plus Seven”, que marcou a estreia de Apted como produtor e diretor. O projeto virou uma série contínua – e sem igual – e ele dirigiu todas as edições subsequentes: “21 Up” (1977), “28 Up” (1984), “35 Up” (1991), “42 Up” (1998), “49 Up” (2005), “56 Up” ( 2012) e o derradeiro “63 Up” (2019). Logo depois de “7 Plus Seven”, Apted estreou no cinema, comandando o drama de crossdressing “Trágica Decisão” (1972). Em seguida, mostrou sua paixão pelo rock com o musical “Stardust” (1974), história de uma banda fictícia dos anos 1960 encabeçada pelo cantor britânico David Essex. Ele também fez vários documentários do gênero, como “Bring on the Night” (1985), sobre Sting, que lhe rendeu um prêmio Grammy (o Oscar da música), “The Long Way Home” (1989), sobre Boris Grebenshchikov (uma versão soviética de Bruce Springsteen), e um filme sobre a turnê “Forty Licks” dos Rolling Stones em 2002, que, graças ao veto de Mick Jagger, nunca foi lançado. Sua filmografia ainda destaca “O Destino Mudou sua Vida” (1980), biografia dramática da cantora Loretta Lynn, a garota pobre que virou Rainha do Country. O filme rendeu o Oscar de Melhor Atriz para sua intérprete, Sissy Spacek. Eclético, Apted também se arriscou em tramas de suspense, como “O Mistério de Agatha” (1979) e “Mistério no Parque Gorky” (1983). Suas comédias, com John Belushi (“Brincou com Fogo… Acabou Fisgado!”) e Richard Pryor (“Condição Crítica”) não tiveram o mesmo sucesso. Mas seu drama “Nas Montanhas dos Gorilas” (1988), história da cientista Dian Fossey (Sigourney Weaver) e sua paixão pelos gorilas africanos, foi indicado a cinco Oscars e se tornou um de seus filmes mais conhecidos. Seu projeto mais popular, no entanto, foi mesmo “007 – O Mundo Não é o Bastante” (1999), penúltimo filme de James Bond estrelado por Pierce Brosnan, que resgatou a carreira do diretor após quatro filmes de pouca repercussão. Entre seus últimos longas estão “Enigma” (2001), drama de guerra com Kate Winslet, “Jornada pela Liberdade” (2006), sobre a luta pelo fim da tráfico transatlântico de escravos, e “As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada” (2010), que encerrou a franquia no cinema. Ele ainda completou “Tudo Por Um Sonho” (2012), após a morte de Curtis Hanson durante as filmagens, e se dedicou a produzir e dirigir séries premium na parte final de sua carreira – como “Roma”, “Masters of Sex” e “Ray Donovan”. Além do trabalho como diretor, Apted também foi um membro ativo do sindicato da categoria. Ele serviu três mandatos como presidente do DGA (o Sindicato dos Diretores dos EUA), de 2003 a 2009 – o mais longo serviço presidencial consecutivo desde George Sidney na década de 1960 – e recebeu o prêmio Robert B. Aldrich da entidade em 2013, além de ter sido homenageado com o cargo de membro vitalício honorário cinco anos depois. “Sentimos tristeza em nossos corações hoje, enquanto lamentamos o desaparecimento deste amado diretor”, disse Thomas Schlamme, atual diretor do DGA, em comunicado. “Seu legado ficará para sempre gravado no mundo do cinema e em nossa associação”, acrescentou Schlamme, que chamou seu antecessor de um “visionário destemido” e elogiou sua “sabedoria” e “inteligência”.
