Yorimatã resgata a carreira musical de Luli e Lucina
“Yorimatã” é um documentário que procura recuperar a rica história musical da dupla de cantoras e compositoras Luli e Lucina, que esteve no centro dos acontecimentos da MPB, nas décadas de 1970 e 1980. Conviveu e trabalhou com grandes talentos desses períodos, mas, por razões diversas, sempre acabou se afastando da ribalta, sem poder colher os frutos de seus inegáveis méritos. Para viver o amor que pulsava entre elas, junto com a música. Para construir uma família a três, com o fotógrafo Luís Fernando Borges da Fonseca. Para viver uma vida hippie no mato, longe da cidade, em economia de subsistência, por opção ideológica. E, também, retornando às origens da natureza, quando um câncer acometeu Luís Fernando, para estar com ele na doença. Com tantos percalços e opções viscerais ou radicais, a dupla não alcançou o sucesso que sempre esteve por perto. Mas tem muito o que mostrar, nas imagens recuperadas das filmagens em VHS e fotos que Luís Fernando registrou por longos anos. E nos depoimentos atuais delas, de Gilberto Gil, Zélia Duncan, Tetê Espíndola, Ney Matogrosso, Antonio Adolfo, Joyce e outros mais. Para quem não conhece, ou conhece pouco, o filme mostra as músicas e o universo cultural da produção delas muito bem. O título “Yorimatã”, segundo a dupla, é uma espécie de palavra mágica que significa “salve a criança da mata”. Primeiro longa do diretor Rafael Saar, o filme venceu o festival In-Edit Brasil, dedicado a documentários musicais. https://www.youtube.com/watch?v=Yc-RDFzgDIk
Playlist (Vapour Trail): 15 clipes que inauguraram o indie rock nos anos 1980
Existem várias teorias para explicar como surgiu o rock indie. Há quem prefira apontar os primeiros discos (EPs e singles) independentes, lançados pelas próprias bandas a partir de 1977, durante o auge da estética DIY (Do It Yourself) do punk rock. Em 1980, já havia tantos compactos de gravadoras independentes circulando que o semanário britânico Record Week criou a primeira parada de sucessos voltada apenas para refletir os hits com distribuição alternativa, influenciando outras publicações a seguirem a iniciativa. Mas foi só na metade daquela década que o termo “indie” passou a ser usado como definição musical e não apenas econômica. Em novembro de 1985, o primeiro álbum radicalmente diferente do que havia surgido no pós-punk chegou às lojas: “Psychocandy”, de The Jesus and Mary Chain. Sem saber direito como lidar com a banda, a crítica a rotulou como “o novo Sex Pistols”, tecendo uma analogia entre seu som barulhento e os tumultos que marcavam seus primeiros shows. Mas havia sinais que aquele barulho não era isolado. O empresário do Jesus and Mary Chain, Alan McGee, lotava seu clube londrino, The Living Room, com bandas novas. Ele mesmo era integrante de uma delas (Biff Bang Pow) e dava os primeiros passos com sua própria gravadora, a Creation Records, por onde lançaria a banda paralela do baterista do Jesus, chamada Primal Scream. A verdade é que desde 1984 as bandas se multiplicavam, alimentando, por sua vez, o surgimento de diversas gravadoras pequenas. E foi um movimento tão súbito e intenso que deixou até a imprensa musical perdida, sem conseguir identificar para seus leitores os inúmeros artistas que pareciam surgir de uma só vez. Para cumprir essa tarefa, o semanário NME (New Musical Express) teve a ideia de lançar uma amostragem desses novatos, disponibilizando uma fita K7 junto de uma de suas edições. A iniciativa rendeu a primeira coletânea indie de todos os tempos, a “C86”, assim batizada em homenagem à “classe de 1986”. A “C86”, que completa 30 anos, acabou simbolizando o ponto de virada da música indie. Além de reunir diversos artistas diferentes, ela foi acompanhada por uma longa reportagem da publicação, contextualizando sua representatividade. O objetivo de seus idealizadores era demonstrar como a nova música britânica independente tinha evoluído nos últimos anos, afastando-se do pós-punk, de forma quase desapercebida, enquanto o pop com sintetizadores