Joanne Linville (1928-2021)
A atriz Joanne Linville, que se destacou num episódio memorável da série clássica “Jornada nas Estrelas” (Star Trek), morreu no domingo (20/6) aos 93 anos de causa não revelada. Ela teve uma longa carreira, com pequenos papéis em filmes como “A Deusa” (1958), “Nasce uma Estrela” (1976), “Scorpio” (1973) e “Sedução e Medo” (1982), além de ter feito várias aparições em séries. Mas nunca se tornou protagonista nem entrou no elenco fixo de nenhuma produção televisiva. Apesar disso, acabou se tornando uma atriz cultuada por fãs de sci-fi. Seu relacionamento com o gênero teve início num episódio de 1961 da série “Além da Imaginação” (1961), em que interpretou a proprietária de uma mansão sulista em ruínas (“The Passersby”). Ela também atuou em dois capítulos de “Os Invasores” antes de interpretar a comandante romulana seduzida pelo Sr. Spock (Leonard Nimoy) em “The Enterprise Incident”, episódio de 1968 da “Star Trek” oficinal. A interação com a personagem de Linville foi a única manifestação da sexualidade de Spock na série, embora a sedução fosse parte de um estratagema para ajudar o Capitão Kirk (William Shatner) a roubar o dispositivo de invisibilidade da nave romulana. Quase 50 anos depois, Linville voltou ao universo trekker para seu último trabalho, como convidada especial da série de fãs “Starship Excelsior”, com participação de Nichelle Nichols (a Tenente Uhura) e Walter Koenig (o Sr. Chekov) em 2016. Ela foi casada com o diretor Mark Rydell (“Num Lago Dourado”) e era bisavó do filho da atriz Billie Lourd (“Star Wars: A Ascensão Skywalker”).
Frank Bonner (1942–2021)
O ator Frank Bonner, que estrelou a série “WKRP in Cincinnati”, exibida no início dos anos 1970, morreu na quarta-feira (16/6) em sua casa em Laguna Niguel, na Califórnia, em decorrência da doença degenerativa demência de corpos de Lewy, que atinge o cérebro. Ele tinha 79 anos. Bonner ficou famoso por interpretar Herb Tarlek, um vendedor de uma estação de rádio, que usava sapato branco e um terno xadrez nas cenas de “WKRP in Cincinnati”, exibidas de 1978 até 1982. Fez tanto sucesso no papel que o reprisou no spin-off dos anos 1990, “The New WKRP in Cincinnati”. A série também marcou sua estreia na direção, carreira em que foi bem-sucedido, trabalhando nos bastidores das produções televisivas até 2010. Paralelamente, continuou a aparecer em filmes e séries, com papéis recorrentes em “O Pequeno Mestre” (Sidekicks, 1986) e “Saved by the Bell: The New Class” (1993–2000).
Lisa Banes (1955–2021)
A atriz Lisa Banes, conhecida por viver a mãe de Rosamund Pike e sogra de Ben Affleck em “Garota Exemplar”, faleceu na segunda (14/6), dez dias após ter sido atropelada em Nova York, nos Estados Unidos. A atriz de 65 anos estava indo encontrar sua mulher, Kathryn Kranhold, para juntas comparecerem a um jantar na casa de um amigo quando, no meio do caminho, foi atingida por uma scooter ao atravessar a rua na faixa de pedestres. O veículo não tinha placa. Lisa não resistiu aos ferimentos graves que sofreu no acidente e uma lesão cerebral traumática provocou a sua morte. Moradora de Los Angeles, ela estava em Nova York por compromissos profissionais, em ensaios da peça “The Niceties”, que seria apresentada de forma virtual. Além do papel em “Garota Exemplar”, ela se destacou em seu primeiro papel no cinema, como a mãe de Jodie Foster e Rob Lowe na cultuada comédia sombria “Um Hotel Muito Louco”, de 1985. Ela também participou de “Os Jovens Pistoleiros” (1988), “Cocktail” (1988), “O Mistério da Libélula” (2002) e do recente terror “A Cura” (2016). Na TV, teve papéis recorrentes em “China Beach”, “The Trials of Rosie O’Neill”, “Son of the Beach”, “A Sete Palmos” (Six Feet Under), “Royal Pains” e “Nashville”.
