Gerard Butler sofre com o melodrama do trailer legendado de Um Homem de Família
“Um Homem de Família”, melodrama estrelado por Gerard Butler (“Invasão a Londres”), ganhou trailer legendado. E a prévia se divide claramente em dois filmes diferentes. A primeira parte se dedica ao ambiente de trabalho do protagonista, envolvido em negociações intensas no mundo dos negócios. Até o mundo deste Lobo de Wall Street vir abaixo a partir da metade do vídeo, quando a lição de moral que Hollywood repete desde “A Felicidade Não Se Compra” (1946) ganha viés trágico. Ocupado demais para dar atenção a sua família, ele negligencia o fato de que seu filho tem câncer. Todas as prioridades mudam a partir daí, e o trailer sugere até o final (moral) da história. O filme tem roteiro de Bill Dubuque (“O Contador”) e marca a estreia na direção de Mark Williams (que foi produtor de “O Contador”). O elenco ainda destaca Alison Brie (série “Community”), Willem Dafoe (“Meu Amigo Hindu”), Alfred Molina (“O Amor É Estranho”) e Gretchen Mol (série “Boardwalk Empire”). A estreia está marcada para 18 de maio no Brasil, mais de um mês antes do lançamento nos EUA.
Viola Davis levou um Oscar merecidíssimo por Uma Limite Entre Nós
“Fences”, a peça teatral de August Wilson, foi levada na Broadway com Denzel Washington e Viola Davis como protagonistas. A versão cinematográfica, que recebeu o mesmo nome (aqui, “Um Limite Entre Nós”), teve August Wilson como roteirista, foi dirigida por Denzel Washington e protagonizada por ele e Viola. É um drama familiar, um melodrama como muitos outros, bem construído, com bons diálogos, acrescentando a esses ingredientes uma realidade norte-americana de grande hostilidade aos negros, na década de 1950. O filme não disfarça sua origem teatral, mas tem um bom ritmo e uma temática e personagens consistentes. O seu maior triunfo, sem dúvida, são seus dois maravilhosos atores principais: Denzel Washington e Viola Davis. Eles dão um show de interpretações, revivendo os papéis que já haviam desempenhado no teatro. Viola venceu o Oscar 2017 de Melhor Atriz Coadjuvante (por que coadjuvante?), o Globo de Ouro e o BAFTA britânico. Prêmios merecidíssimos. Denzel merecia outro tanto. E o elenco de atores é todo muito bom, de primeira linha.
Oprah Winfrey pode estrelar remake de Laços de Ternura
O cineasta Lee Daniels pode retomar sua parceria com a apresentadora Oprah Winfrey num remake de “Laços de Ternura”, segundo o site The Wrap. Oprah seria uma das estrelas do projeto, interpretando a personagem que rendeu o Oscar de Melhor Atriz para Shirley MacLaine no drama clássico de 1982. O filme original girava em torno de mãe protetora (MacLaine) e filha com câncer (Debra Winger), mas graças a Jack Nicholson, que também venceu um Oscar por seu papel de astronauta aposentado, não virava um melodrama de chorar sem parar. O mais impressionante é que “Laços de Ternura” superou a obra-prima “Os Eleitos” para ficar com o Oscar 1984 de Melhor Filme. Caso aconteça, o remake será a segunda parceria entre Lee Daniels e Oprah, após realizarem juntos “O Mordomo da Casa Branca” (2013), que, além de estrelar, ela também produziu. A Paramount, que detém os direitos de “Laços de Ternura”, não confirmou a produção.
