Cinema brasileiro bate recorde de reconhecimento com cinco prêmios no Festival de Berlim 2018
O cinema brasileiro saiu consagrado do Festival de Berlim 2018 com a conquista de cinco prêmios paralelos, entre eles os de favoritos da crítica e do público. Ao todo, três documentários, um longa de ficção e uma coprodução latina foram premiados na programação do evento alemão, um recorde de reconhecimento para a produção cinematográfica nacional. Três prêmios já tinham sido antecipados na sexta (23/2) e mais dois foram anunciados na tarde deste sábado. Veja abaixo o que cada filme venceu. “O Processo”, documentário de Maria Augusta Ramos sobre o impeachment de Dilma Rousseff, venceu o Prêmio do Público como o Melhor Documentário da mostra Panorama, a segunda mais importante do evento. “Zentralflughafen THF”, documentário de Karim Aïnouz sobre o centro de apoio a refugiados instalado no antigo aeroporto de Tempelhof na capital alemã, recebeu o prêmio Anistia internacional. “Tinta Bruta”, dos gaúchos Marcio Reolon e Filipe Matzembacher, venceu o prêmio Teddy, concedido por um júri independente aos melhores filmes com temática LGBTQ da seleção oficial do festival. O filme acompanha um jovem que usa o codinome GarotoNeon para trabalhar como camboy, fazendo performances eróticas com o corpo coberto de tinta para milhares de anônimos ao redor do mundo, pela internet. O mesmo júri selecionou “Bixa Travesty”, de Claudia Priscilla e Kiko Goifman, sobre a cantora e ativista transexual Linn da Quebrada, com o Teddy de Melhor Documentário. Para completar, a Federação Internacional de Críticos de Cinema (Fipresci) elegeu “Las Herederas”, do paraguaio Marcelo Martinessi, com o vencedor do Prêmio da Crítica. Coproduzido pela diretora carioca Julia Murat (“Pendular”), “Las Herederas” também conta com apoio de produtoras do Uruguai, da França e da Alemanha. A coprodução internacional, segundo o cineasta Marcelo Martinessi, é a única forma de se fazer cinema de qualidade no Paraguai. Leia a entrevista do diretor aqui.
Filmes brasileiros vencem os principais prêmios paralelos do Festival de Berlim 2018
Dois longas nacionais e uma coprodução brasileira foram consagradas no Festival de Berlim 2018 com os principais prêmios paralelos do evento. “Tinta Bruta”, dos gaúchos Marcio Reolon e Filipe Matzembacher, venceu o prêmio Teddy, concedido por um júri independente aos melhores filmes com temática LGBTQ da seleção oficial do Festival de Berlim. O filme acompanha um jovem que usa o codinome GarotoNeon para trabalhar como camboy, fazendo performances eróticas com o corpo coberto de tinta para milhares de anônimos ao redor do mundo, pela internet. O mesmo júri selecionou “Bixa Travesty”, de Claudia Priscilla e Kiko Goifman, sobre a cantora e ativista transexual Linn da Quebrada, com o Teddy de Melhor Documentário. Para completar, a Federação Internacional de Críticos de Cinema (Fipresci) elegeu “Las Herederas”, de Marcelo Martinessi, com o vencedor do Prêmio da Crítica. E por coincidência o filme também tem temática LGBTQ. Em sua apresentação do prêmio, a comissão de críticos afirmou que escolheu o filme de estreia de Martinessi pela “descrição de um assunto secreto e proibido: a homossexualidade feminina na sociedade paraguaia”. A trama gira em torno de um mulher sexagenária (Ana Brun, aplaudidíssima em Berlim) separada de sua parceira de toda a vida, enquanto precisa se desfazer dos móveis e obras de arte da família para pagar as contas da casa em que viveram juntas, atualmente em estado de ruína. As dívidas se acumulam, após uma delas ser presa por fraude bancária, deixando a outra sozinha no casarão. Até que, aos poucos, a senhora solitária cede aos convites da vizinha mais jovem, que gosta de sair para jogar pôquer com as amigas, e transforma o antigo Mercedez Bens herdado do pai em transporte particular. Primeiro longa paraguaio selecionado para a Berlinale, a obra é sutil, mas lida com temas poderosos, como amor e companheirismo entre mulheres, decadência da classe média, crise econômica, Terceira Idade, etc, tudo num microcosmo doméstico. E ganhou críticas elogiosas da imprensa internacional durante a exibição no festival alemão. Coproduzido pela diretora carioca Julia Murat (“Pendular”), “Las Herederas” também conta com apoio de produtoras do Uruguai, da França e da Alemanha. A coprodução internacional, segundo o cineasta Marcelo Martinessi, é a única forma de se fazer cinema de qualidade no Paraguai. Leia a entrevista de Martinessi aqui.
