Estreias | Sem blockbusters, destaques do cinema são filmes de festivais
Os cinemas recebem nada menos que 13 estreias nesta quinta (30/11). “O Jogo da Invocação” tem a distribuição mais ampla, em 600 telas, seguido por “As Aventuras de Poliana”. Prova do estrago causado pela suspensão das cotas no mercado nacional, o filme baseado na novela de sucesso do SBT vai ocupar um circuito menor que o do terror americano feito para a internet – “O Jogo da Invocação” saiu apenas em VOD nos EUA. As melhores opções da semana estão no circuito limitado. A quantidade e qualidade dos lançamentos sugere até um mini-festival internacional com exibição comercial, destacando obras premiadas de Hirokazu Kore-eda, Aki Kaurismäki, Roberto Andò, Aitch Alberto, Gustavo Vinagre e Carolina Markowicz. Deste timão, vale destacar o drama brasileiro “Pedágio”, de Markowicz, que atingiu nada menos que 100% de aprovação no portal americano de críticas Rotten Tomatoes, e “Monster”, a nova obra-prima de Kore-eda. Confira abaixo todos os lançamentos em detalhes. O JOGO DA INVOCAÇÃO O terror ambientado na histórica cidade de Salem, Massachusetts, tenta transformar jogos infantis como esconde-esconde e pega-pega em cenários de horror mortais. O enredo gira em torno de uma faca amaldiçoada, entalhada com ossos e inscrita com a frase “I Will Play, I Won’t Quit”, que possui vítimas e as obriga a participar de versões distorcidas de jogos infantis. A trama começa como uma noite de babysitting tranquila, mas rapidamente se transforma em uma luta contra um espírito vingativo do passado sombrio da cidade. O elenco reúne Natalia Dyer (“Stranger Things”), Asa Butterfield (“Sex Education”) e Benjamin Evan Ainsworth (“Pinóquio”) como irmãos presos na maldição. Ainsworth entrega uma performance impressionante como o primeiro personagem possuído pela faca demoníaca, enquanto Butterfield se destaca como o irmão mais velho, que se torna o novo recipiente do demônio e inicia um massacre em uma pequena reunião de adolescentes. Embora apresente uma ideia intrigante, o filme dos estreantes Eren Celeboglu e Ari Costa, tem uma execução superficial e pouco entusiasmo para explorar o potencial dos jogos em cenas de horror criativas. Os jogos em si são retratados de maneira simplista, e as cenas de morte são moderadas, evitando exibir muita violência. A produção é do estúdio AGBO dos irmãos Russo (diretores de “Vingadores: Ultimato”). AS AVENTURAS DE POLIANA Continuação cinematográfica de duas novelas populares e longas do SBT, a produção apresenta um novo capítulo na vida de Poliana (Sophia Valverde) e seus amigos, após o término do ensino médio. A trama se concentra na jornada de Poliana, que almeja estudar no exterior, enfrentando a descrença de seu pai (Dalton Vigh), que questiona sua maturidade. Determinada a provar sua independência e capacidade, Poliana decide trabalhar no Maya Palace, um eco resort paradisíaco, sendo acompanhada por seu namorado João (Igor Jansen) e os amigos Kessya (Duda Pimenta) e Luigi (Enzo Krieger). Enquanto Poliana é favorecida devido à sua situação financeira, seus amigos enfrentam tarefas mais desafiadoras e perigosas. Contudo, a história se aprofunda quando os amigos descobrem que o resort, administrado por uma mulher corrupta, está envolvido em crimes ambientais que prejudicam a comunidade local. Oportunidade para o público reencontrar personagens queridos e embarcar em novas aventuras, o filme ainda apresenta temas como amizade, sonhos, questões ambientais, classes sociais e o contraste entre a corrupção e a inocência juvenil. O roteiro é de Iris Abravanel, autora da novela original, enquanto a direção é assinada por Cláudio Boeckel (“Gaby Estrella: O Filme”). PEDÁGIO Com apenas dois longas, a brasileira Carolina Markowicz já é uma diretora reconhecida no circuito internacional. Seu primeiro longa-metragem, “Carvão”, foi selecionado para festivais renomados como Toronto e San Sebastián, estabelecendo sua reputação como uma cineasta inovadora e corajosa, e “Pedágio” repetiu a dose, inclusive com direito a prêmio, o Tribute Award, no Festival de Toronto como talento emergente. A obra emerge como um poderoso drama repleto de angústia e embate familiar, centrado em Suellen, uma cobradora de pedágio na estrada de Cubatão, que busca fazer dinheiro para financiar a participação de seu filho, Tiquinho, em uma controversa terapia de “cura gay”. O elenco, liderado por Maeve Jinkings (“Os Outros”), traz uma performance notável, capturando a essência de uma mãe dilacerada pelo conflito entre o amor pelo filho e as pressões sociais. O novato Kauan Alvarenga (que trabalhou no curta “O Órfão”, da diretora), por outro lado, dá vida a Tiquinho com uma mistura de vulnerabilidade e força, representando a juventude LGBTQIAP+ que luta por aceitação e amor em uma sociedade hostil, dominada por dogmas religiosos. “Pedágio” se destaca também por sua abordagem técnica, com cenários que refletem a solidão dos personagens e uma trilha sonora que aprimora a experiência emocional do filme. O elenco ainda inclui Thomás Aquino (também de “Os Outros”), Aline Marta Maia (“Carvão”) e Isac Graça (da série portuguesa “Três Mulheres”). MONSTER Aclamado com 98% de aprovação no site Rotten Tomatoes e vencedor do troféu de Melhor Roteiro no último Festival de Cannes, o novo drama do mestre japonês Hirokazu Kore-eda (“Assuntos de Família”) se desenrola em três partes distintas, iniciando com um incêndio em um prédio que serve como um marco temporal e simbólico para a trama. A primeira seção acompanha a vida de Saori (Sakura Ando), mãe solteira, e seu filho Minato (Soya Kurokawa). Eles compartilham um lar amoroso, porém caótico, revelando uma relação delicada onde Saori ainda sofre pela morte do marido e Minato exibe comportamentos preocupantes. As ações de Minato, incluindo uma confissão sobre o professor Michitoshi (Eita Nagayama), desencadeiam uma cadeia de mal-entendidos e conflitos com a escola. À medida que a história retorna ao incêndio, a perspectiva se altera para Michitoshi, oferecendo uma visão alternativa dos eventos e questionando as noções de culpa e intenção. O filme se torna ainda mais complexo com o terceiro foco em Yori (Hinata Hiiragi), colega de Minato, cuja realidade oscila entre ser um agressor, vítima ou uma figura mais enigmática. Ao longo do filme, observa-se que Minato luta para compreender e expressar seus sentimentos, que parecem estar relacionados à sua sexualidade emergente. A maneira como Kore-eda aborda este aspecto é característica de seu estilo: com empatia e uma perspectiva humana profunda, sem recorrer a estereótipos ou dramatização excessiva – o que lhe valeu a Palma Queer no Festival de Cannes. O sentido do título é multifacetado e simbólico, refletindo os vários mal-entendidos, julgamentos precipitados e percepções distorcidas que os personagens têm uns dos outros. Cada personagem, em algum momento, pode ser visto como um “monstro” aos olhos dos outros. Entretanto, não são necessariamente figuras aterrorizantes ou malévolas, mas pessoas comuns envolvidas em situações complicadas ou mal compreendidas. A história desafia o espectador a refletir sobre como julgamentos apressados podem levar a perceber os outros de maneira distorcida, oferecendo-se como uma lição de empatia. O ritmo meticuloso, seu tom sensível e a trilha sonora de Ryuichi Sakamoto (vencedor do Oscar por “O Último Imperador”), que faleceu em março, antes da première da produção, ampliam a experiência cinematográfica, construindo um ambiente que complementa a montanha-russa emocional retratada. O resultado é uma das melhores obras de um diretor conhecido por só fazer filmes bons. FOLHAS DE OUTONO O 20º longa-metragem do premiado diretor Aki Kaurismäki (“O Porto”) venceu o Prêmio do Júri do último Festival Cannes. Sua narrativa compassiva e despojada acompanha dois indivíduos solitários da classe trabalhadora em Helsinque, Holappa (Jussi Vatanen), um frequentador assíduo de um bar de karaokê, e Ansa (Alma Pöysti), uma funcionária de supermercado que vive sozinha. O cenário outonal pinta Helsinque com tons de cinza e uma atmosfera melancólica, onde os personagens navegam por suas existências marginais. Ela é demitida por pegar um bagel vencido no trabalho e ele enfrenta uma batalha constante com o alcoolismo. Apesar de