Wendell Burton (1947 – 2017)
Morreu Wendell Burton, que estreou no cinema como par romântico de Liza Minnelli no clássico “Os Anos Verdes” (1969). Ele faleceu de câncer no cérebro na terça-feira (29/5), em sua casa em Houston, no Texas, aos 69 anos de idade. Burton tinha só 21 anos quando foi escalado em “Os Anos Verdes”, uma história de amor juvenil dirigida por Alan J. Pakula, que marcou o segundo papel cinematográfico de Liza Minnelli, então com 20 anos. Ela vivia uma universitária inquieta, ele era um universitário introvertido, e na trama os opostos acabavam se atraindo de forma romântica, mas também trágica. O filme acabou indicado para dois Oscars: Melhor Canção e Melhor Atriz para a jovem Liza. “Então”, diz a biografia do site oficial de Burton, “imaginando que estava evidentemente destinado a tornar-se rico e famoso, ele decidiu se mudar de vez para Hollywood, onde não conseguiu se tornar nem um nem outro, ao menos na medida em que imaginava. Embora, ao longo do caminho, tenha chegado a participar de vários filmes, telefilmes e episódios de séries”. Há quem diga que sua carreira tenha ficado marcada por seu segundo papel cinematográfico, como um presidiário que é estuprado e vira predador sexual no drama “Sob o Teto do Demônio” (1971), considerado muito forte para a época. Seus maiores destaques posteriores foram na TV, onde integrou o elenco do telefilme “Pergunte a Alice” (1974), adaptação de um best-seller juvenil que se tornou famoso como alerta para os perigos das drogas entre os adolescentes, e da minissérie de 1981 baseada no clássico literário “Vidas Amargas”, de John Steinbeck. Seu último filme foi “Encurralado em Las Vegas” (1986), com Burt Reynolds. Mas ele não abandonou a indústria do entretenimento, passando a vender anúncios para a TV a partir de 1988, até lançar um canal independente em Houston, em 1997. Também compôs e gravou músicas cristãs e relatou sua jornada de conversão espiritual num livro, publicado no ano passado. Ele deixa dois filhos: Haven Paschall, voz americana da personagem Serena na série animada “Pokémon”, e Adam Burton, que é músico.
Elena Verdugo (1925 – 2017)
Morreu a atriz Elena Verdugo, que teve uma prolífica carreira cinematográfica antes de se concentrar na TV e ser indicada ao Emmy por seu trabalho na série “Marcus Welby”. Ela faleceu na terça-feira (30/5) em Los Angeles, aos 92 anos. Elena Angela Verdugo debutou no cinema antes de debutar na vida real. Nascida e criada na Califórnia, numa família hispânica, ela conquistou seu primeiro papel aos 6 anos de idade, em 1931, e durante a adolescência encarou a rotina de aparecer em vários filmes por ano. Entre suas dezenas de produções da época, destacam-se muitos musicais, inclusive “Serenata Tropical” (1940) com Carmen Miranda, e clássicos de terror da Universal, que fez bom uso de seu sobrenome – Verdugo significa carrasco ou pessoa cruel – em “A Mansão de Frankenstein” (1944) e “The Frozen Ghost” (1945), ambos estrelados por Lon Chaney Jr. Mas ela também participou de aventuras populares, como “Jim das Selvas – A Tribo Perdida” (1949), “Cyrano de Bergerac” (1950) e “A Princesa de Damasco” (1952), antes de ir parar na TV, assumindo o papel principal da série “Meet Millie”, que durou quatro temporadas, entre 1952 e 1955. Verdugo integrou o elenco de várias outras séries de duração efêmera, até entrar em “Marcus Welby” em 1969. A produção era estrelada por Robert Young, ator conhecido do cinema noir, que já tinha em seu currículo uma atração televisiva de enorme sucesso, “Papai Sabe Tudo” (1954-1960). A trama acompanhava o cotidiano de seu personagem, o médico do título, um exemplo de doutor à moda antiga, atencioso e dedicado, que era capaz de tratar de tudo e com quem todo mundo queria se consultar. Verdugo interpretava sua enfermeira, Consuelo Lopez, e o elenco ainda incluía James Brolin como o médico assistente Dr. Steven Kiley. Sucesso retumbante, “Marcus Welby” se tornou a série médica mais popular de sua época, rendendo 170 episódios, exibidos ao longo de sete temporadas, entre 1969 e 1976. Além disso, venceu o Emmy de Melhor Série Dramática de 1970 e rendeu inúmeras indicações ao seu elenco. Verdugo foi lembrada por dois anos seguidos na categoria de Atriz Coadjuvante, em 1971 e 1972. Curiosamente, ela pensou em recusar o papel, quando os produtores lhe falaram que queriam uma empregada latina. “Eu disse: ‘Esquecam! Eu não vou interpretar uma empregada doméstica, que era o tipo de papel que os latinos recebiam na época”, ela contou em entrevista ao canal PBS. Sua personagem acabou sendo uma das primeiras latinas proeminentes da televisão norte-americana. Após o fim da série, a atriz ainda apareceu no telefilme “A Volta de Marcus Welby”, que reuniu o elenco original em 1984. Mas fez pouquíssima coisa mais. Ela se aposentou no ano seguinte.
