Transexual indicada ao Oscar decide boicotar a cerimônia de premiação
A cerimônia do Oscar 2016 ganhou mais uma polêmica, na véspera de sua realização. E novamente envolve a questão da diversidade. Segundo artista transexual da História a ser indicada a uma estatueta, a cantora inglesa Anohni anunciou que vai boicotar a premiação, porque não poderá cantar a música pela qual concorre na categoria de Melhor Canção Original. Líder da banda Antony and the Johnsons, que fundou quando ainda era conhecida como Antony Hegarty, a cantora foi indicada pela música “Manta Ray”, composta em parceria com J. Ralph para o documentário “Racing Extinction”. Entretanto, ela não foi convidada para se apresentar no palco da festa marcada para o próximo domingo (29/2). Em um desabafo postado em seu site oficial, ela explicou porque decidiu boicotar a premiação, ao mesmo tempo em que comete uma gafe, ao desconsiderar a pioneira Angela Morley. “Sou a primeira transgênero a ser indicada, e devo agradecer por isso aos artistas que votaram em mim. Estava na Ásia quando recebi a notícia. Desde então, passei a procurar algo, no caso de ser convidada para apresentar a canção. Todo mundo me ligou para dar os parabéns. Uma semana depois, os nomes de Sam Smith, Lady Gaga e the Weeknd foram anunciados. Outros seriam revelados ‘em breve’. Confusa, sentei e esperei. No entanto, ninguém me procurou”. Apesar de sua declaração, Anohni não é a primeira artista transgênero a disputar a premiação da Academia. A pioneira Angela Morley (nascida Walter Stott) concorreu não apenas uma, mas duas vezes ao Oscar na categoria musical durante os anos 1970, como compositora de canções de “O Pequeno Príncipe” (1974), seu primeiro trabalho após a cirurgia de “ajuste sexual”, e “O Sapatinho e a Rosa: A História de Cinderela” (1976). Na época, entretanto, sua condição sexual era mantida em sigilo. Foi por isso, também, que Morley preferiu trabalhar, sem receber créditos, nas trilhas de seu amigo John Williams, a partir de 1977. Sim, ela compôs boa parte das músicas ouvidas na trilha de “Guerra nas Estrelas” (1977). Morley também trabalhou sem o devido reconhecimento em “O Império Contra-Ataca” (1980), “Superman – O Filme” (1978) e “E.T. – O Extraterrestre” (1982), entre muitos outros sucessos de bilheteria, mas venceu três Emmys (dois deles para especiais televisivos de Julie Andrews) e conquistou o respeito da indústria, a ponto de ser convidada pela própria Academia a arranjar um medley das trilhas indicadas ao Oscar de 2001, apresentado durante a cerimônia. Ela faleceu em 2009, aos 84 anos de idade. Apesar de ignorar Morley, Anohni disse, em seu desabafo, não acreditar ter sido excluída por ser trans, aceitando o fato de que os artistas anunciados têm mais apelo comercial. No entanto, ressaltou que uma vida marcada por rejeições fez com que ela não pudesse deixar de notar mais essa. “Todo mundo me disse que, mesmo assim, eu deveria ir ao prêmio. Que passar pelo tapete vermelho seria ‘bom para a minha carreira’. Noite passada, tentei me forçar a entrar num avião rumo a Los Angeles para os eventos que envolvem os indicados. Mas o sentimento de constrangimento e raiva me nocauteou. E não pude entrar na aeronave”. Como Antony Hegarty, ela gravou quatro discos da banda Antony and the Johnsons. Mas, no ano passado, anunciou a decisão de seguir em carreira solo, prometendo a estreia de seu primeiro álbum como Anohni, “Hopelessness”, para 2016.
Assista: Reação à intolerância, documentário Bichas vira fenômeno nas redes sociais
Fenômeno nas redes sociais brasileiras, o documentário “Bichas” já teve mais de 200 mil visualizações no YouTube desde que foi disponibilizado em 20 de fevereiro. O filme consiste de depoimentos de seis gays, com histórias e perfis diversos, e foi inspirado por uma violência sofrida pelo diretor, após um desconhecido lhe apontar uma arma por rdyst num grupo em que dois homens andavam de mãos dadas. “Suas bichas, vou atirar em você”, teria dito o valente heterossexual. Publicitário, o jovem pernambucano Marlon Parente decidiu se defender tirando o poder ofensivo da palavra “Bichas”. Pegou uma câmera emprestada, comprou um microfone de R$ 10 e filmou seis amigos com luz natural – sem verba para iluminador. Depois, editou todo o material sozinho e lançou na internet. Foi o que bastou. Políticos, atores e músicos começaram a compartilhar o filme nas redes sociais. E, em três dias, “Bichas” atingiu 100 mil visualizações. A repercussão também rendeu, nesta semana, diversas matérias na imprensa do eixo Rio-SP, além de um convite para Marlon exibir “Bichas” no festival de cinema O Cubo, no Rio de Janeiro. Confira, abaixo, seus 39 minutos na íntegra.
