Filme religioso e terror adolescente marcam semana sem grandes estreias de cinema
O impacto de “Vingadores: Guerra Infinita” encolheu o circuito, que não tem nenhum grande lançamento, em mais de um sentido, nesta quinta (3/5). As maiores estreias são filmes que fracassaram nos Estados Unidos. Mas há opções europeias razoáveis em lançamento limitado para cinéfilos dos grandes centros urbanos. Ao todo, são apenas sete estreias e, pela primeira vez no ano, nenhuma delas é documentário. Clique nos títulos abaixo para ver os trailers de cada obra. “Paulo – Apóstolo de Cristo” segue “Ben-Hur”, “Ressurreição”, “Maria Madalena” e “Últimos Dias no Deserto” na ressurreição dos filmes sobre as origens do cristianismo. Mas esta súbita proficuidade não encontrou respaldo do público, já que todos deram prejuízo nas bilheterias. O que chega agora no Brasil é o mais barato da tendência, que busca recriar o período do império romano com apenas US$ 5 milhões de orçamento – contra os US$ 100 milhões de “Ben-Hur” – e foi considerado medíocre pela crítica americana – 41% no Rotten Tomatoes. A trama gira em torno do santo que batiza São Paulo, que foi o maior algoz dos cristãos antes de passar pela mais espetacular conversão de relações públicas de todos os tempos, virando o principal representante do cristianismo, por meio de seus próprios relatos. O filme não se detém sobre esta reflexão cínica, preferindo aderir à história oficial, a religiosa, que o próprio Paulo escreveu. Assim, ele já surge em cena cativo em Roma, prisioneiro de Nero e sofrendo punições dignas de Cristo, ao mesmo tempo em que lamenta seu passado e conspira com Lucas para escrever e contrabandear as bases do Novo Testamento. O intérprete de Paulo, James Faulkner, já foi um Papa corrupto na série “Da Vinci’s Demons”, e a interpretação de Lucas traz de volta Jim Caviezel a esse período histórico, após sofrer como o personagem-título de “A Paixão de Cristo” (2004). O terror “Verdade ou Desafio” reúne dois astros de séries adolescentes, Lucy Hale (de “Pretty Little Liars”) e Tyler Posey (“Teen Wolf”), numa história batida de terror, em que um grupo de jovens é assombrado por uma ameaça sobrenatural, determinada a matar um por um. Os clichês lembram de “Premonição” (2000) ao terror da semana passada, qualquer que tenha sido, de tão convencional que é a história. Numa época de renascimento do gênero, o longa de Jeff Wadlow (“Kick-Ass 2”) representa um grande retrocesso e foi recebido com tomates podres nos Estados Unidos – meros 15% de aprovação no Rotten Tomatoes. “Gringo – Vivo ou Morto” é uma comédia de ação com elenco famoso, violência e humor negro. O gringo do título é um funcionário azarado de uma empresa farmacêutica. Endividado, mal-amado e infeliz, é encarregado de entregar uma fórmula de pílula de cannabis para um laboratório no México e aproveita a viagem para cair na farra, quando acaba raptado por narcotraficantes. David Oyelowo (“Selma”) interpreta o protagonista, Charlize Theron (“Mad Max: Estrada da Fúria”) e Joel Edgerton (“Ao Cair da Noite”) são seus patrões gananciosos, e a história ainda tem uma turista americana vivida por Amanda Seyfried (“Ted 2”) e um mercenário humanitário incorporado por Sharlto Copley (“Elysium”), sem esquecer Thandie Newton (série “Westworld”) no papel de mulher de Oyelowo e coadjuvantes como Melonie Diaz (“Fruitvale Station”) e… Paris Jackson (a filha de Michael). Esse elenco diversificado é dirigido por Nash Edgerton (“O Quadrado”), irmão mais velho do ator Joel Edgerton, que se esforça muito para passar por um Quentin Tarantino australiano. Deveria se esforçar mais para ser original, já que a obra obteve 41% de aprovação no Rotten Tomatoes. Único lançamento nacional da semana, o drama “Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos” traz Edson Celulari como um cego de nascença, que vive feliz com a mulher e a filha, até que tem a chance de voltar a ver com uma cirurgia. O ator não filmava desde “Diário de um Novo Mundo” (2005) do mesmo diretor, Paulo Nascimento, e é a única motivação para se desperdiçar a visão com este melodrama moralista que prega o contentamento e outras banalidades. Circuito europeu Representante italiano a uma vaga no Oscar 2018, “Ciganos da Ciambra” é uma coprodução brasileira. Em seu time de produtores, figura o brasileiro Rodrigo Teixeira, além do americano Martin Scorsese. Escrito e dirigido por John Carpignano (“Mediterranea”), o longa é expansão de um curta homônimo, premiado no Festival de Cannes em 2014. A trama se passa em uma comunidade cigana na região da Calábria, sul da Itália, e acompanha o rito de passagem de um jovem cigano de 14 anos. O personagem é interpretado pelo ator Pio Amato (também de “Mediterranea”) com um naturalismo impressionante. Fuma, bebe e é o homem da casa, após o pai e o irmão serem presos, e não conhece outro modo de sustentar os parentes que não seja praticar roubos. A filmagem em tom documental é aflitiva, num resgate do neorrealismo italiano, reforçado pela escolha do elenco amador. É possível achar que esse filme já foi visto há 50 anos. Mas também é possível lamentar que, em meio século, o mundo tenha permanecido tão igual em sua desigualdade. Carpignano venceu o David di Donatello 2018 (o Oscar italiano) de Melhor Direção. O destaque de “Os Fantasmas de Ismael” é o elenco, que reúne Marion Cotillard (“Assassin’s Creed”) e Charlotte Gainsbourg (“Ninfomaníaca”) como rivais pelo amor de Mathieu Amalric (“O Grande Hotel Budapeste”). A trama gira em torno do Ismael do título (Amalric), cuja mulher (Cotillard) lhe abandonou há 20 anos e é dada como morta. Ao se apaixonar e iniciar uma nova relação (com Gainsbourg), ele é surpreendido pela volta de ex, supostamente do além – na verdade, da Índia. O filme francês tem roteiro e direção de Arnaud Desplechin (“Três Lembranças da Minha Juventude”), que desperdiça uma premissa misteriosa com subtramas desnecessárias, para justificar a presença do igualmente excelente elenco coadjuvante: Alba Rohrwacher (“As Maravilhas”), Hippolyte Girardot (“Amar, Beber e Cantar”) e Louis Garrel (“Saint Laurent”). Mas, em seu terço final, reduz tudo ao egocentrismo do personagem de Amalric, um diretor de cinema em crise que não consegue terminar seu filme, exatamente como parece ser aqui o caso de Desplechin. Por fim, o menos badalado e melhor dos europeus. “O Parque” já tem dois anos, lançado no Festival de Cannes 2016, e seu diretor, o francês Damien Manivel (“O Jovem Poeta”), até fez mais um longa desde então. A obra gera perplexidade por ser muito simples e, ao mesmo tempo, complexa. Sem movimentos de câmera ou trilha sonora, com atores estreantes, que batizam os personagens, e passado inteiramente no parque do título, o filme acompanha dois adolescentes em seu primeiro encontro romântico, durante uma tarde de verão. Entre conversas típicas da situação e a separação do casal ao anoitecer, acontece outro encontro, mais inusitado, entre a nouvelle vague romântica e o cinema fantástico do tailandês Apichatpong Weerasethakul. Impressionante.
Baseado em Fatos Reais traz Polanski às voltas com suspense banal
Partir de uma história verdadeira, ou seja, acontecida de algum modo, em algum lugar, para criar em cima dela, parece condição corriqueira da criação artística. E o cinema parte também do próprio cinema. Acompanhando “Baseado em Fatos Reais”, o novo suspense de Roman Polanski (“O Escritor Fantasma”), impossível não se lembrar de vários outros filmes similares, envolvendo uma figura pública de sucesso, no caso, uma escritora em crise criativa, e uma fã, conhecedora da história e do talento da escritora, que entra em sua vida de modo tão disruptivo quanto sugador. Da relação aterrorizante entre duas mulheres, a escritora (Emmanuelle Seigner, esposa do diretor) e a fã Elle (Eva Green), surge um thriller muito envolvente. E que Polanski tratará de trabalhar a seu modo, com seu estilo próprio e assustador, apesar da familiaridade da trama, baseada no best-seller homônimo de Delphine de Vigan e roteirizada por outro cineasta, Olivier Assayas (“Personal Shopper”). Em uma cena, o diretor até cria uma falsa expectativa e brinca com o espectador. Não era possível que fosse adotar aquele clichê! Quem vir o filme vai notar. Enfim, um thriller que prende a atenção, e até surpreende, numa história já muito explorada pelo cinema.