Veja o último clipe de Kid Vinil, que ele não teve tempo de assistir
O cantor e radialista Kid Vinil estava gravando um novo disco com sua banda Magazine, quando faleceu subitamente em maio, após passar mal num show. Este trabalho também rendeu o último videoclipe da carreira do artista, que ele não teve tempo de ver finalizado. O vídeo acompanha a banda tocando “Segura a Água” em estúdio. A música combina a letra da popular marchinha de carnaval “Cachaça Não É Água” com a melodia do rock “Hold Back The Water”, do grupo canadense Bachman Turner Overdrive, um dos preferidos do cantor. A gravação foi produzida entre fevereiro e março, no estúdio Gaz, do guitarrista do Magazine, Fábio Gasparini. “Ele vinha muito feliz, radiante, alto astral e cheio de criatividade. Saiu à francesa, uma pena”, disse o baterista Trinkão sobre a morte de Kid Vinil, em 19 de maio. “Segura a Água” vai integrar o álbum inédito do Magazine, ainda sem previsão de lançamento.
Molly Peters (1942 – 2017)
Molly Peters, primeira bond girl a aparecer nua num dos filmes da franquia “007”, morreu na terça-feira (30/5). A atriz estava com 75 anos e a causa da morte não foi informada. Peters interpretou a enfermeira Patricia Fearing e contracenou com Sean Connery em “007 contra a Chantagem Atômica”(Thunderball), de 1965. A participação no filme de James Bond foi seu primeiro longa-metragem, após estrear num curta como modelo de nus artísticos. O diretor Terence Young a descobriu nesse trabalho, intitulado “Peter Studies Form” e lançado um ano antes, em 1964. Mas sua transformação em Bond girl veio acompanhada de muita controvérsia na época. Sua nudez quase levou a produção a ser restrita para maiores no Reino Unido e duas de suas cenas precisaram ser cortadas, por exigência do comitê britânico responsável pela classificação etária. Apesar do frisson em torno de sua presença em “007 contra a Chantagem Atômica”, a carreira da atriz não prosperou, limitando-se a mais três filmes nos anos 1960, sendo um deles para a TV alemã e todos em papéis muito pequenos. O último foi “Um Golpe das Arábias”, que Jerry Lewis filmou em Londres em 1968. De acordo com os extras do DVD de “007 contra a Chantagem Atômica”, lançado nos anos 1990, o fim da carreira de Peters como atriz se deveu a sérios desacordos entre ela e seu agente, mas os detalhes nunca foram conhecidos.
Jared Martin (1941 – 2017)
Morreu o ator Jared Martin, que fez sucesso como galã na série “Dallas”. Ele faleceu na quarta (24/5) em sua casa na Filadélfia, vítima de câncer, aos 75 anos. Martin era colega de Brian De Palma, com quem estudou na Universidade de Columbia, e fez sua estreia como ator no primeiro filme do cineasta, “Murder à la Mod” (1968). Ele também fez uma pequena participação em “Festa de Casamento” (1969), que marcou a estreia de Robert De Niro, e na sci-fi clássica “Westworld – Onde Ninguém Tem Alma” (1973), inspiração da atual série da HBO. Mas sua carreira acabou voltada para a TV, onde participou de diversas séries clássicas, com destaque para a produção sci-fi “Viagem Fantástica” (1977), passada no triângulo das Bermudas, na qual tinha um dos papéis principais, e “Dallas”. Ele entrou na 3ª temporada da série dos magnatas do petróleo como o cowboy de rodeio Dusty Farlow, filho adotivo de um dos inimigos da família Ewing, que se torna interesse romântico de Sue Ellen Ewing (Linda Gray). Os planos originais previam uma participação em três episódios em 1979, antes que o personagem morresse num acidente de avião. Mas o desempenho de Martin fez tanto sucesso que os fãs pressionaram os produtores a ressuscitarem seu personagem, o que acabou acontecendo após pesquisas e apostas sugerirem que ele poderia ter forjado sua morte para evitar a suspeita de ter sido o responsável pela tentativa de assassinato de J.R. (Larry Hagman), o marido de Sue Ellen. Diante da popularidade do personagem, os produtores quebraram a cabeça e encontraram uma maneira de fazê-lo retornar. “Meu agente disse: ‘Prepare-se, eles vão trazer você de volta'”, lembrou Martin, numa entrevista dos anos 1990. “Eu disse: ‘Como, eu estou morto’. Meu agente diz: “Oh, isso é Hollywood, eles vão pensar em algo”. No final, não foi Dusty Farlow quem atirou em J.R. Acontece que Dusty tinha sobrevivido, mas seus ferimentos o tornaram impotente, paralisado da cintura para baixo e confinado a uma cadeira de rodas. “Ele acaba recuperando a saúde com a ajuda de uma mulher extremamente bonita, que era algo que a América queria ver na época, não me pergunte por quê”, disse Martin. “Então eu deixei de ser um ator de participação episódica em diversas produções para me tornar parte da série mais bem-sucedida e fabulosa já conhecida pela humanidade.” Dusty faria uma recuperação milagrosa e até mesmo retornaria ao circuito do rodeio. Mas quando isso aconteceu, Sue Ellen decidiu voltar para J.R., encerrando a participação de Martin na série em 1985. Ele ainda apareceu num episódio de 1991, antes de se aposentar da atuação e passar a se dedicar à Big Picture Alliance, uma organização sem fins lucrativos que ele criou para ensinar crianças da periferia a fazer cinema. No ano passado, ele próprio fez sua estreia como diretor, filmando o longa “The Congressman”, estrelado por Treat Williams.
