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  • Etc

    Storyboard da versão nunca filmada de “Duna” nos anos 1970 é vendido por R$ 16 milhões

    22 de novembro de 2021 /

    O lendário storyboard da versão nunca filmada de “Duna” nos anos 1970 foi arrematado nesta segunda-feira (22/11) num leilão em Paris por 2,66 milhões de euros (cerca de R$ 16,72 milhões) Trata-se de um roteiro detalhado com imagens do que deveria ter sido o filme, juntando os argumentos do diretor chileno Alejandro Jodorowsky, mestre do surrealismo, com desenhos do gênio dos quadrinhos franceses Moebius e do artista plástico suíço H.R. Giger. O filme, que deveria ser estrelado por David Carradine (na época, astro da série “Kung Fu”), o cantor Mick Jagger, o cineasta Orson Welles, e o artista plástico Salvador Dali, nunca saiu do papel, mas sua produção se tornou lendária e rendeu até um documentário premiado em 2013. O material desenvolvido para o storyboard foi o ponto de partida para Giger ser convidado, logo em seguida, para criar o visual de “Alien”, dirigido em 1979 por Ridley Scott. Já a parceria entre Jodorowsky e Moebius continuou nos quadrinhos, com a criação da saga sci-fi do “Incal” em 1980, que agora também vai virar filme com direção de Taika Waititi (“Thor: Ragnarok”). “Duna”, por sua vez, acabou chegando aos cinemas em 1984, com direção de David Lynch, voltando novamente em 2021, na primeira parte de um franquia desenvolvida por Denis Villeneuve. Veja abaixo o trailer do documentário “Duna de Jodorowsky”, com imagens do caríssimo storyboard.

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  • Filme

    Taika Waititi vai filmar a icônica graphic novel “O Incal”

    4 de novembro de 2021 /

    O diretor Taika Waititi já definiu qual será seu próximo filme após “Thor: Love and Thunder”. Ele vai adaptar a cultuadíssima graphic novel “O Incal”, de Alejandro Jodorowsky e Moebius. Uma das mais influentes aventuras sci-fi da pioneira revista francesa de quadrinhos adultos Métal Hurlant (a versão original da americana “Heavy Metal”), a trama acompanha o detetive John Difool, que encontra um artefato místico conhecido como Incal – um objeto de grande poder, cobiçado por muitas facções em toda a galáxia. À medida que Difool aprende sobre os poderes e propósitos do Incal, ele embarca em uma missão para salvar o universo. Um detalhe curioso é que “O Incal” foi resultado da frustração de Jorodowsky com o cancelamento de sua adaptação de “Duna” no cinema, nos anos 1970. Ele tinha contratado Jean Giraud, o Moebius, para desenvolver os designs do filme, e se inspirou nos desenhos feitos para o projeto nunca finalizado para conceber a trama de “O Incal”. Considerado uma das melhores histórias em quadrinhos já feitas, “O Incal” fez tanto sucesso em seu lançamento original de 1980 que acabou ganhando sequência, virou saga e rendeu inúmeros spin-offs, materializando o “Jodoverso”, um universo de quadrinhos imaginado pelo célebre cineasta psicodélico. Taika Waititi vai trabalhar no roteiro ao lado de seu velho parceiro Jemaine Clement, com quem criou o filme e a série “What We Do in the Shadows”, além de Peter Warren (“Ghost Team”). E pretende dirigir a produção. O projeto ganhou o bênção de Jodorowsky, atualmente com 92 anos de idade e ainda muito ativo – dirigiu três longas na década passada. Ele é último criador sobrevivente, já que Moebius morreu em 2012. Em vídeo publicado no YouTube da editora francesa Humanoids, Jodorowsky lembrou a relação de “O Incal” com “Duna” e comentou que, se ainda fosse jovem e alguém lhe dissesse que sua obra viraria filme, mas ele não seria o diretor, teria ficado “muito furioso e deprimido, como se tivessem me roubando”. “Mas agora tenho 92 anos e não estou em condições de fazer uma obra tão épica”, considerou. “Quando o CEO da Humanoids, Fabrice Giger, me apresentou o trabalho de Taika Waititi, ficou óbvio para mim que ele era o cara certo”, Jodorowsky acrescentou em comunicado. “Confio plenamente na criatividade de Taika para dar ao ‘Incal’ uma apresentação impressionante, íntima e, ao mesmo tempo, de proporções cósmicas.” Ainda em etapa inicial de produção, o filme ainda não tem elenco definido, cronograma de filmagem ou previsão de estreia. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Taika Waititi (@taikawaititi)

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  • Filme

    Kim Ki-duk (1960 – 2020)

