Críticas de Kong: A Ilha da Caveira são mais entusiasmadas que as de A Bela e a Fera
Os críticos americanos gostaram de “A Bela e a Fera”, mas as declarações de amor só foram dedicadas para “Kong: A Ilha da Caveira”. Os dois candidatos a blockbuster vão chegar aos cinemas nos próximos dias e competirão ferozmente pelas bilheterias. “Kong: A Ilha da Caveira” chega antes, já nesta semana, e conquistou 83% de aprovação na média do site Rotten Tomatoes, enquanto “A Bela e a Fera”, que estreia uma semana depois, ficou com 74%. No Brasil, as datas são 9 e 16 de março, respectivamente. Os maiores elogios para “Kong” dizem respeito ao ritmo frenético, à qualidade dos efeitos visuais e ao roteiro redondo. O crítico da revista Variety ousou dizer que o filme é, de forma surpreendente, melhor – não, 10 vezes melhor! – que “Jurassic World”. Os dois filmes compartilham um roteirista, Derek Connolly. Em compensação, o crítico do Guardian chutou o balde e derramou ácido por todo o lado, ao considerar o filme tão trash que o lembrou de Ed Wood, o pior diretor de todos os tempos. Já “A Bela e a Fera” teve como destaque negativo os efeitos da Fera, que saltaram aos olhos desde as primeiras fotos, mas isso teria sido compensado com uma cenografia deslumbrante. Também houve quem reclamasse da falta de novidades, já que se trata de uma releitura que pouco acrescenta – além de atores reais – à animação clássica, sendo “instantaneamente esquecível”. Mas, por outro lado, houve eco para o espetáculo tecnicamente perfeito. Veja abaixo alguns dos principais comentários sobre os dois filmes. Kong: A Ilha da Caveira “A surpresa é que ‘Kong: A Ilha da Caveira’ não é apenas dez vezes melhor que Jurassic World, mas um espetáculo de criaturas gigantes excitante e muito bem elaborado” (Owen Gleiberman, Variety). “Esta volta altamente divertida de uma das criaturas gigantes mais longevas do cinema corre como um louco – o filme parece ter 90 minutos e não 2 horas – e consegue um equilíbrio ideal entre ação feroz, humor, reinvenção de gênero e, talvez de forma mais impressionante, uma desprendida consciência de sua própria modesta importância no esquema maior das coisas” (Todd McCarthy, The Hollywood Reporter). “Não se pode menosprezar a importância de John C. Reilly para o longa. No momento em que ele aparece, o filme parece imediatamente revigorado e energizado; sua mera presença acrescenta uma enorme quantidade de charme e humor” (Drew Taylor, The Playlist). “Nós não embarcamos na ‘Ilha da Caveira’ pelos personagens (sejam eles bem desenvolvidos ou não), nós vamos para ver o maldito macaco. E o diretor Jordan Vogt-Roberts e a empresa Industrial Light & Magic entregam um Kong de cair o queixo” (Chris Nashawaty, Entertainment Weekly). “Derivativo e um pouco bobo, mas consistentemente divertido: há personalidade e estilo de sobra neste blockbuster monstro” (Jordan Farley, Total Film). “Esta fantasticamente confusa e exasperantemente aborrecida tentativa de atualização da história de King Kong se parece com uma mistura de Jurassic Park, Apocalypse Now e alguns empréstimos visuais exóticos de Miss Saigon. Não chega perto do poder elementar do King Kong original ou do remake de Peter Jackson. É algo que Ed Wood Jr poderia ter feito com um trilhão de dólares caso tivesse o aval para fazer o que quisesse com esse dinheiro – mas sem a menor a diversão” (Peter Bradshaw, do The Guardian). A Bela e a Fera “Após os espectadores digerirem todo o esplendor visual, eles poderão perceber que toda a experiência foi um pouco sem graça e sem profundidade, e com um resultado tão efervescente quanto instantaneamente esquecível” (Leslie Felperin, The Hollywood Reporter). “O novo ‘A Bela e a Fera’ é um filme tocante, bastante ‘assistível’, mas nunca convence totalmente que era um filme que o mundo estava esperando” (Owen Gleiberman, Variety). “Com seus olhos lindos, seu sorriso encantador e seu conjunto de sardas na ponta do nariz, Emma Watson é uma perfeita heroína da Disney. Há uma inocência e inteligência nela que se encaixa perfeitamente com a personagem. E descobrimos que ela também sabe cantar” (Chris Nashawaty, Entertainment Weekly). “’A Bela e a Fera’ casa o espetáculo visual e o magnífico design com uma história melhor do que o longa original, lançando um feitiço sobre os antigos fãs e também os mais novos” (Brian Truitt, USA Today). “Uma deliciosa recriação live-action de uma fábula familiar. Você já viu isso antes, mas seu espírito e graça são irresistíveis” (Matt Maytum, Total Film). “Em última análise, ‘A Bela e a Fera’ se revela como uma recriação cínica feita aparentemente apenas para produzir um ano fiscal mais promissor para os acionistas da Disney. Este é um produto que é mais calculista do que inspirador” (Rodrigo Perez, The Playlist).
