Lúcio Mauro (1927 – 2019)
O ator e comediante Lúcio Mauro, que estrelou diversos programas humorísticos da rede Globo, morreu na madrugada deste domingo (12/5) aos 92 anos, no Rio de Janeiro. Ele estava internado há cerca de dois meses na Clínica São Vicente, com problemas respiratórios. Lúcio Mauro era seu nome artístico. O artista nasceu em Belém do Pará, no dia 14 de março de 1927, batizado como Lúcio de Barros Barbalho. Ele começou a carreira no teatro e só foi estrear na televisão aos 33 anos, em 1960, com a inauguração da TV Rádio Clube de Pernambuco, onde fez seu primeiro programa de humor, “Beco sem Saída”, contracenando com José Santa Cruz no quadro “Jojoca e Zé das Mulheres”. Em 1963, Lúcio e sua esposa, a atriz Arlete Salles, mudaram-se para o Rio de Janeiro, indo trabalhar na TV Rio. De lá, ele foi para a TV Tupi, onde participou do “Grande Teatro Tupi”, foi jurado de calouros de Flávio Cavalcanti, dirigiu e atuou no programa “A, E, I, O… Urca!” e o infantil “Essa Gente Inocente”, além de estrelar, junto de Arlete Salles, o humorístico “I Love Lúcio”, uma paródia da sitcom americana “I Love Lucy”. Neste mesmo ano, Lúcio Mauro estreou no cinema ao lado de Arlete em “Terra sem Deus”, de José Carlos Burle. A experiência foi seguida pelas comédias “007 1/2 no Carnaval” (1966), uma paródia de James Bond com Costinha e Chacrinha, e “O Rei da Pilantragem” (1968), escrito por Carlos Imperial. Mas a carreira cinematográfica ficou de lado quanto a televisiva estourou, após estrear na Globo em 1966. Ele começou na emissora no humorístico “TV0–TV1”, ao lado de uma constelação de humoristas que marcaram época na televisão: Jô Soares, Agildo Ribeiro, Paulo Silvino e outros. Dois anos depois, Lúcio criou e dirigiu na Globo o humorístico “Balança Mas Não Cai” (1968), com releituras de quadros de sucesso da Rádio Nacional nos anos 1950. O formato da programa de esquetes com um grande elenco, que se alternava num mesmo cenário sem mudar o contexto das piadas, fez enorme sucesso e inspirou o humor brasileiro durante décadas. Foi nesse período, inclusive, que Lúcio emplacou sua criação mais famosa, o quadro “Fernandinho e Ofélia”, em que vivia um homem rico e sofisticado, constantemente constrangido pela burrice da esposa (Sônia Mamede), que cometia grandes gafes diante de convidados ilustres, apesar de repetir o bordão “Só abro a boca quando tenho certeza!”. Quando “Balança Mas Não Cai” foi para a TV Tupi, nos anos 1970, ele acompanhou os colegas do programa e deixou a Globo por um tempo. A época também marcou o fim de seu casamento com Arlete. Mas ele ficou pouco tempo solteiro, casando-se com Ray Luiza Araujo Barbalho em 1974. Menos tempo ainda passou longe da Globo, para onde voltou pelas mãos de Chico Anysio, um de seus maiores parceiros, vindo a integrar o elenco de todos os programas humorísticos do famoso criador – de “Chico City” (1973) a “Escolinha do Professor Raimundo” (1990). Ele criou personagens marcantes ao lado de Chico Anysio, como o diretor Da Julia, que trabalhava com o ator canastrão Alberto Roberto, e o aluno Aldemar Vigário, da “Escolinha do Professor Raimundo”. Puxador de saco do professor, Vigário contava contos épicos de supostos grandes feitos do mestre com o bordão “Quem? Quem? Raimundo Nonato!”. Nos anos 1980, Lúcio Mauro emplacou uma nova versão de “Balança Mas Não Cai” (1982) na Globo, e ajudou a conceber e dirigir “A Festa é Nossa” (1983), humorístico que tinha como cenário fixo a cobertura de Fernandinho e Ofélia. O ator também participou de “Chico Anysio Show” (1982) e “Os Trapalhões” (1989), revivendo a dupla Fernandinho e Ofélia com Nádia Maria, após a intérprete original ser diagnosticada com leucemia e se afastar da TV – Sônia Mamede veio a falecer em 1990. Mas Lúcio não fez apenas comédias. Em 1983, interpretou o médium Chico Xavier no “Caso Verdade Chico Xavier, um Infinito Amor”. E, em 1988, fez uma participação na minissérie “O Pagador de Promessas”, de Dias Gomes, como