Filme inédito de Louis C.K. vaza na internet após ter estreia cancelada durante escândalo sexual
O filme inédito “I Love You, Daddy”, que teve sua estreia cancelada devido ao envolvimento de Louis C.K. num dos escândalos sexuais que abalam Hollywood, vazou na internet. Na segunda-feira (11/12), uma versão de 1,5gb do filme apareceu no site Pirate Bay, de acordo com a revista Variety. A cópia foi feita pelo famoso grupo de pirataria Hive-CM8, que há pelo menos três anos comemora o Natal divulgando cópias piratas de filmes inéditos e/ou indicados a premiações importantes. A versão que apareceu na internet pertence a um dos críticos que votam na temporada de prêmios. Cópias em DVD do filme foram enviadas para avaliação no mesmo dia em que o jornal The New York Times publicou as denúncias de abusos sexuais do diretor, roteirista e protagonista do longa-metragem, data que também foi véspera da sua première nos cinemas. A repercussão negativa da reportagem fez com que a produtora Orchard cancelasse a estreia e desistisse do lançamento, amargando o prejuízo dos US$ 5 milhões gastos na aquisição do longa no Festival de Tribeca. Por azar, há alguns dias o comediante contatou a distribuidora para comprar de volta seu filme. Mas, antes que o negócio pudesse ser feito, os piratas jogaram o trabalho no mar virtual. Em texto distribuído junto com a versão pirata, o Hive-CM8 disse que estava compartilhando o filme porque o seu lançamento era incerto. “Pensamos que seria um desperdício deixar um ótimo filme de Louis C.K. sem ser visto”, dizem os piratas. Ironicamente, a trama de “I Love You, Daddy” lida com assédio em Hollywood. Rodado em preto e branco, o filme acompanha a relação de um roteirista (papel de CK) e sua filha adolescente (Chloe Moretz) em meio ao ambiente hedonista de Hollywood, destacando em particular um cineasta de passado controvertido, que gosta de atrizes bem jovens – para preocupação do pai-protagonista.
Novo site denuncia se filmes e séries têm integrantes acusados de assédio sexual
A lista negra dos acusados de assédio sexual em Hollywood ganhou mais uma ferramenta de denúncia. Um novo site, chamado Rotten Apples (numa referência ao agregador de resenhas Rotten Tomatoes), foi criado para ajudar a localizar as “maçãs podres” dos filmes e programas de TV, baseado nas denúncias divulgadas nos últimos meses. O funcionamento é simples. Basta incluir o título da produção no campo de pesquisa, e um banco de dados informa se nela há “rotten apples” (pessoas denunciadas por abuso). O site cita nominalmente os envolvidos, com um link para notícias sobre as acusações de assédio de cada indivíduo. Os filmes do produtor Harvey Weinstein, dos diretores James Toback e Brett Ratner e do ator Kevin Spacey estão entre as maçãs mais podres, mas há falhas na lista, que ainda não inclui alguns alvos de denúncias. Por exemplo: a animação “Hercules” não entrega o ator James Woods. Mas o site permite que o internauta entre em contato e sugira mudanças e correções, o que já causou a inclusão dos produtores Andrew Kreisberg na pesquisa por “Supergirl” e Chris Savino na série animada “Loud House”, originalmente ausentes da listagem.