Festival de Cannes anuncia seleção de 2018 com filmes de Spike Lee, Godard e Jia Zhangke
O presidente do Festival de Cannes, Thierry Fremaux, anunciou nesta quinta (12/4) a leva inicial de filmes que serão exibidos no evento deste ano. Apesar da inclusão de alguns realizadores bastante conhecidos dos cinéfilos, houve um certo anticlímax na revelação, já que poucos filmes listados despertaram expectativas. O que mais chamou atenção foi a inclusão de novos longas de dois cineastas considerados prisioneiros políticos, o iraniano Jafar Panahi e o russo Kirill Serebrennikov, que estão em prisão domiciliar em seus países. Ambos vão disputar a Palma de Ouro. O caso de Panahi é um fenômeno. Desde que foi preso e proibido de filmar, já rodou quatro longas, contando o atual “Three Faces”. A 71ª edição do festival selecionou – até o momento – apenas dois diretores americanos: Spike Lee, que volta a Cannes depois de 27 anos – após “Febre da Selva” (1991) – e David Robert Mitchell, que lançou seus dois filmes anteriores na mostra paralela Semana da Crítica. Desta vez, ele vai competir pela Palma de Ouro com “Under The Silver Lake”, que teve seu trailer revelado. Já o filme de Spike Lee é “BlacKkKlansman”, história de um policial afro-americano que consegue se infiltrar na organização racista Ku Klux Klan. O festival também voltará a receber velhos habitués da Croisette, como o o japonês Hirokazu Kore-Eda, o italiano Matteo Garrone, o chinês Jia Zhangke e o veterano cineasta francês Jean-Luc Godard, atualmente com 87 anos de idade. A aparição mais celebrada na lista, porém, é de um estreante em Cannes, o polonês Pawel Pawlikowski, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2015 por “Ida”. Seu novo filme “Cold War” marca o retorno de uma produção polonesa à disputa da Palma de Ouro após duas décadas de ausência na competição. Como já é praxe e nem os últimos avanços parecem modificar, filmes dirigidos por mulheres continuam a ser minoria absoluta no evento. Apenas três diretoras estão na disputa pelo principal prêmio: a francesa Eva Husson, a libanesa Nadine Labaki e a italiana Alice Rohrwacher. Apesar disso, o júri da Palma de Ouro de Cannes será presidido por uma mulher, a atriz australiana Cate Blanchett, enquanto outra, a diretora francesa Ursula Meier, tem a responsabilidade de eleger o melhor filme de cineasta estreante para a premiação da Câmera de Ouro. Dois filmes de diretores brasileiros ganharão exibições fora de competição. Haverá uma sessão especial com a estreia mundial do musical “O Grande Circo Místico” (2016) de Cacá Diegues, e a projeção, entre as sessões à meia-noite, de “Artic”, drama de sobrevivência estrelado pelo dinamarquês Mads Mikkelsen, assinado pelo paulista estreante em longas Joe Penna. Com abertura de “Todos lo Saben”, longa-metragem rodado em espanhol pelo iraniano Asghar Farhadi, o Festival de Cannes 2018 vai acontecer entre os dias 8 e 19 de maio – sem filmes da Netflix, sessões adiantadas para a imprensa e selfies no tapete vermelho. Veja abaixo, a primeira lista de filmes selecionados. MOSTRA COMPETITIVA “Todos lo Saben”, Asghar Farhadi (Irã) “Le livre d’image”, Jean-Luc Godard (França) “BlacKkKlansman”, Spike Lee (EUA) “Three Faces”, Jafar Panahi (Irã) “Cold War”, Pawel Pawlikowski (Polônia) “Leto”, Kirill Serebrennikov (Rússia) “Lazzaro Felice”, Alice Rohrwacher (Itália) “Under The Silver Lake”, David Robert Mitchell (EUA) “Capernaum”, Nadine Labaki (Líbano) “At War”, Stephane Brizé (França) “Asako I&II”, Ryusuke Hamaguchi (Japão) “Sorry Angel”, Christophe Honoré (França) “Dogman”, Matteo Garrone (Itália) “Girls of the Sun”, Eva Husson (França) “Yomeddine”, A.B Shawky (Egito) “Burning”, Lee-Chang Dong (Coreia do Sul) “Shoplifters”, Kore-Eda Hirokazu (Japão) “Ash Is Purest White”, Jia Zhang-Ke (China) SESSÕES ESPECIAIS “Dead Souls”, Wang Bing (China) “10 Years In Thailand”, Aditya Assarat, Wisit Sasanatieng, Chulayarnon Sriphol & Apichatpong Weerasethakul (Tailândia) “Pope Francis – A Man Of His Word”, Wim Wenders (Alemanha) “La Traversée”, Romain Goupil (França) “To The Four Winds”, Michel Toesca (França) “O Grande Circo Místico”, Carlos Diegues (Brasil) “The State Against Mandela And The Others”, Nicolas Champeaux & Gilles Porte (França) SESSÕES DA MEIA-NOITE “Arctic”, Joe Penna (Brasil) “The Spy Gone North”, Yoon Jong-Bing (Coreia do Sul) FORA DE COMPETIÇÃO “Le Grand Bain”, Gilles Lellouche (França) “Han Solo: Uma História Star Wars”, Ron Howard (EUA) MOSTRA UM CERTO OLHAR “Long Day’s Journey Into Night”, Bi Gan (China) “Little Tickles”, Andréa Bescond & Eric Métayer ( França) “Sofia”, Meyem Benm’Barek (França) “Border”, Ali Abbasi (Irã) “Sextape”, Antoine Desrosières (França) “The Gentle Indifference Of The World”, Adilkhan Yerzhanov (Cazaquistão) “El Ángel”, Luis Ortega (Argentina) “In My Room”, Ulrich Kohler (Alemanha) “The Harvesters”, Etienne Kallos (África do Sul) “My Favorite Fabric”, Gaya Jiji (Síria) “Friend”, Wanuri Kahiu (Quênia) “Euphoria”, Valeria Golino (Itália) “Angel Face”, Vanessa Filho (França) “Girl”, Lukas Dhont (Bélgica) “Manto”, Nandita Das (Índia)
Rampage opta pelo gigantismo para se destacar entre as estreias de cinema da semana
Maior estreia da semana, “Rampage – Destruição Total” chega em quase mil salas, apostando que a ocupação do espaço cinematográfico, overdose de marketing, monstros gigantes e a popularidade do astro Dwayne Johnson sejam capazes de transformar um lançamento genérico num blockbuster. Mas este não é um novo “Jumanji”. Apesar de baseado num jogo antigo de arcade, esta adaptação se leva a sério demais, com muitas explosões e expressões compenetradas, embora não passe, basicamente, de um amontoado de absurdos dignos da série “Zoo”, já cancelada. O filme é uma adaptação do velho game homônimo lançado em 1986, em que três criaturas gigantes (o macaco George, o lagarto Lizzy e o lobisomem Ralph) destruíam cidades e lutavam contra militares. E a trama não passa disso, com alguns vilões humanos para justificar “cientificamente” a transformação dos bichos em pseudo-Godzillas. A versão de cinema foi escrita pelos roteiristas Carlton Cuse e Ryan Condal (criadores da série “Colony”), marcando um reencontro entre Condal e Johnson após o fraco “Hércules” (2014). “Rampage”, por sinal, também é o terceiro filme do ator dirigido por Brad Peyton, que o comandou em “Terremoto: A Falha de San Andreas” (2015) e “Viagem 2: A Ilha Misteriosa” (2012). Todos muito bem-sucedidos nas bilheterias. E todos considerados medíocres pela crítica. Desta vez não é diferente, com apenas 49% de aprovação no Rotten Tomatoes. Os demais lançamentos chegam em circuito bem menor, após passarem por festivais internacionais. Clique nos títulos de cada filme para ver os trailers de todas as estreias. Novo filme de Roman Polanski A estreia mais convencional é “Baseado em Fatos Reais”, um thriller do veterano Roman Polanski. Trata-se da adaptação do livro homônimo de Delphine de Vigan, que venceu diversos prêmios literários em 2015, com roteiro de outro cineasta famoso, Olivier Assayas (“Personal Shopper”). Mas se essa combinação gera expectativa, ela logo se frustra ao entregar um amontoado de clichês do gênero, de “Mulher Solteira Procura” (1992) a “Louca Obsessão” (1990). Na trama, a esposa do diretor, Emmanuelle Seigner (“A Pele de Vênus”), vive o alter-ego de Delphine de Vigan, uma escritora que passa por um bloqueio criativo após o lançamento de seu último e bem-sucedido livro. O momento difícil é superado com a ajuda de uma nova e maravilhosa amiga, Elle, papel de Eva Green (“O Lar das Crianças Peculiares”). O problema é que a amiga, que trabalha como ghost writer, revela-se uma admiradora obsessiva que, em pouco tempo, tenta se intrometer no texto e até na vida íntima da escritora. Para não ficar no já visto, há uma pouco inesperada reviravolta. Cinema brasileiro premiado Em contraste, a frustração causada por “Aos Teus Olhos” é muito bem-vinda. A trama parece feita sob medida para estes tempos de acusações de abuso que geram movimentos e