Rise: Série musical com revelações de Moana e Stranger Things é cancelada
A rede NBC cancelou a série musical “Rise” em sua 1ª temporada. A atração de temática edificante vinha registrando uma média de 4,4 milhões de telespectadores e 0,85 pontos na demo (a faixa demográfica de adultos entre 18 e 49 anos, mais relevante para os anunciantes). Cada ponto equivale a 1,3 milhão de adultos na medição da consultoria Nielsen. “Rise” é baseada numa história real – narrada no livro “Drama High” – e traz o ator Josh Radnor (“How I Met Your Mother”) como um professor que afeta a vida de adolescentes de uma escola deteriorada, ao recuperar o departamento de teatro da instituição. O elenco também inclui Auli’i Cravalho (dubladora de “Moana”, em seu primeiro papel de carne e osso), Shannon Purser (a Barb de “Stranger Things”), a veterana Rosie Perez (“Segurando as Pontas”) e alguns jovens estreantes, como Ellie Desautels, Erin Kommor, Sergio King e Damon J. Gillespie. A trama foi desenvolvida por Jason Katims, que criou “Friday Night Lights”, cultuadíssima série que também se passava no colegial. Além dele, a produção contava com a dupla Flody Suarez e Jeffrey Seller, do fenômeno musical da Broadway “Hamilton”. O último episódio da série será exibido na terça (15/5) nos Estados Unidos.
Empire é renovada para sua 5ª temporada
A rede americana Fox renovou “Empire” para sua 5ª temporada. O anúncio foi feito logo após a série registrar a pior audiência de sua trajetória, assistida por 5,2 milhões de pessoas ao vivo na última quarta (2/5). Mesmo assim, a produção que combina novelão e hip-hop continua a ser um dos carros-chefes do canal. “‘Empire’ é tão envolvente, emocional e imprevisível como sempre foi”, declarou Michael Thorn, presidente da Fox em um comunicado. “Estamos muito orgulhosos do nosso elenco incrível, liderado por Terrence [Howard] e Taraji [P. Henson], que entregam performances poderosas semana após semana. Gostaríamos também de agradecer a nossa tremenda equipe criativa… cuja narrativa inspirada continua a criar os momentos OMG inesquecíveis, de cair o queixo, que sempre foram a assinatura de ‘Empire’.” Criada pelo diretor Lee Daniels e o roteirista Danny Strong, que antes trabalharam juntos no filme “O Mordomo da Casa Branca” (2013), a série é estrelada por Terrence Howard e Taraji P. Henson como um casal que compartilha filhos, brigas, problemas legais e a gravadora Empire, um verdadeiro império comercial, onde a maior parte da ação acontece. A 4ª temporada se encerra em 23 de maio nos Estados Unidos, com os próximos episódios previstos para setembro. No Brasil, a série teve sua 1ª temporada exibida na Globo e os capítulos mais recentes são atualmente transmitidos pelo canal pago Fox Premium 1.