Polícia de Los Angeles investiga nova acusação de abuso sexual de Polanski nos anos 1970
A polícia de Los Angeles abriu uma nova investigação contra o cineasta Roman Polanski, acusado de abusar sexualmente de uma garota em 1975, quando ela tinha apenas 10 anos, segundo a agência Associated Press. Oficiais ouvidos pela agência afirmam que, apesar de o crime já ter prescrito, a polícia pode usar evidências para ajudar em outros casos. A vítima em questão, a artista Marianne Barnard, procurou a polícia em outubro, afirmando que o diretor a molestou durante uma sessão de fotos mais de quatro décadas atrás, ao lhe pedir que posasse usando apenas um casaco de pele em uma praia de Los Angeles. O advogado de Polanski, Harland Braun, afirmou ter contratado um investigador para conversar com os pais de Marianne. “Acredito que uma investigação competente da polícia de Los Angeles vai provar que a história toda é falsa”, disse. Polanski é considerado foragido da justiça americana desde 1978, quando ele fugiu para a França em meio a um julgamento por abuso sexual de uma garota de 13 anos. A vítima, Samantha Geimer, pediu ao juiz que encerrasse o caso em junho deste ano, afirmando que não queria que sua família sofresse mais por causa da situação, mas teve o pedido negado. Recentemente, mais três mulheres acusaram o diretor de estupro nos anos 1970, quando eram menores.
Ator acusado de assédio comemora indicação ao Globo de Ouro
Acusado de “comportamento inadequado” e afastado da Academia Australiana de Cinema e TV, o ator Geoffrey Rush (“O Discurso do Rei”) recebeu uma indicação ao Globo de Ouro 2018 por sua atuação na série limitada “Genius”, em que interpretou Albert Einstein. Em uma comemoração discreta, ele afirmou acreditar na “complexidade da humanidade”. A íntegra de seu comunicado diz: “Esta é uma boa notícia para Albert Einstein. Eu acredito na ciência. Eu também acredito na complexidade da humanidade. Tenho a honra de estar na companhia de candidatos nomeados que, com sua arte, se esforçaram para definir a multiplicidade de dimensões na experiência masculina”. Rush pediu licença do cargo de presidente da Academia Australiana após ser envolvido em alegações de assédio durante uma montagem teatral da peça “Rei Lear”, de Shakespeare. O ator de 66 anos negou as acusações, que vieram à público no final de novembro, quando a Companhia de Teatro de Sydney informou ter recebido queixas contra seu comportamento. Vencedor do Oscar em 1997 por seu papel em “Shine — Brilhante” e indicado outras três vezes – a última por “O Discurso do Rei” (2010) – , o ator está processando o jornal australiano The Daily Telegraph por publicar a notícia. Em comunicado anterior, Rush afirmou desconhecer os detalhes das acusações contra ele. “Desde o momento em que soube dos rumores de denúncia, falei imediatamente com a direção da Companhia de Teatro de Sydney pedindo um esclarecimento dos detalhes do comunicado. Eles se negaram a me dar detalhes”. A academia australiana também emitiu uma nota confirmando a decisão de Geoffrey Rush de “se afastar de forma voluntária”, na qual diz apoiar “um procedimento que respeite tanto o direito à presunção de inocência e a um processo justo, como também à boa gestão da direção nestas circunstâncias”. Rush vai disputar o Globo de Ouro com Robert De Niro (por “O Mago das Mentiras”), Jude Law (“The Young Pope”), Kyle MacLachlan (“Twin Peaks”) e Ewan McGregor (“Fargo”). Já Jeffrey Tambor e Kevin Spacey, que também foram objeto de denúncias recentes, não foram indicados por suas atuações em “Transparent” e “House of Cards”, respectivamente, apesar de ambos terem vencido Globos de Ouro por suas interpretações nas duas séries há dois anos.
