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  • Filme

    Festival de Gramado reúne a indústria cinematográfica sob ataque de Bolsonaro

    16 de agosto de 2019 /

    O Festival de Gramado nasceu durante o boom do cinema brasileiro produzido na era de ouro da Embrafilme, sobreviveu à destruição daquela época pelo governo Collor, quando praticamente não foram lançados longas, e chega a sua 47ª edição nesta sexta (17/8) em meio a ataques do presidente Bolsonaro aos filmes feitos no país. A concentração da indústria cinematográfica na serra gaúcha, neste momento histórico, é garantia de repercussão. Os discursos de protestos são mais que esperados durante a abertura do evento às 18h, que apresentará “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, em sua primeira exibição no Brasil após vencer o prêmio do júri no Festival de Cannes. Kleber Mendonça Filho, como todos lembram, protestou contra o “golpe” sofrido por Dilma Rousseff com cartazes no tapete vermelho de Cannes em 2016, quando lançou “Aquarius”. E até hoje se fala disso. Bolsonaro fez tudo para acirrar os ânimos ao máximo com uma live na noite de quinta, afirmando que tinha barrado a liberação de incentivos para filmes de temática LGBTQIA+ e que já teria “degolado todo mundo” se as cabeças da Ancine “não tivessem mandato”, utilizando-se da linguagem violenta para ameaçar o órgão responsável pelo incentivo à produção do cinema brasileiro. Por conta do governo extremamente ideológico de Bolsonaro – um PT ao avesso – , a política deve roubar a cena dos próprios filmes no evento, que vai acontecer até o dia 24 de agosto. Ainda assim, há muitos filmes. Ao todo, 19 longas e 34 curtas. Entre os sete longa-metragens da mostra competitiva nacional incluem-se a cinebiografia “Hebe — A estrela do Brasil”, de Maurício Farias, com Andréa Beltrão na pele da famosa apresentadora da TV brasileira, a dramédia “Veneza”, de Miguel Falabella, que acompanha a viagem dos sonhos de uma cafetina à cidade italiana, e “O Homem Cordial”, de Iberê Carvalho, suspense no qual Paulo Miklos interpreta um cantor de rock envolvido na morte de um policial. Além disso, o festival também homenageará quatro personalidades: o ator Lázaro Ramos, a atriz e cineasta Carla Camurati, o ator argentino Leonardo Sbaraglia e o artista Mauricio de Sousa, criador da Turma da Mônica. As homenagens serão acompanhadas pelos devidos discursos, alguns mais contundentes que outros. Confira abaixo a lista dos longas selecionados para as mostras competitivas do evento gaúcho. Filmes Brasileiros “Hebe – A Estrela do Brasil” (São Paulo) Direção: Maurício Farias “O Homem Cordial” (Distrito Federal) Direção: Iberê Carvalho “Pacarrete” (Ceará) Direção: Allan Deberton “Raia 4” (Rio Grande do Sul) Direção: Emiliano Cunha “Veneza” (Rio de Janeiro) Direção: Miguel Falabella “Vou Nadar Até Você” (São Paulo) Direção: Klaus Mitteldorf e Luciano Patrick “30 Anos Blues” (São Paulo) Direção: Andradina Azevedo e Dida Andrade Filmes Latino-Americanos “A Son of Man – La Maldición del Tesoro de Atahualpa” (Equador) Diretor: Jamaicanoproblem “Dos Fridas” (México e Costa Rica) Direção: Ishtar Yasin “El Despertar de las Hormigas” (Costa Rica) Direção: Antonella Sudasassi Furnis “En el Pozo” (Uruguai) Direção: Bernardo e Rafael Antonaccio “La Forma de las Horas” (Argentina) Direção: Paula de Luque “Muralla” (Bolívia) Direção: Rodrigo Alfredo Alejandro Patiño Sanjines “Perro Bomba” (Chile) Direção: Juan Caceres