Abaixo de Zero, livro/filme sobre a juventude dos anos 1980, vai virar série
A plataforma de streaming Hulu anunciou que está desenvolvendo “Less Than Zero”, série dramática baseada no famoso romance homônimo de Bret Easton Ellis, um dos best-sellers que definiu os anos 1980, lançado no Brasil como “Abaixo de Zero”. O próprio Ellis se juntou ao roteirista Craig Wright (criador de “Tyrant”) para formatar a série, que vai manter a época original da trama. A produção é oficialmente descrita da seguinte forma: “Passado em Los Angeles no início dos anos 1980, ‘Less than Zero’ se tornou um clássico atemporal. Este romance hipnotizante é um retrato cru e poderoso de uma geração perdida que experimentou sexo, drogas e insatisfação em uma idade muito precoce. Vivem em um mundo moldado pelo niilismo casual, pela passividade e pelo excesso de dinheiro em um lugar desprovido de sentimento ou esperança. Ao voltar para casa para as férias de Natal, Clay reingressa em uma paisagem de privilégio ilimitado e entropia moral absoluta, onde todos dirigem Porches, jantam em restaurantes caros e cheiram montanhas de cocaína. Ele tenta renovar seu sentimentos por sua namorada Blair e por seu melhor amigo do colegial Julian, que está se envolvendo com crimes e heroína. O feriado de Clay se transforma em uma vertiginosa espiral de desespero que o arrasta das festas intermináveis em mansões reluzentes para bares decadentes e clubes de rock underground e também pelo mundo sombrio de LA depois do entardecer.” O filme de 1987 juntava ninguém menos que Robert Downey Jr., Jami Gertz, Andrew McCarthy e James Spader. E foi premonitório para Downey, que tinha a reputação de ser um dos “bad boys” de Hollywood e chegou a ficar um ano e três meses na prisão, após ser condenado por posse de drogas e de dirigir sob influência de drogas em 1996. O ator, claro, reabilitou-se e se reinventou, graças à Marvel, e foi perdoado pelo governador da Califórnia em 2015. Ellis também escreveu uma continuação do livro, publicada em 2010, sem a mesma repercussão. Mas, a esta altura, o escritor já tinha se tornado conhecido por outras obras, especialmente “Psicopata Americano”, que virou filme em 2000, e “Regras da Atração”, em 2002. Nos últimos anos, ele resolveu virar roteirista de cinema, assinando dois filmes trash: o suspense melodramático “Vale do Pecado” (2013), estrelado por Lindsay Lohan e o ator pornô James Deen, e o terror “A Maldição de Downers Grove” (2015), com Bella Heathcote e Lucas Till. Ambos péssimos. Salvo desistência diante do piloto, “Less Than Zero” será a primeira série baseada num livro de Ellis.
Joaquin Phoenix é cartunista quadriplégico no trailer de novo longa de Gus Van Sant
A Amazon divulgou um novo trailer de “Don’t Worry, He Won’t Get Far on Foot”, comédia dramática do cineasta Gus Van Sant (“Milk”), que traz Joaquin Phoenix (“Ela”) como um cartunista quadriplégico. O filme é uma cinebiografia do cartunista John Callahan e narra como ele superou abusos sexuais, vícios e um acidente de carro que o deixou confinado numa cadeira de rodas para virar cartunista nos anos 1970. De estilo inconfundível, seus quadrinhos cheios de humor negro – e por vezes controversos – o tornaram famoso. Com o projeto, Joaquin Phoenix volta a ser dirigido por Van Sant, após os dois trabalharam juntos em “Um Sonho sem Limites” (1995), segundo filme do ator, então com 21 anos. Marcante para o jovem, a produção foi o primeiro trabalho em que ele foi creditado como Joaquin Phoenix, já que até então era chamado de Leaf Phoenix. O elenco também inclui Jonah Hill (“Anjos da Lei”), Jack Black (“Jumanji”) e Rooney Mara (“Lion”) com figurinos e penteados de 40 anos atrás. Exibido no Festival de Sundance 2018 e no Festival de Berlim 2018, o filme estreia em 13 de julho nos Estados Unidos e não tem previsão para o Brasil.