Entrevista: Equipe de Antes o Tempo Não Acabava revela o Brasil amazônico ao mundo
A dupla de diretores Sérgio Andrade e Fábio Baldo foi um dos destaques do Festival de Berlim com seu “Antes o Tempo Não Acabava”, que retrata a vida de um índio (interpretado por Anderson Tikuna) vivendo nas fronteiras entre o mundo urbano e a antiga tribo – para a qual tem de prestar contas, submetendo-se às suas práticas rituais. O sincretismo leva à materialização de situações inusitadas, como Anderson cantando e dançando Beyoncé, além de lidar com a homossexualidade, que não existia antes do contato com os brancos. Exibido na seção Panorama, o filme teve boa resposta do público e da crítica, e garantiu distribuição em alguns países da Europa. À espera da estreia oficial, os diretores e o protagonista conversaram com a Pipoca Moderna sobre este singular amálgama entre dois mundos… Este é um filme com vários elementos: existe a cultura indígena, a vida na periferia de uma grande cidade, rock e música eletrônica e uma abordagem estética com semelhanças com o cinema de autor europeu. Como foi a conjugação disto tudo? SÉRGIO: Tudo começa com a zona intermediária. No Brasil, temos várias vertentes de raça, seja o negro, o europeu, o imigrante, o índio. No caso deste filme, quando o indígena vem da sua aldeia do interior da Amazônia para a periferia da cidade, cria-se aí uma zona limítrofe na qual eles são indígenas mas também são habitantes de uma metrópole e tem de viver sob as normas e desejos da vida urbana. O próprio Anderson, o ator principal, veio de uma aldeia com oito anos e tem algumas semelhanças com a personagem. Ele foi criado no ambiente da cidade e vão se confundindo os preceitos da cultura, tradições e rituais indígenas com as novidades da vida urbana em todos os seus aspetos, sejam religiosos, sexuais e de vida pratica. Foi isso que sempre me impressionou. Nos meus filmes anteriores eu tive uma grande aproximação com os índios e gostei muito de trabalhar com eles – caso da curta “Cachoeira” e do meu primeiro longa, “A Floresta de Jonathas”. Sempre fui muito fascinado com o lendário indígena, que usamos como mola de criatividade, e tive o encontro com o Fábio que foi o montador do “Floresta” e também cuidou do som – especialidade dele. A gente se uniu e as nossas cabeças combinam muito em criatividade e inventividade. FÁBIO: Eu gosto de personagens em zonas de transição, que tem a ver com a relação que o Sérgio tem com os índios e a floresta e eu entre as pessoas da zona rural. O meu primeiro filme (o curta “Caos”) era sobre agricultores… O nosso esforço vem no sentido de entender questões de funções e desejos dentro da vida urbana, de trazer esses conflitos, trazer essas dicotomias para o personagem do Anderson. A música tem uma presença importante. FÁBIO: A música veio também desta necessidade. Uma das fontes de inspiração foi um CD de músicas indígenas que o Sérgio arranjou há uns anos no museu de arte etnográfica de Berlim – que um pesquisador alemão, Koch-Grünberg, gravou no Brasil. É uma música etérea, espiritual, que lembra o passado, tradições, quase gramofônica, e jogamos com esses sons em algumas passagens do filme e vimos como soava. Mas depois pensamos que tínhamos que criar uma dicotomia. Fomos buscar música eletrônica… E aí trouxemos a música do Kraftwerk, que também é uma crítica do homem moderno, da tecnologia… Na conversa com o público do Festival de Berlim vocês fizeram algumas piadas e demonstraram afinidade com a Alemanha. SÉRGIO: Essa “conspiração alemã” já vem de antes, o meu primeiro filme estreou aqui em 17 cidades, em salas de filmes autorais. Depois há uma curiosidade: a primeira vez que desejei entrar no mundo do cinema foi quando fui figurante nas filmagens de “Fitzcarraldo” (obra do alemão Werner Herzog), quando tinha 13 anos. Lembro bem do Klaus Kinski e do José Lewgoy… estava entrando num sonho. Há uma curva com a Alemanha interessante e agora o filme é exibido aqui, sendo bem-recebido. FÁBIO: Houve até umas pessoas na rua que nos deram parabéns! A abordagem estética de vocês vai na linha do cinema europeu? FÁBIO: Não, acho que a estética é mais asiática. SÉRGIO: E tem quatro línguas no filme, todas de alguma forma similares a idiomas asiáticos. E aquela cena quando o índio entra no barraca e a mulher está dando comida à menina lembra coisas de Jia Zhangke, Tsai Ming-Liang, Apichatpong Weerasethakul… Situações como a cena do sacrifício de uma criança, mostrada no filme, acontecem realmente? FÁBIO: Em algumas tribos acontecia… SÉRGIO: Bom, algumas etnias indígenas têm uma forma natural de seleção e pensam muito na saúde do guerreiro, que vai ter que trabalhar em prol da aldeia. Crianças que nascem com problemas de saúde podem vir a ser alguém que vai trazer problemas para a sua comunidade. Para eles, isso é perfeitamente natural. Mas são apenas algumas etnias e não existem estimativas que digam que isso continua acontecendo. De qualquer forma, não queríamos fazer