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  • Filme

    O Homem Cordial: Trailer mostra Paulo Miklos enfrentando intolerância

    16 de julho de 2019 /

    A produtora O2 divulgou o primeiro trailer de “O Homem Cordial”. Apesar do título gerar um pouco de confusão com “O Animal Cordial” (2017), a história reflete outro tipo de violência social. A sinopse descreve o filme como “um thriller psicológico, no qual o afloramento de uma onda de ódio e intolerância é visto a partir do ponto de vista de Aurélio (Paulo Miklos), um homem de 60 anos, branco, rico e heterossexual, que de sua posição social privilegiada se vê perdido e impotente, sem saber como reagir a essa realidade que se apresenta”. A prévia, entretanto, mostra que Aurélio não é um empresário burguês (“posição social privilegiada”), mas um cantor de rock como o próprio Paulo Miklos, que enfrenta hostilidade do público durante um show. Além disso, uma das cenas gravadas nas ruas de São Paulo recria frases de um confronto associado a Chico Buarque e eleitores de Bolsonaro nas ruas do Rio. Por sinal, “O Homem Cordial” também é título de uma obra de Sérgio Buarque de Holanda, escritor, historiador, jornalista, fundador do PT e pai do cantor Chico Buarque. O resto do vídeo, entretanto, dispensa aspectos de drama político-social para destacar cenas típicas de thriller, com perseguições, armas em punho e ameaças físicas. Além do ex-Titãs, o elenco conta com outros músicos, com o rapper Thaíde (“2 Coelhos”) e o DJ Theo Werneck (“Que Horas Ela Volta?”), ao lado de atores do cinema indie nacional, como Dandara de Morais (“Ventos de Agosto”), Thalles Cabral (“Yonlu”), Fernanda Rocha (“O Último Cine Drive-in”) e Thaia Perez (“Aquarius”). Dirigido por Iberê Carvalho (“O Último Cine Drive-in”), o filme fará sua première no 47º Festival de Cinema de Gramado, que acontece entre 16 e 24 de agosto, e ainda não tem previsão de estreia comercial.

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  • Filme,  Música

    Paulo Miklos vai viver cantor de banda punk em filme de suspense

    15 de julho de 2018 /

    O cantor Paulo Miklos vai viver um roqueiro punk em seu próximo filme no cinema. O personagem é o protagonista de “O Homem Cordial”, suspense psicológico que está sendo rodado em São Paulo desde o início do mês, sob a direção de Iberê Carvalho (“O Último Cine Drive-In”) “Nunca fiz um papel tão próximo de mim, disse Miklos, em entrevista ao jornal O Globo, durante filmagem na sala de shows Credicard Hall, lugar em que ele fez muitas apresentações com a banda Titãs. “É interessante poder emprestar para o personagem algo da minha vida e da minha experiência. A gente sempre empresta, claro, mas neste caso vai ser um choque para quem me acompanha como músico. Até porque tem uma inversão de expectativas. É muito legal poder ‘brincar’ com isso”. Miklos começou a atuar – e bem – , em 2002, no filme “O invasor”, de Beto Brant, e desde então vem mantendo uma carreira paralela nas telas, em filmes tão diferentes quanto “Estômago” (2007), “É Proibido Fumar” (2009) e “Carrossel: O Filme” (2015). Em “O Homem Cordial”, a banda punk fictícia liderada por Miklos, a Instinto Radical, volta aos palcos após anos de separação para um show de reunião. Mas em meio à apresentação, o público começa a hostilizar o personagem e o grupo, que traz entre seus integrantes os atores e músicos Bruno Torres, Theo Werneck e Mauro Schames. “Na verdade, a esta altura, ninguém sabe o por que da reação agressiva do público”, explicou o diretor, que também assina o roteiro em parceria com o uruguaio Pablo Stoll (“Whisky”). “Aos poucos, no entanto, o espectador vai se dando conta de que aquilo tem a ver com algo que aconteceu antes e acabou se espalhando pela internet e pelas redes sociais”. Na história, o protagonista se vê no centro de uma polêmica, após um vídeo de celular flagrá-lo no cenário em que um policial militar foi morto. O filme acompanha o roqueiro em uma jornada pela noite de São Paulo, onde ele vai enfrentar as consequências de uma sociedade cada vez mais radicalizada e extremamente polarizada. “O espectador vai acompanhar o meu personagem”, disse Miklos, ainda para O Globo. “Vai se identificar com ele e, ao mesmo tempo, vai desenvolver uma visão crítica dele. Não é um herói que você segue cegamente, é alguém que a gente vai descortinando e descobrindo coisas a partir do seu olhar. E também vão julgá-lo, como as pessoas que estão ao redor dele. É sobre isso, na verdade que estamos falando também”. A ideia do filme foram vídeos que se espalharam pela internet em 2015, mostrando um menino quase ser linchado em Copacabana por turistas e banhistas que o acusaram de ter participado de arrastões na praia. Já apreendido pelos guardas municipais, o menino continuou levando tapas e socos, antes de ser protegido para sair do local numa viatura. Ao “É um tema que me parece muito urgente”, contou Carvalho na mesma entrevista. “Em uma das edições recentes do Festival de Cannes, o Pedro Almodóvar disse que, se tivesse filhos, ficaria muito preocupado, por conta da onda reacionária que o mundo vai enfrentar nos próximos anos. Fiquei assustado porque achava que era localizado, mas fiquei pensando onde isso vai parar. Foi quando eu tive a certeza de que o meu filme seria sobre isso”. Ou seja, sobre a influência da internet e das redes sociais na mobilização de pessoas para o bem ou, na maior parte do tempo, para o mal.

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