Joaquin Phoenix negocia filmar projeto que seria estrelado por Robin Williams
Segundo o site da revista Variety, o ator Joaquin Phoenix e o diretor Gus Van Sant estão planejando tirar do papel um projeto que seria estrelado por Robin Williams. Trata-se da adaptação de “Don’t Worry, He Won’t Get Far on Foot”, autobiografia do cartunista John Callahan. Nascido em Portland, Callahan teve infância difícil, marcada por abusos sexuais e vícios, e virou cartunista após ficar quadriplégico por conta de um acidente de carro sofrido aos 21 anos. De estilo inconfundível, seus quadrinhos cheios de humor negro – e por vezes controversos – o tornaram famoso. Desde a publicação do livro, em 1989, Hollywood tenta filmar a história e durante muitos anos Robin Williams esteve cotado para interpretar Callahan. Joaquin Phoenix e Gus Van Sant tentam retomar a parceria há bastante tempo. Os dois trabalharam juntos em “Um Sonho sem Limites (1995), segundo filme do ator, então com 21 anos. Marcante para o jovem, a produção foi o primeiro trabalho em que ele foi creditado como Joaquin Phoenix, já que até então era chamado de Leaf Phoenix. No momento, Phoenix grava o filme de Maria Madalena com Rooney Mara, enquanto o diretor se prepara para lançar a minissérie “When We Rise”.
Gotham Awards: Moonlight vence a primeira premiação importante da temporada nos EUA
O drama indie “Moonlight” saiu na frente na temporada de premiações nos EUA. A primeira grande cerimônia de premiação do ano, o Gotham Awards, dedicado ao cinema independente, consagrou a produção com quatro troféus, entre eles os de Melhor Filme e Roteiro de 2016, na noite de segunda-feira (28/11) em Nova York. Escrito e dirigido por Barry Jenkins, “Moonlight” também recebeu o Prêmio do Público e um Prêmio Especial do Júri, conferido para seu elenco. A trama conta a história de Black, um jovem negro durante três fases distintas de sua vida, lidando com a descoberta da sexualidade em meio ao universo masculino da criminalidade e das drogas de Miami. “Estas são pessoas marginais vivendo vidas marginais. É ótimo que exista reconhecimento para este tipo de história, porque precisaremos delas cada vez mais, agora mais que nunca”, disse Jenkins, em seu agradecimento, aludindo à situação política dos EUA, com a mudança de presidente no país. Embora o Gotham Awards não considere elegível vários concorrentes ao Oscar, como “La La Land” e outras produções de grandes estúdios, vale observar que os dois últimos vencedores do prêmio também venceram o Oscar: “Birdman” (2014) e “Spotlight” (2015). Os produtores de “Moonlight” devem agora estar torcendo para a tendência continuar. Líder em indicações ao prêmio, “Manchester à Beira-Mar”, de Kenneth Lonergan, acabou rendendo o troféu de Melhor Ator a Casey Affleck, cuja performance vinha sendo considerada favorita por toda a crítica. “Sentir esse reconhecimento é muito bom. Não pensei que fosse me importar tanto”, ele comemorou. Por outro lado, a aposta em Natalie Portman, por “Jackie”, não vingou. A grande surpresa da noite, por sinal positiva, foi a consagração da francesa Isabelle Huppert como Melhor Atriz pelo poderoso “Elle”, de Paul Verhoeven. “Não consigo respirar e não sei o que dizer”, ele disse em seu agradecimento. “Não esperava que isto acontecesse. Me disseram que era um prêmio americano: ‘Você é francesa, nunca vai consegui-lo’.” A jovem atriz Anya Taylor-Joy foi premiada como a Revelação do ano por sua atuação no terror “A Bruxa”, e Trey Edward Shults como o Melhor Diretor Estreante de 2016 por “Krisha”. Completando a lista de premiações, “O.J. – Made in America” foi consagrado como melhor documentário, e “Crazy Ex-Girlfriend” levou o prêmio de Melhor Série. MELHOR FILME Moonlight MELHOR ATOR Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar) MELHOR ATRIZ Isabelle Huppert (Elle) ATOR/ATRIZ REVELAÇÃO Anya Taylor-Joy (A Bruxa) DIRETOR REVELAÇÃO Trey Edward Shults (Krisha) MELHOR ROTEIRO Barry Jenkins (Moonlight) MELHOR DOCUMENTÁRIO O.J.: Made in America PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI Elenco de Moonlight PRÊMIO DO PÚBLICO Moonlight SÉRIE DE LONGA DURAÇÃO Crazy Ex-Girlfriend SÉRIE DE CURTA DURAÇÃO Her Story