Las Herederas: Coprodução brasileira na competição do Festival de Berlim ganha vídeos com trailer e cenas
Única produção brasileira na disputa do Urso de Ouro do Festival de Berlim 2018, “Las Herederas” ganhou trailer, dois vídeos com cenas completas e seu pôster internacional. O filme é uma parceria sul-americana e europeia, dirigida por um jovem paraguaio, Marcelo Martinessi, curtametragista premiado que assina seu primeiro longa. A trama gira em torno de um mulher sexagenária (Ana Brun, aplaudidíssima em Berlim) separada de sua parceira de toda a vida, enquanto precisa se desfazer dos móveis e obras de arte da família para pagar as contas da casa em que viveram juntas, atualmente em estado de ruína. As dívidas se acumulam, após uma delas ser presa por fraude bancária, deixando a outra sozinha no casarão. Até que, aos poucos, a senhora solitária cede aos convites da vizinha mais jovem, que gosta de sair de casa para jogar pôquer com as amigas, e transforma o antigo Mercedez Bens herdado do pai em transporte particular. O filme é sutil, mas lida com temas poderosos, como amor e companheirismo entre mulheres (LBGTQ, mesmo), decadência da classe média, crise econômica, Terceira Idade, etc, tudo num microcosmo doméstico. E ganhou críticas elogiosas da imprensa internacional durante a exibição no festival alemão. Coproduzido pela diretora carioca Julia Murat, “Las Herederas” também conta com apoio de produtoras do Uruguai, da França, da Alemanha, entre outros países. A coprodução internacional, segundo o cineasta, é a única forma de se fazer cinema de qualidade no Paraguai. Leia a entrevista de Martinessi aqui. “Las Herederas” ainda não tem previsão de lançamento comercial.
Coprodução brasileira na disputa do Leão de Ouro em Berlim agrada a crítica internacional
Única produção brasileira na disputa do Urso de Ouro do Festival de Berlim 2018, “Las Herederas” recebeu críticas elogiosas da imprensa internacional que cobre o evento alemão. O filme é uma parceria sul-americana e europeia, dirigida por um jovem paraguaio, Marcelo Martinessi, curtametragista premiado que assina seu primeiro longa. A trama gira em torno de um mulher sexagenária (Ana Brun, aplaudidíssima) separada de sua parceira de toda a vida, enquanto precisa se desfazer dos móveis e obras de arte da família para pagar as contas da casa em que viveram juntas, atualmente em estado de ruína. As dívidas se acumulam, após uma delas ser presa por fraude bancária, deixando a outra sozinha no casarão. Até que, aos poucos, a senhora solitária cede aos convites da vizinha mais jovem, que gosta de sair de casa para jogar pôquer com as amigas, e transforma o antigo Mercedez Bens herdado do pai em transporte particular. O filme é sutil, mas lida com temas poderosos, como amor e companheirismo entre mulheres (LBGTQ, mesmo), decadência da classe média, crise econômica, Terceira Idade, etc, tudo num microcosmo doméstico. “Comecei a pensar nessa casa como uma pequena prisão para essa mulher, que luta por mais liberdade. Queria contar uma história dentro de um espaço fechado, que refletisse um pouco a situação em que a sociedade paraguaia está atravessando. É uma metáfora para o país”, contou Martinessi durante entrevista coletiva no festival. Coproduzido pela diretora carioca Julia Murat, “Las Herederas” também conta com apoio de produtoras do Uruguai, da França, da Alemanha, entre outros países. A coprodução internacional, segundo o cineasta, é a única forma de se fazer cinema de qualidade no Paraguai. “O Paraguai é quase invisível, em termos de cinema. Não temos leis de incentivo lá. Outros países do continente também atravessam momentos difíceis, como o México e o Brasil, mas pelo menos eles tem incentivo e seus cineastas estão contanto histórias fantásticas sobre sua sociedade. Em um certo sentido, nosso filme reflete a obscuridade em que o Paraguai vive. Ninguém sabe o que acontece por lá”.
