Invasão Zumbi é o filme perfeito para finalizar um ano tenebroso
O presente em combustão espontânea. As fábricas queimam, as cidades se deterioram, a população vira morto-vivo. Resta contaminar os passageiros de um trem bala que atravessa a Coréia do Sul rumo a cidade de Busan. Essa é a simples premissa de “Invasão Zumbi”, uma das boas surpresas do cinema coreano este ano (sendo a outra “O Lamento” também em cartaz). O diretor do filme, Yeon Sang-ho, vem da animação, o que talvez explique o contraste que cria entre a movimentação caótica das massas e o rigor do enquadramento em cenários geométricos. A arquitetura das estações, o trem, os trilhos, sugerem uma tentativa de trazer algumas das belezas planas dos animes para o mundo de personagens de carne e osso. E a aventura flui de forma empolgante, nunca resvalando pro previsível. Interessante como os sobreviventes do trem não escapam da velha e boa luta de classes. Manter a hierarquia num mundo de zumbis pode ser mais cruel do que se imagina. O especulador da bolsa de valores só não vira um predador por causa da filha, o segurança fortão preserva o equilíbrio por conta da esposa grávida e o colegial se prende a namorada. De resto, quem não tem a quem se apegar, dá uma banana pro lema da união. É o salve-se quem puder que a beleza capitalista nos ensinou a praticar desde criancinhas sem compaixão. É isto o que importa ao diretor Yeon Sang-ho: ninguém consegue manter a confiança contida depois que o cenário de caos se instaura. Afinal, por que preservar o papel social, se não é mais necessário? Buñuel brincou com o tema em “O Anjo Exterminador” (1962) e fez uma obra-prima. “Invasão Zumbi” trata do mesmo assunto sem transcendê-lo, mas a questão está lá. Limpa e cristalina. Os zumbis não são alegorias de degeneração, mas metáforas de ordem e obediência canina ao sistema. Por isso, os filmes do gênero vem fazendo tanto sucesso. Toda arte moderna parece convergir para a expressão deste medo primal, de que o insano e corrupto já passaram da conta, com o fundo do poço revelando novos monstros. Monstros com um pé na realidade muito maior do que desejamos. E então resta ao cinema de horror nos confortar, mostrar que quando acenderem as luzes estará tudo bem. Estará mesmo? Esses problemas não preocupam a maioria dos cineastas, mas são a preocupação consciente ou inconsciente de uma minoria cuja influência sempre se prova decisiva. Sentimos, vendo um filme como “Invasão Zumbi”, que é assim que a vida nos parece realmente. Pomos de lado tudo que filósofos, psicólogos e outros cientistas nos enfiaram na cabeça, nossos hábitos culturais, determinados pelo contexto intelectual da nossa época, e voltamos à simplicidade da criança que vê, sente e tatilmente apreende o que é possível da realidade. Sang-Ho dá esse vislumbre confuso de aflição e divertimento pra gente, fazendo de “Invasão Zumbi” um perfeito fecho de ouro para esse tenebroso 2016.
Zumbis sul-coreanos atacam mais cinemas nas estreias da semana
Com blockbusters ocupando a maior parte dos cinemas brasileiros, o último fim de semana do ano recebeu apenas três lançamentos. A estreia mais ampla pertence ao terror sul-coreano “Invasão Zumbi”, que apesar do título genérico é um dos melhores terrores do ano. Misturando muita ação, cenas de filme de desastre e zumbis, aproxima-se mais de “Guerra Mundial Z” que dos clássicos de mortos-vivos lentos de George Romero. Boa parte da produção se passa num trem e em estações ao longo da linha férrea, acompanhando os passageiros em fuga no começo de um surto zumbi. Sucesso de crítica, tem 95% de aprovação no site Rotten Tomatoes, além de ter sido consagrado pelo público como o maior blockbuster da Coréia do Sul em 2016. Alerta: a maioria das cópias distribuídas no país são dubladas em português! Outro filme bastante elogiado, “Animais Noturnos” foi premiado no Festival de Veneza (Grande Prêmio do Juri), recebeu três indicações ao Globo de Ouro e está cotado ao Oscar. Segundo longa dirigido pelo estilista Tom Ford, traz Amy Adams e Jake Gyllenhaal numa trama que combina diferentes períodos e até a leitura do manuscrito de um livro inédito, enquanto a personagem de Adams reflete sobre seu relacionamento com o ex, vivido por Gyllenhaal. O último lançamento é voltado para o “circuito de arte”. O polonês “Estados Unidos pelo Amor”, de Tomasz Wasilewski, foi premiado no Festival de Berlim (Melhor Roteiro) e gira em torno de quatro mulheres que lutam para ser felizes em 1990, logo após a queda do Muro de Berlim, tendo como pano de fundo as incertezas políticas e econômicas do fim da era soviética. Clique nos títulos dos filmes para ver os trailers de cada lançamento.