Succession: Série dramática do diretor de A Grande Aposta ganha novo trailer
O canal pago HBO divulgou um novo trailer da série “Succession”, produzida e dirigida pelo cineasta Adam McKay, que venceu o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado por “A Grande Aposta” (2015). Apesar da grande ambição demonstrada pelo projeto, em equipe, orçamento e elenco, a prévia não diferencia muito a atração de uma “Empire” no mundo dos negócios financeiros. Escrita pelo inglês Jesse Armstrong (criador de “Fresh Meat” e escritor de comédias politizadas como “Conversa Truncada” e “Quatro Leões”), a trama é descrita como um “drama familiar que acompanha uma família americana dona de um grande conglomerado de mídia, que não é apenas rica e poderosa, mas também poderosamente disfuncional”. O elenco destaca Brian Cox (“Churchill”) no papel de um magnata que resolve reconsiderar os planos de aposentadoria. Ao fazer isso, humilha o filho mais preparado (Jeremy Strong, de “Detroit em Rebelião”), que se via pronto para assumir seu lugar na empresa, alimentando uma rivalidade com seus irmãos ambiciosos – vividos por Sarah Snook (“O Predestinado”), Kieran Culkin (“Scott Pilgrim Contra o Mundo”) e Alan Ruck (série “The Exorcist”). McKay dirige o primeiro episódio e divide a produção dos demais com seu parceiro na Gary Sanchez Productions, o comediante Will Ferrell (“Pai em Dose Dupla”). “Succession” tem previsão de estreia para junho.
Here and Now: Nova série do criador de True Blood é cancelada pela HBO após uma temporada
O canal pago americano HBO anunciou o cancelamento da série “Here and Now” após sua 1ª temporada, que teve seu último episódio exibido em 10 de abril. Criada por Alan Ball, responsável por dois dos maiores sucessos do canal, “True Blood” e “Six Feet Under”, a série se provou um fracasso de público e crítica. A produção teve apenas 24% de aprovação no site Rotten Tomatoes e uma média de público em torno dos 370 mil telespectadores. Em comunicado, a HBO declarou que “após uma análise cuidadosa, decidimos não seguir com uma segunda temporada de Here and Now. Agradecemos a Alan por sua dedicação com esse programa inovador, e estamos ansiosos para conferir o seu próximo projeto”. Alan Ball não criava uma série nova desde “True Blood”, que abandonou antes do final para se dedicar, como produtor, ao lançamento de “Banshee”, drama criminal ultraviolento que se encerrou em 2016, após quatro temporadas, como o maior sucesso do canal pago Cinemax. “Here and Now” girava em torno de uma família multirracial, formada por uma professora de filosofia, seu marido advogado, os três filhos adotivos (vindos da Somália, Vietnã e Colômbia) e uma filha biológica. A família aparentemente perfeita, no entanto, esconde falhas profundas. Além disso, uma das crianças começa a ter visões. O elenco era liderado por Holly Hunter (“Barman v Superman”) e Tim Robbins (“Um Dia Perfeito”) e incluía os jovens Sosie Bacon (“13 Reasons Why”), Jerrika Hinton (“Grey’s Anatomy”), Raymond Lee (“Mozart in the Jungle”) e Daniel Zovatto (“Revenge”).
Submersão mergulha nos mistérios da existência sem encontrar novidades
Numa mistura de suspense e romance, “Submersão”, o novo filme do cineasta alemão Wim Wenders, trata de duas questões distintas, mas vinculadas à realidade global do planeta. O amor aqui une o agente secreto britânico James (James McAvoy), em missão na Somália para caçar fontes de terroristas suicidas, a Danny (Alicia Wikander), biomatemática que trabalha num projeto envolvendo as profundezas do mar. Só que ambos têm missões perigosas, capazes de afastá-los indefinidamente. Ele, enfrentando os riscos do terrorismo internacional. Ela, pondo a vida em perigo num submergível pelo tempo necessário para realizar sua pesquisa. O interessante é a ideia que a move, a de que a vida do planeta emergiu das camadas mais profundas do mar e de lá pode ressurgir ou se transformar. Wenders gosta de lidar com questões inusitadas, surpreendentes e desafiadoras, em busca de respostas que jamais serão claras. A justaposição dos dois universos, que estão no romance de J. M. Legard, em que se baseou o filme, não ajuda a situação a evoluir. Mas a água e o mar compõem um elemento estético a ser apreciado. O filme também instiga a pensar sobre os mistérios da existência. Já a ameaça constante do terror não traz novidade, em sua extrema brutalidade.