Frantz: Indicado a 11 Césars, novo filme de François Ozon ganha trailer legendado
A California Filmes divulgou o trailer legendado de “Frantz”, novo filme do cineasta François Ozon. Filmado em preto e branco e passado no começo do século 20, o vídeo evoca os antigos melodramas da era de ouro do cinema, ao mostrar como a jovem Anna, interpretada por Paula Beer (“O Vale Sombrio”), conhece o tenente francês Adrien (Pierre Niney, de “Yves Saint Laurent”), quando este deixa flores no túmulo de seu noivo, Frantz, falecido na guerra. Ao descobrir que os dois eram antigos amigos, Anna leva o francês para conhecer os pais de Frantz, que se encantam com o recém-chegado, forçando sua permanência da vida de todos, mesmo a contragosto da comunidade alemã. “Frantz” recebeu 11 indicações ao César 2017, o Oscar francês, e apesar da estilização mantém as características da filmografia de Ozon, como sua obsessão por contar histórias repletas de detalhes obscuros, esconder segredos e visitar a dor, num jogo de aparências derivado do suspense, que leva a ponderar o que é realmente verdade e que rumos terá sua trama. A história original, baseada numa peça do francês Maurice Rostand, já havia sido levada ao cinema, no clássico “Não Matarás” (1932), do mestre alemão Ernst Lubitsch. Mas a versão de Ozon inclui detalhes que não poderiam ser exibidos nos anos 1930. A premiére mundial aconteceu no Festival de Veneza, quando rendeu um prêmio para Paula Beer. A estreia no Brasil está marcada para 2 de março.
This Is Us é renovada para mais duas temporadas de uma vez
A rede americana NBC anunciou a renovação de “This Is Us”, estreia de maior sucesso da atual temporada da TV americana. A audiência da atração é tanta que a emissora decidiu não perder tempo e encomendar logo duas temporadas novas de uma vez. Assim, a série foi renovada até a 3ª temporada, que só irá ao ar entre o final de 2018 e o começo de 2019. A série é um fenômeno, mantendo uma média de público ao vivo na casa dos 10 milhões de telespectadores. Detalhe importante: o primeiro episódio, que geralmente concentra a maior audiência, não é o que rendeu mais público à atração, que, a cada nova exibição, vem aumentando ainda mais sua sintonia. Para completar, a crítica é só elogios. E mesmo na metade de sua 1ª temporada, a produção conquistou três indicações ao Globo de Ouro. Criação de Dan Fogelman (criador também da recente “Pitch”, além de “Galavant”, “The Neighbors”), “This Is Us” acompanha personagens díspares em tramas paralelas, que tem como principal elemento de ligação o fato de terem nascido no mesmo dia. O grande elenco inclui Mandy Moore (série “Red Band Society”), Milo Ventimiglia (“The Whispers”), Sterling K. Brown (“American Crime Story: The People v. O.J. Simpson”), Justin Hartley (“Smallville”), Chrissy Metz (“American Horror Story”), Susan Kelechi Watson (“Louie”), Chris Sullivan (“The Knick”) e Ron Cephas Jones (“Mr. Robot”). Infelizmente, apesar de ter estreado em 20 de setembro nos EUA, “This Is Us” continua inédita no Brasil.
Big Little Lies: Minissérie que reúne Reese Witherspoon, Nicole Kidman e Shailene Woodley ganha novo trailer
A HBO divulgou o poster brasileiro e um novo trailer de “Big Little Lies”, minissérie que reúne as atrizes Reese Witherspoon (“Belas e Perseguidas”), Nicole Kidman (“Segredos de Sangue”) e Shailene Woodley (“Divergente”). Mas o que chama atenção na prévia, sem legendas, é o trabalho do cineasta Jean-Marc Vallée (“Clube de Compra Dallas”), que resulta em belíssimas imagens. O elenco da atração ainda inclui Alexander Skarsgård (“A Lenda de Tarzan”), Laura Dern (“Livre”), Adam Scott (série “Parks and Recreation”), Zoe Kravitz (“Mad Max: Estrada da Fúria”) e James Tupper (série “Revenge”). E tantos famosos entregam o plano original, que era transformar o livro “Big Little Lies”, de Liane Moriarty, num filme. Reese e Nicole, que também são produtoras do projeto, buscavam parceiros para uma adaptação cinematográfica quando o envolvimento do roteirista e produtor David E. Kelley (série “The Crazy Ones”) as levou a considerar o mercado televisivo – fisgando o interesse da HBO. A trama conta as histórias de três mulheres (Reese, Nicole e Shailene) de Pirriwee, na Austrália, que sofrem consequências de relacionamentos abusivos e se conhecem por terem os filhos matriculados na mesma escola. Suas vidas acabam se conectando de uma maneira inesperada e com consequências dramáticas. A estreia vai acontecer em 19 de fevereiro.