O Insulto se torna primeiro filme libanês indicado ao Oscar
A lista de indicados ao Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro é uma das mais caprichadas dos últimos anos, composta por filmes premiadíssimos, a ponto de ser difícil cravar o favorito. Mas vale destacar a façanha de “O Insulto”, primeiro filme libanês a disputar o troféu da Academia. A direção é de Ziad Doueiri, que começou sua carreira cinematográfica como assistente de câmera de ninguém menos que Quentin Tarantino, em filmes como “Cães de Aluguel” (1992), “Pulp Fiction” (1994) e “Jackie Brown” (1997). “O Insulto” é seu quarto longa como diretor, sempre se debruçando sobre conflitos culturais de etnias do Oriente Médio – e todos têm sido consistentemente premiados. Curiosamente, o filme quase deixou de ser escolhido por seu país para disputar o prêmio. O motivo: cenas filmadas em Israel, o que é considerado um crime no Líbano. Doueiri chegou, inclusive, a ser detido, mas o apoio público do Ministério da Cultura, com o aceno ao Oscar, evitou o pior. Os demais concorrentes são o chileno “Uma Mulher Fantástica”, de Sebastián Lelio, premiado como Melhor Roteiro do Festival de Berlim, o russo “Desamor” (Loveless), de Andrey Zvyagintsev, vencedor do Prêmio do Júri do Festival de Cannes, o húngaro “Corpo e Alma”, de Ildikó Enyedi, vencedor do Festival de Berlim, e o sueco “The Square: A Arte da Discórdia”, de Ruben Östlund, vencedor do Festival de Cannes. A maior ausência ficou por conta do vencedor do Globo de Ouro e do Critics Choice, o alemão “Em Pedaços”, de Fatih Akin. A cerimônia de entrega de prêmios acontece no dia 4 de março, com apresentação de Jimmy Kimmel e transmissão no Brasil pelos canais Globo e TNT. Confira aqui a lista completa dos indicados.
Fernando Birri (1925 – 2017)
Morreu o cineasta, escritor e poeta argentino Fernando Birri. Considerado o pai do novo cinema latino-americano, ele faleceu na quarta-feira (27/12), aos 92 anos, em Roma. Birri fundou a Escola Latino-Americana de Documentários de Santa Fé, na Argentina, e da Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de los Baños, em Cuba. Ele rodou um de seus filmes mais famosos na cidade em que nasceu, Santa Fé. No curta “Jogue uma Moeda” (1958), mostrou a situação de miséria em que viviam as crianças de sua província natal. Seu primeiro longa de ficção foi “Los Inundados” (1961), comédia com toques dramáticos sobre uma família pobre forçada a fazer várias viagens de trem durante um período de inundações, a fim de alcançar um refúgio seguro, enquanto burocratas corruptos transforam a vida do povo num inferno. Muito ligado ao Brasil, deu aulas para Maurice Capovilla e Vladimir Herzog na escola de Santa Fé. E também viu o nascimento do Cinema Novo, ao lado dos amigos Nelson Pereira dos Santos e Glauber Rocha, quando desembarcou no Rio para fugir da ditadura argentina. Birri foi forçado a se exilar após o golpe militar na Argentina, e foi na Itália que filmou sua obra mais experimental, “Org” (1979), que ele descrevia como um pesadelo de três horas de duração. Sua filmografia inclui dois documentários distintos sobre Che Guevara, além de uma colaboração com o escritor Gabriel García Márquez, com quem escreveu o roteiro de “Un Señor Muy Viejo Con unas Alas Enormes” (1988), clássico cinematográfico do realismo fantástico. Seu último filme foi “El Fausto Criollo” (2011), adaptação de um poema de Estanislao del Campo. Em 2015, a ex-presidente argentina Cristina Kirchner o homenageou por “sua inestimável ajuda ao cinema argentino e latino-americano” e anunciou um projeto de recuperação digital de todas as suas obras.
Oscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira registra número recorde de candidatos
A disputa por uma vaga no Oscar na categoria de Melhor Filme de Língua Estrangeira estará mais difícil que nunca em 2018, pois envolverá um número recorde de candidatos, vindos de 92 países. O recorde foi atingido porque, pela primeira vez, haverá aspirantes do Haiti (“Ayiti Mon Amour”), Laos (“Dearest Sister”) e Síria (“Little Gandhi”) na disputa. Entre os principais concorrentes estão “First They Killed My Father”, de Angelina Jolie, selecionado pelo Camboja, “120 Batimentos por Minuto”, de Robin Camillo, da França, “Thelma”, de Joachim Trier, da Noruega, e “The Square”, dirigido por Ruben Ostlund, candidato norueguês que venceu o Festival de Cannes deste ano. Já é possível ver alguns dos candidatos no Brasil. “120 Batimentos por Minuto” faz parte da programação do Festival do Rio e “The Square” é um dos destaques da Mostra de São Paulo, que ainda apresentará mais uma dúzia de filmes que pleiteiam inclusão na categoria. O Brasil disputa a vaga com “Bingo – O Rei das Manhãs”, de Daniel Rezende, mas também está representado em duas coproduções internacionais, por meio do candidato argentino “Zama”, de Lucrecia Martel, e o italiano “A Ciambra”, de John Carpignano. O vencedor do ano passado foi o iraniano “O Apartamento”, de Asghar Farhadi. As indicações para a 90ª edição do Oscar serão anunciadas em 23 de janeiro e a cerimônia de premiação acontecerá em 4 de março em Los Angeles, com transmissão no Brasil pelos canais Globo e TNT.
Argentina seleciona coprodução brasileira para vaga no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro
A Argentina definiu o filme “Zama”, épico de Lucrecia Martel ambientado na colonização espanhola, como representante do país para tentar uma vaga no Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira de 2018. O filme selecionado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas da Argentina é uma coprodução brasileira, que fará sua première nacional no Festival do Rio. Além da brasileira Bananeira Filmes, de Vânia Catani, a lista de empresas responsáveis pelo longa inclui a El Deseo, do espanhol Pedro Amodóvar. Os dois são listados entre os produtores da obra, assim como o ator mexicano Gael García Bernal e o americano Danny Glover, entre outra dezena de parceiros. Baseado em um romance homônimo do falecido escritor Antonio Di Benedetto, o filme conta a história de Diego de Zama (o espanhol Daniel Giménez Cacho), um oficial da coroa no século 18, que se encontra estagnado há anos em um posto de Assunção (Paraguai) a espera da confirmação de sua transferência para um local menos inóspito. Após uma angustiante e tensa espera, em que sofre com o distanciamento de seus familiares, o homem decide se juntar a um grupo de soldados e ir em busca de um perigoso bandido. Nesses momentos de violência, Diego descobre que tudo o que deseja é sobreviver. A espanhola Lola Dueñas e os argentinos Juan Minujín, Rafael Spregelburd, Nahuel Cano e Daniel Veronese completam o elenco. Lucrecia Martel é conhecida por filmes premiados como “O Pântano” (2001), “A Menina Santa” (2004) e “A Mulher sem Cabeça” (2008), mas não filmava há nove anos. Curiosamente, a disputa pela vaga do Oscar ainda inclui outra coprodução brasileira: “A Ciambra”, de John Carpignano, candidato da Itália. O representante oficial do Brasil é “Bingo – O Rei das Manhãs”, de Daniel Rezende. Os indicados ao Oscar serão anunciados no dia 23 de janeiro.
Como Nossos Pais é o grande vencedor do Festival de Gramado 2017