Ned Beatty (1937-2021)
O ator Ned Beatty, que marcou gerações de cinéfilos com sua aflição em “Amargo Pesadelo”, morreu neste domingo (13/6) de causas naturais aos 83 anos. A angustiante saga de sobrevivência, dirigida por John Boorman em 1972, trazia Beatty, Burt Reynolds, Jon Voight e Ronnie Cox como um grupo de amigos da cidade grande que resolvem fazer um passeio de canoa por um rio interiorano, apenas para acabar aterrorizados por caipiras das florestas ao redor. A sequência de 10 longos minutos, em que Beatty é forçado a grunir como um porco, enquanto era estuprado por seus captores, traumatizou gerações, fazendo jus ao título nacional da produção – “Amargo Pesadelo”, muito mais impactante que o nome original, “Deliverance” (libertação) em inglês. Foi o primeiro filme da carreira de Beatty. E embora tenha causado grande impacto, não projetou o ator à condição de protagonista. Ele foi um dos eternos coadjuvantes de Hollywood, o que nunca lhe incomodou. “Sinto pena das pessoas que viram estrelas”, ele chegou a dizer à revista People. “O estrelato causa mais problemas do que vale”. Ele coadjuvou vários filmes de Burt Reynolds, após os dois se tornarem amigos nas filmagens de “Amargo Pesadelo”. Trabalharam juntos no thriller “Sob o Signo da Vingança” (1973) e sua continuação “Gator, O Implacável” (1976), nas comédias “W.W. and the Dixie Dancekings” (1975), “O Imbatível” (1983) e “Troca de Maridos” (1988), e num episódio da série “BL Stryker”, estrelada por Reynolds em 1989. Muitos dos filmes de Beatty exploravam seu sotaque natural de Louisville, Kentucky, o que lhe rendeu diversos papéis de caipiras sulistas em sua carreira, fosse como um gordinho bonachão ou como um criminoso malvado. Sua filmografia incluiu alguns dos maiores clássicos de Hollywood dos anos 1970, como “Nashville” (1975), de Robert Altman, “Todos os Homens do Presidente” (1976), de Alan J. Pakula, “Rede de Intrigas” (1976), de Sidney Lumet, e até “Superman – O Filme” (1978), de Richard Donner, em que viveu Otis, o capanga atrapalhado do vilão Lex Luthor (Gene Hackman). Beatty retomou o papel de Otis em “Superman II: A Aventura Continua” (1980), que foi ainda mais bem-sucedido que o primeiro longa. A partir daí, emplacou várias comédias de grandes bilheterias, como “O Espião Trapalhão” (1980), “De Volta às Aulas” (1986) e principalmente “Escute Minha Canção” (1991), onde interpretou o tenor irlandês Josef Locke, um dos seus maiores papéis. Ao mesmo tempo, também demonstrou talento dramático como o pai de uma criança com doença terminal em “Promessa ao Amanhecer” (1979), de John Huston, e o pai de um improvável herói do futebol em “Rudy” (1993). Ele ainda se destacou na televisão durante os anos 1990, como o pai de John Goodman na série “Roseanne” e o Detetive Stanley “The Big Man” Bolander na série policial “Homicídio”. Seus últimos trabalhos incluem mais sucessos e filmes premiados, como o thriller de ação “Atirador” (2007), de John Fucqua, a comédia política “Jogos do Poder” (2007), de Mike Nichols, “O Assassino em Mim” (2010), de Michael Winterbottom, “Um Tira Acima da Lei” (2011), de Oren Overman, e “Toy Story 3” (2010), em que dublou o urso de pelúcia maligno Lotso. Apesar da longa carreira, Beatty recebeu pouco reconhecido da indústria audiovisual. Teve apenas uma indicação ao Oscar, como Melhor Ator Coadjuvante por “Rede de Intrigas”, e outra para o Globo de Ouro, por “Ouça a Minha Canção”. Sua última lembrança foi na disputa do MTV Movie Awards de 2011, como Melhor Vilão por “Toy Story 3”.