Minissérie que junta Reese Witherspoon, Nicole Kidman e Shailene Woodley ganha data de estreia e novo comercial
O canal pago americano HBO divulgou um novo comercial de “Big Little Lies”, minissérie que reúne as atrizes Reese Witherspoon (“Belas e Perseguidas”), Nicole Kidman (“Segredos de Sangue”) e Shailene Woodley (“Divergente”) sob a direção do cineasta Jean-Marc Vallée (“Clube de Compra Dallas”). A prévia é curta e serve para divulgar a data de estreia da atração. Como se não bastasse os nomes já mencionados, o elenco ainda inclui Alexander Skarsgård (“A Lenda de Tarzan”), Laura Dern (“Livre”), Adam Scott (série “Parks and Recreation”) e Zoe Kravitz (“Mad Max: Estrada da Fúria”), todos destacados no vídeo. O elenco cinematográfico remete ao plano original, que era transformar o livro “Big Little Lies”, de Liane Moriarty, num filme, que Reese e Nicole estrelariam. Mas com o envolvimento do roteirista e produtor David E. Kelley (série “The Crazy Ones”), a ideia foi levada para o mercado televisivo e acabou fisgando o interesse da HBO. A trama conta as histórias de três mulheres (Reese, Nicole e Shailene) de Pirriwee, na Austrália, que sofrem consequências de relacionamento abusivos e se conhecem por terem os filhos matriculados na mesma escola. Suas vidas acabam se conectando de uma maneira inesperada e com consequências dramáticas. A estreia vai acontecer em 19 de fevereiro.
O Filho Eterno evita a pieguice ao tratar de deficiência com uma narrativa dura e humanizadora
Tarefa complicada adaptar uma obra sobre um pai que não aceita a condição do filho, que tem Síndrome de Down, e não resvalar na pieguice, no dramalhão. O mérito está em toda a equipe envolvida, passando pelo roteiro adaptado de Leonardo Levis (“Canção da Volta”), pela produção sempre competente de Rodrigo Teixeira, que só este ano se mostrou atuante em quatro produções importantes, pela direção contida – mas sem perder o interesse na emoção – de Paulo Machline (“Trinta”), nos dois protagonistas, vividos por Marcos Veras (“Porta dos Fundos: Contrato Vitalício”) e Débora Falabella (minissérie “Nada Será Como Antes”), e também no trabalho comovente do garoto Pedro Vinícius, que empresta seu coração gigante para o último ato do filme, sem parecer se esforçar muito para isso. “O Filho Eterno” também tem recria fielmente as décadas de 1980 e 1990, já que a história se passa no intervalo entre duas Copas, a de 1982, quando a seleção brasileira de Zico e cia. perdeu naquele histórico 3×2 para a Itália e deixou um gosto amargo no país inteiro, e termina em 1994, com a conquista do título de tetracampeão, com a seleção de Romário e a memorável disputa por pênaltis. Percebemos não apenas o bom trabalho de direção de arte na reconstrução de época, mas também o próprio espírito desse período, exemplificado no próprio modo mais duro e até desumano como as coisas eram ditas. Naquela época, era natural chamar um garoto com Síndrome de Down de mongol, ou dizer coisas que não deveriam ser ditas para os próprios amigos, como se pode ver em um diálogo entre o personagem de Veras e um amigo, em uma festa regada a vinho em sua casa. Esse jeito duro de mostrar as coisas também se traduz na condução narrativa do filme, que evita, na maior parte do tempo, o caminho fácil da emoção. Afinal, trata-se de uma história de negação do próprio filho, que para o pai é um grande problema, um grande desgosto. Marcos Veras, em seu primeiro trabalho dramático para o cinema, confere verdade a seu personagem, embora sua performance