É Apenas o Fim do Mundo embaraça o cinema pretensioso de Xavier Dolan
O prestígio que cerca precocemente jovens talentos costuma dividir opiniões. Não por acaso, todas as reações ao trabalho do cineasta canadense Xavier Dolan são exaltadas, sejam elas positivas ou negativas. Dolan tinha acabado de atingir a maioridade quando foi revelado ao mundo com o desconcertante “Eu Matei a Minha Mãe” (2009). Desde então, transformou-se em um queridinho dos franceses, recebendo em Cannes um Prêmio do Júri por “Mommy” (2014) e o Grande Prêmio do Júri por seu novo filme, “É Apenas o Fim do Mundo”, tendo somente 27 anos, algo que veteranos que batem cartão com frequência no festival jamais conseguiram. Por um lado, não se questiona que ele seja um bom diretor de elenco, algo que advém de também desempenhar o ofício da interpretação, e que compreende bem as possibilidades de artimanhas da linguagem, tendo em “Mommy” modificado a largura da tela com uma intenção muito mais do que estética. Por outro lado, a sua visão para dramas adultos soa infantilizada, por vezes tratando banalidades com a pirraça de um jovem que visualiza tudo como o fim do mundo – vem bem a calhar aqui o título de seu novo filme. Seu sexto longa-metragem concentra tudo o que de pior é apontado em seu cinema. Isso porque a adaptação que faz da peça de Jean-Luc Lagarce é insuportável, um pavor. Escritor que oculta o fato de estar com uma doença terminal, Louis-Jean Knipper (Gaspard Ulliel, de “Saint Laurent”) volta para a casa de sua família com a intenção de revelar a sua condição. Não há um segundo que ele não ensaie o modo como trará a informação à tona, mas sempre se acovarda quando se julga preparado. Há quatro membros da família que o aguardam: a sua mãe (Nathalie Baye, de “Uma Doce Mentira”), a sua irmã caçula Suzanne (Léa Seydoux, de “007 Contra Spectre”), o seu irmão mais velho Antoine (Vincent Cassel, de “Em Transe”) e a sua cunhada Catherine (Marion Cotillard, de “Macbeth”, deslocada como nunca). Raramente se viu um núcleo familiar que usa tanto as trivialidades como justificativa para discutir aos berros. Ainda que alguma escolha no passado de Louis-Jean tenha deixado um mal estar na atmosfera da residência, briga-se por várias outras coisas, como a preparação do jantar, a ausência de cartas, a passividade de Catherine, a notificação de partida do anfitrião e por aí vai. Dolan faz algo pior que um teatro filmado. Quase sem pausas para respiros, a sua câmera fica grudada nas faces do elenco durante 90 minutos, como se pretendesse com isso representar a rua sem saída em que está o seu protagonista, captando cada olhar e gota de suor, mas jogando pela lixeira a potencialidade dos intérpretes, ao ignorar que uma atuação depende da anatomia em sua totalidade para se comunicar. A pretensão dessa escolha, somada à artificialidade da iluminação do diretor de fotografia André Turpin (também de “Mommy”) para reforçar a inconstância do temperamento dos personagens, marca “É Apenas o Fim do Mundo” como o ponto mais embaraçoso da carreira de Dolan, mais do que o elenco composto exclusivamente por atores franceses. E também leva a questionar os critérios do juri do último Festival de Cannes, presidido pelo cineasta George Miller (“Mad Max: Estrada da Fúria”), que preferiu premiar isso e ignorar, por exemplo, “Elle”, de Paul Verhoeven.
