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    Sônia Braga e Aquarius são premiados no Festival de Mar del Plata

    29 de novembro de 2016 /

    O filme “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho, recebeu dois prêmios no Festival de Mar del Plata, um dos mais importantes da América do Sul. O longa que gira em torno da resistência da moradora de um prédio, que se recusa a vender seu apartamento para um empreendimento imobiliário, venceu o Prêmio do Público e rendeu à Sônia Braga o troféu de Melhor Atriz. Conhecido pela série “House of Cards”, Mahershala Ali foi consagrado como Melhor Ator por seu desempenho no drama indie americano “Moonlight”. Mas o grande vencedor do prêmio internacional do festival foi “People That Are Not Me”, filme de estreia da diretora israelense Hadas Ben Aroya. O cinema brasileiro ainda se sagrou vencedor na competição latino-americana: “Martírio”, de Vincent Carelli, Tatiana Almeida e Ernesto De Carvalho, ganhou como Melhor Filme. O documentário, que já havia sido premiado no Festival de Brasília deste ano, reflete a violência sofrida pela tribo Guarani Kaiowá, uma das maiores populações indígenas do Brasil atual e que habita as terras do centro-oeste brasileiro. Uma coprodução entre Brasil, Argentina e Portugal, “El Auge del Humano”, dirigida pelo argentino Eduardo Williams, ainda recebou o Prêmio Especial do Júri. Vencedores do Festival Mar del Plata 2016 Competição Internacional Melhor Filme People That Are Not Me, de Hadas Ben Aroya Melhor Diretor Radu Jude, por Scarred Hearts Menção Especial por Melhor Fotografia Nocturama – Bertrand Bonello Melhor Ator Mahershala Ali (Moonlight) Melhor Atriz Sonia Braga (Aquarius) Melhor Roteiro Andreí Konchalovsky e Elena Kiseleva (Paradise) Prêmio do Público Aquarius, de Kleber Mendonça Filho Prêmio da Crítica de Melhor Filme Argentino Balloons, de Mariano González Competição Latino-Americana Melhor Filme Martírio, de Vincent Carelli, Tatiana Almeida e Ernesto de Carvalho Melhor Curta-Metragem Aire quemado – Yamil Quintana Prêmio Especial do Júri El Auge del Humano, de Eduardo Williams Competição Argentina Melhor Filme El aprendiz – Tomas De Leone Melhor Diretor Lukas Valenta Rinner, for A Decent Woman. Melhor Curta-Metragem Murciélagos – Felipe Ramírez Vilches Melhor Diretor de Curta-Metragem Mariano Cócolo, for Al silencio

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    Sam Mendes e Steven Spielberg desistem de filmar polêmico livro voyeur de Gay Talese