Milton Moses Ginsberg (1943–2021)
Milton Moses Ginsberg, o diretor nova-iorquino que era cultuado por dois filmes independentes de décadas atrás, morreu de câncer em 23 de maio, em Manhattan, aos 85 anos. A informação foi revelada por sua esposa, Nina Ginsberg, neste domingo (13/6). Ginsberg era editor de cinema quando suas ambições o levaram a filmar “Coming Apart” em 1969. O filme em preto e branco usou uma câmera estática para, basicamente, documentar Rip Torn no papel de um psiquiatra que, por sua vez, registrava suas sessões com uma câmera escondida. Na época, a produção dividiu a crítica, mas acabou ganhando admiradores com o passar do tempo e muitos o apontam como grande influência na série “Em Terapia” (e sua versão brasileira, “Sessão de Terapia”). O cineasta assumiu uma estética marginal em 1973 com “O Lobisomem de Washington”. O filme trazia Dean Stockwell como um funcionário da Casa Branca que se transformava em lobisomem em momentos inoportunos, matando personagens baseados em figuras políticas conhecidas da época. Problemas de saúde obrigaram Ginsberg a abandonar a direção. Mas ele conseguiu se manter trabalhando com edição de filmes, entre eles dois documentários vencedores do Oscar: o longa “Down and Out in America” (1986) e o curta “The Personals” (1999). Em seus últimos anos, Ginsberg fez pequenos ensaios experimentais em curtas e vídeo.
Dennis Berry (1944–2021)
O ator e cineasta americano Dennis Berry, que foi casado com duas estrelas da nouvelle vague francesa, Jean Seberg e Anna Karina, morreu no sábado (12/6), em Paris, aos 76 anos. “Ele vai reencontrar Anna Karina”, que faleceu em 2019, declarou seu agente ao informar à imprensa. Nascido nos Estados Unidos, Dennis Berry era filho do também diretor de cinema John Berry (“Fúria de Conflitos”), que se mudou com a família para Paris nos anos 1950, para filmar diversos filmes. Dennis cresceu falando francês fluentemente e fez sua estreia no cinema como ator em “A Colecionadora” (1967), um clássico de Éric Rohmer. Sua carreira de intérprete não foi muito longe, mas incluiu participações em mais três clássicos, “Amor Louco” (1969), marco da nouvelle vague dirigido por Jacques Rivette, “Borsalino” (1970), de Jacques Deray, e “Promessa ao Amanhecer” (1970), de Jules Dassin. Em 1972, casou-se com Jean Seberg, que como ele era uma americana em Paris. Seberg se tornou a grande musa da nouvelle vague ao estrelar o mítico “Acossado” de Jean-Luc Godard em 1960 e, após seu casamento, tornou-se a primeira estrela de um filme dirigido por Denis, “Le Grand Délire”, em 1975. O casal já estava separado quando a atriz morreu em Paris em 1979. Em 1982, Berry se casou com outra estrela da nouvelle vague, a dinamarquesa Anna Karina, que também trabalhou com Godard – não em um, mas em vários filmes, incluindo “Viver a Vida” (1962), “Bando à Parte” (1964) e “O Demônio das Onze Horas” (1965). Eles trabalharam juntos pela primeira vez no último filme de Berry como ator, “Ave Maria”, em 1984, e ele a dirigiu em seu segundo longa como diretor, “Last Song”, em 1987. Nos anos 1990, passou a dirigir várias séries e telefilmes, incluindo atrações americanas como “Stargate SG-1” e “Highlander: A Série”, só voltando ao cinema em 2001 com “Laguna”, filme que lançou a carreira do astro inglês Henry Cavill (o Superman de “Liga da Justiça”). Um de seus últimos trabalhos foi um documentário sobre a esposa, “Anna Karina, Souviens-toi”, lançado em 2017, antes de encerrar a carreira com o drama “Selvagens” um ano depois.
