Novos filmes das franquias Kingsman e Lego são as estreias mais amplas da semana
As estreias mais amplas da semana são duas franquias hollywoodianas focadas em explosões e diversão, mas os shoppings ainda dão espaço para um novo besteirol nacional. Todos são descartáveis. Já o filme que salva a programação chega em apenas 11 salas em todo o país. Clique nos títulos em destaque para ver os trailer de todos os lançamentos e saiba um pouco mais sobre cada um deles no resumão abaixo. “Kingsman: O Círculo Dourado” lidera a programação de entretenimento, levando a 830 telas a continuação de “Kingsman: Serviço Secreto” (2010). O filme abriu em 1º lugar nos Estados Unidos no fim de semana passado, mas a crítica não se entusiasmou tanto, com 50% de aprovação no site Rotten Tomatoes, bem menos que os 74% obtidos pelo primeiro filme. Novamente dirigida por Matthew Vaughn, a adaptação dos quadrinhos volta a trazer Taron Egerton no papel do jovem Gary ‘Eggsy’ Unwin, que agora é um agente secreto britânico totalmente treinado. O que vem a calhar após a vilã vivida por Julianne Moore (“Jogos Vorazes: A Esperança”) destruir a sede e quase toda a organização Kingsman. Ele se junta aos poucos agentes sobreviventes e, com ajuda dos “primos americanos”, reforça-se para contra-atacar a nova ameaça e, assim, salvar o mundo mais uma vez. O elenco traz de volta Mark Strong e Colin Firth, e introduz os personagens americanos vividos por Channing Tatum (“Magic Mike”), Halle Berry (série “Extant”), Pedro Pascal (série “Narcos”) e Jeff Bridges (“O Sétimo Filho”). A animação “Lego Ninjago – O filme” também chegou aos cinemas americanos na semana passada, mas teve um desempenho decepcionante, abrindo em 3º lugar e com faturamento abaixo do esperado. Para completar, a crítica também o considerou o mais fraco da brincadeira Lego, com 51% de aprovação no Rotten Tomatoes – medíocre, na comparação com os 96% da primeira “Aventura Lego” (2014) e os 91% do “Lego Batman” (2017). A trama é um mistura de referências japonesas, chinesas e americanas, em que um grupo de ninjas adolescentes parecem Power Rangers. O destaque é o relacionamento entre Lord Gagmadon, um vilão que planeja dominar o mundo, e seu filho Lloyd, um dos ninjas do bem. Mas há espaço para robôs, monstros gigantes e um velho sensei do kung fu. Em 275 salas, “Duas de Mim” segue a tendência recente de besteiróis que parecem filmes antigos da Sessões da Tarde. A trama gira em torno de Suryellen, vivida por Thalita Carauta (do humorístico “Zorra”), que dá um duro danado para sustentar a família. Com dois empregos e o trabalho doméstico, ela deseja poder se dividir em duas. E eis que o milagre acontece, na forma de um clone. Logo, Suryellen começa a compartilhar as tarefas com a sua cópia, que possui uma personalidade completamente diferente. Claro que não vai dar certo. Uma curiosidade é que o filme marca a estreia do cantor Latino como ator de cinema. Ele vive um colega de trabalho da protagonista que, nas horas de folga, vira cover… do cantor Latino. O filme também marca a estreia da diretora da Globo Cininha de Paula (“Escolinha do Professor Raimundo”) no cinema. O terror “Sono Mortal” ocupa um circuito intermediário, em 50 salas. A trama gira em torno de uma mulher que sonha com uma bruxa que quer matá-la enquanto dorme. Ou seja, “A Hora do Pesadelo” (1984) com uma mulher-criatura de terror japonês no lugar de Freddy Krueger. Quem teve essa ideia original foi o criador da franquia “Premonição”, o roteirista Jeffrey Reddick. Tenha medo e fuja, pois rendeu míseros 17% de aprovação no site Rotten Tomatoes. O circuito limitado traz um documentário e dois filmes europeus. A comédia “Amor, Paris, Cinema” é escrita, dirigida e estrelada por Arnaud Viard (“Paris Pode Esperar”), que desempenha o papel de si mesmo, durante um bloqueio criativo para escrever e filmar seu segundo longa-metragem. Metalinguagem datada, lançada nos cinemas franceses em 2015. Melhor da semana, “O Fantasma da Sicília” é o segundo longa da dupla italiana Fabio Grassadonia e Antonio Piazza após o excelente “Salvo” (2013), e foi premiado no Festival de Sundance 2017. Narrado sob a ótica de uma garotinha, embute uma fantasia de contos de fada à dura realidade do rapto de um menino pela máfia. A história brutal é baseado em fatos reais, mas a filmagem é sobrenatural. Brilhante. Por fim, o documentário “Exodus – De Onde Vim Não Existe Mais” acompanha histórias dramáticas de seis refugiados de diferentes partes do mundo, com narração de Wagner Moura (“Narcos”). Coprodução entre Brasil e Alemanha, o filme tem roteiro e direção de Hank Levine (produtor de “Cidade de Deus”, “Lixo Extraordinário” e “Praia do Futuro”, entre outros), e produção de Fernando Sapelli e Fernando Meirelles (“Cidade de Deus”).