Da China ao México, conheça 10 blockbusters que bateram Hollywood em 2016
A revista The Hollywood Reporter compilou uma lista com os 10 maiores blockbusters do mercado internacional em 2016. Não há nenhum filme brasileiro, mas a relação inclui um longa (“Invasão Zumbi”) que vai estrear nesta semana no país. A lista é repleta de besteiróis. Mesmo assim, destaca um finalista ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (“The King’s Choice”) e três cineastas conhecidos de Hollywood: o espanhol J.A. Bayona (“O Impossível”), o islandês Baltasar Kormákur (“Evereste”) e o neo-zelandês Taika Waititi (do vindouro “Thor: Ragnarok”). Confira abaixo, com trailers, quais foram os longas que se destacaram nas bilheterias mundiais neste ano, rendendo mais em seus países de origem que os lançamentos de Hollywood. COREIA DO SUL: INVASÃO ZUMBI ESPANHA: SETE MINUTOS PARA A MEIA NOITE CHINA: MERMAID JAPÃO: YOUR NAME NORUEGA: THE KING’S CHOICE ISLÂNDIA: THE OATH NOVA ZELÂNDIA: HUNT FOR THE WILDERPEOPLE FRANÇA: LES TUCHE: THE AMERICAN DREAM MÉXICO: QUE CULPA TIENE EL NIÑO ALEMANHA: WELCOME TO THE HARTMANNS
Lily Collins aparece nas primeiras fotos do filme de monstros do diretor de Expresso do Amanhã
A atriz Lily Collins (“Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos”) aparece de cabelos vermelhos numa das primeiras imagens divulgadas de “Okja”, o novo filme de monstros do diretor sul-coreano Bong Joon-ho (“Expresso do Amanhã”). Segundo a sinopse, o filme é a história de “uma garotinha disposta a arriscar tudo para impedir que uma poderosa multinacional sequestre seu melhor amigo, um animal enorme chamado Okja”. O elenco contará com Tilda Swinton (que trabalhou com Joon-Ho em “Expresso do Amanhã”), Jake Gyllenhaal (“O Abutre”), Paul Dano (“12 Anos de Escravidão”), Devon Bostick (série “The 100”), Steven Yeun (série “The Walking Dead”), além da dupla Byeon Hie-bong e Yun Je-mun, que trabalhou com o diretor em vários filmes, entre eles “O Hospedeiro”, primeiro filme de monstros de Bong Joon-ho. A produção está a cargo da Plan B, empresa de Brad Pitt, em parceria com o serviço de streaming Netflix.
Elogiadíssimo e premiado, terror sul-coreano O Lamento ganha trailer legendado
A California Filmes divulgou o trailer legendado do terror sul-coreano “O Lamento”, novo filme de Na Hong-jin, responsável pelo excelente suspense de serial killer “O Caçador” (2008). A prévia explora o clima tenso do longa, com direito a chacinas, convulsões e muita superstição, além de demonstrar, com atmosfera sinistra, porque tem sido comparado à “Twin Peaks”. Na trama, a chegada de um estranho misterioso em uma cidadezinha tranquila coincide com uma onda de assassinatos cruéis, causando pânico e desconfiança entre os moradores. Quando a filha do policial responsável pela investigação (Kwak Do-won, de “O Homem de Lugar Nenhum”) cai vítima de uma possível maldição, ele chama um xamã para ajudar a encontrar o culpado. Escrito e dirigido por Na Hong-jin, “O Lamento” foi premiado em diversos festivais internacionais de cinema fantástico e recebeu nota de obra-prima no site Rotten Tomatoes, com 98% de aprovação da crítica americana. A estreia acontece em 22 de dezembro no Brasil.