Julio Calasso (1941-2021)
O cineasta, ator e produtor musical Julio Calasso morreu na sexta-feira (11/6), aos 80 anos. A informação foi confirmada pela família, mas a causa da morte não foi divulgada. O artista paulistano trocou o curso de Filosofia pelos Teatros Oficina e Arena em 1964. Mas já no ano seguinte se encantou pelo cinema, iniciando a carreira como assistente de Geraldo Sarno no emblemático documentário “Viramundo”. Ele passou três anos trabalhando em produção, roteiro e edição na antiga TV Excelsior, de onde saiu para se tornar assistente de produção do clássico “O Bandido da Luz Vermelha”, de Rogério Sganzerla, marco do cinema marginal, no qual também estreou como ator. Seu passo seguinte foi escrever, produzir e dirigir seu próprio filme, “Longo Caminho da Morte”, em 1972. O longa narrava a vida e morte do Coronel Orestes (Othon Bastos), fazendeiro de café decadente, e antecipava temas como sustentabilidade, a falência da política e da vida no planeta. Foi selecionado para os festivais de Locarno e Nova Deli, mas acabou proibido de participar pela censura federal. A ditadura impediu que Calasso fosse mais apreciado, impactando sua carreira. Desencantado, ele abandonou a direção e até mesmo o cinema, virando produtor artístico de grupos musicais como Joelho de Porco, Novos Baianos, Sindicato e da carreira solo de Moraes Moreira. Até o dia em que recebeu convite para um pequeno papel em “O Vampiro da Cinemateca” (1977), de Jairo Ferreira. Voltou a ser convidado a atuar em “O Baiano Fantasma” (1984), de Denoy Oliveira, “Filme Demência” (1986), de Carlos Reinchenbach, “A Dama do Cine Shanghai” (1987), de Guilherme de Almeida Prado, e quando reparou já tinha virado ator de várias obras, com muitas outras pela frente. Paralelamente, o amor à sétima arte o levou a se tornar idealizador de mostras alternativas e itinerantes, como Cinema Bandido, Cinema de Invenção, Cinema Negro e Cine Teatro Brasil. Entre 1998 e 2007, finalmente voltou a pegar a câmera para começar a filmar imagens de espetáculos teatrais ousados, que resultaram em três documentários licenciados para a Sesc TV. Essa iniciativa foi a semente de sua volta à direção de cinema, com a obra “Plínio Marcos – Nas Quebradas do Mundaréu”, documentário lançado em 2015 com a participação de Neville d’Almeida e Tônia Carrero. Nos últimos anos, Colasso tinha sido descoberto pelas séries, integrando o elenco de “Unidade Básica” e “Me Chama de Bruna” (ambas em 2016). Entre seus últimos trabalhos, destacam-se ainda o filme “Estamos Juntos” (2011), de Toni Venturi, e a comédia “Fala Sério, Mãe!” (2017), de Pedro Vasconcelos, com a qual se despediu das telas.