Dr. Quindim. A diversificação aumentou nos anos 1990, com um episódio de “Você Decide” (1992), a novelinha teen “Malhação” (1995), atuando como Dr. Palhares, pai do Mocotó (André Marques), e a novelinha infantil “Caça-Talentos” (1996), com Angélica. Em 1998, encarnou o bicheiro mafioso Neca do Abaeté na minissérie “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, e o advogado Nonato na segunda versão da novela “Pecado Capital”, atuou em um episódio de “Sai de Baixo” e participou da novela “Meu Bem Querer”. A partir de 1999, Lúcio Mauro retomou personagens em “Zorra Total”. Refez o quadro Fernandinho e Ofélia, desta vez com Claudia Rodrigues. E começou a contracenar com seu filho, o ator Lúcio Mauro Filho. Além disso, criou um novo personagem, Ataliba, um vovô surfista, revivendo com José Santa Cruz a parceria de sua estreia na TV em 1960. Nos últimos anos, dedicou-se a fazer mais participações em novelas – como “Paraíso Tropical” (2006), “A Favorita” (2008) e “Gabriela” (2012). E filmes. Embora sua filmografia comece nos anos 1960, foi só nos últimos anos que Lúcio realmente se dedicou ao cinema, atuando em “Redentor” (2004), de Claudio Torres, “Cleópatra” (2008), de Júlio Bressane, “Muita Calma Nessa Hora” (2010), de Felipe Joffily, e “Vai que Dá Certo” (2013), de Maurício Farias. Neste último, também contracenou com o filho. O humorista gostava de trabalhar com os filhos, tanto que estrelou a peça “Lúcio 80-30” (2008) com três deles, Lúcio Mauro Filho, Alexandre Barbalho e Luly Barbalho. E voltou a contracenar com dois deles em 2014, no penúltimo episódio de “A Grande Família”, como o pai de Luly, a irmã de Tuco, personagem de Lúcio Mauro Filho. Sua despedida das telas aconteceu em 2015, numa participação especial da releitura da “Escolinha do Professor Raimundo”, que foi exibida na TV Globo e no canal pago Viva. Desde 2016, quando sofreu um derrame, Lúcio Mauro enfrentou diversos problemas de saúde, sendo forçado a se aposentar. Relembre abaixo três dos personagens mais famosos do humorista.
Peggy Lipton (1946 – 2019)
Atriz Peggy Lipton, que estrelou as séries clássicas “Mod Squad” e “Twin Peaks”, morreu de câncer no sábado (11/5), em sua casa, aos 72 anos. “Ela fez sua jornada pacificamente com suas filhas e sobrinhas a seu lado”, disseram as filhas, a modelo Kakida e a também atriz Rashida Jones em comunicado. Uma das atrizes mais belas da televisão, Peggy Lipton começou a carreira como modelo. Ela resolveu tentar a atuação em 1965 com uma aparição em “A Feiticeira”. Mas apesar da beleza e esforço, só conseguiu pequenas participações antes de emplacar seu primeiro papel fixo em 1968. E que papel! Peggy foi escalada como a principal personagem feminina de “Mod Squad”, a hippie Julie Barnes. A série marcou época por trazer temas da juventude contemporânea para as tramas policiais. Os episódios acompanhavam três jovens rebeldes – “um branco, um negro e uma loira” – , que, após fazer um acordo com a polícia para evitar a prisão, viram informantes e passam a se infiltrar em escolas e movimentos sociais. “Mod Squad” foi a primeira abordagem televisiva da contracultura – um ano antes do filme “Easy Rider” – e apesar de defender “o Sistema”, tinha como regra nunca mostrar nenhum adolescente ser preso. Os vilões eram os adultos que se aproveitam dos jovens. E graças à temática, acabou sendo também pioneira na dramatização de problemas sociais como aborto, violência doméstica, abuso infantil, analfabetismo, manifestações estudantis, imigração ilegal, brutalidade policial, racismo, traumas psicológicos de guerra, tráfico e consumo de drogas. O produtor era ninguém menos que Aaron Spelling, o mesmo de “Barrados no Baile”. O sucesso foi tanto que, durante as cinco temporadas da série, entre 1968 e 1973, Peggy Lipton virou uma das estrelas mais populares da TV. Ela chegou a lançar discos como cantora e até namorou Elvis Presley. E também foi reconhecida por seu desempenho, indicada a quatro prêmios Emmy. Acabou