“Como Nossos Pais”, de Laís Bodanzky, foi o grande vencedor do Festival de Gramado 2017. Além do Kikito de Melhor Filme, a produção levou também os troféus de Direção, Atriz (Maria Ribeiro), Ator (Paulo Vilhena), Atriz Coadjuvante (Clarisse Abujamra) e Montagem (Rodrigo Menecucci). “Eu quero dividir com todas as mulheres do cinema brasileiro esse Kikito que vou guardar para sempre com muito carinho”, discursou Bodanzky ao receber a estatueta, citando uma pesquisa da Agência Nacional de Cinema (Ancine) que aponta que as mulheres ocupam apenas 15% dos cargos de direção e roteiro no cinema brasileiro. “Eu tenho muito orgulho de estar aqui, como cineasta e como mulher. Eu queria destacar que essa pesquisa da Ancine mostra ainda que não há mulheres negras nessas posições. Elas não estão no espaço do discurso. Acho que essa é a nossa nova fronteira que a gente vai descobrir, e vai se alimentar de histórias incríveis que elas vão contar”, incentivou. “Como Nossos Pais” é o quarto longa de ficção de Bodanzky – depois dos também premiados “Bicho de Sete Cabeças” (2000), “Chega de Saudade” (2007) e “As Melhores Coisas do Mundo” (2010). O filme retrata uma mulher de classe média nos seus 40 anos que precisa lidar com as pressões de ser mãe, dona de casa e profissional, e também foi exibido no Festival de Berlim, onde recebeu críticas elogiosas dos sites The Hollywood Reporter, Screen e Variety. Com distribuição já garantida em 10 países, o longa estreia no Brasil na quinta (31/8). Outro destaque da premiação, “As Duas Irenes” conquistou o Kikito de Melhor Roteiro (Fábio Meira), Melhor Ator Coadjuvante (Marco Ricca) e o prêmio da crítica. Por sinal, a obra que marca a estreia de Fabio Meira (co-roteirista de “De Menor”) na direção também foi exibida no Festival de Berlim e já tinha sido premiada como Melhor Filme de Estreia e Melhor Direção de Fotografia no Festival de Guadalajara, no México. O filme gira em torno de duas meio-irmãs chamadas Irene, após uma jovem descobrir outra filha de seu pai, batizada com um nome igual ao seu. “O Matador”, primeiro filme nacional produzido pela Netflix, levou dois troféus técnicos do júri: Melhor Fotografia (Fabrício Tadeu) e Trilha Sonora (Ed Côrtes). E o gaúcho “Bio”, de Carlos Gerbase, levou os prêmios do Público e Especial do Júri. Entre as produções latinas da competição internacional, o vencedor foi “Sinfonia para Ana”, de Virna Molina e Ernesto Ardito, sobre o início da repressão na ditadura argentina. Além do prêmio de Melhor Filme, também faturou o de Fotografia (Fernando Molina). Outro destaque argentino foi “Pinamar”, que conquistou três Kikitos com sua delicada narrativa sobre dois irmãos em luto. Venceu os Kikitos de Melhor Direção (Federico Godfrid), Ator (dividido entre Juan Grandinetti e Agustín Pardella) e o prêmio da crítica. VENCEDORES DO FESTIVAL DE GRAMADO 2017 LONGAS-METRAGENS BRASILEIROS Melhor Filme: “Como Nossos Pais”, de Laís Bodanzky Melhor Direção: Laís Bodanzky, por “Como Nossos Pais” Melhor Atriz: Maria Ribeiro, por “Como Nossos Pais” Melhor Ator: Paulo Vilhena, por “Como Nossos Pais” Melhor Atriz Coadjuvante: Clarisse Abujamra, por “Como Nossos Pais” Melhor Ator Coadjuvante: Marco Ricca, por “As Duas Irenes” Melhor Roteiro: Fábio Meira, por “As Duas Irenes” Melhor Fotografia: Fabrício Tadeu, por “O Matador” Melhor Montagem: Rodrigo Menecucci, por “Como Nossos Pais” Melhor Trilha Musical: Ed Côrtes, por “O Matador” Melhor Direção de Arte: Fernanda Carlucci, por “As Duas Irenes” Melhor Desenho de Som: Augusto Stern e Fernando Efron, por “Bio” Melhor Filme – Júri Popular: “Bio”, de Carlos Gerbase Melhor Filme – Júri da Crítica: “As Duas Irenes”, de Fabio Meira Prêmio Especial do Júri: Carlos Gerbase, pela direção dos 39 atores e atrizes em “Bio” Prêmio Especial do Júri – Troféu Cidade de Gramado: Paulo Betti e Eliane Giardini, pela contribuição à arte dramática no teatro, televisão e cinema brasileiros LONGAS-METRAGENS ESTRANGEIROS Melhor Filme: “Sinfonia Para Ana”, de Virna Molina e Ernesto Ardito Melhor Direção: Federico Godfrid, por “Pinamar” Melhor Atriz: Katerina D’Onofrio, por “La Ultima Tarde” Melhor Ator: Juan Grandinetti e Agustín Pardella, por “Pinamar” Melhor Roteiro: Joel Calero, por “La Ultima Tarde” Melhor Fotografia: Fernando Molina, por “Sinfonia Para Ana” Melhor Filme – Júri Popular: “Mirando al Cielo”, de Guzman García Melhor Filme – Júri da Crítica: “Pinamar”, de Federico Godfrid Prêmio Especial do Júri: “Los Niños”, de Maite Alberdi CURTAS-METRAGENS BRASILEIROS Melhor Filme: “A Gis”, de Thiago Carvalhaes Melhor Direção: Calí dos Anjos, por “Tailor” Melhor Atriz: Sofia Brandão, por “O Espírito do Bosque” Melhor