Filmes: Queen & Slim é um dos 10 destaques digitais do fim de semana
A Netflix tem uma nova superprodução, que reúne grandes estrelas e efeitos visuais caros, mas é um thriller indie que se destaca na programação digital do fim de semana. “Queen & Slim” é a dica desta sexta (14/8). Confira abaixo mais detalhes deste e de outro destaques digitais da programação, que reúne os 10 melhores títulos recém-disponibilizados no país – lembrando que a curadoria não inclui títulos clássicos (são muitos) e produções trash que, em outros tempos, sairiam diretamente em vídeo. Queen & Slim | EUA | 2019 O thriller mostra o que acontece quando um casal de namorados (Daniel Kaluuya, indicado ao Oscar por “Corra!” e Jodie Turner-Smith) é parado por uma pequena infração de trânsito e a situação sai de controle devido ao racismo do policial. O incidente é capturado em vídeo e se torna viral e, enquanto foge da polícia, o casal se torna um símbolo para os negros em todo o país. Refletindo as denuncias de racismo contra a polícia dos EUA, a produção em clima de “Thelma e Louise” marca a estreia no cinema da diretora Melina Matsoukas, após uma carreira de clipes premiados (de Rihanna e Beyoncé), e conta com 82% de aprovação no Rotten Tomatoes. Disponível em Apple TV, Google Play, Now, Vivo Play, Sky Play e YouTube Filmes. Power | EUA | 2020 Estrelado por Jamie Foxx (“Django Livre”), Joseph Gordon-Levitt (“500 Dias com Ela”) e Rodrigo Santoro (“Westworld”), o filme combina super-heróis/supervilões e thriller de ação policial, ao girar em torno do tráfico de uma nova droga sintética, altamente viciante, que dá superpoderes a seus usuários. Foxx vive um pai de família que sofreu uma grande perda e decide rastrear a linha de suprimentos da droga até encontrar o responsável pelo tráfico, papel de Santoro, enquanto Gordon-Levitt interpreta um policial cujo trabalho é tirar a droga das ruas. A direção é de Henry Joost e Nev Schulman, responsáveis pela série “Catfish” e por vários filmes da franquia “Atividade Paranormal”. Disponível na Netflix. Creepy | Japão | 2016 O novo suspense de Kiyoshi Kurosawa faz um estudo psicológico sobre deformidade em meio a um mistério de assassinatos em série. A trama gira em torno de um detetive que decide se aposentar após um caso traumático. Um ano depois, recebe o pedido de um colega para investigar o desaparecimento de uma família, que deixou como único membro e testemunha uma jovem garota. Mas o mistério se torna cada vez mais obscuro, a ponto do detetive negligenciar sua esposa, com quem se mudou para a casa ao lado de um vizinho sinistro. Muitas reviravoltas e choques se sucedem, numa trama premiada em festivais de cinema fantástico e com 90% de críticas positivas no Rotten Tomatoes. Disponível em Vivo Play e Looke. Western | Alemanha | 2017 O nacionalismo e o ódio contra estrangeiros alimenta o drama exibido em Cannes e premiado no circuito dos festivais. Escrito e dirigido por Valeska Grisebach, que foi consultora de roteiro do sucesso “Toni Erdmann” (2016), o filme acompanha, com abordagem semidocumental, um grupo de trabalhadores alemães, contratados para obras numa região rural da Bulgária. Sem entender a língua e vivendo choque cultural constante, eles se indispõem com os moradores locais, expondo preconceitos e a mentalidade hooligan das classes baixas. Tem impressionantes 92% de aprovação no Rotten Tomatoes. Disponível em Apple TV e Looke. Um Elefante Sentado Quieto | China | 2018 Premiado no Festival de Berlim de 2018, o primeiro e único longa do diretor Hu Bo tem 95% de aprovação no Rotten Tomatoes, apesar de suas quase quatro horas de duração. É longo. E lento. E sem sorrisos. Uma jornada deprimente pelas margens da vida na China moderna, seguindo múltiplos personagens em uma cidade industrial, todos vítimas do egoísmo de outras pessoas. O tom sombrio reflete o estado de espírito do próprio diretor, que se matou após terminar o longa, aos 29 anos de idade. “Um Elefante Sentado Quieto” é seu epitáfio. Disponível em Apple TV, Google Play, Now, Sky Play e YouTube Filmes. Tesnota | Rússia | 2018 Vencedor do prêmio da crítica no Festival de Cannes de 2018, este drama russo usa locações reais, elenco amador e câmera na mão – com muitos closes – para extrair o máximo de realismo possível de sua história de rapto, religião, choque cultural e diferenças geracionais. Com inclusão de cenas de tortura reais – registradas durante o aprisionamento de soldados russos por forças chechenas durante o massacre do Daguestão, em 1999 – , a estreia de Kantemir Balagov, então com 26 anos, é violenta, incômoda e muitas vezes revoltante. Mas encantou a crítica (87% no Rotten Tomatoes) e lançou a carreira de um dos cineastas jovens mais promissores da Rússia neste século. Disponível em Apple TV, Looke, Google Play, Vivo Play e YouTube Filmes. A Tenente de Cargil | Índia | 2020 A história da primeira mulher aviadora da Índia a voar numa zona de combate, durante a guerra de Cargil em 1999, tem sua dose de patriotismo, mas também é subversiva, ao considerar que a Índia mantém uma estrutura patriarcal e extremamente machista até os dias de hoje. Além de ser um drama feminista edificante, o filme de estreia de Sharan Sharma tem cenas aéreas belamente fotografadas para agradar aos fãs de “Top Gun”. Disponível na Netflix. O Príncipe Nigeriano | EUA, Nigéria | 2018 O título se refere ao golpe do “príncipe da Nigéria”, conhecido também como “Fraude nigeriana”, que consiste no envio de um e-mail em nome de um príncipe da Nigéria ou outro país da África, dizendo que você foi sido escolhido para receber uma herança, mas para isso precisa responder a mensagem com seus dados. O filme parte dessa premissa para contar a história fictícia de um adolescente americano, obrigado pela mãe a ir para a Nigéria, e que passa a ajudar o primo a dar golpes pela internet. Muito elogiado pela crítica, o filme é uma produção indie que acabou comprada pela Netflix e chega ao streaming dois anos após sua première no Festival de Tribeca. Disponível na Netflix. Boys State | EUA | 2019 O documentário vencedor do Festival de Sundance – e com 97% de aprovação no Rotten Tomatoes – acompanha um grupo de jovens do Texas que participam de um “acampamento político” — uma tradição local onde os jovens organizam-se em partidos e governos para simular a administração real de um Estado. A partir dessa premissa, os diretores Amanda McBaine e Jesse Moss analisam os desdobramentos das ações do grupo e lançam nova luz sobre as divisões políticas que já influenciam as novas gerações. Disponível na Apple TV+. Lorna Washington: Sobrevivendo a Supostas Perdas | Brasil | 2020 Ícone do transformismo na cena gay carioca, Lorna Washington fez história em boates que marcaram época no Rio de Janeiro. O documentário mostra este lado glamouroso, com o estilo irreverente e as performances que a popularizaram, mas também as lutas que a tornaram reconhecida como militante, contra o preconceito sexual e pela conscientização sobre HIV. Disponível em Now e Vivo Play.