vencendo um Globo de Ouro de Melhor Atriz Dramática em 1971. Em 1974, após o fim da produção, a atriz se casou com o jazzista Quincy Jones, um casamento interracial que chegou a causar controvérsia na época. Ela teve suas filhas logo em seguida, o que acabou interrompendo sua carreira. Só voltou a atuar num telefilme de reunião de “Mod Squad” em 1979, exceção durante sua pausa prolongada, que se estendeu por quase duas décadas. A segunda fase da sua carreira começou apenas durante seu processo de divórcio, quando ela decidiu retornar à TV, entrando no elenco de outra série que se tornou parte da História da TV: “Twin Peaks”, em 1989. Seu papel era Norma Jennings, dona da lanchonete Double R Diner, um dos principais cenários da produção. Ela ainda repetiu essa interpretação no filme “Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer” (1992) e no recente revival da série, “Twin Peaks: O Retorno”, lançado em 2017. Novamente em evidência, desta vez Peggy deu sequência à carreira, aparecendo em filmes como “O Mensageiro” (1997), “Quando em Roma” (2010) e “Quatro Vidas de um Cachorro” (2017). Atuou ainda em séries tão diferentes quanto “Popular” (quatro episódios em 2000), “Alias” (três episódios em 2004), “Psych” (um episódio temático dos anos 1960, em 2014), “Claws” (como ela mesma em 2017), além de “Angie Tribeca”, em que contracenou com sua filha Rashida Jones na pele de Peggy Tribeca, justamente a mãe da personagem-título (Rashina), em dois episódios de 2016 e 2017.
Alvin Sargent (1927 – 2019)
Morreu o roteirista Alvin Sargent, que escreveu três filmes do “Homem-Aranha” e venceu dois Oscars por “Julia” (1977) e “Gente como a Gente” (1980). Ele faleceu na quinta-feira (9/5), de causas naturais em sua casa em Seattle, nos Estados Unidos. Ao todo, Sargent assinou mais de duas dúzias de roteiros de longa-metragens desde a década de 1960. Seus créditos também incluem “Lua de Papel” (1973), pelo qual foi indicado ao Oscar. Ele começou sua carreira como vendedor de anúncios da revista Variety nos anos 1950 e sonhava em virar ator. Sua estreia no cinema foi como figurante no clássico “A um Passo da Eternidade” (1954), de Fred Zinnemann. E, por coincidência, Zinnemann também dirigiu “Julia”, que Sargent foi escrever mais de duas décadas depois. A dificuldade para encontrar novos papéis – e vender anúncios – fez com que transformasse um passatempo em carreira. Ele costumava escrever histórias para si mesmo. Um dia, seu agente pegou uma delas e mostrou para produtores de TV. E assim Sargent foi convidado a escrever episódios de séries dramáticas. Ele assinou, entre outras, “Ben Casey”, “Rota 66”, “As Enfermeiras” e “The Alfred Hitchcock Hour” . Seu primeiro roteiro para o cinema foi a comédia de assalto “Como Possuir Lissu” (1966), com Shirley MacLaine e Michael Caine, que fez grande sucesso e chamou atenção de vários cineastas. Isso rendeu novos trabalhos, em que precisou mostrar versatilidade para abordar diferentes gêneros, como o western “A Noite da Emboscada” (1968), a cultuada comédia romântica “Os Anos Verdes” (1969), estrelada pela jovem Liza Minnelli, e o violento policial “O Pecado de um Xerife” (1970). Seus roteiros estavam sendo filmados por jovens diretores em transição para o patamar de mestres – como Robert Mulligan, Alan J. Pakula e John Frankenheimer. E isto atraiu o astro Paul Newman, que chamou o roteirista para escrever “O Preço da Solidão” (1972), adaptação de um peça premiada de Paul Zindel, que o próprio ator dirigiu. A consagração veio logo em seguida, com três indicações à premiação da Academia, rendendo-lhe troféus em duas oportunidades. “Lua de Papel” acabou transformando Tatum O’Neal na mais jovem vencedora do Oscar, aos 10 anos de idade. Mas foram “Julia”, baseada na vida da escritora Lillian Hellman e sua luta contra o Holocausto, e principalmente “Gente como a Gente”, retrato dramático do impacto da morte de um jovem sobre sua família, que lhe deram status de gênio. Assim como fez seu