    26 de novembro de 2016 /

    O diretor Sam Mendes (“007 Contra Spectre”) e o produtor Steven Spielberg (“Ponte dos Espiões”) desistiram de adaptar o livro “The Voyeur’s Motel”, do célebre escritor Gay Talese (“A Mulher do Próximo”, “Honra Teu Pai”). Segundo o site Deadline, o motivo foi a produção de um documentário sobre os fatos supostamente reais relatados na obra. Mas a história do livro já tinha sido desautorizada pelo próprio autor. “The Voyeur’s Motel” tem sido uma causa interminável de polêmicas desde que o primeiro trecho foi publicado na revista New Yorker, causando ultraje. Nele, Talese conta a história de Gerald Foos, o homem que decidiu comprar e gerenciar um motel no Colorado em 1966 para satisfazer seu voyeurismo, assistindo a seus hóspedes fazerem sexo e descrevendo os atos num diário mantido até 1995. Só que ele acabou vendo bem mais que isso – como, por exemplo, um assassinato, que suas próprias ações precipitaram. O furor causado pela revelação da história fez a produtora DreamWorks, de Spielberg, adquirir os direitos da obra por cerca de US$ 1 milhão, antes mesmo do livro chegar às livrarias. Mas logo o jornal The Washington Post começou a encontrar furos na história, revelando que pelo menos parte do relato de Foos tinha sido inventado. Diante do questionamento de sua fonte, Talese resolveu renegar a obra, assumindo-se enganado pelo homem que ele transformou em protagonista, cujos relatos foram tidos como verdadeiros. Em comunicado, Talese afirmou, de forma dramática, que não ajudará a promover seu livro. “Eu não deveria ter acreditado no que ele me contou”, escreveu. “Como posso promovê-lo, quando sua credibilidade está no esgoto?” Como se não bastasse esse problema, dois documentaristas, Myles Kane e Josh Koury (de “Journey to Planet X”), já estavam de olho na polêmica, tendo entrevista Talese e Foos antes do livro virar projeto de filme. Sam Mendes viu o trabalho que eles realizaram e decidiu jogar a toalha, lamentado o tempo perdido. “O que sobrou disso, foi um relacionamento muito bom com uma jovem roteirista (Krysty Wilson-Cairns), que se mostrou extremamente talentosa e promissora. Ela fez um grande trabalho, o que torna tudo ainda mais frustrante, porque sentimos que desperdiçamos nosso tempo. Foi uma situação muito, muito incomum, que nenhum de nós poderia ter antecipado”, disse Mendes ao Deadline. “Ninguém nos informou sobre o documentário”, lamentou o diretor. “Ninguém disse à DreamWorks, ninguém me disse. E ele estava acontecendo todo esse tempo. Eles trabalharam no documentário durante pelo menos um ano antes da publicação do livro, e esta é uma das razões porque é um trabalho tão forte. Mas ninguém nunca nos informou, simples assim, o que é frustrante. É difícil falar sobre isso sem lamentar que o documentário seja tão maravilhoso, ao questionar quem realmente é o voyeur: Gerald Foos, que comprou o motel, ou Gay Talese, que escreveu sobre isso com muitos detalhes para milhões de leitores?” “O livro que compramos não é em absoluto a versão definitiva da história como garantia ser. Para contar a história completa, real, com autenticidade, seria preciso envolver o time do documentário, que é realmente parte da história”, ele continuou. “Talvez isso rendesse um filme até mais interessante, mas não era o roteiro que fizemos e nem seria algo fácil de fazer numa estrutura narrativa de ficção, algo meio ao estilo de Charlie Kaufman. Mais importante que isso, o próprio documentário já lidava com estas questões de forma muito bem definitiva. Achei brilhante o trabalho deles, tão bom que matou nosso filme”.

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    Animais Fantásticos e Onde Habitam domina os cinemas em semana com muitas opções