Lisa Spoonauer (1972 – 2017)
Morreu a atriz Lisa Spoonauer, que estrelou a cultuada comédia indie “O Balconista” (1994), filme de estreia do diretor Kevin Smith. Ela faleceu no domingo (21/5), aos 44 anos, em sua casa no estado americano do Mississippi, mas a causa da morte não foi divulgada. Kevin Smith lembrou em seu Instagram como conheceu Lisa, durante uma aula de atuação em que ela era “facilmente a voz mais natural e autêntica da sala”. “Não parecia que ela estava atuando”, ele escreveu. “Cativado, eu me aproximei de Lisa no estacionamento depois da aula e disse: ‘Isso vai soar assustador, mas você quer atuar em um filme?’ Sem medo, ela respondeu: ‘Não, se for pornô’. Eu expliquei o que era, entreguei o roteiro e ela me ligou dias depois: ‘Não é pornô, mas as pessoas falam como se fosse. É engraçado. Quero fazer’, disse ela”. O papel de Lisa foi o de Caitlin Bree, uma ex-namorada do protagonista Dante (Brian O’Halloran), que tem uma das cenas mais famosas do filme, na qual faz sexo com um cadáver no banheiro da loja de conveniência. Além de ser o primeiro filme de Kevin Smith, foi também um dos mais premiados da carreira do diretor, inclusive nos festivais de Sundance e Cannes. Depois de “O Balconista”, a personagem de Lisa Spoonauer ainda foi mencionada num diálogo de “Procura-se Amy” (1997), passado no mesmo universo de Nova Jersey, e seria a presidente dos Estados Unidos no filme de Superman que Smith escreveu, mas nunca foi filmado. Lisa Spoonauer ainda dublou Caitlin Bree num episódio da série animada “Clerks” (2000-2001), baseada em “O Balconista”, que durou apenas seis episódios. E só fez outro trabalho como atriz na carreira, na comédia indie “Bartender” (1997), de Gabe Torres. Na vida real, ela era namorada do ator Jeff Anderson, intérprete de Randall em “O Balconista”, que a pediu em noivado durante as filmagens, em pleno cenário da produção. O casamento dos dois durou somente um ano. E, após se casar pela segunda vez, ela se mudou com o marido para Jackson, no Mississippi, onde se tornou gerente de restaurante.
De Sean Connery a Daniel Craig, intérpretes de 007 homenageiam Roger Moore nas redes sociais
Os antigos e o atual intérprete de James Bond usaram as redes sociais para prestar homenagens a Roger Moore, falecido na terça-feira (23/5). Sean Connery, primeiro intérprete do espião, a quem Moore substituiu na franquia, escreveu em seu Twitter: “Minhas condolências à família de Roger Moore. Um grande homem e encantador cidadão do mundo. Sentirei sua falta”. Timothy Dalton, que foi o substituto imediato de Moore nos anos 1980, também usou seu Twitter para homenagear o ator. “Minhas condolências para a família Moore com a partida do grande Roger Moore”, escreveu ele. Pierce Brosnan usou sua página no Instagram para dizer que estava de coração partido com a morte o ator. “Você foi um magnífico James Bond. O mundo sentirá fata de você e de seu senso de humor único”, escreveu. Por fim, Daniel Craig se manifestou na página oficial de James Bond no Twitter. “Ninguém foi melhor do que ele. Com amor, Daniel.” Além dos quatro, George Lazenby também viveu James Bond, em um único filme de 1969, enquanto outros atores, como David Niven e Peter Sellers, interpretaram o personagem fora da franquia oficial.