viverem vidas desencorajadoras, uma noite em um bar de karaokê muda o curso de suas trajetórias, quando eles se encontram e vislumbram a possibilidade de um amanhã melhor. Mas, ao contrário das típicas comédias românticas americanas, não há um florescer imediato de romance. Em vez disso, Kaurismäki opta por explorar a gradual descoberta de uma centelha que pode despertar suas almas. Com uma duração concisa de 81 minutos, o filme contém momentos de humor característico de Kaurismäki, como a cena em que Ansa e Holappa assistem “Os Mortos Não Morrem” de Jim Jarmusch, oferecendo uma visão singular sobre a vida cotidiana, a resiliência humana e a busca por conexão – os principais temas da filmografia do mestre finlandês. A ESTRANHA COMÉDIA DA VIDA A comédia de Roberto Andò (“O Caravaggio Roubado”) mergulha no universo criativo e mental de Luigi Pirandello, um dos maiores dramaturgos italianos, que no filme é interpretado pelo veterano Toni Servillo (“A Grande Beleza”), numa atuação magistral de artista em crise. Distanciando-se do formato de biografia convencional, a trama entrelaça realidade e ficção, retratando um momento crucial na vida do autor. A narrativa acompanha uma viagem de Pirandello à Sicília em 1920 para um funeral, quando ele contrata dois coveiros (interpretados pelos comediantes Salvatore Ficarra e Valentino Picone), que sonham em ser atores. Esse encontro inesperado se torna o ponto de partida para a criação de “Seis Personagens à Procura de um Autor”, uma das peças mais emblemáticas do dramaturgo. Andò, também conhecido por seu trabalho como novelista e diretor teatral, demonstra habilidade ao ir do realismo para a comédia abstrata, usando a representação como uma ferramenta para análise e confronto com a loucura, via a capacidade dos artistas de fazer o implausível parecer possível. Seu reconhecimento foram 14 indicações ao prêmio David di Donatello (o Oscar italiano), das quais venceu quatro, incluindo Melhor Roteiro Original e Melhor Produção do ano. OS SEGREDOS DO UNIVERSO O sensível filme de estreia da diretora queer Aitch Alberto foca na amizade e evolução do relacionamento entre dois adolescentes mexicano-americanos, Aristotle “Ari” (interpretado pelo novato Max Pelayo) e Dante (o também novato Reese Gonzales), no início dos anos 1980 em El Paso, Texas. O filme explora o despertar sexual e emocional dos personagens de maneira delicada e criativa, evitando estereótipos comuns em narrativas similares. Ari é um personagem introspectivo, lutando para entender a si mesmo e ao mundo ao seu redor. Ele se depara com as rígidas normas de masculinidade no ambiente escolar e enfrenta um ambiente familiar tenso, marcado pelo silêncio do pai, Eugenio Derbez (“Acapulco”), e a preocupação contida da mãe, interpretada por Veronica Falcón (“Perry Mason”). Sua solidão é uma parte significativa de sua identidade inicial, especialmente em relação ao irmão que está na prisão, um assunto que é tabu em sua família. Dante, por outro lado, é mais extrovertido, curioso sobre o mundo e apaixonado por arte e literatura. Filho de pais amorosos e liberais, interpretados por Kevin Alejandro (“Lucifer”) e Eva Longoria (“Desperate Housewives”), possui uma visão de mundo mais aberta e é mais confortável com sua identidade. Ele introduz Ari à natação e compartilha com ele seu amor pela arte, música e literatura, ajudando a abrir o mundo do outro de maneiras novas e significativas. A química entre Pelayo e Gonzales é um ponto forte, com ambos os atores entregando performances carismáticas e convincentes em papéis complexos. Mas o filme também tem uma fase de separação geográfica, quando Dante se muda para Chicago e a história passa a ser contada através de cartas, oferecendo uma perspectiva introspectiva sobre os personagens. Embora aborde temas sérios, como a violência contra a comunidade LGBTQIA+, a obra se destaca por sua atmosfera de compaixão e expressão de emoções genuínas, identidade pessoal e sexual, e as complexidades da experiência adolescente. TRÊS TIGRES TRISTES Aproveitando-se do contexto da pandemia de Covid-19, a obra apresenta uma realidade alternativa onde uma nova cepa do vírus afeta diretamente a memória dos infectados. O roteiro satiriza as reações da sociedade brasileira à pandemia, com momentos que exploram o humor e o absurdo, como um influenciador fazendo vídeos sobre o vírus no TikTok. No centro da trama, estão três jovens: Isabella (Isabella Pereira), Pedro (Pedro Ribeiro) e Jonata (Jonata Vieira), que compartilham uma quitinete em São Paulo. Enquanto Isabella se...
Trailer de documentário de Luísa Sonza volta a gerar ódio à cantora nas redes sociais
A Netflix divulgou o pôster e o trailer de “Se Eu Fosse Luísa Sonza”, série documental sobre a cantora, e a prévia provocou reações nas redes sociais. Numa criação irônica de metalinguagem, o vídeo que denuncia o ódio que ela sofre foi recebido com mais ódio. Os ataques variam de acusações de racismo – Luísa confundiu uma mulher negra com uma serviçal – até investimento em “limpeza de imagem”. Vale lembrar que ela se encontra supostamente longe das redes sociais devido ao massacre de ataques similares, que a acompanham desde o início de sua carreira por motivos menos nobres, como sua simples separação do humorista Whindersson Nunes. O vídeo, por sinal, revela participação de Whindersson na série. Os dois foram casados por cinco anos e, após a turbulência da separação, voltaram a ficar amigos. Além disso, em entrevista feita para o “Fantástico”, mas arquivada pela Globo, a artista disse que o episódio de racismo seria abordado pelo documentário. Com três episódios dirigidos por Isabel Nascimento Silva (“Primavera das Mulheres”), a produção mescla bastidores da vida pessoal e da carreira da artista. Mas não tem só fofocas. A atração também vai acompanhar detalhes do processo criativo do álbum “Escândalo Íntimo”, que deu o que falar e colocou todas as suas faixas no ranking do Spotify Brasil. “Se Eu Fosse Luísa Sonza” estreia no catálogo do streaming no dia 13 de dezembro de 2023. Veja abaixo o trailer, o pôster e um pouquinho da repercussão no X (antigo Twitter). seja racista, coloque a culpa na sociedade, chore ao vivo por uma traição armada e ganhe uma série na netflix KKKKKKKKK pqp vai se fuder — rasta (@rasta_ffc) November 11, 2023 Seja racista e ganhe uma série na Netflix, o Brasil realmente é uma merda — Maurício Fernandes (@maumauballo) November 10, 2023 E a série nova, aparentemente contando a história da Luisa Sonza na Netflix. Será que vai passar aquela parte q ela é racista? Minha fav pprt!! — 𝕮𝖍𝖎𝖓𝖎 (@Schinyi) November 11, 2023 É em comemoração ao mês da consciência negra, Netflix ? pic.twitter.com/87ZqHcqT6m — Madame Vastra ♍ (@maionese_verde) November 10, 2023 No mês da consciência negra é no mínimo um deboche. Se tocar no assunto certeza que vai ser claramente a Netflix patrocinado limpeza de imagem. Mau gosto de lançamento. Timming deselegante. — 🇵🇸 PALESTINA LIVRE! (@ap3n4sss) November 9, 2023 Tem muita grana investida nessa Luísa sonza né? Impressionante a estrutura de PR que movimentaram pra limpar a barra da gata e ela lançar um documentário na Netflix. Uma grana violenta gasta em pura mediocridade — chacal de mamy tchesca (@abruxaradpass) November 10, 2023
Estreias | 10 novidades da semana para ver no streaming