um julgamento, embora seja sempre uma questão delicada de abordar. Também houve elogios à fotografia, à sua maneira de filmar a selva… FÁBIO: O Yure César (diretor de fotografia) é de Manaus e é fotógrafo, tem uma empresa produtora de cinema. Ele é muito técnico e busca a perfeição. Sendo ele muito técnico, nós meio que nos confrontamos, pois ele quer a imagem mais bonita, mais perfeita e nós estamos preocupados com a informação, com os planos. Deste conflito surgiu um filme que tem um registro quase documental. É quase todo feito com luz natural – tirando algumas sequência à noite. Uma coisa que nós gostamos muito é que o Yure pensa a luz, ele não é como esses fotógrafos novos com equipamento digital. Ele entende a forma como a luz afeta um personagem. Também há uma abordagem pouco usual, que é associar à questão indígena uma temática LGBT… FÁBIO: A sexualidade é um ponto importante do filme, mas isso está inserido em algo maior, a busca da identidade, dos seus aspetos culturais, filosóficos. Não é apenas um filme gay, é mais que isso. SÉRGIO: Para mim, a questão da sexualidade é tão importante quanto as outras e na cena mais forte de sexo eu vejo um fetiche de um pelo outro, uma experiencia nova, mas também uma miscigenação, duas raças. É uma simbologia de que sexo é prazer. ANDERSON: Entre os índios não havia a homossexualidade, que veio depois do contato com o branco. O povo agora é evangélico, mas em geral respeita essa opção, não há discriminação. Anderson, como acha que vão reagir às cenas de sexo na sua aldeia? ANDERSON: Meu pai e minha mãe me apoiam e é o meu trabalho como ator, isso é um filme de ficção. O que esta achando de Berlim e deste outro tipo de ritual, que é o do grande festival de cinema? ANDERSON: Um sonho, sonho realizado, estou feliz ter ganho a oportunidade de trazer esse filme, essa cultura. Estou ansioso para mostrar o filme ao meu povo. Vão fazer perguntas de como foi. FÁBIO: Berlim é um dos festivais que mais abraça filmes brasileiros depois de Rotterdam. E é o que está dando mais visibilidade. Para além da importância para nós, no Brasil temos grandes eixos de cinema – São Paulo, Rio, Pernambuco e Minas, mas não temos a representação do norte. Agora estamos começando a ser ouvidos, e trazer um filme para cá vai nos tornar mais fortes. Trouxemos um filme de Manaus onde 90% da equipe são pessoas de lá, é algo inédito. SÉRGIO: o festival tem uma orientação para acolher filmes que venham de uma cinematografia em desenvolvimento e com temas provocadores, polémicos, diferentes, que plantam uma semente do bem e do mal, ele acolhe bem esse tipo de filme. Se estamos aqui é porque conseguimos fazer um projeto que deu certo. O que podem adiantar sobre os seus novos projetos? FÁBIO: estou desenvolvendo um argumento com uma produtora em São Paulo, vou passar esse ano escrevendo para rodar em 2017. Aí retomo as minhas indagações sobre os homens do campo, com algo meio biográfico sobre o meu pai, com um pouco de ficção científica, como tinha no meu primeiro filme. Trata dos dilemas dos pequenos agricultores diante das grandes indústrias de fertilizantes, dos transgênicos. Meu pai continua tentado sobreviver, mas os últimos 15 anos têm sido muito difíceis. SÉRGIO: Desde a pré-produção do “Antes o Tempo não Acabava” eu já estava escrevendo um roteiro novo – que se chama “Terra Negra dos Caua”, que é uma etnia fictícia e trata da questão da terra indígena. É uma família que cultiva uma terra negra num sítio nas cercanias de Manaus que, para além das propriedades agrícolas, tem poderes energéticos e até sobrenaturais. É uma metáfora para a questão da posse da terra indígena. Esse projeto ganhou o edital de baixo orçamento do Ministério da Cultura Vou filmar em 2017. É uma quase ficção científica etnográfica. Então vão trabalhar separados? (risos) SÉRGIO: ainda não sabemos! Foi tudo muito rápido. Houve um diretor aqui da Panorama que perguntou se tínhamos feito um filme juntos e quando dissemos que sim ele respondeu: ‘E vocês ainda são amigos’? (risos). FÁBIO: pois é, ainda somos! Talvez não sobrevivamos a um segundo projeto!
Faking It: Sitcom adolescente vira novelinha no trailer da 3ª temporada
A MTV divulgou o trailer da 3ª temporada de “Faking It”, série que costumava girar em torno de duas garotas que decidem se fingir de namoradas para conquistar popularidade na escola. Quem vê a nova prévia jamais poderia imaginar isso, já que as duas agora nem amigas são mais. Além disso, as briguinhas e romances tímidos lembram mais uma novelinha adolescente, estilo “Malhação”, que uma sitcom de tema ousado. Criada por Carter Covington, roteirista de “Greek” que também desenvolveu a série baseada no filme “10 Coisas que Eu Odeio em Você” (cancelada na 1ª temporada), “Faking It” é estrelada por Katie Stevens (reality show “American Idol”), Rita Volk (série “Major Crimes”) e Gregg Sulkin (série “Os Feiticeiros de Waverly Place”), e retorna à televisão dos Estados Unidos no dia 15 de março.