A Vida em um Dia 2020: YouTube recebe mais de 300 mil vídeos para filme coletivo
O YouTube revelou que o número de voluntários para o projeto coletivo “A Vida em um Dia 2020” superou expectativas, com envios de 300 mil vídeos de 191 países e em mais de 65 línguas diferentes. As milhares de horas de filmagens representarão agora um dos maiores desafios de edição de todos os tempos, pois deverão ser integradas num filme de 90 minutos. Os cineastas amadores atenderam a uma convocação dos diretores Kevin Macdonald e Ridley Scott para gravarem um dia de suas vidas, mais especificamente o dia 25 de julho de 2020. O resultado servirá como uma espécie de capsula do tempo da situação do planeta em 2020. A ideia era repetir a experiência que rendeu o filme de mesmo nome, realizado há dez anos. Desde então, os celulares com câmeras de alta definição se multiplicaram, o que fez com que a participação fosse muito maior que qualquer estimativa, o que também renderá muito mais trabalho. Há uma década, Macdonald e Scott receberam 4,5 mil horas de filmagens de 80 mil fontes diferentes, que deram vida ao primeiro “A Vida em um Dia”, disponível no YouTube e com mais de 16 milhões de visualizações desde então. Para a realização do segundo filme, Macdonald deixou quatro perguntas como sugestões para guiar as filmagens dos participantes, que devem se tornar tópicos priorizados na edição de imagens. São elas: “o que você ama? Do que você tem medo? O que você gostaria de mudar, seja sobre sua vida ou sobre o mundo? O que você guarda no bolso?”. Os vídeos recebidos agora terão suas cenas analisadas e selecionadas por um time com 30 profissionais, responsáveis pela curadoria das imagens. Depois, três editores trabalharão com Macdonald para montar as cenas num filme coeso, ainda que coletivo. O resultado final será conhecido no Festival de Sundance, em janeiro de 2021, e depois disponibilizado no YouTube. Veja abaixo o vídeo em que Macdonald agradece a participação do público.
Trailer de documentário sobre Robin Williams revela luta contra demência
A Vertical Entertainment divulgou o trailer de “Robin’s Wish”, documentário sobre os últimos anos do astro Robin Williams. O longa revela os bastidores da luta de Williams contra a demência por corpos de Lewy, uma doença degenerativa que afetou suas funções cognitivas e motoras. Ele nunca falou sobre o problema, mas os sintomas se tornaram tão graves que o levaram a tirar a própria vida em 2014. Dirigido por Tylor Norwood (“The United States of Detroit”), o documentário “Robin’s Wish” é produzido pela viúva do ator, Susan Schneider-Williams, e conta pela primeira vez como foi o declínio da saúde de Williams, com depoimentos de amigos, colegas e diretores que trabalharam com o comediante, além de cenas de filmes e imagens raras da família. A estreia está marcada para 1º de setembro nos EUA, mas ainda não há previsão de lançamento no Brasil.
Audrie & Daisy: Jovem protagonista de documentário da Netflix se suicida
A jovem Daisy Coleman, de 23 anos, que inspirou o documentário “Audrie & Daisy” da Netflix, cometeu suicídio na terça (4/8), segundo informou sua mãe, Melinda Coleman, em uma rede social. Daisy contou sua história em “Audrie & Daisy”, descrevendo os ataques que recebeu após denunciar um estupro aos 14 anos, tendo sido xingada de “mentirosa”, “vadia” e “idiota” até ter a casa de sua família incendiada. Além de Daisy, o documentário da Netflix, lançado em 2016, também contou a história de Audrie Pott, de 15 anos. As duas relataram ter sido estupradas por adolescentes que consideravam seus amigos e sofreram retaliações parecidas da comunidade em que viviam após denunciar o crime. Ambas também tiveram o mesmo fim. Fotos de Audrie sofrendo a violência foram compartilhadas na internet, o que contribuiu para que ela se enforcasse oito dias depois. “Minha filha, Catherine Daisy Coleman, se suicidou ontem à noite”, escreveu Melinda. “Ela era minha melhor amiga e uma filha incrível. Acho que ela queria mostrar que eu poderia viver sem ela. Queria poder ter curado sua dor. Ela nunca se recuperou daquilo que aqueles garotos fizeram com ela, e não é justo. Minha garotinha se foi.” Daisy relatou ter sido estuprada em 2012 por Matthew Barnett, um adolescente que vivia em sua cidade, no Missouri, Estados Unidos. Ela disse ter sido drogada e abandonada do lado de fora de sua casa, usando apenas uma camiseta, sob temperatura abaixo de zero grau. Barnett, que pertencia a uma família influente, declarou-se culpado, mas de uma acusação mais branda, alegando que o sexo com Daisy foi consensual. Ele não foi preso e atualmente cursa uma universidade no Missouri. Em vez de gerar apoio à vítima, a denúncia desencadeou uma retaliação desproporcional contra a família de Daisy, que se tornou alvo de bullying — físico e virtual. Ela tentou se suicidar outras vezes, antes de conseguir. “Sinto que as pessoas têm certas opiniões e percepções sobre mim e sobre casos como o meu porque não têm educação”, disse Daisy à revista People em 2017, aos 19 anos, após o lançamento do documentário. “É exatamente por isso que estou tentando explicar às pessoas o que está acontecendo em nossa sociedade.” Veja abaixo o trailer de “Audrie & Daisy”, que denunciou tudo o que aconteceu.