John Richardson (1934 – 2021)
O ator britânico John Richardson, que contracenou com algumas das atrizes mais icônicas dos anos 1960 em produções clássicas, morreu na terça-feira (5/1) de complicações resultantes de infecção por covid-19, aos 86 anos. Richardson começou sua carreira com pequenos papéis em filmes britânicos notáveis como “Somente Deus por Testemunha” (1958), drama sobre o naufrágio do Titanic, o remake do suspense “Os 39 Degraus” (1959), o noir jazzista “Safira, a Mulher Sem Alma” (1959) e a popular comédia criminal “Os Sete Cavalheiros do Diabo” (1960). Mas só foi se destacar após trabalhar no cinema italiano. Ele participou do filme de estreia oficial do mestre do terror italiano Mario Bava, “A Maldição do Demônio” (1960), como um assistente de médico cujo sangue inadvertidamente traz uma bruxa vampírica (Barbara Steele) de volta à vida. O filme se tornou cultuadíssimo e chamou atenção do lendário estúdio britânico especializado em terror, Hammer Films, que lhe deu seus primeiros papéis de protagonista. Escalado como arqueólogo galã em “Ela”, Richardson se aventurou em busca de uma cidade perdida governada por uma rainha imortal e deslumbrante (Ursulla Andress). A mescla de fantasia e terror fez tanto sucesso que ganhou continuação (sem Andress), “A Vingança da Deusa”, que o ator também estrelou em 1968. Entre os dois lançamentos, ele ainda vestiu tanga em “Mil Séculos Antes de Cristo” (1966), aventura da Hammer com dinossauros que é mais lembrada pelo biquíni pré-histórico de Rachel Welch. Embora tenha estreado em Hollywood em 1970, como coadjuvante de “Num Dia Claro de Verão” (1970), com Barbra Streisand, ele passou o resto da carreira na Itália, onde protagonizou os spaghetti westerns “John, o Bastardo” (1967) e “Execução” (1968), o drama criminal “A Candidate for a Killing” (1969), com Anita Ekberg, o terror trash “Frankenstein ’80” (1972) e a sci-fi trash “Batalha no Espaço Estelar” (1977), entre muitos outros filmes. A lista melhora com seus papéis de coadjuvante, no terror cult “Torso” (1973), de Sergio Martino, e na comédia “Pato com Laranja” (1975), com Monica Vitti, culminando no último título de sua filmografia, o terror “A Catedral” (1989), do mestre Dario Argento. John Richardson foi casado com a também atriz Martine Beswick, que interpretou duas Bond girls (em “Moscou contra 007” e “Contra a Chantagem Atômica”) entre 1967 até seu divórcio em 1973. Curiosamente, ele também esteve cotado a assumir o papel de James Bond no final dos anos 1960, após a breve desistência de Sean Connery. Após sair do cinema, ele virou fotógrafo profissional.
Marion Ramsey (1947 – 2021)
A atriz e cantora Marion Ramsey, mais conhecida por sua interpretação da doce e estridente oficial Laverne Hooks na franquia de comédia “Loucademia de Polícia”, que morreu nesta quinta (7/1) em sua casa em Los Angeles aos 73 anos. Sua morte foi anunciada por sua equipe de agenciamento. Embora a causa não tenha sido revelada, a atriz estava doente nos últimos dias. Nascida na Filadélfia, Ramsey começou sua carreira no palco, aparecendo em espetáculos da Broadway, antes de iniciar uma longa carreira na TV e no cinema. Seu primeiro papel foi uma aparição especial na sitcom “The Jeffersons”, em 1976, e no mesmo ano ela entrou no elenco do programa de esquetes “Cos”, apresentado por Bill Cosby. A estreia no cinema veio em 1984 com o primeiro “Loucademia de Polícia”. E ela seguiu na franquia até o sexto volume, “Loucademia de Polícia 6: Cidade em Estado de Sítio”, lançado em 1989. Como a moderada oficial Laverne Hooks, Ramsey fez bom uso de sua voz aguda e sussurrante, um desempenho vocal que contrastava com as ocasionais explosões em volume elevado da personagem. Após o final da franquia, ela reprisou brevemente o papel no vídeo da comédia “John Virgo: Playing for Laughs” (1993) e, como dubladora, em um episódio de 2006 da animação “Robot Chicken”. Mas também apareceu como uma policial não nomeada em “MacGyver – Profissão: Perigo”, em 1990. Ela também teve um papel fixo como dubladora na série de animação “A Família Addams”, de 1992. E ainda voltou a se reunir com Steve Guttenberg, astro dos primeiros “Loucademia de Polícia”, em dois telefilmes do canal pago Syfy: “Lavalantula” e sua sequência, em 2015 e 2016. Seu último papel foi na comédia “When I Sing” (2018), premiada em vários festivais do circuito independente dos EUA.