Entrevista | Anna Muylaert: “Não sou obrigada a fazer sempre a mesma coisa”
A pressão era grande: depois de vencer o prêmio do público com “Que Horas Ela Volta”, em 2015, Anna Muylaert voltou ao Festival de Berlim para apresentar “Mãe Só Há Uma”. A expectativa gerada em torno de um filme que sai apenas um ano depois era enorme e ajudou que ela se sentisse nervosíssima antes da sessão. Mas não era necessário: mais uma vez, foram aplausos entusiasmados e conversas no final – embora nem todas para elogiar, como ela própria conta… “Mãe Só Há Uma” acabou recebendo um prêmio secundário, mas a diretora diz que este ano não veio atrás de “medalha”. Ela tampouco acredita que o filme seja um sucesso de público, pois não tem atores famosos nem apoio da Globo. Descrita pela cineasta como uma “provocação”, “Mãe Só Há Uma” conta a história de um bebê roubado da maternidade e, que aos 17 anos, enquanto questiona a própria sexualidade, é obrigado a mudar-se para a casa da sua família biológica. De resto, nesta conversa exclusiva com a Pipoca Moderna, Muylaert fala do filme, do cinema brasileiro e das suas esperanças para as bilheterias de “Mãe Só Há Uma”, cujo lançamento está prevista para o segundo semestre. A convivência com o Festival de Berlim está se estreitando… Numa das sessões você parecia uma estrela de rock… (risos) É verdade, loucura… Os seus filmes têm um estilo próprio, um pouco indie e ao mesmo tempo acessível. Por que a Berlinale gosta dos seus filmes? Acho que os filmes ficam sempre no meio, entre o arthouse e o popular. Mas “Que Horas Ela Volta?” é um filme mais popular, todo o mundo gosta. Foi um filme marcante aqui no ano passado, ganhou o prêmio do publico. Este ano, quando cheguei, o pessoal ainda lembrava. Mas o novo é mais fechado, mais provocativo e tem aspetos experimentais. Mas acho que também é acessível. E sente uma pressão maior em função do que aconteceu no ano passado? Sim, claro. Acho que este ano estou aqui por causa do ano passado, eles queriam ver a reação a este novo filme. Eu fiquei um tempo pensando exatamente nisto, que este ano não devo ganhar nada. Depois pensei que o que eu tenho que fazer é poesia, não é um concurso, não tenho de receber medalha. E Berlim é legal porque é o centro da Europa, é dos melhores festivais para se vir, há gente de todo o lado. Em Sundance, por exemplo, só se encontram americanos. Está sendo muito bom, acho que o melhor festival para o filme era esse. O ano passado eu não tinha expectativa porque ninguém me conhecia, mas tinha muita certeza de que o filme agradaria, com uma atriz carismática, um filme solar, todo mundo feliz. Ganhou prêmio de público. E esse ano eu não vim com um filme solar é mais lunar e sem atores famosos. Foi deliberado? Sim, pois é de baixo orçamento, custou U$ 400 mil, muito pequeno. Então eu pensei ‘vou experimentar fazer com mais câmera na mão, sem atores famosos, uma narrativa diferente’. É um filme mais arriscado e eu tinha medo de decepcionar, tipo ‘vamos ver o filme da mesma diretora’ e eu estava morrendo de medo. Aquele dia na primeira sessão eu estava muito nervosa e houve pessoas que disseram que não gostaram. Sério? Sério, houve pessoas que me disseram ‘pô, você me decepcionou, o outro era um filme tão feliz’ etc. Bom, mas eu não sou obrigada a fazer sempre a mesma coisa. Mas, em compensação, tem muita gente que prefere a provocação desse. Mas está tudo bem, são duas coisas autênticas, que eu fiz com o mesmo amor. Por que decidiu contar essa história? Ela tem uma base verídica, certo…? Sim, é uma história muito conhecida no Brasil, quase clássica – mas sempre do ponto de vista da mãe. Tinha uma novela onde a Renata Sorrah fazia a mãe que roubava, e um filme do Caetano Gotardo, “O que se Move”, onde a mãe que era a vítima. Eu sempre me interessei pela história do filho. O personagem dele é desesperador, porque se você troca tudo… quem você é? Há oito anos atrás eu comecei com o processo do filme. Parece que foi rápido, mas não foi, apenas saiu perto do outro. Para ilustrar a questão da identidade você também foi buscar a questão sexual… Sim, no início não tinha isso, mas depois eu comecei a pensar que era para falar da identidade, esse recurso dava para falar de