e influenciado pelo R&B americano dominava as paradas de sucesso. Em contraste, a nova geração priorizava guitarras sobre os sons eletrônicos do período, o que também rendeu a definição genérica “guitar bands” para definir aquela geração no Brasil. O impacto do lançamento do “C86” uniu a imprensa musical britânica em torno da bandeira indie. As publicações rivais da NME, como Melody Maker e Sounds, passaram a incluir novas reflexões sobre a revolução em andamento, nem que fosse para declarar que aquele K7 não era, assim, tão representativo. De fato, se lá havia Primal Scream, The Pastels, Close Lobsters e The Wedding Present, por exemplo, sobravam bandas que não foram a lugar algum, enquanto as ausências de The Jesus and Mary Chain, Spaceman 3 e The Loft, entre outros, gritavam. Aproveitando a discussão, a Creation Records passou a lançar suas próprias coletâneas, revelando My Bloody Valentine, House of Love, Jasmine Minks, The Weather Prophets (sucessor de The Loft) e a geração shoegazer. O fato é que 1986 representou uma grande virada. Ainda havia muitos artistas interessados em levar adiante a sonoridade pós-punk, influenciados por PIL e até Echo and the Bunnymen, por exemplo. Mas os talentos que passaram a monopolizar a atenção da crítica citavam influências mais antigas, incomuns até então, de artistas dos anos 1960: o jangle pop de bandas como The Byrds e outros artistas com guitarras de 12 cordas, o wall of sound dos girl groups como Shangri-Las e The Ronettes e a explosão de microfonia entronizada no clássico “Sister Ray”, do Velvet Underground, banda que também contava com os vocais “frágeis” de Lou Reed e “gélidos” de Nico. Essas sementes, que renderam as primeiras bandas da música indie, acabaram frutificando em novas ramificações musicais na década seguinte, o twee pop e o shoegazer. Em suma, foi assim que tudo começou. Relembre, abaixo, os sons mais distorcidos dessa era, responsáveis por tirar o Velvet Underground da obscuridade para transformá-la na banda mais influente do mundo – como atestam as microfonias, as melodias murmuradas e os kits minimalistas de bateria (tocada em pé) que, desde então, se tornaram indissociáveis da cena indie.
Gato Barbieri (1932 – 2016)
Morreu Gato Barbieri, saxofonista argentino que ficou mundialmente conhecido pela trilha do filme “O Último Tango em Paris” (1972). Ele faleceu no sábado (2/4) aos 83 anos, de pneumonia num hospital em Nova York, depois de recentemente ter sido submetido a uma cirurgia por causa de uma trombose. Leandro “Gato” Barbieri nasceu em Rosário, na Argentina, em 28 de Novembro de 1932, em uma família de músicos, e decidiu virar jazzista depois de ouvir Charlie Parker. Começou tocando clarinete e só aos 18 anos, quando se mudou para Buenos Aires, é que se dedicou ao saxofone. A opção definitiva pelo instrumento aconteceu durante uma excursão com o pianista argentino Lalo Schifrin (criador do tema de “Missão Impossível”) nos anos 1950. Ele se tornou conhecido como “Gato” neste período, devido à forma como saltava de clube em clube em Buenos Aires, acompanhado pelo seu saxofone para tocar com diversos artistas. Seu relação com o cinema começou logo em seguida, compondo trilhas para o cinema argentino. Uma de suas primeiras composições deu ritmo e melodia à adaptação de Julio Cortázar “El Perseguidor” (1965). Na vidada da década, ele desenvolveu uma forte ligação com o Brasil, passando meses no país. O período acabou registrado nos cinemas. Barbieri tocou seu sax em três filmes brasileiros. Juntou-se a Lenny Gordin e Naná Vasconcelos como músico de “Pindorama” (1970), de Arnaldo Jabor, serviu como diretor musical da comédia “Minha Namorada” (1970), de Armando Costa e Zelito Viana, e compôs a trilha sonora de “Na Boca da Noite”, de Walter Lima Jr, em parceria com as feras do jazz Ron Carter e James Spaulding. Após um começo influenciado por John Coltrane e outros saxofonistas do free jazz, Barbieri passou, a partir de então, a fundir a música tradicional sul-americana em seu estilo, do tango ao samba. A