Tanya Roberts (1955 – 2021)
Tanya Roberts, Bond girl e sex symbol dos anos 1980, teve a morte confirmada após uma confusão causada por seu representante, que anunciou seu falecimento de forma antecipada no domingo passado (3/1). A atriz de 65 anos estava internada num hospital desde o dia 24 de dezembro, quando desmaiou enquanto passeava com seus cachorros em Los Angeles (EUA) e veio a falecer, segundo boletim médico do Cedars-Sinai Hospital, na segunda-feira (4/1), no momento em que seu agente informava que ela ainda estava viva. A causa da morte não foi revelada. Nascida Victoria Leigh Blum, ela foi modelo e apareceu em anúncios de televisão antes de se voltar para a atuação, estreando como protagonista em 1976, no terror “Entrando à Força”. Adotando o nome Tanya Roberts, ela emplacou vários filmes em seguida, como “F.B.I. Arquivo Secreto” (1977), de Larry Cohen, e “Sonhos de Verão” (1979), de John D. Hancock, antes de virar uma das Panteras, na temporada final da famosa série das detetives femininas da agência do misterioso Charlie, exibida entre 1980 e 1981. A participação na série lhe deu grande visibilidade e ela passou a estrelar filmes de maior orçamento no cinema, como as aventuras “O Príncipe Guerreiro” (1982) e a adaptação dos quadrinhos de “Sheena, a Rainha das Selvas” (1984), uma versão feminina – e sexy – de Tarzan. Este filme foi tão caro que deu prejuízo, mas acabou se tornando cultuadíssimo. O ponto alto de sua carreira aconteceu no ano seguinte, quando ela entrou em “007 – Na Mira dos Assassinos” (1985), último filme de Roger Moore como James Bond, vivendo Stacey Sutton, uma geóloga americana que se torna alvo do vilão Max Zorin (Christopher Walken). Mas ela confessou ter hesitado em aceitar o papel. “Eu disse ao meu agente: ‘As atrizes que fazem Bond girls nunca mais trabalham depois disso'”, ela relembrou em entrevista de 2015. De fato, os bons papéis sumiram após a participação no filme de James Bond. O último filme razoável de sua carreira foi lançado logo em seguida, “Body Slam” (1986), uma comédia medíocre de Hal Needham. Depois disso, foram só thrillers sensuais apelativos voltados para o mercado de vídeo. Esta especialização a levou a estrelar a série de antologia “Hot Line” (1994-96), como apresentadora de contos eróticos na TV paga. O que parecia ser mais do mesmo, entretanto, acabou levando a seu último papel marcante. Roberts reencontrou a popularidade ao ser escolhida para viver Midge Pinciotti, a mãe extremamente sexy e burra de Donna (Laura Prepon) na série “That ’70s Show”, grande sucesso televisivo que durou oito temporadas, de 1998 a 2006. A atriz, porém, deixou de ser integrante fixa do elenco em 2001, após sua personagem se divorciar, embora tenha continuado a aparecer de forma recorrente até 2004. Ela também apareceu em episódios de “Ilha da Fantasia”, “O Barco do Amor” e “Alfinetadas”. Seu último trabalho como atriz foi na série “Barbershop”, em 2005, mas a artista seguiu ativa nas redes sociais, inclusive realizando várias lives durante a pandemia de coronavírus.