Depois da Tempestade reflete de forma sensível a dissolução de uma família
O foco na família continua o forte do cinema de Hirokazu Koreeda. Ainda que seja bem menos sombrio do que “Ninguém Pode Saber” (2004) e “O Que Eu Mais Desejo” (2011), “Depois da Tempestade” (2016) é desses filmes que parecem manter uma nuvem negra sobre seu protagonista Ryota, um escritor fracassado, que agora faz bicos trabalhando como detetive particular e que tem muita dificuldade para pagar a pensão do filho, fruto de um casamento que chegou ao fim. Ele ainda sente muita falta da esposa, demora para virar a página, sem falar que é muito doloroso para ele ter que ficar longe do garoto. O personagem é problemático, chega até mesmo a tentar roubar a própria mãe, entre outras coisas, mas percebemos que se tratam de atos desesperados. Podemos vê-lo como um sujeito que demorou a crescer e por isso acaba perdendo tudo o que havia conquistado, mas também podemos mais solidários com ele, especialmente quando há uma triste identificação com muitos aspectos de sua personalidade e de sua vida. Uma das curiosidades de “Depois da Tempestade” é o modo como Koreeda filma as ruas, quase sempre vazias. Aquilo passa uma sensação de um universo quase morto, como se não houvesse escapatória para o protagonista a não ser tentar se reconciliar com a esposa, que, no entanto, está bastante ciente de que seu casamento acabou e tem um posicionamento bem prático diante da vida. Para ela, não dá para conviver com um homem tão irresponsável. E assim vai até o terço final do filme, quando a narrativa encaminha os personagens para a casa da avó (Kirin Kiki, a velhinha de “Sabor da Vida”). Aliás, impressionante como a atriz, que já havia aparecido em outros filmes do diretor, funciona como a personificação da mãe/avó amorosa. E de como esse aspecto, bem como o ritual de fazer refeições e de comer, é tão próximo dos valores japoneses. A parte final do filme é a mais rica em significação e em sentimento, com a chegada de Ryota e do filho na casa da avó, enquanto esperam um tufão que deve causar alguns estragos na cidade. O aconchego da casa da avó, seus olhos amorosos e tristes pelo insucesso do filho, a tentativa de aproximação com a nora, tudo isso é explorado com muita delicadeza. Evitando o melodrama carregado, Koreeda prefere um drama agridoce, sutil, que aproxima o espectador daquela família e transmite sua tristeza, até concluir de forma conformista, diante da situação final. Que, aliás, não chega a ser uma solução pessimista, mas realista.
Lion: Novo trailer do drama premiado destaca música tema de Sia
A TWC (The Weistein Company) divulgou um novo trailer de “Lion”, drama premiado no Festiva de Toronto e cotado ao Oscar, destacando a música tema, “Never Give Up”, da cantora Sia. O drama adapta o best-seller “A Long Way Home”, de Saroo Brierley, por sua vez inspirado na vida real do autor. A trama acompanha um irreconhecível Dev Patel (“O Exótico Hotel Marigold”) como um jovem indiano adotado por uma família branca, que tem poucas lembranças de sua infância em Calcutá, onde se separou do irmão, viu-se perdido e precisou mendigar, até ser resgatado pelo casal vivido por Nicole Kidman (“As Aventuras de Paddington”) e David Wenham (“300: A Ascensão do Império”) e levado para viver com eles na Austrália, aos cinco anos de idade. Parte da história é contada por meio de flashbacks, como no filme que consagrou Patel, “Quem Quer Ser Um Milionário?” (2008), enquanto o protagonista resolve usar o Google Earth para reencontrar sua família biológica, partindo numa jornada em busca de suas raízes. O elenco ainda inclui Rooney Mara (“Peter Pan”) como a namorada do protagonista. O filme marca a estreia como diretor de cinema de Garth Davis, que comandou a premiada minissérie “Top of the Lake”. O roteiro foi escrito por Luke Davies (“Life: Um Retrato de James Dean”). O lançamento aconteceu nesta sexta (25/11) nos EUA, mas o filme só chegará em fevereiro aos cinemas do Brasil.
Trailer de drama indie traz atriz de Game of Thrones como menina de rua
A Electric Entertainment divulgou o pôster e o primeiro trailer de “The Book of Love”, drama indie estrelado por Jason Sudeikis (“Família do Bagulho”) e Maisie Williams (série “Game of Thrones”). A prévia, como virou tendência, conta toda a história, mostrando Sudeikis como um arquiteto viúvo que, isolando-se em depressão, ainda conversa com a esposa morta (vivida por Jessica Biel, de “O Vingador do Futuro”). Uma dessas conversas o leva a ajudar uma menina de rua (Maisie), que vive recolhendo peças do seu lixo. Os dois se aproximam, a princípio relutantemente, no projeto de construção de um barco, que serve também para que ambos superem seus problemas pessoais. The end. O filme foi escrito e dirigido por Bill Purple, que estreia em longa-metragem após dirigir diversas sitcoms (“New Girl”, “Fresh off the Boat”, “Superstore”, etc.). A estreia está marcada para 13 de janeiro nos EUA.