Um dos melhores filmes do ano, A Criada ganha trailer e data de estreia no Brasil
A Mares Filmes divulgou o trailer nacional de “A Criada” (The Handmaiden), um dos melhores filmes de 2016, que também ganhou data de estreia no país. A prévia não tem diálogos, mas revela o clima intrigante da produção sul-coreana, que combina erotismo, suspense e uma trama de vingança com estrutura narrativa não convencional e reviravoltas inesperadas. “A Criada” é um dos grandes filmes que o juri do Festival de Cannes negligenciou neste ano (foram vários) em favor de produções inferiores. Após a première no evento francês, o novo trabalho do diretor Park Chan-wook (“Oldboy”) conquistou diversos prêmios, desde a consagração do público da Mostra de São Paulo até a recente eleição de Melhor Filme Estrangeiro do ano pelos críticos de Los Angeles. A trama é uma adaptação do romance lésbico “Na Ponta dos Dedos” da escritora galesa Sarah Waters, mesma autora do livro que inspirou a minissérie britânica “Toque de Veludo” (Tipping the Velvet, 2002) e o filme “Afinidade” (Affinity, 2008), todos de temática lésbica e passados na Inglaterra vitoriana. Park manteve o enredo, mas avançou algumas décadas, mudou a locação e alterou a etnia das personagens. Passada na Coreia nos anos 1930, durante o período de domínio colonial japonês, a trama acompanha Sook-Hee, uma espécie de “Oliver Twist” lésbica, garota órfã de bom coração que mora num cortiço com ladrões e vigaristas, e que se vê envolvida num elaborado golpe do baú planejado por um vigarista profissional. O trapaceiro consegue empregar a jovem órfã como criada na casa de uma família japonesa rica, esperando que ela convença Lady Hideko, herdeira de uma fortuna, a casar-se com ele. Seu plano, porém, não conta com o sentimento que surge entre as duas mulheres. Não por acaso, o título de duplo sentido do romance original alude tanto aos dedos leves dos larápios quanto ao prazer sexual provocado por massagens. O elenco conta com Kim Min-hee (“Certo Agora, Errado Antes”), Ha Jung-woo (“O Caçador”), Jo Jin-woong (“Um Dia Difícil”) e lança a promissora Kim Tae-ri, intérprete da jovem Sook-Hee, que vai estrelar a seguir a adaptação do mangá “Little Forest”, do aclamado artista japonês Daisuke Igarashi. A estreia de “A Criada” está marcada para 12 de janeiro no Brasil.
