Filme sobre Tiradentes vai disputar o Urso de Ouro no Festival de Berlim
O filme “Joaquim”, cinebiografia de Tiradentes dirigida pelo cineasta Marcelo Gomes (“Era uma Vez Eu, Veronica”), foi selecionado para a mostra competitiva do Festival de Berlim. O longa está entre os dez títulos anunciados nesta terça-feira (10/1) pela organização do festival alemão, como complemento da lista dos concorrentes ao Urso de Ouro em 2017. A inclusão de “Joaquim” acontece dois anos após “Praia do Futuro”, de Karim Aïnouz, ter sido o último representante do país na competição. Curiosamente, Gomes e Aïnouz são parceiros, tendo trabalhado juntos em “Madame Satã” (2002), “Cinema, Aspirinas e Urubus” (2005) e “Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo” (2009). “Joaquim” surgiu inicialmente como parte de um projeto de coproduções da Televisão Espanhola (TVE), realizado em homenagem ao bicentenário das revoluções sul-americanas. Além do filme de Tiradentes, representando o Brasil, fizeram parte do plano original “José Marti: O Olho do Canário” (2010), do cubano Fernando Pérez (“Últimos Dias em Havana”), “Hidalgo – A História Jamais Contada” (2010), do mexicano Antonio Serrano (“Macho”), “Revolução: A Cruzada de San Martin” (2011), do argentino Leandro Ipiña (série “Exodo”), “Artigas – La Redota” (2011), do uruguaio César Charlone (série “3%”), e “Libertador” (2013), uma cinebiografia de Simon Bolivar feita pelo venezuelano Alberto Arvelo (“Habana, Havana”). Mas aí veio a crise financeira europeia, e “Joaquim” precisou ser feito com recursos próprios, enquanto outros projetos jamais saíram do papel – um filme chileno sobre Bernardo O’Higgins e um peruano a respeito de Tupac Amaru, por exemplo. A história de Tiradentes já rendeu vários filmes, entre eles o marcante “Os Inconfidentes” (1972), dirigido por José Pedro de Andrade e com José Wilker no papel principal. Mas o personagem foi explorado até em novelas, interpretado por Carlos Zara em “Dez Vidas” (1969) e por Thiago Lacerda na recente “Liberdade, Liberdade” (2016). O filme de Marcelo Gomes tem como diferencial forcar-se mais nas viagens de Tiradentes por Minas Gerais e Rio de Janeiro e no caldeirão de ideias que formou a consciência política do alferes Joaquim José da Silva Xavier, vivido por Julio Machado (“Trago Comigo”). O roteiro foi feito em parceria com João Dumans (“A Cidade onde Envelheço”), segundo declarou o pernambucano Gomes, para ter um “olhar mineiro”. O cinema brasileiro venceu duas vezes o Urso de Ouro com “Central do Brasil”, em 1998, e “Tropa de Elite”, em 2008. O presidente do júri deste ano será o cineasta holandês Paul Verhoeven, atualmente em cartaz nos cinemas com “Elle”, que venceu os Globos de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz (Isabelle Huppert) e foi um dos 15 melhores filmes lançados em circuito limitado no Brasil em 2016. Além de “Joaquim”, o Brasil será representado por mais quatro longas nas mostras paralelas do festival: “Vazante”, de Daniela Thomas, e “Pendular”, de Júlia Murat, na mostra Panorama, “Mulher do Pai”, de Cristiane Oliveira, e “As Duas Irenes”, de Fábio Meira, na mostra Generation, além do curta “Estás vendo Coisas”, de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca. O Festival de Berlim ocorrerá entre 9 e 19 de fevereiro na capital da Alemanha.
Karim Aïnouz vai filmar livro feminista rejeitado por todas as grandes editoras brasileiras
O cineasta Karim Aïnouz, responsável por sucessos como “O Céu de Suely” (2006) e “Praia do Futuro” (2014), prepara a adaptação literária de “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, de Martha Batalha, livro que chamou atenção por ser rejeitado por todas as grandes editoras brasileiras, antes de ser disputado por diversos publishers estrangeiros e virar sensação, até se lançado pela arrependida Companhia das Letras no país. “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão” acompanha duas irmãs durante três décadas, dos anos 1940 a 1970. Mais extrovertida, Guida abandona a casa dos pais, enquanto Eurídice se torna uma dona de casa exemplar. A primeira precisa criar os filhos sozinha após ser deixada pelo marido e a segunda deseja escrever um livro de culinária, mas, é impedida pelo marido. A proposta da obra visa mostrar as dificuldades encontradas por ambas as mulheres na sociedade machista e patriarcal do Brasil. Em entrevista para a revista Variety, Karim Aïnouz afirmou que deseja fazer um melodrama clássico, ao estilo de Douglas Sirk. “O livro toca em uma ferida. Acho que seria muito importante adaptar algo do passado, mas relevante para nós, fazendo essa ligação com os dias contemporâneos”, declarou o cineasta sobre o debate feminista que tende a ser suscitado pelo filme. Com produção da RT Features, de Rodrigo Teixeira, “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão” deve começar a ser rodado em 2017, com roteiro escrito pelo próprio Aïnouz em parceria com o curta-metragista Murilo Hauser (“Meu Medo”).
Karim Aïnouz vai filmar em Tóquio seu primeiro drama falado em inglês
Diretor de filmes como “O Céu de Suely” (2006) e “Praia do Futuro” (2014), Karim Aïnouz prepara seu primeiro filme em inglês. Intitulado “Neon River”, o longa será ambientado em Tóquio e deve custar entre US$ 5 a 10 milhões, segundo informações do produtor Fabiano Gullane registradas pela revista Variety. Baseado no romance “Favela High-Tech”, de Marco Lacerda, o filme vai acompanhar uma jovem que chega ao Japão sonhando em ser modelo, mas acaba virando dançarina de boate. Em Tóquio, ela conhece um gângster russo com quem vive um tórrido caso de amor e com quem se envolve em situações perigosas. “É uma aventura ambientada durante a noite, pulsante com tensão sexual. O filme aborda uma questão crucial dos nossos tempos: filhos e filhas da primeira geração de imigrantes que sonham com a sua terra natal, mas são sugados pelo novo país”, declarou o cineasta. As filmagens estão marcadas para o primeiro semestre de 2017, com roteiro de Karim Aïnouz em parceria com o britânico Toby Finlay (“O Retrato de Dorian Gray”).