Fences: Drama dirigido e estrelado por Denzel Washington ganha novo trailer
A Paramount Pictures divulgou o pôster e o segundo trailer de “Fences”, drama dirigido e estrelado por Denzel Washington (“Sete Homens e um Destino”). A prévia destaca a performance dramática do ator e de Viola Davis (“Esquadrão Suicida”), no papel de sua esposa, que podem emplacar indicações ao Oscar. Baseado na premiada peça de August Wilson, a trama já rendeu aos dois atores os prêmios Tony (o Oscar do teatro) em 2010. A trama traz Washington como um pai de família na década de 1950, um lixeiro urbano assombrado por seu sonho irrealizado de se tornar um astro do beisebol, e que busca desestimular a aspiração esportiva do filho numa época marcada pela segregação. Denzel já dirigiu dois filmes antes de encarar o texto de Wilson, que é considerado um clássico do teatro americano: as cinebiografias “Voltando a Viver” (2002) e “O Grande Desafio” (2007). O próprio Wilson assinou o roteiro da adaptação, que tem estreia marcada para 25 de dezembro nos EUA e ainda não possui previsão de lançamento no Brasil.
Robert De Niro é comediante decadente em trailer de drama que ele queria filmar há anos
A Sony Pictures Classics divulgou o primeiro trailer de “The Comedian”, um dos projetos mais estimados do ator Robert De Niro (“Um Senhor Estagiário”), que tentava filmá-lo desde 2011. Como tem sido praxe, a prévia conta toda a história, mostrando a queda e a volta por cima de um comediante decadente de stand-up. Condenado a prestar serviços comunitários após atingir um membro de sua plateia com o microfone, ele acaba conhecendo uma mulher (Leslie Mann, de “Mulheres ao Ataque”) que irá mudar sua vida. Em resumo, o amor salva e lhe permite a redenção. O roteiro foi escrito por Art Linson (“Fora de Controle”) e Jeffrey Ross (“Tudo pela Fama”) e traz De Niro no papel principal. A direção está a cargo de Taylor Hackford (“Ray”) e o elenco de coadjuvantes é repleto de velhos amigos do veterano ator, propiciando reencontros que devem deleitar os cinéfilos. Há Harvey Keitel, parceiro de De Niro em “Caminhos Perigosos” (1973), Charles Grodin, de “Fuga à Meia-Noite” (1988) e Billy Crystal, de “A Máfia no Divã” (1999). Além disso, vale lembrar que De Niro quer ser “O Rei da Comédia” desde 1982. Impossível não fazer a ligação entre os dois filmes. “The Comedian”, que ainda inclui Danny DeVito (série “It’s Always Sunny in Philadelphia”), Patti Lupone (série “Penny Dreadful”), Hannibal Buress (“Vizinhos”) e Edie Falco (série “Nurse Jackie”), estreia em 13 de janeiro nos EUA e ainda não tem previsão de lançamento no Brasil.
Silêncio: Veja o primeiro trailer épico do aguardado novo filme de Martin Scorsese
A Paramount divulgou o pôster e o primeiro trailer de “Silêncio”, o aguardado novo filme de Martin Scorsese. Ainda sem legendas, a prévia demonstra a grandiosidade da produção, marcando a volta do cineasta aos épicos históricos e também à religião. Com “A Última Tentação de Cristo” (1988), Scorsese causou polêmica. Desta vez, trilha o caminho da exaltação da fé, em meio às privações e ao martírio. As imagens mostram tanto conversões quanto violência e desespero, sob tortura e o fio de espadas samurais. Adaptação do romance homônimo de Shusaku Endo, o filme acompanha padres jesuítas portugueses, que viajam ao Japão feudal para localizar seu mentor desaparecido e espalhar o evangelho do cristianismo no século 17. Estrelado por Andrew Garfield (“O Espetacular Homem-Aranha”), Adam Driver (“Star Wars: O Despertar da Força”) e Liam Neeson (“Busca Implacável”), o longa chegará aos cinemas americanos em 23 de dezembro, em distribuição limitada, visando atender as regras do Oscar. O lançamento mais amplo acontece em janeiro. No Brasil, por sinal, a estreia está marcada para 26 de janeiro. A produção vem sendo desenvolvida por Scorsese há décadas e a perspectiva de sua finalização neste ano era uma das grandes dúvidas em relação à disputa do Oscar 2017. Os dois últimos filmes do cineasta, “O Lobo de Wall Street” e “A Invenção de Hugo Cabret”, receberam um total de 16 indicações ao Oscar.