Ator: Nando Cunha, por “Telentrega” Melhor Roteiro: Carolina Markowicz, por “Postergados” Melhor Fotografia: Pedro Rocha, por “Telentrega” Melhor Montagem: Beatriz Pomar, por “A Gis” Melhor Trilha Musical: Dênio de Paula, por “O Violeiro Fantasma” Melhor Direção de Arte: Wesley Rodrigues, por “O Violeiro Fantasma” Melhor Desenho de Som: Fernando Henna e Daniel Turini, por “Caminho dos Gigantes” Melhor Filme – Júri Popular: “A Gis”, de Thiago Carvalhaes Melhor Filme – Júri da Crítica: “O Quebra-Cabeça de Sara”, de Allan Ribeiro Prêmio Canada 150 de Jovens Cineastas: Calí dos Anjos (“Tailor”) Prêmio Canal Brasil de Curtas: “O Quebra-Cabeça de Sara”, de Allan Ribeiro Prêmio Especial do Júri: “Cabelo Bom”, de Swahili Vidal e Claudia Alves
Filme argentino Ninguém Está Olhando vence o festival Cine Ceará
O filme argentino “Ninguém Está Olhando” foi o grande vencedor do 27° Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema. É a segunda vez que a diretora Julia Solomonoff vence o festival. Ela já tinha conquistado o prêmio de Melhor Filme com “O Último Verão de La Boyita” em 2009. Além do troféu de Melhor Filme, “Ninguém Está Olhando” também rendeu a Guillermo Pfening o troféu de Melhor Ator, ironicamente por interpretar um ator. Na trama, ele é um astro latino que resolve tentar carreira nos Estados Unidos e não consegue deslanchar – muito loiro para viver latino, com sotaque para interpretar americano – , espelhando trajetórias que costumam se repetir. A produção também recebeu o prêmio de Melhor Montagem e o Prêmio da Crítica, em cerimônia realizada na noite desta sexta-feira, no cinema São Luiz, em Fortaleza. Curiosamente, os outros dois filmes que se destacaram na premiação são produções passadas em Cuba, que revelam um país bem diferente dos cartões postais castristas. O prêmio de Melhor Direção ficou com o cubano Fernando Pérez, por “Últimos Dias em Havana”, também premiado por sua Fotografia, que retrata a condição miserável de vida de dois amigos, um morrendo de Aids, outro de vontade de ir para os Estados Unidos. Se a sexualidade parece enrustida nesta produção, em “Santa e Andrés”, de Carlos Lechuga, premiado com o troféu de Melhor Roteiro, é o ponto de partida para explicar porque um escritor talentoso se torna mal-visto pelos “revolucionários” e acaba exilado num local ermo, com uma mulher rústica (Lola Amores, Melhor Atriz) como carcereira de sua liberdade. Confira abaixo os demais premiados. Vencedores do Cine Ceará 2017 Mostra Competitiva Ibero-americana Melhor Filme “Ninguém Está Olhando”, de Julia Solomonoff Melhor Direção Fernando Pérez (“Últimos Dias em Havana”) Melhor Ator Guillermo Pfening (“Ninguém Está Olhando”) Melhor Atriz Lola Amores (“Santa e Andrés”) Melhor Roteiro Carlos Lechuga (“Santa e Andrés”) Melhor Fotografia Raúl Pérez Ureta (“Últimos Dias em Havana”) Melhor Montagem Andrés Tamborino, Karen Sztanjberg e Pablo Barbieri (“Ninguém Está Olhando”) Melhor Som Isaac Moreno (“Uma Mulher Fantástica”) Melhor Trilha Sonora Matthew Herbert (“Uma Mulher Fantástica”) Melhor Direção de Arte Tulé Peake (“Malasartes e o Duelo com a Morte”) Prêmio da Crítica (Abraccine) Ninguém Está Olhando, de Julia Solomonoff Mostra Competitiva Brasileira de Curtas Melhor Curta “Festejo Muito Pessoal”, de Carlos Adriano Melhor Direção Estevão Meneguzzo e André Félix (“Valentina”) Melhor Roteiro Felipe Camilo (“Memórias do Subsolo ou o Homem que Cavou até Encontrar uma Redoma”) Melhor Produção Cearense “Caleidoscópio”, de Natal Portela Prêmio da Crítica (Abraccine) “Filó, a Fadinha Lésbica”, de Sávio Leite Mostra Olhar do Ceará Melhor Curta “A Lenda Cotidiana”, de Bárbara Moura e S. de Sousa Prêmio Olhar Universitário Melhor Longa “Últimos Dias em Havana”, de Fernando Pérez Melhor Curta “Simbiose”, de Júlia Morim
O Futuro Perfeito demonstra como a linguagem pode ampliar fronteiras
