Vencedor da Palma de Ouro, Dheepan – O Refúgio aborda o drama dos refugiados
Um mundo marcado por conflitos e guerras de toda espécie está gerando uma questão humanitária de extrema gravidade, como é o drama dos refugiados na Europa. Escapar da fome, da perseguição e da morte, é algo a se buscar a qualquer preço. Adaptar-se a lugares estranhos, em que não se tem domínio nem da língua, nem dos hábitos, sujeitar-se a condições de sobrevivência precárias e de exploração, sem falar da miséria e dos riscos diários que o simples existir exige desses imigrantes, geralmente indesejados, tornam-se imperativos. “Dheepan, o Refúgio”, novo filme de Jacques Audiard (“Ferrugem e Osso”), entra nessa questão com uma história curiosa. Para conseguir entrar na França, fugindo da guerra do Sri Lanka, um homem, ex-soldado, o Dheepan do título, se junta a uma jovem mulher solteira e uma menina de 9 anos que perdeu seus pais, para se passarem por uma falsa família e assim cruzar a barreira da imigração, visando arrumar trabalho e moradia, ainda que precários. Na verdade, eles não se conhecem e a situação de fingimento é um desafio e tanto. Chega a soar engraçado, mas é muito difícil e complicado. Viver em família já não é fácil, uma família falsa, então, nem se fale. Mas é possível descobrir, de algum modo, o afeto que une os excluídos. Esse é o centro da narrativa, na primeira parte do filme, mostrada com muito talento pelos intérpretes do Sri Lanka e Índia, sob a mão segura do diretor Audiard, que constrói belos enquadramentos e explora visualmente muito bem o ambiente. Algo pior, porém, está por vir e Jacques Audiard, atento ao terrível papel da violência nos dias atuais, sabe valer-se dela para obrigar o espectador a pensar nesses tempos obscuros em que vivemos. Ele expõe a violência, não para explorá-la como meio de atrair plateias, mas como condição indispensável para entender o que está acontecendo à nossa volta, ao nosso lado, perto de nós, onde já estamos metidos. Não há como escapar. O filme chega aos cinemas brasileiros após vencer a Palma de Ouro do Festival de Cannes 2015 e abrir a programação da 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. É realmente uma grande obra, tocada por um realizador que já nos deu “O Profeta” (2009), outro trabalho forte e denso, e garantido pelo elenco estrangeiro admirável. Os protagonistas que formam a falsa família, Dheepan (Jesuthasan Antonythasan), Yalini (Kalleaswari Srinivasan) e a pequena Illayaal (Claudine Vinasthamby), estão excelentes. Destaque para a garota de 9 anos, que tem desempenho de veterana.
Rihanna vai estrelar nova sci-fi do director de O Quinto Elemento
A cantora Rihanna vai voltar ao cinema. Ela entrou no elenco da sci-fi “Valérian and the City of a Thousand Planets”, do cineasta francês Luc Besson (“O Quinto Elemento”). O diretor usou seu perfil no Instagram para anunciar a novidade. De acordo com ele, Rihanna terá um “papel grande” no longa, juntando-se a Dane DeHaan (“O Espetacular Homem-Aranha 2”), Cara Delevingne (“Cidades de Papel”) e Clive Owen (série “The Knick”) na produção. Rihanna, que estreou no cinema com papel de coadjuvante em “Battleship – A Batalha dos Mares” (2011), também figurou nas comédias “É o Fim” (2013) e “Annie” (2014), além de ter dublado a protagonista da animação “Cada Um na Sua Casa”. Adaptação dos cultuados quadrinhos franceses criados por Pierre Christin e Jean-Claude Mézières em 1967, o filme vai acompanhar os exploradores espaciais Valérian (Dane DeHaan) e Laureline (Cara Delevingne) em missão no planeta Sirte, para descobrir se seus habitantes representam um risco para a Terra. Besson também assina o roteiro do filme, que será o mais caro já produzido por sua empresa, a EuropaCorp, responsável pela franquia “Busca Implacável”.
