Curtis Hanson (1945 – 2016)
Morreu o diretor Curtis Hanson, um dos diretores mais interessantes do cinema americano dos últimos anos, embora só tenha sido reconhecido pela Academia com um Oscar, pelo roteiro do brilhante “Los Angeles: Cidade Proibida” (1997). Ele faleceu na noite de terça-feira (20/9) em sua casa, em Hollywood, aos 71 anos. Autoridades policiais informaram que paramédicos foram chamados até sua residência e ele já estava morto quando chegaram. Aparentemente, a causa da morte do diretor, que há anos sofria com Alzheimer, foi um ataque do coração. Hanson nasceu em Reno, Nevada, mas cresceu em Los Angeles. Apaixonado pela sétima arte desde muito jovem, abandonou o colegial para trabalhar como fotógrafo freelance e, posteriormente, editor de uma revista de cinema. A experiência lhe permitiu estrear como roteirista aos 25 anos, assinando a adaptação de um conto clássico de H.P. Lovecraft no terror barato “O Altar do Diabo” (1970), produzido pelo rei dos filmes B Roger Corman, que acabou cultuado por reunir a ex-surfista e boa moça Sandra Dee com o hippie Dean Stockwell. Corman estimulou Hanson a passar para trás das câmeras, e ele estreou como diretor dois anos depois com outro terror, desta vez uma obra original que ele próprio imaginou. “Sweet Kill” (1972) era a história de um desajustado que descobre ser, na verdade, um psicopata, ao matar acidentalmente uma jovem e gostar. O ex-ídolo juvenil Tab Hunter tinha o papel principal. Ele ainda rodou o trash assumido “Os Pequenos Dragões” (1979), sobre karatê kids que tentam salvar uma jovem sequestrada por uma mãe e seus dois filhos maníacos, antes de subir de degrau e trabalhar com um dos pioneiros do cinema indie americano, o cineasta Samuel Fuller. Hanson escreveu o clássico thriller “Cão Branco” (1982), dirigido por Fuller, sobre uma atriz que resgata um cachorro sem saber que ele foi treinado para ser violento e atacar negros. Comentadíssima, a obra lhe rendeu os primeiros elogios de sua carreira. A boa receptividade a “Cão Branco” abriu-lhe as portas dos grandes estúdios. A Disney lhe encomendou o roteiro de um filme na mesma linha, “Os Lobos Nunca Choram” (1983), em que um pesquisador, enviado pelo governo para verificar a ameaça dos lobos no norte do país, descobre que eles são benéficos para a região. E a MGM lhe entregou a direção de “Porky 3” (1983), que, apesar do título nacional, não tinha relação alguma com a famosa franquia canadense de comédias sexuais passadas nos anos 1950 – “Porky’s 3” (com o detalhe da grafia correta) foi lançado dois anos depois! Mas é fácil entender porque a distribuidora quis passar essa falsa impressão. A trama acontecia no começo dos anos 1960 em torno de quatro adolescentes americanos, entre eles um certo Tom Cruise, que viajam até Tijuana, no México, querendo cair na farra, num pacto para perder a virgindade. Hanson não escreveu “Porky 3”, mas histórias de apelo adolescente se tornaram frequentes em sua filmografia. Tanto que seu trabalho seguinte foi um telefilme teen, “The Children of Times Square” (1986), uma espécie de “Oliver Twist” contemporâneo, sobre jovens sem-teto nas ruas de Nova York. Ele completou sua transição para o cinema comercial especializando-se em suspenses, numa sequência de lançamentos do gênero que fez a crítica compará-lo a Alfred Hitchcock. “Uma Janela Suspeita” (1987), inclusive, devia sua premissa a “Janela Indiscreta” (1954), mostrando um crime testemunhado a distância, por um casal que não deveria estar junto naquele momento. A testemunha era interpretada por ninguém menos que a fabulosa atriz francesa Isabelle Huppert. “Sob a Sombra do Mal” (1990) também tinha premissa hitchockiana, evocando “Pacto Sinistro” (1951), mas ganhou notoriedade pelo timing, lançado logo após o vazamento de sex tapes de seu protagonista, o ator Rob Lowe. Ele aparecia no filme num raro papel de vilão, ironicamente chantageando o futuro astro de “The Blacklist”, James Spader, por conta de gravações sexuais. Foi o melhor papel da carreira de Lowe e o empurrão definitivo para Hanson se tornar conhecido. Seu filme seguinte estabeleceu sua fama como mestre do suspense, num crescendo assustador. “A Mão Que Balança o Berço” (1992) fez bastante sucesso ao explorar um tema que marcaria a década: a mulher simpática, que abusa da confiança de suas vítimas. Poucas psicopatas