Logan é a principal estreia de cinema da semana – e talvez do ano
Principal estreia de cinema nesta quinta (2/3), “Logan” é o segundo filme de super-heróis da Marvel/Fox lançado para maiores de 16 anos no Brasil. O primeiro foi “Deadpool”, no ano passado, completamente diferente em tom. Enquanto o filme estrelado por Ryan Reynolds era insanamente divertido, o último longa de Hugh Jackman como Wolverine aposta na seriedade. Tendo em vista como as produções da DC Comics/Warner se equivocam ao se levar a sério, o acerto de “Logan” abre um novo caminho, deixando claro o que realmente faz diferença. E é bem simples. Desde sua concepção, o longa dirigido por James Mangold evitou se limitar ao mundinho dos fanboys adolescentes. O que a Warner esqueceu, ao buscar um tom mais sombrio para seus filmes, foi que a própria DC Comics buscou o público adulto quando promoveu sua grande guinada rumo a histórias sombrias nos anos 1980. Já faz 30 anos que os quadrinhos de super-heróis se sofisticaram, com o lançamento de graphic novels e o fim do código de ética, um selinho que garantia conteúdo infantil. “Logan” é a versão de cinema dessa revolução. Um filme de super-heróis maduro, influenciado pelo western e passado num mundo tão violento quanto os quadrinhos se tornaram. Não é que “Logan” se afasta dos quadrinhos para se tornar um filme para maiores. Ao contrário. Ele é o primeiro filme que realmente compreendeu o que aconteceu nos quadrinhos nas últimas três décadas. O filme mostrou sua carta de intenções ao fazer uma première num local inusitado: um festival de cinema europeu, em Berlim, onde produções sérias e dramáticas têm prioridade. E acabou sendo a obra mais aplaudida e comentada de todo o evento. A crítica mundial caiu para trás. Nos EUA, onde “Logan” estreia na sexta, os elogios renderam 93% de aprovação no site Rotten Tomatoes. Nem “Deadpool”, que chegou a ganhar indicações a prêmios dos prestigiosos sindicatos de Hollywood, agradou tanto (84%). Tendo isso em vista, “Logan” ganha sua devida perspectiva. Não é apenas a principal estreia da semana. Pode ser o mais importante lançamento do ano. Seu sucesso ou fracasso influenciará inúmeras decisões sobre o futuro das adaptações de super-heróis em Hollywood. Por via das dúvidas, chega em 1,2 mil salas, num empurrão para virar blockbuster. Apenas mais duas estreias completam o circuito. Uma delas, inclusive, já estava em cartaz em circuito de “pré-estreias pagas”. Último longa americano do Oscar 2017 a estrear no Brasil, “Um Limite entre Nós” rendeu a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante a Viola Davis, um prêmio que ela vinha ensaiando vencer desde 2009. A atriz já tinha conquistado o equivalente teatral, o Tony Awards, pelo mesmo papel, como uma mãe sofredora nos anos 1950, casada com um lixeiro orgulhoso, numa família endurecida pelo racismo da época, que tenta ensinar a vida para o filho. Denzel Washingon é seu parceiro, indicado ao Oscar e favorito de muita gente ao prêmio – venceu o troféu do Sindicato dos Atores dos EUA (SAG Award). Ele também dirigiu o longa, adaptado postumamente para o cinema pelo autor da peça, August Wilson. O menor lançamento é “Waiting for B”, que, apesar do título, é um documentário nacional sobre a vinda de Beyoncé ao Brasil. O filme se foca no público, sua obsessão pela estrela e a dedicação que leva fãs a acampar diante de uma bilheteria dias antes da data marcada para o show. Foi exibido com sucesso em vários festivais internacionais.
La La Land, ops, Moonlight vence o Oscar 2017
Mais politizado, divertido e atrapalhado de todos os tempos, o Oscar 2017 culminou sua noite, após discursos e piadas disparadas na direção de Donald Trump, premiando o filme errado. No melhor estilo Miss Universo, só após os agradecimentos dos produtores de “La La Land” veio a correção. O vencedor do Oscar de Melhor Filme não foi o anunciado por Warren Beatty e Faye Dunaway. O próprio Beatty explicou ao microfone que tinham recebido o envelope errado, que premiava Emma Stone por “La La Land”. E foi o nome do filme da Melhor Atriz que Dunaway anunciou. O que deve dar origem a uma profusão de memes e piadas foi, na verdade, quase um ato falho. Enquanto a falsa vitória de “La La Land” foi aplaudidíssima, a verdadeira vitória de “Moonlight” foi um choque. De pronto, foi um prêmio para o cinema indie. Um dia antes, “Moonlight” tinha vencido o Spirit Awards, premiação do cinema independente americano. Rodado por cerca de US$ 5 milhões, o filme fez apenas US$ 22,2 milhões nos EUA e jamais venceria um concurso de popularidade. Pelo conjunto da noite, sua vitória também representou um voto de protesto. Menos visto pelo grande público entre todos os candidatos, era o que representava mais minorias: indies, pobres, negros, imigrantes, latinos e gays. Para completar, o ator Mahershala Ali, que venceu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por seu micro papel de traficante cubano radicado em Miami, é muçulmano na vida real – e se tornou o primeiro ator muçulmano premiado pela Academia. Ao todo, “Moonlight” levou três Oscars. O terceiro foi de Melhor Roteiro Adaptado, dividido entre o cineasta Barry Jenkins e Tarell Alvin McCraney, autor da história e da peça original. “La La Land”, porém, venceu o dobro de prêmios: seis ao todo. Entre as conquistas do musical, a principal foi tornar Damien Chazelle o diretor mais jovem a ganhar um Oscar, aos 32 anos de idade. Além disso, Emma Stone venceu como Melhor Atriz. “Manchester à Beira-Mar” e “Até o Último Homem” se destacaram a seguir, com dois Oscar cada. Enquanto o filme de Mel Gibson levou prêmios técnicos, o segundo drama indie mais premiado da noite rendeu uma discutível vitória de Casey Affleck como Melhor Ator e a estatueta de Melhor Roteiro Original para o cineasta Kenneth Lonergan. Viola Davies confirmou seu favoritismo