seja apenas correta. Como ele é o condutor da narrativa, também não é fácil para o espectador acompanhar, ainda que com certo distanciamento, o modo como ele encara a situação, seja fugindo para a bebida ou para outras mulheres, seja tratando o filho de forma agressiva e impaciente, seja até mesmo ficando feliz ao saber que crianças com Down podem morrer cedo. O mais interessante é que o filme não transforma esse personagem em um monstro ou um sujeito odiável, mas apenas num ser humano. Apenas num homem que demora a enxergar o presente que lhe foi dado de maneira amorosa. Até ele chegar nesta conclusão, o amor aparece na figura da mãe, vivida por Débora Falabella. E é dela o grande momento do filme. Desses de fazer muito espectador chorar. Trata-se de um monólogo em que ela conta sobre um dia na vida dela com o filho. Percebemos que a emoção está ali de verdade, não apenas uma técnica de interpretação. É o tipo de cena que já eleva o filme a um outro patamar. Baseado na história real de Cristóvão Tezza, que desabafou em forma de romance sobre esse difícil processo de aceitação da condição do próprio filho, “O Filho Eterno” também já teve uma adaptação para os palcos na forma de monólogo. E, nas versões anteriores, a personagem da mãe aparecia ainda menos. Na adaptação cinematográfica, ela não só está mais presente, como também representa o amor incondicional, ajudando a tornar mais palatável as cenas duras de negação do diferente. Foi uma escolha muito feliz dos realizadores (roteirista e diretor), e por causa disso o filme ganhou uma força maior. Outro acerto foi a escalação do ótimo garoto que interpreta o Fabrício pré-adolescente, um amor de menino, que empresta sensibilidade e espontaneidade à obra.
The Last Face: Trailer indica o que deu errado no melodrama ridicularizado de Sean Penn
A Saban Films divulgou quatro fotos e o primeiro trailer de “The Last Face”, que marca a volta de Sean Penn à direção, nove anos após “Na Natureza Selvagem” (2007). Mas apesar do elenco grandioso, que inclui sua então namorada Charlize Theron (“Mad Max: Estrada da Fúria”), o filme acabou ganhando destaque por ter virado piada no Festival de Cannes deste ano. A prévia dá uma dica do que deu errado. A bela fotografia mostra paisagens africanas e o desespero de refugiados, mas o centro da história é um romance meloso entre voluntários do Médico Sem Fronteiras, que namoram em meio às vítimas de uma guerra civil. Romance entre branquinhos bonitos, no meio da miséria africana, é difícil de aturar, ainda mais com uma trilha exagerada, que joga o melodrama no volume mais alto. O roteiro foi escrito por Erin Dignam (“O Lenço Amarelo”) e o elenco internacional de atores brancos ainda inclui o espanhol Javier Bardem (“007 – Operação Skyfall), o franco-marroquino Jean Reno (“A Sombra do Inimigo”), o inglês Jared Harris (“Poltergeist: O Fenômeno”), a francesa Adèle Exarchopoulos (“Azul É a Cor Mais Quente”) e até o filho do diretor (o estreante Hopper Penn), enquanto negros coadjuvam ou figuram como “causa”. Isto até rende uma discussão política, mas não a que o diretor deve ter planejado. Penn quis fazer um filme de amor em tempos de cólera e crise humanitária. O filme teria sido inspirado por seu romance com Theron, que se dedica à causa dos refugiados africanos. Mas, em meio à produção, até esse relacionamento pessoal deu errado, virando ex-namoro. A saia-justa nem sequer tem data para chegar aos EUA, mas já estreia em janeiro na França. Também não há previsão para lançamento no Brasil.