amigo Paul Newman, Robert Redford requisitou o talento de Sargent para escrever a história que marcaria sua estreia no cinema. E “Gente como a Gente”, estrelado por Mary Tyler Moore e Timothy Hutton, venceu, além de Melhor Roteiro, os Oscars de Melhor Direção para o estreante Redford e até o troféu de Melhor Filme do ano. Entre as muitas pessoas influenciadas por aquela obra, o cineasta JJ Abrams (“Star Wars: O Despertar da Força”) frequentemente cita “Gente como a Gente” como inspiração para “Uma Segunda Chance” (1991), o roteiro que deslanchou a sua carreira (quando ele era Jeffrey Abrams). Sargent ainda incluiu “O Cavaleiro Elétrico” (1979), estrelado por Redford, entre esses filmes. E o sucesso dessas produções o tornou um dos roteiristas mais requisitados do período. Especializou-se em dramas e comédias de prestígio de grandes estúdios. “Querem me Enlouquecer” (1987), com Barbra Streisand, “Loucos de Paixão” (1990), com Susan Sarandon, “Nosso Querido Bob” (1991), com Bill Murray, e “Herói por Acidente” (1992), com Dustin Hoffman, fizeram bastante sucesso comercial. Mas nada em sua carreira foi comparável à bilheteria dos dois filmes do “Homem-Aranha” que ele escreveu para o diretor Sam Raimi. O roteirista assinou “Homem-Aranha 2” (2004) e “3” (2007), quando a franquia era estrelada por Tobey Maguire e Kirsten Dunst, e também “O Espetacular Homem-Aranha” (2012), de Marc Webb, protagonizado por Andrew Garfield e Emma Stone. Ele tinha 85 anos quando entregou “O Espetacular Homem-Aranha”, seu último trabalho. A aposentadoria não foi consequência da idade, mas da morte de sua grande parceira. Por 25 anos, Sargent teve a seu lado a produtora e escritora Laura Ziskin, com quem escreveu alguns de seus sucessos. Eles se casaram em 2010, um ano antes de Ziskin perder sua batalha contra o câncer de mama. E Sargent perdeu a vontade de continuar escrevendo.
Ator de Power Rangers é encontrado morto em sua casa
O ator Pua Magasiva, que interpretou o Ranger Vermelho da série “Power Rangers: Tempestade Ninja” (2003), foi encontrado morto na manhã de sexta (10/5) em sua casa, em Wellington, capital da Nova Zelândia. Ele tinha 38 anos e nasceu na Samoa, mas mudou de país aos dois anos. A polícia local informou ter sido chamada por um caso de “morte súbita”. Nenhuma “circunstância suspeita” foi encontrada no local, que está sob investigação. O ator brasileiro Glenn McMillan, o Ranger Amarelo de “Tempestade Ninja”, lamentou a morte do ex-colega e compartilhou fotos dos bastidores de gravação com Pua Magasiva. “Meu coração sofre por nosso amado Pua. Sempre divertido, cheio de energia, animava todos que estavam ao seu redor. Eu sempre me lembrarei de você desse jeito. Descanse, irmão”, escreveu o ator. Jason David Frank, um dos mais famosos atores de “Power Rangers” (interpretou Tommy, o Ranger Verde, na 1ª temporada), recebeu com tristeza a notícia da morte de Pua Magasiva. Ele postou uma foto com o ex-colega durante as gravações de “Dino Trovão”, da qual os dois participaram. “Tive o prazer de trabalhar com Pua Magasiva em ‘Dino Trovão’. Ele era um cara tão legal. A vida é curta, pessoal. Meu coração está com a família dele. Você sempre terá o poder. Uma vez Ranger, sempre Ranger”, falou o ator. Além de participar da franquia “Power Rangers”, Magasiva também integrou o elenco da novela neozelandesa “Shortland Street”, que publicou em seu perfil oficial no Instagram uma mensagem de despedida para a família e os fãs do ator. “Estamos absolutamente desolados pelas notícias a respeito de Pua Magasiva. Ele era um dos membros mais queridos da família South Pacific Pictures durante anos. Nossos corações e pensamentos estão com a família de Pua neste momento”, diz a mensagem. Segundo a imprensa local, o irmão do ator, Robbie, viajou até a Nova Zelândia para ficar com outros membros da família e com a viúva de Magasiva, Lizz Sadler, com quem ele estava casada desde abril de 2018. Os dois têm duas filhas de relacionamentos anteriores.