Sci-fi pós-apocalíptica Expresso do Amanhã pode virar série
A cultuada sci-fi sul-coreana “Expresso do Amanhã” pode virar série de televisão. O canal pago americano TNT encomendou um piloto baseado na história do filme dirigido por Joon-ho Bong. Segundo o site Deadline, a adaptação está sendo desenvolvida pelo roteirista Josh Friedman, que escreveu “Guerra dos Mundos” (2005), a série “Terminator: The Sarah Connor Chronicles” (2008-2009) e está envolvido com as continuações de “Avatar” (2009). A fonte original da história é, na verdade, a graphic novel francesa “Le Transperceneige”, escrita por Jacques Lob e Jean-Marc Rochette. A trama se passa em 2031, após uma nova Era do Gelo, que erradicou quase toda a vida na Terra. Os últimos sobreviventes da humanidade vivem num trem Perfurador de Neve, que usa o próprio movimento para gerar energia. O problema é que, dentro do veículo, há um sistema de classes sociais que acumula tensões e deflagra uma revolução. O elenco espetacular da versão de cinema incluiu Chris Evans (“Capitão América: Guerra Civil”), Jamie Bell (“Ninfomaníaca”), Tilda Swinton (“Doutor Estranho”), Octavia Spencer (“A Série Divergente: Convergente”), John Hurt (“O Espião que Sabia Demais”), Alison Pill (“Zoom”), Ewen Bremner (“Jack – O Matador de Gigantes”) e Ed Harris (série “Westworld”), além dos sul-coreanos Sang Kang-ho e Ko Ah-sung, que trabalharam com o diretor em “O Hospedeiro” (2006). Vale lembrar que o filme acabou envolvido numa grande polêmica nos EUA, porque o produtor Harvey Weinstein pretendia cortar 20 minutos do longa para exibi-lo no país, além de desejar adicionar narrações, descaracterizando completamente a produção. Mesmo sendo sua estreia em Hollywood, Bong Joon-Ho não aceitou, protegido por cláusulas contratuais. Por conta disso, a Weinstein Company atrasou o lançamento nos países de língua inglesa em mais de um ano. O reflexo dessa briga respingou até no Brasil, onde o filme só foi chegar dois anos após quebrar recordes de bilheterias na Coreia do Sul. Os cineastas Bong Joon-Ho e Park Chan-wook, respectivamente diretor e produtor do filme, serão produtores executivos do piloto de “Snowpiercer” (o título original) em parceria com Marty Adelstein (séries “Prison Break”, “Teen Wolf” e “Aquarius”), que adquiriu os direitos da adaptação, via seu Tomorrow Studios. O piloto precisará ser aprovado pelo TNT para ganhar encomenda de temporada e virar série.
Invasão Zumbi: Veja o trailer legendado do melhor filme de zumbis do ano
A Paris Filmes divulgou o trailer nacional (legendado e dublado) de “Train to Busan”, batizado de forma preguiçosa como “Invasão Zumbi”. Infelizmente, o título genérico pode dar a impressão de que se trata de mais um filme B de mortos-vivos. Mas não é o caso. O filme sul-coreano é uma superprodução com grande orçamento, ótimos efeitos e muita tensão, que bateu recorde de arrecadação na Ásia e deixou Hollywood em polvorosa. A prévia já dá ideia do ritmo intenso do longa, que mistura epidemia zumbi com cinema de catástrofe, numa escala só vista antes em cenas de “Guerra Mundial Z”, o maior blockbuster de zumbis de todos os tempos. O filme centra a ação num grupo de passageiros de trem, durante o início da epidemia que transforma os infectados em criaturas raivosas. No elenco estão Gong Yoo (“O Suspeito”), Jeong Yu-mi (“A Visitante Francesa”), Ryu Seung-ryong (“A Guerra das Flechas”) e Lee Joon (“Ninja Assassino”). “Train to Busan” é o primeiro filme com atores do diretor e roteirista Yeon Sang-ho, conhecido por seu trabalho em longas de animação adulta. Por curiosidade, ele também vai lançar um vindouro longa animado chamado “Seoul Station” com a mesma premissa. Após conquistar a maior bilheteria da Coreia do Sul e de Hong Kong em todos os tempos, o aqui chamado “Invasão Zumbi” já tem continuação confirmada e ainda ganhará um remake ocidental – Sony, Fox, Gaumont e EuropaCorp disputam os diretos. A razão de tanta comoção chega nos cinemas brasileiros em 24 de novembro.
