Estreias da semana incluem quatro indicados ao Oscar 2016
A semana é movimentada nos cinemas, com a estreia de quatro indicados ao Oscar 2016 e do candidato antecipado a melhor filme brasileiro de 2016. Mas é a animação do “Snoopy & Charlie Brown – Peanuts, o Filme”, que recebe mais atenção do circuito, com lançamento em 814 salas. Dirigida por Steve Martino (“A Era do Gelo 4”), a primeira adaptação digital dos quadrinhos clássicos de Charles M. Schulz é simpática, porém reprisa várias situações já vistas nos desenhos anteriores dos personagens, apostando no visual computadorizado como maior diferencial. Dos indicados ao Oscar, “Creed – Nascido para Lutar” e “A Grande Aposta” tem a maior distribuição. O drama de boxe que resgata o personagem Rocky e a carreira de Sylvester Stallone, de volta ao Oscar após 39 anos, ganha a maior distribuição, chegando em 357 salas. Já a comédia financeira, que conquistou cinco indicações, inclusive Melhor Filme, Direção (Adam McCay) e Ator Coadjuvante (Christian Bale), tem lançamento em 222 salas. “Steve Jobs” e “Carol” chegam com menos prestígio, após terem sido preteridos pela Academia na categoria de Melhor Filme. A cinebiografia destaca o trabalho de Michael Fassbender como o fundador da Apple e da atriz Kate Winslet, ambos indicados ao Oscar. Por sua vez, “Carol” teve seis indicações, entre elas a de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante para o casal vivido por Cate Blanchett e Rooney Mara. Tamanho reconhecimento, curiosamente, não foi estendido ao próprio filme, que ficou de fora da disputa principal. Teria sido o tema homossexual? A obra é linda, já bastante premiada, e agora tem o incentivo da polêmica para lotar os cinemas. Infelizmente, são apenas 68 cinemas no Brasil, número similar ao atingido por “Steve Jobs”. Em meio ao burburinho do Oscar, o lançamento de “Boi Neon” corre o risco de passar em branco. A data foi mal escolhida. Mas não muda o fato de se tratar de um dos filmes brasileiros mais esperados por quem busca qualidade no cinema. Já candidato da Pipoca Moderna a Melhor Filme de 2016, a obra do diretor Gabriel Mascaro conquistou reconhecimento internacional com premiações nos festivais de Veneza, Toronto, Adelaide e Hamburgo, além do Rio. A trama se passa no Nordeste do Brasil, acompanhando o drama particular da família de um vaqueiro, que viaja acompanhando vaquejadas, mas cujo sonho é trabalhar com moda, confeccionando vestidos. O detalhe de partir o coração: estreia em apenas 31 salas. Estreias de cinema nos shoppings Estreias em circuito limitado
Estreias: O Bom Dinossauro leva as crianças para a pré-história no começo de 2016
A animação “O Bom Dinossauro” é o lançamento mais amplo da semana, chegando aos cinemas em 880 salas. Bom para as crianças, mas nem tanto para os adultos, o que é novidade em relação às produções da Pixar. Passada numa pré-história alternativa, em que os dinossauros não foram extintos e convivem com a humanidade, o roteiro martela a moral da história até os menorzinhos entenderem. Spoiler: amizade é importante e é preciso superar medos. Logo após lançar seu filme mais ousado, “Divertida Mente”, a Pixar surpreende com a sua produção menos esperta. Nos EUA, a estreia foi em 25 de novembro e resultou numa bilheteria muito abaixo do esperado. A comédia brasileira “Vai que Dá Certo 2” é a segunda maior estreia dos shoppings, com 520 salas. A trama traz os amigos do filme de 2013 embarcando em novo esquema furado para ganhar dinheiro fácil, desta vez já sem a mesma graça. Sorrisos amarelos, no máximo. Fecha o circuito dos shoppings o western “Os Oito Odiados”, lançado em “pré-estreia” em 200 salas na semana passada. A produção tem seu circuito aumentado para 340 telas. Por conta do predomínio de blockbusters na programação, o drama americano “Spotlight – Segredos Revelados” ganhou uma distribuição limitada. Favorito ao Oscar de Melhor Filme, após conquistar diversos prêmios da crítica em 2015, o filme vai estrear em apenas 58 salas. A trama acompanha o trabalho investigativo dos repórteres que descobriram e denunciaram o escândalo de pedofilia