dois tipos de mãe – a da infância, oceânica, e a da adolescência, mais restritiva. Depois do outro filme eu comecei a andar com muitos jovens e com homossexuais e na noite de São Paulo vi muitas coisas que não tinha na época em que eu saia – como homens vestido de mulher andando com mulheres. Para mim, homem que usava vestido era gay – e não é bem assim. Eu fiquei fascinada com isso e resolvi pôr no filme, vai ser uma das metáforas sobre redenção, até porque quando um adolescente chega junto dos pais e diz “eu sou isso”, é sempre um choque, porque nunca somos aquilo que eles queriam… Aquela cena com o Mateus Nachtergaele é bem forte, quando ele diz “o que mais nós temos que fazer para te agradar?” Sim, exatamente. Você espera 17 anos e te aparece um menino que usa vestido…? É uma metáfora muito forte desse conflito de adolescente pra se individualizar. Tem de se ter muita força para crescer dentro da própria família. Quase todo o adolescente nunca corresponde àquilo que o pai espera. Você tem quem que quebrar. O filme é sobre esse momento. Quando estreia no Brasil? Já tem data? Sai no segundo semestre porque eu estou muito cansada, preciso descansar. Há três anos que eu não paro. Daqui a pouco os teus filhos é que perguntam “que horas ela volta”… Exato! Ainda bem que eles estão crescidos. Acha que o cinema tem de ter um compromisso público? No Brasil parece haver um cinema muito experimental de um lado e uma produção bastante comercial de outro… Como dizia Glauber Rocha, ‘os caminhos são todos os caminhos’, tem de ter de tudo. Mas eu acho que não só no Brasil, mas também em toda a América Latina, há uma situação demasiado bipolar. Os filmes do meio, como os meus, têm uma dose de tentativa de inteligência, mas também de comunicação com o público. Os argentinos estão com um cinema tão bem sucedido neste momento porque eles entendem isso. Acha que a presença em Berlim ajuda na carreira dos filmes? Em termos de impacto no mercado interno… muito pouco. Depois tem que se ver a vocação do filme, se for de arte é para os circuitos de festivais apenas. Os meus filmes procuram o público. Mas acho que o “Curumim” (de Marcos Prado, outro filme brasileiro em Berlim), em função do tema que tem, pode ter boa saída. Também tem a ver com ter uma boa distribuição, com o número de salas…Em quantas salas saiu “Que Horas Ela Volta” no Brasil? “Que Horas Ela Volta” saiu em 90 salas e na França em 160, mas lá não foi tão bem. Teve mais sucesso no Brasil – 500 mil espectadores. E teria tido mais se na Itália não tivessem lançado o DVD. Foi logo na segunda semana e aí caiu na pirataria – com boa qualidade. Chegou a ter dez capas diferentes! Mas no Brasil foi um fenômeno. Mas esse não vai ser, não tem famosos, não tem a Globo. Estou à espera entre 50 e 100 mil espectadores.
Berlim: Premiação da Mostra Panorama consagra o cinema israelense
A organização do Festival de Berlim anunciou os premiados da Panorama, seção que abrigou os três títulos brasileiros durante o evento cinematográfico alemão. O público, que o ano passado escolheu “Que Horas Ela Volta?”, de Anna Muylaert, em 2016 optou pelo israelense “Junction 48”, de Udi Aloni, sobre o cotidiano de rapper palestino em Tel Aviv. Já nos documentários, o premiado foi “Who’s Gonna Love Me Now?”, dos irmãos Tomer e Barak Heymann, sobre a vida de um israelense renegado pela família após contrair HIV, que encontrou motivos para viver ao ingressar no Coral Gay de Londres. De acordo com a organização, cerca de 30 mil cédulas de votos foram entregues pelos espectadores na saída das sessões e, desde o início, estes dois títulos de diretores israelenses estabeleceram-se como os prediletos. Nos segundos e terceiros lugares as escolhas na área da ficção recaíram sobre projetos da Alemanha (“Fukushima mon Amour”, da veterana Doris Dörrie) e da África do Sul (“Shepherds and Butchers”, de Oliver Schmitz, obra protagonizada por Steve Coogan). Nos projetos documentais as distinções foram para o holandês “Strike a Pose” (de Reijer Zwaan) e para o sul-coreano “Weekends” (de Lee Dong-ha). De resto, apesar da boa impressão, das sessões lotadas e de conversas após as sessões com boa participação do público, “Mãe Só Há Uma”, “Antes o Tempo não