The Handmaiden: Drama lésbico do diretor de Oldboy ganha 62 fotos e trailer americano
A Magnolia Pictures divulgou 62 fotos, o pôster e o primeiro trailer americano de “The Handmaiden” (Ah-ga-ssi), nova provocação do diretor sul-coreano Park Chan-wook (“Oldboy”). A prévia é repleta de momentos fetichistas, que evocam sua temática sexual, além de destacar a reprodução de época e um certo clima de suspense. O filme é uma adaptação do romance lésbico “Na Ponta dos Dedos” da escritora galesa Sarah Waters, mesma autora do livro que inspirou a minissérie britânica “Toque de Veludo” (Tipping the Velvet, 2002) e o filme “Afinidade” (Affinity, 2008), todos de temática lésbica e passados na Inglaterra vitoriana. Park manteve o enredo, mas avançou algumas décadas, mudou a locação e alterou a etnia das personagens. Passada na Coreia nos anos 1930, durante o período de domínio colonial japonês, a trama acompanha Sook-Hee, uma espécie de “Oliver Twist” lésbica, garota órfã de bom coração que mora num cortiço com ladrões e vigaristas, que se vê envolvida num elaborado golpe do baú planejado por um vigarista profissional. O trapaceiro consegue empregar a jovem órfã como criada na casa de uma família japonesa rica, esperando que ela convença Lady Hideko, herdeira de uma fortuna, a casar-se com ele. Seu plano, porém, não conta com o sentimento que surge entre as duas mulheres. Não por acaso, o título de duplo sentido do romance original alude tanto aos dedos leves dos larápios quanto ao prazer sexual provocado por massagens no clitóris. A belíssima Kim Tae-Ri faz sua estreia no cinema, após ser escolhida entre 1,5 mil candidatas, como Sook-Hee, enquanto Kim Min-hee (“Assassino Profissional”) interpreta Lady Hideko. O elenco também inclui Ha Jung-woo (“O Caçador”) e Jo Jin-woong (“O Almirante: Correntes Furiosas”). “The Handmaiden” teve sua première no Festival de Cannes e já estreou na Ásia. O lançamento nos EUA está marcado pra 4 de outubro e, por enquanto, não há previsão para sua chegada ao Brasil.
Operation Chromite: Trailer de filme sul-coreano traz Liam Neeson como o General MacArthur
A Taewon Entertainment divulgou os pôsteres e o trailer de “Operation Chromite”, filme de guerra sul-coreano que traz Liam Neeson como o General Douglas MacArthur, comandante das tropas americanas no Pacífico, durante a 2ª Guerra Mundial. A trama se passa cinco anos após o conflito contra o Japão, mostrando sua luta contra um novo inimigo. Contrariando estrategistas mais conservadores, ele arriscou tudo numa invasão anfíbia que mudou os rumos da Guerra da Coreia, libertando Seul do exército norte-coreano em 1950, naquela que foi a maior vitória de sua carreira militar. Além do papel decisivo de MacArthur no comando da invasão americana, a trama destaca os heróis sul-coreanos, que possibilitaram o sucesso da operação com um minucioso trabalho de inteligência, sacrificando a própria segurança pela defesa de seu país, que tinha sido invadido pelas forças norte-coreanas apoiadas por China e União Soviética. “Operation Chromite” é o segundo filme do diretor John H. Lee sobre a Guerra da Coreia, após ter mostrado o engajamento dos estudantes no conflito, em “71: Into the Fire” (2010). O elenco também inclui Lee Jung-jae (“A Empregada”), Jin Se-yeon (“The Language of Love”) e Jung Joon-ho (“Love, In Between”). A estreia acontece em 27 de julho na Coreia do Sul e em 12 de agosto nos EUA.
Train to Busan: Trailers mostram impressionante apocalipse zumbi sul-coreano
Foram divulgados as fotos, os pôsteres e os trailers de “Train to Busan” (Busanhaeng), filme sul-coreano de zumbis, que enfatiza elementos de cinema catástrofe. A prévia tem cenas impressionantes de desastre ferroviário, muita correria e luta pela sobrevivência, numa escala só vista antes no cinema em cenas de “Guerra Mundial Z”, o maior blockbuster de zumbis de todos os tempos. O filme centra a ação num grupo de passageiros de trem, durante o início da epidemia que transforma os infectados em criaturas raivosas. No elenco estão Gong Yoo (“O Suspeito”), Jeong Yu-mi (“A Visitante Francesa”), Ryu Seung-ryong (“A Guerra das Flechas”) e Lee Joon (“Ninja Assassino”). Uma curiosidade da produção é que o diretor e roteirista Yeon Sang-ho também assina um vindouro longa animado, chamado “Seoul Station”, com a mesma premissa. Já exibido em festivais, a animação ainda não tem previsão de estreia. Conhecido por seu trabalho em longas de animação adulta, “Train to Busan” é o primeiro filme com atores de Sang-ho. O lançamento acontece em 20 de julho na Coreia do Sul e dois dias depois nos EUA. Infelizmente, não há previsão para o Brasil.