guinada coincidiu com a obra que lhe deu maior visibilidade, a trilha sonora de “O Último Tango em Paris”, de Bernardo Bertolucci. “Foi como um casamento entre o filme e a música”, descreveu Barbieri em uma entrevista de 1997 para a agência de notícias Associated Press. “Bernardo me disse: ‘Eu não quero que a música seja muito Hollywood ou muito europeia, que é mais intelectual. Quero um tom mediano.'” Foi o que levou ao tango e a redescoberta de sua alma argentina. “O tango sempre é uma tragédia”, ele explicou. “A mulher deixa o homem ou o mata. É como uma ópera, mas se chama tango… e é muito sensual.” O álbum derivado do filme rendeu-lhe um prêmio Grammy e impulsionou sua adoção de um estilo mais latino, levando-o a se consagrar como pioneiro do chamado “alma-jazz” ou jazz latino. O ponto alto desta transformação se deu com o sucesso comercial da gravação de “Europa (Earth’s Cry Heaven’s Smile)”, de Carlos Santana, em 1976. Preferindo se concentrar no universo musical, Barbieri acabou deixando de lado o cinema. Seguiram-se poucos trabalhos cinematográficos, como as trilhas de “Poder de Fogo” (1979), de Michael Winner, e “Uma Estranha Paixão” (1983), de Matthew Chapman. Mas a morte de sua esposa Michelle o levou a se retirar até do circuito jazzista durante um longo período. Ele foi reemergir em duas trilhas realizadas para cineastas iranianos nos anos 1990, “Manhattan by Numbers” (1993), de Amir Naderi, e “Seven Servants” (1996), de Daryush Shokof, suas últimas composições para o cinema. Os trabalhos ajudaram a devolver-lhe a energia e preparam terreno para o lançamento de um de seus discos mais populares, “Que Pasa”, que atingiu o 2º lugar da parada de jazz da revista Billboard em 1997. Apesar de afastado das trilhas, ele permaneceu ativo com gravações e shows nos últimos anos. Desde 2013, fazia apresentações regulares no tradicional clube de jazz nova-iorquino Blue Note, que emitiu uma nota lamentando seu falecimento. “Hoje perdemos um ícone, um pioneiro e um querido amigo. A contribuição significativa do Gato para a música e para as artes foram uma inspiração para todos nós.” Com um estilo geralmente definido como “torrencial e quente”, Barbieri era considerado um dos grandes saxofonistas contemporâneos e, para muitos, o segundo maior músico argentino do jazz moderno, atrás apenas de Lalo Schifrin, em cuja orquestra também tocou. Em 2015, Barbieri recebeu um prêmio pela carreira do Grammy Latino, em reconhecimento a seu talento, que cobriu “virtualmente toda a paisagem do jazz”.
Rihanna fica seminua e provoca com sensualidade no clipe de Kiss It Better
A cantora Rihanna lançou um novo clipe provocante, em que aparece seminua, coberta apenas por lençóis de seda transparente ou camisolas do mesmo material, deixando entrever seus seios, enquanto canta uma letra convidativa para um amante idealizado. Apesar do alerta de “cenas explícitas” do YouTube, o vídeo da música “Kiss It Better” foi realizado com uma sensualidade de revista de moda, em preto e branco, sem background e com apenas Rihanna em cena. Longe de parecer vulgar, ele valoriza o corpo da cantora, que aparece confortável consigo mesma, como, por sinal, sugere a letra da canção. O responsável pela gravação foi o fotógrafo inglês Craig McDean, que clica campanhas para as principais grifes do planeta – Gucci, Yves Saint Lauren, Giorgio Armani, Oscar de la Renta, Calvin Klein, etc. Ele já lançou livros de fotografias, mas o clipe de Rihanna é sua primeira incursão na direção de imagens em movimento. O trabalho se provou um sucesso. Em menos de 24 horas, o vídeo oficial foi visto mais de 4 milhões de vezes e repercutiu forte nas redes sociais. “Kiss It Better” faz parte do oitavo disco da cantora, “Anti”, que diziam não ser “muito comercial”. A sonoridade, que remete à produções dos anos 1980, evoca a época com a ajuda de um sobrevivente do período. Quem toca guitarra é ninguém menos que o português Nuno Bettencourt, da banda Extreme. Para quem não lembra, ele também distorceu o pop clássico de Janet Jackson “Black Cat”.