condenações nas redes sociais, combinando suspeita e drama sem conclusão fácil. A premissa é inspirada na peça espanhola “O Princípio de Arquimedes”, de Josep Maria Miró, mas o filme é brasileiro, escrito por Lucas Paraizo (de “Gabriel e a Montanha” e série “Sob Pressão”) e dirigido por Carolina Jabor (“Boa Sorte”). A trama gira em torno do personagem de Daniel de Oliveira (“Sangue Azul”), um professor de natação infantil acusado de abuso sexual pelos pais de um aluno. A acusação vem, como é praxe hoje em dia, pelas redes sociais. O post de uma mãe se torna viral e provoca um linchamento virtual imediato. A denúncia se espalha rapidamente na internet e até as pessoas mais próximas do protagonista, como a diretora da escola e um colega de trabalho, ficam em dúvida sobre suas ações e intenções. Esta história também aconteceu com o professor vivido por Mads Mikkelsen em “A Caça” (2012). A diferença é que o personagem brasileiro não é simpático e dá bandeira, embora isso apenas reforce o julgamento superficial das aparências. Exibido em diversos festivais nacionais e internacionais, “Aos Teus Olhos” venceu quatro troféus no Festival do Rio 2017: Melhor Ator (Daniel de Oliveira), Melhor Ator Coadjuvante (Marco Ricca, pai do menino supostamente abusado), Melhor Roteiro e Melhor Filme no Voto Popular. Também foi considerado o Melhor Filme brasileiro na Mostra de São Paulo. Logicamente, também é o melhor filme para ver neste fim de semana. Surpresas da América do Sul “Severina” também tem direção de brasileiro, Felipe Hirsch (de “Insolação”), mas é falado em espanhol e filmado no centro de Montevidéu, no Uruguai, onde o dono de uma livraria de poucos clientes se apaixona por uma musa fugidia, argentina como o escritor Jorge Luis Borges, que visita sua loja para roubar livros. Não há gênero mais convencional que a comédia romântica, portanto ver um filme anti-convencional partir das premissas desse gênero é digno de exaltação. Exibido no Festival de Locarno, é uma obra para amantes de literatura, cinema e também para os simplesmente amantes – de amar. Premiado em festivais latinos, “A Noiva do Deserto” marca a estreia de duas diretoras assistentes de sucessos argentinos, Cecilia Atán (assistente de “Táxi, um Encontro”) e Valeria Pivato (assistente de “Leonera”), no comando de um longa. A história, escrita pelas duas, gira em torno de uma mulher de 54 anos, que vê seu trabalho como doméstica em risco, conforme a crise econômica afeta a família que a emprega, deixando-a desnorteada e literalmente sem rumo. A história é bastante simples, mas se torna profunda com a interpretação formidável da chilena Paulina Garcia, que já tinha encantado no papel-título de “Gloria” (2013). Mestres orientais Completa a programação dois filmes de mestres orientais. “Antes que Tudo Desapareça” é uma sci-fi de Kiyoshi Kurosawa. O diretor japonês, que conquistou um séquito por seus terrores cultuados da virada do século – entre eles, “A Cura” (1997) e “Pulse” (2001) – , faz sua versão de “Invasores de Corpos” ao mostrar alienígenas que assumem identidades humanas para preparar uma invasão da Terra. Elementos de humor negro vem à tona em detalhes, como no que revela o segredo – uma mulher desconfia que seu marido se tornou gentil demais. Apesar da premissa conhecida, o resultado é esquisito o suficiente para ser puro Kurosawa. “O Dia Depois” também é puro Hong Sang-soo. É mais uma história de corações partidos do diretor sul-coreano, calcada na contemplação e na repetição, e marcada por algum detalhe estilístico – no caso, filmada em preto e branco, com edição fragmentada, para marcar passagens bruscas de tempo, e paralelos que visam destacar que o protagonista é um homem fadado a se repetir. No ano retrasado, Hong Sang-soo confessou em Cannes que só precisava de duas coisas para fazer um filme: atores e um restaurante/café/bar. Desta vez, é um confusão de identidades que dispara a indefectível discussão filosófica de bar-restaurante, típica do cinema de noodles e álcool de Sang-hoo. O evento acontece durante os primeiros dias de trabalho de uma funcionária recém-contratada numa pequena editora. O proprietário da empresa traía a mulher com outra funcionária. Por isso, sua esposa desconfiada aparece de surpresa e estapeia a nova funcionária, que não tem nada a ver com a história. É a deixa para o bar-restaurante, onde a conversa entre o patrão e a empregada se estende até o fim do filme.
Deixe a Luz do Sol Entrar traz Juliette Binoche encantadora
Há uma cena de “Deixe a Luz do Sol Entrar” em que uma já cansada e sofrida Isabelle (Juliette Binoche) está em um táxi e pergunta ao motorista se ele está bem, como ele está se sentindo, quer, sinceramente, também saber dele. Tanto para saber do sofrimento alheio e quem sabe entender um pouco o seu, quanto para, talvez, se sentir menos sozinha ou mesmo encontrar alguma forma de alento. Esta é uma das mais belas, tristes e poéticas cenas do filme, embora seja também uma das mais simples. Precisa ser vista dentro do contexto dos acontecimentos anteriores para que seja melhor sentida. No começo deste novo trabalho de Claire Denis, Isabelle, a heroína da narrativa, conversa de maneira bem pouco natural sobre seu drama, a dificuldade de encontrar alguém para amar, quase como se estivesse num musical – mas sem os atores cantarem. Na primeira cena do filme, ela está transando com o amante, um homem casado, um banqueiro um tanto cínico. Ela é uma artista plástica que vive uma vida de menos posses para esbanjar, por isso o homem em certo momento a chama de proletária. Mas a questão do dinheiro nem é um elemento forte do filme, não. O mais importante é a busca pelo amor, uma busca que esbarra constantemente em frustrações, em sentimento de rejeição. A história certamente encontrará identificação por parte do público, especialmente de um público que vive momentos frequentes de instabilidade na vida amorosa. Daí, será fácil se ver um pouco na personagem de Binoche. Aliás, que mulher, meus amigos. Esta afirmação é muito óbvia, levando em consideração que acompanhamos a atriz desde os anos 1980 e sempre com muita admiração, seja pela beleza, seja pela sensibilidade com que ela agarra os papéis. Mas em “Deixe a Luz do Sol Entrar” ela parece estar mais plena como mulher. É possível que pelo olhar de uma diretora como Claire Denis ela tenha alcançado outro patamar de sensibilidade. Uma mulher desta vez vista pelo olhar de outra mulher. E justamente por ser tão bela e tão apaixonante, é tão irritante vê-la ser rejeitada como nas cenas com o personagem do ator de teatro vivido por Nicolas Duvauchelle, que apareceu em “Desejo e Obsessão” (2001) e “Minha Terra, África” (2009) da diretora. As cenas com Duvauchelle talvez sejam as melhores do filme, no sentido de mostrar a tensão de um primeiro encontro, a dúvida sobre o passo seguinte a dar, as palavras como agentes de atrito etc. Talvez o filme comece a derrapar a partir de uma cena de festa, em que aparece um sujeito um tanto exótico, que chama a atenção de Isabelle. Sua aparência e seus gestos até provocam alguns risos da plateia. O humor em “Deixe a Luz do Sol Entrar” é bastante singular e muito bem-vindo, servindo para atenuar o tom de tristeza da personagem. Terminar como terminou representa uma promessa de um futuro melhor, ou ao menos de uma aceitação por parte da personagem sobre sua vida e seu destino. O conselho do título, dito pelo personagem de Gerard Depardieu, em pequeno papel, parece um pouco óbvio, mas como esquecemos continuamente tantas lições que a vida já nos ensina, é necessário que certas coisas sejam novamente ditas e lembradas. Há momentos que lembram David Lynch: Binoche dançando ao som de “At Last”, em linda interpretação de Etta James, como escolha ideal de canção sobre a definitiva (?) chegada do verdadeiro amor; ou mesmo a primeira aparição de Depardieu dentro de um carro, quebrando um pouco a linha narrativa, inserem na obra um ar surreal bem-vindo. Estar “aberta”, neste caso, vale também para as escolhas de Denis.