Tom Hardy compartilha novas fotos de sua transformação em Al Capone
O ator Tom Hardy (“Mad Max: Estrada da Fúria”) divulgou nas redes sociais novas fotos de sua caracterização como o gângster Al Capone para o filme “Fonzo”. As imagens incluem um registro em meio à sessão de maquiagem, um close enraivecido e um ficha criminal, além de uma claquete das filmagens. Vale reparar as cicatrizes acrescentadas ao rosto do ator, que originaram o apelido Scarface no mafioso. O título é uma referência a outro apelido de Capone, cujo nome real era Alphonse Gabriel Capone. A trama vai encontrá-lo no fim da vida, aos 47 anos, já preso há uma década e sofrendo sintomas de demência, quando lembranças de sua origem violenta e brutal sobrepõem-se à sua situação atual. Hardy já tentou viver Al Capone antes, em “Cicero”, filme que nunca chegou a ser produzido. Recentemente, ele também deu vida aos irmãos Kray, célebres gângsteres britânicos dos anos 1960, no filme “Lendas do Crime” (2015). “Fonzo” também é o filme em que o diretor Josh Trank tentará dar a volta por cima após “Quarteto Fantástico” (2015). Ele escreveu e começa agora a dirigir o filme, que ainda traz no elenco Linda Cardellini (série “Bloodline”), Matt Dillon (série “Wayward Pines”), Noel Fisher (série “Shameless”) e Kyle MacLachlan (série “Twin Peaks”). Não há previsão para a estreia. Mega awkward character misstep ? Uma publicação compartilhada por Tom Hardy (@tomhardy) em 10 de Abr, 2018 às 8:45 PDT ♠️?chasing Fonzo???????? Uma publicação compartilhada por Tom Hardy (@tomhardy) em 11 de Abr, 2018 às 9:53 PDT Uma publicação compartilhada por Tom Hardy (@tomhardy) em 13 de Abr, 2018 às 2:46 PDT Uma publicação compartilhada por Tom Hardy (@tomhardy) em 11 de Abr, 2018 às 10:12 PDT
Glenn Close vive esposa reprimida em trailer de drama com aprovação de 100% da crítica
A Sony Pictures Classics divulgou o pôster e o trailer de “The Wife”, drama protagonizado por Glenn Close (“Guardiões da Galáxia”). Ela vive a esposa do título, que, durante 40 anos, viveu devotada ao marido, um escritor famoso. Mas no momento em que ele se prepara para receber a maior honra de sua carreira, o prêmio Nobel, ela chega ao limite da tolerância de suas infidelidades e comportamento abusivo. Confrontada por algumas verdades, percebe todo o egoismo, machismo e repressão que a impediu de se tornar uma escritora por seus próprios méritos, apesar do talento demonstrado na juventude. Baseada no romance homônimo de Meg Wolitzer (autora de “Renda-se, Dorothy”), “The Wife” tem roteiro de Jane Anderson (“Atraídos Pelo Destino”) e direção do sueco Björn Runge (“Happy End”), e ainda inclui no elenco Jonathan Pryce (série “Game of Thrones”) como o marido, Christian Slater (série “Mr. Robot”), Max Irons (“A Dama Dourada”), Elizabeth McGovern (série “Downton Abbey”), Harry Lloyd (série “Counterpart”) e Annie Starke (“Albert Noobs”). “The Wife” foi exibido no Festival de Toronto, onde arrancou elogios rasgados da crítica norte-americana – tem 100% de aprovação no Rotten Tomatoes – , mas isso não animou o estúdio a incluí-lo na disputa do Oscar 2018 – a opção foi apostar tudo em “Me Chame pelo Seu Nome”. Assim, o filme só será lançado em 3 de agosto, no final do verão dos Estados Unidos. Ainda não há previsão de estreia para o Brasil.