como Melhor Atriz Coadjuvante por “Um Limite Entre Nós”, tornando-se a primeira atriz negra a vencer o Emmy, o Tony e o Oscar. Sua vitória ainda ajudou a demonstrar como o Oscar se transformou com as mudanças realizadas por sua presidente reeleita Cheryl Boone Isaacs, que alterou o quadro de eleitores, trazendo maior diversidade para a Academia. Após um #OscarSoWhite 2016 descrito francamente como racista pelo apresentador Jimmy Kimmel, na abertura da transmissão, a Academia premiou negros como atores, roteiristas e até produtores. Mas o recado foi ainda mais forte, ao premiar os candidatos com maior potencial de dissonância, especialmente aqueles ligados aos países da lista negra de Donald Trump. O diretor inglês de “Os Capacetes Brancos”, Melhor Documentário em Curta-Metragem, sobre o trabalho humanitário em meio à guerra civil da Síria, generalizou em seu agradecimento, mesmo tendo seu cinematógrafo impedido de viajar aos EUA para participar do Oscar. Já o iraniano Asghar Farhadi, que venceu seu segundo Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira com “O Apartamento”, foi na jugular. Sua ausência já era um protesto em si contra o que ele chamou, em texto lido por seus representantes, ao “desrespeito” dos EUA. “Minha ausência se dá em respeito aos povos do meu pais e de outros seis países que foram desrespeitados pela lei inumana que bane a entrada de imigrantes nos Estados Unidos”. Foi bastante aplaudido. Interessante observar que, apesar do clima politizado manifestado por meio da seleção de vencedores, apenas os estrangeiros e Jimmy Kimmel fizeram discursos contundentes. Os americanos sorriram amarelo e agradeceram suas mães, enquanto artistas de outros países provocaram reações pontuadas por aplausos com suas declarações contrárias à política internacional americana. Até Gael Garcia Bernal, convidado a apresentar um prêmio, deixou seu texto de lado para se manifestar “como mexicano”. Menos evidente, mas igualmente subversivo, foi o fato dos serviços de streaming e a TV paga terem se infiltrado na premiação. Assim como aconteceu no Globo de Ouro, Jeff Bezos, dono da Amazon, ganhou destaque e propaganda gratuita (será?) do apresentador no discurso de abertura. A Amazon produziu um dos filmes premiados, “Manchester à Beira-Mar”, e foi a distribuidora oficial de “O Apartamento” nos EUA – filme que, prestem atenção, não entrou em circuito comercial nos cinemas americanos. A Netflix também faturou seu Oscar por meio de “Os Capacetes Brancos”, que – prestem mais atenção – é inédito nos cinemas. Para completar, o Oscar de Melhor Documentário foi para “O.J. Simpson: Made in America”, uma minissérie de cinco episódios do canal pago ESPN. Sinal dos tempos. E sinal de alerta para o parque exibidor. Confira abaixo a lista completa dos vencedores. Vencedores do Oscar 2017 Melhor Filme “La La Land” “Moonlight” Melhor Direção Damien Chazelle (“La La Land”) Melhor Ator Casey Affleck (“Manchester à Beira-Mar”) Melhor Atriz Emma Stone (“La La Land”) Melhor Ator Coadjuvante Mahershala Ali (“Moonlight”) Melhor Atriz Coadjuvante Viola Davis (“Um Limite entre Nós”) Melhor Roteiro Original Kenneth Lonergan (“Manchester à Beira-Mar”) Melhor Roteiro Adaptado Barry Jenkins (“Moonlight”) Melhor Fotografia Linus Sandgren (“La La Land”) Melhor Animação “Zootopia” Melhor Filme em Língua Estrangeira “O Apartamento” (Irã) Melhor Documentário “O.J. Made in America” Melhor Edição John Gilbert (“Até o Último Homem”) Melhor Edição de Som Sylvain Bellemare (“A Chegada”) Melhor Mixagem de Som Kevin O’Connell, Andy Wright, Robert Mackenzie e Peter Grace (“Até o Último Homem”) Melhor Desenho de Produção David Wasco e Sandy Reynolds-Wasco (“La La Land”) Melhores Efeitos Visuais Robert Legato, Adam Valdez, Andrew R. Jones e Dan Lemmon (“Mogli, o Menino Lobo”) Melhor Canção Original “City of Stars”, de Justin Hurwitz, Benj Pasek e Justin Paul (“La La Land”) Melhor Trilha Sonora Justin Hurwitz (“La La Land”) Melhor Cabelo e Maquiagem Alessandro Bertolazzi, Giorgio Gregorini e Christopher Nelson (“Esquadrão Suicida”) Melhor Figurino Colleen Atwood (“Animais Fantásticos e Onde Habitam”) Melhor Curta “Sing” Melhor Curta de Animação “Piper” Melhor Curta de Documentário “Os Capacetes Brancos”
Festival de Toronto anuncia redução de tamanho após sofrer críticas por seu inchaço
O Festival de Toronto, um dos mais importantes do mundo, anunciou que a partir deste ano reduzirá a programação e exibirá 20% menos filmes, em reação a críticas sobre seu inchaço. Na próxima edição, que será realizada em setembro deste ano, o evento passará de 16 para 14 mostras. Além disso, diminuirá o número de salas de exibição – de 11 para 9. O diretor artístico do festival, Cameron Bailey, justificou a iniciativa como uma forma de concentrar a programação em filmes de maior impacto e qualidade. “Temos o desafio de proporcionar uma generosa escolha de filmes às mais de 400 mil pessoas que comparecem ao festival, então manteremos um forte enfoque na seleção de filmes”, afirmou Bailey em comunicado. Considerado o evento preferido pelos grandes estúdios para testar filmes com potencial para disputar o Oscar, Toronto recebeu duras críticas nos últimos anos por conta de seu crescimento desmedido, que dificulta o trabalho de críticos, produtores, distribuidores e do público, durante os dez dias de exibições. A revista Variety chegou a publicar um artigo que questionava se o tamanho do evento estava prejudicando o festival, já que, sem poder ver tudo, os críticos tinham suas avaliações prejudicadas. Além disso, o texto criticava a preferência sobre candidatos ao Oscar e estrelas de Hollywood em detrimento de outros filmes menos comerciais. No ano passado, o festival exibiu quase 400 filmes, entre longas-metragens e curtas de 83 países do mundo. O objetivo da redução é limitar a exibição a 300 filmes.