Asia Argento e diretora Catherine Breillat se atacam em público
A diretora francesa Catherine Breillat resolveu atacar a atriz italiana Asia Argento durante uma entrevista e recebeu o troco, dando origem a um bate-boca repleto de acusações e ofensas de ambas as partes. Breillat deu início à polêmica ao se posicionar, como outras francesas de sua geração, contra o movimento #MeToo e as denúncias de assédio que tomaram conta de Hollywood desde a revelação dos abusos do produtor Harvey Weinstein, que por três décadas se aproveitou de atrizes iniciantes para se satisfazer sexualmente. Em entrevista ao podcast Murmur Digital Radio, ela não só defendeu Weinstein, cujo escândalo seria uma “perda” para o cinema, como atacou Jessica Chastain, que jamais deveria ter criticado a polêmica cena de sexo de “O Último Tango em Paris”. Mas não ficou nisso. A cineasta francesa, que dirigiu Asia Argento em “A Última Amante” (2008), chamou a atriz de “mercenária” e “traidora”, e duvidou da veracidade de sua acusação contra Weinstein. Argento foi uma das primeiras a revelar ter sido estuprada pelo produtor. “Para ser muito honesta, não acredito na Asia. Ela era muito, muito jovem. Se há alguém em quem não acredito, é Asia Argento. Como pessoa, ela é muito servil. Nunca pedi a ela para me bajular, mas ela é este tipo de pessoa. Se há uma pessoa capaz de se defender sozinha, que não é reservada sobre sexo, que inclusive faz bastante e deseja igualmente homens e mulheres, essa pessoa é ela”. Questionada, então, sobre quais seriam os motivos que levaram a atriz a dizer que foi estuprada, a diretora disse acreditar que isso aconteceu porque, depois de ceder, ela não conseguiu o destaque na carreira que achou que conseguiria ao trocar sexo por um papel. “Para Asia, foi, obviamente, vamos dizer, motivado pelo interesse próprio, uma espécie de semi-prostituição. Harvey Weinstein não é o pior homem que existe. Ele não é o mais estúpido também. Asia pode ter ficado desapontada por não ter despontado em Hollywood como imaginava”, acusou Breillat. Ela continuou, chamando a atriz de drogada, mercenária e traidora. “Havia outras coisas também: drogas, muitas outras coisas. A amargura também pode levar as pessoas a denunciar se você deseja obter alguma coisa e não a obtém. Sinceramente, não gosto da Ásia. Acho que ela é mercenária e traidora”, disparou. Breillat ainda disse que, “por ser artista, não precisa ser politicamente correta”. Acostumada a exibir seus filmes nos grandes festivais europeus, a diretora de 69 anos sofreu um derrame em 2004 e até hoje tem sequelas. Ela costuma despertar opiniões fortes com seus filmes, sempre marcados por cenas polêmicas de cunho sexual, e afirmou que as mesmas pessoas que defendem o movimento #MeToo são as que atacam seu trabalho. Asia Argento respondeu no Twitter, lembrando o passado polêmico da cineasta e revelando sua experiência nos bastidores das filmagens de “A Última Amante”. “Catherine Breillat foi a diretora mais sádica e descaradamente maligna com quem já trabalhei. Ela sentia prazer extremo em humilhar seus atores e equipe durante as filmagens de ‘A Última Amante’”, escreveu a filha do lendário cineasta Dario Argento. “Houve uma cena em que ela deliberadamente não quis interromper até o ator principal desmaiar, e ele descontou em mim. Nós nos envolvemos numa troca de socos, enquanto Breillat zombava ao fundo. Nunca contei essas coisas, porque acreditava que o que acontecia num set ficava num set, mas ela realmente passou dos limites ao me lembrar o tipo de mostro que é, ao insultar Jessica Chastain e o movimento #MeToo”, acrescentou. Ela ainda reclamou da visibilidade dada “a alguém que difama uma vítima de estupro, critica (o movimento) #MeToo enquanto defende Weinstein”. “Catherine Breillat, roteirista de ‘Bilitis’, filme que enfatiza o sexo infantil feito pelo fotógrafo pedófilo David Hamilton, não pode me julgar”, concluiu Asia, citando o controverso fotógrafo e cineasta britânico, morto em 2016 e famoso por fotografar adolescentes nuas.
Stéphane Audran (1932 – 2018)
Morreu a atriz francesa Stéphane Audran, uma das musas da nouvelle vague. Ela faleceu nesta terça-feira (27/3) aos 85 anos. “Minha mãe estava doente há algum tempo. Ela foi hospitalizada há dez dias e voltou para casa. Ela partiu pacificamente esta noite por volta das duas da manhã”, anunciou seu filho Thomas Chabrol à AFP. Nascida Colette Suzanne Dacheville, em 8 de novembro de 1932 na cidade de Versalhes, ela foi casada com o ator Jean-Louis Trintignant entre 1954 e 1956, antes dele se tornar famoso. Mas só virou atriz depois da separação. Em 1959, o cineasta Claude Chabrol a escalou na comédia “Os Primos” e foi amor à primeira vista. Os dois se casaram na vida e no cinema, criando 20 filmes juntos. Entre eles, estão alguns clássicos da nouvelle vogue, como “Entre Amigas” (1960), “A Mulher Infiel” (1969), “Amantes Inseparáveis” (1973) e especialmente “As Corças” (1968), sobre um relacionamento à três, em que ela encarnou uma bela bissexual. Pelo papel, a atriz venceu o Urso de Prata no Festival de Berlim. Stéphane também venceu o César por “Violette” (1978), e o BAFTA por “Ao Anoitecer” (1971), ambos dirigidos por Chabrol. Ela também estrelou inúmeros clássicos de outros cineastas, como “O Signo do Leão” (1962), de Éric Rohmer, “A Garota no Automóvel com Óculos e um Rifle” (1970), de Anatole Litvak, o vencedor do Oscar “O Discreto Charme da Burguesia” (1972), de Luis Buñuel, “Agonia e Glória” (1980), de Samuel Fuller, e o popular “A Festa de Babette” (1987), de Gabriel Axel, que também venceu o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira. O casamento com Chabrol acabou em 1980, mas não a parceria, que perdurou até os anos 1990. Após encerrar a carreira em 2008, num pequeno papel em “A Garota de Mônaco”, de Anne Fontaine, ela retornou recentemente para completar filmagens de um longa inacabado de Orson Welles, “The Other Side of the Wind”, que permanece inédito. “Stéphane era uma atriz muito boa. Era ótima para interpretar mulheres livres e independentes, como era na vida”, reagiu o diretor Jean-Pierre Mocky, que havia dirigido a atriz em “Les Saisons du Plaisir” em 1988.