Dina Merrill (1923 – 2017)
A atriz e empresária Dina Merrill, que estrelou clássicos como “Anáguas a Bordo” e “Disque Butterfield 8”, morreu em sua casa na segunda-feira (22/5), aos 93 anos. Seu verdadeiro nome era Nedenia Marjorie Hutton e ela era a única herdeira da fortuna de seus pais, o investidor de Wall Street Edward Francis “E.F.” Hutton e a socialite Marjorie Merriweather Post, que também herdou milhões da fábrica de cereais de sua família. Como se não bastasse, em 1946 ela se casou com Stanley M. Rumbough Jr., herdeiro da Colgate-Palmolive, e ficou com metade dos bens no divórcio, após 20 anos e três filhos. Apesar de bem-nascida e rica, ela não queria ficar sem trabalhar e enfrentou a ira da família para começar a atuar. A rebeldia da jovem logo se tornou uma carreira. Ela participou de diversas peças da Broadway, e antes que sua família pudesse dizer algo, começou a passar mais tempo em Hollywood que em sua casa, em Nova York. Fez mais de 25 filmes, conseguindo destaque em comédias famosas, como “A Canoa Furou” (1959), com Jerry Lewis, e “Anáguas a Bordo” (1959), com Cary Grant, antes de revelar seu talento dramático em “Disque Butterfield 8” (1960), ao lado de Elizabeth Taylor, e “Juventude Selvagem” (1961), com Burt Lancaster. Mesmo com essa variedade de projetos, nunca conseguiu evitar o esterótipo de garota – e, posteriormente, mulher – rica, vivendo reflexos de sua persona na maioria dos filmes e séries em que atuou. O fato de ser praticamente uma princesinha americana levou as colunas de celebridades a chamá-la de nova Grace Kelly, após a loira dos filmes de Hitchcock abandonar a carreira para virar Princesa de Mônaco. E, aos poucos, ela foi alinhavando uma carreira digna de Grace Kelly, trabalhando com diretores de prestígio, como Blake Edwards (“Anáguas a Bordo”), John Frankenheimer (“Juventude Selvagem”) e Vincente Minnelli (“Papai Precisa Casar”). O problema é que, no fundo, Dina não levava a carreira de atriz a sério. Tinha os negócios para tocar e outros interesses. E assim foi redirecionando sua vontade de atuar para a televisão, onde apareceu em mais de 100 episódios de séries clássicas, em participações que não lhe cobravam maior comprometimento. Ela até enfrentou Batman em 1968, como Calamity Jan, ajudante do vilão cowboy Shame, vivido por Cliff Robertson, que se tornou seu segundo marido. Aparecendo cada vez menos no cinema, ela passou a escolher filmes inesperados, e acabou coadjuvando em dois clássicos de Robert Altman, “Cerimônia de Casamento” (1978) e “O Jogador” (1992). Também atuou na comédia cultuada “Diga-me o que Você Quer” (1980), de Sidney Lumet, e no drama político “A Um Passo do Poder” (1991), de Herbert Ross. A partir daí, seus principais trabalhos no cinema foram atrás da câmera. Com seu terceiro marido, o empresário Ted Hartley, ela comprou o antigo estúdio RKO e o relançou como RKO Pictures em 1991. Virou produtora, mas não emplacou muitos sucessos. Seu principal lançamento foi uma coprodução da Disney, “Poderoso Joe” (1998), estrelado por Charlize Theron, no qual também fez uma pequena participação. Como o negócio não deu certo, ela redirecionou a empresa para produzir espetáculos musicais. E aí conseguiu até prêmios, com “Gypsy” (2008) na Broadway e “Top Hat” (2012) no West End londrino. Paralelamente, passou a se dedicar à filantropia, apoiando entidades beneficentes. Quando seu filho David foi diagnosticado com diabetes, Merrill fundou a Fundação de Diabetes Juvenil, dedicada à pesquisa para a cura da doença. Ela serviu como Embaixadora Internacional para ORBIS International, uma ONG dedicada a tratar de doenças oculares ao redor do mundo. E foi fundadora da Coalizão Pro-Choice, de defesa do direito do aborto nos Estados Unidos. Além disso, fazia parte das diretorias de várias organizações artísticas importantes, como o John F. Kennedy Center for the Performing Arts e o Eugene O’Neill Theater Center.
Roger Moore (1927 – 2017)
O ator britânico Roger Moore, famoso por interpretar o agente secreto James Bond em sete filmes, morreu nesta terça-feira (23/5), aos 89 anos. Segundo a família, Moore faleceu na Suíça, “após uma brava luta contra o câncer”. “Obrigado, papai, por ter sido você, e por ter sido tão especial para tanta gente. Com o coração pesado, compartilhamos a péssima notícia de que nosso pai, Sir Roger Moore, morreu nesta terça-feira. Estamos devastados”, disseram os três filhos do ator, em comunicado publicado no Twitter. Moore atuou em dezenas de filmes ao longo de mais de 70 anos de carreira na TV e no cinema, mas será sempre lembrado como o ator que melhor substituiu Sean Connery no papel de James Bond — ele foi o terceiro intérprete do agente secreto no cinema. Sua filmografia começou quando ele tinha apenas 18 anos, como um legionário romano no filme “César e Cleópatra” de 1945, estrelado por Claude Rains e Vivien Leigh. E após meia dúzia de outras figurações, ele conseguiu passar num teste da RADA (Academia Real de Artes Dramáticas) para estudar como virar um ator profissional. Entre as aulas, conheceu sua primeira esposa. Mas a convocação para o serviço militar interrompeu provisoriamente seus planos. Depois de três anos no exército, Moore tentou retomar a carreira, mas só conseguiu novas figurações e trabalho como modelo fotográfico de revistas de moda. Sem desistir, resolveu se mudar para Nova York em 1953 com a segunda esposa, a cantora Dorothy Squires, para tentar a sorte na televisão americana. E após três telefilmes, chamou atenção da MGM, que lhe deu seu primeiro contrato. Ironicamente, o ator inglês foi se destacar em Hollywood, antes de ser reconhecido em sua terra natal. Sua breve passagem americana incluiu papéis nos clássicos “A Última Vez que Vi Paris” (1954) e “Melodia Interrompida” (1955). Mas o que chamou mais atenção foi sua bem-sucedida carreira