George Gerdes (1948 – 2021)
O cantor e ator americano George Gerdes, que teve papéis em várias séries e filmes como “Amistad” e “Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres”, morreu na última sexta (1/1) aos 72 anos. A notícia foi confirmada nesta segunda pela companheira de Gerdes, Julia Johns, que revelou que o ator havia sofrido um aneurisma cerebral na véspera do ano novo. Gerdes começou carreira como cantor e compositor no início dos anos 1970, adotando o estilo folk pop que estava em voga na época. Embora seus primeiros discos não tenham gerado muito sucesso, ganharam a admiração da artista Joni Mitchell, que era fã declarada. Ele teve mais sorte como ator, após começar a aparecer em filmes entre os anos 1980 e 1990, como “Os Trapaceiros da Loto” (1987, com Michael Keaton), “Jacknife” (1989, com Robert De Niro), “Mulher Solteira Procura” (1992, com Jennifer Jason Leigh), “Boiling Point: Em Ponto de Bala” (1993, com Wesley Snipes), “Amistad” (1997, de Steven Spielberg) e “Morcegos” (1999, com Lou Diamond Phillips). Seus últimos filmes foram a aventura “Mar de Fogo” (2004, com Viggo Mortensen), comédia “Dizem por Aí…” (2005, com Jennifer Aniston), o remake americano do suspense “Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres” (2011, de David Fincher) e a sci-fi indie “The 11th Green” (lançada em janeiro de 2020), em que interpretou o antigo presidente dos EUA Dwight Eisenhower. Entre suas participações televisivas, ele ainda destacou-se como um vigilante em episódio de “Seinfeld” de 1992, um pastor em episódio de “Arquivo X” de 1994, e um analista em “Alias”, em 2004, além de aparecer em “Arquivo Morto” (Cold Case), “Plantão Médico” (ER), “Mentes Criminosas” (Criminal Minds), “NCIS”, “Lost”, “True Blood”, “Bones”, “Castle”, “Dexter”, “Bosch” e em episódios de 2020 de “Grey’s Anatomy” e “Perry Mason”.
Barbara Shelley (1932 – 2021)
Barbara Shelley, uma das maiores estrelas do terror britânico dos anos 1960, morreu nesta segunda-feira (4/1) aos 88 anos, após contrair covid-19. A atriz inglesa começou sua filmografia em produções italianas, aparecendo, entre outras, no drama “Luna Nova” (1955), ao lado de Virna Lisi, e em duas comédias de Totó, “Totó, Chefe de Estação” (1955) e “Totó Fora da Lei” (1956). Sua carreira mudou de rumo quando ela voltou ao Reino Unido e se transformou na mulher-gato do título de “Cat Girl” (1957), uma versão britânica do clássico de terror “A Marca da Pantera” (Cat People, 1942). Ela emendou esse papel com um primeiros filmes do revival gótico britânico, “Sangue de Vampiro” (1958), produção independente (do Artistes Alliance) escrita por Jimmy Sangster, que se tornaria um dos mais importantes autores do gênero. E em seguida estrelou a cultuadíssima sci-fi de terror “A Aldeia dos Amaldiçoados” (1960), como uma das mães das crianças paranormais do filme, considerado um dos mais influentes de sua época. Mas sua especialização só veio mesmo após estrear na principal produtora de horror do Reino Unido, a Hammer Films, como protagonista de “A Sombra do Gato” (1961), “O Segredo da Ilha de Sangue” (1965) e várias outras produções, que lhe renderam o apelido de Rainha da Hammer. Shelley contracenou com a maior estrela do estúdio, Christopher Lee, nada menos que três vezes: em “A Górgona” (1964), “Drácula, o Príncipe das Trevas” (1966, também assinado por Sangster) e “Rasputin: O Monge Louco” (1966). E finalizou sua passagem pela Hammer com uma das obras mais cultuadas do estúdio, “Uma Sepultura na Eternidade” (1967), sobre a descoberta de um artefato nas escavações do metrô de Londres capaz de influenciar o comportamento das pessoas. Depois disso, atriz só fez mais um longa, o terror independente “Ghost Story” (1974), ao lado da cantora Marianne Faithfull, mas teve uma longa carreira televisiva. Ela apareceu em várias séries que marcaram época, especialmente nos gêneros de ação, mistério e fantasia, como “Danger Man”, “O Santo”, “Os Vingadores”, “O Agente da UNCLE”, “Blake’s 7” e “Doctor Who”, onde teve um arco de quatro episódios em 1984. Seu último trabalho foi na minissérie de mistério “The Dark Angel”, estrelada por Peter O’Toole, em 1989. No entanto, os fãs de terror nunca a esqueceram. Barbara Shelley foi celebrada e entrevistada por Mark Gatiss, co-criador de “Sherlock” e do recente “Drácula”, da Netflix, na série documental inglesa “A History of Horror with Mark Gatiss”, em 2010.