Programação de cinema mais fraca do ano destaca estreias com robôs gigantes e bichos falantes
Robôs gigantes e bichos falantes ocupam os cinemas dos shopping centers, enquanto outros sete lançamentos buscam espaço no circuito limitado. Mesmo com nove filmes, a programação é das mais fracas do ano. Por isso, as opções recomendadas são exclusivamente documentários. Clique nos títulos abaixo para ver os trailers de todas as estreias. “Círculo de Fogo: A Revolta” é a maior estreia, quase do tamanho de um kaiju, com projeção em 846 salas. Trata-se da continuação do filme que Guillermo del Toro lançou em 2013, antes de se dedicar ao longa que venceu o Oscar 2018, “A Forma da Água”. Mas ele não comanda a sequência, que marca a estreia na direção de Steven S. DeKnight após uma longa carreira como roteirista e produtor de séries, como “Buffy”, “Spartacus” e “Demolidor”. E a diferença é gritante. O primeiro filme não fez grande sucesso de bilheterias, mas agradou a crítica pela disposição de criar uma nova mitologia a partir da cultura de monstros e robôs gigantes do entretenimento pop japonês, mostrando grande paixão pelo gênero. Já o segundo é assumidamente infantilizado como as imitações ocidentais de Hollywood, um cruzamento de “Power Rangers” com “Transformers”. E virou metal retorcido nas mãos da imprensa americana, com 46% de aprovação no site Rotten Tomatoes. Apesar de estrelado por John Boyega (“Star Wars: O Despertar da Força”), no papel do filho do personagem de Idris Elba no longa de 2013, os verdadeiros astros da produção são os robôs, chamados de Jaggers, que inclusive ocuparam todos os pôsteres divulgados da produção. Isto já devia servir de alerta. “Círculo de Fogo: A Revolta” é candidato a ocupar a vaga de “Transformers” na premiação do próximo Framboesa de Ouro. “Pedro Coelho” (Peter Rabbit) é um híbrido de animação e live action, que combina os famosos bichinhos falantes criados pela escritora britânica Beatrix Potter com humanos interpretados por atores de carne e osso. O ponto alto é a qualidade dos efeitos, que misturam perfeitamente digital e real. Já o ponto baixo fica por conta da alteração no tom das aventuras do coelho antropomórfico. Na “atualização” da trama do começo do século 20 para os dias de hoje, o coelho antropomórfico virou personagem de “Jackass”. Uma pena que Will Gluck, que escreve e dirige a adaptação, não tenha aprendido nada com o fracasso do remake de “Annie”, sua outra atualização frustrante de um clássico da literatura infantil (quadrinhos) dos primeiros anos 1900. A média da crítica americana ficou em 59% de aprovação, mas as crianças que gostam de histeria, cores, música alta e tombos, muitos tombos, podem gostar. Americanos limitados Há opções piores vindo de Hollywood nesta semana. Escrito e dirigido por Marc Forster (“Guerra Mundial Z”), o suspense “Por Trás dos Seus Olhos” traz Blake Lively (“Águas Rasas”) numa premissa de thriller doméstico dos anos 1990. Quando uma jovem cega passa por uma cirurgia e recupera a visão, seu marido começa a dar sinais de que a súbita independência dela ameaça o relacionamento. A metáfora não é sutil, mas o diretor tenta aplicar uma abordagem surreal, com imagens oníricas inspiradas na situação visual da protagonista. A mistura de convencional e experimental resulta em rejeição dupla, com apenas 28% de aprovação no Rotten Tomatoes. “A Melhor Escolha” é o novo drama de Richard Linklater (“Boyhood”) e reúne um trio de peso: Bryan Cranston (“Trumbo”), Steve Carell (“A Grande Aposta”) e Laurence Fishburne (“John Wick: Um Novo Dia Para Matar”). Na trama, os três se reencontram, 30 anos depois de servirem juntos na Guerra do Vietnã, para o enterro do filho de um deles, morto durante um novo conflito, na Guerra do Iraque. Como se pode imaginar, trata-se de um filme muito falado, lento, depressivo e politicamente engajado em sua crítica contra as guerras. Isto agradou a crítica americana, que lhe rendeu 76% de aprovação, mas, para o público brasileiro, sua exaltação do patriotismo “estadunidense” (como escreve a “esquerda”) pode ser mais difícil de suportar que o tom fúnebre da produção, baseada em livro de Darryl Ponicsan (autor do romance que virou o clássico “A Última Missão”). Europeus superestimados Estreia mais superestimada da semana, “A Livraria” venceu o Goya (o Oscar espanhol) de Melhor Filme, Direção e Roteiro Adaptado, os dois últimos prêmios conquistados pela cineasta Isabel Coixet. Apesar desse incensamento espanhol, o longa se projeta como um filme britânico antiquado. Elenco, locação, língua e texto original são ingleses. Trata-se de uma adaptação da obra homônima de Penelope Fitzgerald, publicada em 1978, mas passada nos anos 1950, sobre uma mulher que resolve abrir uma livraria numa cidadezinha conservadora e cria controvérsia ao vender exemplares de “Lolita”. Os espanhóis adoraram o retrato intimista da época. Os ingleses odiaram os clichês de drama lento britânico, cheio de diálogos pausados, surtos passivos e elenco de meia idade – Emily Mortimer (“A Invenção de Hugo Cabret”), Bill Nighy (“Uma Questão de Tempo”) e a americana Patricia Clarkson (“Maze Runner: A Cura Mortal”). Com as opiniões literalmente divididas, a aprovação ficou em 50%. O que também significa “medíocre”. “A Odisseia” é a cinebiografia do oceanólogo francês Jacques Custeau, cujos registros marinhos marcaram gerações. Não por acaso, o destaque do filme de Jérôme Salle (“Anthony Zimmer – A Caçada”) é justamente a fotografia submarina, algo aperfeiçoado por Custeau, inventor de equipamentos capazes de registrar a vida no fundo dos oceanos, que revelaram mundos desconhecidos numa série de documentários revolucionários. Mas a história de sua vida é narrada com a convencionalidade dos filmes biográficos que Hollywood faz para o Oscar. Para cada sequência fotográfica de tirar o fôlego, há o dobro de situações melodramáticas de telenovela, que nem o bom elenco – Lambert Wilson (“Homens e Deuses”), Pierre Niney (“Yves Saint Laurent”) e Audrey Tautou (a eterna “Amelie”) – consegue sustentar. 61% de aprovação no Rotten Tomatoes. Outra produção comercial francesa, “Chateau – Paris” explora comédia num bairro de imigrantes em Paris, evocando filmes americanos sobre salões de beleza, como a franquia “Uma Turma do Barulho”. O diferencial da malandragem francesa é a “cor local” da produção, com personagens das mais diferentes culturas, que cria uma atmosfera cosmopolitana para sua versão cor-de-rosa do “gueto”. Brasileiros relevantes Assim, as melhores opções da semana são os documentários brasileiros “Soldados do Araguaia” e “O Jabuti e a Anta”. Como os grandes exemplares do gênero, ambos abordam temas relevantes e inspiram bastante reflexão. O primeiro presta contas de uma história que a História oficial busca esconder, enquanto o segundo chama atenção para um drama em desenvolvimento, que também sofre pressão poderosa para permanecer desconhecido. O diretor Belisario Franca já tinha provocado uma reavaliação histórica da influência nazista no Brasil com seu premiado “Menino 23” (2016). Agora, encontra antigos soldados que combateram na Guerra do Araguaia, um conflito que simplesmente não existe nos livros didáticos, para revelar o enfrentamento entre militantes de esquerda e o exército brasileiro na floresta amazônica, na fronteira paraense do Rio Araguaia. A maioria dos combatentes comunistas foi morta ou executada durante a expedição militar que durou dois anos, entre 1972 e 1974, enquanto os soldados receberam ordens para esquecer o que viram. O outro documentário também se passa em rios amazônicos. O título com bichos silvestres evoca espécies ameaçadas pelo homem. Mas o próprio homem corre risco de extinção na região, graças à obra da Usina de Belo Monte, uma construção que impactou o meio-ambiente e ocasionou mudanças de locação da população ribeirinha e de tribos ali estabelecidas desde antes das caravelas. Uma das vitrines do PAC, o plano de aceleração da corrupção de governos recentes, rendeu fortunas a empreiteiras e incentivou a especulação imobiliária, à revelia do interesse dos habitantes locais. A documentarista Eliza Capai (“Tão Longe É Aqui”) também navegou pelos rios amazônicos até o Peru, onde a população indígena conseguiu impedir obra similar, mostrando os contrastes ambientais dos dois lugares.