Indicação de Christopher Plummer, substituindo Kevin Spacey, é maior surpresa do Globo de Ouro
A maior surpresa da lista de indicados do Globo de Ouro 2018 não foi o terror “Corra!” ser indicado como Melhor Comédia/Musical, mas a inclusão de Christopher Plummer na disputa do troféu de Melhor Ator Coadjuvante. Isto porque o astro veterano filmou sua participação em “Todo o Dinheiro do Mundo” em poucos dias e apenas após a produção voltar para refilmagens. Ele entrou no filme de última hora para substituir o ator Kevin Spacey, envolvido num escândalo sexual. A solução dispendiosa envolveu não apenas mais um salário, mas também refilmagens extensas. E o diretor Ridley Scott só conseguiu o aval da Sony ao prometer que entregaria a nova versão do filme, sem Spacey, no prazo da estreia oficial: 22 de dezembro nos Estados Unidos. A grande ironia é que Plummer tinha sido a escolha original do diretor para o papel, mas a Sony pressionou por Spacey, um ator mais “atual”. A Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood foi a primeira entidade organizadora de prêmios de cinema a assistir a versão final do filme com o novo ator. Ao falar sobre o papel, Plummer defendeu seu trabalho: “Não é uma substituição”. “De um jeito curioso, tudo recomeçou do zero e, por causa disso, é naturalmente diferente”, disse o astro de 87 anos. Plummer ainda comentou as denúncias de assédio sexual contra Spacey. “Toda a situação é muito triste, porque ele é um cara muito talentoso. As circunstâncias são tristes”. “Todo o Dinheiro do Mundo” ainda concorre ao Globo de Ouro em mais duas categorias: Melhor Atriz, com Michelle Williams, e Melhor Direção, com Ridley Scott. O fato de Scott aparecer na lista é outro dado de arrepiar, já que o diretor filmou “Todo o Dinheiro do Mundo” a toque de caixa. Não apenas para aprontá-lo a tempo de pegar a temporada de premiações, mas porque queria chegar aos cinemas antes da estreia de um projeto televisivo sobre a mesma história, feito por outro grande cineasta: a minissérie “Trust”, desenvolvida pelo roteirista Simon Beaufoy e o diretor Danny Boyle (a dupla de “Quem Quer Ser um Milionário?”), que estreia em janeiro no canal pago FX. Filme e minissérie giram em torno do famoso sequestro do então adolescente John Paul Getty III na Itália, em 1973, e as tentativas desesperadas da sua mãe, a ex-atriz Gail Harris (papel de Michelle Williams no filme), para conseguir que o avô bilionário do rapaz pagasse o resgate. Mas John Paul Getty Sr (papel de Plummer), considerado na época o homem mais rico do mundo, recusou-se a pagar os raptores. Por isso, para provar que falavam a sério, os criminosos chegaram a mandar para a família a orelha direita do jovem de 16 anos. O elenco também destaca as participações de Mark Wahlberg (“O Dia do Atentado”) como Fletcher Chase, um ex-agente da CIA encarregado de tratar com os raptores, e Charlie Plummer (“O Jantar”) como o herdeiro sequestrado. A estreia no Brasil está marcada para 25 de janeiro.
Charlie Sheen processa tabloide que o acusou de ter estuprado Corey Haim
O ator Charlie Sheen (das séries “Two and a Half Men” e “Anger Management”) resolveu processar o tabloide National Enquirer após a publicação de uma reportagem que o acusa de ter estuprado Corey Haim (“Os Garotos Perdidos”) nos anos 1980. O tabloide soltou a bomba em meio às denúncias de assédio que vem sacudindo Hollywood desde outubro, quando o New York Times publicou a primeira reportagem expondo Harvey Weinsten. As acusações partiram de Dominick Brascia, um ator inexpressivo que se apresentou como amigo de Haim, já falecido. Em entrevista ao tabloide, Brascia disse que Sheen, então com 19 anos, abusou sexualmente de Haim, que tinha 13 na época em que ambos trabalhavam juntos no filme “A Inocência do Primeiro Amor”, de 1986. Haim teria confidenciado detalhes do caso para o suposto amigo. Este abuso teria colocado o jovem astro na rota de autodestruição que levou à sua morte em 2010. Na ação por calúnia e difamação, o advogado de Sheen aponta que “a National Enquirer afirma ter centenas de pessoas que confirmam as acusações, mas a única pessoa citada, Dominick Brascia, foi ele próprio acusado de ter molestado sexualmente Corey Haim!”