George Lucas revela que Peter Mayhew mudou a concepção de Chewbacca
O criador da franquia “Star Wars”, George Lucas, escreveu um tributo para o seu amigo Peter Mayhew, intérprete de Chewbacca que morreu na semana passada, aos 74 anos. Publicado nesta terça (6/5) pela revista The Hollywood Reporter, o texto afirma que o ator foi responsável por mudar a concepção original do personagem, transformando Chewbacca na criatura adorada pelos fãs da galáxia distante da Lucasfilm. “Originalmente, minha visão de Chewie era a de uma fera indomável, mas o personagem que Peter criou não era nada disso. Não importa o quanto ele tentasse, ele não conseguia ser uma fera. Ele era o cara que seria o seu melhor amigo até se enfurecer com você, e só daí ele te daria medo”, descreveu Lucas. “Ele era um gigante gentil. Era como os meus cachorros: Eles são ótimos, são fofos, são maravilhosos – até que você tente tirar a comida deles”, acrescentou. Lucas contou como o ator foi escalado para o papel, lembrando que o contratou assim que ele se levantou para comprimenta-lo. “Eu precisava de alguém muito, muito alto para interpretar um Wookie”, descreveu Lucas. “Estávamos achando difícil encontrar alguém assim na Inglaterra, onde filmei a maioria dos meus longas. Eu disse: ‘Isso é uma loucura, onde estão os jogadores de basquete?’. Mas, depois de muitos meses e tentativas, meu diretor de elenco disse: ‘Achei um!'”. Mayhew tinha mais de 2,10 metros de altura, mas não era jogador de basquete. Ele foi descoberto em seu trabalho como atendente de hospital em uma cidade do interior da Inglaterra. “Eu cheguei para a minha reunião com ele, e assim que ele se levantou, eu disse: ‘O trabalho é seu'”. Apesar da altura, Mayhew teve que usar sapatos de salto alto em suas primeiras cenas como Chewbacca, porque o personagem deveria ter ao menos 2,25 metros segundo o roteiro. “Então, quando ‘Star Wars’ ganhou fama e ele começou a ir para convenções, Peter percebeu que conseguiria ganhar a vida só com suas aparições públicas em eventos deste tipo. Ele era um cara gentil, doce. Era fácil gostar dele. Ele era mais como um Wookie do que eu poderia imaginar”, completou.
Barbara Perry (1921 – 2019)
A atriz Barbara Perry morreu neste domingo (5/5) de causas naturais, aos 97 anos, em Los Angeles. Ela estrelou diversos filmes e programas televisivos, e chegou a ter papel recorrente na recente série “How I Met Your Mother”, como uma vizinha sempre disposta a ajudar Ted (Josh Radnor) a conhecer a mãe de seus futuros filhos. Nascida em Norfolk, Virgínia, em 22 de junho de 1921, Perry começou a carreira como dançarina de balé, participando da equipe infantil do corpo de balé do Met. Ela acabou se especializando em tap dancing e virou estrela em uma variedade de casas noturnas nos anos 1930, incluindo o Hotel Nacional de Cuba, o Chez Paris em Chicago, o Cocoanut Grove em Los Angeles e o Café de Paris em Londres. Ela também teve a honra de abrir shows das icônicas cantoras Lena Horne e Peggy Lee. Tinha apenas 12 anos quando começou a fazer cinema, estreando em “O Conselheiro” (1933), do mestre William Wyler. Mas na época preferiu o palco às telas, priorizando a Broadway sobre Hollywood por várias décadas. Como se estabeleceu em Nova York, acabou migrando do teatro para a TV (os estúdios televisivos ainda ficavam na Costa Leste dos Estados Unidos), aparecendo em episódios famosos de “Além da Imaginação”, “O Fugitivo”, “The Dick Van Dyke Show”, “A Feiticeira” e outras atrações populares. Seu retorno ao cinema se deu pelas mãos do cineasta Samuel Fuller, que lhe deu destaque em dois filmes marcantes, “Paixões Que Alucinam” (1963), passado num hospício, e o noir “O Beijo Amargo” (1964). Perry ainda fez o thriller “Miragem” (1965) antes de outro grande hiato – preenchido por novas séries -, só retomando seu ciclo cinematográfico a partir da década de 1980, quando apareceu na sci-fi “Trancers” (1984), no musical “Tap – A Dança de Duas Vidas” (1989) e na comédia “O Pai da Noiva” (1991). Sua carreira de atriz, porém, continuou sem interrupções na TV, com aparições constantes até a década atual, em episódios de “How I Met Your Mother” e “Baskets” – seu último trabalho, em 2017.