Exodus: Trailer de documentário narrado por Wagner Moura acompanha drama de refugiados
A O2 Play divulgou fotos e o trailer do documentário “Exodus – De Onde Eu Vim Não Existe Mais”, que acompanha histórias dramáticas de seis refugiados de diferentes partes do mundo, com narração de Wagner Moura (“Narcos”). Coprodução entre Brasil e Alemanha, o filme tem roteiro e direção de Hank Levine (produtor de “Cidade de Deus”, “Lixo Extraordinário” e “Praia do Futuro”, entre outros), e produção de Fernando Sapelli e Fernando Meirelles (“Cidade de Deus”). “A pesquisa para o documentário Exodus, foi iniciada em 2008, quando fiz uma viagem ao continente africano, visitando o Senegal para fazer um documentário sobre os senegaleses e outros africanos que estavam embarcando em barcos clandestinos. Voltei ao Brasil e compartilhei minhas experiências com meus companheiros da O2 e foi daí que nasceu o interesse em fazer um documentário sobre um assunto, que naquela época ainda era menos agudo do que hoje em dia. A ideia era fazer um documentário que abraça a dimensão global desse assunto”, explicou levine em comunicado. As filmagens passaram por diversos países como Sudão do Sul, Argélia, Congo, Mianmar, Cuba, Brasil e Alemanha e duraram cerca de dois anos. Exibido na Mostra de São Paulo do ano passado, o longa estreia comercialmente em 28 de setembro.
Rogéria (1943 – 2017)
Morreu a atriz Rogéria, o primeiro travesti a fazer sucesso na TV nacional, que se definia como “o travesti da família brasileira”. Ela vinha lutando contra uma infecção desde julho, sendo internada algumas vezes. Voltou ao hospital nesta segunda (4/9) no Rio de Janeiro, onde veio a falecer poucos horas após a internação, aos 74 anos. Seu nome artístico surgiu em um concurso de fantasias de Carnaval onde se apresentou como Rogério em 1964. Ao final do show, a plateia a ovacionou aos gritos de Rogéria. A partir daí, nunca mais usou o nome de batismo, Astolfo Barroso Pinto, a não ser como piada. E era realmente engraçado que Rogéria fosse Astolfo e ainda tivesse Pinto. Ela não tinha papas na língua. Costumava dizer que a cidade em que nasceu em 1943, Cantagalo, no interior do Rio de Janeiro, tinha sido o lar do maior macho do Brasil, Euclides da Conha, e da “maior bicha do Brasil: eu”. Desde sua infância tinha consciência da homossexualidade e na já adolescência virou transformista, buscando uma carreira de maquiadora, enquanto se descabelava aos gritos no auditório da Rádio Nacional, nos programas estrelados pela cantora Emilinha Borba, de quem era fã incondicional. Antes de se tornar famosa, Rogéria trabalhou como maquiadora na TV Rio. Lá, foi incentivada a ingressar no universo das artes cênicas, encontrando sua verdadeira vocação como atriz. Virou vedete de teatro de revista no notório reduto gay de Copacabana, a Galeria Alaska. Mas não se contentou em virar apenas um ícone LGBT+ do Rio. Chegou, inclusive, a ter carreira internacional. Viajou para Angola, Moçambique e seguiu para a Europa. Em Paris, virou estrela de renome graças a sua temporada na boate Carrousel entre os anos de 1971 e 1973. Ao voltar para o Brasil, emplacou filmes da Boca do Lixo, como “O Sexualista” (1975) e “Gugu, o