Acabava” e “Curumim” ficaram fora da premiação oficial. Mas “Mãe Há só Uma” apareceu na votação paralela do Teddy Awards, o mais antigo prêmio de cinema LGBT do mundo, que completou 30 anos. O drama de Anna Muylaert, sobre o um jovem transexual, que tenta se readaptar à família, após descobrir ter sido roubado na infância e criado pela sequestradora, venceu o prêmio do público da revista Männer, que patrocina o Teddy. Já o Teddy Award propriamente dito foi para o austríaco “Tomcat”, de Handl Klaus, sobre um casal gay, cuja vida romântica é estraçalhada pela violência. Por fim, na categoria de documentário, o vencedor do Teddy foi “Kiki”, da sueca Sara Jordenö, que explora a cultura “vogue” de New York. Vencedores da seção Panorama do Festival de Berlim 2016 Melhor Filme “Junction 48”, de Udi Aloni (Israel) Segundo Lugar “Fukushima mon Amour”, de Doris Dörrie (Alemanha) Terceiro Lugar “Shepherds and Butchers”, de Oliver Schmitz (África do Sul) Melhor Documentário “Who’s Gonna Love Me Now?”, de Tomer e Barak Heymann (Israel/Reino Unido) Segundo Lugar “Strike a Pose”, de Reijer Zwaan (Holanda) Terceiro Lugar “Weekends”, de Lee Dong-ha (Coreia do Sul) Vencedores dos Teddy Awards 2016 Melhor Filme “Tomcat”, de Handl Klaus (Áustria) Melhor Documentário “Kiki”, de Sara Jordenö (EUA/Suécia) Prêmio do Júri “You’ll Never Be Alone”, de Alex Anwandter (Chile) Prêmio do Público “Paris 5:59 (Theo & Hugo dans le meme Bateau)”, de Oliver Ducastel e Jacques Martineau (França) Prêmio dos leitores da revista Männer “Mãe Só Há Uma”, de Anna Muylaert (Brasil)
A Garota Dinamarquesa transforma tema atual em filme à moda antiga
“A Garota Dinamarquesa” traz um diretor e um protagonista que já venceram o Oscar, respectivamente Tom Hooper (por “O Discurso do Rei”) e Eddie Redmayne (por “A Teoria de Tudo”), ambos com produções de época bem conservadoras. Por sorte, ambos são eclipsados no filme pela atriz sueca Alicia Vikander (“O Amante da Rainha”), que se posiciona como um dos grandes nomes da temporada de premiações. Ela surpreende num papel que é maior do que faz supor sua indicação ao Oscar de Atriz Coadjuvante, e evita que o longa sucumba aos exageros cafonas do cineasta e do protagonista. Na trama, o casal de pintores Gerda (Alicia Vikander) e Einar (Eddie Redmayne) vive uma vida relativamente tranquila na Dinamarca dos anos 1920, ainda que não seja nada fácil viver de arte. Gerda, principalmente, só vai conseguir sucesso com seus retratos quando pede que o marido pose para ela com um vestido. A pintura vira um sucesso e novos quadros são encomendados para uma exposição em um museu de arte de Copenhague. Só que a experiência de posar como mulher mexe com a cabeça de Einar, que percebe de imediato, ao usar um vestido, o quanto sua feminilidade estava prestes a aflorar. Trata-se de um assunto interessante e curioso, que culmina na primeira intervenção cirúrgica para mudança de sexo no mundo. Mas, apesar de baseada numa história verídica, há muita ficção no roteiro escrito por Lucinda Coxon (“Matador em Perigo”), que simplifica a questão de gênero sexual, a ponto de aproximar o caso de Einar/Lili do surto de Norman Bates em “Psicose” (1960), um homem que também se vestia de mulher. O embate interior entre as personalidades de Einar e Lili, o nome que ele adota ao decidir virar mulher, não deixa de ser interessante. Redmayne incorpora essa transformação por meio de lembranças da imagem da mãe e pela observação do gestual feminino, até que termina rejeitando seu órgão sexual masculino. Mesmo assim, mantém seu amor por Gerda. Vikander, por sinal, tem uma personagem tão interessante quanto Einar/Lili, no apoio e na frustração que acompanha a transformação de seu marido. Neste sentido, o ponto alto de “A Garota Dinamarquesa” acaba sendo o diálogo final entre o casal, que pode levar muitos espectadores às lágrimas. No mais, o longa incomoda pela utilização melodramática de sua trilha sonora (composta por Alexandre Desplat) e no modo exagerado com que Redmayne interpreta seu personagem. Junto à fotografia requintada e a reconstrução apurada do período, são fatores que contribuem para que “A Garota Dinamarquesa” se pareça, apesar do tema tão atual, com um filme à moda antiga.