Kristen Stewart terá poderes paranormais no novo filme do diretor de Acima das Nuvens
A atriz Kristen Stewart tentará se comunicar com o além no novo longa de Olivier Assayas, intitulado “Personal Shopper”. O longa marcará o reencontro da atriz com o diretor francês, após a parceria anterior, em “Acima das Nuvens”, a tornar a primeira americana a vencer um prêmio César (o Oscar francês). Ela foi eleita Melhor Atriz Coajuvante de 2015. Segundo o site Variety, o novo projeto é uma história de fantasmas no submundo da moda. Kristen vai interpretar uma personal stylist com poderes paranormais, que tenta contatar seu irmão gêmeo morto. Na produção, ela vai contracenar com dois atores de “Acima das Nuvens”, o alemão Lars Eidinger e a austríaca Nora von Waldstätten. Também participam do elenco internacional a francesa Sigrid Bouaziz (série “The Tunnel”) e o norueguês Anders Danielsen Lie (“Oslo, 31 de Agosto”). As filmagens começam na terça, dia 27 de outubro, em Paris e depois ainda seguirão para Praga, Londres e Mascate, em Omã. Ainda não há previsão para o lançamento.
Respire destaca direção inspirada de Mélanie Laurent
Mélanie Laurent é uma artista multifacetada. Além de ser aquela atriz fantástica que vem chamando atenção desde, pelo menos, “Bastardos Inglórios” (2009), ela também é excelente cantora e diretora de cinema. “Respire” já é o seu segundo longa-metragem, tendo participado, inclusive, do Festival de Cannes. Ela também assina o roteiro do filme que, por sua vez, é baseado no romance de uma escritora, Anne-Sophie Brasme. O longa precisava mesmo de um toque feminino para abordar com tanta segurança o universo íntimo de duas jovens garotas colegiais. Na trama, Charlie (Joséphine Japy) é uma jovem relativamente popular na escola, embora se perceba logo no início que lhe falta entusiasmo no trato com suas amigas, bem como na rotina de sua vida, seja na escola, seja em casa. Essa vontade de viver com mais intensidade surge quando ela conhece Sarah (Lou de Laâge), recém-chegada na escola e já demonstrando muito charme e um brilho todo próprio. Aos poucos, as duas viram melhores amigas. E essa amizade também passa a se tornar algo a mais, principalmente na cabeça de Charlie, que vai se mostrando cada vez mais apegada a Sarah, que por sua vez vai revelando uma faceta um tanto sádica. Pode-se dizer que “Respire” é um filme dividido em dois registros complementares: a delicadeza de um filme de amizade e intimidade entre duas garotas e também a tensão de um suspense de tirar o fôlego. O fato de Charlie ser asmática ajuda bastante na composição desse segundo momento, e é o motivo mais óbvio para o título desse trabalho de Laurent, embora haja outros motivos também. E por isso é importante ter cuidado para não entregar o impactante final. “Respire” ainda chama atenção pela forma como retrata as mães das protagonistas, que ou moram sozinhas ou são mal-tratadas por seus maridos. No caso do pai de Charlie, ele é pintado como um sujeito mau caráter que a mãe teima em amar. Esse tipo de relação acaba por se refletir na relação entre as duas adolescentes, em meio à humilhações e tudo o mais que envolve a narrativa. A maior parte do elenco é de estreantes, o que destaca o modo como Laurent extrai de suas atrizes momentos de forte carga dramática, como se elas tivessem nascido para aqueles papéis. O trabalho foi reconhecido com indicações ao Cesar (o Oscar francês) e o prêmio Lumiere para as jovens Joséphine Japy e Lou de Laâge, na categoria de Atrizes Mais Promissoras do ano. Além disso, a obra também registra um uso extremamente elegante da movimentação de câmera, entre vários outros. Por isso, que venham os próximos filmes dirigidos por esta moça talentosa.