Bom de Cama” (1979), ao mesmo tempo em que ganhou o Troféu Mambembe, conferido pelo Ministério da Cultura aos destaques teatrais do Rio e São Paulo, pelo espetáculo que fez em 1979 ao lado de Grande Otelo. Logo, começou a aparecer na TV. A princípio, como jurada de programas de calouro do Chacrinha. Seus comentários provocantes repercutiram com enorme sucesso entre o público, e assim ela se perpetuou nos programas de auditório por várias décadas, incluindo os comandados por Gilberto Barros e Luciano Huck. Rogéria também fez pequenas participações em novelas e séries de comédia da Globo, aparecendo em “Tieta”, “Sai de Baixo”, “Desejo de Mulher”, “Duas Caras”, “Babilônia”, “A Grande Família” e “Zorra Total”, além de fazer papéis bissextos no cinema, em filmes de diretores importantes e tão diferentes como Eduardo Coutinho (“O Homem que Comprou o Mundo”, 1968), Julio Bressane (“O Gigante da América”, 1978), José Joffily (“A Maldição do Sanpaku”, 1991) e Carla Camurati (“Copacabana”, 2001). No ano passado, ela lançou uma autobiografia intitulada “Rogéria — Uma Mulher e Mais um Pouco”, que comemorou os 50 anos de sua carreira, e participou do documentário “Divinas Divas, sobre as primeiras transformistas famosas do Brasil. Dirigido por Leandra Leal, o filme venceu o prêmio do público do Festival do Rio e do Festival SXSW, nos Estados Unidos. “Rogéria era uma artista maravilhosa. Era mais fácil trabalhar com ela do que com qualquer pessoa. Era só acender a luz que ela brilhava. Ela se dizia a travesti da família brasileira. Ela levava a família brasileira pra ver seus shows. Era sensacional”, lamentou o cartunista Chico Caruso, em depoimento ao jornal O Globo. “Ela abriu as portas para uma geração, ela desde sempre foi vanguarda, revolucionária e acho que é uma perda muito grande”, disse Leandra Leal. “Ela fazia a diferença, ela tinha voz, talento, força. Ela dizia: ‘Eu não levanto bandeira, eu sou a bandeira’. A maior mensagem que ela deixa é viver de acordo com a sua potência”.
O Jardim das Aflições vence o festival Cine PE
O documentário “O Jardim das Aflições” foi o vencedor da 21ª edição do festival Cine PE, premiado como Melhor Filme tanto pelo júri quanto pelo público. Dirigido por Josias Teófilo, o filme sobre o filósofo Olavo de Carvalho chegou a rachar o evento, quando, em maio, sete cineastas anunciaram sua desistência de participar do evento, pedindo a retirada de seus filmes com a alegação de que a seleção deste ano favorecia “um discurso partidário alinhado à direita conservadora e grupos que compactuam e financiaram o golpe ao Estado Democrático de Direito ocorrido no Brasil em 2016”. Eles se referiam ao documentário de Josias Teófilo e ao drama “Real – O Plano por Trás da História”, de Rodrigo Bittencourt, sobre os bastidores da criação do Plano Real, em 1994. Por conta do protesto, o festival, que seria realizado entre os dias 23 e 29 daquele mês, acabou sendo adiado para o fim de junho. E apesar de todo esse ruído, o filme de Teófilo, que aborda a rotina pacata de Carvalho com sua família no interior dos Estados Unidos, venceu três prêmios – o terceiro foi como Melhor Montagem. Os filmes mais premiados, entretanto, foram dramas