Eu sou Carlos Imperial: Documentário vira “fenômeno” no circuito limitado nacional
O documentário sobre o compositor, ator, apresentador e agitador cultural Carlos Imperial virou uma espécie de fenômeno no circuito limitado nacional. Lançado originalmente em apenas três salas de São Paulo e Rio de Janeiro, “Eu Sou Carlos Imperial”, de Renato Terra e Ricardo Calil, conseguiu um feito raro: aumentou o número de salas e espectadores em sua segunda semana de exibição. Mais que isso, já está na terceira semana, com mais salas que durante a estreia, e começa a chegar em outras cidades, como Vitória, no Espírito Santo. Os produtores também estão negociando a exibição em Brasília e Porto Alegre. E isto porque a distribuição é independente. Os diretores fizeram campanha de financiamento coletivo para organizar a estreia. Claro que os números são modestos, mas relativamente o resultado é, de fato, fenomenal. Enquanto as mega-estreias esgotam-se em três semanas, “Eu Sou Carlos Imperial” continua a crescer. Falando ao jornal O Globo, o diretor Renato Terra atribuiu o sucesso ao “boca a boca” do público. Ele acompanhou algumas sessões, e contou que ficou com a sensação de ter feito uma “comédia com Leandro Hassum”, por causa das ressonantes gargalhadas no cinema. “Não dá para sair indiferente do filme. O Carlos Imperial foi um personagem único: você fica com raiva, vergonha, ri dele, ri com ele… Todo mundo sempre sai do cinema com um adjetivo diferente para ele”, disse. O filme conta a história de Imperial, figura histórica, fomentador da Jovem Guarda e cafajeste assumido, que escreveu hits, estrelou pornochanchadas, foi jurado de calouros do Programa Sílvio Santos e faleceu há mais de 20 anos. Repleto de imagens de arquivo e entrevistas exclusivas com Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Eduardo Araújo, Tony Tornado, Dudu França, Mário Gomes e Paulo Silvino, o filme é da mesma dupla de cineastas que já havia realizado um ótimo resgate da história musical brasileira em “Uma Noite em 67” (2010).
Playlist (Vapour Trail): 10 clipes da geração shoegazer
O álbum “Loveless” (1991), do My Bloody Valentine, um dos discos mais influentes da história do rock, completa 25 anos em 2016. Diz a lenda que o perfeccionismo de Kevin Shields custou uma fortuna e praticamente faliu a Creation Records. O wall of sound de microfonias também lhe custou a audição. Mas uma geração inteira se apaixonou pelas sereias elétricas de sua guitarra. E até hoje novas bandas se curvam, olhos prostrados para o chão, diante da pedaleira de distorções, como apóstolos do altar do som. A seleção abaixo celebra a cena shoegazer, o dreampop e o ruído dançante que virou trilha de vapor nos palcos do Reino Unido nos anos 1990.
Miley Cyrus e Alicia Keys são as novas juradas do reality show The Voice
Duas cantoras com currículos de atrizes entraram na 11ª temporada do reality show americano de competição “The Voice”. Miley Cyrus e Alicia Keys serão as novas juradas do programa, em substituição a Christina Aguilera e Pharrel Williams. Elas vão se juntar a Adam Levine e Blake Shelton, que continuarão na atração. Em comunicado, Paul Telegdy, diretor da programação da rede NBC, disse que Miley e Alicia representarão grande contribuição para o sucesso contínuo do programa. “A expertise musical e a energia que essas mulheres incrivelmente talentosas vão trazer para o show é marcante. Nós estamos animados em saber que elas vão se juntar a Adam e Blake no que nós sabemos que vai ser uma mágica 11ª temporada”, ele disse, em comunicado. A participação de Miley, porém, será “adiantada”. Apesar da 11ª temporada só estrear em setembro, ela já poderá ser vista na próxima semana em “The Voice”, como mentora dos concorrentes da 10ª temporada. Miley também será vista no elenco da primeira série escrita e dirigida por Woody Allen, que estreia até o fim do ano no serviço de streaming da Amazon. Já Alicia foi vista recentemente em dois episódios da série “Empire”, e pode bisar a dose em breve.