Gerry Marsden (1942 – 2021)
Gerry Marsden, líder da banda Gerry and the Pacemakers, morreu neste domingo (3/1) aos 78 anos, após uma infecção em seu coração. O cantor e guitarrista formou Gerry and the Pacemakers em 1959 com seu irmão Fred, Les Chadwick e Arthur McMahon (que foi substituído por Les Maguire em 1961). Eles começaram antes dos Beatles na mesma cidade de Liverpool e chegaram a rivalizar com a banda de John, Paul, George e Pete (substituído por Ringo) no início de sua carreira, tocando nos mesmos lugares. Gerry and the Pacemakers também foram o segundo grupo a assinar com o empresário dos Beatles, Brian Epstein, que lhes conseguiu um contrato com a Columbia Records. Seu primeiro single foi “How Do You Do It?”, de março de 1963, que alcançou o 1º lugar nas paradas britânicas. A música tinha sido rejeitada pelos Beatles quando o produtor George Martin tentou persuadir o grupo a gravá-la como seu primeiro single. Em vez disso, os Beatles optaram por lançar a composição original, “Love Me Do”, de Lennon e McCartney. Mas Martin se vingou quando os Beatles gravaram uma segunda versão de “How Do You Do It?”, após o sucesso da gravação da banda de Marsden. Seus dois singles seguintes, “I Like It” e o cover de “You Never Walk Alone” de Rodgers e Hammerstein, também foram lançados em 1963 e alcançaram o topo das paradas. “You Never Walk Alone”, por sinal, logo se tornou o hino do Liverpool Football Club. Cinco meses após a estreia de “Os Reis do Iê-Iê-Iê” (A Hard Day’s Night), primeiro filme dos Beatles, Gerry and the Pacemakers também estrelaram sua própria produção cinematográfica. Lançado no Brasil como “Frenéticos do Rítmo”, o longa de 1964 se chamava originalmente “Ferry Cross the Mersey”, nome de um dos maiores sucessos do grupo, e acompanhava uma versão artística dos músicos reais. A banda, entretanto, acabou se separando em 1967 – três anos antes dos Beatles – , e Marsden acabou se afastando da música para se tornar uma personalidade da televisão. Ele chegou a participar da série infantil britânica “The Sooty Show” de 1968 a 1976. Marsden reformou os Pacemakers em 1972 e, ao longo dos anos, excursionou esporadicamente com diferentes formações da banda. Ele acabou se destacando em 1989 por seu envolvimento nas atividades beneficentes que se seguiram à “Tragédia de Hillsborough”, quando uma invasão em massa levou ao desabamento de parte do Estádio Hillsborough, em Sheffield (Inglaterra), durante o jogo entre Liverpool FC e Nottingham Forest, cujo saldo foram 96 torcedores do Liverpool pisoteados até a morte e outros 766 feridos. Foi o maior desastre de futebol do mundo. O artista organizou shows e regravou “You Never Walk Alone” para ajudar a comunidade de Liverpool e acabou reconhecido com a Ordem Mais Excelente do Império Britânico em 2003 por seus esforços de caridade. Após a confirmação de sua morte, o Liverpool Football Club prestou-lhe uma homenagem no Twitter, escrevendo: “É com grande tristeza que ouvimos sobre o falecimento de Gerry Marsden. As palavras de Gerry viverão para sempre conosco. Você nunca andará sozinho.” Relembre abaixo o trailer de “Frenéticos do Rítmo” e alguns dos hits de Gerry and the Pacemakers.