criminais: “Toro”, de Edu Felistoque, e “O Crime da Gávea”, de André Warwar, ambos com quatro troféus. “Toro” venceu Direção, Roteiro, Ator Coadjuvante (Rodrigo Lampi) e Edição de Som. Trata-se do segundo capítulo de uma trilogia com personagens policiais da série “Bipolar” (2010), desenvolvida pelo mesmo diretor, que se especializou em produções baratas do gênero. “O Crime da Gávea” foi premiado como Melhor Atriz (Simone Spoladore), Atriz Coadjuvante (Aline Fanju), Fotografia e Direção de Arte, e acompanha a investigação de assassinato da mulher de um editor de cinema. O júri oficial do Cine PE foi formado por Emanoel Freitas (ator, diretor artístico, gestor e produtor de eventos), Indaiá Freire (jornalista, produtora cultural, mestra em literatura e cinema), Tony Tramell (jornalista, ativista cultural e assistente de direção), Caio Julio Cesano (Secretário Municipal de Cultura de Londrina, doutor em multimeios, mestre em Comunicação e Mercado), Naura Schneider (atriz, produtora e jornalista) e Vladimir Carvalho (documentarista, cineasta e escritor). Longas Premiados no Cine-PE 2017 Melhor Filme “O Jardim das Aflições” (PE), Josias Teófilo Melhor Direção Edu Felistoque, “Toro” (SP) Melhor Roteiro Edu Felistoque, Julio Meloni, “Toro” (SP) Melhor Ator Mário Bortolotto, “Borrasca” (SP) Melhor Atriz Simone Spoladore, “O Crime da Gávea” (RJ) Melhor Ator Coadjuvante Rodrigo Lampi, “Toro” (SP) Melhor Atriz Coadjuvante Aline Fanju, “O Crime da Gávea” (RJ) Melhor Fotografia Alex Lopes, João Atala, Raul Salas, Natalia Sahlit, Inti Briones, “O Crime da Gávea” (RJ) Melhor Montagem Matheus Bazzo e Daniel Aragão, “O Jardim das Aflições” (PE) Melhor Edição de Som Guilherme Picolo, Lucas Costabile, “Toro” (SP) Melhor Trilha Sonora Nancys Rubias, She Devils, Kumbia Queers, “Los Leones” (MG) Melhor Direção de Arte Lúcia Quental, “O Crime da Gávea” (RJ) Prêmio do Público “O Jardim das Aflições” (PE), Josias Teófilo Prêmio da Crítica “Los Leones” (MG), André Lage
Documentário de Lúcia Veríssimo sobre Os Cariocas vence o festival In-Edit Brasil
O documentário “Eu, Meu Pai e Os Cariocas”, estreia na direção da atriz Lúcia Veríssimo, venceu o prêmio do júri no festival In-Edit Brasil, dedicado a documentários musicais. O longa-metragem conta a história do grupo Os Cariocas, conhecido pelos arranjos vocais refinados, que marcaram desde a era do rádio até a bossa nova. Lúcia Veríssimo é filha de um de seus integrantes originais, o maestro Severino Filho (1928-2016). “Eu, Meu Pai e Os Cariocas” também tinha sido exibido como filme de abertura do festival É Tudo Verdade. Agora, ele entrará no circuito In-Edit de festivais pelo mundo e será apresentado no In-Edit Barcelona. A menção honrosa foi para o documentário “Serguei, O Último Psicodélico”, de Ching Lee e Zahy Tata Pur’gte, sobre o cantor e “maluco beleza” Serguei. O prêmio do público será conhecido na cerimônia de premiação deste sábado. O júri do In-Edit deste ano foi composto pela atriz e diretora Helena Ignez, a jornalista, apresentadora e curadora de música Roberta Martinelli, o cineasta, jornalista e curador Duda Leite e o jornalista Marcelo Costa, editor do Scream & Yell, que também escreve na Pipoca Moderna.