Estreias destacam grande muralha de mediocridade na semana do Oscar
O fim de semana do Oscar é também o fim de semana do carnaval, e o bloco dos lançamentos não é dos mais animadores. A programação dos shopping centers é um samba enredo repetitivo de fracassos americanos e filmes nacionais de qualidade discutível. O projeto mais ambicioso ocupa mais salas. Coproduzido por americanos e chineses, “A Grande Muralha” traz Matt Damon perdido na China e numa obra que usa a experiência do veterano cineasta Zhang Yimou, responsável pela abertura da Olimpíada de Pequim, para evocar uma experiência “olímpica” nas telas, com coreografias ambiciosas, repletas de cores e figurantes. Mas a escala épica e os efeitos visuais se resumem a contar uma batalha de guerreiros medievais contra monstros genéricos. Sucesso espetacular na China, estreou no último fim de semana com um desempenho medíocre nos EUA e sob uma saraivada de flechas da crítica. Estreia em 828 salas, das quais 561 em 3D (68% do total), além de todo o circuito IMAX (12 salas). Ainda mais fraco, “Monster Trucks” ocupa 517 salas e outra boa fatia do circuito 3D. Espécie de “Transformers com monstrinhos”, baseada em (mais) um brinquedo da Mattel, é tão infantilóide que merece chegar aos cinemas dublado como um programa televisivo. Filmado em 2014, teve seu lançamento adiado várias vezes pela Paramount, a ponto de ser tratado como fracasso antes mesmo da estreia – a previsão é de US$ 100 milhões de prejuízo. “A Lei da Noite” é um caso à parte. Seu fiasco foi tão colossal que balança estruturas na Warner. Estrelado e dirigido por Ben Affleck, custou uma fortuna não revelada para render apenas US$ 10 milhões nos EUA, empurrando a reputação do astro ladeira abaixo. A crise é tão grande que Affleck desistiu de dirigir o filme solo de Batman e já há rumores de que não quer viver mais o personagem, que estaria culpando pela fase negativa, após vencer o Oscar de Melhor Filme com “Argo” (2012). A desilusão é tanta que foi praticamente despejado em apenas 89 salas. Quem tiver curiosidade, vai encontrar um filme de gângster da lei seca estilizado. Os brasileiros que chegam aos shoppings são o besteirol “Internet – O Filme” e a animação “Bugigangue no Espaço”. O primeiro serve para demonstrar a teoria de Itararé: de onde nada se espera, nada vem mesmo. A coleção de vinhetas, estreladas por youtubers, lembra o pior do “Zorra Total”, com piadas preconceituosas e interpretações travadas no volume do histerismo, mas a distribuidora bota fé, como demonstram suas 406 salas. O segundo tenta usar referências nacionais numa história genérica de crianças que se aliam com ETs bonzinhos para enfrentar alienígenas malvados. Em 300 salas (10% delas em 3D), o resultado rende crianças brasileiras muito loiras e sexualizadas, com um “gostosa” disparado sobre a heroína mirim da trama. Felizmente, o fim de semana também tem Oscar e os cinemas recebem mais um candidato à premiação. Indicado em oito categorias, “Moonlight – Sob a Luz do Luar” leva a 59 salas um drama sensível, registrado de forma intimista, que acompanha o crescimento e a transformação de um menino num bairro violento de Miami. Vítima de bullying na infância, ele cresce para se tornar um traficante bem-sucedido, ao mesmo tempo em que busca compreender e aceitar sua homossexualidade, estimulado pelo relacionamento com seu melhor amigo. Um filme de machos, em vários sentidos. Com isso, apenas um destaque do Oscar permanece inédito, “Um Limite Entre Nós” (Fences). Oficialmente, o longa só estreia na semana que vem, mas, ainda que de forma tardia, a distribuidora percebeu o equívoco e programou “pré-estreias pagas” em 24 salas de seis cidades a partir desta quinta (23/2), dando oportunidade ao público saber porque deve torcer por Denzel Washington e Viola Davis na cerimônia da Academia. Dois filmes europeus completam a programação. “A Garota Desconhecida” é o mais recente trabalho dos irmãos Dardenne, que passou por uma reedição completa após ter decepcionado no Festival de Cannes passado. A própria passagem do tempo ajudou sua história a se tornar mais relevante, ao mostrar como a indiferença europeia pode ter consequências graves na vida de imigrantes pobres. Chega em apenas seis salas. Por fim, “A Jovem Rainha” conta em 11 salas a história da rainha Cristina da Suécia, a mulher mais letrada do século 17, que preferiu abdicar ao trono a se casar. O motivo, segundo o finlandês Mika Kaurismäki (irmão de Aki Kaurismäki), seria seu lesbianismo assumido. Não convenceu muito a crítica internacional. Clique nos títulos dos filmes em destaque para ver os trailers de todas as estreias da semana.
Romance húngaro apolítico vence o politizado Festival de Berlim
O filme húngaro “On Body and Soul” foi o vencedor do Urso de Ouro, prêmio máximo do Festival de Berlim 2017. O longa superou outros 17 concorrentes da mostra competitiva para celebrar sua vitória na cerimônia realizada neste sábado (18/2) na capital da Alemanha. “On Body and Soul” já tinha conquistado o prêmio da crítica. O longa da cineasta Ildikó Enyedi (responsável pela versão húngara da série “Sessão de Terapia”) foi apontado desde o começo como um dos favoritos, mas curiosamente sua história de amor era uma das tramas mais despolitizadas da competição, num ambiente marcado por dramas de refugiados e protestos políticos. O filme também venceu um prêmio do público, conferido pelo jornal alemão Berliner Morgenpost, e o prêmio do juri ecumênico. Pela coincidência com os prêmios independentes, o Urso de Ouro de “On Body and Soul” foi considerado um acerto do júri presidido pelo cineasta Paul Verhoeven (“Elle”). Mas houve quem preferisse maior reconhecimento para o filme de Aki Kaurismãki, um dos mais politizados do festival, que foi contemplado com um Urso de Prata. O finlandês Kaurismäki recebeu o troféu de Melhor Direção, após seu filme “The Other Side of Hope” ser um dos mais aplaudidos da Berlinale. O longa é uma história tragicômica, que gira em torno de um refugiado sírio. O mestre finlandês já tinha tratado do tema dos refugiados em seu filme anterior, “O Porto” (2011). Com uma filmografia que já abrange três décadas, ele nunca venceu nenhum dos grandes festivais e havia grande torcida por um Leão de Ouro. Mesmo assim, o Leão de Prata de Berlim é o prêmio mais importante de sua carreira. Outro filme