Silêncio, o novo filme de Scorsese, terá première mundial no Vaticano
“Silêncio”, o aguardado novo filme de Martin Scorsese, terá première mundial no Vaticano, tendo sua primeira exibição pública diante de padres jesuítas e convidados. Não foi revelado se o Papa Francisco, que também é jesuíta, irá participar da sessão, mas Scorsese deve se encontrar com o pontífice na época da projeção, seja em um encontro previamente combinado ou durante as reuniões semanais do Papa com o público. O Vaticano mantém projeções sazonais de filmes ligados à espiritualidade e à Igreja, já tendo feito exibição pública de “Invencível” (2014), de Angelina Jolie, e, de forma privada, até de “Spotlight”, que lidou com o tema dos padres pedófilos. Embora seja raro o Papa comparecer a esses eventos, Francisco é muito mais aberto em relação a suas aparições públicas que seus predecessores. Ele, inclusive, deve fazer sua estréia no cinema em “Beyond the Sun”, que marcará a primeira participação de um Papa num filme. Estrelado por Liam Neeson (“Busca Implacável”), Andrew Garfield (“O Espetacular Homem-Aranha”) e Adam Driver (“Star Wars: O Despertar da Força”), o filme de Scorsese acompanha padres jesuítas portugueses, que viajam ao Japão feudal para localizar seu mentor e espalhar o evangelho do cristianismo no século 17. A história é uma adaptação do romance “Silêncio”, de Shusaku Endo. O longa chegará aos cinemas americanos em 23 de dezembro, em distribuição limitada, visando atender as regras do Oscar. A produção vem sendo desenvolvida por Scorsese há décadas e a perspectiva de seu lançamento neste ano era uma das grandes dúvidas em relação à disputa do Oscar 2017. Os dois últimos filmes do cineasta, “O Lobo de Wall Street” e “Hugo”, receberam um total de 16 indicações ao Oscar.
Indignação é um belo filme sobre a juventude
James Schamus é um produtor de bom gosto, que trabalhou diversas vezes com Ang Lee e talvez por isso tenha herdado uma sensibilidade especial, de modo a conseguir um resultado muito bom em sua estreia como diretor. Sua principal opção estética ao filmar “Indignação” foram sequências longas, ainda que com muito uso de campo e contracampo, para que dar conta do texto denso de Philip Roth (“Revelações”), autor do romance homônimo lançado em 2008, que serve de base para a trama. A história se passa durante o período de juventude do escritor, na década de 1950, mais especificamente no ano de 1951, quando explodia a Guerra da Coreia e antes do nascimento oficial do rock’n’roll, que se manifestaria como uma forma de extravasar a energia e a intensidade daquela geração. O personagem principal, o jovem Marcus (Logan Lerman, de “As Vantagens de Ser Invisível”), é um garoto bom e aparentemente muito centrado e correto. Mas há algo nele que o deixa particularmente irritado com as regras impostas pela sociedade. E é interessante esse aspecto, pois, por mais que convide o espectador a assumir seu ponto de vista, especialmente a cada cena positiva entre ele e Sarah Gadon (da minissérie “11.22.63”), o filme não o torna dono da verdade. É possível questioná-lo sempre, por mais que a sabatina com o reitor da universidade (grande momento de Tracy Letts) seja um tanto desnorteadora. A trama se inicia nos últimos dias de Marcus com sua família em New Jersey, antes dele passar a morar na universidade de Winesburg, em Ohio. É lá que percebemos sua dificuldade (ou má vontade) de socialização, por mais que, inicialmente, tenha simpatizado com seus dois colegas de quarto. Sua intenção ali é essencialmente estudar. Quem acaba fazendo com que mude de ideia é a bela e aparentemente recatada Olivia Hutton (Gadon), cujo nome ele recita em voice-over com ar respeitoso, de modo a torná-la, desde o primeiro instante, especial. O tímido e inexperiente Marcus resolve convidá-la para sair. E o resultado do primeiro encontro é inesquecível. Tanto que o rapaz, com aquela mentalidade tão conservadora do início dos anos 1950, não sabe como lidar com o comportamento mais ousado daquela moça, que, para nós, espectadores, é uma promessa de felicidade, algo a não se deixar escapar. Tudo bem que Olivia Hutton é uma garota complexa – tem um histórico de problemas mentais em uma instituição psiquiátrica –, mas sua doçura, beleza e encantamento compensam tudo isso. Schamus sabe muito bem quando inserir as poucas intervenções narrativas extraídas do livro de Roth e quando utilizar apenas imagens para compor seu filme, que nos leva junto do protagonista. O trabalho de direção de atores, o cuidado com a montagem das cenas, especialmente as mais longas e tensas (ou intensas), além dos belos enquadramentos em scope, fazem de “Indignação” um dos melhores filmes de estreia dos últimos anos, provavelmente por sua capacidade de criar identificação com esse momento tão conturbado e ao mesmo tempo tão mágico, que é a juventude e seus encantos e dissabores.