In-Edit Brasil traz documentários musicais a São Paulo
O festival In-Edit Brasil, dedicado a documentários musicais, chega a sua 9ª edição em São Paulo, trazendo do jazz ao punk rock. O convidado internacional do festival é o diretor Don Letts, que vai participar de palestras abertas ao público, além de mostrar dois de seus filmes: “Punk: Attitude” e “Two Sevens Clash (Dread Meets Punk Rockers)”. O segundo filme retrata a trajetória do diretor, acompanhando a lendária banda The Clash e sua combinação de punk e reggae. O evento também vai celebrar os 50 anos da Tropicália, resgatando filmes sobre o famoso movimento musical como os premiados – e já antigos – “Loki – Arnaldo Baptista” (2008) e “Tropicália” (2012). Entre as novidades, o destaque é “Sotaque Elétrico”, que mapeia a evolução da guitarra elétrica no Brasil – incluindo, claro, Lenny Gordin, Sergio Dias e Luis Carlini, pioneiros tropicais do rock. Mas a variedade de opções é tanta que há filmes sobre The Stooges, Nick Cave, Whitney Houston, KLF, John Coltrane, Laibach e a dançarina de flamenco La Chana. O In-Edit Brasil acontece até 25 de junho na capital paulista. Confira a programação completa, com salas e horários, no site oficial. E veja abaixo 10 dicas da Pipoca Moderna para curtir no evento.
Documentário do Sepultura ganha trailer repleto de estrelas do rock pesado
A O2 divulgou o pôster e um novo trailer do documentário da banda Sepultura, que acompanha os músicos no palco, nos bastidores, em viagens, em estúdio e em suas casas. E além do “som pauleira” da banda, também traz depoimentos de lendas vivas do heavy metal, que expressam sua admiração pelos brasileiros. A prévia dá uma palhinha das participações de Lars Ulrich (Metallica), Scott Ian (Anthrax), Dave Ellefson (Megadeath), Phil Anselmo (Pantera) e Corey Taylor (Slipknot). Dirigido por Otávio Juliano (“A Árvore da Vida”), “Sepultura Endurance” foi filmado ao longo de sete anos e rendeu mais de mil horas de imagens captadas. Mesmo assim, não conta com participação ou apoio dos irmãos Cavalera, que inclusive vetaram a utilização de suas músicas, demonstrando como o racha entre os membros foi grave e duradouro. Algumas das faixas proibidas estão entre as mais conhecidas do grupo, como “Roots” e “Attitude”. Na premiére realizada em Los Angeles, trechos em que as duas músicas apareciam, tocadas pela atual formação, foram exibidos sem som. No Brasil, o documentário estreia no dia 14 de junho.
Mulher-Maravilha estreia em mais de mil salas de cinema
“Mulher-Maravilha” é o maior lançamento da semana no Brasil, com uma distribuição em 1,2 mil salas. O longa chega precedido por críticas muito positivas, com 96% de aprovação no Rotten Tomatoes, que o apontam como uma das melhores adaptações de quadrinhos já feitas. Trata-se de uma mudança de percepção gigantesca em relação aos filmes de super-heróis da DC Comics, como “Batman vs. Superman” (2016), que introduziu a heroína. E isto acontece com a primeira superprodução de quadrinhos dirigida por uma mulher neste milênio. Patty Jenkins (do premiado “Monster: Desejo Assassino”) está fazendo História, mas também se destaca o desempenho de Gal Gadot, perfeita no papel. A segunda maior estreia é uma comédia nacional, “Amor.com”, com Ísis Valverde (“Faroeste Caboclo”) e Gil Coelho (“S.O.S.: Mulheres ao Mar 2”), que chega a 336 salas. Seu humor reflete o tema do reality show “As Gostosas e os Geeks”. Na trama, o geek conquista a gostosa, perde a gostosa e tenta reconquistá-la, com o diferencial de que boa parte disso é compartilhado nas redes sociais. Uma história convencional em tempos modernos. O filme marca a estreia solo na direção de Anita Barbosa, que foi diretora assistente de algumas das maiores bilheterias brasileiras do século – como “Se Eu Fosse Você 2” (2009), “De Pernas pro Ar” (2010) e “S.O.S.: Mulheres ao Mar 2” (2015). “As Aventuras de Ozzy” aparece em terceiro. Trata-se de uma animação espanhola sobre cachorros que, mesmo sem o pedigree de “Pets: A Vida Secreta dos Bichos” (2016), mostra que as alternativas no nicho da computação gráfica de bichos falantes estão se aprimorando. A premissa enfoca um dos grandes receios de quem tem cachorrinhos. Quando seus donos precisam viajar, Ozzy é deixado num