    11 de dezembro de 2020 /

    O polêmico cineasta sul-coreano Kim Ki-duk morreu de complicações decorrentes de covid-19 na madrugada desta sexta (11/12), num hospital da Letônia, aos 59 anos. Ele teria viajado para o país báltico com a intenção de comprar uma casa e obter uma autorização de residência. A notícia foi confirmada por Vitaly Mansky, o documentarista russo que mora na Letônia e dirige o ArtDocFest local, e o Ministério de Relações Exteriores da Coreia do Sul foi citado como tendo confirmado a morte do diretor em reportagens da mídia coreana. Nascido em 20 de dezembro de 1960, em Bonghwa, Coreia do Sul, Kim se estabeleceu como autor de cinema de arte premiado, com filmes de temas sombrios e polêmicos, sempre em evidência no circuito dos festivais internacionais. Mas nos últimos anos vivia um ostracismo forçado, após ser acusado de má conduta sexual por atrizes com quem trabalhou, durante a mudança sísmica da indústria cinematográfica, decorrente do movimento #MeToo. Ele sempre foi queridinho dos festivais europeus, fazendo premières no continente desde sua estreia cinematográfica de 1996. Seu debut de baixo orçamento, “Crocodile”, foi lançado no Festival Karlovy Vary, na Reública Tcheca, assim como os dois longas seguintes, “Animais Selvagens” (1997) e “Paran Daemun” (1998). Sua consagração veio com o quarto lançamento, “A Ilha” (2000), premiado nos festivais de Veneza, Bruxelas e Fantasporto. “A Ilha” também ganhou notoriedade por suas cenas terríveis de violência, inclusive contra animais – supostamente reais – , e conteúdo abertamente indigesto, um padrão que se tornaria marca do diretor. Reza a lenda que, durante a exibição em Veneza, o público abandonou as sessões entre surtos de vômitos e desmaios. O longa nunca foi exibido no Reino Unido, onde teve a projeção proibida. Também recebeu críticas extremamente negativas da imprensa sul-coreana, que o considerou de péssimo gosto. Mas os elogios europeus acabaram prevalecendo e a controvérsia ajudou a projetar seu nome. “Endereço Desconhecido” (2001) levou-o de volta a Veneza, “Bad Guy” (2001) inaugurou sua relação com o Festival de Berlim e “The Coast Guard” (2002) lhe rendeu três troféus em Karlovy Vary. Mas o filme que realmente o popularizou entre os cinéfilos acabou não tendo nada a ver com os caminhos que ele vinha trilhando. “Primavera, Verão, Outono, Inverno… e Primavera” (2003) abordava um mosteiro budista que flutuava num lago em meio a uma floresta intocada, e representava uma suavidade inédita em sua carreira. Venceu o Leopardo de Ouro e mais quatro troféus no Festival de Locarno, além do Prêmio do Público no Festival de San Sebástian, e graças à repercussão amplamente positiva – sem nenhum resquício de polêmica – conseguiu distribuição internacional da Sony. Só que seu lançamento seguinte voltou a mergulhar no horror. “Samaritana” (2004) acompanhava um prostituta amadora numa história de amor, morte e desespero, apontando um guinada sexual para o sadismo do diretor. Foi o começo de uma radicalização, que, no entanto, não se deu de uma hora para outra. Kim Ki-duk seguiu alimentando sua fama com a conquista do Leão de Prata de Melhor Diretor por “Casa Vazia” (2004), no Festival de Veneza. Ele ainda adentrou o Festival de Cannes com “O Arco” (2005), antes de retomar o cinema extremo com “Time – O Amor Contra a Passagem do Tempo” (2006), sobre uma mulher que decide sofrer cirurgia plástica extensa para salvar seu relacionamento. Este filme passou e foi premiado apenas em festivais de terror, como Fantasporto e Sitges. Após um par de dramas românticos incomuns, ele realizou seu primeiro documentário, “Arirang” (2011), refletindo sobre sua própria carreira. A obra autocongratulatória venceu a mostra Um Certo Olhar no Festival de Cannes. Só que o sangue voltou a rolar logo em seguida, no impressionante “Pieta” (2012). O filme venceu o Leão de Ouro, mas causou muita controvérsia devido a uma cena forte de estupro. Alguns espectadores abandonaram a première em Veneza, diante dos desdobramentos da relação entre um violento cobrador de dívidas, que fere devedores de forma brutal, e uma mulher que afirma ser sua mãe. Kim Ki-duk disse que as cenas polêmicas eram uma metáfora do capitalismo. A premiação de “Pieta” serviu de incentivo para o diretor explorar ainda mais seu sadismo cinematográfico. O lançamento seguinte, “Moebius”, foi recusado nos cinemas sul-coreanos, pelo conteúdo com incesto, castração e outras formas de situações “impróprias”, segundo a Korea Media Rating Board (KMRB), responsável pela classificação etária dos filmes no país. A trama apresentava uma família destrutiva, questionando os seus desejos sexuais básicos. “One On One” (2014) buscou mais violência, com o assassinato em série de suspeitos da morte de uma jovem estudante. Dividido entre o desejo dos fãs por filmes cada vez mais radicais e a falta de interesse dos festivais na brutalidade gratuita, a carreira de Ki-duk acabou à deriva, como o protagonista de seu filme “A Rede” (2016), encontrado perdido entre as Coreias do Norte e do Sul. Uma reviravolta marcou o lançamento de “Humano, Espaço, Tempo e Humano” (2018) no Festival de Berlim, que foi marcado por protestos – não por imagens terríveis, mas pelo homem atrás das câmeras. Kim deixou de ser um cineasta de cenas sádicas para virar um cineasta sádico, ao ser condenado por agressão contra uma atriz durante as filmagens de “Moebius” (2013). A vítima, cuja identidade foi mantida em sigilo, acusou Kim em 2017 de lhe dar três tapas e forçá-la a realizar cenas sexuais sem roupa, que não estavam no roteiro, nos bastidores da produção. A acusadora afirmou que Kim forçou-a a pegar o pênis de um ator, apesar de uma garantia anterior de que uma prótese seria usada. Devido a seus protestos, ela foi substituída por outra atriz no filme. O que a levou a entrar na justiça. Um tribunal sul-coreano multou Kim em US$ 4,6 mil por agressão, mas os promotores não consideraram as acusações de abuso sexual citando a falta de provas. Foi uma quantia irrisória. Mas custou sua carreira. Kim tentou aproveitar o palco oferecido pelo Festival de Berlim para se defender, afirmando que os tapas foram dados como instruções para atuação. Mas, logo em seguida, mais duas atrizes denunciaram abusos ainda piores cometidos pelo diretor. Uma delas disse que Kim exigiu vê-la nua durante um processo “humilhante” de seleção, enquanto a outra contou que Kim e seu ator favorito, Cho Jae-hyeon, a estupraram após convocá-la para um encontro num hotel para “discutir detalhes de um roteiro”. O diretor ainda conseguiu exibir seu último filme, “Din” (2019), no Festival de Cannes, mas não houve interessados para lançá-lo comercialmente. Inconformado, ele tentou processar as atrizes denunciantes. Fracassou. As últimas notícias afirmavam que ele tinha entrado em depressão profunda e não tinha nenhum trabalho em desenvolvimento.