Harrison Ford e Mark Hamill lamentam morte do intérprete de Chewbacca
Harrison Ford e Mark Hamill, o Han Solo e o Luke Skywalker de “Star Wars”, lamentaram a morte do ator Peter Mayhew, intérprete original de Chewbacca na saga espacial. Hamill postou uma mensagem carinhosa em seu Twitter. “Ele era o mais gentil dos gigantes, um homem grande com um coração ainda maior que nunca falhou em me fazer sorrir e um amigo fiel que eu amei sinceramente. Sou grato às memórias que compartilhamos e sou um cara melhor apenas por tê-lo conhecido. Obrigado, Pete”, escreveu o ator. Ford, que não usa redes sociais, divulgou um comunicado sobre a perda do colega e amigo. “Peter Mayhew era um homem bom, gentil, digno e de caráter nobre. Esses aspectos de sua própria personalidade, além de sua sagacidade e graça, ele trouxe também para Chewbacca. Fomos parceiros no cinema e na vida por mais de 30 anos e eu o amava. Ele investiu sua alma no personagem e trouxe grande alegria aos fãs de Star Wars”. “Chewbacca foi parte importante do sucesso dos filmes que fizemos juntos. Ele sabia o quão importante os fãs da franquia eram para o seu sucesso e ele se dedicou a eles. Eu e outros milhões jamais esqueceremos Peter e o que ele nos proporcionou. Meus sinceros sentimentos à sua querida esposa Angie e aos seus filhos. Fique bem, meu querido amigo”, finalizou o ator de 76 anos. Até o diretor George Lucas, criador da franquia, lamentou a morte do ator. “Peter era um homem maravilhoso. Ele era o mais perto que qualquer humano poderia chegar de ser um Wookiee: coração grande, natureza gentil – e eu aprendi para sempre deixá-lo vencer. Ele foi um bom amigo, e estou triste por seu falecimento”, disse Lucas. Peter Mayhew morreu na terça-feira (30/4), aos 74 anos, cercado pela família em sua casa. Ele viveu Chewbacca em cinco filmes de “Star Wars”, desde 1977, além de dublar games e séries derivadas da franquia, despedindo-se do papel em “O Despertar da Força”, em 2015.
Peter Mayhew (1944 – 2019)
O ator britânico Peter Mayhew, que ficou conhecido por interpretar Chewbacca nos filmes de “Star Wars”, morreu na terça-feira (30/4) aos 74 anos. Segundo publicação em sua conta no Twitter, ele estava em sua casa no Texas, nos Estados Unidos, acompanhado pela família. Mayhew vinha enfrentando problemas de saúde e chegou a passar por uma cirurgia na espinha em julho passado para aumentar sua mobilidade. O ator foi descoberto enquanto trabalhava como atendente de um hospital em Londres. Ao chamar atenção do produtor Charles H. Schneer por seus 2,18 metros de altura, ele fez uma participação sem crédito no filme “Sinbad e o Olho do Tigre” (1977), sua primeira aparição no cinema. Seu trabalho seguinte como ator foi justamente no primeiro “Star Wars”, quando o filme de George Lucas ainda se chamava “Guerra nas Estrelas”, em 1977. Mesmo aparecendo apenas sob a aparência peluda de Chewbacca, um wookie (raça alienígena inventada por Lucas), ele roubou cenas do então galã Harrison Ford, ao acompanhar o personagem do ator, o contrabandista Han Solo, em suas aventuras a bordo da nave Millennium Falcon. Mayhew repetiu a atuação nos outros dois filmes da trilogia original, “O Império Contra-Ataca” (1980) e “O Retorno de Jedi” (1983), e voltou no final da segunda trilogia, “A Vingança dos Sith” (2003). A partir daí, continuou dublando Chewie, como o personagem é carinhosamente chamado, em videogames e séries animadas, até se despedir durante as filmagens de “Star Wars: O Despertar da Força” (2016), quando compartilhou o papel com seu sucessor, o dublê Joonas Suotamo. “Ele lutou contra a sua condição em uma cadeira de rodas para ficar em pé e interpretar Chewbacca mais uma vez em ‘Star Wars: O Despertar da Força'”, diz o comunicado da família, sobre sua última atuação como o personagem.