hotel pet, cuja hospedagem de luxo se revela mera fachada para um regime carcerário, em que os cãozinhos são mal-tratadas e se vêem prisioneiros de ferozes cães de guarda. O drama épico “Z – A Cidade Perdida” completa a lista dos lançamentos de maior alcance. Com grande elenco, encabeçado por Charlie Hunnam (“Rei Arthur: A Lenda da Espada”), Robert Pattinson (“Mapas para as Estrelas”) e Tom Holland (o novo Homem-Aranha do cinema), conta a história do Indiana Jones da vida real, o Coronel Percy Harrison Fawcett (Hunnam), que deixou a carreira militar para se tornar explorador. Obcecado pela Amazônia, o britânico se embrenhou nas matas brasileiras para encontrar uma cidade que ele chamava de “Z” e acreditava ser El Dorado, a cidade de ouro. Sua última expedição aconteceu em 1925 no Mato Grosso, onde foi visto pela última vez. Há mais três filmes em circuito bastante limitado. “Inseparáveis” não é o que se poderia chamar de cinema de arte. Ao contrário, trata-se de uma comédia concebida como remake de um blockbuster internacional. Para resumir, é a versão argentina do francês “Intocáveis” (2014), que, curiosamente, elimina o elemento racial do original, alimentando o questionamento sobre a falta de negros no cinema argentino. A trama do paraplégico milionário que fica amigo de seu tratador pobre ainda ganhará remake americano em breve. O drama escandinavo “Ande Comigo” também lida com deficiência física e clichês. Após perder uma perna no Afeganistão, um ex-militar tem dificuldades para se reajustar à vida civil e é auxiliado em sua reabilitação por uma bailarina. Os opostos se atraem, como nos romances de cinema. Mas os cinéfilos podem minimizar os lugares-comuns por conta de mais uma boa performance do dinamarquês Mikkel Boe Følsgaard (o rei louco de “O Amante da Rainha”). Por fim, o documentário nacional “O Jardim das Aflições” tem lançamento apenas em sessões especiais, mas mesmo assim chega em cinco capitais (veja onde aqui). A obra do pernambucano Josias Teófilo é um passeio pelos pensamentos filosóficos de Olavo de Carvalho, o anticomunista que na juventude militou no PCB. Sem contraditórios, ele empilha discursos sobre a “autonomia da consciência individual” em oposição à “tirania da coletividade”, no conforto de sua residência nos Estados Unidos, mostrando-se culto e articulado. É bem feitinho com seu orçamento de R$ 300 mil, arrecadados em financiamento coletivo. Mas também um tédio, que se contrapõe à forma como eletrizou a esquerda, a ponto de cineastas provocarem o cancelamento do festival Cine-PE, ao se retirarem da programação num boicote coletivo contra sua inclusão no evento. As críticas ruidosas ao pensamento de Carvalho e a contrariedade com a ideia de se fazer um filme sobre ele são usadas, de forma inteligente, no material de marketing do lançamento. Mas as reações sobressaltadas dariam um filme bem melhor que o retrato plácido realizado. Clique nos títulos em destaque para ver os trailers de todas estreias da semana.
Divinas Divas: Documentário premiado de Leandra Leal sobre travestis históricos ganha trailer
A Vitrine Filmes divulgou o trailer do documentário “Divinas Divas”, que marca a estreia da atriz Leandra Leal como diretora. A prévia também inclui narração de Leandra, que relembra sua ligação histórica com o Teatro Rival, herança da família, que serviu de palco para inúmeros espetáculos de revista. É neste palco que se passa o filme, documentando a reunião de alguns dos travestis mais famosos do Brasil para um espetáculo musical, com muitas confidências de bastidores. É interessante reparar na forma como eles se referem a si mesmos. No trailer, a famosa Rogéria se diz “o travesti mais família do Brasil”, assim mesmo, no gênero masculino. Além de Rogéria, participam do filme Jane Di Castro, Divina Valéria, Camille K, Fujika de Halliday, Eloína dos Leopardos, Marquesa e Brigitte de Búzios. O documentário acompanha os artistas no processo de construção de um espetáculo que celebra seus 50 anos de carreira. “Divinas Divas” venceu o prêmio do público de Melhor Documentário do Festival do Rio do ano passado, e o mesmo prêmio da Mostra Global do festival americano SXSW (South by Southwest), em Austin, no Texas. O filme estreia no dia 22 de junho.