de herói da TV, a começar pelo papel de Ivanhoé na série homônima de 1958. Ele também teve um papel recorrente na série de western “Maverick”, aparecendo em 16 episódios como o primo britânico do personagem-título, vivido por James Garner. A popularidade crescente o levou de volta à Europa para desempenhar seu primeiro papel de protagonista, como Romulus, fundador de Roma no épico italiano “O Rapto das Sabinas” (1961). E finalmente o conduziu ao personagem que lhe permitiu explorar o charme cínico que marcaria sua carreira: Simon Templar, o ladrão herói da série britânica “O Santo”. Moore estrelou “O Santo” por mais de 100 episódios, entre 1962 e 1969, chamando atenção pelo carisma demonstrado na tela. Basicamente um Robin Hood moderno, o Santo era um ladrão britânico elegante, que roubava criminosos em nome de boas causas, daí seu apelido. Mas claro que ele também enriquecia e se divertia com as femme fatales enquanto ajudava os oprimidos. A série foi um fenômeno tão popular que conseguiu projeção internacional, algo ainda raro para as produções britânicas dos anos 1960. Seu final fez o ator ser disputado para vários projetos, mas ele preferiu protagonizar um filme, “O Homem Que Não Era” (1970), que lhe rendeu vários elogios. Entretanto, foi um novo papel televisivo que determinou seu futuro. Os produtores comemoraram quando ele topou viver o playboy aristocrata Lord Brett Sinclair em “Persuaders!”, contracenando com o americano Tony Curtis. A série era inspirada nos filmes leves de ação da época, envolvendo grandes golpes em tom de comédia. Na trama, ambos eram playboys, mas de temperamentos e origens diferentes. A motivação da dupla para solucionar crimes “que a polícia não conseguia resolver” era se divertir. O inegável atrativo dos dois astros parecia destinado a transformar a atração em outro sucesso. Mas “Persuaders!” teve apenas uma temporada, exibida entre 1971 e 1972. Porque, em 1973, Roger Moore virou James Bond. Os produtores da franquia 007 se viram em apuros quando Sean Connery desistiu de viver o espião pela segunda vez – após a primeira substituição, com George Lazenby, não ser bem-recebida pelos fãs, a ponto de implorarem para Connery retornar. A solução se mostrou óbvia quando o nome de Roger Moore entrou no páreo. Ele já era um protótipo de James Bond, como Simon Templar e como Brett Sinclair. E tudo o que precisaria para assumir o papel era dizer Bond, James Bond. Moore estreou como James Bond em “Com 007 Viva e Deixe Morrer” (1973), introduzido por uma música-tema inesquecível de Paul McCartney. Foram sete filmes como o espião britânico com licença para matar, até “007 – Na Mira dos Assassinos” (1985), desta vez com trilha do Duran Duran, para demonstrar como o mundo mudou desde que ele assumiu o papel. Sua interpretação moldou Bond, dando-lhe mais características de playboy e sedutor, além de uma leveza que deixou suas aventuras bem-humoradas. Os filmes ganharam títulos que refletiam essa mudança, como “007 – O Espião Que Me Amava” (1977), “007 – Somente Para Seus Olhos” (1981) e “007 Contra Octopussy” (1983). As Bond girls se tornaram cada vez mais sexy e importantes, ao mesmo tempo em que a ação foi se aproximando do ridículo, como em “007 Contra o Foguete da Morte” (1979), que teve cenas rodadas no Rio de Janeiro, com James Bond lutando contra o vilão Dentes de Aço no alto do bondinho do Pão de Açúcar, além da infame caminhada por uma lagoa infestada de jacarés, utilizando os bichos como “ponte”. Numa entrevista, ele explicou que sua abordagem mais cômica do personagem se devia ao fato de James Bond não ser um bom espião. “Você não pode ser um espião de verdade após fazer questão que todos saibam qual é seu nome e sua bebida favorita. Isso é apenas engraçado demais.” Apesar do tom leve, durante a filmagem de “Octopussy” na Índia, Moore teve sua visão de mundo mudada pelo contato com a miséria, e a partir daí resolveu usar sua popularidade para ajudar a combater a pobreza extrema. Por conta disso, tornou-se embaixador da Unicef, participando de eventos em todas as partes do mundo. Seu trabalho humanitário o levou a ser nomeado Cavaleiro do Império Britânico. James Bond foi seu personagem mais marcante, mas Moore precisou deixá-lo de lado aos 58 anos, quando passou a ser considerado velho demais para se insinuar para garotas de biquíni. Durante o período em que estrelou a franquia, também foi protagonista de filmes de ação, encabeçando produções de grande elenco, como “Selvagens Cães de Guerra” (1978), “Fuga para Athena” (1979) e “Resgate Suicida” (1980), além de ter feito uma bem-sucedida incursão pela comédia, com “Quem Não Corre, Voa” (1981), ao lado de Burt Reynolds. Entretanto, após deixar de viver 007, sua carreira estagnou. Até uma parceria com Michael Caine, a comédia “Ladrão de Ladrão” (1990), falhou em encantar. O que o levou a contracenar e ser dirigido por Jean-Claude Van Damme em “O Desafio Mortal” (1996). Depois disso, ainda fez uma aparição no musical “O Mundo das Spice Girls” (1997) e coadjuvou no besteirol americano “Cruzeiro das Loucas” (2002), que seus fãs preferem esquecer. Em 2016, Moore chegou a fazer uma participação no piloto de um revival de “O Santo”, que acabou não virando série. Por conta disso, seus últimos papéis foram como o personagem que mais marcou sua vida. Não James Bond, mas Roger Moore. Ele viveu a si mesmo em seus dois últimos filmes, ambos comédias: o francês “Incompatibles” (2013) e o britânico “The Carer” (2016). Em sua autobiografia de 2008, “My Word Is My Bond”, ele resumiu sua carreira como a arte de interpretar a si mesmo. “Passei a vida interpretando heróis porque parecia ser um”, escreveu. “Praticamente, todos os papéis que me ofereceram exigiam apenas que me parecesse comigo mesmo. Mas a verdade é que adoraria ter podido interpretar um verdadeiro vilão”.