Certo Agora, Errado Antes busca se diferenciar pela repetição
Hong Sang-soo, o diretor sul-coreano de “Certo Agora, Errado Antes”, já teve alguns filmes exibidos no circuito comercial dos cinemas por aqui: “Ha Ha Ha” (2010), “A Visitante Francesa” (2012) e “Filha de Ninguém” (2013). É um cineasta que trabalha com a sutileza, com a inibição e com as demais dificuldades que se dão nos contatos humanos, com o uso do álcool e dos ambientes de bares e restaurantes, onde coisas acontecem, às vezes de forma abrupta ou inesperada. E também com a repetição de situações, ou com as diferentes visões de determinados acontecimentos. “Certo Agora, Errado Antes” também pode inverter a chamada para “Certo Antes, Errado Agora”. É uma situação que se repete de forma diferente, em alguns aspectos, mostrando que as ações de cada um, por pequenas que sejam, podem transformar significativamente as relações que se estabelecem e o que resta na lembrança e na vida de cada um dos envolvidos. A trama é simples. Um diretor de cinema se dirige para a cidade de Suwon, onde seu novo filme será exibido e haverá um debate após a projeção. Mas ele chega, por engano, um dia antes e fica sem nada para fazer. O que ocorre nesse dia livre é que ele conhecerá uma ex-modelo, que se dedica agora à pintura, e se estabelecerá uma intimidade entre eles, ao longo de todo esse dia em que convivem e se encontram também com pessoas da cidade, que conhecem a pintora. O repertório dos dois protagonistas para estabelecerem esse relacionamento é um tanto pobre, inibido, bloqueado. Ao mesmo tempo, expressam um afeto genuíno um pelo outro, ainda que contido e até envergonhado. O encontro dura metade do filme. A outra metade é uma reprise da mesma situação, com algumas diferenças. Acompanhar esse jogo relacional em duas versões é bastante curioso e nos leva a repensar as formas como os relacionamentos podem se estabelecer e o que pode comprometê-los desde o início. Mas é preciso aceitar a repetição de cenas, porque, em cada uma das versões, grande parte das coisas simplesmente se repetem sem mudanças. O longa tem um clima delicado e suave, como de costume, no trabalho de Hong Sang-soo. E os conflitos não tomam a forma de grandes dramas. Apesar de conter situações intensas e inesperadas, tudo se passa num tom menor, ainda que a bebida jogue como fator desestabilizador. Um filme que se foca no ritmo da vida pacata de uma pequena cidade, sem pressa, mostrando por meio de planos-sequência filmados com sutileza e uma bela fotografia como as relações humanas se dão. Os protagonistas Jeong Jae-yeong (“Nossa Sunhi”) e Kim Min-Hee (“Assassino Profissional”) encontraram o tom certo e minimalista de expressão, para viver essa relação amorosa fugaz.