Playlist: 36 clipes de rap old school dos anos 1980 e 1990
A semana marcou a perda do rapper americano Phife Dawg, integrante do grupo A Tribe Called Quest, pioneiro do hip-hop alternativo. Ele morreu na terça-feira (22/3) aos 45 anos, devido a complicações de diabetes tipo 1. Um dos primeiros grupos a juntar jazz e rap, A Tribe Called Quest surgiu em meados dos anos 1980, integrando, ao lado de De La Soul, Jungle Brothers e Queen Latifah uma geração inovadora de Nova York, que buscou outros ritmos, rimas e atitudes mais positivas para o hip-hop. Seus discos se tornaram bastante influentes, mas eles também tiveram referências de outros artistas da época. A seleção de clipes abaixo resgata esse período chave do rap, numa sequência de batidas de funk e jazz pulsantes.
Hit das manifestações de protesto no Brasil, samba de Boca Nervosa ganha clipe oficial
Uma das músicas mais celebradas na manifestação recorde de 13 de março ganhou clipe oficial. Trata-se de “Não É Nada Meu”, que começa a ser conhecida como o “melô do Lula”. A Radar Records divulgou o vídeo da canção composta e cantada por Boca Nervosa, sambista paulista das antigas, que traz Lula e Dilma sambando, enquanto os escândalos do ex-presidente são enumerados – o triplex na praia, a casa em Atibaia, os vôos em jatinhos particulares, a ilha, a corrupção na Petrobrás, o Mensalão, a crise econômica, o Instituto Lula e a súbita riqueza de seus filhos – , acompanhados por variações do bordão “é de um amigo meu”. O vídeo é pouquíssimo inspirado, considerando a letra. Até chato. Tanto que o clipe não oficial, criado pelo colunista da revista Veja Felipe Moura Brasil, ilustra melhor a narrativa (veja a seguir). Por sinal, também foi divulgado um improviso vocal, que junta Boca Nervosa a Neguinho da Beija-Flor, num dueto gravado na rua, como é bastante apropriado ao contexto. Deve ser, como dizem alguns, mais um manifesto da elite branca golpista, como pode ser atestado abaixo. “Não É Nada Meu” faz parte do disco mais politizado dos últimos anos, intitulado “Diário da Corrupção”. Nele, Boca Nervosa faz samba rock para ironizar “O Nero do ABC”, que quer incendiar o Brasil, transforma em carnaval o comício da honestidade do “Papa Luiz 51”, “mais santo que a Madre Teresa e mais honesto que Chico Xavier”, cai no chorinho para dar um “Recado a Dilma”, vai de marchinha para reivindicar o triplex sem dono do Guarujá (“O Triplex É Meu”) e ainda mira Fernando Haddad (“O Rei do Radar”), Marta Suplicy (“Relaxa e Goza”), o juiz Nicolau dos Santos Neto (“O Pagode do Lalau”) e até o assento vazio da Casa Civil (“A Casa Caiu”). Tudo com muito bom humor, sem dúvida o melhor jeito de lidar com tantas barbaridades que preenchem o noticiário político-policial brasileiro. Todas as músicas estão disponíveis no Canal do Boca, endereço oficial de Boca Nervosa no YouTube. Por enquanto, fique com o hit do momento:
Born to Be Blue: Ethan Hawke vive o jazzista Chet Baker em trailer, cenas e fotos da cinebiografia
A IFC Films divulgou o pôster duas cenas e o trailer de “Born to Be Blue”, cinebiografia do jazzista Chet Baker, estrelada por Ethan Hawke (“Boyhood”). A prévia destaca como o ator se entrega ao papel. Além de uma abertura metalinguística, em que Hawke interpreta Baker vivendo Baker num filme, há a recriação da gravação clássica de “My Funny Valentine” em estúdio. O filme acompanha sua luta para superar o vício em drogas e as sequelas de uma briga, que prejudicaram sua técnica, focando-se em sair da rota autodestrutiva para retomar sua carreira no final da década de 1960, quando atingiu novos picos de popularidade. A direção é do canadense Robert Budreau, que já dirigiu um curta sobre a morte de Baker, “The Deaths Of Chet Baker” (2009), e o elenco conta com Carmen Ejogo (“Selma”), Callum Keith Rennie (“Cinquenta Tons de Cinza”), Stephen McHattie (série “The Strain”) e Kevin Hanchard (série “The Expanse”). Exibido nos festivais de Toronto e Tóquio, “Born to Be Blue” chega aos cinemas americanos em 11 de março, mas ainda não tem previsão de lançamento no Brasil.