Série Plantão Noturno é renovada para sua 4ª temporada
A rede americana NBC renovou a série “Plantão Noturno/The Night Shift” para sua 4ª temporada. Criada por Gabe Sachs e Jeff Judah, a atração é um drama médico que se passa no turno da noite de um pronto-socorro em San Antonio. Um diferencial da trama é que parte dos médicos esteve no exército, voltando traumatizados do front para lidar com pacientes em situações de emergência. Exibida entre junho e agosto, a 3ª temporada registrou a média de 4,99 milhões de telespectadores nos EUA. Na soma do DVR do mesmo dia, ela chega a 6.8 milhões de telespectadores. “The Night Shift” é exibida no Brasil pelo canal pago A&E e, como “Plantão Noturno”, nas madrugadas da rede Globo.
Sem ser memorável, Snowden consegue entreter, informar e provocar
Apesar de um pouco distante da grande mídia, em comparação com seu destaque nas décadas de 1980-90, Oliver Stone segue ativo e perseguindo ainda mais um tipo de cinema militante de esquerda, numa opção ousada, já que são poucos que manifestam tamanha simpatia por medalhões da esquerda. Os documentários “Comandante” (2003), “Ao Sul da Fronteira” (2009), “Castro in Winter” (2012) e “Mi Amigo Hugo” (2014) são exemplos disso. Mas pouca gente viu esses filmes. Em “Snowden – Herói ou Traidor”, ele tenta voltar a ser relevante, deixando o bajulamento de políticos de lado para voltar a se embrenhar na boa luta contra o sistema. No novo filme, Stone denuncia a capacidade e o poder que o governo americano tem de não só vigiar cidadãos de seu próprio país, mas como também de provocar até mesmo apagões em vários outros países com apenas um clique. Stone encontrou em Edward Snowden, vivido na tela por Joseph Gordon-Levitt (“A Travessia”), um prato cheio para fomentar uma nova controvérsia, e sem poupar o Presidente Barack Obama, que não é apenas cúmplice das armações maquiavélicas do Estado, embora percebamos que isto é parte de algo maior e já instituído. Snowden, ex-empregado da NSA (Agência Nacional de Segurança), e testemunha de segredos de estado chocantes, é mostrado inicialmente em 2013, quando decide contar tudo o que sabe para um grupo de jornalistas. A divulgação cairia como uma bomba, mas o rapaz, então com menos de 30 anos, tinha consciência dos riscos que ele e sua esposa sofreriam. A estrutura narrativa é convencional, através de flashbacks que remontam ao tempo em que Snowden era um simples soldado, que acabou se afastando do exército depois de quebrar as duas pernas em um acidente simples. Neste período, foi recrutado para trabalhar em uma agência de espionagem. E é aí que sua história realmente começa. A narrativa não poupa esforços para elevar o protagonista, de delator/traidor, à categoria de herói. Mas isso não chega a ser um problema. O problema é quando o diretor lança mão de artifícios banais para forçar a situação, como a utilização de uma trilha sonora épica e cafona. A personagem da esposa de Snowden também acaba ficando relegada a segundo plano, embora a atriz Shailene Woodley mostre ser, da turma de garotas que protagonizaram filmes para adolescentes recentemente, a que menos tem problema em fazer cenas de sexo ousadas (quem viu “Pássaro Branco na Nevasca”, de Gregg Araki, sabe do que estou falando). No mais, é um filme que se beneficia bastante de seu elenco de apoio. Um luxo poder contar com Melissa Leo, Zachary Quinto, Tom Wilkinson, Joely Richardson e até Nicolas Cage, em papel bem pequeno. E embora não seja tão memorável quanto gostaria de ser, “Snowden” consegue entreter, informar e provocar. Sem falar que, para o público brasileiro, não deixa de ser interessante ver o nome do país sendo citado em um par de vezes, inclusive sobre o caso da Petrobrás.