Farofeiros invadem os cinemas nas estreias da semana
A programação desta quinta (8/3) está sortida, com besteirol, ação e até lançamentos para celebrar o Dia Internacional da Mulher. São 13 longas e uma dica: reflita bem antes de encarar as filas, porque muitos dessas produções vão logo logo enjoar de tanto reprisar na TV. Clique nos títulos abaixo para assistir aos trailers de todas as estreias. “Os Farofeiros” tem a maior distribuição, levando a mais de 500 telas a décima parceria entre o diretor Roberto Santucci e o roteirista Paulo Cursino – no curto espaço de oito anos. Fábrica de hits, a dupla é responsável pelos blockbusters “De Pernas pro Ar” e “Até que a Sorte nos Separe”, e mantém algumas características “autorais”, como elenco de humoristas da TV, personagens caricatos e interpretações histéricas. As piadas do novo trabalho giram em torno do velho tema das “férias frustradas”, mas em vez de acompanhar uma família, reúne “colegas da firma” numa viagem para o litoral, onde tudo dá errado. Com direito a todos os clichês esperados, a história é melhor resolvida – e engraçada – que outras da dupla, ainda que seja inevitável pensar que funcionaria melhor com personagens e praia paulistas ou como lançamento de verão – ou, melhor ainda, como série do Multishow. Em outros anos, “Encantados” também flertaria com o grande público. Mas o filme já era datado quando foi feito, em 2014, tendo “desencantado” nos cinemas apenas agora – e trazendo consigo o “assediador” José Mayer, justamente no Dia da Mulher… A trama é uma versão tupiniquim dos romances adolescentes sobrenaturais que foram tendência em Hollywood há meia década atrás. Gira em torno da filha de um influente político paraense, que tem visões de um índio bonitão nas águas da Ilha de Marajó. Se o samba-enredo parece conhecido é porque a combinação de folclore, rios místicos e “realismo fantástico” tem sido a base de sucessos noveleiros como “Pantanal” (1990) e “Velho Chico” (2016) – sem esquecer que já há uma versão adulta similar, “Ele, o Boto” (1987). A direção é de Tizuka Yamasaki, que chegou a ser apontada como diretora promissora nos anos 1980, antes de se especializar em filmes da Xuxa. Os filmes B dos EUA Os três filmes americanos da semana foram rodados com baixo orçamento e chegam com atraso no Brasil. Caso mais extremo, “Medo Profundo” foi lançado há oito meses nos Estados Unidos, ocasião em que virou uma das maiores surpresas do ano passado. Custou US$ 5,5 milhões e faturou US$ 44,3 milhões só no mercado doméstico, apesar da trama limitada, que mostra as atrizes Mandy Moore (série “This Is Us”) e Claire Holt (série “The Originals”) presas no fundo do mar, cercadas por tubarões e contando os minutos de oxigênio que lhes restam. Sem maiores pretensões, o suspense aquático sobreviveu à cotação medíocre, de 55% de aprovação no Rotten Tomatoes, para sair direto em DVD em vários países. O Brasil é o último lugar do mundo em que será projetado. Apesar de mais verba para efeitos visuais, “O Passageiro” segue a fórmula de filme B das parcerias anteriores entre o ator Liam Neeson e o diretor Jaume Collet-Serra. Como sempre, o protagonista vive o homem errado, que vira alvo de alguém que irá se arrepender até o fim da exibição. O diretor, que já tentara matar o astro num acidente de carro, de avião e a pé nas ruas, desta vez o coloca numa trem em seu trajeto cotidiano para casa. Ao ser abordado no vagão por uma mulher misteriosa (Vera Farmiga), ele acaba envolvido numa conspiração criminal que ameaça não apenas a sua vida, como a de todos ao seu redor. Um pouco acima da linha da mediocridade, atingiu 58% no Rotten Tomatoes e faturou US$ 36,2 milhões em três meses em cartaz na América do Norte. No “ajuste final”, foi salvo pelo público internacional, que pagou quase o dobro para ver o que Tony Scott filmaria em 2017 se ainda fosse vivo. Outra história de ação ferroviária, “15h17 – Trem para Paris” acabou virando um docudrama com direção do veterano Clint Eastwood. A trama acompanha três americanos de férias na Europa, que usam seu treinamento militar para impedir o ataque de um terrorista armado em um trem que viaja de Amsterdã para Paris. A premissa de filme de Steven Seagal dos anos 1990 aconteceu de verdade em 2015 e foi abordada por Eastwood com um tratamento quase documental, ao optar por dirigir os próprios três amigos, interpretando a si mesmos na recriação da viagem em que viraram heróis. Para ter assunto, o filme também mostra como eles se conheceram desde a infância e seu treinamento militar, e ainda serve como propaganda para o alistamento militar nos Estados Unidos. O resultado não convenceu, com 15% de aprovação. Orçado em US$ 30 milhões, dará prejuízo com apenas US$ 35,2 milhões em dois meses. O empoderamento do circuito limitado As melhores opções em cartaz começam com a produção britânica “Daphne”. Trata-se de uma anti-comédia romântica sobre a personagem-título, que transita pela noite de Londres entre bebedeiras e sexo casual, enquanto navega uma crise existencial a espera de um atrasado amadurecimento. A atriz Emily Beecham, mais conhecida como A Viúva da série “Into the Badlands”, foi premiada no Festival de Torino e indicada ao BIFA (premiação indie britânica) pelo papel. Já o filme tem só 100% de aprovação no Rotten Tomatoes. “A Número Um” é um suspense feminista passado no mundo das grandes corporações. Bastante atual, o longa francês acompanha sua protagonista numa campanha para ser promovida à CEO de sua empresa, defrontando-se com um rival sexista pelo cargo, que faz tudo para lembrá-la de “seu lugar”, inclusive jogar sujo para vê-la chorar como “mulherzinha”. Escrito, dirigido e estrelado por mulheres, destaca a interpretação de Emmanuelle Devos, indicada ao César (o Oscar francês) pelo desempenho. Outra história feminina francesa, “O Filho Uruguaio” acompanha a busca de uma mãe pelo filho pequeno, sequestrado pelo próprio pai. Após quatro anos do divórcio, sem que a polícia o tenha localizado, a mãe resolve procurar o filho por conta própria, planejando um reencontro no Uruguai. A realidade, porém, não acontece como em seus sonhos. O que não é exatamente inesperado. A maternidade também é o tema de “Uma Espécie de Família”, novo suspense do argentino Diego Lerman (“Refugiado”), que venceu o troféu de Melhor Filme do Festival de Chicago, Melhor Roteiro do Festival de San Sebastian e tem oito indicações ao “Oscar argentino”. A trama acompanha uma médica que viaja ao interior, num local distante, para o parto de uma jovem pobre. Pretendendo adotar o bebê, ela é surpreendida por um esquema de extorsão e, quando percebe a verdade sobre a situação em que se meteu, entra em desespero. No papel principal, a espanhola Bárbara Lennie foi coberta de elogios pela imprensa platina. Ela já tem o Goya (o Oscar espanhol) de Melhor Atriz por “A Garota de Fogo” (2014). E os documentários A programação se completa com quatro documentários brasileiros. O melhor é “Torquato Neto – Todas as Horas do Fim”, que resgata um dos expoentes menos lembrados da Tropicália. Culpa dele próprio, que se matou jovem. Jornalista, poeta, compositor, cineasta, deixou alguns clássicos da MPB como legado. “Santoro – O Homem e Sua Música” também resgata ícone esquecido da cultura brasileira do século 20. O amazonense Cláudio Santoro (1919-1989) chegou a ser considerado um dos maiores compositores eruditos do mundo. Mas, em vez de consagração, sofreu perseguição no Brasil por ser comunista. Impedido de exercer sua arte, precisou dar aulas particulares e até criar bois para sobreviver. Por fim, “Pra Ficar na História” registra os esforços de um gaúcho que criou um museu ao ar livre sobre a imigração italiana e “A Imagem da Tolerância” aborda o culto a Nossa Senhora de Aparecida.