acobertado pela Igreja Católica nos EUA, que abalou a fé de milhões e fez balançar as estruturas do Vaticano. Os demais lançamentos são microscópicos. “Diplomacia”, que aborda o plano nazista para destruir Paris, marcou a volta do cineasta alemão Volker Schlöndorff às grandes premiações, vencendo o César (o Oscar francês) de Melhor Roteiro. Chega em oito salas. A lista ainda inclui “O Fio de Ariane”, draminha francês irrelevante de 2014, que tem exibição em três salas no Rio e São Paulo, mas também dois filmes premiadíssimos, o austríaco “A Segunda Esposa” e o húngaro “O Cavalo de Turim”, que passaram, respectivamente, na Mostra de São Paulo de 2012 e na Mostra Indie Brasil de 2011. Quando parecia que jamais ganhariam lançamento comercial no Brasil, eis que conseguem… chegar a uma sala, cada um – no Cinesesc SP e no Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro. Só para constar: “O Cavalo de Turim”, de Béla Tarr, é uma verdadeira obra-prima, premiada no Festival de Berlim e pela Academia Europeia de Cinema. [symple_toggle title=”Clique aqui para conferir os trailers de todas as estreias da semana” state=”closed”] Estreias de cinema nos shoppings Estreias em circuito limitado [/symple_toggle]
Os Oito Odiados chega aos cinemas brasileiros
O primeiro dia de 2016 já traz novidades nos cinemas brasileiros. Com o vazamento na internet de “Os Oito Odiados”, a Diamond Films antecipou o lançamento do novo filme de Quentin Tarantino no Brasil, que chega em 200 cinemas nesta sexta (1/1), o dobro do circuito de sua estreia limitada nos EUA. Curiosamente, a Diamond está chamando este adiantamento de “pré-estreia”, mantendo a data original, de 7 de janeiro, para uma ampliação no circuito. Nomenclatura à parte, o filme já pode ser visto em 7% de todas as salas do país e não decepciona os fãs do diretor, mantendo seu estilo de humor negro, diálogos irônicos e violência exacerbada. A programação da semana também inclui dois lançamentos invisíveis. Dirigido por Peter Greenway (“Afogando em Números”), “Que Viva Eisenstein! – 10 Dias que Abalaram o México” acompanha os bastidores do longa inacabado que Sergei Eisenstein foi filmar no México em 1931 e tem lançamento em cinco salas – quatro no Rio e uma em Recife. Já o drama francês “A Marcha”, que une jovens numa reação histórica à intolerância e a violência racial na França dos anos 1980, serve de belo contraste aos tempos atuais, mas apenas em um único cinema de São Paulo. [symple_toggle title=”Clique aqui para conferir os trailers de todos as estreias da semana” state=”closed”] “Pré-Estreia” em circuito amplo Estreias em circuito limitado [/symple_toggle]
Estreias da semana dão curto no circuito, distribuindo mais cópias que salas disponíveis
Deu curto-circuito no circuito amplo dos cinemas brasileiros. E este cheiro é de queimado mesmo. Para começar, alguém acredita que os cinemas deixarão de exibir “Star Wars: O Despertar da Força” em sua segunda semana em cartaz? Lançado em 1,3 mil salas, o longa ocupou 44% de todas as telas de cinema disponíveis no Brasil na semana passada. Pois agora, “Até que a Sorte nos Separe 3” está sendo anunciado como o maior lançamento da história do cinema brasileiro, com distribuição em nada menos que 810 salas de cinemas, a partir desta quinta (24/12). Sendo assim, hipoteticamente sobrariam cerca de 900 salas livres para acomodar os demais filmes em cartaz e as outras estreias da semana no país. Pois bem, adivinhem com quantas cópias o filme infantil “Alvin e os Esquilos: Na Estrada” afirma que vai estrear, também nesta quinta? 