Cineasta chinês Jia Zhang-ke fará cartaz da Mostra de São Paulo de 2020
Os organizadores da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo estão otimistas e acreditam que irão realizar, de alguma forma, sua edição em 2020. O Twitter oficial do evento nunciou nesta quarta (5/8) os primeiros detalhes da programação, dizendo que o cineasta chinês Jia Zhang-ke (“Amor Até as Cinzas”) vai assinar a arte do pôster e estrear seu novo filme na Mostra. Trata-se do documentário “Nadando até o Mar Ficar Azul”, que explora a cidade natal do diretor, Fenyang, que tornou-se uma espécie de academia de cultura e referência para escritores da China. O filme foi exibido no Festival de Berlim deste ano. A Mostra está marcada para ocorrer entre os dias 22 de outubro e 4 de novembro. No entanto, o formato vai depender da evolução da pandemia do coronavírus. Afinal, os cinemas de São Paulo continuam fechados como prevenção contra a pandemia. Sessões em drive-in e uma edição totalmente virtual estão entre as possibilidades consideradas para materializar a Mostra em 2020, caso a pandemia mantenha a inviabilidade de aglomerações em locais fechados. NOVIDADE • O cineasta chinês Jia Zhangke vai assinar a arte do pôster da 44ª Mostra! Também vamos apresentar o filme mais recente do diretor, “Nadando até o Mar Ficar Azul”, documentário exibido no Festival de Berlim deste ano. pic.twitter.com/nQe7vVflC5 — Mostra SP (@MOSTRASP) August 5, 2020
Chris Hemsworth vai mergulhar com tubarões para o canal National Geographic
Chris Hemsworth vai mergulhar no Sharkfest, o festival de programas sobre tubarões do canal pago National Geographic. O intérprete de Thor e astro dos Vingadores será o destaque da edição de 2021 do evento no Nat Geo. Graças à sinergia da Disney (Marvel e Nat Geo fazem parte do conglomerado), ele vai estrelar “Shark Beach”, especial documental que também contará com biólogos marinhos, surfistas, conservacionistas e defensores de tubarões. As gravações vão acontecer na Austrália, país do ator, para investigar as razões por trás do aumento do número de ataques de tubarões nos últimos anos e tentar descobrir maneiras em que seres humanos e tubarões possam coexistir. “Passei boa parte da minha vida perto ou dentro do oceano, dividindo o mesmo quintal com tubarões e, recentemente, tem havido uma preocupação crescente em relação ao aumento da atividade dos tubarões”, disse Hemsworth, em comunicado sobre o projeto. “É crucial que reverenciamos e respeitemos os tubarões. Nossos oceanos dependem desses predadores de ponta para seu ecossistema de biodiversidade; no entanto, também precisamos aprender a nos proteger, e esse é o meu principal objetivo em ‘Shark Beach'”. No especial, Hemsworth mergulhará em locais habitados por diferentes espécies de tubarões para entender seus comportamentos, além de se juntar a biólogos locais para explorar medidas preventivas para impedir ataques e mostrar inovações em tecnologia projetada para proteger tubarões e pessoas. “O Sharkfest se tornou o ponto de partida para cientistas e cineastas compartilharem nossa paixão por tubarões e a saúde dos oceanos do planeta. Com o sucesso, também atraímos celebridades que têm o poder de aumentar a conscientização e o impacto através de suas incríveis plataformas sociais”, disse Geoff Daniels, vice-presidente executivo de entretenimento global da National Geographic. “É por isso que eu estou entusiasmado com ‘Shark Beach’ e com nossa mais recente colaboração com Chris Hemsworth. Ele é um defensor destemido da natureza, com um compromisso comprovado com a conservação e uma vontade inigualável de fazer o que for necessário para ajudar a proteger os tubarões por gerações vindouras.” Além de apresentar o programa, Hemsworth vai coproduzir “Shark Beach” com a produtora Nutopia (“O Mundo Segundo Jeff Goldblum” e “One Strange Rock”). A data exata da exibição ainda não foi definida, mas vai acontecer durante o verão norte-americano (entre junho e agosto) de 2021.