Atriz processa novo terror do diretor de Martyrs por acidente que deformou seu rosto
A atriz Taylor Hickson está processando os produtores do terror “Ghostland”, dirigido pelo francês Pascal Laugier, que ficou conhecido pela brutalidade extrema de “Martyrs” (2008). Para a jovem de 19 anos, vista também em “Deadpool”, “Tudo e Todas as Coisas” e a série “Aftermath”, o filme se provou um horror muito real, após um vidro se partir sobre sua face. O acidente nas filmagens rasgou seu rosto (veja a imagem forte aqui), e, após suturas, deixou uma cicatriz marcante. No processo movido contra a produção, os advogados de Hickson alegam que “durante a filmagem, o diretor insistentemente pediu a Hickson para bater cada vez mais forte em uma porta de vidro com os punhos. Em determinado momento, depois de pedirem para bater com mais força, ela perguntou aos produtores e ao diretor se era seguro. Ambos responderam que sim. O vidro se quebrou, ela atravessou a porta e caiu sobre os cacos. Como resultado do acidente, sofreu cortes graves na parte esquerda do rosto e precisou correr ao hospital, onde recebeu cerca de 70 pontos”. Ainda segundo os advogados, a atriz perdeu diversas oportunidades de trabalho devido ao tempo de recuperação do acidente, período em que ficou deformada, e após operações plásticas ainda tem uma cicatriz no lado esquerdo do rosto. O processo também menciona danos psicológicos. A produtora responsável pelo filme, Incident Productions, não se pronunciou sobre as alegações. Já a atriz decidiu não comparecer à pré-estreia de “Ghostland” na França. “Eu nunca trabalhei tão duro em uma produção em toda a minha vida, e agora esta é uma maneira amarga de terminar a obra à qual me dediquei tanto”, afirmou a atriz. Repleto de cenas violentas, “Ghostland” traz Crystal Reed (série “Gotham”) como uma escritora de livros de horror, que faz sucesso com uma história que a assombra na vida real. Seu livro descreve o que lhe aconteceu na adolescência, após se mudar com sua mãe e irmã para uma casa herdada de uma tia. Na primeira noite no novo lar, a casa foi invadida e as mulheres brutalizadas, com as crianças mantidas vivas para serem abusadas sem parar. Dezesseis anos depois, as duas irmãs se reencontram, mas realidade e fantasia também se entrelaçam, quando visitam a velha casa. Hickson interpreta a versão adolescente da irmã da protagonista. Por coincidência, o pôster do filme é uma mulher com o rosto mutilado, numa arte que evoca uma boneca de porcelana quebrada. O filme estreia em 14 de março na França e chega em abril nos Estados Unidos. Ainda não há previsão para seu lançamento no Brasil.
120 Batimentos por Minuto é o grande vencedor do César, o Oscar francês
O César 2018, premiação que equivale ao Oscar da França, consagrou “120 Batimentos por Minuto” como melhor filme francês do ano. O longa de Robin Campillo venceu seis troféus na cerimônia da Academia Francesa de Artes e Técnicas do Cinema, que aconteceu na noite de sexta-feira (2/3), em Paris. Além do prêmio principal, de Melhor Filme, a produção ainda venceu os troféus de Roteiro Original (de Campillo), Ator Coadjuvante (Antoine Reinartz), Ator Revelação (Nahuel Pérez Biscayart), Edição (novamente de Campillo) e Trilha Original. O filme borda o ativismo LGBT durante a epidemia da AIDS e já tinha sido premiado no Festival de Cannes. Ele era o candidato da França ao Oscar 2018, mas acabou não integrando a lista final – o que rendeu incompreensão e protestos de Barry Jenkins, diretor de “Moonlight”, o filme vencedor do Oscar 2017. “120 Batimentos por Minuto” tinha 13 indicações ao César, mesmo número de “Au Revoir là-Haut”, passado durante a 1ª Guerra Mundial, que acabou ficando com cinco prêmios — de Melhor Direção (Albert Dupontel), Roteiro Adaptado (Dupontel e Pierre Lemaitre), Fotografia, Figurino e Design de Produção. A premiação ainda destacou “Petit Paysan”, de Hubert Charuel, sobre um pecuarista do interior da França que luta para salvar seu rebanho de vacas de uma epidemia, que recebeu três troféus – Melhor Ator (Swann Arlaud), Melhor Atriz Coadjuvante (Sara Giraudeau) e Melhor Filme de Estreia. Para completar, “Barbara”, obra metalinguista de Mathieu Amalric, passada nos bastidores de um filme sobre uma cantora francesa, ficou com dois troféus – Melhor Atriz (Jeanne Balibar) e Som. Pela primeira vez na história da premiação, o filme de maior sucesso de bilheteira também recebeu um César, que ficou com o besteirol “Uma Agente Muito Louca”, de Dany Boom. Entre as homenagens, a atriz espanhola Penélope Cruz foi responsável pela maior carga emocional da noite, indo às lágrimas ao receber um César Honorário por sua carreira das mãos do diretor Pedro Almodóvar. Confira abaixo os prêmios de longa-metragem. Vencedores do César 2018 Melhor Filme “120 Batimentos por Minuto”, de Robin Campillo Melhor Direção Albert Dupontel (“Au Revoir là-Haut”) Melhor Atriz Jeanne Balibar (“Barbara”) Melhor Ator Swann Arlaud (“Petit Paysan”) Melhor Atriz Coadjuvante Sara Giraudeau (“Petit Paysan”) Melhor Ator Coadjuvante Antoine Reinartz (“120 Batimentos por Minuto”) Melhor Revelação Feminina Camelia Jordana (“Le Brio”) Melhor Revelação Masculina Nahuel Perez Biscayart (“120 Batimentos por Minuto”) Melhor Filme de Estreia “Petit Paysan”, de Hubert Charuel Melhor Roteiro Original Robin Campillo (“120 Batimentos por Minuto”) Melhor Roteiro Adaptado Albert Dupontel & Pierre Lemaitre (“Au Revoir Là-Haut”) Melhor Fotografia Vincent Mathias (“Au Revoir Là-Haut”) Melhor Edição Robin Campillo (“120 Batimentos por Minuto”) Melhor Desenho de Produção Pierre Quefféléan (“Au Revoir Là-Haut”) Melhor Figurino Mimi Lempicka (“Au Revoir Là-Haut”) Melhor Som Olivier Mauvezin, Nicolas Moreau & Stéphane Thiébaut (“Barbara”) Melhor Trilha Sonora Arnaud Reotini (“120 Batimentos por Minuto”) Melhor Animação “Le Grand Méchant Renard et Autres Contes”, de Patrick Imbert e Benjamin Renner Melhor Documentário “Eu Não Sou Seu Negro”, de Raoul Peck Melhor Filme Estrangeiro “Sem Amor”, de Andreï Zviaguintsev Maior Bilheteria “Uma Agente Muito Louca”, de Dany Boom
Isabelle Huppert será madrasta malvada em sátira erótica de Branca de Neve
A atriz francesa Isabelle Huppert, indicada ao Oscar 2017 por “Elle”, vai viver uma madrasta malvada em “Pure as Snow”, uma sátira erótica contemporânea da célebre fábula encantada da Branca de Neve. O filme será dirigido pela cineasta Anne Fontaine (“Coco Antes de Chanel”) e trará Lou de Laâge (“Respire”) como a jovem protagonista. As duas trabalharam juntas no elogiado filme “Agnus Dei” (2016) – 94% de aprovação no site Rotten Tomatoes. A trama vai girar em torno de Claire, uma bela garota que trabalha no hotel do pai, gerido por sua temível madrasta chamada Maud. Mesmo sem querer, a menina provoca ciúmes em Maud, após o novo namorado dela se encantar pela jovem. A vilã decide dar um fim em Claire, que encontra refúgio em uma fazenda com sete belos príncipes. “Anne Fontaine modernizou este conto e deu um tom erótico, refinado e leve para o projeto. Ela também retrata suas personagens femininas de uma forma empoderada e estimulante”, declarou a co-produtora do estúdio Gaumont, Cecile Gaget, ao anunciar o projeto. As filmagens começam em abril, mas ainda não há previsão para o lançamento.