A seleção de novidades do streaming destaca cinco séries e cinco filmes. A lista passa por “Rio Connection”, coprodução internacional da Globoplay, e a biografia de Brigitte Bardot entre as séries, além da animação Leo e a comédia candidata a cult “Bottoms”, sem esquecer do blockbuster “O Protedor: Capítulo Final” e do documentário musical “Elis e Tom, Só Tinha que Ser com Você” em VOD. Confira abaixo lista completa dos melhores lançamentos da semana. SÉRIES RIO CONNECTION | GLOBOPLAY Ambientada nos anos 1970, a série nacional explora a intricada rede de tráfico de heroína estabelecida no Brasil, formando uma rota estratégica para os Estados Unidos. A obra é dirigida por Mauro Lima (“Meu Nome Não É Johnny”), destacando-se por sua alta qualidade de produção e um elenco que combina talentos estrangeiros e brasileiros. A trama se aprofunda na vida de três criminosos europeus – Tommaso Buscetta (Valerio Morigi), Fernand Legros (Raphael Kahn) e Lucien Sarti (Aksel Ustun), com a presença marcante da atriz Marina Ruy Barbosa no papel de Ana Barbosa, uma cantora de boate que navega entre o glamour e os perigos associados ao submundo do crime. Inspirada em eventos reais, a trama desenrola-se em torno do plano do famoso mafioso Tommaso Buscetta e seus comparsas para usar o Rio como conexão do tráfico internacional. A trama mergulha nos detalhes da operação criminosa, destacando a compra da droga a preços baixos e a revenda por valores elevados. A série também explora a complexidade dos personagens, evitando retratá-los como criminosos unidimensionais e oferecendo uma visão mais humana e empática de suas vidas, apesar de suas ações sombrias. Coprodução internacional com a Sony, apesar de brasileira a série é falada em inglês. Conta com oito episódios e também inclui no elenco Nicolas Prattes, Gustavo Pace e Alexandre David, interpretando policiais brasileiros, além de Maria Casadevall, Carla Salle, Felipe Rocha e Rômulo Arantes Neto. COMPANHEIROS DE VIAGEM | PARAMOUNT+ A minissérie adapta o romance homônimo de Thomas Mallon, ambientado em Washington, D.C., durante os anos 1950 – a era McCarthy, auge do conservadorismo americano – , mas também avança no tempo para os anos 1980, período de intensa homofobia. Distribuída em oito episódios, a história acompanha a longa e apaixonada relação entre dois homens, Tim (interpretado por Jonathan Bailey), um jovem idealista e católico, e Hawk (Matt Bomer), um charmoso operador político. Os dois personagens, vindos de mundos distintos, se envolvem em um romance intenso e condenado à tragédia. A adaptação foi criada pelo escritor Ron Nyswaner, conhecido por seu trabalho em filmes e séries de temas LGBTQIA+, com destaque para o premiado longa “Philadelphia” de 1993, que foi um marco na representação do HIV/AIDS no cinema. Sua história combina política, romance queer e suspense de espionagem, utilizando dois períodos sombrios da história dos Estados Unidos como pano de fundo. Apesar de se desenrolar em torno de eventos reais, como a caça às bruxas de McCarthy (anticomunismo como fobia social) e a crise da AIDS nos anos 1980, a atração não se limita a ser apenas uma reconstituição histórica ou uma peça moral sobre a crueldade do governo em relação à comunidade LGBTQIA+. Em seu âmago, está um romance verdadeiro e cativante, reforçado pelas atuações de Bailey e Bomer, com direito a cenas de sexo bastante gráficas. De fato, a dinâmica de poder na relação sexual entre Hawk e Tim é explorada sem suavizar as arestas para o público heterossexual, o que faz da série uma das representações menos comedidas do amor gay, destacando-se por abordar o assunto de forma ousada. BRIGITTE BARDOT | FESTIVAL VARILUX DO CINEMA FRANCÊS Trazida ao Brasil pelo Festival Varilux do Cinema Francês, a minissérie é uma homenagem à emblemática atriz Brigitte Bardot, destacando os primeiros dez anos de sua carreira. Criada pela veterana cineasta Danièle Thompson (roteirista dos clássicos “Rainha Margot” e “Prima, Primo”) e seu filho Christopher Thompson, traz a argentina Julia de Nunez no papel icônico. E em alguns momentos, é possível confundir as duas, ainda que o carisma único da verdadeira Bardot seja inimitável. O elenco também destaca Victor Belmondo, neto do lendário ator Jean-Paul Belmondo, como o cineasta Roger Vadim, primeiro marido e responsável por revelar a estrela ao mundo. “Bardot” aborda os aspectos cruciais e desafios enfrentados pela atriz na França dos anos 1950, uma época marcada pelo sexismo e a dominação patriarcal, e culmina na sua transformação em sex symbol internacional nos anos 1960. Além de recriar diversos papéis antológicos em clássicos como “E Deus Criou a Mulher” (1956), de Roger Vadim, “A Verdade” (1960), de Henri-Georges Clouzot, e “Desprezo” (1963), de Jean-Luc Godard, o enredo também explora a vida privada, relações amorosas e a maneira como Bardot lidou com a atenção intensa da mídia, destacando sua luta contra a objetificação e a busca por sua identidade em meio à fama avassaladora. A cinematografia e as atuações são pontos fortes da produção, que, apesar de uma abordagem tradicional, oferece uma perspectiva renovada sobre a jornada da estrela. Com seis episódios, a produção pode ser vista na íntegra e de graça no site do Festival Varilux do Cinema Francês (https://variluxcinefrances.com/) até o dia 22 de dezembro. DOCTOR WHO: THE STAR BEAST | DISNEY+ O primeiro dos três especiais de 60 anos de “Doctor Who” marca a estreia da franquia na Disney+ e o retorno triunfante de David Tennant como o Doutor, acompanhado por Catherine Tate como sua companheira Donna Noble. O episódio também é o primeiro de uma nova fase sob comando do renomado Russell T Davies, de volta para ditar os rumos da série clássica, que ele relançou em 2005. A trama baseia-se em uma história em quadrinhos de 1980 do Doutor, que foi atualizada para incorporar a versão de Tennant, considerado o melhor intérprete do protagonista (à frente da série de 2005 a 2010). A trama começa com o reencontro do Doutor e Donna, que não se veem há 15 anos, para resolver o mistério do acidente de uma nave espacial em Londres, e embora o episódio mantenha elementos clássicos de “Doctor Who”, como viagens no tempo e encontros com alienígenas, ele também aborda temas mais profundos relacionados à identidade e à humanidade. A história de Donna, que teve as memórias de suas aventuras apagadas e agora é casada e mãe, adiciona complexidade à personagem, enquanto Tennant traz uma nova profundidade a seu papel, mesclando traços dos Doutores que vieram após sua versão original. O episódio também introduz uma série de novos personagens, incluindo Yasmin Finney como Rose Noble, filha de Donna. E prepara terreno para mais dois especiais como parte das celebrações do 60º aniversário da série: “Wild Blue Yonder” e “The Giggle”. Este último traz Neil Patrick Harris como um vilão clássico, o Fabricante de Brinquedos (The Toymaker), visto pela última vez em 1966, e serve de passagem para um novo protagonista. O ator Ncuti Gatwa (o Eric de “Sex Education”) será o Doutor a partir da 14ª temporada, prevista para ir ao ar em 2024. Para quem não sabe, o artifício narrativo que justifica as mudanças de intérpretes é simples: sempre que o Doutor é ferido de morte, ele(a) se transforma em outra pessoa, ganhando não apenas nova aparência, mas também um nova personalidade, ainda que mantenha intacta toda a sua memória. O truque foi a forma encontrada pelos produtores para continuar a série quando William Hartnell (1908–1975), o primeiro astro de Doctor Who, resolveu largar o papel na metade da 4ª temporada original (exibida em 1966). ROUND 6: O DESAFIO | NETFLIX O reality de competição é baseado em “Round 6”, série de maior audiência da Netflix em todos os tempos, e acompanha 456 competidores em uma disputa por um prêmio de US$ 4,56 milhões, o maior já entregue numa disputa televisiva. A competição é realizada em um cenário que replica a estética da série, incluindo os uniformes e os designs dos ambientes, mas sem a natureza sinistra do torneio sangrento. Em “O Desafio”, a violência letal é substituída por tintas que simulam a morte dos competidores eliminados. O programa tenta encontrar um meio-termo entre as competições convencionais e o conceito distópico de “Round 6”, introduzindo elementos de drama e táticas psicológicas. As dinâmicas sociais e as estratégias de jogo são elementos-chave nos episódios, com alianças e habilidades interpessoais se mostrando tão importantes quanto a habilidade nos jogos. Entretanto, a produção também é uma contradição, pois indica que a Netflix não compreendeu a mensagem crítica da trama de Hwang Dong-hyuk. A obra sul-coreana foi aclamada por sua representação intensa e brutal de pessoas desesperadas, que participam de jogos mortais por uma chance de escapar de dívidas esmagadoras, servindo como uma alegoria do capitalismo e da desigualdade socioeconômica, onde a dignidade humana e a vida são sacrificadas por entretenimento. A trama critica a exploração dos desfavorecidos e a indiferença dos milionários, usando a violência extrema e as situações desesperadoras dos personagens para enfatizar seu ponto. Quando a Netflix transforma o conceito em uma competição real, em vez de um comentário sobre a desumanização e a exploração, “Round 6” se