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  • Filme

    Filmes do Festival de Cannes dominam lista dos indicados ao “Oscar do cinema europeu”

    6 de novembro de 2016 /

    A Academia Europeia de Cinema divulgou os candidatos da sua premiação, os European Film Awards. Considerado o Oscar do cinema europeu, a lista privilegia a programação do Festival de Cannes, destacando o vencedor da Palma de Ouro “I, Daniel Blake”, de Ken Loach, e alguns dos filmes mais comentados do evento, como “Elle”, de Paul Verhoeven, “Julieta”, de Pedro Almodóvar, “Graduation”, de Cristian Mungiu, e “Toni Erdmann”, de Maren Ade. O britânico “O Quarto de Jack”, de Lenny Abrahamson, premiado no Oscar 2016, também está na lista. O alemão “Toni Erdmann” lidera em indicações, disputando cinco categorias: Melhor Filme, Direção, Ator, Atriz e Roteiro. Entre os atores, o favoritismo sempre é de Isabelle Huppert, desta vez pelo desempenho em “Elle”, e há a presença de um astro popular, Hugh Grant, por “Florence – Quem é Essa Mulher?”. A cerimônia de premiação do European Film Awards será realizada este ano em 10 de dezembro, na cidade de Wroclaw, na Polônia. Indicados ao European Film Awards 2016 MELHOR FILME “Elle” (França) “I, Daniel Blake” (Inglaterra) “Julieta” (Espanha) “O Quarto de Jack” (Reino Unido) “Toni Erdmann” (Alemanha) MELHOR DIREÇÃO Paul Verhoeven, por “Elle” Cristian Mungiu, por “Graduation” Ken Loach, por “I, Daniel Blake” Pedro Almodóvar, por “Julieta” Maren Ade, por “Toni Erdmann” MELHOR ATOR Rolf Lassgård, por “A Man Called Ove” Hugh Grant, por “Florence – Quem é Essa Mulher?” Dave Johns, por “I, Daniel Blake” Burghart Klaußner, por “The People vs. Fritz Bauer” Peter Simonischek, por “Toni Erdmann” Javier Cámara, por “Truman” MELHOR ATRIZ Isabelle Huppert, por “Elle” Emma Suárez e Adriana Ugarte, por “Julieta” Valeria Bruni Tedeschi, por “Like Crazy” Trine Dyrholm, por “A Comunidade” Sandra Hüller, por “Toni Erdmann” MELHOR ROTEIRO Cristian Mungiu, por “Graduation” Paul Laverty, por “I, Daniel Blake” Emma Donoghue, por “O Quarto de Jack” Maren Ade, por “Toni Erdmann” Tomasz Wasilewski, por “United States of Love” MELHOR DOCUMENTÁRIO “The Land Of The Enlightened” (Holanda) “21 X New York” (Polônia) “Mr. Gaga,” ( Israel, Suécia, Alemanha, Holanda) “S is for Stanley – 30 Years At The Wheel For Stanley Kubrick,” (Itália) “A Family Affair,” (Bélgica) “Fogo no Mar,” (Itália, França) MELHOR ANIMAÇÃO “My Life as a Zucchini” (França, Suíça) “Psiconautas, the forgotten children” (Espanha) “The Red Turtle” (França, Bélgica) “A Man Called Ove” (Suécia, Noruega) “Look Who’s Back” (Alemanha) “La Vache” (França) MELHOR REVELAÇÃO “Dogs”, de Bogdan Mirica (França, Romênia, Bulgária, Catar) “Liebmann”, de Jules Herrmann (Alemanha) “Sand Storm”, de Elite Zexer (Israel) “The Happiest Day in the Life of Olli Mäki”, de Juho Kuosmanen (Finlândia, Suécia, Alemanha) “Thirst”, deSvetla Tsotsorkova (Bulgária) MELHOR COMÉDIA “A Man Called Ove” (Suécia, Noruega) “Look Who’s Back” (Alemanha) “One Man and His Cow” (França) MELHOR CURTA “The Wall” “Edmond” “The Goodbye” “90 Degrees North” “We All Love The Sea Shore” “In The Distance” “A Man Returned” “Small Talk” “I’m Not From Here” “Home” “The Fullness Of Time (Romance)” “Limbo” “Amalimbo” “9 Days – From My Window In Aleppo”

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  • Filme

    Cannes: Cristian Mungiu mostra a força irresistível da corrupção

    20 de maio de 2016 /

    O romeno Cristian Mungiu já tem uma Palma de Ouro, por “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias” (2007), uma obra-prima sobre o horror da vida sob os escombros do comunismo, cujo título descreve um aborto. Ele também foi premiado em Cannes pelo roteiro de “Além das Montanhas” (2012), em que a crença religiosa leva uma jovem à morte. Cineasta que dá cores vivas a um mundo repleto de tons de cinza, ele volta a focar escolhas morais em situações limite em seu novo drama, “Graduation” (“Bacalaureat” no original e “formatura” em tradução literal). O filme gira em torno de um pai dedicado e médico de uma pequena cidade da Transilvânia, chamado Romeo (vivido por Adrian Titieni, de “Instinto Materno”), que preparou a filha (Maria-Victoria Dragus, de “A Fita Vermelha”) para ganhar uma bolsa de estudo para estudar na Inglaterra. Mas, às vésperas dos exames finais do colegial, ela sofre um ataque sexual, desmorona e põe em risco os planos de estudar longe da Romênia. Diante do problema, o pai se desespera e apela para formas de garantir a aprovação da filha, num país marcado pela corrupção e distribuição de propinas, mesmo que isso comprometa todos os princípios que ele ensinou para a menina. Para complicar ainda mais, há uma operação policial contra a corrupção no país – uma Lava Jato romena. A história de “Graduation”, como toda a obra de Mungiu, vem da experiência de viver numa sociedade atrasada por décadas de burocracia comunista, mas encontra enorme ressonância no mundo contemporâneo. A citação à Lava Jato já demonstra como o filme se aproxima da realidade do Brasil, mostrando a universalidade do tema proposto. “A história de Romeo é também uma história sobre uma sociedade e suas instituições”, explicou Mungiu, durante a entrevista coletiva no festival. “Há uma relação entre compromisso, corrupção, educação e pobreza?”, ele questiona, mostrando o debate político que a trama é capaz de inspirar. Ao colocar seus personagens diante de escolhas morais, transfere as mesmas perguntas ao espectador. “O filme fala de um pai que escolhe o que acha ser o melhor para a filha, se é aprendendo a viver no mundo real ou a lutar da forma que for possível para mudar esse mundo”. O cineasta filma tudo com grande naturalismo, sem histeria, como um registro sóbrio de uma realidade social. E foca o mundo inteiro. “Esta história não fala somente da Romênia, mas de uma forma de fazer certas coisas, de como deixamos o comércio entrar em nossas vidas. Espero que seja um filme universal”, ele conclui.

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