bastante comentado, “Una Mujer Fantástica”, do chileno Sebastian Lélio (do premiadíssimo “Gloria”), venceu como Melhor Roteiro. A produção gira em torno de uma mulher transgênero que tenta superar o luto, e também conquistou o prêmio Teddy, que elege as melhores obras LGBTQ do festival. Mas a torcida também queria ver a transexual Daniela Vega vencer como Melhor Atriz. Os prêmios de interpretação foram para o veterano austríaco Georg Frederich (de “Faust”) por “Bright Nights”, de Thomas Arslan (“Gold”), e a sul-coreana Kim Min-hee (estrela de “A Criada”), por “On the Beach at Night Alone”, sua segunda parceria com o diretor Hong Sang-soo após “Certo Agora, Errado Antes” (2015). “Ana, Mon Amour”, do romeno Cãlin Peter Netzer, também teve uma recepção muito boa da parte da imprensa, tendo como único senão o fato de seu cineasta ter vencido o Urso de Ouro recentemente – por “Instinto Materno” (2013). Acabou rendendo um prêmio para sua editora, Dana Bunescu, como Melhor Contribuição Artística. O júri também deu um prêmio especial a “Félicité”, do senegalês Alain Gomis (“Andalucia”), sobre uma mãe solteira que trabalha como cantora de bar e se desespera pela falta de dinheiro quando o filho precisa ser hospitalizado em Kinshasa. E entregou à veterana Agnieszka Holland (“Na Escuridão”) o troféu Alfred Bauer, voltado a produções que abrem novos horizontes artísticos, por “Pokot”. Esta homenagem destoou das demais, uma vez que longa da cineasta polonesa, sobre uma serial killer vegana que mata caçadores para defender os animais de uma floresta, foi vaiado durante sua projeção. Completam a premiação principal os troféus de Melhor Filme de Estreia para “Summer of 1993”, da espanhola Carla Simon, e de Melhor Documentário para “Ghost Hunting”, do palestino Raed Andoni. E entre os curtas, vale mencionar a vitória de “Cidade Pequena”, do português Diogo Costa Amarante. O Brasil foi representado na competição por “Joaquim”, de Marcelo Gomes, que a crítica internacional considerou fraco. Um jornal português chegou a questionar sua inclusão na seleção, mencionando que havia obras brasileiras melhores nas mostras paralelas. Por sinal, “Pendular”, de Julia Murat, recebeu o prêmio da crítica como Melhor Filme da mostra Panorama. Vencedores do Festival de Berlim 2017 Urso de Ouro – Melhor Filme “On Body And Soul”, de Ildiko Enyedi Urso de Prata – Grande Premio do Júri “Félicité”, de Alain Gomis Urso de Prata – Prêmio Alfred Bauer “Pokot”, de Agnieszka Holland Urso de Prata – Melhor Diretor Aki Kaursimaki, “The Other Side of Hope” Urso de Prata – Melhor Atriz Min-hee Kim, por “On the Beach at Night Alone” Urso de Prata – Melhor Ator Georg Friedrich, por “Bright Nights” Urso de Prata – Melhor Roteiro Sebastian Lelio e Gonzalo Maza, por “Una Mujer Fantástica” Urso de Prata para Melhor Contribuição Artística Dana Bunescu, pela edição em “Ana, Mon Amour” Melhor Documentário “Ghost Hunting”, Raed Andoni Melhor Filme de Estreia “Summer 1993”, Carla Simon Urso de Ouro – Melhor Curta-Metragem “Cidade Pequena” Urso de Prata – Prêmio de Júri de Curta-Metragem “Reverie in the Meadow” Prêmio Audi para Curta-Metragem “Street of Death”
John Wick tem estreia matadora em semana repleta de filmes do Oscar 2017
Os lançamentos da semana se dividem claramente entre filmes de shopping center e filmes de Oscar. Mesmo assim, a estreia mais ampla também conquistou excelente avaliação crítica. Com 90% de aprovação no site Rotten Tomatoes, “John Wick – Um Novo Dia para Matar” mostra que é possível fazer cinema de ação de qualidade. Com ritmo desenfreado e muita violência, o filme traz Keanu Reeves de volta ao papel do matador profissional John Wick, que ele desempenhou em “De Volta ao Jogo” (2014). O sucesso inesperado daquele longa animou a distribuidora a dobrar o circuito na continuação. A estreia acontece em 358 salas, contra 230 do primeiro filme. A diferença de qualidade para o segundo maior lançamento é abissal. Estrelado por Brad Pitt e Marion Cottilard, o romance de espionagem “Aliados” consegue ser mais brega que “Cinquenta Tons Mais Escuros”, mas a crítica americana foi bondosa, com 61% de aprovação. Fracasso nos EUA, onde já saiu de cartaz, o longa faturou US$ 40 milhões no mercado doméstico, menos da metade de seu orçamento de US$ 85 milhões. A terceira e última estreia comercial é “A Cura”, que marca a volta de Gore Verbinski ao terror, 15 anos após “O Chamado” (2002). E todo seu capricho visual não esconde que se trata de uma trama pouco original, já vista várias vezes antes. Com 41% de aprovação, a história do spa do qual ninguém consegue sair é tão medíocre quanto a parceria anterior do diretor com o roteirista Justin Haythe, “O Cavaleiro Solitário” (2013). A maior estreia do Oscar 2017 é “Lion – Uma Jornada para Casa”, que chega em 100 salas. O filme traz Dev Patel, estrela de “Quem Quer ser um Milionário?” (2008), como um jovem adotado por uma família australiana, após se perder da família biológica na Índia. Anos depois, ele busca pistas para reencontrar sua mãe. Ao todo, o longa recebeu seis indicações, incluindo para os troféus de Melhor Ator Coadjuvante e Atriz Coadjuvante (Patel e Nicole Kidman). Há ainda mais quatro estreias de indicados ao prêmio máximo do cinema. Entretanto, elas chegam em circuito ridículo, eufemisticamente chamado de “circuito de arte”. Para se ter ideia, o maior lançamento, depois de “Lion”, ocupa 13 salas. Ironicamente, é uma animação com potencial para alcançar o grande público, a produção suíça “Minha Vida de Abobrinha”. Outro candidato ao Oscar de Melhor Animação, a produção franco belga “A Tartaruga Vermelha”, impressiona por ocupar apenas quatro salas – uma em São Paulo, uma no Rio, uma em Brasília e uma em Porto Alegre. Indicado ao Oscar de Melhor Documentário, “Eu Não Sou Seu Negro”, sobre a história do racismo nos EUA, estreia em seis capitais, e a comédia sueca “Um Homem Chamado Ove”, que disputa o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, tem lançamento em nove salas. Completa o circuito o drama tcheco “Eu, Olga Hepnarová”, que abriu no ano passado a mostra Panorama do Festival de Berlim, venceu vários prêmios internacionais e foi exibido na Mostra de São Paulo. Estará disponível em quatro salas entre São Paulo, Rio e Salvador. Clique nos títulos dos filmes para assistir aos trailers das estreias da semana.