“O Futuro Perfeito” (2016), da diretora alemã radicada na Argentina Nele Wohlatz é tão estranho quanto atraente. Isso porque o tom, por vezes bressoniano de interpretação (e um elenco formado por não-atores), acaba se tornando acessível até para um público menos familiarizado com um tipo de cinema mais hermético, e até lembra, em alguns momentos, a trajetória da Macabeia de “A Hora da Estrela” (1986). Mas o caso de Xiaobin (Xiaobin Zhang), que adota o nome Beatriz na Argentina, é ainda mais complicado, já que ela chega àquela terra estranha sem saber nenhuma palavra do espanhol. Seus pais não se interessam em se integrar àquela sociedade, pois planejam ganhar dinheiro e voltar para a China e por isso só falam em mandarim, na empresa de lavanderia que cuidam. Mas a menina de 17 anos não: ela quer se adaptar àquele mundo novo. E para isso procura empregos simples e também cursos para aprender o espanhol. Até porque, no primeiro trabalho, ela não entendia nada o que os clientes falavam e isso lhe custou o emprego. É possível também se identificar com a personagem se, em algum momento da sua vida, você também já se sentiu excluído ou um peixe fora d´água. Daí, é possível entender um pouco a atração que Beatriz sente por um rapaz indiano, que se demonstra interessado nela. Os dois estão unidos pela exclusão social. A cena do cinema, quando ele pede para casar com ela e ambos dizem que não estão entendendo o filme, é bem representativa dessa situação incômoda. Interessante notar que Beatriz vai se tornando mais inteligente e mais esperta à medida que suas aulas de espanhol progridem. Se antes tudo era muito simples nas aulas, como dizer o nome de objetos ou das partes do corpo humano ou de eventos relacionadas ao passado ou ao presente dela, a coisa se torna mais complexa quando a professora introduz o estudo do condicional, com o verbo no que a gente chama em português de futuro do pretérito. Assim, o futuro passa a ser visualizado em uma série de possibilidades. E se o rapaz indiano for casado, o você faria? E se seus pais descobrirem e não gostarem do rapaz, o que aconteceria? E se você viajar para a Índia, como seria? Assim, as imagens surgem na tela quase como verdades, embora saibamos que estamos diante de jogos de imagem a partir dos pensamentos de Beatriz. Interessante como o drama mostra o quanto a linguagem é capaz de modificar o futuro das pessoas, após o cinema mostrar a questão com uma obra bem mais ambiciosa, no registro de ficção científica – “A Chegada” (2016), de Denis Villeneuve. Bem mais modesto, principalmente em seu orçamento, minúsculo, “O Futuro Perfeito” ganha uma dimensão enorme no que tange à reflexão sobre as influências da linguagem na vida e na mente de uma pessoa, no quanto isso pode aumentar suas fronteiras. Claro que também não é só isso, pois há toda uma angústia que acompanha a projeção da história pela ponto de vista de Beatriz. Mas “O Futuro Perfeito” realmente abre mentes e conquista corações.
O Cidadão Ilustre é o grande vencedor do Prêmio Platino 2017
A quarta edição Prêmio Platino, que contempla os destaques do ano no cinema Ibero-americano, consagrou o filme argentino “O Cidadão Ilustre”, de Andrés Duprat, vencedor de três troféus: Melhor Filme, Ator (para Oscar Martínez) e Roteiro (para o diretor Duprat). O Brasil foi representado na premiação com o troféu de Melhor Atriz para Sonia Braga, por sua atuação em “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho. Saiba mais aqui. Pedro Almodóvar foi eleito o Melhor Diretor por “Julieta”, que também conquistou o prêmio de Melhor Canção Original. Mas o filme mais premiado do evento foi a fantasia “Sete Minutos Depois da Meia-Noite”, que levou quatro troféus por categorias técnicas: Edição, Direção de Arte, Fotografia e Edição de Som. O filme do espanhol J.A. Bayona é uma coprodução da Espanha, Reino Unido e Estados Unidos, falada em inglês com elenco hollywoodiano e orçamento de blockbuster. Durante a cerimônia, foi anunciado ainda que a próxima edição do Prêmio Platino será realizada no México. Confira abaixo a lista completa dos vencedores. Prêmios Platino 2017 Melhor Filme “O Cidadão Ilustre”, de Andrés Duprat Melhor Direção Pedro Almodóvar, por “Julieta” Melhor Ator Oscar Martínez, por “O cidadão ilustre” Melhor Atriz Sonia Braga, por “Aquarius” Melhor Roteiro Andrés Duprat, por “O Cidadão Ilustre” Melhor Edição, Direção de Arte, Fotografia e Edição de Som “Sete Minutos Depois da Meia-Noite” Melhor Canção Original Alberto Iglesias, por “Julieta” Melhor Animação “Psiconautas: Los Niños Olvidados” Melhor Documentário “Nacido em Siria”, de Hernán Zin Melhor Filme de Estreia “De Longe te Observo”, de Lorenzo Vigas Melhor Minissérie ou Série “Quatro estações em Havana” Prêmio de Platino de Honra Edward James Olmos