. “É igualmente ofensivo que o editor da National Enquirer, o réu Dylan Howard, esteja publicando essa história contra o Sr. Sheen com um ato de vingança pessoal, após não ter conseguido ser o primeiro a revelar a história de que o Sr. Sheen é HIV positivo”, descreve o processo. “A publicação cruel e maliciosa dessa história é particularmente ofensiva porque o Sr. Sheen é pai de cinco filhos, alguns com aproximadamente a mesma idade do Sr. Haim. Esta história não é apenas prejudicial e ofensiva para o Sr. Sheen, mas é prejudicial para a família e seus filhos pequenos também”, informa o documento. Em resposta, o grupo American Media, que publica o National Enquirer, declarou que “mal pode esperar para expor as depravações de Charlie Sheen em um tribunal de justiça”. Apesar do tom abusado da resposta, o diretor de conteúdo da American Media, Dylan Howard, é quem está sendo atualmente processado por assédio, numa história que seu tabloide não publicou. O empresário é alvo de denúncias de funcionárias de sua própria empresa, que ficaram furiosos ao descobrir, numa reportagem da revista New Yorker, que Howard estava ajudando Harvey Weinstein a tentar impedir as denúncias de assédio. Pelo menos cinco funcionárias entraram na justiça contra o patrão, que diz apenas, por meio de seu porta-voz, que as acusações “não tem fundamento”. A novela esquenta.
Mais uma mulher acusa Dustin Hoffman de abuso sexual
Outra mulher acusou o ator Dustin Hoffman de assédio sexual. A denúncia foi feita na sexta (8/12), num artigo publicado pelo site da revista The Hollywood Reporter. O astro veterano, estrela de “A Primeira Noite de um Homem” (1968), “Tootsie” (1982), “Rain Man” (1988) e muitos outros filmes, já havia sido acusado de tocar mulheres de forma imprópria. Agora, foi a vez da atriz Kathryn Rossetter (“Sem Medo de Viver”) declarar ter sido apalpada várias vezes por Hoffman entre 1983 e 1985, quando os dois atuaram juntos numa montagem teatral “A Morte do Caixeiro Viajante”. No texto, ela afirma que o ator “abusa de seu poder e é um porco com as mulheres”. O longo relato revela que Hoffman a ajudou a obter seu primeiro papel na Broadway, mas se aproveitou disso para transformar a conquista em uma “experiência horrível e desmoralizadora”. Durante uma apresentação em Chicago, na qual ela vestia lingerie e cinta-liga — como exige seu papel —, Hoffman resolveu “improvisar”, introduzindo sua mão nas partes íntimas da atriz. Os toques se repetiram de forma “cada vez mais agressiva”, em “quase todas as apresentações” e umas “seis a oito vezes por semana”. “Noite após noite, voltava para casa chorando”, ela contou. “Por que o homem que havia se esforçado para que eu conquistasse o papel, que o havia valorizado e, definitivamente, lançou minha carreira, que me beneficiou com seus conhecimentos de ator, também podia abusar sexualmente de seu poder? Era minha culpa?”, questionou. Hoffman também lhe teria pedido, reiteradamente, que massageasse seus pés no camarim, insistindo para que ela fosse “cada vez mais alto” em suas pernas – o que ela teria se negado a fazer. Kathryn explicou que não podia protestar, porque seu camarim ficava muito perto do palco, e o ajudante do ator montava guarda na frente da porta. A atriz afirma que se propôs a denunciar a conduta de Hoffman a um sindicato de atores de teatro, mas que “profissionais respeitados” a convenceram a recuar, “já que punha seu trabalho em risco”. Em meio às revelações do caso Weinstein, no final de outubro, a assistente de produção Anna Graham Hunter acusou o ator de ter apalpado suas nádegas e de ter-lhe feito propostas sexuais em 1985, quando tinha apenas 17 anos. Por coincidência, isto aconteceu nos bastidores da adaptação cinematográfica da mesma peça, “A Morte de um Caixeiro-Viajante”. Na ocasião, Hoffman divulgou uma breve nota, defendendo-se das acusações. “Tenho um grande respeito pelas mulheres e me sinto terrível que qualquer coisa que tenha feito as tenha colocado em uma situação desconfortável. Sinto muito. Não é um reflexo de quem eu sou”, completou. Depois disso, ele envolveu num bate-boca com o apresentador de TV John Oliver, que trouxe o assunto à tona durante um debate com o ator. Hoffman ainda não comentou as novas acusações. O trabalho mais recente do ator é o filme “Os Meyerowitz: Família Não se Escolhe”, da Netflix, que foi exibido no Festival de Cannes 2017.