High Life, com Robert Pattinson, encabeça dicas digitais do fim de semana
Os lançamentos desta semana nos serviços de VOD (locação digital) e/ou por assinatura de streaming estão mais caprichados que o costume. Com a impossibilidade de chegarem aos cinemas, muitos títulos de qualidade agora estreiam diretamente em plataformas digitais. É o caso de “High Life”, o grande destaque da lista. O detalhe é que a sci-fi estrelada por Robert Pattinson (o novo Batman) não é a única obra do gênero disponibilizada neste fim de semana. Há mais duas ficções científicas de perfil de festival na relação de estreias. Elas servem tanto para entreter quanto para inspirar reflexões, características que também se estendem a várias outras opções do menu digital, repleto de filmes premiados e de lugares tão diversos quanto Índia, Finlândia, Moçambique e República Tcheca. Confira abaixo mais informações sobre os títulos da semana (dos últimos sete dias), todos inéditos nos cinemas brasileiros – lembrando que a curadoria não inclui títulos clássicos e produções baratas que, em outros tempos, sairiam diretamente em vídeo. High Life | França, Reino Unido | 2019 A primeira sci-fi – e primeiro filme em inglês – da celebrada cineasta francesa Claire Denis (“Bastardos” e “Minha Terra, África”) reúne Robert Pattinson (“Bom Comportamento”) e Juliette Binoche (“A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell”), imagens belíssimas e um clima de desesperança. Na trama, prisioneiros condenados à morte trocam suas sentenças por uma missão espacial suicida para colher energia perto de um buraco negro. Paralelamente, a médica da nave realiza uma experiência clandestina, testando obsessivamente a capacidade da tripulação para se reproduzir no espaço. Não demora e os prisioneiros confinados se rebelam diante de um destino sombrio que alimenta desentendimentos e descamba em violência. Premiado pela crítica no Festival de San Sebastian, tem 82% de aprovação na média do Rotten Tomatoes. Disponível em iTunes, Google Play, Looke, Now, Vivo Play e YouTube Filmes. Agora Estamos Sozinhos | EUA | 2018 Vencedor de um Prêmio Especial do Júri no Festival de Sundance 2018, o drama pós-apocalíptico traz Peter Dinklage (série “Game of Thrones”) e Elle Fanning (“Demônio de Neon”) como as últimas pessoas da Terra. A história se passa após uma catástrofe não identificada erradicar praticamente toda a população do mundo. Mas isso não incomoda um solitário sobrevivente, que se acha o homem mais sortudo do planeta por se livrar de todos os que o ridicularizavam, até que uma garota loirinha aparece viva na sua frente com a ameaça de sua companhia. A direção é de Reed Morano, premiada no Emmy 2017 pela série “The Handmaid’s Tale”. Disponível em iTunes, Google Play, Looke, Now, Vivo Play e YouTube Filmes. Submersos | Rússia | 2020 Os efeitos belíssimos são o principal atrativo desta sci-fi russa, que se passa num mundo onírico e surreal, habitado por pessoas que se encontram em coma. A trama utiliza elementos de “A Origem” e “Matrix”, e foi concebida por Nikita Argunov, um profissional de VFX que estreia na direção após produzir o filme russo de super-heróis “Os Guardiões”. Disponível em iTunes, Google Play, Now, Sky Play, Vivo Play e YouTube Filmes. Dogs Don’t Wear Pants | Finlândia | 2019 Premiado em várias competições internacionais de cinema fantástico e indicado a nove troféus Jussi (o Oscar finlandês), o filme de J.-P. Valkeapää (do também ótimo “They Have Escaped”) pode ser intenso demais para alguns espectadores. Mas fãs de filmes, digamos, “alternativos” já o consideram cult. A trama acompanha a relação sadomasoquista de um homem traumatizado com uma dominatrix, apresentada de forma perturbadora, mas também bem-humorada e até edificante (!), com 89% de aprovação no Rotten Tomatoes. Disponível no Mubi. Rede de Ódio | Polônia | 2020 Este drama polonês aborda assunto contemporâneo, que está nos noticiários atuais, inclusive no Brasil, onde muito se discute sobre um gabinete do ódio no governo Bolsonaro. A trama acompanha um jovem (Maciej Musialowski) especialista em criar campanhas de ódio nas redes sociais, que usa racismo, homofobia e xenofobia como armas para progredir na vida e, graças a este talento, começa a ganhar dinheiro com políticos. Claramente um sociopata, o personagem central aos poucos começa a levar seu comportamento agressivo para a vida real. O desenvolvimento se dá de forma lenta, mas o tema não pode ser mais urgente. O diretor Jan Komasa é o mesmo do excelente “Corpus Christi” (2019). Disponível na Netflix. Na Solidão da Noite | Índia | 2020 Suspense envolvente, ao estilo dos mistérios clássicos de “whodunit” de Agatha Christie, esta produção indiana destoa completamente dos tradicionais filmes de Bollywood. Na trama, um detetive policial investiga o assassinato de um político, tentando seguir as pistas e sua intuição para encontrar o culpado em meio à rede de mentiras da família da vítima. O enredo é especialmente indicado para gostou de “Entre Facas e Segredos”, de Rian Johnson, mesmo que não seja fã de cinema indiano. Disponível na Netflix. O Pássaro Pintado | República Tcheca, Eslováquia | 2019 O drama conta uma história conhecida dos cinéfilos, sobre um menino judeu que busca abrigo com estranhos durante a 2ª Guerra Mundial. Mas o diretor Václav Marhoul (“Tobruk”) surpreende pelo enfoque adulto, impactante ao extremo, e pelo contraste obtido pela beleza das imagens em preto e branco e o que elas registram: um horror sem meio tons. “O Pássaro Pintado” foi premiado no Festival de Veneza, venceu nove Leões Tchecos (o Oscar da República Tcheca) e ainda consagrou o cinematógrafo Vladimír Smutný, que conquistou vários troféus de Fotografia em festivais internacionais. No Rotten Tomatoes, o filme tem 81% de aprovação. Disponível em Cinema Virtual. A Escolha | Estônia | 2018 Depois de seis meses sem contato com a antiga namorada, Erik, um trabalhador da construção civil, recebe notícias surpreendentes: Moonika está prestes a entrar em trabalho de parto. Como ela diz que não está pronta para ser mãe, deixa para Erik decidir se quer ficar com a criança ou se a envia para adoção. Premiado em alguns festivais do Leste europeu, este drama foi a escolha da Estônia para representar o país na busca de uma vaga na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira do Oscar de 2019. Disponível em Cinema Virtual. 