    17 de novembro de 2016 /

    A programação desta quinta-feira (17/11) registra nada menos que 13 estreias nos cinemas. Mas parece que há só uma, “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, que monopoliza as salas dos shopping centers. A Warner já tinha definido que a produção seria um sucesso antes do lançamento, planejando nada menos que cinco filmes na franquia, e para confirmar tratou de colocá-la no maior número possível de cinemas, de modo a garantir uma grande bilheteria. Nos EUA, chega em mais de 4 mil salas. O Brasil mal possui 3 mil salas em todo seu território. Com a estreia, é possível ver porque o estúdio estava tão confiante. “Animais Fantásticos e Onde Habitam” é belíssimo, com efeitos visuais de encher os olhos, e possui uma trama mais sombria que as prévias permitiam ver. Trata-se de entretenimento de qualidade, capaz de agradar até aos críticos mais exigentes – 83% de aprovação no Rotten Tomatoes. Mas o que não faltam são boas alternativas. O circuito limitado até parece uma mostra de cinema nesta semana, com diversas produções do circuito dos festivais, algumas inclusive “adiantadas” na Mostra de São Paulo e no Festival do Rio. O principal destaque é “Elle”, volta do holandês Paul Verhoeven ao suspense sexual, 24 anos após o icônico “Instinto Selvagem” (1992). Exibido no Festival de Cannes, o filme chocou sensibilidades com cenas fortes do estupro de Isabelle Huppert, mas também superou expectativas com sua narrativa complexa. O fato de ser uma porrada não impediu a França de escolhê-lo como seu representante na busca por uma indicação no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Também exibido em Cannes, “Depois da Tempestade” é o novo melodrama do japonês Hirokazu Koreeda. Assim como o premiado “Pais e Filhos” (2013), o filme lida com problemas de relacionamento entre, bem, pais e filhos. Desta vez, porém, a família já surge separada pelo divórcio e a desilusão. O título alude ao evento capaz de permitir uma espécie de reconciliação, além de evidenciar uma metáfora. Outro lançamento japonês, “Creepy” marca a volta de Kiyoshi Kurosawa aos temas sombrios, especialmente ao clima de seu clássico de terror “A Cura” (1997). Mas, ainda que tenha rendido o prêmio de Melhor Direção no festival canadense Fantasia, a história muito lenta do vizinho estranho, que pode ou não ser um psicopata, tem poucas novidades (veja-se “Paranóia”). Mais intrigante, “As Confissões”, do italiano Roberto Andò, gira em torno da morte misteriosa do representante de uma potência econômica durante um encontro do G8 (os oito países mais ricos do mundo), e o monge que, horas antes, ouviu sua última confissão. Com excelente elenco internacional, liderado por Toni Servillo (“A Grande Beleza”), Daniel Auteuil (“Caché”), Connie Nielsen (“Ninfomaníaca”), Lambert Wilson (“Homens e Deuses”) e Togo Igawa (“47 Ronins”), foi premiado no Festival de Karlovy Vary. A produção internacional mais fraca da semana vem, claro, de Hollywood. O western “Um Estado de Liberdade” foi um dos maiores fracassos do ano nos EUA. Custou US$ 50 milhões e rendeu apenas US$ 20,8 milhões, apesar de estrelado por Matthew McConaughey (vencedor do Oscar por “Clube de Compra Dallas”). A história do fazendeiro branco bonzinho que luta para libertar escravos negros simplesmente não desceu bem com o público que, em 2016, também teve acesso a “O Nascimento de uma Nação”. Os demais lançamentos, nada menos que sete longa-metragens, são produções nacionais. Mais impressionante ainda é o fato de nenhum deles ser comédia. “BR 716” foi o grande vencedor do Festival de Gramado. Dirigido pelo veterano Domingos de Oliveira em preto e branco, o drama resgata memórias de juventude, na véspera do golpe militar de 1964. O título se refere ao endereço do prédio na rua Barata Ribeiro, em que Oliveira morava no Rio, enquanto sonhava em virar escritor ou cineasta, e de onde se despediu com uma grande festa, no dia em que o Brasil virou uma ditadura. O bom elenco inclui Caio Blat (“Califórnia”) como alter-ego do cineasta, Sophie Charlotte (“Reza a Lenda”), Pedro Cardoso (série “Grande Família”) e Maria Ribeiro (“Tropa de Elite”) “Sob Pressão” lembra mais o piloto de uma série. Por sinal, o diretor Andrucha Waddington tem feito muita TV, entre um e outro “O Penetras”. A trama de episódio de série médica acompanha o fim de um plantão num hospital público, em que chegam ao mesmo tempo e gravemente feridos um bandido, um policial e uma criança, e a equipe precisa decidir quem salvar primeiro, nas condições precárias da unidade hospitalar de periferia. O elenco destaca Julio Andrade (“Gonzaga: De Pai pra Filho”), premiado como Melhor Ator no Festival do Rio. Por coincidência, ele ainda estrela outro lançamento, “Maresia”, pelo qual também foi premiado em 2016, desta vez no Festival Cine Ceará. No longa de Marcos Guttmann (Melhor Diretor no Cine Ceará), Julio vive dois personagens, tanto um expert em pinturas quanto o alvo de sua obsessão, um pintor que morreu afogado há 50 anos. O surgimento de uma pintura desconhecida e um antigo amigo do morto fazem com que o especialista questione tudo o que sabia sobre o artista. Com o menor orçamento da semana (R$ 180 mil), “O Amor de Catarina” tem como chamariz a popularidade da humorista youtuber Kéfera Buchmann (“É Fada”), que estreia em tom dramático, entre muitas lágrimas e caretas infelizes. No filme metalinguístico de Gil Baroni (“Cantoras do Rádio – O Filme”), ela vive a estrela de uma novela, que sofre de amores diante do olhar de Rose (Greice Barros, mais conhecida do teatro), uma mulher que parece não fazer mais nada na vida além de ver TV e que, claro, está sendo traída pelo marido. A programação ainda inclui, em circuito limitadíssimo, três documentários: “Coragem”, sobre um músico brasileiro que sai da favela para o mundo erudito internacional, “Marias”, sobre a adoração à Santa Maria em diferentes culturas latinas, e “O Mestre e o Divino”, sobre um padre e um índio que se tornaram cineastas para registrar o cotidiano de uma aldeia xavante. Este último foi premiado como Melhor Documentário no Festival de Brasília em 2013. Clique nos títulos de cada filme para ver seus trailers.

