Série Gilmore Girls terá continuação no Netflix
A série “Gilmore Girls” vai voltar, mas não na televisão. Os dramas de Lorelai e Rory, a jovem mãe e sua filha, ganharão continuação no site Netflix. O site TV Line apurou que o serviço de streaming fechou um acordo com a Warner Bros. para produzir uma minissérie derivada da atração, que reunirá novamente as atrizes Lauren Graham e Alexis Bledel. Exibida de 2000 a 2007, “Gilmore Girls” acompanhava o cotidiano da mãe solteira Lorelai Victoria Gilmore (Lauren Graham) e sua filha Lorelai “Rory” Leigh Gilmore (Alexis Bledel) na cidadezinha fictícia de Stars Hollow, aproveitando para explorar diversos temas de relacionamentos, como família, amizades, conflitos geracionais e classes sociais. Repleta de personagens bem peculiares, a atração ainda serviu para lançar a carreira de muitos astros, como a comediante Melissa McCarthy (“As Bem Armadas”) e os então adolescentes Jared Padalecki (série “Supernatural”) e Milo Ventimiglia (série “Heroes”). A série foi encerrada em sua 7ª temporada, com a jovem Rory se formando na faculdade. Os novos episódios a mostrarão crescida, nos dias atuais, de forma a poder abordar a morte recente do ator Edward Hermann, que interpretou seu avô na trama. O formato escolhido para a minissérie, por sinal, é inusitado. Serão quatro episódios apenas, mas de 90 minutos de duração. Cada capítulo será como um telefilme diferente, passando-se em períodos distintos. A divisão refletirá estações diferentes de um ano – isto é, Inverno, Primavera, Verão e Outono. A atração terá roteiro da criadora da série, Amy Sherman-Palladino, e será produzida por seu marido Daniel Palladino, que também trabalhou na produção original. Com isso, Amy recuperará o controle das personagens que criou. Vale relembrar que ela se afastou de “Gilmore Girls” durante a 7ª e última temporada, devido a uma disputa de contrato com a Warner Bros. Em junho deste ano, durante uma reunião do elenco no Festival ATX, a produtora disse que a série não terminou como ela gostaria. Na ocasião, ela mencionou que adoraria poder concluir a narrativa à sua maneira, algo que não aconteceu em 2007. A minissérie também marcará o terceiro revival de atrações clássicas da TV produzido pelo Netflix, após o sucesso da 4ª temporada da série de comédia “Arrested Development” e a vindoura continuação/spin-off de “Três É Demais”, intitulada em inglês “Fuller House”, que estreia em 2016.
Veja o trailer do especial de natal de Bill Murray e Sofia Coppola
O site Netflix divulgou o trailer do especial natalino “A Very Murray Christmas”, produção musical estrelada por Bill Murray e dirigida por Sofia Coppola, que voltam a se reunir após sua bem-sucedida parceria no cultuado “Encontros e Desencontros” (2003). O especial é uma homenagem aos shows de variedades clássicos e, além de atuar, Murray também irá cantar. A trama mostrará o ator interpretando a si mesmo e preocupado com seu show, com medo que ninguém apareça, devido a uma terrível tempestade de neve em Nova York. Mas logo os convidados surgem para ajudá-lo, dançando e cantando no espírito natalino. Entre os amigos vislumbrados na prévia, estão os atores George Clooney (“Caçadores de Obras-Primas”), Amy Poehler (série “Parks and Recreation”), Maya Rudolph (“Missão Madrinha de Casamento”), Michael Cera (“É o Fim”), Chris Rock (“Gente Grande”), Rashida Jones (“Celeste e Jesse Para Sempre”), o músico Paul Shaffer (programa “Late Show with David Letterman”) e a cantora Miley Cyrus (“Lola”). A estreia está programada para 4 de dezembro em todos os territórios onde o Netflix opera.
Demolidor: primeiro teaser da 2ª temporada inclui o Justiceiro e Elektra
O site Netflix divulgou o primeiro teaser da 2ª temporada da série “Demolidor”. O vídeo abre com uma longa recapitulação, acompanhada por elogios da crítica à 1ª temporada, antes de apresentar as primeiras cenas do próximo ano da produção. A prévia passa rapidamente pelos personagens centrais, Matt Murdock/Demolidor (Charlie Cox), Karen Page (Deborah Ann Woll) e Foggy Nelson (Elden Henson), além de registrar o retorno de Claire Temple (Rosario Dawson) e as chegadas de Elektra (Elodie Yung, de “G.I. Joe: Retaliação”) e do Justiceiro (Jon Bernthal, da série “The Walking Dead”). “Demolidor” foi apenas a primeira de cinco produções do universo Marvel previstas para o site de streaming Netflix. Sua 2ª temporada ainda não tem data de estreia oficial, mas será lançada em 2016. Antes disso, em 20 de novembro, estreia a segunda série da Marvel no Netflix, “Jessica Jones”, que também trará Rosario Dawson reprisando a personagem Claire Temple.
Super-herói Cavaleiro da Lua pode virar série do Netflix
O site Netflix pode adaptar os quadrinhos do Cavaleiro da Lua, um dos personagens que vem sendo ogitado como candidato a série desde 2010. O rumor foi requentado pelo site Heroic Hollywood. Maldosamente chamado de “Batman de Marvel”, Marc Spector era um mercenário que, ao ser abandonado para morrer no Egito, tem uma visão com o deus egípcio da lua e decide se transformar em super-herói. Assim como Batman, ele assume a identidade de um milionário e se mostra um mestre dos disfarces, trabalhando também como um taxista comum para obter informações do submundo do crime. Criado em 1975 por Doug Moench, como coadjuvante de uma história em quadrinhos do Lobisomem, o personagem apareceu em vários gibis antes de ganhar sua revista própria em 1980. Segundo a especulação, o Cavaleiro da Lua pode ser introduzido numa das séries de super-heróis produzidas pelo Netflix, seguindo o exemplo do Justiceiro, que estreará em 2016 na 2ª temporada de “Demolidor”. Após essa participação, ele ganharia uma série própria. Nem Marvel nem Netflix confirmam os planos para o personagem.