John Singleton (1968 – 2019)
O cineasta John Singleton, conhecido por seu trabalho em filmes como “Os Donos da Rua” e “+Velozes +Furiosos”, morreu nesta segunda (29/4) aos 51 anos. Um representante da família informou que o diretor morreu tranquilamente cercado de familiares e amigos no hospital Cedars-Sinai Medical Center, em Los Angeles. A família de Singleton optou por desligar os aparelhos que mantinham o diretor vivo desde que ele sofreu um derrame, há quase duas semanas. Singleton fez história em Hollywood ao se tornar, em 1992, o primeiro cineasta negro indicado ao Oscar de Melhor Direção, por seu filme de estreia, “Os Donos da Rua” (Boyz n the Hood). Com 23 anos na época, ele também se tornou o cineasta mais jovem nomeado na categoria. E ainda foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original pelo filme, que lançou a carreira do rapper Ice Cube como ator, mas acabou perdendo as duas estatuetas. Após a aclamação da estreia, Singleton não repetiu o sucesso em seus novos dramas. Ele chegou a transformar a cantora Janet Jackson e o rapper Tupac Shakur em par romântico em “Sem Medo no Coração” (1993), tratou de racismo na universidade em “Duro Aprendizado” (1995) e retratou um histórico ataque racista no drama de época “O Massacre de Rosewood” (1997). Tudo mudou quando assinou o remake de “Shaft” (2000), estrelado por Samuel L. Jackson, fazendo sua transição para o cinema de ação. O filme estourou nas bilheterias. Ele também lançou a carreira do ator Tyrese Gibson no cinema, com o drama “Baby Boy – O Rei da Rua” (2001), e o levou ao estrelado em “+Velozes +Furiosos”, segundo filme da franquia “Velozes e Furiosos”, que ainda introduziu o rapper Lucadris na franquia. Com “Shaft” e “+Velozes +Furiosos” (2003), Singleton demonstrou que podia fazer grandes filmes de Hollywood. E seu próximo lançamento foi a comprovação de seu talento para thrillers de ação. Estrelado por Mark Wahlberg, além de Tyrese Gibson, “Quatro Irmãos” (2005) acompanhava os irmãos do título, dois brancos e dois negros, que resolvem se vingar após sua mãe adotiva ser assassinada num roubo. A crítica ficou dividida, mas o filme se tornou cultuadíssimo em DVD. O diretor seguiu no gênero com o lançamento de “Sem Saída” (2011), uma aposta para transformar o ator Taylor Lautner (de “Crepúsculo”) em astro de ação. Entretanto, o fracasso da produção comprometeu a carreira de ambos, ator e diretor. John Singleton nunca mais dirigiu outro filme, mas trabalhou bastante na TV nos últimos anos de sua carreira, assinando episódios de “Empire”, “American Crime Story”, “Rebel” e “Billions”. O cineasta também criou, produziu e dirigiu vários capítulos de “Snowfall”, série da FX que exibe sua 3ª temporada ainda este ano. Em comunicado oficial sobre a morte, a família de Singleton, que teve sete filhos, lamentou que sua carreira tenha sido interrompida pela tragédia. “John foi uma estrela tão brilhante na juventude que é fácil se esquecer que ele estava apenas começando”, escreveram. “Nós sempre vamos celebrar o legado de seu trabalho, mas estávamos também ansiosos para ver os filmes que John teria feito nos próximos anos”, concluíram.
Shannen Doherty entra na série que vai retomar Barrados no Baile
A atriz Shannen Doherty vai voltar a seus dias de Brenda Walsh na nova versão da série “Barrados no Baile”. Shannen viveu Brenda entre 1990 e 1994, tendo deixado a série muito antes do final (em 2000), após se desentender com membros da equipe – incluindo a colega Tori Spelling, filha do produtor da série Aaron Spelling. Malvadinha favorita dos fãs e namorada de Dylan, o personagem de Luke Perry, ela vai se juntar aos antigos colegas após mostrar desinteresse no projeto do revival. A mudança de ideia se deve à morte de Perry, em março, vítima de um AVC. Os dois continuaram muito amigos e a atriz quer homenageá-lo. Entre 2015 e 2017, Doherty também lutou publicamente contra um câncer de mama. Produzido pela Fox, o novo “Barrados no Baile” terá seis episódios e usará metalinguagem para mostrar os atores originais tentando produzir uma série sobre a versão “madura” dos personagens. O elenco também contará com Jason Priestley, Jennie Garth, Ian Ziering, Gabrielle Carteris, Brian Austin Green e Tori Spelling. E vai estrear no verão norte-americano (entre maio e julho) com o título “BH90210”, abreviação do nome original em inglês: “Beverly Hills 90210”. O primeiro teaser da produção pode ser visto aqui.