materializa como a mesma forma de entretenimento que, ironicamente, procurava condenar. FILMES BOTTOMS | PRIME VIDEO A nova comédia juvenil de Emma Seligman, que ganhou destaque com “Shiva Baby” em 2020, se passa no ensino médio, onde duas melhores amigas lésbicas, desajeitadas e desesperadas para perder a virgindade, tem a ideia de ensinar aulas de autodefesa para impressionar as líderes de torcida, mas logo viram catalisadoras de uma revolta feminista. Os papéis principais são vividos por Rachel Sennott, que foi a protagonista de “Shiva Baby”, e Ayo Edebiri, uma das estrelas da premiada série “O Urso” (The Bear), da Star+. Ao desenvolver a narrativa, a diretora quis explorar um gênero do qual os personagens LGBTQIA+ são historicamente excluídos, oferecendo uma visão crua e cheia de piadas sexuais explícitas, que contrasta com a inocência dos filmes de high school. A trama é centrada na busca de PJ e Josie pela atenção de Isabel e Brittany, as estrelas da equipe de torcida. Ao perceberem que as tentativas convencionais de aproximação resultam em fracasso, elas decidem criar uma aula de autodefesa, que rapidamente se transforma em um clube de luta. Logo, o projeto começa a ganhar vida própria, como um espaço para as personagens explorarem e expressarem sua raiva e frustrações, criando uma atmosfera de empoderamento feminino, ainda que sob pretextos questionáveis. Divertidíssimo e politicamente ousado, o filme caiu nas graças da crítica americana, atingindo 91% de aprovação no Rotten Tomatoes. Sua abordagem subversiva remete ao cultuado “Heathers” (ou “Atração Mortal”), lançado em 1989. Ambos abusam do humor negro para desafiar as convenções dos filmes sobre adolescente, apresentando uma narrativa cínica, personagens de moral ambígua e uma crítica mordaz à cultura do ensino médio americano. LEO | NETFLIX A animação produzida e estrelada (na dublagem em inglês) por Adam Sandler segue um lagarto de 74 anos que vive em um aquário na sala de aula de uma escola primária. Compartilhando o espaço com uma tartaruga chamada Squirtle (voz de Bill Burr), Leo tem passado seus dias observando gerações de alunos enfrentarem seus desafios juvenis. Tudo muda quando ele se dá conta de sua própria mortalidade e decide que precisa ver o mundo fora do aquário. Só que, na tentativa de fuga, Leo vacila e permite que as crianças descubram seu maior segredo: ele pode falar. Assim, o pequeno lagarto transforma-se em uma espécie de conselheiro para os estudantes que cuidam dele. O filme, dirigido por Robert Marianetti, Robert Smigel e David Wachtenheim, conhecidos por seus trabalhos no humorístico “Saturday Night Live” (SNL), especialmente nos segmentos animados, é moldado por uma série de vinhetas onde Leo ajuda os estudantes com seus problemas pessoais, variando de ansiedade a dificuldades de socialização. Cada criança que leva Leo para casa descobre que ele pode falar, mas é persuadida a acreditar que só ela pode ouvi-lo. Através dessas interações, Leo oferece conselhos e apoio, encontrando um novo propósito em ajudar...
Beyoncé divulga novo trailer do filme de sua turnê
Beyoncé divulgou mais um trailer do filme sobre sua turnê mundial, Renaissance World Tour. A nova prévia combina elementos das duas anteriores, mesclando o espetáculo visual dos shows a cenas dos bastidores da apresentação. A cantora encerrou a turnê em 1 de outubro, após faturar cerca de US$ 560 milhões em vendas de ingressos. Embora haja rumores de que ela venha ao Brasil em 2024, oficialmente não há novas datas agendadas da turnê. Com isso, o documentário é a única forma garantida de os fãs brasileiros verem os shows. A estreia de “Renaissance: A Film By Beyoncé” vai acontecer em 1º de dezembro, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.
Estreias | “Napoleão” e “Ó Pai, Ó 2” chegam aos cinemas
O épico “Napoleão” e a comédia brasileira “Ó Pai, Ó 2” são os principais lançamentos desta quinta (23/11) nos cinemas, chegando em 900 e 500 telas, respectivamente. Ambos enfrentam percalços. O longo filme de Ridley Scott recebeu críticas pouco entusiasmadas nos EUA. Já a produção estrelada por Lázaro Ramos enfrenta um suposto boicote de bolsonaristas. Ainda assim, tem uma das maiores estreias nacionais do ano – esgotou ingressos em Salvador. Apesar dos dois títulos serem as prioridades do circuito exibidor, a programação soma ao todo 10 estreias na semana. Confira abaixo todas as novidades. NAPOLEÃO O novo épico de Ridley Scott marca um reencontro com Joaquin Phoenix, 23 anos após “Gladiador”. O ator (hoje mais lembrado por “Coringa”) encarna Napoleão desde sua ascensão como jovem tenente, mostrando sua habilidade em navegar e manipular o cenário político e social da França revolucionária em sua caminhada para assumir o título de imperador. Mas embora concentre-se na trajetória política e militar, o longa também mergulha na relação tumultuada de Napoleão com a Imperatriz Josephine, interpretada por Vanessa Kirby (“Missão: Impossível – Acerto de Contas Parte Um”), numa dinâmica que oscila da paixão intensa a confrontos tempestuosos. Notável pela execução técnica, o filme apresenta cenas espetaculares de batalhas com uma combinação de som impactante e coreografia intrincada, capturando o caos e a precisão das estratégias de Napoleão. Os detalhes de figurino e design de produção meticulosamente elaborados são outros destaques da produção grandiosa. Mas todo esse apuro esbarra na opção do diretor em retratar um Napoleão caricatural, sujeito a pitis e frases infantis, que não parece fazer justiça ao papel histórico do personagem. Ele é apresentado como uma figura ambígua, capaz de estratégias geniais, mas que também demonstra enorme instabilidade emocional diante de desastres, como a lendária derrota em Waterloo. Além disso, a importância de Josephine é bastante minimizada, num retrato muito superficial da imperatriz. Os críticos franceses odiaram – chamaram o filme de “Barbie e Ken sob o Império”, indicando a artificialidade nas representações dos protagonistas, além de francófobo. Os críticos anglófilos acharam mais satisfatório. Basicamente, os 62% de aprovação no Rotten Tomatoes devem-se ao visual das batalhas. São seis ao todo, só que as mais de duas horas e meia de projeção garantem muitas cenas apressadas e cheias de imprecisões históricas entre elas. Vale lembrar que Scott ameaça lançar uma versão do diretor com quatro horas. Ó PAÍ, Ó 2 A aguardada continuação do filme de 2007, estrelado por Lázaro Ramos, traz de volta os personagens icônicos e o mundo colorido do Pelourinho, em Salvador. Quinze anos após os eventos originais, o longa reencontra o personagem Roque (Ramos) gravando uma música que ele acredita ser o próximo sucesso do verão. Contudo, a trama sobre uma guinada para um desafio comunitário: o bar de Neuzão (Tânia Tôko), um local querido e central para os moradores do cortiço, foi vendido para um comerciante devido a dívidas acumuladas. Com isso, Roque e outros moradores do cortiço – incluindo Yolanda (Lyu Arisson), Reginaldo (Érico Brás), Maria (Valdineia Soriano) e mãe Raimunda (Cássia Vale) – se mobilizam para organizar um evento em homenagem a Yemanjá, com o objetivo de arrecadar fundos suficientes para saldar as dívidas do bar e recuperá-lo. Paralelamente, Dona Joana (Luciana Souza), ainda atordoada pela perda de seus filhos Cosme e Damião, vagueia pelo Pelourinho, trazendo para casa jovens em situação de rua, num retrato da dor das mães pretas diante das tragédias urbanas. Ao contrário do primeiro longa que tinha uma atmosfera mais festiva, a continuação adota um tom mais sério e reflexivo, abordando temas como a luta coletiva, a resistência e os desafios enfrentados pela comunidade afro-brasileira. Equilibrando momentos de humor com uma análise crítica da realidade vivida pelos personagens, o filme de Viviane Ferreira (“O Dia de Jerusa”) representa um amadurecimento da narrativa original, misturando comédia com comentários sociais relevantes. Só que, ao ir além do entretenimento, “O Pai, Ó 2” provoca desafetos. Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro lançaram uma campanha de boicote, sua terceira iniciativa do gênero contra o cinema brasileiro – curiosamente, todas visando obras protagonizadas por negros. “Marighella”, de Wagner Moura, virou a maior bilheteria brasileira de 2021, enquanto “Medida Provisória”, dirigido pelo próprio Lázaro Ramos, tornou-se a quarta maior bilheteria nacional do ano passado. Lançado uma semana antes em Salvador, “O Pai, Ó 2” esgotou todas suas sessões de pré-estreia na capital baiana. NÃO TEM VOLTA A comédia de ação brasileira coloca o romance de Manu Gavassi (“Maldivas”) e Rafael Infante (“Vai que Cola”) à prova de maneiras extremas. Após o término do relacionamento, Henrique (Infante), incapaz de superar a separação, contrata uma empresa de assassinos de aluguel para tirar sua própria vida. Contudo, as coisas tomam um rumo inesperado quando Gabriela (Gavassi) retorna e deseja reatar o namoro, levando Henrique a uma corrida contra o tempo para cancelar o contrato que assinou. Dirigido por César Rodrigues (“Lulli”) e escrito por Fernando Ceylão (“Dissonantes”), o filme mistura comédia, romance, ação e drama de uma forma que se destaca entre as comédias brasileiras, com bônus para a química entre Gavassi e Infante, ponto forte do filme. Ela interpreta uma mulher independente e focada em sua carreira, enquanto ele traz à vida um personagem que, apesar de suas falhas e inseguranças, evolui ao longo da trama. O humor não abusa de piadas forçadas, e as cenas de ação são bem integradas à história. Mas não se pode dizer que seja uma obra totalmente original. Cinéfilos devem lembrar da premissa muito parecida da comédia clássica francesa “Fabulosas Aventuras de um Playboy”, estrelada por Jean Paul Belmondo e Ursula Andress em 1965. O PEQUENO CORPO A estreia da diretora Laura Samani apresenta uma jornada emocionante e mística no nordeste da Itália no início do século 20. A protagonista Agata, interpretada pela impressionante Celeste Cescutti, enfrenta uma tragédia pessoal quando seu filho nasce morto. Dominada pelo desespero e contra os desejos do marido, Agata descobre uma igreja distante que, segundo rumores, pode conceder um fôlego de vida ao seu filho para um batismo salvador. Determinada, ela inicia uma jornada arriscada, enfrentando adversidades e encontrando personagens desafiadores, incluindo um homem trans que se torna seu companheiro de viagem. A narrativa mergulha em temas de folclore e misticismo, entrelaçados com a influência do catolicismo na região. A obra explora conceitos como redenção, superstição e autonomia feminina, tudo ambientado em um cenário marcado por tonalidades terrosas e uma abordagem de realismo mágico. O trabalho rendeu reconhecimento para Samani no prêmio David di Donatello (o Oscar italiano), como Melhor Diretora Estreante, e na premiação da Academia Europeia, como Descoberta da Crítica. CULPA E DESEJO A cineasta Catherine Breillat (“Uma Relação Delicada”) retorna ao cinema após uma década, ainda disposta a desafiar tabus e convenções sociais. Seu novo filme é uma versão francesa do premiado thriller dinamarquês “Rainha de Copas” (2019) e se concentra em Anne (Léa Drucker), uma advogada bem-sucedida especializada em casos de abuso sexual, que vive com seu marido rico (Olivier Rabourdin) e suas filhas adotivas gêmeas em uma casa idílica nos arredores de Paris. A chegada de Théo (Samuel Kircher), filho adolescente de um casamento anterior do marido, após ser expulso da escola, desencadeia uma tensão sedutora na casa, que evoluiu para algo proibido. Ela se envolve em um caso ilícito com o jovem problemático, ameaçando o refúgio burguês que construiu para si mesma. A adaptação tem uma abordagem mais sutil e reflexiva que os trabalhos mais polêmicos da diretora. Ainda assim, evita o moralismo convencional e o melodrama do filme original, não rotulando claramente nenhum dos personagens como vilão pedófilo ou vítima infantil desprovida de consentimento. Breillat opta por cenas de sexo mais longas e com closes nos rostos, destacando a linha tênue entre racionalidade e luxúria. A performance de Drucker é central para o filme, retratando Anne como uma mulher complexa, que oscila entre múltiplos aspectos de sua personalidade, e se torna aquilo contra o qual ela lutou profissionalmente. A obra é marcada por escolhas estilísticas que refletem a dualidade da personagem principal, incluindo a trilha sonora, com faixas de Kim Gordon, ex-integrante do Sonic Youth, que criam a imagem de uma mulher desafiadora. Embora esses elementos estabeleçam parcialmente o comportamento de Anne, o filme se destaca não apenas pelo seu tema provocativo, mas também pela maneira como explora a ambiguidade moral, as complexidades do desejo e do autoengano. DE VOLTA A CÓRSEGA A diretora e roteirista francesa Catherine Corsini, conhecida por seus dramas focados em personagens femininas, conta a história de uma mulher negra, Khedidja (interpretada por Aissatou Diallo Sagna), e suas duas filhas, Jessica (Suzy Bemba) e Farah (Esther Gohourou), que retornam à Córsega após eventos traumáticos do passado. A narrativa, ambientada em paisagens deslumbrantes, acompanha a chegada da família na ilha, onde Khedidja assume um emprego de verão como babá para um casal rico, interpretado por Virginie Ledoyen e Denis Podalydès. A trama se desenrola em torno dos desafios e descobertas das três mulheres da família. Jessica, agora uma jovem de 18 anos, se destaca nos estudos e recebe uma oferta para estudar em Paris, enquanto Farah, aos 15 anos, revela-se uma adolescente rebelde e hedonista. Ela se envolve em um conflito com um jovem racista na praia e adota uma postura vingativa que traz consequências inesperadas. Mas Jessica também arranja problemas, ao desenvolver uma relação sexual com Gaia (Lomane de Dietrich), a filha teimosa e independente dos empregadores de sua mãe. Para complicar, tensões emergem à medida que Jessica descobre mais sobre a história familiar, ocultações e mentiras de Khedidja, resultando em conflitos intensos entre mãe e filhas. A obra lida com temas como identidade, pertencimento e preconceitos enfrentados pelas mulheres negras na sociedade francesa, mas sem fazer disso o foco central da narrativa. Em vez disso, mostra uma família tentando superar uma perda e reconciliar-se com erros do passado, com um olhar introspectivo sobre suas lutas internas e os laços familiares, enriquecido pela bela cinematografia que realça a beleza natural da Córsega. MEU NOVO BRINQUEDO Remake da comédia francesa “Le Joet” de 1976, cuja história é mais conhecida por outro remake, o americano “O Brinquedo” (1982) com Richard Pryor, o filme conta a história de um Sami, vigia noturno pobre (interpretado por Jamel Debbouze), que muda completamente de vida quando é escolhido pelo filho de seu chefe, o homem mais rico da França (Daniel Auteuil), como seu novo “brinquedo” de aniversário. Ele aceita essa situação humilhante por necessidade financeira, já que sua esposa está grávida e enfrenta o desemprego. O filme explora temas como dignidade humana e a moralidade de vender-se pelo melhor preço, refletindo assim um aspecto político e social frequentemente presente no cinema francês, mesmo em comédias. O diretor James Huth (“Luke Lucky”) junta na produção dois dos atores mais renomados do cinema francês recente, Daniel Auteuil (“Belle Époque”) e Jamel Debbouze (“Asterix nos Jogos Olímpicos”), e também introduz reflexões sobre o impacto das mídias sociais na construção da imagem pública, um elemento moderno que diferencia o remake das versões anteriores. CASAMENTO GREGO 3 A comédia escrita, dirigida e estrelada por Nia Vardalos continua a saga da família Portokalos, iniciada com o sucesso surpreendente de “Meu Casamento Grego” há duas décadas. Neste terceiro filme, Toula (Vardalos) e sua família enfrentam a perda do patriarca Gus (Michael Constantine), e em sua homenagem viajam para a Grécia para visitar sua cidade natal. Ao longo da trama, são introduzidos diversos pequenos conflitos familiares, que rapidamente se resolvem, enquanto Toula, outrora o foco da franquia, se vê relegada a um papel secundário entre os demais Portokalos – incluindo a nova geração representada por sua filha, Paris (Elena Kampouris). Além de atuar, Vardalos assume pela primeira vez a direção da franquia, mas falha em manter a coesão narrativa e o charme do filme original – a produção independente mais-bem sucedida de todos os tempos. Embora tente explorar temas de união familiar e herança cultural, acaba se perdendo em clichês e soluções simplistas para...