Joan Micklin Silver (1935 – 2020)
A diretora Joan Micklin Silver, que quebrou várias barreiras para cineastas femininas, morreu na quinta-feira (31/12) em sua casa em Manhattan. Ela tinha 85 anos e sua morte foi atribuída a demência vascular por sua filha. Micklin era filha de imigrantes russos e trabalhou com Linda Gottlieb na Learning Corporation of America. As duas escreveram e produziram curtas-metragens educacionais e documentais, incluindo “The Immigrant Experience” em 1972. Seu primeiro drama de ficção, “A Rua da Esperança” (Hester Street), sobre a história de um casal judeu imigrante no Lower East Side de Manhattan, ambientado na década de 1890, foi rejeitado por vários estúdios por ser “étnico demais”. Silver também enfrentou discriminação por ser uma mulher diretora de cinema. Mas seu marido, Raphael D. Silver, mostrou-se um apoiador incansável. Um incorporador imobiliário de sucesso, ele financiou o filme e até trabalhou para conseguir sua distribuição. Apoiada pelo marido e outros membros da família, ela fez o filme com baixo orçamento em 34 dias, lançando a obra em preto e branco e falada em iídiche, com legendas em inglês. E foi um sucesso. O filme rendeu US$ 5 milhões após sua estreia em outubro de 1975, um faturamento enorme em relação ao seu orçamento de US$ 370 mil. Para completar, atriz Carol Kane, que viveu a protagonista do longa, foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz. O filme seguinte de Silver, “Between the Lines” (1977), mostrou a imprensa alternativa em luta contra a grande mídia e foi premiado no Festival de Berlim. E ela venceu um prêmio no Festival de Locarno por “A Volta Por Cima” (1985). Mas as objeções dos estúdios da época de “A Rua da Esperança” voltaram a tentar detê-la quando Silver quis fazer “Amor à Segunda Vista” (1988), uma comédia romântica judia estrelada por Amy Irving e Peter Riegert. Desta vez, foi o diretor Steven Spielberg quem a apoiou e sugeriu que ela enviasse o roteiro a um executivo da Warner. Com o apoio de Spielberg, recém-casado com Irving, a Warner topou bancar a produção e “Amor à Segunda Vista” se tornou um enorme sucesso, arrecadando mais de US$ 116 milhões em todo o mundo. Ao todo, Silver dirigiu sete longas-metragens para o cinema e meia dúzia de filmes para a televisão. Ela também escreveu peças para o circuito de teatro Off Broadway e seu filme final foi “Hunger Point”, sobre anorexia, em 2003.