Neve Negra prende a atenção com mistérios e descobertas surpreendentes
Narrativas que envolvem muitos personagens e diversas subtramas são um convite à dispersão. Elementos centrais podem perder a força e o tempo consumir a atenção e o interesse do espectador. Às vezes, é como aquelas pessoas que se perdem em longas explicações, perorações intermináveis, que a gente acaba por não ouvir ou entender mais nada. Muito diferente é o papo direto e reto. O jeito econômico de contar uma história ou desenvolver uma ideia. O thriller argentino “Neve Negra” é um bom exemplar de trama econômica, focada no que interessa, sem dispersões. Usa o recurso do flashback progressivo, que vai mostrando em doses homeopáticas o passado dos poucos personagens envolvidos na história, de modo a ir elucidando tudo até o final. Não é um vai-e-vem no tempo interminável e confuso, como, por exemplo, o que se pode ver em outro filme em cartaz nos cinemas, “Faces de Uma Mulher”, produção francesa, dirigida por Arnaud des Pallières. E há tantos outros exemplos, atualmente. Não, o filme de Martín Hodara (“O Sinal”) é cheio de mistérios e descobertas surpreendentes, mas tudo faz muito sentido e termina bem amarrado. Sem deixar fios soltos pelo caminho. Toca, também, na questão de que a verdade é aquilo em que a gente acredita ou admite que seja, aquilo que ficou estabelecido como tal. Um segredo bem guardado estabelece o que virá depois. Ou, quem sabe, segredos em série darão o rumo das coisas. Como de costume no cinema argentino contemporâneo, vê-se um roteiro bem construído, uma história bem concebida e que vai ao ponto. Além disso, “Neve Negra” conta com alguns dos maiores atores do momento, como Ricardo Darín (“Truman”) e Leonardo Sbaraglia (“O Silêncio do Céu”), e o veterano e grande ator Federico Luppi (“No Fim do Túnel”). A jovem atriz espanhola Laia Costa (“Victoria”) tem uma interpretação segura e emocionante, ao lado desses cobras. Mostra desenvoltura. A trama remexe uma dinâmica familiar apodrecida por tudo o que ficou encoberto, negado e virou tabu na relação entre os irmãos e deles com os pais. É bem assustador o que se estabelece a partir daí. O filme mostra como isso está hoje, quando um dos irmãos, Salvador (Ricardo Darín), vive isolado, caçando na região montanhosa e gelada da Patagônia, e se tornou bem agressivo no contato. Marcos (Leonardo Sbaraglia), o irmão mais novo, e sua esposa, Laura (Laia Costa), vão ao encontro dele, tentando convencê-lo a vender a propriedade onde ele está há décadas, longe das coisas. Tarefa quase impossível. Enquanto isso, a outra irmã, Sabrina (Dolores Fonzi, de “Paulina”), vive internada, tendo crises de descontrole emocional. Para entender o porquê de tudo isso, “Neve Negra” mergulha no passado desses irmãos e nas relações que se estabeleceram entre eles, na juventude. A neve da Patagônia, os espaços amplos, vazios, as árvores que ressaltam no branco da paisagem, as tempestades, nevascas castigando o ambiente, são a expressão visual do desarranjo familiar de contornos dramáticos, trágicos, na verdade. E acabam por determinar o destino daqueles sofridos personagens. O filme tem grande fluência e a narrativa prende de tal modo, que seus já econômicos 90 minutos passam tão rápido que mal dá para perceber. Quando a projeção termina, a sensação é de que “Neve Negra” tem uma duração muito curta. Mas seu tempo é o padrão, o mais utilizado pela sétima arte desde sempre. Grande mérito para o trabalho do diretor Martín Hodara e seu elenco admirável e de grande eficiência nos desempenhos. Não surpreende o sucesso que o filme vem fazendo na Argentina, onde foi a produção mais vista nos cinemas em 2017, até aqui.