foram tão temidos quanto a babá vivida por Rebecca De Mornay, que em pouco tempo se viu acompanhada por Jennifer Jason Lee em “Mulher Solteira Procura…” (1992) e Glenn Close em “Atração Fatal” (1987), na lista das mulheres que transformaram intimidade em ameaça. O quarto thriller consecutivo, “O Rio Selvagem” (1994), trouxe Meryl Streep como uma mãe que leva sua família para navegar nas corredeiras de um rio, apenas para ver todos sequestrados por Kevin Bacon, armado. Mas foi o quinto suspense que o transformou definitivamente num cineasta classe A. Obra-prima, “Los Angeles: Cidade Proibida” (1997) inspirava-se na estética do cinema noir para contar uma história de corrupção policial e brutalidade, repleta de reviravoltas, tensão e estilo, passada entre a prostituição de luxo, disputas mafiosas e os bastidores de Hollywood nos anos 1950. O filme resgatou a carreira de Kim Basinger, sex symbol da década anterior, como uma garota de programa que passou por plástica para ficar parecida com uma estrela de cinema, e ajudou a popularizar seu par de protagonistas, recém-chegados do cinema australiano, Russell Crowe e Guy Pearce, como policiais que precisam superar seu ódio mútuo para não acabar como Kevin Spacey, que mesmo saindo cedo da trama, também já demonstrava o talento que outros cineastas viriam a explorar. Hanson venceu o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado pelo filme, baseado no livro homônimo de James Ellroy, e Basinger o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Mas “Los Angeles: Cidade Proibida” foi indicado a mais sete prêmios da Academia, inclusive Direção e Melhor Filme do ano, e só não venceu tudo porque havia um “Titanic” em seu caminho. A boa fase seguiu com o drama “Garotos Incríveis” (2000), reconhecido pela ótima atuação de Michael Douglas e por render um Oscar ao cantor Bob Dylan, de Melhor Música Original. E rendeu outro espetáculo cinematográfico contra todas as apostas, quando Hanson decidiu dirigir Eminem no filme “8 Mile – Rua das Ilusões” (2002). Baseada na vida real do rapper, a produção conquistou elogios rasgados e um Oscar (de Melhor Canção) para Eminem, que teve sua carreira impulsionada. Seus filmes finais não foram tão brilhantes. Ele tropeçou ao tentar fazer sua primeira comédia romântica, ainda por cima de temática feminina, “Em Seu Lugar” (2005), que mesmo assim teve bons momentos com Cameron Diaz e Toni Colette. Mas a insistência em emplacar um romance fez de “Bem-Vindo ao Jogo” (2007), em que Eric Bana se dividia entre o poker e Drew Barrymore, o pior desempenho de sua carreira. O telefilme “Grande Demais Para Quebrar” (2011), sobre a depressão financeira de 2008, rebateu a maré baixa com nada menos que 11 indicações ao Emmy. Infelizmente, as ondas foram altas demais em “Tudo por um Sonho” (2012), sua volta ao cinema. Ele não conseguiu completar o filme, que tinha Gerard Butler como surfista, após sofrer um colapso no set. Michael Apted foi chamado às pressas para finalizar o longa e Hanson nunca mais voltou a filmar. O Alzheimer tomou conta e, embora o estúdio não comentasse qual doença tinha levado o diretor ao hospital, aquele foi o fim da sua carreira.
Brimstone: Veja três cenas e dez fotos do western ultraviolento estrelado por Dakota Fanning
Com a première de “Brimstone” no Festival de Veneza, a Paradiso Entertainment divulgou três cenas e dez fotos do filme, dirigido pelo holandês Martin Koolhoven (“AmnesiA”). As prévias dão uma mostra do clima tenso, sádico e ultraviolento da produção, com cenas de tortura psicológica, um assassinato escatológico e o açoitamento de uma mulher. Primeiro filme falado em inglês do cineasta, que também assina o roteiro, “Brimstone” conta a história de sobrevivência de uma mulher muda chamada Liz, interpretada por Dakota Fanning (“Movimentos Noturnos”). Na trama, ela é vítima da violência exacerbada de um padre vingativo, vivido por Guy Pearce (“The Rover – A Caçada”), e sofre na carne tormentos de um inferno na Terra. O elen co também inclui os ingleses Kit Harington (série “Game of Thrones”) e Emilia Jones (“High-Rise”), a suiça Carla Juri (“Zonas Úmidas”), a sueca Vera Vitali (“Blind”) e a holandesa Carise Van Hotten (também de “Game of Thrones). Após Veneza, o filme ainda será exibido nos festivais de Toronto e Londres, mas ainda não tem previsão de estreia comercial.