Carol é um dos filmes mais belos da temporada de premiações
Um dos filmes mais belos desta atual temporada de premiações é “Carol”, de Todd Haynes, cineasta que já havia mostrado sua sensibilidade no trato de relacionamentos proibidos no igualmente ótimo “Longe do Paraíso” (2002), que também se passava na década de 1950 e que emulava, de maneira mais forte, o cinema de Douglas Sirk, o mestre do melodrama na velha Hollywood. A diferença é que nos filmes de Haynes, e em “Carol” especificamente, as emoções são mais contidas. Como numa tentativa de captar também o sentimento de impotência diante de uma sociedade que não permite seguir impulsos fora da norma. As paixões devem ser tolhidas ou muito bem escondidas, o que não é fácil, especialmente para uma mulher casada, como é o caso de Carol, vivida brilhantemente por Cate Blanchett. Conhecemos inicialmente Carol pelos olhos assustados, mas também muito curiosos, de Therese (Rooney Mara), uma moça que trabalha como balconista em uma loja de departamentos e que sonha em ser fotógrafa. É nessa loja que as duas se descobrem, com uma troca de olhares e de informações e um par de luvas esquecido que faz com que Therese queira mudar de vida, deixar para trás tudo aquilo que não lhe faz mais sentido, inclusive o namorado. Já Carol tem uma história de vida mais longa e complicada. Está passando por um processo de divórcio e tem uma filha que ela corre o risco de perder na justiça para o marido. Aliás, a questão da filha chega a causar mais emoção do que o próprio relacionamento entre as duas mulheres, que é tratado de maneira mais sutil e sóbria. As cenas fotografadas através de vidros e véus funcionam como uma metáfora da dificuldade de alcançar o objeto de desejo naquela sociedade que arruinava a vida de quem fugisse ao padrão estipulado de família. Se nos dias de hoje ainda é um pouco assim, que dirá na década de 1950, quando astros de Hollywood eram obrigados a esconder suas preferências sexuais, ainda que fossem óbvias. Haynes recria a época com apuro, emoldurando tudo de maneira muito elegante. Cada detalhe de roupa, penteado ou mobília ao redor do casal é cuidadosamente pensado, a fim de compor uma espécie de pintura viva, em movimento. Os detalhes da intimidade compartilhada se beneficiam com a direção segura, mas também com a bela atuação do par central, indicadas ao Oscar, assim como a fotografia, o desenho de produção, a trilha e o roteiro adaptado. Curiosamente, o filme é baseado em um romance de Patricia Highsmith, mais conhecida por escrever livros policiais – ela é a autora de “Pacto Sinistro”, que virou um clássico de Alfred Hitchcock, e criadora do assassino serial Ripley, já adaptado em diversos filmes. Mas “Carol”, de certa forma, é um filme sobre um crime, pelo menos um crime para as normas que deviam ser seguidas naquela época. Como dois ladrões, as duas mulheres fogem de carro pelos Estados Unidos em busca de liberdade, paz e amor.
Zosia Mamet pode viver a cantora Patti Smith no cinema
A atriz Zosia Mamet, intérprete de Shoshanna na série “Girls”, negocia viver a cantora Patti Smith no cinema. Intitulado “Mapplethorpe”, o filme será centrado em seu companheiro, o fotógrafo Robert Mapplethorpe, e terá Matt Smith (“Dr. Who”) no papel principal. Segundo o site Deadline, a produção começará a ser filmada ainda este ano, com roteiro e direção da documentarista Ondi Timoner (“Dig!”), à frente de sua segunda obra de ficção. Robert Mapplethorpe foi um dos mais importantes fotógrafos do século 20. Suas fotografias em preto e branco foram muito influentes entre os anos 1970 e 80, e ganharam projeção nacional por conta da controvérsia trazida à tona por uma exposição dedicada à cena gay sadomasoquista. Ele também fotografava personalidades famosas e uma de suas fotos de Patti Smith ilustrou o icônico disco “Horses” (1975), um dos primeiros lançamentos da cena punk nova-iorquina. Seu estilo de vida autodestrutivo, alimentado pela promiscuidade sexual, acabou levando-o à morte por Aids em 1989. Patti Smith viveu com Mapplethorpe, que era gay, desde que ela se mudou para Nova York no final dos anos 1960 até 1974. E recentemente lançou um livro a respeito desta fase, intitulado “Só Garotos”. Esta obra, por sinal, vai virar uma série do canal pago Showtime. Patti será coprodutora da atração ao lado de John Logan, criador da série “Penny Dreadful” e roteirista dos filmes “007 – Operação Skyfall (2012) e “007 Contra Spectre” (2015).
Amor por Direito: Ellen Page e Julianne Moore lutam por seus direitos em trailer de melodrama lésbico
A Paris Filmes divulgou o trailer legendado do drama “Amor por Direito”, em que Julianne Moore (“Para Sempre Alice”) e Ellen Page (“X-Men: Dias de um Futuro Esquecido”) vivem um casal lésbico. Baseado em fatos reais, a trama mostra a relação do casal, que, em sua batalha por direitos iguais, acabou mobilizando os EUA. A prévia capricha no melodrama de “filme de doença” e inclui a balada uivante cantada por Miley Cyrus, que ficou mais conhecido pelo barraco de sua compositora, Linda Perry, ao não ser indicada ao Oscar. A história também possui elementos de drama jurídico ao acompanhar a batalha nos tribunais de Laurel Hester, a personagem de Julianne Moore, uma policial diagnosticada com câncer em estágio terminal. Enfrentando preconceitos para que sua esposa tivesse, após sua morte, os mesmos direitos das mulheres dos outros policiais, ela encontrou apoio de organizações de defesa dos direitos homossexuais e até da associação dos policiais, ajudando a modificar a percepção de sua comunidade a ponto de conseguir mudar a legislação. A luta de Hester já tinha virado documentário, também chamado “Freeheld” (o título original) e premiado com o Oscar de Melhor Curta Documental em 2008. Mas apesar das conquistas da comunidade LGBT nos últimos anos, a atual produção chegou a ter suas filmagens vetadas em uma escola católica por causa de seu tema. “Freeheld” é o primeiro trabalho em que Ellen Page interpreta uma lésbica e foi filmado logo após ela assumir sua homossexualidade. O elenco também inclui Steve Carell (“Foxcatcher”) como militante gay e Michael Shannon (“O Homem de Aço”) como o policial parceiro de Moore. Escrito por Ron Nyswaner, autor de outro roteiro de luta por direitos LGBT, o pioneiro “Filadélfia” (1993), e dirigido por Peter Sollett (“Uma Noite de Amor e Música”), o filme, lançado em outubro nos EUA, estreia apenas em 22 de abril no Brasil.