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    Steve Carell vai estrelar filme de Robert Zemeckis baseado em documentário premiado

    16 de novembro de 2016 /

    Enquanto promove o lançamento de “Aliados”, o diretor Robert Zemeckis já prepara novo filme. Assim como fez em “A Travessia” (2015), ele irá adaptar uma história que fez sucesso como documentário. Trata-se de uma adaptação de “Marwencol” (2010), premiado em vários festivais, que, segundo o site The Wrap, será estrelada por Steve Carell. “Marwencol” conta a história de Mark Hogancamp, que, após agredido por vários homens em um bar, entra em coma e, ao despertar, percebe ter perdido totalmente a memória, esquecendo a família e os amigos. Para recuperar as lembranças, ele constrói uma maquete em miniatura de uma cidade belga chamada Marwencol, durante a 2ª Guerra Mundial. Dentro da maquete ficam bonecos representando os familiares e amigos próximos, e Mark passa a viver em suas histórias fictícias. A adaptação será intitulada “The Women of Marwen” e terá roteiro de Caroline Thompson (“Edward Mãos de Tesoura”). Com produção da Universal Pictures, o longa ainda não tem data para estrear nos cinemas.

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  • Cinema Novo
    Filme

    Cinema Novo faz ensaio-poesia sobre o movimento mais famoso do cinema brasileiro

    11 de novembro de 2016 /

    A opção de Eryk Rocha de fazer de “Cinema Novo” um documentário em formato de ensaio-poesia, em vez de um filme mais convencional e informativo, é compreensível, inclusive dentro da curta duração – cerca de uma hora e meia. Para se contar a história do Cinema Novo em um projeto audiovisual, o ideal seria mesmo uma minissérie para a televisão com mais tempo disponível. Mas mesmo aceitando a proposta, a falta de identificação nas imagens utilizadas – qual é tal filme em tal cena mostrada – não deixa de ser problemática. O resultado privilegia a edição e a força das imagens de grandes obras – algumas pouco conhecidas do grande público – , mas deve sua existência principalmente aos depoimentos de arquivo da época (anos 1960 e 1970), de cineastas (Nelson Pereira dos Santos, Cacá Diegues, Joaquim Pedro de Andrade, Glauber Rocha, Leon Hirszman, Arnaldo Jabor, Ruy Guerra e vários outros) que comentam direto do túnel do tempo. Não há depoimentos novos, o que torna o trabalho do filho de Glauber Rocha diferente e interessante. Um dos problemas do filme, premiado no Festival de Cannes deste ano, está no fato de que, se exibido para uma plateia que desconhece totalmente o movimento original, pode até despertar desinteresse. Mas, para quem conhece um pouco, permite rever sequências lindas, como as de “A Falecida”, “Vidas Secas”, “Rio, Zona Norte”, “Terra em Transe”, “Macunaíma”, além de filmes que não são necessariamente do Cinema Novo, mas pioneiros do próprio cinema brasileiro, como “Limite”, de Mário Peixoto, e o trabalho de Humberto Mauro. O que importa é que Eryk, enquanto deixa o público intrigado com certas cenas de filmes menos conhecidos, não deixa dúvidas a respeito da grandeza de nosso cinema. Ele pontua tudo de forma mais ou menos organizada em blocos temáticos, e procura emular o clima de tensão que surge a partir dos eventos políticos ocorridos no Brasil durante o Golpe militar, através de um som e de uma montagem inteligentes. Ainda assim, acaba parecendo estranho quando, no final, entre os créditos de diversos cineastas envolvidos com o Cinema Novo, surge o nome de Walter Hugo Khouri, que não era muito bem-visto pelo movimento e considerado basicamente alienado, distante dos interesses sociais e de natureza revolucionária de Glauber, Diegues e cia. De todo modo, há tanta gente boa envolvida nesse que é o maior movimento cinematográfico da América Latina, que a vontade de ver e rever os filmes apresentados é grande. A admiração que já temos por cineastas como Leon Hirszman e Joaquim Pedro de Andrade, por exemplo, só aumentam, diante de seus depoimentos e trechos de filmes. Há também algo que faz com que “Cinema Novo” dialogue muito bem com o momento atual em que estamos vivendo, tanto do ponto de vista político, como no que se refere à baixa audiência de público para o cinema brasileiro (que importa). Uma cena em particular mostra Diegues e Jabor debatendo sobre a dificuldade de atingir o grande público, que até hoje continua resistente ao tipo de filmes que eles faziam. Mas, ao ver, por exemplo, um trecho de “Terra em Transe”, clássico do pai de Eryck, com dois personagens recitando suas falas de forma poética e teatral, percebe-se o porquê de esses filmes não lotarem salas. O cinema brasileiro dessa época só chegaria nas massas na década de 1970, com o advento das pornochanchadas. Mas isso já é outra história e de outra turma, que seria até bem mais divertida de ser vista em um filme-ensaio desse tipo.