Thogun Teixeira é afastado de minissérie da Globo após denúncia de estupro
Thogun Teixeira foi afastado das gravações da minissérie “Ilha de Ferro”, prevista para estrear em 2018 na Globo, após ser acusado de estupro durante a produção de um filme, em novembro. “O ator Thogun Teixeira não participará mais da minissérie ‘Ilha de Ferro’”, informou a assessoria da emissora, em comunicado ao UOL. Procurado, o advogado de Thogun, Humberto Adami, informou que seu cliente ainda não foi comunicado oficialmente pela emissora sobre o afastamento. “Ele deve ter um contato em breve e estamos aguardando. Ele tirou um período [de pausa das gravações], até porque é inconcebível ele permanecer com a rotina normal quando se tem uma acusação desse tipo. É um verdadeiro desastre”, afirmou. Ele foi acusado de estupro e tentativa de estupro por uma camareira e uma assistente de figurino ao final nas filmagens do longa “A Volta”, dirigido por Ronaldo Uzeda. Os nomes das vítimas estão sendo mantidos em sigilo. A denúncia foi feita em 28 de novembro e está sendo investigada pela Delegacia da Mulher de Sorocaba, no interior de São Paulo, onde a agressão teria acontecido. Ronaldo Uzeda informou que a participação do ator no filme, que estreia em 2018, foi cortada. Thogun teria papel importante em “Ilha de Ferro”, que se passa em uma plataforma de petróleo. O ator, que chegou a gravar algumas cenas, viveria Fiapo, o melhor amigo de Dante, papel do protagonista Cauã Reymond (“Não Devore Meu Coração”). O personagem agora deverá ser interpretado por Jonathan Azevedo, que viveu o Sabiá em “A Força do Querer”. Azevedo já estava no elenco, mas em um papel menor.
Bryan Singer é acusado por estupro de menor
Três dias após ser demitido das filmagens de “Bohemian Rhapsody”, filme sobre a banda Queen, o diretor Bryan Singer foi acusado de estuprar um jovem de 17 anos em um iate em 2003. Segundo Cesar Sanchez-Guzman, que denunciou e está processando Singer, o diretor o teria forçado a fazer sexo e comprado seu silêncio em troca de um papel em um filme. A ação judicial, protocolada junto à corte de Seattle, ainda declara que o iate em que estavam Singer e Guzman era de Lester Waters, um investidor descrito como “anfitrião de festas para jovens gays na cidade”. Em um comunicado, um representante do diretor disse que ele “nega categoricamente as acusações e irá se defender até que esse processo chegue ao fim”. Coincidentemente, o advogado de Cesar Sanchez-Guzman é Jeffrey Herman, o mesmo que representou Michael Egan em 2014, em um processo contra Singer, o produtor de TV Garth Ancier e o executivo da Disney David Neuman. Na ocasião, Egan também acusou Singer de estuprá-lo quando ele era menor, o que teria acontecido no Havaí. Mas a acusação tinha muitas inconsistências e ruiu quando o diretor conseguiu provar que, na data alegada, estava no Canadá filmando “X-Men”. Além disso, Jeff Herman, advogado de Egan e agora de Sanchez-Guzman, já teve sua carteira da Ordem dos Advogados suspensa pela Suprema Corte do Estado da Flórida por agir de forma desonesta no exercício da profissão e tomar atitudes prejudiciais a um cliente. Por conta do primeiro escândalo, Singer chegou a ser afastado da divulgação de “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido”. Mas quando as acusações ruíram, ele voltou à franquia para dirigir “X-Men: Apocalipse”. A boa vontade da Fox, porém, acabou após seu sumiço em plenas filmagens de “Bohemian Rhapsody”. O diretor alega que precisou se afastar para lidar com problemas de saúde de seus pais, e que o estúdio não teve sensibilidade para lhe dar alguns dias de folga. A convergência do sumiço, da demissão e da nova acusação deve alimentar teorias diferentes sobre a razão do afastamento de Singer.