946! Êpa! Quantas salas de cinema existem no Brasil, mesmo? Segundo relatório divulgado em agosto pela Ancine, o país teria exatas 2.957 salas de exibição. Ou alguém fez mais cópias que salas disponíveis ou há algo muito estranho nos números que estão sendo divulgados pelo mercado. Será que isso tem auditoria, fiscalização? Para acomodar os números anunciados, os dois longas de distribuição ambiciosa deveriam ser os únicos lançamentos da semana. Mas nada mais longe disso. Em circuito médio, ainda chegam a comédia “Já Estou com Saudades” em 60 salas e dois longas de qualidade – enfim! – “Macbeth: Ambição & Guerra” em 43 e “As Sufragistas” (Universal) em 34 telas. Ah, não acabou. Em distribuição bem limitada, a semana ainda traz o documentário “Eu sou Ingrid Bergman”, em 12 salas, o excelente suspense alemão “Victoria”, em sete salas, e a comédia sexual australiana “A Pequena Morte”, em apenas duas salas do Rio. Como cabe tudo isso no circuito? Oras, cinema não é o poder da imaginação? E onde fica a famosa criatividade brasileira para acomodar o inacomodável? Só perguntas respondem estas questões. Os cinéfilos, que não tem nada a ver com isso, podem conferir os trailers de todas as estreias da semana abaixo, antes de verificar se estarão realmente em cartaz num cinema próximo. Lembrando que os melhores são, nesta ordem: “Victoria”, “Macbeth” e “As Sufragistas”. E os piores são os que vocês já bem. ATUALIZAÇÃO: A Agência Nacional do Cinema (Ancine) publicou uma nova Instrução Normativa nesta quinta (24/12), obrigando os exibidores a fornecer periodicamente dados oficiais sobre distribuição de filmes e bilheteria dos cinemas brasileiros. É a auditoria que o surrealismo praticado pelo mercado pediu. Leia mais aqui. [symple_toggle title=”Clique aqui para conferir os trailers de todos as estreias da semana” state=”closed”] Estreias de cinema nos shoppings Estreias em circuito limitado [/symple_toggle]
Star Wars mostra sua força com estreia recorde em metade dos cinemas do Brasil
“Star Wars: O Despertar da Força” inicia nesta quinta (17/12) sua blitz mundial em busca de recordes históricos de bilheteria. Para se ter noção, o filme da Disney será o primeiro da história a ocupar 50% de todas as telas de cinema disponíveis no Brasil, com lançamento recorde em 1.504 salas. É impressionante, mas nbos EUA o filme chega em mais de 4 mil salas, superando todas as telas existentes por aqui – se todos os cinemas brasileiros exibissem o filme, ainda não seria suficiente para atingir essa quantidade. Felizmente, “O Despertar da Força” entrega um produto que, mesmo com tanta oferta, tem tudo para lotar os cinemas, passando por cima da segunda trilogia enfadonha com a energia e a ação que a franquia não conhecia desde “O Retorno de Jedi” (1983). Após rejuvenescer “Star Trek”, o cineasta J.J. Abrams entrega um “Star Wars” à altura das expectativas dos fãs. O lançamento é tão grandioso que intimidou as outras distribuidoras multinacionais. Também prevista para chegar às telas nesta semana, a animação “Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, o Filme” simplesmente sumiu do cronograma de lançamentos. Ficou sem data. O receio com o retorno dos jedi, ironicamente, deixou o circuito limitado mais amplo, permitindo que filmes importantes chegassem em mais salas. Casos, por exemplo, do suspense “Labirinto de Mentiras”, representante da Alemanha na disputa pela indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro – entra em 29 salas – e da comédia dramática “Mia Madre”, do mestre italiano Nanni Moretti – em 22 salas. Além destes, mais dois destaques de festivais internacionais tentam encontrar público. O terror da vampira iraniana “Garota Sombria Caminha pela Noite” rendeu diversos prêmios à diretora Ana Lily Amirpour, e entra em exibição em seis salas, enquanto “A Terra e a Sombra”, que rendeu a Câmera de Ouro (Melhor Filme de Estreia) ao colombiano César Augusto Acevedo no Festival de Cannes, ocupa quatro salas exclusivamente no Rio de Janeiro. A programação se completa com o documentário brasileiro “Hysteria”, em exibição em uma sala do Caixa Belas Artes, em São Paulo, e inclui um troca-troca entre filmes em cartaz no Rio e em São Paulo: o drama sobrenatural japonês “Para o Outro Lado”, de Kiyoshi Kurosawa, lançado em novembro em SP, chega em duas salas no Rio, enquanto o filipino “Norte, O Fim da História”, de Lav Diaz, amplia seu circuito para a São Paulo – isto é, para uma sala do Caixa Belas Artes. [symple_toggle title=”Clique aqui para conferir os trailers de todos as estreias da semana” state=”closed”] Grande estreia de cinema da semana Estreias em circuito limitado [/symple_toggle]