Cinquenta Tons Mais Escuros domina os cinemas com a pior estreia da semana
Maior estreia da semana, “Cinquenta Tons Mais Escuros” será lançado em mais de 1,2 mil salas, após seu trailer inicial bater recorde de visualizações na internet. Mas o filme não entrega o que muitos imaginam encontrar. Seu erotismo é de minissérie da Globo (para maiores de 16 anos) e o suspense frustrante. E, com 9% no Rotten Tomatoes, tem tudo para chegar em 2018 como favorito ao troféu Framboesa de Ouro. Portanto, também gera a maior curiosidade da semana: será que o público vai se atirar no abismo de olhos fechados ou prestar atenção nos avisos de perigo? E se ousar, assim mesmo, entrar na sala escura, vestirá a máscara do masoquista feliz, capaz de gostar de filme tão ruim? Vale lembrar que “Cinquenta Tons de Cinza”, lançado em mil salas, teve a 4ª maior abertura de 2015, com 1,6 milhão de espectadores no primeiro fim de semana. A animação “Lego Batman”, spin-off de “Uma Aventura Lego”, chega em 777 salas praticamente sem cópias legendadas (só 6% do total tem as vozes originais) e ocupando a maioria das telas 3D do país (497). As vozes originais são todas famosas, mas o dublador brasileiro de Batman (Duda Ribeiro?) impressiona ao soar exatamente como Will Arnet no papel do super-herói. Em clima de besteirol furioso, o desenho transforma Robin em filho de Batman e promove Batgirl à Comissária de Gotham City. Mas, ao contrário do filme cinzento, seu humor de brinquedo agradou 97% da crítica americana. Estes dois lançamentos ocupam dois terços do total das salas de cinema disponíveis no país. Considerando que ainda há filmes de sucesso em cartaz, só a contabilidade criativa e o jeitinho brasileiro conseguem fazer com que caibam mais estreias nos cinemas. Despejado no circuito alternativo, e provavelmente em sessões alternadas com outros títulos, encontra-se o favorito ao Oscar 2017 de Melhor Filme Estrangeiro, a comédia alemã “Toni Erdmann”, que mostra a conturbada relação entre uma executiva workaholic e seu pai maluco, que adora aprontar pegadinhas por onde passa. Tem 92% de aprovação da crítica americana e venceu cinco troféus da Academia Europeia de Cinema, inclusive como Melhor Filme Europeu do ano. Enquanto a produção do remake americano começa a sair do papel, por aqui a comédia original chega só em 12 salas entre São Paulo, Rio/Niterói, Brasília, Recife e Porto Alegre. A programação também inclui dois dramas brasileiros que igualmente conquistaram destaque e prêmios importantes, espremidos em 30 salas cada um. Em “Redemoinho”, dois amigos se reencontram no interior mineiro, em clima de suspense, após um fato traumático levar um deles a desaparecer por um longo tempo. Estreia no cinema do diretor José Luiz Villamarim, da aclamada série “Justiça”, o longa foi premiado no Festival do Rio. Já “A Cidade onde Envelheço” foi o vencedor do último Festival de Brasília e gira em torno de duas amigas portuguesas, que moram juntas em Belo Horizonte. Enquanto uma acaba de chegar à capital mineira e está deslumbrada com as novidades, a outra já pensa em voltar a Lisboa. Com passagem ainda pelo festival de Roterdã, a primeira obra de ficção da documentarista Marília Rocha (“A Falta que Me Faz”) também venceu o Festival de Biarritz de Cinema Latino-Americano, realizado na França. O trash de ação “Vale da Luta” continua a presença brasileira nas telas. A produção B americana inclui Cristiane Venancio, mais conhecida como Cris Cyborg, numa história mal-contada de lutas ilegais entre feras da MMA e modelos que surtariam ao quebrar a unha. Com cara de malvada, Cris vive a vilã que faz as bonitinhas chorarem, como sua colega de elenco, Holly Holm, fez com Ronda Rousey na luta pelo título do UFC. Outra campeã do octógono, Miesha Tate, vive a heroína. Completa a lista de estreias um romance francês incestuoso, “Marguerite & Julien: Um Amor Proibido”, sobre um casal de irmãos apaixonados desde a infância, durante a era renascentista. O mais interessante nesta produção é que o roteiro de Jean Gruault estava entre os projetos que François Truffaut pretendia filmar antes de morrer em 1984. A história acabou reescrita e filmada por Valérie Donzelli, do superestimado melodrama “A Guerra Está Declarada” (2011), com direito a anacronismos que boa parte do público terá dificuldades de aceitar. Passou em branco no Festival de Cannes de 2015, levou quase dois anos para desembarcar aqui e estreia em apenas sete salas. Clique nos títulos dos filmes para ver os trailers de cada lançamento.