120 Batimentos por Minuto lidera indicações do César, o Oscar francês
A Academia Francesa de Artes e Técnicas do Cinema anunciou os indicados ao Cesar 2018, premiação que equivale ao Oscar da França. E os dramas “120 Batimentos por Minuto”, de Robin Campillo, e “Au Revoir là-Haut”, de Albert Dupontel, lideram as indicações, concorrendo a 13 troféus cada. Em cartaz no Brasil, “120 Batimentos por Minuto” aborda o ativismo LGBT durante a epidemia da AIDS, foi premiado no Festival de Cannes e era o candidato da França ao Oscar 2018, mas acabou não integrando a lista final – o que rendeu protestos de Barry Jenkins, diretor de “Moonlight”, o filme vencedor do Oscar 2017. Passado durante a 1ª Guerra Mundial, “Au Revoir là-Haut” ainda não tem prêmios importantes nem previsão de estreia no Brasil. Entre os diversos filmes indicados, há outro filme assinado por Campillo: o suspense “A Trama”, que ele roteirizou. Também se destacam com várias indicações a comédia “Assim É a Vida”, de Eric Toledano e Olivier Nakache (a dupla do blockbuster “Intocáveis”), “O Formidável”, comédia de Michel Hazanavicius (“O Artista”) sobre a juventude de Jean-Luc Godard, “Barbara”, novo filme de Matthieu Almaric (“O Quarto Azul”) e o terror “Grave”, sensação do circuito dos festivais que foi lançado diretamente em streaming no Brasil. Melhor Filme “120 Batimentos por Minuto”, de Robin Campillo “Au Revoir là-Haut”, de Albert Dupontel “Barbara”, de Mathieu Amalric “Le Brio”, de Yvan Attal “Patients”, de Grand Corps Malade e Mehdi Idir “Petit Paysan”, de ‘Hubert Charuel “Assim É a Vida”, de Eric Toledano e Olivier Nakache Melhor Direção Robin Campillo (“120 Batimentos por Minuto”) Albert Dupontel (“Au Revoir là-Haut”) Mathieu Amalric (“Barbara”) Julia Ducournau (“Grave”) Hubert Charuel (“Petit Paysan”) Michel Hazanaviciu (“O Formidável”) Eric Toledano e Olivier Nakache (“Assim É a Vida”) Melhor Atriz Jeanne Balibar (“Barbara”) Juliette Binoche (“Deixe a Luz do Sol Entrar”) Emmanuelle Devos (“A Número Um”) Marina Foïs (“A Trama”) Charlotte Gainsbourg (“La Promesse de l’Aube”) Doria Tillier (“Monsieur et Madame Adelman”) Karine Viard (“Jalouse”) Melhor Ator Swann Arlaud (“Petit Paysan”) Daniel Auteuil (“Le Brio”) Guillaume Canet (“Rock’n roll: Por Trás da Fama”) Albert Dupontel (“Au Revoir là-Haut”) Louis Garrel (“O Formidável”) Reda Kateb (“Django”) Melhor Atriz Coadjuvante Laure Calamy (“Ava”) Anaïs Demoustier (“Uma Casa a Beira-Mar”) Sara Giraudeau (“Petit Paysan”) Adèle Haenel (“120 Batimentos por Minuto”) Mélanie Thierry (“Au Revoir là-Haut”) Melhor Ator Coadjuvante Niels Arestrup (“Au Revoir là-Haut”) Laurent Lafitte (“Au Revoir là-Haut”) Gilles Lellouche (“Assim É a Vida”) Vincent Macaigne (“Assim É a Vida”) Antoine Reinartz (“120 Batimentos por Minuto”) Melhor Revelação Feminina Iris Bry (“Les Gardiennes”) Laetitia Dosch (“Jovem Mulher”) Eye Haidara (“Assim É a Vida”) Camelia Jordana (“Le Brio”) Garance Marillier (“Grave”) Melhor Revelação Masculina Benjamin Lavernhe (“Assim É a Vida”) Finnegan Oldfield (“Marvin ou la Belle Éducation”) Pablo Pauly (“Patients”) Nahuel Perez Biscayart (“120 Batimentos por Minuto”) Arnaud Valois (“120 Batimentos por Minuto”) Melhor Filme de Estreia “Grave”, de Julia Ducournau “Jovem Mulher”, de Léonor Serraille “Monsieur & Madame Adelman”, de Nicolas Bedos “Patients”, de Grand Corps Malade e Mehdi Idir “Petit Paysan”, de Hubert Charuel Melhor Roteiro Original Robin Campillo (“120 Batimentos por Minuto”) Mathieu Amalric & Philippe Di Folco (“Barbara”) Julia Ducournau (“Grave”) Claude Le Pape & Hubert Charuel (“Petit Paysan”) Eric Tolédano & Olivier Nakache (“Assim é a Vida”) Melhor Roteiro Adaptado Albert Dupontel & Pierre Lemaitre (“Au Revoir Là-Haut”) Xavier Beauvois, Drédérique Moreau & Marie-Julie Maille (“Les Gardiennes”) Grand Corps Malade & Fadette Drouard (“Patients”) Eric Barbier & Marie Eynard (“La Promesse De L’Aube”) Michel Hazanavicius (“O Formidável”) Melhor Fotografia Jeanne Lapoirie (“120 Batimentos por Minuto”) Vincent Mathias (“Au Revoir Là-Haut”) Christophe Beaucarne (“Barbara”) Caroline Champetier (“Les Gardiennes”) Guillaume Schiffman (“O Formidável”) Melhor Edição Robin Campillo (“120 Batimentos por Minuto”) Christophe Pinel (“Au Revoir Là-Haut”) Francois Gedigier (“Barbara”) Julie Lena, Lilian Corbeille & Grégoire Pontecaille (“Petit Paysan”) Dorian Rigal Ansous (“Assim É a Vida”) Melhor Desenho de Produção Emmanuelle Duplay (“120 Batimentos por Minuto”) Pierre Quefféléan (“Au Revoir Là-Haut”) Laurent Baude (“Barbara”) Pierre Renson (“La Promesse de l’Aube”) Christian Marti (“O Formidável”) Melhor Som Julien Sicart, Valérie De Loof & Jean-Pierre Laforce (“120 Batimentos por Minuto”) Jean Minodo, Gurwal Coïc-Gallas, Cyril Holtz & Damien Lazzerini (“Au Revoir Là-Haut”) Olivier Mauvezin, Nicolas Moreau & Stéphane Thiébaut (“Barbara”) Mathieu Descamps, Séverin Favriau & Stéphane Thiébaut (“Grave”) Pascal Armant, Sélim Azzaz & Jean-Paul Hurier (“Assim É a Vida”) Melhor Trilha Sonora Arnaud Reotini (“120 Batimentos por Minuto”) Christophe Julien (“Au Revoir Là-Haut”) Jim Williams (“Grave”) MYD (“Petit Paysan”) Mathieu Chedid (“Visages Villages”) Melhor Animação “Le Grand Méchant Renard et Autres Contes” “Sahara” “Zombillénium” Melhor Documentário “12 Days” “A Voix Haute – La Force De La Parole” “Carré 35” “Eu Não Sou Seu Negro” “Visages Villages” Melhor Filme Estrangeiro “O Incidente no Nile Hilton”, de Tarik Saleh “Dunkirk”, de Christopher Nolan “The Royal Exchange”, de Marc Dugain “Sem Amor”, de Andreï Zviaguintsev “La La Land”, de Damien Chazelle “A Garota Ocidental – Entre o Coração e a Tradição”, de Stephan Streker “The Square A Arte da Discórdia”, de Ruben Ostlund