Dawn Wells (1938 – 2020)
A atriz Dawn Wells, que interpretou a náufraga Mary Ann na icônica série de comédia de TV “A Ilha dos Birutas” (Gilligan’s Island), morreu na manhã desta quarta-feira (30/11) em Los Angeles de complicações relacionadas à covid-19. Ela tinha 82 anos. Natural da cidade de Reno, Wells se tornou Miss Nevada no concurso de Miss América de 1959, e a projeção obtida pela disputa a levou a aparecer em várias séries do começo dos anos 1960 antes de conseguir seu papel mais famoso – incluindo “77 Sunset Strip” (em quatro episódios como quatro personagens diferentes), “Caravana”, “Laramie”, “Cheyenne”, “Maverick”, “Salto à Aventura” (Ripcord) e “Hawaiian Eye”. Ela derrotou 350 candidatas para ficar com o papel de Mary Ann em 1964. Mas, apesar da longevidade das reprises na TV, “A Ilha dos Birutas” foi apenas um sucesso moderado para a rede CBS durante sua exibição original de três temporadas, indo ao ar em noites e horários diferentes a cada ano até ser cancelada em 1967. A ironia é que, quando passou a ser reprisada em horário fixo nas estações locais, a atração se tornou um dos maiores sucessos da TV americana da década de 1970, inspirando até duas produções animadas, a primeira exibida de 1974 a 1977 e a segunda (“Gilligan’s Planet”) de 1982 a 1984. Wells voltou a viver Mary Ann na dublagem das duas produções, além de aparecer com o elenco original em três telefilmes de reencontro, do final dos anos 1970 ao início dos 1980. Após o fim da série, ela ainda apareceu no cultuado terror “Assassino Invisível” (The Town That Dreaded Sundown, 1976) e num punhado de filmes inexpressivos, acomodando-se como atriz convidada de sucessos televisivos, como “James West”, “Columbo”, “Ilha da Fantasia”, “O Barco do Amor”, “Roseanne”, “SOS Malibu” (aywatch) e “ALF, o Eteimoso”. Wells continuou a trabalhar na TV esporadicamente até 2019, encerrando a carreira ao dublar um episódio da animação “As Épicas Aventuras do Capitão Cueca”. Mas, além de atuar, ela também foi produtora, escritora, jornalista, palestrante motivacional, professora, presidente da Fundação Terry Lee Wells, com foco em mulheres e crianças no norte de Nevada, e ainda dirigiu um acampamento de atores, Film Actors Boot Camp, por sete anos em Idaho.
Marcus D’Amico (1965 – 2020)
O ator Marcus D’Amico, mais conhecido por sua interpretação como Michael “Mouse” Tolliver na minissérie original de “Crônicas de San Francisco” (Tales of the City) morreu em 16 de dezembro de pneumonia em Oxfordshire, Inglaterra, aos 55 anos. A notícia foi compartilhada por sua irmã, Melissa D’Amico, chefe da agência de atuação juvenil do Reino Unido, APA Talent. “Não apenas perdi meu lindo irmão, mas o mundo perdeu um ator e diretor incrivelmente talentoso. Palavras não podem expressar o quanto sinto falta dele”, ela escreveu em um post no Instagram. Mouse era o doce jardineiro (e confidente gay de Mary Ann Singleton, personagem de Laura Linney) que era diagnosticado com AIDS na série passada em de São Francisco, que estreou no Channel 4 britânico em 1993 – antes de ser transmitida na PBS nos Estados Unidos. O personagem foi interpretado por Paul Hopkins em duas minisséries subsequentes, em 1998 e 2001, e por Murray Bartlett no reboot da Netflix em 2019. Nascido em 4 de dezembro de 1965 em Frankfurt, Alemanha, e criado no Reino Unido, D’Amico foi indicado ao prêmio Olivier de melhor ator por interpretar Louis na produção de 1992 “Angels in America”, de Tony Kushner. Na Broadway, ele recebeu o prêmio Theatre World por sua atuação como Eric Birling em um revival de 1994 de “An Inspector Calls”, dirigido por Stephen Daldry. D’Amico também apareceu em filmes como “Superman II” (1980) e “Nascido para Matar” (Full Metal Jacket, 1987) de Stanley Kubrick – como o soldado apelidado de “Hand Job”. Mais recentemente, ele teve um papel na minissérie “The Alienist: Angel of Darkness” (2018).