100 Quilos de Estrelas | França | 2020 Comédia dramática adolescente que aborda a gordofobia de forma sensível, ao acompanhar uma garota que sonha em virar astronauta, mas que, apesar de ser um gênio em Ciências, não tem o porte físico da profissão, como lembram em sua escola, porque herdou a obesidade da família. Culpando a própria mãe, ela passa a odiar seu corpo e decide emagrecer com uma dieta radical, o que apenas a deixa doente. Internada numa clínica, conhece outras garotas com seus próprios problemas de autoestima e parte com elas numa jornada de aceitação, que envolve vencer um concurso e superar a aversão ao próprio corpo. Apesar de ser um filme-com-mensagem, a trama tem progressão natural e não soa forçada, além de evitar os clichês dos filmes adolescentes americanos. O fato de ser uma produção francesa faz grande diferença. Disponível em iTunes, Google Play, Now e Sky Play. Disponível na Netflix. A Barraca do Beijo 2 | EUA | 2020 A Netflix descobriu o filão das comédias românticas adolescentes com o primeiro filme de 2018 e tem produzido variações em série da mesma história. A sequência do primeiro sucesso segue a fórmula da sequência de “Para Todos os Garotos que Já Amei”, com a protagonista dividida entre o amor original e outro garoto da escola. A plataforma já encomendou até um terceiro capítulo dessa “novela” estrelada por Joey King, que foi indicada ao Emmy por “The Act” e aqui se coloca abaixo da crítica – a produção só tem 25% de aprovação no Rotten Tomatoes. Disponível na Netflix. É o Bicho | China | 2017 Animação chinesa sobre uma família que ganha um circo e uma caixa mágica de biscoitos. Como não conseguiu chegar nos cinemas americanas, acabou comprada pela Netflix, que, na falta de uma boa história para marketar, optou pelo velho chamariz da dublagem com astros famosos. O elenco de dubladores inclui o casal Emily Blunt e John Krasinski (de “Um Lugar Silencioso”), Sylvester Stallone (“Rambo”), Danny DeVito (“Dumbo”), Ian McKellen (“X-Men: Fênix Negra”) e Raven-Symoné (“A Casa da Raven”). Mas estes nomes “mágicos” não mudam o fato de que se trata de um desenho com 58% de aprovação no Rotten Tomatoes. Disponível na Netflix. Mundo Duplo | Hong Kong | 2020 Esta fantasia repleta de efeitos visuais mostra uma Terra paralela, dividida em 10 nações. Vendo uma nação vizinha se tornar cada vez mais poderosa, um Senhor da Guerra resolve organizar uma competição para encontrar os melhores guerreiros. O resultado é um mortal kombat com muito wire fu (kung fu voador) e até monstros gigantes. O diretor Teddy Chan tem alguns sucessos comerciais no currículo, como “Espião por Acidente” (2001), com Jackie Chan, e “Guarda Costas e Assassinos” (2009), mas nenhum deles é exatamente popular com a crítica. Já o ator principal, Henry Lau, apesar de canadense, é famosíssimo na Ásia, graças ao sucesso como cantor da banda de k-pop/mandopop Super Junior-M. Disponível na Netflix. Resgate | Moçambique | 2019 O primeiro filme moçambicano a entrar na Netflix é um drama urbano de gângsteres e venceu dois troféus na premiação da Academia Africana de Cinema (espécie de Oscar do continente). Com influência de produções americanas do gênero, conta a história de um jovem que, após sair da prisão, vê-se forçado a voltar ao mundo do crime. Disponível na Netflix. A Vingança de uma Mulher | Portugal | 2012 Baseado num conto do século 19 de Jules-Amédée Barbey d’Aurevilly (“A Última Amante”), o filme gira em torno de Roberto (Fernando Rodrigues), que uns dizem ser libertino, enquanto outros, que é misterioso. Na verdade, Roberto sente um tédio profundo, de quem já esgotou todos os prazeres da vida. Mas, uma noite, ele tem um encontro avassalador com uma mulher. A intérprete desta mulher, Rita Durão, ganhou vários prêmios do cinema português pelo papel. Já a diretora, Rita Azevedo Gomes, fez mais três longas depois deste filme de 2012, que os brasileiros poderão ver pela primeira vez via VOD. Disponível no Mubi. De Nuevo Otra Vez | Argentina | 2012 Mistura de documentário e ficção, acompanha a vida da atriz Romina Paula (“O Estudante”), enquanto lida com seu filho e sua mãe reais. Com o objetivo de retornar às suas raízes para descobrir quem é, a atriz transformada em diretora foi premiada no Festival de San Sebastián e conquistou 83% de aprovação no Rotten Tomatoes Disponível no Mubi. Citizen K | EUA | 2019 O novo documentário de Alex Gibney (vencedor do Oscar por “Um Táxi para a Escuridão”) conta a história de Mikhail Khodorkovsky, um dos homens mais ricos da Rússia, que após a eleição de Vladimir Putin foi obrigado a cumprir uma sentença de dez anos de prisão na Sibéria. Misturando um tom de denúncia e reportagem investigativa, “Citizen K” busca mostrar o que levou esse homem à prisão e porque ele se tornou um dos mais conhecidos militantes anti-Putin, enquanto expõe as camadas pouco democratas do regime pós-comunista. Disponível na Amazon Prime Video. Não Toque em Meu Companheiro | Brasil | 2020 O documentário de Maria Augusta Ramos (“O Processo”) mostra a mobilização de um grupo de 110 empregados da Caixa Econômica Federal ao longo de um ano, após serem demitidos injustamente em 1991. Disponível em Looke, Now e Vivo Play
HBO anuncia seis novas produções brasileiras
A HBO anunciou seis novos projetos brasileiros, incluindo três séries originais que já estão em desenvolvimento: a comédia “Área de Serviço”, o drama “O Amor Segundo Buenos Aires” e a fantasia “O Beijo Adolescente”. O pacote anunciado pela HBO Brasil se completa com três coproduções documentais. Criada e escrita pelos atores Pedro Cardoso (o Agostinho de “A Grande Família”) e Graziella Moretto (“Cidade de Deus”), “Área de Serviço” pretende abordar a relação entre diferentes classes sociais. A trama vai girar em torno de Jacinto, um brasileiro criado em Portugal, que volta ao Brasil em busca de informações sobre a mãe que não conheceu. Hospedado na mansão de uma tia, ele passa a conviver com os numerosos empregados que ali trabalham, passando por situações inusitadas. A direção dos episódios está a cargo da cineasta Monique Gardenberg (“Paraíso Perdido”), que também participa do desenvolvimento da produção. Baseado no livro do jornalista brasileiro Fernando Scheller, “O Amor Segundo Buenos Aires” acompanha Hugo, um brasileiro que se muda para Buenos Aires acompanhando a namorada, que vai estudar dança. À medida que o romance esfria, Hugo vai se apaixonando pela cidade e conhecendo as histórias de outras pessoas. Sheller integra a equipe de produção. Inspirada pelos quadrinhos de Rafael Coutinho (ilustração acima), “O Beijo Adolescente” se passa em um mundo em que os adultos não têm cor e apenas os jovens são coloridos. Nessa realidade, certos adolescentes manifestam um tipo de superpoder ao dar o primeiro beijo. A fantasia conta com a consultoria do próprio autor. Já as três coproduções documentais são “Odilon, Réu de Si Mesmo”, sobre o juiz federal Odilon de Oliveira, responsável pelas condenações de Fernandinho Beira-Mar e Juan Carlos Abadia, “Coisa de Menino”, com direção de Guto Barra e Tatiana Issa (que já fizeram a série “Fora do Armário” para a HBO), sobre as origens da “masculinidade tóxica” na infância, e “Bobiography”, que abordará o ídolo brasileiro do skate Bob Burnquist. “Nestes últimos meses, estivemos trabalhando com produtoras brasileiras no desenvolvimento de novo conteúdo nacional, para levar ainda mais histórias originais e inovadoras ao público de todo o mundo”, disse Roberto Rios, vice-presidente Corporativo de Produções Originais da HBO Latin America, em comunicado. “O conteúdo brasileiro é muito bem recebido também internacionalmente e nossas produções foram inclusive incluídas na nova plataforma HBO Max, nos Estados Unidos. Para continuar com esse trabalho, estamos focados neste momento na análise de novos projetos e no desenvolvimento de roteiros”, acrescentou o executivo.