Diretor do último filme de Nelson Xavier lamenta morte do ator
A morte de Nelson Xavier nesta quarta-feira (10/5), em decorrência de um câncer, rendeu muitas homenagens de amigos e fãs do artista. Érico Rassi, diretor de “Comeback”, último filme do ator, compartilhou seu pesar com detalhes sobre a rotina de filmagens ao lado de Xavier. “O Nelson dignificava a profissão de ator. Avesso a qualquer tipo de oba-oba, extremamente comprometido com o trabalho e sempre contribuindo artisticamente com sua visão de mundo e mais especificamente do Brasil na hora de compor seus personagens”, disse Érico. “No caso do ‘Comeback’ sua contribuição foi tão grande e tão precisa que o enxergo mais do que um ator, um co-autor do filme. Espero que de algum modo o lançamento do filme, tão próximo de sua morte, ajude a perpetuar e iluminar todo o restante de sua obra.” O filme estreia em duas semanas, no dia 25, e traz Nelson no papel de Amador, um matador de aluguel que decide abandonar a aposentadoria. O papel lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator no Festival do Rio no ano passado.
Michael Parks (1940 – 2017)
Morreu o ator americano Michael Parks, que era figura constante nos filmes do cineasta Quentin Tarantino. Ele faleceu nesta quarta-feira (10/5) aos 77 anos. Parks nasceu em abril de 1940, na Califórnia, e começou sua carreira no começo dos anos 1960, aparecendo nas séries “Os Intocáveis”, “Gunsmoke”, “Perry Mason” e “Rota 66”, entre outras. Ele estreou no cinema como um jovem rebelde em dois filmes cultuados de 1965, “Na Voragem do Amor” e “Vítima de um Pecado”, pelos quais chegou a ser comparado a James Dean. E até mesmo trabalhou com o diretor John Huston no clássico “A Bíblia” (1966), em que tinha o papel de Adão. Foi ainda um estudante de arte arrogante em “O Ídolo Caído” (1966) e um hippie em “Acontece Cada Coisa” (1967), antes da carreira cinematográfica estagnar. Voltando-se para a TV, acabou estrelando sua primeira série, “Then Came Bronson”, como o repórter desiludido Jim Bronson, que pega a estrada em sua Harley Davidson para se encontrar. A série durou apenas uma temporada, exibida entre 1969 e 1970, mas marcou o jovem Quentin Tarantino, que a descreveu como “a atuação mais naturalista que eu já vi em um programa de TV”. Na época do cancelamento, houve boatos de que uma disputa contratual com a Universal lhe rendeu a fama de ser um ator difícil, o que teria impedido sua carreira de deslanchar, sendo evitado pelos grandes estúdios. Mesmo assim, ele seguiu alternando participações em séries e filmes. Entre as curiosidades dessa filmografia intermediária, destacam-se dois longas de ação de Andrew V. McLaglen com grande elenco, “Missão: Assassinar Hitler” (1979) e “Resgate Suicida” (1980), o thriller “Tocaia no Deserto” (1988) em que fazia parceria com uma policial lésbica, vivida por Denise Crosby, e o terror “A Praia do Pesadelo” (1989), sobre um serial killer motoqueiro que atacava garotas de biquíni, com direção do lendário Umberto Lenzi (“Canibal Ferox”). Mas o renascimento de sua carreira aconteceu pela TV, como o principal antagonista da 2ª temporada de “Twin Peaks”, no papel de Jean Renault, um criminoso charmoso, envolvido em diversas falcatruas da série, que acabava morto pelo protagonista. Logo após este destaque, o diretor Robert Rodriguez o escalou em “Um Drink no Inferno” (1995), filme escrito e coestrelado por Quentin Tarantino, e ambos os cineastas se viram hipnotizados por sua performance como o policial Earl McGraw, à caça de criminosos em fuga, rumo a um desfecho de filme de terror sobrenatural. “Ele sempre foi considerado o ator que deveria substituir James Dean quando James Dean morreu, e seu naturalismo foi incrível de assistir”, chegou a dizer Rodriguez. Quentin Tarantino criou uma continuidade pouco comentada entre “Um Drink no Inferno” e “Kill Bill” (2003), ao escalar Parks no mesmo papel, nos dois volumes de seu thriller de lutas marciais. Além disso, Rodriguez e Tarantino utilizaram o personagem Earl McGraw para estabelecer um universo compartilhado entre seus filmes do projeto “Grindhouse” de 2007, “Planeta Terror” e “À Prova de Morte”. Parks foi, na prática, o responsável por conectar os diferentes filmes do universo cinematográfico de Tarantino. Ele ainda participou de “Django Livre” (2012), de Tarantino, seu segundo western