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    Estreias: Doutor Estranho tem o maior lançamento, mas há outros destaques na programação

    3 de novembro de 2016 /

    Maior estreia da semana, “Doutor Estranho” ocupa os shoppings com um novo super-herói da Marvel, numa história repleta de efeitos visuais e elenco acima da média do gênero, liderado por Benedict Cumberbatch. O filme conquistou a crítica internacional – 91% de aprovação no site Rotten Tomatoes – , mas o mais surpreendente é a forma como incorporou e traduziu a psicodelia dos desenhos originais de Steve Ditko na linguagem dos blockbusters modernos. O fato de a Marvel fazer um filme sobre uma criação da fase hippie da editora também diz muito sobre a confiança, a capacidade e o status de seu estúdio, numa lição de como criar franquias e expandir um universo cinematográfico com personagens considerados “estranhos”. Há dois outros filmes hollywoodianos na programação. “A Luz Entre Oceanos” é um melodrama rasgado, baseado num best-seller. O elenco também é ótimo, e pelo menos para o casal central foi um trabalho prazeroso – Michael Fassbender e Alicia Vikander começaram a namorar durante as filmagens. Eles interpretam um casal num farol isolado, que encontra um bebê num barco à deriva e, depois de cuidar da menina por vários anos, descobre a verdadeira mãe (Rachel Weisz), que acredita ter pedido a filha no mar. Segue-se então o embate entre Fassbender, moralmente compelido a contar a verdade, e Vikander, para quem a criança é sua filha de verdade. A trama é de partir o coração, mas também digna de telenovela. Com 59% de aprovação da crítica americana, naufragou nas bilheterias dos EUA, dando prejuízo com apenas US$ 12 milhões de arrecadação. “Indignação” rendeu ainda menos em circuito bastante restrito. Mas conquistou a crítica, com 81% de aprovação. Drama de época baseado no livro homônimo de Philip Roth (“Revelações”), marca a estreia na direção do roteirista e produtor James Schamus, grande parceiro do cineasta Ang Lee em filmes como “O Tigre e o Dragão” (2000), “O Segredo de Brokeback Mountain” (2005), “Desejo e Perigo” (2007) e “Aconteceu em Woodstock” (2009). O filme também destaca uma interpretação surpreendente de Logan Lerman, como um jovem judeu de Nova Jersey, que sofre preconceito e enfrenta um clima conservador de repressão sexual ao ingressar numa Universidade nos anos 1950. O lançamento antecede outra aguardada adaptação de Philip Roth neste ano – “Pastoral Americana”. O circuito limitado também contempla os fãs de cinema indie com o relançamento de “Estranhos no Paraíso” (1984), hoje cultuadíssimo como pioneiro da revolução estética trazida pelos filmes independentes americanos. Em preto e branco e inspirado na nouvelle vague, venceu a Câmera de Ouro no Festival de Cannes como Melhor Filme de Estreia de 1984, o Leopardo de Ouro do Festival de Locarno, o prêmio de Melhor Filme da Sociedade Nacional dos Críticos dos EUA e o Prêmio Especial do Juri do Festival de Sundance. Clássico absoluto, na época parecia muito moderno. A programação internacional inclui ainda o alemão “13 Minutos”, segundo filme do cineasta Oliver Hirschbiegel (“A Queda! As Últimas Horas de Hitler”) a tratar do nazismo. Baseado em fatos reais, o longa mostra a iniciativa de um