Netflix faz estreia impactante no cinema com Beasts of No Nation
Primeiro longa metragem produzido pelo Netflix, “Beasts of No Nation” conta a história do jovem Agu (o pequeno e impressionante Abraham Attah) que após a morte de sua família é adotado pelo Comandante de um grupo guerrilheiro de um obscuro país da África, tornando-se parte de um exército formado em sua maioria por crianças. Escrito e dirigido por Cary Fugunaga (da 1ª temporada de “True Detective”), possui ecos inegáveis de “Apocalipse Now” (1979), seja na figura ao mesmo tempo fascinante e repugnante do personagem do Comandante interpretado por Idris Elba (“Círculo de Fogo”) como na própria trajetória de Agu, que vai se tornando cada vez mais violenta e surreal, numa espiral de violência regada a lavagem cerebral, rituais sadísticos e abuso de todo os tipos. Baseado no livro homônimo de Uzondinma Iweala, “Beasts of No Nation” não faz questão de – e nem precisa – identificar o país em que Agu vive. Em determinando momento, sabemos que o exército nigeriano atua nas forças de paz, mas é o máximo que temos de qualquer localização possível. Não que isso importe. Para Fugunaka, a bestialidade da guerra não precisa de limites ou fronteiras para se estabelecer. Da mesma forma, aos poucos percebemos que tanto as forças do governo quanto os rebeldes são apenas dois lados da mesma moeda, já que veem espiões e conspirações por todos os lados, executando a sangue frio qualquer pessoa que passar pela frente. O filme mostra, a princípio, como Agu vive na miserável vila que habita. Há nestes momentos iniciais, uma sequência absolutamente fascinante, na qual Agu e seus amigos tentam vender uma carcaça de televisão – a TV da Imaginação – na qual enxergam e representam um mundo quase ideal, de brincadeiras, jogos, lutas de caratê e romances. Fica evidente que Fukunaga evita fantasiar tanto uma infância como um família ideal, mas é visível a segurança e a felicidade de Agu ao lado de seus pais. Quando o pai e o irmão são assassinados pelo exército do governo, Fukunaga trata estas sequências com uma displicência quase cruel, mostrando que na guerra a violência atinge qualquer um, objetificando pessoas e transformando-as em simples estatísticas de um massacre. Ainda que o garoto Abraham conduza o filme com a segurança de um adulto, é Idris Elba, no papel do Comandante, que merece todos os aplausos – e prêmios – do mundo por encarnar um dos personagens mais complexos de sua carreira, um líder carismático capaz de convencer dezenas a lutar por sua causa – e uma pessoa absolutamente abjeta por usar deste poder para sua satisfação e realização pessoal. Elba é um guerrilheiro falastrão, de roupas coloridas e óculos escuros, que usa de todo o seu arsenal de palavras e conceitos deturpados para convencer crianças a segui-lo. Quase como um pastor – a crítica religiosa é pontual e acertada -, sua eloquência atira para todos os lados: seja no discurso sobre justiça e sobre devolver o país a seus donos, na conversa ao pé da fogueira sobre como as mulheres amam homens de guerra ou nas danças e canções de viés ritualístico. E quando tudo isso já fez o seu estrago, há ainda a droga, injetada em crianças para que estas consigam sobreviver ao pesadelo em que vivem. Para as crianças menores, como Agu e seu amigo Stryka (o também impressionante Emmanuel Nii Adom Quaye), há ainda outros fardos mais pesados que o filme indica com uma frieza contundente. Beirando muitas vezes o insuportável, o filme estabelece com clareza o conceito de perda da inocência, tão comum em filmes de guerra. Que vejamos isso em crianças de 10 ou 12 anos tornadas assassinos frios e cruéis é algo absolutamente perturbador. Há outro momento particularmente impressionante e gráfico no filme, justamente na prova final de Agu para mostrar-se digno de carregar uma arma. Ali, aliado a uma narração em off econômica e pontual, percebemos que Agu trilha agora um caminho sem volta, algo que já havia evidentemente destruído seu irmão de armas Stryka. À medida que o filme avança, a narrativa vai se tornando cada vez mais surreal, culminando em um momento em que Fukunaga chega a trocar a paleta de cores e transforma toda a selva verde em um inferno vermelho, uma opção estética mais do que apropriada para o estado mental do pequeno Agu – que, em determinado momento, chega a acreditar que encontra sua mãe ao ver uma senhora indefesa numa casa, para logo em seguida tratá-la com a violência usual a que se acostumou. O filme ainda encontra espaço para lidar com as questões políticas referentes à guerra – repleta de acordos, tratados, cargos e dinheiro -, mas este desvio, ainda que importante por estabelecer ainda mais o caráter podre do Comandante, soa infinitamente menos interessante do que a trajetória de Agu. E ainda que o filme termine com uma nota levemente otimista, Fukunaga faz questão de nos mostrar – em um último e brilhante diálogo – que, para Agu, a TV da Imaginação será para sempre uma lembrança de uma época e de uma vida que não voltarão mais. Tudo o que resta para ele é viver a cada dia, com seus fantasmas e com o sangue que jamais sairá de suas mãos. “Beasts of No Nation” não é apenas um filme tecnicamente impecável e com interpretações antológicas. É uma obra tão atual e relevante que ninguém fica imune após conhecê-la.