indicado ao Oscar, após se destacar em “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford” (2007). Entre um e outro, encontrou outro fã cineasta, Kevin Smith, que o escalou como o líder homofóbico de uma seita religiosa, no polêmico thriller “Seita Mortal” (2011), e como um louco sádico, que transforma cirurgicamente um homem numa morsa, em “Tusk” (2014). Graças à sua interpretação em “Seita Mortal”, Parks ganhou o prêmio de melhor ator no Festival de Cinema Fantástico de Sitges, na Espanha, em 2011. Em um tributo no Instagram, Kevin Smith acrescentou: “Ele elevou qualquer filme ou programa de TV em que esteve e elevou cada diretor para quem atuou. Eu foi tão… abençoado por ter trabalhado com esse gênio de boa-fé”. Entre seus últimos trabalhos, incluem-se ainda o vencedor do Oscar “Argo” (2012), o elogiado terror canibal “Somos o Que Somos” (2013) e o thriller “Herança de Sangue” (2016), com Mel Gibson.
Nelson Xavier (1941 – 2017)
Grande ator brasileiro, Nelson Xavier morreu na madrugada desta quarta-feira (10/5) aos 75 anos, em Uberlândia, Minas Gerais. Ele vinha fazendo tratamento de um câncer em uma clínica na cidade e faleceu após o agravamento de uma doença pulmonar. Na ocasião do falecimento, estava acompanhado por amigos e familiares. Nelson Agostini Xavier nasceu em São Paulo, em 30 de agosto de 1941. Em mais de cinco décadas de carreira, marcou época na TV e no cinema, especialmente nos papéis de Lampião e Chico Xavier – que lhe renderam experiências quase transcendentais, conforme costumava dizer. Mas a carreira começou no teatro, ainda nos anos 1950. Ele participou do Teatro de Arena, um dos mais importantes grupos de artes cênicas de seu tempo, atuando em peças históricas, como “Eles Não Usam Black-Tie” (1958), de Gianfrancesco Guarnieri, “Chapetuba Futebol Clube” (1959), de Oduvaldo Vianna Filho, “Gente como a Gente” (1959), de Roberto Freire, e “Julgamento em Novo Sol” (1962), de Augusto Boal. Com o golpe militar de 1964, a ditadura passou a censurar o tipo de teatro político que ele desenvolvia. Isto o levou a buscar outras vias de expressão. Ao começar a fazer TV, chegou a acreditar que sua timidez não lhe permitiria sucesso. “Eu tive muita dificuldade em começar a fazer televisão. As máquinas eram enormes, eu tinha pavor, até tremia”, ele contou ao site Memória Globo. Sua primeira participação na Globo foi como o personagem Zorba, na novela “Sangue e Areia” (1967), de Janete Clair. Ao mesmo tempo, desenvolveu uma carreira prolífica no cinema. Fez mais de 20 filmes até o fim da ditadura, no começo dos anos 1980, entre eles os clássicos “Os Fuzis” (1964), de Ruy Guerra, “A Falecida” (1965), de Leon Hirszman, “O ABC do Amor” (1967), de Eduardo Coutinho, Rodolfo Kuhn e Helvio Soto, “É Simonal” (1970) e “A Culpa” (1972), de Domingos de Oliveira, “Vai Trabalhar Vagabundo” (1973), de Hugo Carvana, o blockbuster “Dona Flor e seus Dois Maridos” (1976), de Bruno Barreto, “A Queda” (1978), que co-escreveu e co-dirigiu com Ruy Guerra, vencendo um Urso de Prata no Festival de Berlim, e a versão cinematográfica de “Eles Não Usam Black-Tie” (1981). Nessa época, também foi jornalista. Com o diretor Eduardo Coutinho, trabalhou como revisor na revista Visão, onde passou a colaborar também como crítico de cinema e teatro. Seis anos após estrear na TV, conseguiu seu primeiro grande papel, em “João da Silva” (1973). Mas foi apenas em 1982 que sua carreira televisiva decolou, ao estrelar a primeira minissérie da Globo, “Lampião e Maria Bonita”, dirigida por Paulo Afonso Grisolli e baseada nos últimos seis meses de vida do mais lendário criminoso da história do Brasil, Virgulino Ferreira da Silva, e seu grande amor trágico. A adaptação reimaginava Lampião e Maria Bonita como Bonnie e Clyde tropicais. O desempenho brilhante o consagrou como o melhor intérprete do líder do cangaço já visto em qualquer tela, a figura definitiva de um personagem icônico, a ponto de levar o personagem ao cinema, estrelando logo em seguida a comédia “O Cangaceiro Trapalhão” (1983) com os Trapalhões. Nelson também participou das minisséries “Tenda dos Milagres” (1985) e “O Pagador de Promessas” (1988), textos famosos que já tinham sido levados ao cinema. E fez diversas novelas, entre elas “Sol de Verão” (1982), “Voltei pra Você” (1983), “Riacho Doce” (1990), “Pedra sobre Pedra” (1992), “Renascer” (1993), “Irmãos