trabalhador comum alemão (Christian Friedel, de “A Fita Branca”), que cansado dos absurdos do nazismo decide traçar um plano para assassinar Hitler. Considerado traidor, o carpinteiro Georg Elser foi preso após tentar explodir o Führer, mas só executado quando a Alemanha considerava ter perdido a guerra, por ordem direta do ditador. Apenas em 2011, com a inauguração de uma estátua em sua homenagem em Berlim, ele passou a ser festejado como herói da Alemanha. A outra metade da programação (cinco filmes) é composta por filmes brasileiros – que, entretanto, não ocupam a metade (nem um décimo) das salas destinadas aos lançamentos internacionais. São duas ficções, das quais se destaca “Canção da Volta”, estreia do documentarista Gustavo Rosa de Moura nas narrativas dramáticas. No filme, ele dirige sua esposa, a também cineasta Marina Person – Moura foi um dos produtores de “Califórnia” (2015), dirigido por ela. Alçada pela primeira vez ao posto de protagonista, Marina vive uma mulher depressiva, que, após tentar o suicídio, desperta um sentimento de vigília constante no marido (João Miguel), logo transformado em paranoia e obsessão. Já “Intruso” parece um vídeo amador de terror espírita. Trata-se de um trabalho feito em 2009 por Paulo Fontenele, que chega aos cinemas só depois do diretor ter se “consagrado” no gênero besteirol, assinando “Se Puder… Dirija!” (2013), “Divã a 2” (2015) e “Apaixonados: O Filme” (2016). Pensando bem, estes também podem ser definidos como horrores. Completam a programação três documentários. O menos expressivo é “Cícero Dias, O Compadre de Picasso”, trabalho bastante didático sobre o pintor pernambucano modernista do título. Mas os outros dois tiveram até repercussão internacional. “Curumim” acompanha os últimos dias de Marcos “Curumim” Archer, brasileiro executado na Indonésia por tráfico de drogas. O longa é intenso, com imagens gravadas clandestinamente no corredor da morte pelo próprio Archer, graças ao contrabando de um celular para a prisão. Tudo feito sem nenhum apoio da embaixada do Brasil na Indonésia, que não ajudou o cineasta Marcos Prado (“Paraísos Artificiais”) nem a falar com Marcos. A première mundial aconteceu sob aplausos na mostra Panorama, do Festival de Berlim. Por fim, “Cinema Novo” é um olhar afetivo para o movimento cinematográfico do título, realizado pelo filho de seu maior expoente. Eryck Rocha tinha apenas três anos de idade quando seu pai, Glauber Rocha, morreu em 1981, e a obra permite um reencontro cinematográfico entre os dois. O documentário é um jorro contínuo de imagens, em que se destaca uma montagem vertiginosa, que intercala cenas de filmes, imagens e depoimentos da época. Não chega a contar uma história, mas forma um painel tangível da geração que levou o cinema brasileiro para as ruas, para as praças e descobriu a realidade do país – dos problemas urbanos à crise rural. A experiência é impressionista, mas também pode ser chamada de impressionante. Já em sua première, “Cinema Novo” venceu o prêmio Olho de Ouro (L’Oeil d’Or) como o Melhor Documentário do Festival de Cannes de 2016. O filme também foi escolhido para abrir o Festival de Brasília.

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    Menino 23 vai disputar uma vaga na categoria de Melhor Documentário do Oscar 2017