Filha de Woody Allen questiona porque o pai foi poupado dos escândalos de Hollywood
Dylan Farrow, filha do cineasta Woody Allen, assinou uma coluna no jornal Los Angeles Times, criticando Hollywood e a mídia por minimizarem e não darem importância para as alegações de agressão sexual que ela fez contra o pai no começo dos anos 1990. Publicado na quinta (7/12), o artigo intitulado “Por que a revolução #MeToo poupou Woody Allen?” questiona por que figuras proeminentes da indústria — o ex-magnata Harvey Weinstein, o executivo da Amazon Roy Price, o ator Kevin Spacey e outros — foram “expulsas de Hollywood” após as revelação de casos de assédio e violência sexual, enquanto seu pai continua a ter um acordo de distribuição multimilionário com a Amazon, vários atores disponíveis para seus filmes e ninguém parece se sentir incomodado. “Estamos no meio de uma revolução. São acusações contra chefes e executivos de estúdio, jornalistas… As mulheres estão expondo a verdade e os homens estão perdendo seus empregos, mas essa revolução tem sido seletiva”, escreveu Farrow. Ela acusou o próprio pai de tê-la atacado sexualmente quando ela tinha sete anos de idade. Em seu texto, ela afirmou que os detalhes do incidente, a batalha de custódia familiar e o “padrão de comportamento inadequado” do diretor não foram revelados adequadamente ao público. “É um feito da equipe de relações públicas de Allen e de seus advogados que poucos conheçam esses fatos. Isso também diz respeito às forças que historicamente têm protegido homens como Allen: o dinheiro e o poder usados para transformar o simples em algo complicado, a fim de modelar a história”. Farrow continua: “Nesta névoa deliberadamente criada, atores top concordam em aparecer nos filmes de Allen e os jornalistas tendem a evitar o assunto”. Ela observa: “Embora a cultura pareça estar se transformando rapidamente, minhas alegações aparentemente ainda são muito complicadas, muito difíceis e também ‘perigosas’ demais para se enfrentar… É difícil negar a verdade, mas é fácil ignorá-la. Parte o meu coração quando vejo mulheres e homens que eu admiro aceitando trabalhar com Allen. O sistema funcionou para Harvey Weinstein há décadas. Mas ainda trabalha e funciona para Woody Allen”. A denúncia de Dylan foi trazida à tona durante a separação do diretor e, após a opinião pública se voltar contra Allen, sua equipe legal virou o jogo, deixando mal sua ex, Mia Farrow, acusada de mentir e ensaiar os próprios filhos para se vingar do ex. Mas o juiz do caso não se deixou convencer e não permitiu que Allen tivesse custódia da menina. Na ocasião, ele tinha começado um relacionamento com outra filha de Farrow, Soon-Yi Previn, adotada durante o casamento anterior da mulher, o que alimentou rumores. Allen está até hoje casado como Soon-Yi. Dylan é irmã de Ronan Farrow, que desempenhou um papel importante na revelação dos escândalos de Weinstein, ao publicar uma reportagem na revista The New Yorker que reuniu os primeiros testemunhos de estupros sofridos por vítimas do produtor. Há dois anos, Ronan também questionou a impunidade de Allen num artigo publicado na época da participação do diretor no Festival de Cannes. Na ocasião, ele cobrou o silêncio da imprensa, que o paparicou no evento. Diante disso, Allen chegou a comentar que temia uma “caça às bruxas” após o estouro do escândalo de Weinstein. “Você não vai querer entrar numa atmosfera de caça às bruxas, uma atmosfera de Salem, onde qualquer cara que pisca para um garota em seu escritório de repente tem que ligar para seu advogado para se defender”, declarou. “Isso também não é certo. Mas claro, eu espero que tudo isso transforme em benefício para as pessoas ao invés de apenas uma história trágica”.