Seleção do Festival de Veneza inclui documentário sobre prisão de Caetano Veloso
A organização do Festival de Veneza divulgou a lista dos filmes selecionados para sua edição 2020. E entre os títulos destaca-se o documentário “Narciso em Férias”, sobre a prisão de Caetano Veloso em 1968. Programado para exibição fora de competição, o novo filme da dupla Renato Terra e Ricardo Calil (“Uma Noite em 67”) traz o cantor brasileiro relembrando sua prisão, quando ele e Gilberto Gil foram levados de suas casas após o decreto do AI-5, culminando em seu exílio no auge da ditadura militar. Sem receber explicações, Caetano e Gil foram retirados à força de suas casas em São Paulo, levados ao Rio de Janeiro e jogados numa prisão. Passaram a primeira semana em solitária, antes de serem transferidos para celas, onde ficaram quase dois meses trancafiados. Na época, a ditadura impediu os jornais de mencionar as prisões. O crime cometido? Músicas. “Narciso em Férias” integra uma seleção com mais de 50 filmes de todo o mundo, incluindo obras de cineastas como Kiyoshi Kurosawa, Amos Gitai, Chloé Zhao, Nicole Garcia, Andrei Konchalovsky, Lav Diaz, Alex de la Iglesia, Alice Rohrwacher, Michel Franco, Luca Guadagnino, Abel Ferrara e até o (há muito) falecido Orson Welles. Uma das características desta seleção justamente é a inclusão de vários documentários fora de competição, entre eles um filme dedicado à ativista adolescente Greta Thunberg, a obra póstuma de Welles e os novos trabalhos de Ferrara, Guadagnino e do premiado Alex Gibney, que já venceu o Oscar da categoria com “Um Táxi para a Escuridão” (2007). Ao anunciar a programação nesta terça-feira (28/7), o diretor do festival, Alberto Barbera, declarou que o evento continua sendo “uma vitrine para a melhor produção cinematográfica do mundo”. E destacou que a seleção inclui apenas duas obras de ficção produzidas por estúdios de Hollywood, ambas dirigidas por mulheres. As produções dramáticas americanas são “The World to Come”, da diretora Mona Fastvold (“O Sonâmbulo”), um drama íntimo estrelado por Casey Affleck, Vanessa Kirby e Katherine Waterston, e “Nomadland”, um road movie de Chloé Zhao (“Domando o Destino”), com Frances McDormand e David Strathairn. Vale lembrar que Chloé Zhao está atualmente trabalhando na pós-produção de “Eternos”, da Marvel. Vanessa Kirby deve ser a grande estrela do tapete vermelho, se ele for estendido em meio à pandemia de covid-19. Ela aparece duplamente na programação, pois também está no elenco de “Pieces of a Woman”, que é uma produção canadense e marca a estreia do diretor húngaro Kornél Mundruczó (“White God”) em inglês. O Festival de Veneza será realizado de forma presencial, com reforço de medidas de segurança, entre os dias 2 e 12 de setembro. Confira abaixo a lista dos títulos selecionados. Competição Principal In Between Dying, de Hilal Baydarov Le Sorelle Macaluso, de Emma Dante The World To Come, de Mona Fastvold Nuevo Orden, de Michel Franco Lovers, de Nicole Garcia Laila in Haifa, de Amos Gitai Dear Comrades, de Andrei Konchalovsky Wife Of A Spy, de Kiyoshi Kurosawa Sun Children, de Majid Majidi Pieces Of A Woman, de Kornel Mundruczo Miss Marx, de Susanna Nicchiarelli Padrenostro, de Claudio Noce Notturno, de Gianfranco Rosi Never Gonna Snow Again, de Malgorzata Szumowska, Michal Englert The Disciple, de Chaitanya Tamhane And Tomorrow The Entire World, de Julia Von Heinz Quo Vadis, Aida?, de Jasmila Zbanic Nomadland, de Chloé Zhao Mostra Horizontes Apples, de Christos Nikou La Troisième Guerre, de Giovanni Aloi Milestone, de Ivan Ayr The Wasteland, de Ahmad Bahrami The Man Who Sold His Skin, de Kaouther Ben Hania I Predatori, de Pietro Castellitto Mainstream, de Gia Coppola Genus Pan, de Lav Diaz Zanka Contact, de Ismael El Iraki Guerra E Pace, de Martina Parenti, Massimo D’Anolfi La Nuit Des Rois, de Philippe Lacôte The Furnace, de Roderick Mackay Careless Crime, de Shahram Mokri Gaza Mon Amour, de Tarzan Nasser, Arab Nasser Selva Tragica, de Yulene Olaizola Nowhere Special, de Uberto Pasolini Listen, de Ana Rocha de Sousa The Best Is Yet To Come, de Wang Jing Yellow Cat, de Adilkhan Yerzhanov Fora de Competição – Sessões Especiais 30 Monedas, Episode 1, de Alex de la Iglesia Princesse Europe, de Camille Lotteau Omelia Contadina, de Alice Rohrwacher Jr Fora de Competição – Ficção Lacci, de Daniele Lucheti Lasciami Andare, de Stefano Mordini Mandibules, de Quentin Dupieux Love After Love, de Ann Hui Assandira, de Salvatore Mereu The Duke, de Roger Michell Night In Paradise, de Park Soon-jung Mosquito State, de Filip Jan Rymsza Fora de Competição – Documentário Sportin’ Life, de Abel Ferrara Crazy, Not Insane, de Alex Gibney Greta; de Nathan Grossman Salvatore, Shoemaker Of Dreams, de Luca Guadagnino Final Account, de Luke Holland La Verita Su La Dolce Vita, de Giuseppe Pedersoli Molecole, de Andrea Segre Narciso Em Ferias, de Renato Terra, Ricardo Calil Paulo Conte, Via Con Me, de Giorgio Verdelli Hopper/Welles: de Orson Welles
Ridley Scott e Kevin Macdonald te convidam a gravar este dia