    29 de outubro de 2016 /

    O Brasil vai tentar uma vaga na disputa de Melhor Documentário do Oscar 2017 com “Menino 23 – Infâncias Perdidas no Brasil”, dirigido por Belisário Franca. O filme entrou na lista de inscritos para o prêmio. “Menino 23 – Infâncias Perdidas no Brasil” acompanha as investigações sobre tijolos marcados com suásticas nazistas, encontrados no interior do Brasil, e revela a história de meninos órfãos e negros, vítimas de um projeto criminoso de eugenia. Ele concorrerá com outros 144 títulos para as cinco vagas da categoria, que, ao contrário de outros prêmios, não distingue produções de língua inglesa de outras de “língua estrangeira”. A primeira peneira da categoria selecionará 15 documentários finalistas em dezembro, dos quais sairão os cinco indicados da categoria, que serão anunciados no dia 24 de janeiro. No ano passado, a estatueta ficou com “Amy”, documentário sobre a vida da cantora britânica Amy Winehouse, dirigido por Asif Kapadia, mesmo cineasta que retratou a vida de Ayrton Senna em 2010. Neste ano, há candidatos fortes como “A 13ª Emenda”, filme da diretora Ava DuVernay sobre o sistema carcerário dos Estados Unidos, e “A Voyage of Time: Life’s Journey”, de Terrence Malick, que já concorreu ao Oscar com os longas “A Árvore da Vida” (2011) e “Além da Linha Vermelha” (1998). Outros fortes concorrentes são “Weiner”, que levou o prêmio do júri no Festival de Sundance, “I Am Not Your Negro”, estrelado por Samuel L. Jackson e premiado pelo público do Festival de Toronto, além do francês “Bright Lights: Starring Carrie Fisher and Debbie Reynolds”, sobre a relação da intérprete da Princesa Leia e sua mãe famosa, que estrelou “Cantando na Chuva” (1952).

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    Michael Moore lança documentário surpresa contra Donald Trump

    18 de outubro de 2016 /

    Michael Moore aproveitou a polêmica envolvendo Donald Trump para anunciar, de surpresa, a exibição de um documentário sobre os republicanos de Ohio, região onde o candidato republicado às eleições presidenciais dos Estados Unidos é mais forte. Intitulado “Michael Moore in TrumpLand”, a produção terá pré-estreia na noite desta terça-feira (18/10) no IFC Center, em Nova York. “E aí, Nova York? Quem quer dar uma olhada no que eu tenho feito? Terça, 9:30pm, no IFC Center. Os ingressos gratuitos e serão distribuídos por ordem de chegada a partir das 8:30pm”, divulgou o diretor em sua conta no Twitter. Descrito pelo próprio Moore como o filme que os republicanos de Ohio tentaram derrubar, “Michael Moore in TrumpLand” mostra o documentarista em uma região hostil do país para ele, fazendo piadas sobre Donald Trump. Em 2004, Moore venceu a Palma de Ouro do Festival de Cannes com “Fahrenheit 9/11”. Sucesso mundial, o documentário questionava as motivações suspeitas da Guerra do Iraque, numa época em que a mídia se recusava a questionar as mentiras do presidente George W. Bush.

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    A 13ª Emenda: Documentário da diretora de Selma sobre racismo do sistema prisional ganha trailer

    13 de outubro de 2016 /

    A Netflix divulgou o trailer legendado de “A 13ª Emenda”, documentário sobre o racismo do sistema prisional americano dirigido pela cineasta Ava DuVernay (“Selma”). O documentário usa como título a 13ª emenda da Constituição dos EUA, que acabou com a escravidão no país em 1865, para argumentar que o escravismo ainda está vivo no encarceramento em massa, que afeta desproporcionalmente os negros. Enquanto os homens negros representam cerca de 6,6% da população americana, atualmente equivalem a 40,2% da lotação carcerária. Usando imagens de televisão, músicas e entrevistas com acadêmicos, políticos e ex-prisioneiros, a diretora Ava DuVernay descortina o preconceito que alimento o gueto prisional, que remonta aos linchamentos, à repressão aos direitos civis, às leis que sugerem parar e revistar quem parece ter “comportamento criminoso” e ao surto atual de mortes de negros desarmados pelas mãos da polícia. O filme teve première no dia 30 de setembro no Festival de Nova York e chegou ao Netflix no fim de semana.

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    Supersonic: Cena do documentário mostra criação do primeiro hit da banda Oasis

    9 de outubro de 2016 /

    A A24 divulgou uma cena de “Supersonic”, documentário sobre a banda Oasis, produzido pelo cineasta Asif Kapadia, diretor do premiado “Amy” (2015). A prévia traz Noel Gallagher contando como criou a música que dá título ao filme e que também foi o primeiro hit da banda, enquanto cenas mostram shows e o clipe da canção. Repleta de imagens raras, que revivem a era de ouro do Britpop, o filme vai mostrar o lado brincalhão e a seriedade musical com que a banda encarou sua ascensão nos anos 1990, além das brigas e o comportamento destrutivo que levou à sua dissolução, concentrando a história nos dois irmãos que sempre estiveram à sua frente, Liam e Noel Gallagher. O filme tem direção de Mat Whitecross, que, após se consagrar com o premiado documentário político “O Caminho para Guantánamo” (2006), estreou na ficção com dois dramas de temática roqueira, “Sex & Drugs & Rock & Roll” (2010), cinebiografia do cantor Ian Dury, e “Spike Island” (2012), homenagem à banda Stone Roses. A estreia está marcada para sexta-feira (14/10) no Reino Unido.