William Link (1933 – 2020)
O roteirista e produtor William Link, co-criador de séries clássicas como “Columbo” e “Assassinato por Escrito”, entre outras, morreu no domingo (27/12) de insuficiência cardíaca congestiva em Los Angeles, aos 87 anos. Em uma carreira de mais de 60 anos, Link ficou conhecido por sua colaboração com o falecido Richard Levinson. Os dois se conheceram aos 14 anos e começaram a colaborar quase imediatamente em histórias, roteiros de rádio e TV. Eles viram o potencial da TV para contribuir para a discussão sobre assuntos como relações raciais, homossexualidade, inquietação estudantil e violência armada, e inovaram o conteúdo televisivo. Link e Levinson começaram a escrever para séries no final dos anos 1950, em produções como “Johnny Ringo” e “The Rebel”. Logo passaram a criar episódios para séries populares, como “Alfred Hitchcock Apresenta”, “Dr. Kildare”, “A Lei de Burke” e “O Fugitivo”, até criarem suas primeiras atrações, a série de espionagem da 2ª Guerra Mundial “Jericho” (1965) e principalmente “Mannix” (1967), um megasucesso desenvolvido em parceria com Bruce Geller (criador de “Missão: Impossível”), que durou 8 temporadas até 1975. Considerada uma das séries mais violentas de sua época, a atração acompanhava as aventuras do investigador particular Joe Mannix (Mike Connors), de Los Angeles, que a cada episódio travava muitas brigas, perseguições de carros e tiroteios. Oposto de “Mannix”, “Columbo” era uma série de investigação criminal que dava mais ênfase à ação intelectual, destacando a sagacidade do detetive vivido por Peter Falk. O ator encarnou o detetive de homicídios de Los Angeles Columbo de 1971 a 2003, um recorde, graças à quantidade de telefilmes que se seguiram ao desfecho oficial da série (originalmente exibida entre 1971 e 1978). O personagem e o programa acabaram revolucionando a TV, ao mostrar um formato de história invertida, que começa mostrando o crime e seu autor, antes da investigação de Columbo apontar o criminoso. Este formato acabou virando padrão e é usado até hoje em séries da franquia “Law & Order”, por exemplo. A parceria de Link e Levinson também tendeu o sucesso de “Assassinato por Escrito” (Murder She Wrote), que fez sua estreia em 1984. A série estrelada por Angela Lansbury seguia a romancista de mistério Jessica Fletcher, que resolvia crimes como detetive amadora. Apesar dos executivos da rede lamentarem que o programa não tinha sexo, exibia pouca violência e sua protagonista era uma mulher de certa idade, a série foi extremamente popular e durou 12 anos. Outras séries de televisão criadas por Link e Levinson incluem “Tenafly” (1973, um dos primeiros programas de TV com protagonistas afro-americanos), “Ellery Queen” (1975) e “Blacke’s Magic” (1986). Mas a parceria também se estendeu a vários telefilmes inovadores, incluindo “My Sweet Charlie” (1970) sobre a amizade entre uma fugitiva adolescente, branca e grávida e um advogado afro-americano injustamente acusado de assassinato; “That Certain Summer” (1972) um dos primeiros retratos simpáticos da homossexualidade na televisão e “A Execução do Soldado Slovik” (1974), um poderoso relato do único soldado dos EUA executado por deserção durante a 2ª Guerra Mundial. Os dois últimos filmes apresentaram o jovem Martin Sheen ao grande público. Além de seu trabalho na televisão, Link e Levinson ainda escreveram roteiros de cinema, como os filmes de desastre “O Dirigível Hindenburg” (1975) e “Terror na Montanha Russa” (1977). A dupla ainda escreveu o livro “Stay Tuned: An Inside Look at the Making of Prime-Time Television” (1981), um relato de bastidores da televisão de sua época, e compartilhou muitos reconhecimentos da indústria do entretenimento, incluindo dois Emmys, dois Globos de Ouro, um Peabody e inúmeros outros. Link e Levinson também foram introduzidos no Hall da Fama da Academia da Televisão em 1994.