Os cineastas Kevin Macdonald e Ridley Scott estão convidando pessoas do mundo inteiro para gravar um vídeo neste sábado (25/7), registrando o que fazem durante o dia. As cenas devem compor um documentário colaborativo no YouTube, “A Vida em um Dia”, uma espécie de capsula do tempo da situação do planeta em 2020. A ideia é repetir a experiência que rendeu o filme de mesmo nome, realizado há dez anos. Desde então, os celulares com câmeras de alta definição se multiplicaram, o que faz com que a expectativa de Macdonald, responsável pela edição final, seja de imagens de mais qualidade, mas também de muito mais trabalho. Há uma década, ele e Scott receberam 4,5 mil horas de filmagens, de 80 mil fontes diferentes, vindos de 189 países em dezenas de línguas. O resultado foi condensado em 90 minutos por um time de editores, dando vida ao primeiro “A Vida em um Dia”, disponível no YouTube com mais de 16 milhões de visualizações desde então. Desta vez, Macdonald deixou quatro perguntas como sugestões para guiar as filmagens dos participantes, que devem se tornar tópicos priorizados na edição de imagens. São elas: “o que você ama? Do que você tem medo? O que você gostaria de mudar, seja sobre sua vida ou sobre o mundo? O que você guarda no bolso?”. A duração dos vídeos é livre e os participantes podem enviar mais de uma gravação com momentos distintos do dia. O idioma também é livre. Mas as contribuições precisam refletir histórias pessoais com autenticidade e realismo – e não de forma performática ou afetada como se costuma fazer nas redes sociais. As gravações devem ser enviadas até o dia 2 de agosto para o site https://lifeinaday.youtube. Uma vez recebidos, os vídeos terão suas cenas analisadas e selecionadas por um time com 30 profissionais, responsáveis pela curadoria das imagens. Depois, três editores trabalharão com Macdonald para montar as cenas num filme coeso, ainda que coletivo. O resultado final será conhecido no Festival de Sundance, em janeiro de 2021. Veja abaixo o vídeo em que Macdonald apresenta o projeto.
Sequestrador armado na Ucrânia exige apoio a documentário de Joaquin Phoenix
Um sequestro de ônibus na Ucrânia terminou de forma inusitada após o presidente do país, Volodymyr Zelensky, ceder a uma exigência do criminoso, indicando em seu Facebook oficial um documentário vegano narrado pelo ator Joaquin Phoenix, vencedor do Oscar por “Coringa”. O criminoso, um ativista e ex-presidiário chamado Maksym Kryvosh, entrou em um ônibus em Lutsk na manhã de terça (21/7), portando um rifle automático e várias granadas. Ele também alegou ter espalhado bombas pelo veículo e passou a fazer exigências bizarras, incluindo que vários oficiais do governo ucraniano declarassem publicamente que eram “terroristas assassinos”. Ao ver que o presidente cedeu a seu pedido de indicar o filme “Terráqueos” para os ucranianos, ele se rendeu pacificamente e deve ter “uma longa sentença”, segundo o ministro do interior Arsen Akakov, que também se pronunciou sobre a exigência inusitada do criminoso. “‘Terráqueos’ é um bom filme… você não precisa ser tão louco e causar um horror tão grande no país inteiro para indicá-lo. Vocês podem apreciar o filme sem isso”, disse Akakov. “Terráqueos” é um documentário de 2005 sobre direitos dos animais, que condena práticas consideradas cruéis da indústria agropecuária. Esta é uma das principais causas defendidas por Joaquin Phoenix, que narrou o filme dirigido por Shaun Monson. O filme foi disponibilizado na íntegra no YouTube, com legendas em português. Veja abaixo.
Ridley Scott e Kevin Macdonald convidam o mundo a contribuir para filme coletivo
Os cineastas Riddley Scott e Kevin Macdonald voltaram a se juntar com o YouTube para criar um novo documentário com a premissa de “A Vida em um Dia” (A Life in a Day). A ideia é repetir a experiência que rendeu o filme de mesmo nome, realizado há dez anos, fazendo um convite aberto a todas as pessoas do planeta para registrarem em vídeo como é um dia comum de suas vidas. As gravações têm data para acontecer. Elas precisam ser feitas durante o próximo sábado. Quem tiver interesse em participar, tem apenas que gravar seu cotidiano em dia 25 de julho e, depois, enviar o vídeo para o site https://lifeinaday.youtube. O prazo de recebimento se encerra em 2 de agosto. “Todos podem participar. Iremos reunir vídeos dos quatro cantos do mundo para criar um longa-metragem filmado por vocês e com estreia no Sundance Film Festival de 2021”, diz o site oficial da produção. A grande diferença em relação ao primeiro “A Vida em um Dia” é que, neste ano, o documentário deve registrar o impacto da pandemia de coronavírus no cotidiano das pessoas. No primeiro documentário, foram recebidos cerca de 80 mil vídeos, que somavam em torno de 4,5 mil horas. Para selecionar os melhores materiais, um time com 30 profissionais vai ajudar na curadoria e três editores trabalharão com Macdonald para montar as cenas num filme coeso, ainda que coletivo. A duração dos vídeos é livre e os participantes podem enviar mais de uma gravação com momentos distintos do dia. O idioma também é livre. Mas as contribuições devem refletir histórias pessoais com autenticidade e realismo – e não de forma performática ou afetada como se costuma fazer nas redes sociais. Confira mais detalhes no vídeo abaixo.