Novo “Jogos Vorazes” supera “As Marvels” no Brasil
“Jogos Vorazes: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes” foi o filme mais visto no Brasil durante o fim de semana. O prólogo da franquia “Jogos Vorazes” estreou em 1º lugar nas bilheterias com uma arrecadação de R$ 9,9 milhões. Mas como teve uma estreia antecipada na quarta-feira, o longa já acumula um total de R$ 15,2 no mercado nacional. Com isso, “As Marvels” caiu para o 2º lugar, arrecadando R$ 3,6 milhões. Em dois fins de semana, a nova produção do Marvel Studios soma um total de R$ 17,3 no país. O Top 5 se completou com o terror “Five Nights at Freddy’s”, a animação “Trolls 3 – Juntos Novamente” e o documentário “Taylor Swift: The Eras Tour”, que arrecadaram, respectivamente, R$ 2 milhões, R$ 1,1 milhão e R$ 535 mil.
Soy Rebelde Tour | RBD homenageia Marília Mendonça e grava documentário no último show no Brasil
O RBD gravou um documentário durante o último show no Brasil, realizado no domingo no Alliaz Parque, em São Paulo. A ocasião contou com a volta de Anahí, que tinha se ausentado do show anterior devido a uma infecção nos rins, além de incluir uma homenagem à Marília Mendonça. Dulce Maria, que se apresentou usando botas inspiradas pela bandeira brasileira, que lhe foram presenteadas pela cantora Joelma, dedicou a música “No Pares” para Marília, a quem chamou de amiga. A cantora mexicana participou de uma das últimas parcerias musicais de Marília, “Amigos con Derechos”, lançada em 2021. A mexicana lembrou no palco que Marília aprendeu espanhol pelo RBD. “Ela era uma de nós”, disse, lembrando que ela era fã declarada da banda. Para ilustrar isso, prints de mensagens publicadas por Marília nas redes sociais mencionando o RBD foram projetados no telão do show. Após a apresentação, Dulce apontou para o céu e puxou o coro de “Marília, Marilia”, acompanhada pelo público que lotou o estádio.
Estreias | Cinemas recebem novo “Jogos Vorazes”
O feriadão desta quarta (15/11) antecipou a principal estreia de cinema da semana. “Jogos Vorazes: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes” domina o circuito amplo, não apenas por chegar um dia antes, mas por o resto da programação ter apenas documentários. São seis filmes do gênero, cinco deles brasileiros, lançados de forma limitada em cinemas de arte. Confira abaixo a lista completa das novidades. JOGOS VORAZES: A CANTIGA DOS PÁSSAROS E DAS SERPENTES O “Malévola” de “Jogos Vorazes” é um prólogo centrado na trajetória inicial de Coriolanus Snow, que mais tarde se torna o presidente tirânico de Panem. Interpretado por Tom Blyth (da série “A Idade Dourada”), o jovem Snow é apresentado como um estudante de uma família outrora influente, mas agora empobrecida. Ele é encarregado de ser mentor de Lucy Gray Baird, uma tributo do Distrito 12 (o mesmo de Katniss), vivida por Rachel Zegler (“Amor, Sublime Amor”). Ambientada numa época em que os Jogos Vorazes ainda estão se estabelecendo como um instrumento de opressão do Capitólio, a trama explora as origens do evento e o início da ascensão de Snow ao poder. Dirigido por Francis Lawrence e escrito por Michael Arndt, veteranos da franquia, o filme detalha o desenvolvimento moral de Snow, entre a sua ambição e seu senso de moralidade. A dinâmica entre Snow e Lucy Gray evolui durante os Jogos, com Snow reconhecendo o potencial dos Jogos como ferramenta política e espetáculo manipulador. A narrativa é enriquecida por personagens secundários marcantes, como a Dra. Volumnia Gaul, interpretada por Viola Davis (“A Mulher Rei”), uma personificação da crueldade e manipulação do regime de Panem, o reitor de universidade Dean Casca Highbottom, vivido por Peter Dinklage (“Game of Thrones”) e responsável por uma dinâmica complexa com Snow, além de Jason Schwartzman (“Fargo”), que acrescenta uma camada de humor negro como Lucretius “Lucky” Flickerman, o apresentador dos Jogos, um antepassado do personagem de Stanley Tucci nos filmes anteriores. Apesar dos seus elementos visuais e atuações destacadas, “A Canção dos Pássaros e das Serpentes” dividiu a crítica dos EUA, atingindo apenas 59% de aprovação, devido à duração excessiva (2h37) e por falhar em fornecer insights profundos sobre questões morais e políticas. O filme tenta balancear a violência dos Jogos com um drama político, mas acaba não atingindo plenamente esses objetivos. Além disso, introduz várias cenas de música, particularmente em torno do personagem de Lucy Gray Baird, aproveitando o talento vocal de Rachel Zegler, que prolongam demais a produção. O uso da música é um aspecto distintivo deste filme em comparação com os filmes anteriores, que se concentravam mais na ação. INCOMPATÍVEL COM A VIDA Vencedor do Festival É Tudo Verdade, o documentário dirigido por Eliza Capai (“Espero Tua (Re)volta”) explora uma temática profundamente pessoal e sensível: a perda gestacional e as complexidades do aborto em casos de má formação fetal. A obra nasce da experiência pessoal da diretora, que, durante uma gravidez na pandemia, descobriu que seu filho tinha uma má formação incompatível com a vida. Este ponto de partida leva Capai a uma jornada de autoexposição e exploração de histórias similares de outras mulheres, abordando a dor, o luto e as implicações sociais e legais dessas situações. O filme se destaca por sua abordagem íntima e crua, onde Capai não apenas compartilha sua própria experiência, mas também se conecta com outras mulheres que enfrentaram perdas gestacionais. Através de entrevistas e relatos pessoais, o documentário traça um panorama de como essas experiências afetam diversas mulheres, independentemente de suas origens ou crenças, criando um diálogo abrangente e inclusivo sobre um tema frequentemente marginalizado e tabu na sociedade conservadora. VAI E VEM O filme é um diálogo cinematográfico entre Fernanda Pessoa (“Zona Árida”) e Chica Barbosa (“Madrigal for a Living Poet”), duas cineastas que, durante a pandemia de Covid-19, decidiram trocar videocartas. A obra é marcada por uma forte influência feminista, inspirada no trabalho de diretoras experimentais latino-americanas, incluindo nomes como Paula Gaitán e Barbara Hammer, e se desenrola como uma série de impressões sobre a condição feminina, entrelaçadas com reflexões políticas e pessoais. As diretoras, uma baseada em São Paulo e a outra em Los Angeles, utilizam a correspondência para explorar temas como masculinidade tóxica, o negacionismo e a política de extrema-direita em seus respectivos países, Brasil e Estados Unidos, na época sob a liderança de Jair Bolsonaro e Donald Trump. O documentário não se limita apenas ao intercâmbio entre Pessoa e Barbosa, mas também incorpora perspectivas de outras mulheres, como a sogra progressista de Pessoa no Paraná e as amigas mexicano-americanas de Barbosa, que enfrentam os dilemas culturais vividos pela própria diretora como uma estrangeira nos EUA. Estas narrativas são entrelaçadas com eventos políticos significativos, como as eleições municipais de São Paulo e a campanha presidencial dos EUA em 2020, numa cronologia que vai dos primeiros meses da pandemia até uma fase mais relaxada. “Vai e Vem” se destaca por sua abordagem não