O Dia Depois é tragicomédia estilizada à maneira de Hong Sang-soo
Pequena crônica do cotidiano, a comédia dramática sul-coreana “O Dia Depois” acompanha o editor literário Kim Bongwan (Kwon Hae-hyo, de “A Visitante Francesa”), um homem arrogante, covarde e mulherengo que se vê constantemente envolvido em situações tragicômicas. O longa inicia com Bongwan sendo questionado pela esposa se ele tem uma amante. Por mais que a mulher insista na pergunta, ele opta por não falar nada. A dúvida, porém, não dura muito tempo, já que a montagem não linear logo responde esse questionamento para o espectador ao mostrar o protagonista se agarrando com uma funcionária da sua editora. Mas o relacionamento extraconjugal parece não ter dado muito certo, porque em seguida ele é visto entrevistando uma nova funcionaria para a vaga da sua antiga amante. O filme é escrito e dirigido pelo dinâmico cineasta sul-coreano Hong Sang-soo (“Na Praia à Noite Sozinha”), que chega a lançar até duas produções por ano. Para manter esse ritmo, Sang-soo não perde muito tempo. Uma vez que estabeleceu os respectivos personagens, o diretor logo passa a explicitar os absurdos daquela situação de maneira leve e extremamente divertida. Contando com uma montagem precisa, ele retira tudo aquilo que poderia ser considerado desnecessário, mantendo apenas o cerne da sua narrativa intacto. Ou seja, ele não se preocupa em desenvolver o antes e o depois das situações, apenas o meio delas, aproveitando ao máximo os 92 minutos de duração. A passagem de tempo pode parecer confusa em alguns momentos, em parte por conta da fotografia em preto e branco. Porém, esse embaralhamento dos acontecimentos é proposital e instiga o público a montar as sequências temporais na sua cabeça. Desta forma, algumas cenas soam aleatórias quando são apresentadas, mas aos poucos passam a fazer sentido dentro da cronologia montada pelo espectador. Da mesma maneira, ao manter a câmera parada na maior parte do tempo e investir bastante em planos-conjunto (aqueles nos quais vemos duas pessoas em cena, ao mesmo tempo), o diretor explora a interação entre aquelas pessoas, o que o permite explicitar ainda mais a falta de escrúpulos do seu protagonista. E é justamente no personagem-principal que reside a maior força de “O Dia Depois”, pois Kwon Hae-hyo interpreta Bongwan com um misto de canalhice e ingenuidade. Incapaz de perceber os absurdos das suas ações, ou simplesmente optando por ignorá-los, ele se mantém inerte em relação a tudo o que se desenrola à sua volta, não assumindo responsabilidade por nada. E por pior que ele seja, o destino sempre parece conspirar a seu favor. Em suma, ele é um cafajeste. Mas é um cafajeste muito divertido.
Arábia transporta o espectador para outra realidade, o Brasil
O cinema dispõe de recursos poderosos para nos trazer/reportar realidades que podem estar distantes de nós, não apenas por meio de uma riqueza de informações, mas também com a carga emocional que a situação apresentada requer. Bons personagens, dentro de uma boa estrutura dramática, são capazes de nos levar a viver a experiência de vida intensa e sofrida de pessoas que estão mergulhadas em contextos sociais diversos dos nossos. O filme brasileiro “Arábia”, por meio do personagem Cristiano (Aristides de Souza) e seu diário encontrado após sua morte pelo jovem André (Murilo Caliari), nos coloca em cheio na realidade do trabalhador operário no Brasil dos últimos anos e da atualidade. Conhecemos sua existência bem de perto, o que faz, como trabalha e se relaciona com as pessoas, suas andanças e mudanças, desejos, esperanças, desilusões. Uma vida muito dura, penosa, mas enfrentada com vigor e resignação. Emocionalmente nos transportamos para um universo psíquico, que requer um equilíbrio precário e difícil, como fator de sobrevivência, para além das circunstâncias materiais propriamente ditas. Quem nos conta sua vida no cotidiano é o próprio personagem, na narrativa descritiva e também reflexiva de seu suposto diário, escrito em linguagem simples, mas nem por isso menos elaborada, enquanto dimensão humana. Os diretores-roteiristas João Dumans e Affonso Uchoa evitaram a intelectualização da escrita, mas a deixaram consistente e profunda. Detalhada demais para a situação, talvez. É essa narrativa simples e forte que conquista o jovem leitor, que vive no mesmo ambiente e nas mesmas condições de penúria e vulnerabilidade. “Arábia” é um nome estranho à narrativa do filme. Refere-se apenas a uma piada contada no bar, que ilustra uma percepção simplista de uma situação inusitada, essa, sim, ligada ao contexto árabe. Mas é um título que esconde o que é o filme. Grande vencedor do Festival de Brasília 2017, premiado como Melhor Filme, Ator, Montagem, Trilha Sonora e vencedor do Prêmio da Crítica, foi também bem recebido e premiado em muitos outros festivais internacionais, especialmente em competições latino-americanas.