Pequeno Segredo estreia com mesmos números de Aquarius nos cinemas brasileiros
Uma estreia brasileira acabou se destacando nas bilheterias do fim de semana. Escolhido como representante do país na disputa por uma indicação ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeiro, “Pequeno Segredo” estreou em 5º lugar, com 52 mil ingressos vendidos e faturamento de R$ 889 mil. Usando os critérios que aferiram “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho, filme que também disputou uma vaga de indicação à indicação no Oscar, estes números dão ao melodrama de David Schürmann a condição de grande sucesso do cinema nacional. Entretanto, não foi isso que se viu na cobertura de sua estreia. Vale a pena comparar a forma como a grande imprensa tratou o desempenho de ambos os filmes. Quando “Aquarius” estreou em setembro, levando quase o mesmo número de pessoas aos cinemas e com faturamento similar – 54 mil pessoas e R$ 880 mil ingressos vendidos – , mas em 10º lugar, a Folha de S. Paulo destacou em título: “‘Aquarius’ tem 2ª melhor estreia nacional do ano”. O Jornal do Brasil aumentou: “Em seu primeiro fim de semana, ‘Aquarius’ tem bilheteria excepcional”. E, claro, vários blogues ecoaram. Já em relação à bilheteria de “Pequeno Segredo”, o tratamento foi burocrático. Alguns blogues, contudo, chegaram a desdenhar do filme, porque ele abriu no dobro de salas de “Aquarius”, o que significaria que fez menos sucesso. De fato, proporcionalmente, “Aquarius” fez mais sucesso por sala. Claro que o dobro de salas de “Pequeno Segredo” ainda é um terço do que o circuito reserva para besteiróis. E enquanto a imprensa foca sua negatividade num drama bem realizado, as comédias ruins continuam rindo desta crítica inútil, aumentando cada vez mais a ocupação do espaço destinado ao cinema nacional. Poucos são os dramas que conseguem se destacar no país. Por isto, o 5º lugar de “Pequeno Segredo” é, sim, uma vitória.
Candidato brasileiro ao Oscar, Pequeno Segredo é melodrama convencional
Membro da família de velejadores Schurmann, David Schurmann já havia se prontificado a levar para os cinemas detalhes de suas expedições com o documentário “O Mundo em Duas Voltas” (2007). Em “Pequeno Segredo”, escolhido para representar o Brasil na busca por uma indicação ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, o diretor volta a resgatar as memórias de sua família, especialmente de sua irmã adotiva, desta vez como ficção. Mas em vez de suas aventuras marítimas pelo mundo, foca um drama particular narrado por sua mãe Heloisa no livro “Pequeno Segredo – As Lições de Kat para Família Schurmann”. Mesmo o mais desinformado dos espectadores sabe que o centro da trama é a enfermidade carregada por Kat (Mariana Goulart), pré-adolescente que acredita ingerir vitaminas para controlar uma hepatite. Adotada por Heloisa (Julia Lemmertz) e Vilfredo (Marcello Antony), Kat tem os detalhes de sua concepção recriados aos poucos em “Pequeno Segredo”. Graduado em cinema e televisão na Nova Zelândia, David Schurmann sugere ter grande afeto por filmes corais, aqueles em que alguns personagens desconhecidos entre si se conectam em uma narrativa não linear. É um desafio gerenciar indivíduos de personalidades distintas em linhas temporais diversas e, mesmo que Schurmann tenha a facilidade de lidar com apenas dois núcleos familiares, há uma regra sagrada não respeitada em “Pequeno Segredo”: o fator surpresa. Fracassando ao pretender que o “pequeno segredo” nos seja revelado na mesma altura em que Kat descobre o que condenará a sua existência (uma pista jogada no primeiro ato trata de destruir qualquer apreensão que esse mistério provocaria), a condução de Schurmann se sabota na tentativa de respeitar as regras mais básicas da cartilha do melodrama. É um filme que não tem vergonha de admitir que foi feito para emocionar, mas que não sabe até onde apelar para fazê-lo. Além da estrutura, dessas que ainda lidam com dados do passado já descortinados pelo presente, outro problema no filme vem a ser a construção de personagens. O senso de desprendimento dos Schurmann foi substituído por um novo estilo de vida em que Kat é uma prioridade 24 horas por dia. Já os pais biológicos da garota (interpretados por Maria Flor e Erroll Shand) contam com preocupações como o bem-estar próprio e alheio, assim como os dilemas de abandonar ou se manter em seus locais de origem. Mas são logo descartados quando os Schurmann assumem um protagonismo mais evidente. Lamentavelmente, o trabalho mais ingrato recai justamente nos ombros da irlandesa Fionnula Flanagan, excelente veterana, mais conhecida por filmes como “Mães em Luta” e “Os Outros”, bem como por sua participação especial no seriado “Lost”. No papel da avó biológica de Kat, a atriz precisa se virar com falas desprezíveis e ainda é submetida a uma redenção a partir de um monólogo sobre o que é amar, que jamais compramos. É preciso coragem para tornar pública uma história dolorosa e privada e David Schurmann busca compartilhar a de sua irmã com carinho e ênfase em valores, que deseja que o público carregue consigo após a sessão. No entanto, também é preciso um amadurecimento profissional que nenhuma credencial para tentar uma vaga no Oscar é capaz de substituir. Talvez fosse melhor ter repassado a história de Kat para outro diretor que não se preocupasse tanto em higienizar a tela e enfeitá-la com borboletas.