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  • Filme

    Um dos diretores mais premiados da Coreia da Sul é acusado de assédio e condenado por agredir atriz

    15 de dezembro de 2017 /

    Não é só nos Estados Unidos que mulheres começaram a denunciar os abusos de figuras importantes da indústria cinematográfica. Um dos diretores mais premiados da Coreia do Sul, Kim Ki-Duk, foi condenado após ser acusado por uma atriz de agredi-la e forçá-la a fazer cenas de sexo fora do roteiro de uma filmagem. A denúncia é bastante incomum no país, onde o conservadorismo extremo torna as vítimas temerosas da sofrer vergonha pública. Kim Ki-Duk é conhecido por contratar atrizes pouco conhecidas e filmar cenas de violência extrema. E sua acusadora, que pediu para manter o anonimato, afirmou à imprensa do país que sua participação no filme “Moebius” (2013), um thriller sobre o incesto, a deixou “profundamente traumatizada”. A atriz acusou Kim de abusos físicos e sexuais, afirmando que ele bateu nela durante as filmagens e a obrigou a fazer cenas de nudez e atos sexuais que não estavam no roteiro. Como ela se recusou, foi agredida e cortada do filme. Desde então, tem buscado ajuda de advogados, que sugeriram que ela esquecesse o caso. Mas ela decidiu não se submeter e, mesmo buscando preservar sua privacidade, apresentou a denúncia na justiça. E, na semana passada, o diretor de 56 anos foi condenado a pagar US$ 4,6 mil por agressão física. Uma vitória de Pirro, já que outras acusações foram arquivadas, incluindo a de assédio sexual por alegação de falta de provas. A denúncia acontece em um momento em que Hollywood vem sofrendo uma devassa, com demissões e investigações criminais de produtores, diretores e atores envolvidos em escândalos sexuais. No Brasil, também houve o caso do ator José Mayer, afastado pela rede Globo após assediar uma figurinista. Resta saber se esse movimento vai atingir outros países. E se Kim Ki-Duk continuará a ganhar financiamento para seus filmes, após o escândalo. Ele já venceu o Festival de Berlim com “Samaritana” (2004) e o de Veneza com “Pieta’ (2012).

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