Succession: Série do diretor de A Grande Aposta ganha novo trailer
O canal pago HBO divulgou um novo trailer da série “Succession”, produzida e dirigida pelo cineasta Adam McKay, que venceu o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado por “A Grande Aposta” (2015). Apesar da grande ambição demonstrada pelo projeto, em equipe, orçamento e elenco, a prévia não diferencia muito a atração de uma “Empire” no mundo dos negócios financeiros. Escrita pelo inglês Jesse Armstrong (criador de “Fresh Meat” e escritor de comédias politizadas como “Conversa Truncada” e “Quatro Leões”), a trama é descrita como um “drama familiar que acompanha uma família americana dona de um grande conglomerado de mídia, que não é apenas rica e poderosa, mas também poderosamente disfuncional”. O elenco destaca Brian Cox (“Churchill”) no papel de um magnata que resolve reconsiderar os planos de aposentadoria. Ao fazer isso, humilha o filho mais preparado (Jeremy Strong, de “Detroit em Rebelião”), que se via pronto para assumir seu lugar na empresa, alimentando uma rivalidade com seus irmãos ambiciosos – vividos por Sarah Snook (“O Predestinado”), Kieran Culkin (“Scott Pilgrim Contra o Mundo”) e Alan Ruck (série “The Exorcist”). McKay dirige o primeiro episódio e divide a produção dos demais com seu parceiro na Gary Sanchez Productions, o comediante Will Ferrell (“Pai em Dose Dupla”). “Succession” tem previsão de estreia para junho.
Trailer dramático acompanha viagem de Ed Harris, Jason Sudeikis e Elizabeth Olsen
A Netflix divulgou o pôster e o trailer de “Kodachrome”, drama protagonizado por Ed Harris (série “Westworld”), Jason Sudeikis (“Colossal”) e Elizabeth Olsen (“Vingadores: Guerra Infinita”). A prévia resume a trama como uma espécie de “Nebraska” (2013) filmado em cores numa película de 33 milímetros ostensivamente da Kodak – por ironia, apenas para ser exibido em celular. Baseado em um artigo do jornalista A.G. Sulzberger, o longa acompanha um pai (Harris) e um filho (Sudeikis) que viajam até o Kansas para revelar algumas fotos no último laboratório de Kodachrome existente nos Estados Unidos, antes de ele fechar as portas para sempre. O pai é um fotógrafo famoso, que não fala com o filho há anos. Relutante, este atende o apelo por recomendação da esposa (Olsen), transformando a viagem num reencontro com seu passado. Roteirizado por Jonathan Tropper (criador da série “Banshee”) e dirigido por Mark Raso (“Copenhagen”), o filme ainda conta com Wendy Crewson (“Desejo de Matar”), Bruce Greenwood (“Star Trek”) e Dennis Haysbert (série “24 Horas”). Após première no Festival de Toronto, “Kodachrome” chega ao streaming em 20 de abril.