Coragem” (1995), “Anjo Mau” (1997), “Senhora do Destino” (2004) e “Babilônia” (2015). Seu prestígio o levou a trabalhar em produções de Hollywood, integrando os elencos de “Luar Sobre Parador” (1988), de Paul Mazursky, comédia sobre uma republiqueta de bananas, estrelada por Sonia Braga, Richard Dreyfuss e Raul Julia, e “Brincando nos Campos do Senhor” (1991), de Hector Babenco, drama passado na Amazônia, com Tom Berenger, John Lithgow, Daryl Hannah e Kathy Bates. Apesar da visibilidade conseguida na TV, as novelas invariavelmente o escalavam para viver coadjuvantes, ainda que marcantes. Por isso, nunca negligenciou o cinema, construindo uma filmografia eclética, que não parou de acrescentar filmes importantes, como “Lamarca” (1994), “O Testamento do Senhor Napumoceno” (1997), “Narradores de Javé” (2003) e “Sonhos Roubados” (2009). Na tela grande, alternou seus coadjuvantes com papéis de protagonista, que lhe renderam muitos prêmios e reconhecimento da crítica. Quando muitos já considerariam a aposentadoria, Nelson atingiu novos picos de popularidade ao estrelar “Chico Xavier” (2010), cinebiografia do médium mineiro dirigida por Daniel Filho. Fenômeno de bilheteria, o longa acabou se tornando o mais importante de sua carreira. “Finalmente fiz o meu maior papel. Fui invadido por uma onda de amor tão forte, tão intensa, que levava às lágrimas”, afirmou à imprensa na época do lançamento do filme. “Nenhum dos personagens que fiz mudou minha vida. O Chico fez uma revolução”. Assim como acontecera com Lampião, três décadas antes, o ator se tornou tão identificado com o papel que o retomou em outro filme, “As Mães de Chico Xavier” (2011). O reconhecimento da comunidade espírita lhe rendeu ainda participação em “O Filme dos Espíritos” (2011), enquanto a Globo tratou de escalá-lo como um guru na novela “Joia Rara” (2013). Muito ativo no fim da vida, Nelson voltou a trabalhar com um diretor estrangeiro em “Trash: A Esperança Vem do Lixo” (2014), filmado no Rio pelo inglês Stephen Daldry, e estrelou “A Despedida” (2014), de Marcelo Galvão, como amante de Juliana Paes. O desempenho dramático deste filme lhe rendeu o troféu de Melhor Ator no Festival de Gramado, além de prêmios internacionais. Ele ainda fez “A Floresta Que Se Move” (2015), o papel-título de “Rondon, o Desbravador” (2016) e “Comeback”, que estreia dia 25 nos cinemas brasileiros. Em seu último papel, viveu um matador que não consegue se aposentar. O nome do personagem é Amador. Mas Nelson foi um profissional como poucos. Tanto que foi premiado pelo desempenho derradeiro: Melhor Ator no Festival do Rio do ano passado. Melhor Ator até o último trabalho. O ator deixa a mulher, a também atriz Via Negromonte, e quatro filhos. Em seu Facebook, a filha Tereza fez a melhor definição da passagem do pai. “Ele virou um planeta. Estrela ele já era. Fez tudo o que quis, do jeito que quis e da sua melhor maneira possível, sempre”.
Mary Tsoni (1987 – 2017)
A atriz grega Mary Tsoni, que se tornou conhecida ao estrelar o cultuado drama “Dente Canino” (2009), foi encontrada morta no apartamento onde morava em Atenas. Ela tinha apenas 30 anos e a causa da morte só será revelada após a realização de uma autópsia, informaram as autoridades. Segundo a imprensa grega, ela sofria de depressão profunda. “Dente Canino” foi uma sensação no circuito dos festivais e recebeu indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. O sucesso projetou a carreira do diretor Yorgos Lanthimos, que neste ano voltou a disputar o Oscar, mas na categoria de Melhor Roteiro Original por “O Lagosta”, sua estreia na língua inglesa. O filme de 2009 contava a história bizarra de um pai que criou os três filhos como se fossem cachorros, vivendo enclausurados em sua casa, tendo apenas o quintal para brincar na periferia de uma cidade. A casa é isolada por uma alta cerca que os filhos nunca podem ultrapassar e que os mantém isolados do mundo externo. Mary Tsoni vivia a filha mais nova e recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Sarajevo. Em sua curta carreira, a atriz também estrelou dois filmes da franquia de zumbis “Evil” (To Kako) e mais dois longas, o pseudo-documentário “Atherapy” e o drama “The Fruit Trees of Athens” (Ta Oporofora tis Athinas), ambos em 2010 e todos inéditos no Brasil. Ela não filmava há sete anos.