Academia do Oscar cria código de conduta após escândalos sexuais
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos anunciou a adoção de seu primeiro código de conduta. O documento é uma resposta aos escândalos sexuais que abalaram Hollywood e que já levaram a Academia a expulsar o produtor Harvey Weinstein, acusado de assédio sexual e estupro por mais de 50 mulheres. O código valerá para todos seus 8.427 membros, que receberam as novas regras na quarta-feira (6/12) por email. Uma das premissas do novo código é que a Academia não é lugar para “pessoas que abusam de seu status, poder ou influência de forma que extrapole os limites da decência”, nem para “aqueles que comprometam a integridade da instituição”. Todas as regras do documento foram criadas por um conselho especial formado pelos membros da organização. Mas ainda não foram estabelecidas as penalidades para quem não seguir as diretrizes. A mensagem de Dawn Hudson, CEO da Academia, avisa que a equipe que formulou o documento em breve “finalizará os procedimentos para lidar com as alegações de má conduta, assegurando que possamos abordá-los de forma justa e rápida”. Até lá, Kevin Spacey, James Toback e outros denunciados permanecem na instituição. O primeiro tem dois Oscars e o segundo foi indicado ao troféu, além de mais denúncias de assédio que Weinstein.
Vítimas que denunciaram assédio são eleitas personalidades do ano pela revista Time
A revista americana Time elegeu como personalidades do ano as vítimas de assédio sexual, que em 2017 denunciaram os perpetradores e motivaram a campanha #MeToo (“eu também”), disseminada nas redes sociais na esteira da revelação dos casos envolvendo o produtor de Hollywood Harvey Weinstein. A imagem de capa destaca cinco mulheres que tiveram papel de destaque no movimento: a atriz Ashley Judd, primeira a denunciar Weinstein, a cantora Taylor Swift, a lavradora Isabel Pascual (pseudônimo), a lobista Adama Iwu e a ex-engenheira do Uber Susan Fowler. Elas foram chamadas de “silence breakers” (“rompedoras do silêncio”) pela publicação, “as vozes que lançaram um movimento”. “As ações encorajadoras das mulheres em nossa capa, assim como de centenas de outras e também de homens, desencadearam uma das mudanças mais rápidas em nossa cultura desde a década de 1960. A rede social agiu como um acelerador poderoso: a hashtag #MeToo já foi usada milhões de vezes em pelo menos 85 países”, resumiu a revista no editorial assinado pelo editor-chefe Edward Felsenthal. “Por darem voz a segredos, por vencerem a rede de fofocas e chegarem às redes sociais, por forçarem todos nós a parar de aceitar o inaceitável, aquelas que romperam o silêncio são as personalidades do ano”, acrescenta o editorial. “As raízes deste prêmio – identificar a pessoa ou pessoas que mais influenciaram os eventos do ano – são baseadas na teoria histórica do ‘grande homem’, uma expressão que nunca pareceu tão anacrônica”, continua o texto, referindo-se à própria tradição da revista, que em 1927 começou a eleger o “grande homem” de cada ano. “Virou uma hashtag, um movimento, um acerto de contas. Mas começou, como quase todas as grandes mudanças sociais, com atos individuais de coragem”, continua a publicação, explicando a escolha das cinco mulheres que foram parar na capa, cada uma representando uma parcela diferente da sociedade e da cultura americanas. “A atriz [Judd] que veio a público com a história da ‘coerção por barganha’ do magnata do cinema Harvey Weinstein em uma suíte de um hotel em Beverly Hills duas décadas antes. A lavradora [Pascual] que ouviu essa história e decidiu contar a sua… A jovem engenheira [Fowler] cujo post sobre a cultura ‘frat-boy’ [machista] na empresa mais ascendente do Vale do Silício [Uber] causou a demissão de seu fundador e outros 20 funcionários. A lobista da Califórnia [Iwu] cuja campanha encorajou mais de 140 mulheres na política a exigir que os governos ‘não tolerassem mais os executores e facilitadores’ da má conduta sexual. Um depoimento cru e desafiador de uma superestrela da música [Swift] sobre o DJ que a assediou”, definiu a revista. Na reportagem, além das cinco mulheres, aparecem outras celebridades que se destacaram no movimento, também fotografadas para a edição especial, entre elas as atrizes Alyssa Milano (que popularizou a campanha #MeToo com um post no Twitter), Rose McGowan e Selma Blair (duas das mais ativas), a ativista Tarana Burke (que cunhou a expressão “eu também”), e até o ator Terry Crews, entre personalidades da mídia e anônimas. Foi Alyssa Milano que popularizou a campanha “Eu também”, com o seguinte post: “Sugerido por uma amiga: ‘Se todas as mulheres que foram assediadas ou abusadas sexualmente escrevessem ‘eu também’, talvez as pessoas percebessem a magnitude do problema’.” A atriz acrescentou: “Se você também foi assediada ou abusada sexualmente, escreva ‘eu também’ como uma resposta a esse tweet”. Além da reportagem, a Time publicou um vídeo em seu site oficial sobre o tema. Para completar, o resto da lista das pessoas mais importantes do ano – que ainda inclui o presidente Donald Trump, o líder chinês Xi Jinping e outros – também destacou a cineasta Patty Jenkins, que com o filme “Mulher-Maravilha” mostrou que mulheres também podem dirigir blockbusters, batendo recordes de arrecadação e elogios da crítica com o filme da super-heroína.
Produtores processam a Weinstein Company por cancelamento de série após escândalo sexual
Dois produtores de uma série encomendada pela Amazon e posteriormente cancelada em pleno desenvolvimento, devido ao escândalo sexual de Harvey Weinstein, abriram um processo contra The Weinstein Company, exigindo uma compensação de no mínimo US$ 2 milhões. O casal Scott Lambert e Alexandra Milchan estava trabalhando numa série sem título do diretor David O. Russell (“Trapaça”, “Joy”), que seria estrelada por Robert De Niro (“A Família”) e Julianne Moore (“Para Sempre Alice”), mas uma semana após o jornal The New York Times publicar a reportagem que denunciou o comportamento abusivo de Harvey Weinstein, a Amazon decidiu romper seu relacionamento com a TWC, cancelando a produção. A série tinha um orçamento megalômano: US$ 160 milhões. De acordo com o site The Hollywood Reporter, a plataforma já havia investido US$ 40 milhões no projeto, que estava na fase de finalização de roteiros, quando o cancelamento foi confirmado. Segundo o THR, Milchan e Lambert deram entrada na judicial na segunda-feira (4/12) no tribunal superior da LA, alegando que têm direito a receber pelo trabalho desenvolvido e taxas como produtores do projeto. O processo afirma que a TWC era uma “bomba relógio”, e que a empresa não conseguiu proteger a si mesma e a seus parceiros de negócios do dano maciço causado pelo comportamento de Harvey Weinstein. “Os réus tinham inúmeros sinais de alerta de que tal escândalo estava se preparando”, afirma o processo. “Nos anos anteriores, a TWC recebeu numerosas denúncias de abuso sexual e assédio envolvendo Weinstein. Essas queixas, se investigadas com razoável diligência, teriam revelado que Weinstein não poderia manter sua posição na TWC”. O processo exige compensação por perdas e danos, negligência, violação de contrato e fraude. A Weinstein Company não fez comentários.