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    Veja o trailer do novo documentário da banda 30 Seconds to Mars dirigido por Jared Leto

    2 de outubro de 2016 /

    A banda 30 Seconds to Mars divulgou, em sua página oficial no YouTube, o primeiro trailer de “Camp Mars: The Concert Film”, um documentário sobre um acampamento/show da banda em 2015, dirigido pelo ator Jared Leto (“Esquadrão Suicida”), que é o cantor do grupo. A prévia mostra a locação campestre e o público animado, que chega para passar três noites num evento descrito como “acampamento de verão” para adultos. Dois dos shows noturnos foram gravados para a produção do vídeo, que ainda destaca a interação da banda com os fãs fora do palco, a participação de DJs, as trilhas para caminhadas, etc. A ideia é que o acampamento se torne uma tradição anual, reunindo a banda com seus fãs de uma forma mais íntima que a permitida pelos grandes festivais de rock. A estreia do filme vai acontecer em 9 de outubro numa plataforma de streaming mais obscura, chamada de VyRT e criada por Leto em 2011.

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    Leonardo DiCaprio alerta o mundo sobre os perigos da mudança climática em trailer de documentário

    29 de setembro de 2016 /

    A National Geographic divulgou o pôster e o trailer do documentário “Before the Flood”, em que Leonardo DiCaprio roda o mundo, fala com autoridades e cientistas, e tenta aumentar a conscientização sobre a importância de discutir a mudança climática que afeta o planeta. Quem acompanha a carreira do ator sabe que ele é um ativista dedicado à causa do meio ambiente. Este nem é seu primeiro envolvimento num documentário sobre o tema. Mas é o que mostra mais fôlego, ao levá-lo ao Ártico para testemunhar in loco o derretimento da calota polar e acompanhar seu testemunho sobre o que viu na ONU, diante de delegações de vários países. Graças a sua popularidade, ele também é capaz de ser recebido pelo Papa Francisco e o Presidente dos EUA Barack Obama para registrar seus depoimentos sobre a questão. Além de ser narrador e condutor do filme, ele também mostra fôlego como entrevistador, e ainda divide a produção com o cineasta Martin Scorsese. A direção, por sua vez, é de Fisher Stevens, documentarista vencedor do Oscar em 2010 por “The Cove”, que já abordava a depredação do meio ambiente. A estreia vai acontecer em 21 de outubro nos EUA e ainda não há previsão para o lançamento no Brasil.  

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  • Curumim
    Filme

    Curumim: Documentário sobre brasileiro executado na Indonésia ganha trailer impactante

    29 de setembro de 2016 /

    O documentário “Curumim” teve seu pôster e trailer divulgados. O filme acompanha os últimos dias de Marcos “Curumim” Archer, brasileiro executado na Indonésia por tráfico de drogas. A prévia é intensa, com imagens gravadas clandestinamente no corredor da morte pelo próprio Archer, e com entrevistas, encenação e imagens de arquivo, que recriam a trajetória do amigo dos amigos das festas cariocas, fuzilado na Ásia em janeiro do ano passado. Preso em 2003, Archer foi quem fez contato com o diretor Marcos Prado (“Paraísos Artificiais”) para pedir que ele filmasse sua história, “como um diário do corredor da morte”. Os dois se conheciam desde a juventude. Desde então, foram mais de 80 horas de conversas gravadas por telefone e imagens captadas graças ao contrabando de um celular para a prisão. Tudo feito sem nenhum apoio da embaixada do Brasil na Indonésia, que não ajudou o cineasta nem para falar com Marcos. Exibido sob aplausos na mostra Panorama, do Festival de Berlim, o filme estreia no Brasil em 3 de novembro.

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