convencional, rejeitando a lógica tradicional dos documentários e optando por uma conversa movida pela inquietação e pela busca por transformações. O resultado é um mosaico de texturas, cromatismos e sobreposições, refletindo a pulsante dinâmica da correspondência entre as duas cineastas. ATO FINAL O tema do documentário é a violência contra as mulheres e o feminicídio. Suas protagonistas estão mortas e suas histórias são encenadas num palco por três atrizes (Janine Correa, Sabrina Feu e Sara Nichio). Paralelamente, um grupo de sobreviventes compartilha suas próprias histórias de luta contra a violência doméstica. A diretora Roberta Fernandes, que também é jornalista e vencedora do Grande Prêmio Canal Brasil de Curtas 2018 com “Se Você Contar”, sobre o mesmo tema, busca provocar reflexão sobre a condescendência social em relação à violência doméstica e as amarras psicológicas das relações abusivas. CAFI Dirigido por Lírio Ferreira (“Árido Movie”) e Natara Ney (“Elza Infinita”), o documentário apresenta a trajetória de Carlos da Silva Assunção Filho, conhecido como Cafi, um influente fotógrafo e artista plástico pernambucano. Nascido em Recife e criado no Rio de Janeiro, Cafi se destacou no cenário cultural brasileiro, especialmente na música, ao criar mais de 300 capas de discos icônicas, incluindo a do álbum “Clube da Esquina”. O filme, um road movie documental, acompanha Cafi em reencontros com amigos e colegas de profissão, como Alceu Valença, Jards Macalé, Ronaldo Bastos, Deborah Colker, entre outros, explorando sua visão artística e a influência de sua obra. A narrativa do documentário se aprofunda na paixão de Cafi pela fotografia e sua habilidade em capturar a essência dos movimentos culturais e contraculturais brasileiros. O filme destaca momentos significativos de sua carreira, como a criação da capa do álbum “Clube da Esquina”, que se tornou um marco na história da música brasileira. Além disso, revela detalhes sobre a fundação do grupo de produção cultural “Nuvem Cigana” e a co-fundação da galeria de artes do Circo Voador, “Galera das Artes”, evidenciando sua contribuição multifacetada para a cultura brasileira. “Cafi” foi reconhecido internacionalmente, recebendo o prêmio de melhor documentário no Los Angeles Brazilian Film Festival. Mais que um filme, a obra também celebra a carreira de Cafi, que faleceu em 2019, deixando um legado inestimável na história cultural do Brasil. NELSON PEREIRA DOS SANTOS – VIDA DE CINEMA O documentário homenageia a vida e a obra de um dos mais influentes cineastas brasileiros, Nelson Pereira dos Santos, conhecido como o pai intelectual do Cinema Novo. Dirigido por Aída Marques e Ivelise Ferreira, viúva do cineasta, o filme traça um panorama da carreira de Nelson, desde suas primeiras incursões no cinema até suas obras mais maduras. A narrativa segue uma progressão cronológica, começando com relatos do próprio Nelson sobre seu nascimento em São Paulo, sua formação na França, e os bastidores de suas produções mais significativas, como “Rio, 40 Graus” (1955) e “Vidas Secas” (1963). O documentário destaca a habilidade de Nelson em capturar o espírito de sua época e sua constante busca por diálogo com as tendências e fenômenos cinematográficos. A produção se destaca por sua abordagem informativa, privilegiando depoimentos do próprio Nelson Pereira dos Santos ao longo dos anos. A montagem, assinada por Luiz Guimarães de Castro, cria uma interlocução entre diferentes períodos da vida do cineasta, mesclando imagens de diferentes épocas. Além disso, traz contribuições de outras personalidades do cinema brasileiro, como Grande Otelo e Jece Valadão, através de materiais de arquivo, enriquecendo a narrativa com histórias dos bastidores de obras famosas. Também são abordados o contexto político das obras, como a censura sofrida por “Rio, 40 Graus” e a sombra de tempos turbulentos sobre as adaptações de Graciliano Ramos, “Vidas Secas” e “Memórias do Cárcere” (1984). O doc apresenta sua filmografia como um reflexo da cultura e das realidades brasileiras, servindo de entrada ao universo criativo e pessoal de um artista essencial para a compreensão do cinema brasileiro no século 20. SAMSARA – A JORNADA DA ALMA O filme do espanhol Lois Patiño (“Lua Vermella”) desafia as fronteiras entre documentário e ficção, oferecendo uma jornada espiritual e introspectiva. A narrativa começa em Laos, onde um jovem budista, Amid (Amid Keomany), lê o “Bardo Thödol”, ou “O Livro Tibetano dos Mortos”, para uma mulher idosa em seus últimos dias. Este ato prepara a mulher para a transição através do Bardo, um estado liminar entre as encarnações. A obra segue Amid em suas interações com um grupo de jovens monges e explora a fusão do sagrado com o mundano, como o uso de smartphones e a apreciação do rap pelos monges. Já a segunda parte do filme ocorre em Zanzibar, na Tanzânia, e segue a jovem muçulmana Juwairiya (Juwairiya Idrisa Uwesu) e sua interação com um cabrito recém-nascido, Neema. Patiño utiliza a mesma abordagem contemplativa para capturar a vida cotidiana de Juwairiya e sua comunidade, mantendo o foco na meditação sobre os ciclos da vida e da morte. Com uma narrativa não convencional, enfatizando a experiência sensorial, o filme chega a convidar os espectadores a fechar os olhos e experimentar uma jornada metafísica através de cores e vibrações percebidas pelas pálpebras fechadas. Acabou ganhando um prêmio especial no Festival de Berlim deste ano.
Bilheteria | “As Marvels” é filme mais visto do fim de semana no Brasil
A estreia de “As Marvels” no Brasil refletiu o desempenho do filme nos EUA, com um 1º lugar nas bilheterias, mas uma arrecadação abaixo do esperado. Entre quinta-feira e domingo (12/11), o filme somou R$ 9 milhões, atraindo 413 mil espectadores, conforme dados da Comscore. Este resultado, embora represente a liderança no mercado brasileiro, destaca-se por ser um dos piores para um lançamento do Marvel Studios, e foi obtido na base da falta de regulação na distribuição de filmes do país. Sem cota de tela vigente, metade de todos os cinemas do Brasil colocaram o filme em cartaz. Sem esse domínio nos EUA, os números foram os mais baixos da História do estúdio. A recepção morna do público e a arrecadação modesta indicam uma recepção menos entusiástica do que o usual para filmes do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU), contrariando as expectativas pelo histórico de sucesso de bilheteria de seus predecessores. O resto da bilheteria Após duas semanas de liderança, “Five Nights At Freddy’s – O Pesadelo sem Fim”, caiu para o 2º lugar, com R$ 4,56 milhões e 229 mil espectadores, enquanto o documentário “Taylor Swift: The Eras Tour” ficou com o 3º lugar, com uma renda de R$ 1,94 milhão e um público de 45 mil pessoas. “Trolls 3 – Juntos Novamente” e “Assassinos da Lua das Flores” completam o Top 5 com arrecadação de R$ 1,35 milhão e R$ 790 mil respectivamente. Já consagrado como filme brasileiro de maior bilheteria em 2023, “Mussum, O Filmis” aparece logo em seguida, em 6º lugar. Os cinemas brasileiros arrecadaram, ao todo, R$ 20,88 milhões e receberam um público de 884 mil espectadores no último fim de semana prolongado.