Adam Lambert entra na versão televisiva de Rocky Horror Picture Show
O cantor Adam Lambert (revelado em “American Idol”) entrou para o elenco da versão televisiva de “Rocky Horror Picture Show”. Segundo o site The Hollywood Reporter, ele ficará com o papel de Eddie, que foi interpretado originalmente pelo roqueiro Meat Loaf no filme cult de 1975. Eddie é um entregador de pizza que ama rock. O projeto do canal americano Fox será uma releitura do clássico musical de terror do West End londrino “The Rocky Horror Show” (1973), que foi transformado no filme “The Rocky Horror Picture Show” em 1975. O filme se tornou cult porque, durante sua exibição nos cinemas, o público costumava cantar e dançar junto com os personagens – o que virou uma tradição e faz com que ele seja exibido até hoje, em algumas salas especializadas, 40 anos após o seu lançamento. Lambert vai se juntar a c, intérpretes do casal de noivos que, ao enfrentar um problema com o carro, acaba pedindo ajuda aos moradores de um estranho castelo nas proximidades, sem imaginar que ele é habitado por alienígenas do planeta Transexual. O papel principal, por sinal, ficou com Laverne Cox (série “Orange Is the New Black”), primeiro transexual a interpretar a Dra. Frank-N-Furter. E o elenco também inclui Reeve Carney (série “Penny Dreadful”) como Riff Raff, um dos servos fiéis da cientista de outro mundo. A direção e as coreografias estão a cargo de Kenny Ortega (“High School Musical”) e a exibição deve acontecer no final de 2016.
Um dos irmãos gêmeos da série Teen Wolf se assume gay
O ator Charlie Carver, que sempre trabalhou com seu irmão gêmeo em séries como “Desperate Housewives”, “The Leftovers” e “Teen Wolf”, assumiu sua homossexualidade no Twitter. O lugar escolhido foi inusitado, assim como o detalhe de frisar que seu irmão Max Carver é heterossexual. Mas o mais curioso é que estas diferenças já tinha sido estabelecidas entre os personagens dos dois na série “Teen Wolf”, em que Charlie viveu um lobisomem gay, enquanto seu irmão fez par romântico com uma das protagonistas. Numa longa série de posts de 140 caracteres, Charlie descreveu como descobriu que era gay aos 12 anos de idade e as dificuldades em aceitar que era diferente, comemorando a sorte que teve por viver numa família que o apoiou inteiramente. “Para mim, e para a minha família, foi uma conversa preciosa, na qual senti que tinha começado a aceitar-me a mim mesmo, à minha vida”, ele escreveu. Apesar de assumir abertamente a sua orientação sexual, o ator diz esperar que isso não o defina. “Não queria ser definido pela minha sexualidade. Claro, sou um homem gay orgulhoso, mas não me identifico como um homem gay, ou apenas como gay”. E terminou a confissão com uma referência divertida ao seu irmão Max. “Que fique registado que o meu irmão gêmeo é tão legal quanto eu ao ser heterossexual”.
Victoria Justice entra na versão televisiva de Rocky Horror Picture Show
A versão televisiva do musical “Rocky Horror Picture Show” escalou mais três nomes em seu elenco. A mais conhecida é a atriz Victoria Justice (série “Victorious”), que chega acompanhada por Ryan McCartan (série “Liv & Maddie”) e Reeve Carney (série “Penny Dreadful”). Justice e McCartan serão Janet Weiss e Brad Majors, o casal de noivos, que enfrentam um problema com o carro e acabam pedindo ajuda aos moradores de um estranho castelo nas proximidades, sem imaginar que ele é habitado por alienígenas do planeta Transexual, cujo anfitrião está à procura de uma criatura para lhe satisfazer sexualmente exatamente naquela noite. Carney fará Riff Raff, um dos servos fiéis da Dra. Frank-N-Furter, que por sua vez será vivida, pela primeira vez, por ator transexual, Laverne Cox (série “Orange Is the New Black”). O projeto do canal americano Fox será uma releitura do clássico musical de terror do West End londrino “The Rocky Horror Show” (1973), que foi transformado no filme “The Rocky Horror Picture Show” em 1975. O filme se tornou cult porque, durante sua exibição nos cinemas, o público costuma cantar e dançar junto com os personagens – o que virou uma tradição e faz com que ele seja exibido até hoje, em algumas salas especializadas, 40 anos após o seu lançamento. A direção e as coreografias estão a cargo de Kenny Ortega (“High School Musical”) e o lançamento deve acontecer no final de 2016.