Documentário sobre transição de gênero de Laerte ganha primeiro trailer
A Netflix divulgou o trailer de seu primeiro documentário brasileiro, “Laerte-se”, que aborda a transição de gênero do cartunista Laerte. Com direção da dupla Lygia Barbosa (“Across the Amazon”) e Eliane Brum (“Gretchen Filme Estrada”), o filme apresenta Laerte em sua intimidade, enquanto toca em assuntos pessoais e políticos, que são importantes para o artista. “Laerte-se” mescla depoimentos de Laerte e conhecidos, entre eles o filho Rafael Coutinho, também cartunista, com tirinhas em que o artista aborda a sua transexualidade. Rafael Coutinho, que ainda a chama de “pai”, conta que combinou com Laerte de o filho o chamar de “vovô”. Em seguida, Laerte aparece brincando com o neto. Em outra cena, Laerte surge discutindo se coloca próteses nos seios com a cantora Rita Lee, que retirou as mamas para se prevenir contra o câncer. “Não coloca, não, dá muito trabalho”, diz Rita. A estreia está prevista para 19 de maio.
Documentário sobre Cidades Fantasmas vence o festival É Tudo Verdade
O festival de documentários É Tudo Verdade consagrou “Cidades Fantasmas”, o polonês “Comunhão” e o chileno “Los Ninos” em sua premiação de 2017. As três produções venceram, respectivamente, nas categorias de Melhor Documentário Brasileiro, Documentário Internacional e Documentário Latino. Com direção de Tyrell Spencer, “Cidades Fantasmas” aborda a história de quatro cidades latino-americanas que foram prósperas e hoje estão abandonadas e consumidas pelo tempo. Catástrofes naturais, motivações econômicas, embates políticos e guerras, são algumas das condições que levaram esses lugares ao total despovoamento. O filme vai ganhar o formato de série no Canal Brasil, incluindo outras cidades em condições semelhantes. Já os dois longas estrangeiros premiados abordam doenças. “Comunhão”, de Anna Zamecka, retrata a difícil rotina de uma família polonesa com um filho autista e um pai alcoólatra, e “Los Ninos”, de Maite Alberdi, sobre adultos com a síndrome de Down. Entre os curtas, “Boca de Fogo”, de Luciano Pérez Fernández, e “O Cuidador”, de Joost Van Der Wiel, ganharam, respectivamente, como melhor curta nacional e internacional. Os dois estão automaticamente qualificados para exame pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA, visando uma vaga na disputa do Oscar 2018 de Melhor Curta de Documentário. O júri internacional foi formado pelo cineasta Alexandre O. Philippe, a cineasta francesa Anne Georget e a produtora chilena Jennifer Walton. O júri brasileiro contou com a produtora Daniela Capelato, o diretor de fotografia Jacques Cheuiche e o cineasta Joel Zito Araújo
Pitanga celebra um dos maiores astros negros do cinema brasileiro
Uma pena quando um grande cineasta demora a lançar um novo filme. Beto Brant, que às vezes assina a direção com Renato Ciasca, é um desses diretores que conquistaram o seu espaço entre os maiores do Brasil (e do mundo, por que não?) já a partir de seu longa de estreia, “Matadores” (1997). Sua carreira tem sido marcada por obras de narrativa impactante como “O Invasor” (2001) e “Cão sem Dono” (2007) e outras de maior risco e experimentação, casos de “Crime Delicado” (2005) e “O Amor Segundo B. Schianberg” (2010). Seu último filme na direção havia sido no longínquo 2011, com o apaixonante “Eu Receberia as Piores Notícias de seus Lindos Lábios”, estrelado por Camila Pitanga. Pois é novamente com Camila, desta vez coassinando a direção, que Brant retorna em “Pitanga” (2017), para contar a trajetória de vida do pai da atriz, Antonio Pitanga, um dos maiores atores brasileiros de todos os