Claudia Barrett (1929–2021)
A atriz Claudia Barrett, que ficou conhecida ao ser carregada por um alienígena com roupa de gorila no famoso trash “O Robô Alienígena”, morreu em 30 de abril de causas naturais aos 91 anos, em sua casa em Palm Desert. A notícia foi publicada por sua família na quarta-feira (9/6). A cena de Barrett carregada nos braços do extraterrestre peludo com capacete de mergulho (seu “traje” espacial) tornou-se icônica ao ilustrar incontáveis listas de piores filmes de todos os tempos. Interpretado pelo dublê George Barrows, o monstro meio robô chamava-se Ro-Man e entrou para a cultura pop como uma das invenções mais ridículas da ficção científica dos anos 1950. Nascida Imagene Williams em West Los Angeles, Barrett estudou atuação, dança e canto quando criança, porque sua mãe esperava que isso a ajudasse a superar a timidez. Depois de vencer um concurso de beleza local, mudou seu nome para Claudia Barrett, conseguiu um agente e assinou com a Warner Bros. Ela foi uma dos últimas atrizes da era do “sistema de estúdio”, e assim que foi contratada voltou a estudar atuação, dança, canto, dicção e modelagem na Warner, trabalhando por 15 anos consecutivos sob contrato. Ela apareceu principalmente em faroestes na TV e no cinema. Entre seus créditos estão três bangue-bangues estrelados por Allan Lane entre 1950 e 1953 e séries como “Hopalong Cassidy”, “Cisco Kid”, “O Cavaleiro Solitário” (The Lone Ranger) e “Roy Rogers”, entre outras. Mas a fama só veio mesmo quando ela foi escalada como Alice, filha da última família sobrevivente no mundo pós-apocalíptico de “O Robô Alienígena” (Robot Monster). Versão alienígena de “King Kong”, a trama seguia uma criatura semelhante a um macaco cujas instruções para eliminar a raça humana são questionadas quando ele se apaixona pela adorável Alice de Barrett. O filme foi rodado em preto e branco, mas em 3-D, em um canyon de Los Angeles durante quatro dias, com um orçamento de meros US$ 16 mil. E poderia ter sido facilmente esquecido se não tivesse se tornado célebre por sua ruindade. Na sua própria época de lançamento, as críticas foram tão negativas que seu jovem diretor teria tentado o suicídio (“Eu finalmente percebi que meu futuro na indústria cinematográfica era sombrio”, escreveu Phil Tucker em uma nota que entrou para as lendas de Hollywood). A ironia é que o tempo transformou “O Robô Alienígena” em cult de tão ruim, ganhando elogios por divertir com sua precariedade hilária. Graças a isso, tornou-se icônico e até influente, inspirando paródias em séries, desenhos animados dos Looney Tunes e em clipes de rock – o hit “You Might Think”, da banda The Cars. Embora tenha continuado a carreira com participações em séries e filmes por mais uma década – ela parou de atuar em 1963, com o western “Império da Vingança” – Barrett só é lembrada pelos fãs por seu papel no clássico cult. Por conta disso, costumava receber inúmeras cartas e convites para participar de convenções. “Embora adorasse atuar, em meados dos anos 1960 ela percebeu que sua carreira não estava avançando, então mudou para empregos paralelos na distribuição de filmes, publicidade e relações públicas”, de acordo com o obituário escrito por sua família nas redes sociais. Até que em 1981 ela encontrou “o emprego dos seus sonhos” na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Barrett trabalhou na divisão que produzia os prêmios de avanços científicos e técnicos, e participou da premiação do Oscar todos os anos desde então.
Ernie Lively (1947–2021)
O veterano ator Ernie Lively, pai da atriz Blake Lively (“Um Pequeno Favor”), que apareceu em mais de 100 filmes e séries, morreu na quinta passada (2/6) em Los Angeles, aos 74 anos, de complicação cardíacas. Ele começou a carreira em 1975, ao aparecer num episódio de “Os Waltons”, e quatro anos depois conseguiu seu primeiro papel recorrente, na série “Os Gatões” (The Dukes of Hazzard). Foram décadas de pequenos papéis em “Fama”, “Ilha da Fantasia”, “Chumbo Grosso” (Hill Street Blues), “Falcon Crest”, “Assassinato por Escrito” (Murder, She Wrote), “The West Wing”, “Seinfeld”, “Arquivo X”, “That ’70s Show” e até mesmo “Zack & Cody: Gêmeos em Ação”, entre muitas outras atração. No cinema, os primeiros papéis foram ainda menores, quase sempre como guarda, xerife ou policial em filmes como “Admiradora Secreta” (1985), “Difícil de Matar” (1990), “Massacre no Bairro Japonês” (1991), “Sonâmbulos” (1992), “Passageiro 57” (1992), “Misteriosa Paixão (1998) etc. Mas com o passar dos anos seu tempo de tela foi aumentando. Um de seus desempenhos mais lembrados foi justamente como pai de sua filha real, Blake Lively, nos dois filmes da saga “Quatro Amigas e um Jeans Viajante”, em 2005 e 2008. Ironicamente, seu último filme foi o primeiro em que pôde viver o protagonista, o terror “Phobic”, lançado no ano passado em VOD nos EUA. Lively também deu aulas de atuação e se tornou o mentor de vários astros famosos, como Alyson Hannigan, Brittany Murphy, Scott Grimes, seus filhos Blake e Eric Likely e os enteados Lori, Jason e Robyn Lively. Todos os seus cinco filhos se tornaram atores, e ele também era sogro de Ryan Reynolds.
