Clipe de Daniela Mercury e Caetano Veloso desperta a ira da direita brasileira
O novo clipe de Daniela Mercury, “Proibido o Carnaval”, que conta com participação de Caetano Veloso, virou alvo da ira da direita brasileira. Uma campanha no Whatsapp e nas redes sociais está conclamando o público conservador a dar “dislikes” em massa na página do vídeo no YouTube. Lançado na terça-feira passada (12/2), o clipe já conta com 218 mil dislikes contra 86 mil likes. O motivo da irritação são as ironias de Daniela e Caetano disparadas contra o conservadorismo do novo governo brasileiro, com direito a referenciar a já icônica frase da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, que afirmou que meninos devem usar azul e meninas, rosa. A música também faz uma defesa apaixonada dos direitos LGBTQIA+ e a liberdade de se assumir o que se quiser, sem sofrer censura ou ameaça de “cura gay”. “Abra a porta desse armário/ Que não tem censura pra me segurar/ Abra a porta desse armário/ Que alegria cura, venha me beijar”, diz a letra. A produção também inclui uma dedicação ao deputado federal Jean Wyllys, defensor de bandeiras LGBTQIA+, que abandonou seu mandato para ir morar no exterior, após sofrer ameaças de morte nas redes sociais – numa reação similar à evocada pelo vídeo atual. Por sinal, o tom agressivo e o baixo nível das reações contra “Proibido o Carnaval” foi tão abissal que os comentários do vídeo precisaram ser desabilitados pelo YouTube. Milhares de mensagens ofensivas e ataques contra a cantora também foram postadas nas redes sociais da cantora e de Caetano Veloso. Muitos comemoram um possível “fracasso” da música e alguns se referem a cantora como decadente e que estaria de “mimimi” por não poder contar com patrocínio do governo para o carnaval. Mas a campanha negativa também ajudou na divulgação da obra, que atingiu quase 2 milhões de acessos. Com isso, virou o vídeo mais visto da página da cantora. Caetano e Daniela ainda não se manifestaram diretamente sobre os protestos, mas a cantora postou em seu Twitter uma citação significativa, atribuída ao poeta Fernando Pessoa: “A finalidade da arte não é agradar. O prazer é aqui um meio, não é neste caso um fim. A finalidade da arte é elevar.” Veja o vídeo “polêmico” abaixo.
Daniela Mercury e Caetano Veloso celebram a diversidade em clipe sobre o carnaval dos conservadores
A cantora Daniela Mercury lançou o clipe de “Proibido o Carnaval”, em que canta e dança com Caetano Veloso a favor da diversidade em tempos conservadores. Misturando ritmos e batidas, a marchinha de samba-frevo-axé-eletrônico celebra a liberdade sexual, que costuma ser exaltada no período do carnaval, ao mesmo tempo que impõe limites feministas às mãos bobas. A maioria das frases, porém, valoriza o orgulho gay. “Abra a porta deste armário/Que não tem censura pra me segurar”, diz a letra, embora o refrão afirme o contrário: “Tá proibido o Carnaval/Neste país tropical”. A narrativa é realmente errática, mas este é o país das idas e vindas. Quando se acha que o futuro finalmente vai chegar, o povo resolve eleger o atraso. Como demonstra a indagação da letra: “Vai de rosa ou vai de azul?”, em referência à ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, que manifestou seu desejo de acabar com a homossexualidade no pais – “Menino veste azul e menina veste rosa”… Nos créditos finais, Daniela ainda homenageia Jean Wyllys, deputado federal do PSOL engajado na luta pelos direitos LGBTQIA+, que deixou o cargo e o país após sofrer ameaças de morte. Trata-se de outro contraste com o tom de deboche do clipe dirigido por Jana Leite, que sugere rir sobre um tema que inspira o contrário: vontade de chorar.
Daniela Mercury lança clipe de música inspirada pelo filme Pantera Negra
Daniela Mercury liberou nesta sexta-feira (21/12) o clipe de “Pantera Negra Deusa”, música lançada na semana da Consciência Negra e que celebra a África real e fictícia, e sua ligação com o Brasil. A letra cita Mandela, o líder político da África do Sul, e Wakanda, o país do super-herói da Marvel que batiza a canção. “Ilê Pantera Negra diga diga diga onde é Wakanda. Wakanda é aqui”, celebra a cantora, fazendo uma analogia sobre o empoderamento negro em todo o mundo, que se manifesta no clipe com a combinação de dançarinas em trajes africanos e o cenário do Museu de Arte Moderna da Bahia, numa fusão de tradição e futurismo, como a estética do filme “Pantera Negra”. O clipe tem alguns convidados, como a youtuber Tia Má e seu filho Aladê Koman, e direção de Chico Kertész, do documentário “Axé: Canto do Povo de um Lugar” (2016). Se a letra sugere uma antítese de “Haiti”, de Caetano e Gil, o lyric vídeo (vídeo com letra) lançado 24 horas antes do clipe oficial, lembrou que aqui, na verdade, é mesmo o Brasil, usando a música para homenagear a vereadora Marielle Franco, “deusa do ébano”, na descrição lírica, que foi executada no Rio de Janeiro há nove meses. Veja os dois vídeos abaixo.