Estreias: Programação de cinema está um horror, em mais de um sentido
As salas de cinema recebem nove lançamentos nesta semana. E entre os três filmes americanos, destinados aos shopping centers, encontram-se os piores da lista, por coincidência escritos pelo mesmo roteirista, Max Landis, que parecia promissor quando estreou com “Poder Sem Limites” (2012). Tanto “Victor Frankenstein” quanto “American Ultra” são derivativos, com premissas que remetem à séries de TV canceladas: respectivamente, a Inglaterra vitoriana dos monstros e da ciência fantasiosa de “Drácula”, e o subúrbio pitoresco do balconista/super-agente secreto de “Chuck”. O texto é tão ruim que permite a seus intérpretes bancar os canastrões – James McAvoy (“X-Men: Dias de um Futuro Esquecido”) até diverte como cientista louco, mas a leseira de Jesse Eisenberg (“Truque de Mestre”) é apenas irritante. Melhor entre os filmes de shopping center, “A Visita” marca a volta de M. Night Shyamalan (“Depois da Terra”) ao terror, aderindo à estética “found footage”. O longa usa câmeras amadoras e FaceTime para registrar as férias de um casal de crianças na casa dos avós, que logo se revelam sinistros. Com alusões à fábulas encantadas, em que as bruxas são sempre velhas, a trama brinca com aparências, dá bons sustos e mantém as surpresas características dos roteiros do cineasta. A programação ainda inclui outro lançamento do gênero, mas em circuito limitado. “Para o Outro Lado” é a nova obra do mestre do terror japonês Kyoshi Kurosawa (“Pulse”). Lento e contemplativo, o drama sobrenatural acompanha o reencontro de um morto e sua antiga namorada, num lugar que tanto pode ser o Japão atual quanto o mundo do além. Foi vencedor do prêmio de Direção da mostra Um Certo Olhar, no último Festival de Cannes, e está mais para cinema de arte que horror. Os destaques do circuito limitado, porém, são outros. Também premiado neste ano em Cannes, na mostra Quinzena dos Realizadores, “Três Lembranças de Minha Juventude” configura-se como a obra mais fluída do cineasta francês Arnaud Desplechin, que traz Mathieu Amalric de volta ao personagem de “Como Eu Briguei (Por Minha Vida Sexual)” (1996). O filme é exatamente o que diz seu título, juntando três flashbacks episódicos para considerar o aspecto seletivo da memória e a importância que momentos diferentes da vida podem ter na formação da personalidade e do caráter. Na verdade, esta descrição não faz justiça à qualidade do longa, que atinge o sublime ao evocar a lembrança do grande amor da vida do protagonista. Mas é um filme brasileiro que merece maior atenção dos cinéfilos. “Ausência”, de Chico Teixeira (“A Casa de Alice”), impacta com impressionante sutileza, ao acompanhar a vida de um adolescente suburbano, que se vê trabalhando desde cedo para ajudar a pagar as contas, após o pai sair de casa, levando tudo, até a televisão, e a mãe se revelar alcoólatra. A solidão é contornada por amizades, flertes, mas também permite abusos de confiança. A construção do personagem é tão consistente que rendeu ao jovem Matheus Fagundes o troféu de Melhor Ator no recente Festival do Rio. Completam o circuito três documentários brasileiros, dos quais o mais fraco é justamente o de maior distribuição, “Chico – Artista Brasileiro”, sobre o vaidoso cantor, compositor e escritor Chico Buarque – após ele já ter sido objeto de uma exaustiva minissérie documental. Como perfil, “Ídolos” presta serviço mais relevante ao celebrar Nilton Santos, jogador mítico do Botafogo, eleito pela FIFA como melhor-lateral esquerdo de todos os tempos. Mas é “Iván” o projeto mais cativante. Simples em sua premissa e grandioso em sua execução, o filme acompanha um velho sobrevivente da 2ª Guerra Mundial, fugitivo dos campos de trabalhos forçados, numa viagem de volta ao seu país natal, a Ucrânia, após sete décadas vivendo no Brasil. O enfoque humanista, lindamente fotografado, recebeu os prêmios de Melhor Filme e Direção no Festival de Maringá. [symple_divider style=”dashed” margin_top=”20″ margin_bottom=”20″] Estreias de cinema da semana Estreias em circuito limitado