Erin O’Brien (1934-2021)
A cantora e atriz Erin O’Brien morreu em 20 de maio de causas naturais em sua casa em Seattle, aos 87 anos. O’Brien teve uma carreira de sucesso nos anos 1950, aparecendo seguidamente em programas da TV americana. Sua carreira televisiva começou no programa de calouros “Talent Scouts” (o “American Idol” da época) em 1956. Um dia após vencer a competição, o apresentador Steve Allen a levou para se apresentar no “Steve Allen Show” (precursor do “The Tonight Show”) e lhe ofereceu um contrato ao vivo, para cantar por um ano na televisão. Ela aceitou e também assinou com o empresário do músico Liberace, Seymour Heller, para cuidar de sua carreira. Com isso, apareceu várias vezes no “The Liberace Show”, além de fechar um acordo para virar estrela convidada das séries da Warner. Seus primeiros papéis como atriz vieram em séries de western, como “Colt 45”, “Maverick”, “Cheyenne”, “Bat Masterson” e “Laramie”. Ela também participou do piloto da série criminal “77 Sunset Strip”, como a testemunha de um assassinato. Paralelamente, chegou ao cinema, coadjuvando em quatro filmes: a comédia leve “Mau Tempo pela Proa” (1958), em que viveu a namorada universitária de Andy Griffith, o suspense “Uma Vida em Perigo” (1958), a aventura “Ainda Não Comecei a Lutar” (1959) e o thriller de espionagem “Flint: Perigo Supremo” (1966), que marcou sua despedida precoce das telas.
John Sacret Young (1946-2021)
O roteirista John Sacret Young, que co-criou o drama médico de guerra “China Beach”, morreu na quinta-feira em Los Angeles, aos 75 anos, após uma batalha de 10 meses contra um câncer no cérebro. Seu primeiro trabalho como roteirista foi “Chandler”, um filme policial de 1971 estrelado por Warren Oates. Mas ele logo passou para a televisão, trabalhando como pesquisador e roteirista de “Os Novos Centuriões” (Police Story), um dos grandes sucessos da década de 1970 na rede CBS. Sua primeira criação foi a minissérie de guerra “Emboscada Fatal” (1980), sobre um oficial desiludido com a Guerra do Vietnã. O tema acabou revisitado em sua atração mais celebrada, “China Beach”, que narrava o horror da guerra pelos olhos de uma enfermeira do Exército (Dana Delany) e seus colegas em um hospital de campanha. “China Beach” durou quatro temporadas, entre 1988 e 1991, e três delas concorreram ao Emmy de Melhor Série de Drama. Young ainda venceu o WGA Awards, prêmio do Sindicato dos Roteiristas, por escrever um episódio de 1990 (“Souvenirs”), que ele também dirigiu. Enquanto estava em “China Beach”, ele se tornou mentor de jovens roteiristas que acabaram tendo carreiras brilhantes e até hoje agradecem a experiência de ter começado suas trajetórias tendo Young como chefe e orientador. “John era meu mentor e meu amigo. Ele foi um escritor excepcionalmente talentoso que foi generoso com seu tempo, atencioso, extremamente engraçado, paciente e durão”, disse John Wells em um comunicado, sobre a morte do antigo chefe. “Ele se preocupava profundamente com a escrita, com as palavras e com o artesanato. Ele tinha um padrão elevado e esperava que você o ultrapassasse. Ele deu uma chance a um escritor jovem e inexperiente, e eu serei eternamente grato por essa chance. ” John Wells fez mais que agradecer. Ele convidou seu velho mentor a participar da produção de “West Wing”, que ele criou em 1999. Young se tornou consultor da atração política em 2003, e a partir do ano seguinte virou produtor executivo e ainda escreveu quatro episódios – um deles novamente indicado ao WGA Awards. Young também escreveu episódios da subestimada mas pioneira série sci-fi “VR.5” (1995–1997), sobre tecnologia virtual, além dos roteiros do filme indicado ao Oscar “O Testamento” (1983) e da cinebiografia “Romero” (1989), em que Raul Julia viveu um arcebispo salvadorenho, sem contar inúmeros telefilmes. Seu trabalho televisivo mais recente foi como roteirista e co-produtor executivo de “Amigas para Sempre” (Firefly Lane), série lançada neste ano pela Netflix. Ele também assinou vários livros – o último deles, sobre sua experiência em Hollywood, ainda está inédito e só será publicado em 2022 – , ensinou a arte e o ofício da escrita em várias faculdades de prestígio, de Princeton à USC, e participou dos comitês do Humanitas Prize e da Writers Guild Foundation, a fundação do Sindicato dos Roteiristas.
Clarence Williams III (1939–2021)
O ator Clarence Williams III, que ficou conhecido como o policial infiltrado Lincoln Hayes na série clássica “Mod Squad”, morreu na sexta-feira (4/6) em Los Angeles de câncer de cólon, aos 81 anos. Clarence Williams é identificado com o número III por ter o mesmo nome do pai e do avô, ambos músicos profissionais. O vovô e primeiro Clarence Williams era pianista da lenda do blues Bessie Smith. E sua avó era a cantora de blues Eva Taylor. Ele já tinha feito um filme, “The Cool World” (1963), e sido reconhecido por seu talento como ator de teatro com uma indicação ao Tony (o Oscar do teatro) em 1965, anos antes de ser escalado em “Mod Squad”. Mesmo assim, os produtores não sabiam de seu currículo quando ele foi contratado. A história de como Williams foi parar na série é surpreendente. Corre a lenda – e contam como verdade – que Clarence estava desesperado por trabalho quando conseguiu um bico para fazer uma pequena participação numa série do produtor Aaron Spelling, como motorista de fuga numa cena de assalto. Mas na hora das gravações, ele saiu em disparada e colidiu o carro direto num poste. Preocupado, Spelling correu para ver se o ator estava bem. “Eu pensei que todo mundo estava morto”, contou o produtor para o Archive of American Television. “Todos nós corremos. Eu disse: ‘Clarence, Clarence, o que aconteceu?’ Ele respondeu: ‘Nunca dirigi antes’. Eu perguntei: ‘Por que você não me contou isso?’. Ele disse: ‘Porque eu queria o emprego’. Eu o contratei naquela mesma hora para o ‘Mod Squad’.” Criada por Bud Ruskin, ele próprio um ex-agente infiltrado da Polícia de Los Angeles, “Mod Squad” virou um fenômeno pop. Mesmo com protagonistas supostamente caretas, a série se tornou imensamente popular entre o público jovem por retratar em seus episódios o rock, a moda e as grandes questões da época, como racismo, protestos contra a guerra do Vietnã e a explosão do consumo de drogas. O personagem de Linc era um ativista com cabelo afro, que tinha sido preso durante os célebres protestos raciais no bairro de Watts, em Los Angeles. Ele é reunido com outros dois jovens problemáticos, vividos por Peggy Lipton e Michael Cole, que são recrutados para se infiltrar entre estudantes, hippies, gangues, festivais de música e movimentos sociais para prender traficantes e outros criminosos. Lançada em 1968, antes de Woodstock, a série durou cinco temporadas, até 1973, e transformou Peggy Lipton num dos maiores símbolos sexuais – e da moda – do período. De fato, a atração só foi cancelada porque o elenco decidiu não renovar seus contratos. Mesmo assim, o trio