tempos, protagonista num país que tem por hábito colocar os negros em segundo plano. Considerando que se trata de um filme comandado por Camila, até que ela aparece bem pouco em cena. Em compensação, seu pai domina o filme, que parece correr solto a partir da alegria contagiante e da autoconfiança de Pitanga. Em alguns momentos, chega a ser até incômoda a rasgação de seda contínua em torno do ator, que, naturalmente, se sente muito feliz em tomar para si a fama de grande conquistador, de homem de grande magnetismo. Mas nos dois primeiros terços do filme é quase difícil não sorrir junto com esse homem que viveu a vida de maneira intensa e que conquistou o coração de muitas mulheres, sendo que várias delas aparecem em cena, em reencontros emocionados: Maria Bethânia, Zezé Motta, Selma Egrei, Ítala Nandi, Elisa Lucinda… Paradoxalmente, isto realça a ausência da mãe de Camila, Vera Manhães, ainda viva, que nas fotos mostradas no filme revela-se belíssima. Não é à toa que a filha veio ao mundo tão bela e especial. Segundo relatos de alguns depoimentos ao longo do filme, o casal representava uma espécie de sensualidade, sexualidade e beleza singulares na época da sua juventude. O fato de o filme ser contado pelo próprio Pitanga, a partir de encontros com várias pessoas (famosas), velhos conhecidos, que passaram por sua vida de forma marcante, e que relembram com ele memórias saudosas do passado, diferencia o longa de outros documentários sobre personalidades. Aqui, o ator cheio de energia e muita prosa parece ser o dono do filme, com a bênção de Brant. O tom, entretanto, muda em seu terço final, quando Antonio Pitanga fala de assuntos mais sérios, sobre a chegada dos negros em território brasileiro nos navios negreiros. A obra assume o elogio à resistência, a destacar a importância do cinema mais político produzido no Brasil, especialmente nas décadas de 1960 e 70, e revela o engajamento cultural de um baiano bastante envolvido com a religião e a cultura afro-brasileira. De uma forma ou de outra, difícil negar o destaque do documentário neste momento de opressão e, ao mesmo tempo, de resistência das minorias, atestando o valor do negro em nossa sociedade e em nossa cultura, a partir de um registro vívido, original e pulsante. Além do mais, a vantagem dessa abordagem particular escolhida por Brant e Camila é que muita coisa é revelada nas entrelinhas: nos gestos, nas falas e nas emoções dos vários personagens que aparecem em cena. Sem esquecer que o filme ainda traz ótimas cenas de filmes estrelados por Antonio Pitanga – clássicos como “A Grande Feira” (1961), “Barravento” (1962), “O Pagador de Promessas” (1962), “Ganga Zumba” (1963), “Os Pastores da Noite” (1976), “A Idade da Terra” (1980), “Quilombo” (1984), “Chico Rei” (1985) e tantos outros.
Fundador do festival É Tudo Verdade vai voltar a dirigir um filme
Amir Labaki, fundador do festival É Tudo Verdade, vai voltar a dirigir um filme. Ele prepara “1961”, documentário sobre o tema de seu primeiro livro, escrito 30 anos: “1961 — A Crise da Renúncia e a Solução Parlamentarista”. O foco é a renúncia de Jânio Quadros, a crise política que se seguiu, a campanha da legalidade no Rio Grande do Sul, em favor da posse do vice-presidente João Goulart, e a tentativa de golpe militar, então derrotado. “Parto da minha pesquisa original, então pioneira. Mas importantes materiais audiovisuais afloraram nestas três décadas”, disse Labaki, ao jornal O Globo. Labaki, que é originalmente jornalista, dirigiu apenas um filme em sua carreira: “27 Scenes About Jorgen Leth” (2008), sobre o documentarista dinamarquês Jorgen Leth.












