Vúva de Domingos Montagner se emociona ao aceitar prêmio de Melhor Ator do marido
A viúva do ator Domingos Montagner se emocionou durante a cerimônia do Prêmio Extra de Televisão, que foi entregue na noite de terça (29/11), no Rio de Janeiro. Luciana Lima subiu ao palco para receber o troféu de Melhor Ator concedido ao marido por sua atuação como Santo na novela “Velho Chico”. Montagner foi eleito pelo público em votação na internet. O elenco de “Velho Chico”, que estava reunido no evento, também não segurou a emoção. Emocionada com o reconhecimento, ela disse que foi ao evento em homenagem ao marido e como forma de agradecer ao apoio que vem recebendo. O ator morreu em setembro após se afogar no rio São Francisco, onde a novela era gravada. “Peço desculpas pelas falas trêmulas, mas é muito emocionante estar aqui nessa noite, representando o Domingos. Não é fácil. É muito talento, é muita dedicação, é muito empenho, muito trabalho… São muitos anos de batalha. E é bom vir aqui e, aos poucos, ir reconhecendo o talento dele”, ela pontuou, contendo o choro, antes de acrescentar: “Domingos não foi só um grande ator, mas um pai dedicado e amoroso, um marido companheiro e um ótimo colega de trabalho. Esse reconhecimento, que veio do público, não veio só pela dedicação à arte e ao ofício. Ele era assim, desse jeito.” Luciana era casada com o ator desde 2001 e eles são pais de três filhos: Leo, Dante e Antonio. O Prêmio Extra de Televisão é realizado desde 1998 pelo jornal carioca Extra, premiando os melhores da televisão brasileira. A publicação pertence ao grupo Globo e tradicionalmente só premia atrações da rede Globo, como foi novamente o caso neste ano. Além de Montagner, foram premiados Adriana Esteves como Melhor Atriz por seu papel na minissérie “Justiça”, Selma Egrei como Melhor Atriz Coadjuvante por seu papel como a vilã Encarnação em “Velho Chico”, Irandhir Santos como Melhor Ator Coadjuvante por viver Bento, também de “Velho Chico”. Mas apesar do domínio de “Velho Chico”, na hora de entregar o prêmio à melhor novela, o título anunciado foi… “Êta Mundo Bom!”. Veja a lista completa dos vencedores abaixo: Prêmio Extra de Televisão 2017 Melhor Ator Domingos Montagner (“Velho Chico”) Melhor Atriz Adriana Esteves (“Justiça”) Melhor Ator Coadjuvante Irandhir Santos (“Velho Chico”) Melhor Atriz Coadjuvante Selma Egrei (“Velho Chico”) Melhor Ator Mirim Gabriel Palhares (“Liberdade, Liberdade”) Revelação Masculina Lee Taylor (“Velho Chico”) Revelação Feminina Lucy Alves (“Velho Chico”) Melhor Apresentador Marcio Garcia (“Tamanho Família”) Melhor Série “Justiça” Melhor Programa Humorístico “Escolinha do Professor Raimundo” Melhor Novela “Êta Mundo Bom!” Melhor Programa de Competição “The Voice Kids”
Ausência acerta ao tratar de carências fundamentais com sutileza
Todo mundo precisa de afeto, ao longo de toda a vida, para poder viver bem consigo mesmo e com os outros. Os bebês, as crianças e os jovens se nutrem do afeto que recebem dos adultos para desenvolver autoconfiança e explorar suas capacidades e possibilidades. Uma família acolhedora é importante para o desenvolvimento do caráter e da personalidade, em moldes saudáveis e criativos. Na ausência dela, compensações são possíveis, claro. Mas o processo se dá de modo mais complicado. A ausência do pai, a incapacidade de acolhimento da mãe, condições sociais adversas, dificuldades econômicas, podem ser ingredientes alimentadores de dramas, quando não de tragédias. É de uma realidade assim, de carências fundamentais, que trata o filme “Ausência”, de Chico Teixeira. O protagonista é o garoto Serginho (Matheus Fagundes), de 15 anos, que, além de não encontrar o afeto básico de que precisa, tem de se virar precocemente, para sustentar a família, o que inclui cuidar de um irmão menor. O pai sumiu. A mãe vive à margem da vida, envolvida pelas drogas, eventualmente pela prostituição e pela incapacidade de assumir a condição materna ou o papel de provedor que toda família requer. Na vida de Serginho, a mãe Luzia (Gilda Nomacce) é um zero à esquerda. Pior, alguém que ele tem que suportar e escorar. Os personagens jovens com quem Serginho convive, enquanto trabalha na feira com um tio, são Mudinho (Thiago de Matos) e Silvinha (Andréia Mayumi). Não há muito que ele possa extrair deles. As carências são mais ou menos as mesmas. As limitações, até maiores. Mudinho não tem esse nome por acaso. O tão necessário afeto que o menino busca pode estar na figura de um professor aberto e acolhedor, Ney (Irandhir Santos), mas que não quer assumir o papel paternal que Serginho espera dele. O atrativo do circo poderá ser uma tábua de salvação diante da dramática constatação de que o garoto está só no mundo? Essa bela temática é trabalhada no filme com delicadeza, sutileza e respeito pelos sentimentos dos personagens. De modo mais evidente, nos trazendo a figura sofrida e solitária do adolescente Serginho, condenado a uma aridez de vida terrível e despertando para a sexualidade e o direito ao prazer. Desencontrado, mas responsável como poucos o são nessa idade. O jovem ator Matheus Fagundes encontrou o tom certo para nos transmitir a realidade do personagem. E tem no elenco coadjuvantes de grande talento, como o ator Irandhir Santos (de “O Som ao Redor” e muitos grandes papéis no cinema brasileiro), a atriz Gilda Nomacce (“Califórnia”) e a chilena Francisca Gavilán (“Violeta Foi Para o Céu”).