original retornou para um telefilme de reencontro, em 1979. Williams fez algumas participações em séries depois de “Mod Squad”, inclusive como um agente do FBI em “Twin Peaks”, mas seus principais trabalhos a partir dos anos 1980 foram no cinema. Ele marcou época como o pai problemático de Prince em “Purple Rain” (1984) e o pai viciado em drogas de Wesley Snipes em “Inferno Branco” (1993). E ainda se valeu dos conhecimentos musicais de sua família para viver a lenda do jazz Jelly Roll Morton em “A Lenda do Pianista do Mar” (1998), de Giuseppe Tornatore. Além disso, trabalhou regularmente com o diretor John Frankenheimer, numa parceria que incluiu “Nenhum Passo em Falso” (1986), “A Filha do General” (1999), “Jogo Duro” (2000) e dois telefilmes. Apesar de ter uma carreira marcada por papéis dramáticos, Williams também soube aproveitar sua intensidade característica para fazer comédia, interpretando um ex-líder revolucionário na paródia de blaxploitation de Keenen Ivory Wayans, “Vou Te Pegar Otário” (1988), e um traficante de drogas maníaco na hilária comédia “Pra Lá de Bagdá” (1998), estrelada por Dave Chappelle. Seus últimos trabalhos foram parcerias com o cineasta Lee Daniels, com participações no filme “O Mordomo da Casa Branca” (2013) e na série “Empire” (em 2015). Williams foi casado com a atriz Gloria Foster (a Oráculo da franquia cinematográfica “Matrix”), de 1967 a 1984. Relembre abaixo a abertura de “Mod Squad”.
Camila Amado (1938-2021)
A atriz Camila Amado morreu neste domingo (6/6), aos 82 anos, vítima de um câncer. No ano passado, ela chegou a ser diagnosticada com covid-19, mas havia conseguido se recuperar da doença. Filha de Gilson Amado (fundador da TVE) e da educadora Henriette Amado (nascida em Londres e neta do governador da Paraíba Camilo de Holanda), Camila foi muito ativa no teatro e iniciou a carreira televisiva em 1969, na novela “Um Gosto Amargo de Festa”, da TV Tupi. A atriz também teve atuações de destaque em produções da Globo, como as séries “A Casa das Sete Mulheres” (2003), “Aline” (2008-2011), “Força-Tarefa” (2009-2011) e “Ligações Perigosas” (2016). Ela também participou das novelas “Pega Pega” (2017-2018) e “Éramos Seis” (2019), seu último trabalho na televisão. Além disso, construiu uma carreira robusta no cinema, iniciada em 1975 com “Quem Tem Medo de Lobisomem?”, de Reginaldo Faria, e “O Casamento”, de Arnaldo Jabor. Por este filme, ganhou o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante do Festival de Gramado. Sua filmografia, que se estende por décadas e chega até dias recentes, inclui obras como “Parceiros da Aventura” (1980), de José Medeiros, “As Meninas” (1995), de Emiliano Ribeiro, “Amélia” (2000), de Ana Carolina, “Copacabana” (2001), de Carla Camurati, “Carreiras” (2005), de Domingos de Oliveira, “Os Desafinados” (2008), de Walter Lima Jr., “O Abismo Prateado” (2011), de Karim Aïnouz, “A Novela das 8” (2011), de Odilon Rocha, “Pequeno Dicionário Amoroso 2” (2015), de Sandra Werneck e Mauro Farias, “Redemoinho” (2016), de José Luiz Villamarim, e “Chacrinha: O Velho Guerreiro” (2018), de Andrucha Waddington. Ela também filmou “Cinzento e Negro”, de Luís Filipe Rocha, um dos filmes portugueses mais premiados de 2017, que lhe rendeu uma indicação ao troféu da Academia Portuguesa de Cinema. Camila Amado foi casada com o jornalista Carlos Eduardo Martins (falecido em 1968), com quem teve dois filhos, e com o ator Stepan Nercessian durante 14 anos.