Mogli vence o prêmio do sindicato dos técnicos de efeitos visuais
Mistura de animação com filme de ator, “Mogli, O Menino Lobo” foi o grande vencedor do prêmio anual Sociedade de Efeitos Visuais (VES), o sindicato dos técnicos da categoria, em evento realizado na noite de terça-feira (7/1). A aventura da Disney recebeu cinco troféus, incluindo o prêmio máximo de Melhores Efeitos Visuais em filme, derrotou o líder de indicações “Rogue One: Uma História Star Wars”. É o segundo prêmio de efeitos visuais conquistado pelo filme do diretor Jon Favreau nos últimos dias. No fim de semana, “Mogli” também venceu o Annie 2017 (considerado o “Oscar da animação”) na categoria. “Kubo e as Cordas Mágicas” levou o prêmio de Melhores Efeitos em Animação. Os dois filmes concorrem ao Oscar 2017 de Melhores Efeitos Visuais, ao lado de “Rogue One” e “Doutor Estranho”. Já mas categorias de TV, o episódio épico “Battle of the Bastards” rendeu a “Game of Thrones” cinco vitórias. Além destes prêmios, foram entregues o troféu de Visionário do ano para Victoria Alonso, produtora do Marvel Studios, e o VES Award pela carreira ao vencedor de cinco Oscars e pioneiro em efeitos visuais Ken Ralston (“O Retorno de Jedi”, “Forest Gump”).
O Chamado 3 estreia na liderança das bilheterias do Brasil
O terceiro filme da franquia de terror “O Chamado” estreou no topo das bilheterias dos cinemas brasileiros. O filme fez relativamente mais sucesso no mercado nacional do que nos EUA, onde abriu em 2º lugar no fim de semana com uma bilheteria abaixo do esperado. No Brasil, foi assistido por 512 mil espectadores e arrecadou R$ 7,8 milhões em seus primeiros quatro dias em cartaz, segundo dados da empresa de consultoria ComScore. Líder na semana passada, “Resident Evil 6: O Capítulo Final” caiu para o 2º lugar com um desempenho equivalente à metade do sucesso de “O Chamado 3” – público de 219 mil pagantes e uma renda de R$ 3,7 milhões. Este ranking também reflete a falta de consideração dada aos críticos de cinema no Brasil, que alertaram sobre a baixa qualidade de ambos os filmes. O público não quis saber e pagou para ver. Ou consumiu por osmose. “O Chamado 3” e “Resident Evil 5” foram os lançamentos de maior distribuição nas últimas semanas, disponíveis em figurativamente todos os lugares. Em 3º, segue o fenômeno “Minha Mãe é uma Peça 2“. Em sua sétima semana em cartaz, foi visto por 203 mil pessoas, rendendo R$ 3,3 milhões. Ao todo, a comédia brasileira já atingiu R$ 116 milhões de bilheteria, uma das maiores de todos os tempos para o cinema nacional. Além de “O Chamado”, duas novas estreias entraram no Top 10. Sucesso enorme nos EUA, o filme indicado ao Oscar “Estrelas Além do Tempo” teve uma performance fraca no país, abrindo em 7º lugar, logo à frente de “TOC – Transtornada, Obsessiva, Compulsiva”. O besteirol estrelado por Tatá Werneck foi visto por 112 mil espectadores e rendeu R$ 1,7 milhão. Curiosamente, a crítica gostou do filme, num gênero geralmente execrado. Confira abaixo a lista dos dez filmes mais vistos no final de semana no país. BILHETERIAS: TOP 10 Brasil 1. O Chamado 3 Fim de semana: R$ 7,8 milhões Total: R$ 7,8 milhões 2. Resident Evil 6: O Capítulo Final Fim de semana: R$ 3,7 milhões Total: R$ 14,2 milhões 3. Minha Mãe É uma Peça 2 Fim de semana: R$ 3,3 milhões Total: R$ 116 milhões 4. Moana – Um Mar de Aventuras Fim de semana: R$ 3,1 milhões Total: R$ 67,2 milhões 5. La La Land Fim de semana: R$ 2,5 milhões Total: R$ 17,2 milhões 6. Estrelas Além do Tempo Fim de semana: R$ 2 milhões Total: R$ 2 milhões 7. “Beleza Oculta” Fim de semana: R$ 1,7 milhão Total: R$ 5,1 milhões 8. “TOC – Transtorna, Obsessiva, Compulsiva” Fim de semana: R$ 1,7 milhão Total: R$ 1,7 milhão 9. “A Bailarina” Fim de semana: R$ 1,6 milhão Total: R$ 5,7 milhões 10. xXx: Reativado Fim de semana: R$ 1,5 milhão Total: R$ 18,2 milhões
Estreias: O Chamado 3 tem melhor distribuição que três indicados ao Oscar nesta semana
Samara quer te pegar na tela de cinema. Mas quem for esperto o suficiente para usar o Google e ler as críticas negativas pode sobreviver. Maior lançamento da semana, “O Chamado 3” chega 12 anos após o último filme da franquia. E passagem tão grande de tempo não impediu a distribuidora de acreditar no apelo da mulher-fantasma de cabelo na cara, que sai das telas para assustar o público. O longa chega em mais de 600 salas nesta quinta (2/2). Entretanto, a maldição é a mesma da “Bruxa de Blair”: uma sequência que decepciona os fãs da franquia. Não tenha medo, porque não é para ter mesmo. O lançamento besteirol nacional da semana ocupa metade deste circuito. “TOC – Transtornada, Obsessiva, Compulsiva” aposta na popularidade da comediante televisiva Tatá Werneck. E surpreende. Seu primeiro filme como protagonista usa metalinguagem para satirizar a carreira da própria atriz. Resta saber se o público brasileiro consegue assimilar comédia com QI acima da média. Juntando terror e cinema nacional, “Clarisse ou Alguma Coisa sobre nós Dois” também está chegando às telas, mas num circuito bem limitado e concentrado no Nordeste. A expectativa do diretor cearense Petrus Cariry é, quem sabe, repetir o fenômeno de seu conterrâneo Halder Gomes, que criou um blockbuster regional com “O Shaolin do Sertão” (2016). O filme já foi exibido em 10 países e coleciona prêmios em alguns festivais de gênero, além do troféu de Melhor Atriz (Sabrina Greve) no CineCeará do ano passado. Belamente fotografado, não é filme de sustos, mas terror de cinéfilo. Os cinéfilos, por sinal, ganham nesta semana mais três filmes indicados ao Oscar para conferir. Com grande lançamento para o gênero dramático (267 salas), “Estrelas Além do Tempo” registra a história de três matemáticas