David Bowie viu Zoom, gostou e mandou liberar uma música para o filme de Pedro Morelli
O cantor David Bowie deu seu aval para o filme “Zoom”, de Pedro Morelli (“Entre Nós”). Durante encontro com jornalistas em São Paulo, o diretor revelou que Bowie assistiu ao filme, gostou e mandou liberar “Oh! You Pretty Things” para a trilha sonora do longa-metragem, que é uma coprodução brasileira e canadense. Morelli contou que preço dos direitos da música era cinco vezes maior que o orçamento disponível. “Não tínhamos o dinheiro que queriam, mas um dia recebemos um telefonema que Bowie tinha assistido, gostado muito e liberado pela verba que tínhamos”, revelou o diretor. Ao ouvir a história pela primeira vez na coletiva, Marianna Ximenes não escondeu sua surpresa. “Gente, eu não sabia disso. Estou aqui imaginando o Bowie vendo o filme. Sou muito fã”, exclamou, admirada. O que inspirou o diretor a dizer: “Fiquei com essa cara que você esta fazendo por uma semana”. A trama de “Zoom” acompanha três histórias distintas, misturando animação e atores reais, num formato de looping que lembra ouroboros – a serpente que engole a própria cauda. A sinopse pode ser resumida como a história de uma artista (Alison Pill, de “Expresso do Amanhã”), que desenha uma história em quadrinhos sobre um diretor sexy de cinema (Gael García Bernal, em versão animada), que planeja filmar um drama sobre uma modelo brasileira (Mariana Ximenes, de “Os Penetras”), que, por sua vez, quer escrever um livro sobre uma artista de quadrinhos que desenha um diretor, etc. O elenco coadjuvante também inclui Jason Priestley (da série clássica “Barrados no Baile”), Tyler Labine (série “Reaper”) e Claudia Ohana (“A Novela das 8”), que vive um affair com Ximenes no filme. Foram 26 dias de filmagens para o longa todo. Priestley disse que, graças a “Zoom”, pôde conhecer duas versões muito diferentes do Brasil. “Primeiro conheci Trindade, no Rio de Janeiro, para as filmagens, e agora São Paulo. Estou tendo uma experiência brasileira bem autêntica”, declarou, contando que tomou “algumas caipirinhas” durante sua passagem pelo país. “Zoom” estreia dia 31 nos cinemas. Ouça/veja abaixo David Bowie tocando “Oh! You Pretty Things”, a música liberada para o filme.
Sia retoma parceria com sua Mini Me, Maddie Ziegler, em novo clipe
A cantora australiana Sia divulgou seu novo clipe, “Cheap Thrills”, em que retoma a parceria com sua Mini Me, a dançarina Maddie Ziegler. Mais crescida, agora com 13 anos, Maddie dança o vídeo inteiro com movimentos expansivos e sua peruca de Sia, acompanhada por dois bailarinos, que imitam seus gestos, e a própria cantora, que aparece estática ao fundo, diante de um microfone. É a quarta colaboração entre Sia e a menina, que, desde a participação escandalosa em “Elastic Heart”, onde fazia contorções íntimas com o ator Shia LaBeouf (“Corações de Ferro”), tornou-se pré-adolescente. Ela ficou tão famosa que, além de contratos de modelo, vai estrear no cinema em 2016, no filme “The Book of Henry”, de Colin Trevorrow (“Jurassic World”), em que contracenará com outro prodígio mirim, o menino Jacob Tremblay (revelação de “O Quarto de Jack”). A música “Cheap Thrills” faz parte do novo álbum de Sia, “This Is Acting”, lançado em janeiro.
Playlist: 20 baladas clássicas femininas dos anos 1960
Da grandiloquência orquestral de “You Don’t Own Me”, de Leslie Gore, trilha da recente campanha da série “Penny Dreadful”, passando por várias composições luxuosas de Burt Bacharach, até chegar à caixinha de música de “Sunday Morning”, que Nico gravou com o Velvet Underground, as 20 baladas abaixo traduzem relacionamentos e ressentimentos em vozes femininas que marcaram os anos 1960. Torch songs, cantadas por gargantas privilegiadas ou balbuciadas por lábios perfeitos, e tão cinematográficas que, vez ou outra, reaparecem em trilhas de cinema. Confira as baladeiras.