Veneza: Dakota Fanning sofre horrores em western sádico “feminista”
Até parece que western feminista é novidade, pela recepção de parte da crítica a “Brimstone” no Festival de Veneza. Feminismo dirigido por um homem? Hollywood faz isso desde os anos 1950, com “Johnny Guitar”, do mestre Nicholas Ray, cujo cartaz trazia Joan Crawford de roupa “masculina” (calças e botas) e prestes a tirar o revólver do coldre. Mas foi assim que o diretor holandês Martin Koolhoven (“AmnesiA”) vendeu “Brimstone”, durante a entrevista coletiva do Festival de Veneza, onde disse ter escolhido mostrar “uma mulher no papel principal para finalmente apresentar o universo masculino do Velho Oeste sob o ponto de vista feminino”. Se sadismo puder ser confundido com “ponto de vista feminino”, é claro. “Brimstone” é o primeiro filme falado em inglês do cineasta, e o tema não poderia ser mais americano: uma história de vingança passada no Velho Oeste. “Sempre fui muito fã do gênero, mas também fiquei um pouco intimidado, porque há muitos grandes filmes de western”, explicou Koolhoven. Além de dirigir, ele assina o roteiro, que conta a história de sobrevivência de uma mulher muda chamada Liz, interpretada por Dakota Fanning (“Movimentos Noturnos”). Na trama, ela é vítima da violência exacerbada de um padre vingativo, vivido por Guy Pearce (“The Rover – A Caçada”), e sofre na carne tormentos de um inferno na Terra. Segundo Fanning, os horrores da tela foram prazerosos, na hora de filmar. “Todo o filme foi uma aventura completamente nova para mim, porque nunca vi nada parecido, então fiquei feliz em poder participar deste desafio. Acho que todos nos superamos, encontrando novos limites, e adoro isso, porque não gosto de coisas fáceis”, disse a atriz, que apesar da longa filmografia ainda tem apenas 22 anos. Os créditos da produção revelam financiamento de empresas de meia dúzia de países europeus, quase num reflexo da escalação do elenco, que também inclui os ingleses Kit Harington (série “Game of Thrones”) e Emilia Jones (“High-Rise”), a suiça Carla Juri (“Zonas Úmidas”), a sueca Vera Vitali (“Blind”) e a holandesa Carise Van Hotten (também de “Game of Thrones). Não deve ser mera coincidência, mas Koolhoven valorizou a coprodução por lhe permitir mais flexibilidade “para fazer o que quisesse”, do que, na sua opinião, se o filme fosse realizado por um estúdio americano. As locações também aconteceram na Europa, como nos velhos tempos dos spaghetti western. Mas o que se vê em “Brimstone” ultrapassa até a ultraviolência dos clássicos de Sam Peckinpah. É torture porn. Pior: torture porn com menores. A jovem Emilia Jones, que aos 14 anos interpretou a versão infantil da heroína, revelou que algumas das cenas eram tão violentas que Guy Pearce hesitou em fazer o que estava previsto no roteiro. “Mas eram muito importantes para o roteiro e, no momento em que falavam ‘corta’, ele me abraçava e pedia desculpas”, disse. “Seria moralmente duvidoso filmar a violência de forma suave”, justificou-se o diretor. “Tem que ser desconfortável, e se for muito fácil de ver, então fiz algo errado”, completou. Filme sádico, repleto de violência contra mulheres, e que se define “feminista”… De todo modo, a fotografia em grande scope, a estrutura narrativa inversa (a história acontece de trás para frente, sem avisos) e os arroubos estilísticos são de fato tecnicamente impressionantes.
Minissérie LGBT do roteirista de Milk será estrelada por Guy Pearce e Mary Louise-Parker
A rede ABC anunciou os primeiros nomes do elenco da minissérie “When We Rise”, que vai narrar as lutas pessoais e políticas dos pioneiros do movimento pelos direitos homossexuais. A produção contratou Guy Pearce (“The Rover – A Caçada”), Mary Louise-Parker (série “Weeds”), Rachel Griffiths (série “Brothers and Sisters”), Carrie Preston (série “True Blood”) e Meredith McGeachie (série “The L Word”). Guy Pearce vai interpretar o ativista Cleve Jones, enquanto que Mary-Louise Parker será Roma Guy, uma líder feminista, casada com a personagem ativista de Rachel Griffiths, chamada Diane. A minissérie é uma criação de Dustin Lance Black, roteirista vencedor do Oscar por “Milk – A Voz da Igualdade” (2008). A produção, por sinal, marcará uma retomada de sua parceria com o diretor de “Milk”. Além de coproduzir, Gus Van Sant dirigirá os dois primeiros episódios – de um total de oito. Em “Milk”, a dupla abordou um desses pioneiros da causa LGBT, contando a história de Harvey Milk, o primeiro gay assumido a ser eleito para um cargo público nos Estados Unidos. A minissérie pretende apresentar um painel bem mais abrangente, iniciando com a rebelião de Stonewall, em 1969, que deu origem ao Dia do Orgulho Gay. Ainda não há data de estreia prevista.