X-Men: Apocalipse é o blockbuster da vez no circuito de estreias
Mais uma semana, mais um blockbuster para ocupar cerca de 40% de todos os cinemas disponíveis no Brasil. Desta vez, a iniciativa é da Fox, que lança “X-Men: Apocalipse” em 1.276 salas nesta quinta (19/5), com 814 telas 3D e domínio do circuito IMAX (12 salas). O longa completa o reboot da franquia – um reinicio que rendeu trilogia, com “X-Men: Primeira Classe” (2011) e “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” (2014) – e reintroduz, em suas versões juvenis, alguns dos mutantes mais famosos da Marvel, Cíclope, Jean Grey, Tempestade e Noturno, interpretados por jovens em ascensão – respectivamente, Sophie Turner (série “Game of Thrones”), Tye Sheridan (“Amor Bandido”), Alexandra Shipp (“Straight Outta Compton”) e Kodi Smit-McPhee (“Planeta dos Macacos: O Confronto”). O elenco é impressionante, com James McAvoy (“Victor Frankenstein”), Michael Fassbender (“Macbeth”), Nicholas Hoult (“Mad Max: Estrada da Fúria”), Oscar Isaac (“Star Wars: O Despertar da Força”) e, desta vez, faz bom uso do status de estrela de Jennifer Lawrence (franquia “Jogos Vorazes”) como líder dos X-Men. O que atrapalha é o tema que se repete pelo terceiro filme de super-herói consecutivo do ano: o conflito entre os “mocinhos” – justificando os 49% (melhor que “Batman vs. Superman”) de aprovação no Rotten Tomatoes. O filme só estreia na próxima semana nos EUA. Espera-se que, esgotado o assunto, Fox, Marvel e Warner descubram logo outras histórias. Como ainda há salas lotadas com a briga de “Capitão América: Guerra Civil”, a sequência de outro sucesso tem que se contentar com módicas 250 salas. É o tamanho da distribuição reservada para a comédia “Vizinhos 2”, que volta a juntar Seth Rogen e Zac Efron, desta vez contra uma república de garotas bagunceiras comandada por Chlöe Grace Moretz (“Carrie, a Estranha”). O humor é grosseiro como o filme anterior, mas tem seu apelo. 62% dos críticos americanos aprovaram. Todos os demais lançamentos disputam o já saturado circuito limitado. Mas não são exatamente clássicos, exceto por um, que é de, de fato, um marco de 1982. Os maiores entre os pequenos são dois dramas com astros famosos, o australiano “A Vingança Está na Moda”, estrelado por Kate Winslet (“O Leitor”), que venceu diversos prêmios em seu país de origem, e “Pais & Filhas”, em que Russell Crowe (“Noé”) e Amanda Seyfried (“Ted 2”) enfrentam seus demônios pessoais, separados por uma geração. Ambos ocupam em torno de 45 telas, mas apenas o primeiro vale o ingresso. Para se ter noção, “Pais & Filhas”, dirigido pelo ex-superestimado Gabriele Muccino (“Sete Vidas”), foi considerado podre, com 18% no Rotten Tomatoes. Dois filmes brasileiros entram na faixa seguinte, com 19 e 17 salas, respectivamente. “Amores Urbanos”, estreia na direção de Vera Egito (assistente de “A Deriva”), tenta retratar as crises da geração que cresceu com a MTV, com roqueiros indies atrás e diante das câmeras, mas a cenografia supera a dramaturgia, deixando sua história de adultos imaturos muito abaixo de, por exemplo, “Califórnia”, sobre o amadurecimento de uma adolescente, feito por uma ex-VJ com sangue de cineasta. Já o documentário “Espaço Além – Marina Abramovic e o Brasil” explora a relação artística e espiritual da artista com o país. Os menores lançamentos inéditos são o drama francês de época “Os Anarquistas” (em 12 salas), mais um romance convencional que uma obra sobre o assunto de seu título, e o exercício sul-coreano “Certo Agora, Errado Antes” (3 salas), em que o diretor Hong Sang-soo se mostra mais Hong Sang-soo que nunca, contando duas vezes a mesma história com pequenas diferenças. Seriam dois filmes pelo preço de um único ingresso? Meio filme pelo preço de um ingresso inteiro? Uma lição sobre contemplação zen? Uma pegadinha que deixa críticos teorizando como trouxas? Ah, as reflexões filosóficas profundas que Hong Sang-soo enseja… Fãs paulistas e cariocas de clássicos ainda tem a opção de assistir à versão remasterizada do imponente “Fitzcarraldo”, de Werner Herzog, um desastre amazônico com tantas histórias de bastidores quanto as que foram eternizadas na tela. O relançamento chega a duas salas, uma em São Paulo e outra no Rio.