O Filho Eterno: Melodrama com Marcos Veras e Débora Falabella ganha primeiro trailer e fotos
A Sony e a Globo Filmes divulgaram o pôster, as fotos e o primeiro trailer de “O Filho Eterno”, novo filme do diretor Paulo Machline (“Natimorto” e “Trinta”). A prévia segue uma estrutura esquemática de melodrama, acompanhando a expectativa de um casal pelo nascimento do filho, seguida pela frustração com a notícia de que ele é deficiente intelectual, a rejeição do pai, as dificuldades na criação do menino, que leva ao desgaste do casamento, até chegar ao final feliz, com a aceitação e o afeto demonstrado pelo filho. Tudo isso ao longo de 12 anos, entre o período que se estende da derrota da seleção brasileira do futebol arte de 1982 à vitória da seleção do futebol pragmático de 1994. O filme adapta o livro homônimo escrito por Cristovão Tezza, sobre a relação entre um pai e seu filho com Síndrome de Down. A obra original venceu diversos prêmios literários. O roteiro da adaptação é de Leonardo Levis, que após os besteiróis “Qualquer Gato Vira-Lata” (2011) e “O Concurso” (2013), mergulhou no melodrama rasgado com “Canção da Volta” (2016). O elenco destaca outro egresso dos besteiróis, Marcos Veras, em seu primeiro protagonismo dramático no cinema. Ele vive o pai, casado com a personagem de Débora Falabella, que, por coincidência, interpretou uma deficiente em seu último filme, o bastante sensível “Meu País” (2011). No papel do filho, está o estreante Pedro Vinícius. “O Filho Eterno” teve première na mostra competitiva do Festival do Rio, de onde saiu sem prêmios. A estreia está marcada para 1 de dezembro.
Gifted: Chris Evans luta pela custódia da sobrinha em trailer de drama indie
A Fox Searchlight divulgou a primeira foto, o pôster e o trailer de “Gifted”, drama indie estrelado por Chris Evans, intérprete do Capitão América nos filmes da Marvel. Curiosamente, o pequeno filme independente tem direção de outro integrante do mundo dos super-heróis, Marc Webb, que fez os dois longas da franquia “O Espetacular Homem-Aranha”. Sem efeitos visuais, o filme acompanha uma história intimista, em que Evans luta pela custódia de sua sobrinha, tentando cumprir o desejo da irmã de dar à menina uma infância normal e feliz. O problema é que a menina é um supergênio da matemática e a avó quer matriculá-la numa universidade, levando a disputa pelo futuro da criança para os tribunais. O elenco inclui a atriz mirim Mckenna Grace (série “Designated Survivor”), a veterana Lindsay Duncan (“Alice Através do Espelho”), Octavia Spencer (“A Série Divergente: Convergente”), Jenny Slate (série “Parks and Recreation”) e Julie Ann Emery (série “Better Call Saul”). A estreia está marcada para 12 de abril nos EUA e ainda não há previsão de lançamento no Brasil.