Programação digital destaca novo terror dos diretores de Boa Noite, Mamãe
As melhores estreias digitais deste fim de semana são filmes de terror. Tem terror indie de sereia, terror brasileiro de assombração e o novo terror dos diretores austríacos de “Boa Noite, Mamãe”, passado numa cabana isolada pela neve. Por sinal, o clima tenso também se estende ao suspense do professor que resolve ensinar uma lição para seu pior aluno. Confira abaixo mais detalhes destes e de outros lançamentos digitais inéditos nos cinemas brasileiros, disponibilizados nos serviços de VOD (locadoras online) e streaming. A curadoria não inclui, vale reforçar, filmes já exibidos em circuito cinematográfico, incluindo títulos clássicos, nem tampouco produções pouco recomendadas, que, em outros tempos, sairiam diretamente em vídeo. Os destaques online são: O Chalé | Reino Unido, Canadá | 2019 Terror atmosférico com 74% de aprovação no Rotten Tomatoes, “O Chalé” marca a estreia em inglês dos cineastas austríacos Severin Fiala e Veronika Franz, responsáveis pelo desconcertante “Boa Noite, Mamãe” (2014). A trama evoca o filme anterior, ao trazer Riley Keough (“Mad Max: Estrada da Fúria”) como uma madrasta aspirante, passando as férias em um chalé de inverno com o casal de filhos de seu noivo. Isolados depois de uma nevasca, o relacionamento dos três começa a melhorar, até que o passado da mulher como sobrevivente de uma seita suicida vem à tona, junto com a falta de luz, barulhos no escuro e eventos aterrorizantes. O elenco mirim inclui Jaeden Martell, que se destacou no papel principal de “It: A Coisa” (2017). Disponível no iTunes. Professor | EUA | 2019 Suspense indie que recebeu críticas muito positivas (100% de aprovação em 7 resenhas no Rotten Tomatoes), traz David Dastmalchian (“Homem-Formiga e a Vespa”) como o professor do título, um profissional dedicado que percebe que um de seus alunos é alvo constante de assédio do valentão da escola. Quando a violência atinge níveis criminais, ele resolve enfrentar o agressor, mas se depara com um pai protetor e mais perigoso que imaginava. Disponível no Cinema Virtual. A Maldição da Sereia | EUA | 2019 Apesar de independente e barato, produzido com apoio de crowdfunding, o terror surpreende pela história, completamente diferente do que se espera de seu título, com alusões à violência contra mulheres e descaso com o meio-ambiente. A trama acompanha uma sereia pescada no oceano, torturada, mutilada e abandonada num hospício, onde é tratada para superar o delírio de acreditar ser uma criatura do mar. Por curiosidade, a sereia russa Alexandra Bokova apareceu num clipe da banda Smashing Pumpkins (“Solara”), um ano antes do filme. Disponível em Now e Vivo Play. Atrás da Sombra | Brasil | 2020 O primeiro longa do diretor goiano Thiago Camargo é uma mistura de thriller criminal e sobrenatural, que acompanha o detetive Jorge, contratado para investigar um caso numa cidade onde todos são desconfiados e parecem guardar segredos. Exemplar do moderno terror brasileiro, a trama aborda racismo, religião, crenças e descrenças, enquanto entretém com elementos do além – Jorge passa a ter pesadelos com uma assombração, a quem os moradores atribuem crimes. Destaque para a interpretação do músico congolês-brasileiro Bukassa Kabengele (“Irmandade”), ex-integrante da banda soul/funk Skowa e a Máfia, no papel principal. Disponível em Now e Vivo Play. Na Praia de Chesil | Reino Unido | 2017 Adaptação do romance de Ian McEwan (autor de “Desejo e Reparação”), o drama se passa na Inglaterra de 1962, onde um jovem casal com pouco em comum começa um relacionamento marcado por tensões sexuais e pressão social. O romance evolui e culmina em um casamento que não sai como os dois esperavam. Billy Howle (de “Dunkirk”) e Saoirse Ronan (“Adoráveis Mulheres”) têm os papéis principais. Disponível na Looke. A Portuguesa | Portugal, Alemanha | 2018 O filme de Rita Azevedo Gomes adapta um conto de 1924 de Robert Musil (“O Jovem Törless”). Durante a disputa pelo domínio de um principado italiano, Lorde von Ketten viaja até Portugal para encontrar uma esposa. Quando retornam à Itália, ele precisa partir para a guerra novamente, mas sua esposa está determinada a transformar o castelo onde vivem em um lar. Disponível no Mubi. Encantado, o Brasil em Desencanto | França, Brasil | 2018 Documentário produzido na França que retrata o contexto político e social do Brasil entre a eleição de Lula em 2002 e a eleição de Bolsonaro em 2018. O título foi inspirado no nome do bairro de Encantado, em que o cineasta Filipe Galvon cresceu no Rio de Janeiro. Ele mora na França desde 2013 e registra seu desencanto com o Brasil nesse documentário, construído com entrevistas com políticos, como Dilma Rousseff, Ciro Gomes, Fernando Haddad e Guilherme Boulos, e cidadãos comuns. Disponível em Now. Mulher | França | 2019 O documentário de Yann Arthus-Bertrand e Anastasia Mikova é uma continuação temática de “Humano: Uma Viagem Pela Vida” (2015), premiado nos festivais de Vancouver e Pequim. A produção filmou 2 mil mulheres em 50 países para discutir o que significa amor, respeito e lugar no mundo para uma parcela representativa da população mundial. Disponível em iTunes, Google Play, Now, Sky Play, Vivo Play e YouTube Filmes.












