Irmão de Espião: Nova comédia de Sacha Baron Cohen ganha primeiro teaser
A Sony Pictures divulgou o primeiro teaser legendado da comédia “Irmão de Espião”, estrelada por Sacha Baron Cohen (“O Ditador”). A prévia apresenta o espião vivido por Mark Strong (“Kingsman: Serviço Secreto”) em ação, numa sequência encenada como um videogame de tiros em primeira pessoa, que se encerra abruptamente com uma piada para introduzir seu irmão, interpretado por Cohen. A comédia foi escrita pelo próprio Cohen em parceria com Phil Johnston (“Detona Ralph”), e acompanha um espião ao estilo de 007 (Strong), que se vê forçado a fugir com seu irmão, um torcedor hooligan (Cohen). O elenco ainda conta com a mulher de Cohen, Isla Fisher (“Truque de Mestre”), Ian McShane (“Jack, o Caçador de Gigantes”), Penelope Cruz (“O Conselheiro do Crime”), Rebel Wilson (“A Escolha Perfeita”), Annabelle Walis (“Annabelle”) , Scott Adkins (“Os Mercenários 2”) e Gabourey Sidibe (série “American Horror Story”). “Irmão de Espião” tem direção do francês Louis Leterrier (“Truque de Mestre”) e estreia marcada para 4 de março nos EUA e um mês depois, em 7 de abril no Brasil.
Ponte dos Espiões retoma parceria entre Tom Hanks e Spielberg
Em “Ponte dos Espiões”, Steven Spielberg alimenta uma obsessão que permeia a maior parte de sua filmografia dramática: a perplexidade diante da complexidade das relações humanas. A trama aborda a história do advogado James B. Donovan (Tom Hanks), que é levado a defender o espião soviético capturado Rudolf Abel (Mark Rylance), segundo o preceito da lei americana de que todos merecem um advogado. Entretanto, o prejulgamento do caso já aconteceu, pois comunistas são tidos como verdadeiros demônios pela comunidade americana. Assim, as autoridades tratam o processo como mera formalidade, de forma a conduzir logo o vilão à pena de morte. Mas o advogado tem outra visão do caso. Para ele, o sujeito estava apenas prestando um serviço ao seu país, como também fazem os espiões americanos infiltrados na União Soviética ou em qualquer outro país comunista naquele cenário da Guerra Fria. As diferenças de pontos de vistas revelam como o ódio marcou o período, e a passagem de tempo, entre a época mostrada e os dias atuais, ajuda a demarcar o exagero das reações. O próprio Spielberg subverte as expectativas ao filmar o anticomunismo quase como o antisemitismo na Alemanha nazista, tratando do tema como algo de que os americanos deveriam se envergonhar. Como o filme ainda apresenta o espião como alguém bastante simpático, espirituoso e sensível (é um pintor, ainda por cima), torna-se ainda mais fácil para a audiência comprar a ideia do cineasta. Em seu papel, Tom Hanks repete a figura do homem determinado a fazer o que acredita ser o correto, vista em todos os filmes que rodou com Spielberg, sendo o mais extremo o oficial que se sacrifica em “O Resgate do Soldado Ryan” (1998). A obstinação de “Prenda-me Se For Capaz” (2002) e “O Terminal” (2004) também se enquadra no mesmo perfil. Além disso, o ator transmite como poucos a imagem clássica do bom moço, de um James Stewart contemporâneo, que funciona muito bem aqui. Desta vez, seu personagem é o típico homem comum, pai de família e classe média, que ganha contornos de herói ao encarar, sem muito apoio de seu próprio governo, uma negociação de troca entre prisioneiros, indo arriscar a própria vida em território inimigo, na Alemanha Oriental do início dos anos 1960. Por sinal, uma das cenas mais impressionantes do filme mostra a construção do terrível Muro de Berlim. É mais um exemplo do quanto o cinema pode transportar o público magicamente, como numa máquina do tempo, para um outro lugar e outra época, por meio de belas fotografia e cenografia. As imagens de Berlim devastada pela guerra e abandonada pelos soviéticos são desconcertantes e se aproximam da perfeição. “Ponte dos Espiões” é também o registro de um Spielberg maduro e sóbrio, mais próximo da contenção dramática de “Lincoln” (2012) que do sentimentalismo deslavado de “Cavalo de Guerra” (2011), para citar obras mais recentes. O que faz com que o espectador saia do cinema satisfeito com o excelente espetáculo, a reconstituição histórica, mas também considere importante seu debate ético.