Ken Kercheval (1935 – 2019)
O ator americano Ken Kercheval, que ficou conhecido por seu papel de Cliff Barnes na série “Dallas”, morreu aos 83 anos. A causa da morte não foi divulgada. Kercheval estrelou as 14 temporadas de “Dallas” como o principal adversário de J.R. Ewing, interpretado pelo finado Larry Hagman. Os dois atores foram os únicos a participar de todos os episódios da série, exibida na TV americana entre 1978 e 1991, e que se tornou a mais popular dos anos 1980, atingindo recordes de audiência nos Estados Unidos. Os dois também apareceram nos 16 episódios da continuação da série, entre 2012 e 2014. Apesar do sucesso de “Dallas”, Kercheval não teve outro papel de destaque em sua carreira, que inclui pequenas participações em séries, entre elas “Plantão Médico” (ER) e “Assassinato por Escrito” (Murder She Wrote), e um punhado de filmes, sendo o mais famoso “Rede de Intrigas” (1976).
Riverdale: Último episódio de Luke Perry vai ao ar nesta semana
A série “Riverdale” vai se despedir de Luke Perry, quase dois meses depois de sua morte aos 52 anos. O showrunner da série, Roberto Aguirre-Sacasa, revelou no Twitter que as últimas cenas gravadas pelo ator como Fred Andrews vão ao ar na quarta-feira (24/4). “O ‘Riverdale’ desta semana foi o último gravado por Luke”, escreveu o criador da série no Twitter. “Como sempre, Fred dá alguns conselhos sábios para Archie. É um momento lindo e verdadeiro entre pai e filho. Gostaria que estas cenas nunca acabassem”. Intitulado “Fear the Ripper”, o episódio será exibido simultaneamente no Brasil pelo canal pago Warner, às 21h40. O produtor ainda não informou como a ausência do ator será explicada na trama da série, que ainda terá mais três episódios em sua 3ª temporada. Além de “Riverdale”, Luke Perry também finalizou sua participação em “Era Uma Vez em Hollywood”, filme de Quentin Tarantino, que estreia em 15 de agosto no Brasil.
Nancy Gates (1926 – 2019)
A atriz Nancy Gates, que estrelou vários filmes de western nas décadas de 1940 e 1950, além de ter contracenado duas vezes com Frank Sinatra, morreu no dia 24 de março, aos 93 anos. A informação só foi compartilhada agora por sua filha, para a revista The Hollywood Reporter. Ela estreou em Hollywood ainda como atriz mirim, ao assinar contrato com a RKO com 15 anos. Seus primeiros trabalhos foram figurações em “A Vida Assim é Melhor” (1942), aventura romântica de Charles Vidor passada no Taiti, no cultuadíssimo “Soberba” (1942), de Orson Welles, e em “Esta Terra é Minha” (1943), de Jean Renoir. Mas só foi se destacar em westerns B, a partir de “A Lei de Cheyenne” (1947), que lhe promoveu a coadjuvante, e “Revólveres Trovejantes” (1948), em que finalmente apareceu num pôster, encarnando a “mocinha” do bangue-bangue. Gates chegou a se aventurar por outros gêneros nos anos 1950, aparecendo no drama clássico “Cruel Desengano” (1952), de Fred Zinneman, no noir “Meu Ofício é Matar” (1954), em que dividiu o pôster com Frank Sinatra, na sci-fi “20 Milhões de Léguas a Marte” (1956), no qual viveu uma astronauta, e no romance “Deus Sabe Quanto Amei” (1958), seu segundo filme com Sinatra, dirigido pelo mestre Vincent Minnelli. Mas nunca deixou de lidar com cowboys. A diferença é que, já consagrada, passou a estrelar grandes produções do gênero, como “Cavaleiro Misterioso” (1955), de Jacques Tourneur, “Renúncia ao Ódio” (1956), de Henry Hathaway, “Pista Sanguinária” (1958), de Robert Gordon, e “Cavalgada Trágica” (1960), seu último filme, em que fez par com o célebre ator-cowboy Randolph Scott, sob direção do especialista Budd Boetticher. Em sua autobiografia, Boetticher chegou a dizer que as protagonistas favoritas com quem trabalhou foram a lendária Maureen O’Hara e… Nancy Gates. Gates também fez muitas participações em séries do período, e para variar a maioria se passava no Velho Oeste, como “Couro Cru” (Rawhide), “Bonanza”, “Laramie”, “O Homem de Virgínia” (The Virginian), “Gunsmoke”, “Bronco”, “Caravana” (Wagon Train) e “Maverick”. “Como sou do Texas, fiz muitos westerns”, ela constatou em uma entrevista em 1961. “Eu estive em tantos cavalos que comecei a sentir que eles eram uma parte de mim. O engraçado é que eu não sou uma grande amazona.” A atriz se aposentou em 1969, encerrando a carreira num episódio da série policial “Mod Squad”.