negras que a História esqueceu, graças ao racismo e ao machismo de sua época, revelando como elas ajudaram astronautas americanos a ir ao espaço nos anos 1960. Grande sucesso de bilheteria nos EUA, concorre a três Oscars: Melhor Filme, Roteiro Adaptado e Atriz Coadjuvante (Octavia Spencer). “Jackie” também concorre a três estatuetas: Melhor Atriz (Natalie Portman), Figurino e Trilha Sonora. Como se percebe, é um filme para conferir a performance de Natalie Portman como a ex-primeira-dama Jacqueline Kennedy. A trama se passa nos dias que se seguiram ao assassinato do presidente John Kennedy em 1963 e marca a estreia do diretor chileno Pablo Larraín (“Neruda”) em Hollywood. Ironicamente, o longa com mais indicações tem a menor distribuição (40 salas). Parte drama social, parte western clássico e parte thriller de ação, “A Qualquer Custo” acompanha dois irmãos que rodam cidadezinhas empoeiradas do interior do Texas para roubar bancos que estão querendo roubar a fazenda hipotecada de sua família. A mistura de gêneros é bem equilibrada e resulta num filme crepuscular de machos como há muito tempo o cinema não produzia. Não por acaso, concorre a Melhor Filme, Roteiro Original, Edição e Ator Coadjuvante (Jeff Bridges). Pode ficar sem vencer nenhum Oscar, mas já cumpre a missão de estabelecer definitivamente o ex-ator da série “Sons of Anarchy” Taylor Sheridan como um baita roteirista – é apenas seu segundo roteiro, após a ótima estreia escrevendo “Sicario” (2015). No circuito limitado, os Beatles continuam bastante populares, a ponto de seu novo documentário receber melhor distribuição que o filme do Oscar acima. Dirigido pelo cineasta Ron Howard (“Inferno”), “The Beatles: Eight Days a Week” registra os shows da banda, contando a história de suas turnês mundiais e o motivo que os levou a abandonar os palcos no auge da popularidade. Estreia em 43 salas em horários especiais. O filme dos Beatles também foi cotado para o Oscar, mas acabou preterido, assim como “Armas na Mesa”, thriller político estrelado por Jessica Chastain, que estreia em 14 salas. A atriz chegou a receber indicação ao Globo de Ouro, um troféu mais generoso (por dividir as interpretações entre Drama e Comédia e gerar o dobro de celebridades em sua lista de premiações). Mas não é fácil ir contra o lobby da indústria do armamento nos EUA, como demonstra a própria trama do lançamento, sobre a tentativa de passar leis mais duras contra o porte de armas num país que ainda segue leis do Velho Oeste. Por fim, o drama italiano “A Espera”, com Juliette Binoche, premiado no Festival de Veneza, deságua no circuito de arte, com distribuição por conta-gota. Clique nos títulos para ver os trailers de cada lançamento.
Associação de críticos franceses elege Aquarius o Melhor Filme Estrangeiro
O drama brasileiro “Aquarius” foi eleito o Melhor Filme Estrangeiro do ano passado pela União Francesa de Críticos de Cinema. O filme dirigido por Kleber Mendonça Filho e protagonizado por Sônia Braga teve sua première mundial na França, exibido no Festival de Cannes, de onde saiu sem prêmios, exatamente como, por coincidência, “Elle”, de Paul Verhoeven, que os críticos franceses consideraram o Melhor Filme de 2016. A produção estrelada por Isabelle Huppert recebeu até uma indicação ao Oscar 2017, na categoria de Melhor Atriz. Por outro lado, a Vitagraphic, que fez a distribuição invisível de “Aquarius” nos EUA, não inscreveu o longa brasileiro no Oscar, deixando-o inelegível. Outro filme indicado pela Academia, a animação “A Tartaruga Vermelha”, também foi destaque e levou o prêmio de Melhor DVD/Blu-ray Recente. Os prêmios da associação de críticos franceses foram criados em 2006 e são concedidos por jornalistas especializados. “Aquarius” também concorre ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no César 2017, maior premiação de cinema da França, comparada ao Oscar no país. A cerimônia está marcada para 24 de fevereiro.
Sony teve prejuízo de quase US$ 1 bilhão em 2016
O estúdio que achou que lançar uma versão feminina de “Caça-Fantasmas” era uma boa ideia, que fazer um remake “politicamente correto” de “Sete Homens e um Destino” lotaria os cinemas, que o mundo estava louco por uma nova distopia adolescente, como “A 5ª Onda”, e que continuar a franquia “O Código Da Vinci” com “Inferno” era sucesso garantido, teve prejuízo de quase US$ 1 bilhão no último trimestre fiscal de 2016. A Sony informou oficialmente nesta segunda-feira (30/1) ter fechado o ano passado com prejuízo de US$ 976 milhões em seu segmento de filmes. Mas, como executivos nunca erram, a companhia culpa a concorrência da Netflix e de outros serviços de streaming online pelo fiasco. As plataformas teriam prejudicado a demanda por DVDs de filmes. Um porta-voz da empresa disse à Bloomberg que o declínio no mercado de DVD e Blu-ray foi mais rápido do que a Sony esperava. Agora, a companhia está apostando cada vez mais no seu negócio de viodegames, que gerou uma renda duas vezes maior do que a divisão de filmes no último ano fiscal. A desculpa oficial só não explica porque a Sony não participou, no mesmo período, do sucesso dos demais estúdios, quando os cinemas bateram recorde de arrecadação e a Disney atingiu a maior bilheteria de um estúdio em todos os tempos. O fato é que o mercado já foi informado que Michael Lynton, o executivo-chefe da unidade de cinema e televisão da Sony Entertainment, vai renunciar ao cargo em fevereiro. Ele deve ir trabalhar no Snapchat, como recompensa pelos bons serviços. Graças aos resultados de Lynton, várias empresas de mídia e tecnologia, interessadas em comprar a divisão que ele comanda, buscaram retomar conversas. Mas a companhia não estaria à venda.