Bilheteria | “As Marvels” marca pior estreia da Marvel nos EUA
“As Marvels” passou longe de ser uma maravilha nas bilheterias dos EUA e Canadá. Em sua estreia neste fim de semana, o filme que juntou três heroínas do MCU (Universo Cinematográfico da Marvel) arrecadou penas US$ 47 milhões. Trata-se da pior abertura doméstica de uma produção do Marvel Studios em todos os tempos, num contraste notável com o sucesso estrondoso que o estúdio desfrutava até o ano passado. Enquanto a era de ouro do MCU costumava render estreias com mais de US$ 100 milhões nos EUA, “As Marvels” precisou de todo o mercado internacional para atingir a marca, somando mais US$ 63,3 milhões de 51 territórios. Ao todo, o filme orçado em US$ 200 milhões arrecadou US$ 110,3 milhões globalmente em seus primeiros dias de exibição. Antes de “As Marvels”, a pior abertura doméstica do MCU tinha sido “O Incrível Hulk” (US$ 55,4 milhões) em 2008, seguido por “Homem-Formiga” (US$ 57,2 milhões) em 2015. “As Marvels” conseguiu ter pior desempenho, destacando-se com um recorde negativo entre os 33 filmes do MCU. A greve dos atores dos EUA teve um papel significativo na limitação da promoção do filme, impedindo o elenco, incluindo Brie Larson, de participarem ativamente da divulgação. Mas as críticas não ajudaram. O longa dividiu opiniões e atingiu apenas 62% de aprovação no Rotten Tomatoes, e isso graças à resenhas positivas de blogueiros geeks. Entre os chamados críticos top (grande imprensa), a avaliação não passou dos 43%. Para completar, o público também igualou a produção aos piores títulos do MCU ao lhe dar nota B no CinemaScore (pesquisa feita na saída dos cinemas dos EUA), a mesma obtida por “Os Eternos” e “Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania”. Agora, o estúdio deve rever sua abordagem para evitar desastres maiores. Na sexta (10/11), dia da estreia do filme nos EUA, a Disney já tinha anunciado o adiamento de várias produções da Marvel, deixando apenas um lançamento do estúdio para o próximo ano: “Deadpool 3”. O resto do Top 5 Entre os demais filmes em cartaz, a adaptação do vídeogame “Five Nights at Freddy’s” manteve uma presença forte nas bilheterias. Em seu terceiro fim de semana, o terror arrecadou US$ 9 milhões de 3.624 cinemas, elevando seu total doméstico para US$ 127,2 milhões e o total global para US$ 251,9 milhões. Em 3º lugar, “Taylor Swift: Eras Tour” continuou a atrair os fãs da cantora. O documentário arrecadou aproximadamente US$ 6 milhões de 2.848 locais, acumulando quase US$ 173 milhões só nos EUA e US$ 240,9 milhões mundiais. A cinebiografia “Priscilla”, de Sofia Coppola, atingiu o 4º lugar com a ampliação de seu circuito, faturando US$ 4,8 milhões em 2.361 cinemas. Seu total doméstico é de US$ 12,7 milhões. Inédito no Brasil, o filme que rendeu o prêmio de Melhor Atriz para Cailee Spaeny no Festival de Veneza só vai chegar por aqui em 4 de janeiro. O Top 5 se completa com “Assassinos da Lua das Flores”, de Martin Scorsese, que arrecadou mais US$ 4,7 milhões de 3.357 cinemas, totalizando US$ 60 milhões na América do Norte e US$ $137,1 milhões no mundo todo. Trailers Confira abaixo os trailers dos 5 filmes mais vistos nos EUA e Canadá no fim de semana. 1 | AS MARVELS 2 | FIVE NIGHTS AT FREDDY’S – O PESADELO SEM FIM 3 | TAYLOR SWIFT: THE ERAS TOUR 4 | PRISCILLA 5 | ASSASSINOS DA LUA DAS FLORES
Beyoncé divulga novo trailer do filme de sua turnê
Beyoncé divulgou nesta quinta (9/11) um novo trailer do filme sobre a Renaissance World Tour. Desta vez o foco é o espetáculo visual das apresentações, com muitas performances de palco, em contraste com a primeira prévia, que mostrava mais os bastidores da produção. Um detalhe que chama a atenção no vídeo, publicado pela cantora em seu canal do YouTube, é a frase que ela fala ao final: “Eu espero que vocês se sintam libertados. Mas a Renaissance não acabou”. Isso animou fãs brasileiros, que ainda torcem para que ela retoma a turnê com shows no país em 2024. Há rumores de planos neste sentido. Fim oficial da turnê Beyoncé encerrou a turnê em 1 de outubro sem realizar nenhuma apresentação no Brasil. Portanto, até confirmação em contrário, o filme será a única forma dos fãs brasileiros verem os shows, que teve estimativa de faturamento de US$ 560 milhões em vendas de ingressos. A estreia de “Renaissance: A Film By Beyoncé” vai acontecer em 1º de dezembro, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.
“Five Nights at Freddy’s” supera Taylor Swift e Mussum nos cinemas brasileiras
A liderança das bilheterias de cinema do Brasil permaneceu com “Five Nights at Freddy’s” pelo segundo fim de semana consecutivo. O terror baseado em videogame arrecadou R$ 12,69 milhões e foi visto por 646 mil pessoas entre quinta-feira e domingo (5/11), segundo dados da consultoria Comscore. Em 2º lugar, ficou a estreia do documentário de show “Taylor Swift: The Eras Tour”, que faturou R$ 4,99 milhões e atraiu 113 mil espectadores. A animação “Trolls 3 – Juntos Novamente” fechou o pódio com renda de R$ 3,99 milhões. “Assassinos da Lua das Flores”, de Martin Scorsese, fez mais R$ 2 milhões e ficou em 4º, à frente da estreia de “Mussum, O Filmis”, que faturou R$ 1,99 milhão e registrou público de 93 mil pessoas. Ao todo, os cinemas somaram R$ 32,71 milhões de bilheteria e 1,44 milhão de espectadores no fim de semana no Brasil.
Bilheteria | “Five Nights at Freddy’s” mantém liderança nos EUA
O terror sem sangue “Five Nights at Freddy’s” manteve a liderança das bilheterias nos EUA pela segunda semana consecutiva, favorecido pela greve dos atores dos EUA. Inicialmente, o fim de semana seria marcado pela estreia de “Duna: Parte Dois”, mas a proibição de promoções por parte dos atores, devido à greve, fez com que este lançamento fosse adiado para 2024. A Legendary Pictures, detentora da franquia “Duna”, entende que o elenco, que inclui Zendaya e Timothée Chalamet, é crucial para promover seu lançamento. Sem rivais de peso, “Five Nights at Freddy’s” arrecadou US$ 19,4 milhões, marcando uma queda assustadora de 76% em relação à semana de estreia, graças à disponibilidade simultânea do filme na plataforma Peacock. Mesmo assim, a adaptação do videogame ultrapassou a marca de US$ 100 milhões em menos de 10 dias. No exterior, onde está disponível apenas nos cinemas, o filme fez expressivos US$ 35,6 milhões, acumulando globalmente US$ 217,1 milhões, um retorno considerável para uma produção de orçamento modesto – custou “apenas” US$ 20 milhões. Com isso, “Five Nights at Freddy’s” tornou-se o segundo título de horror de 2023 a ultrapassar a arrecadação de US$ 200 milhões, seguindo “A Freira 2”, que acumula US$ 265,9 milhões. Outros destaques da bilheteria A arrecadação de “Taylor Swift: Eras Tour” também continua a impressionar. Em 2º lugar, acumulando mais US$ 13 milhões neste fim de semana, o documentário mais visto de todos os tempos já rendeu US$ 165 milhões na América do Norte e US$ 231 milhões mundiais. Em 3º lugar, “Assassinos da Lua das Flores”, de Martin Scorsese, arrecadou US$ 7 milhões, totalizando uma receita doméstica de US$ 52,3 milhões após três fins de semana. O drama de época, que é uma grande aposta para a temporada de premiações, soma US$ 119 milhões mundiais, mas seu custo foi de US$ 200 milhões (fora despesas de P&A – cópias e publicidade). A biografia de Priscilla Presley dirigida por Sofia Coppola, “Priscilla”, ficou com o 4º lugar ao arrecadar US$ 5,1 milhões, após expansão de seu lançamento limitado para o circuito mais amplo de cinemas em todo o país. Exibida em 1.344 cinemas, bem menos que os demais títulos em cartaz, a produção superou as expectativas da indústria e foi vista majoritariamente por um público jovem e feminino. Apesar do lançamento nos EUA, a produção do estúdio independente A24 ainda vai demorar dois meses para chegar no Brasil – em 4 de janeiro. Finalizando o Top 5 na América do Norte, a dramédia mexicana “Radical”, estrelada e produzida por Eugenio Derbez (“Não Aceitamos Devoluções”), teve uma estreia de US$ 2,7 milhões em somente 419 cinemas. “Radical” chegou aos EUA após se consagrar como sucesso de bilheteria no México, onde virou um dos filmes mais bem-sucedidos da era pós-pandêmica, com mais de US$ 5 milhões em vendas locais de ingressos, segundo os produtores. Não há previsão de estreia no Brasil. Fracassos da semana A estreia de “O que Acontece Depois”, que marca a volta de Meg Ryan (“Sintonia do Amor”) às comédias românticas, foi um dos fracassos da semana. Sem conseguir atrair um grande público, o filme sobre o reencontro inesperado de um casal de ex-namorados num aeroporto, abriu na 9ª posição com uma receita de US$ 1,5 milhão, proveniente de 1.492 salas de cinema. A produção também não tem previsão para chegar aos cinemas brasileiros. Outro novo lançamento, o thriller psicológico “A Filha do Rei do Pântano” – que já passou pelo Brasil – , teve um desempenho ainda pior. O thriller estrelado por Daisy Ridley (“Star Wars: A Ascensão Skywalker”), no papel da filha de um sequestrador que foge da prisão, abriu na 12ª posição, com uma receita desanimadora de US$ 820 mil em 1.055 locais. Trailers Confira abaixo os trailers dos 5 filmes mais vistos nos EUA e Canadá no fim de semana. 1 | FIVE NIGHTS AT FREDDY’S – O PESADELO SEM FIM 2 | TAYLOR SWIFT: THE ERAS TOUR 3 | ASSASSINOS DA LUA DAS FLORES 4 | PRISCILLA 5 | RADICAL











