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    Chus Lampreave (1930 – 2016)

    5 de abril de 2016 /

    Morreu a atriz espanhola Chus Lampreave, a mais velha das “meninas” do diretor Pedro Almodóvar, cuja presença marcante era facilmente reconhecida pela voz aguda e os óculos de lentes grossas (fundo de garrafa). Ela faleceu na segunda-feira (4/4) aos 85 anos de idade. María Jesús Lampreave nasceu em 11 de dezembro de 1930 em Madri e teve uma carreira extensa no cinema espanhol, iniciada pelo curta-metragem “Se Vende un Tranvía” (1959), roteirizado por Luis García Berlanga, com quem trabalharia em diversos longas. Mas sua estreia em longa-metragem, curiosamente, deu-se pelas mãos de um diretor italiano, o mestre Marco Ferreri (“Crônica do Amor Louco”), que a escalou como figurante em “El Pisito (1959) e coadjuvante em “El Cochecito” (1960). Ela participou de poucos filmes durante o período franquista, como “O Carrasco” (1963), dirigido por Berlanga. Por isso, só foi deslanchar a partir de 1970, quando coadjuvou cinco filmes consecutivos de Jaime de Armiñán – inclusive o clássico “Mi Querida Señorita” (1972) – e a trilogia “Nacional” de Berlanga, inciada por “La Escopeta Nacional (1978) e encerrada em “Nacional III” (1982). A parceria que marcaria sua carreira, porém, só teve início em 1980, quando o então jovem Pedro Almodóvar rodou seu segundo longa, “Pepi, Luci, Bom e Outras Garotas de Montão”. O encontro frutificaria em várias outras colaborações, até render um de seus papeis mais lembrados em “Maus Hábitos” (1983). A atriz se consagrou como ladra de cenas ao aparecer, no longa, como a irmã Rata, uma freira atípica, que escrevia livros sensacionalistas sob pseudônimo num convento. Chus Lampreave fez uma dezena de filmes com Almodóvar, tornando-se a atriz mais fiel da carreira do cineasta. Entre as produções que participou estão alguns dos maiores sucessos da carreira do diretor, como “Que Fiz Eu Para Merecer Isto?” (1984), “Matador” (1986), “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos” (1988), “A Flor do Meu Segredo” (1995), “Fale com Ela” (2002) e “Volver” (2006). Por este filme, ela foi, inclusive, premiada no Festival de Cannes – junto com as demais atrizes que co-protagonizaram o longa: Penélope Cruz, Carmen Maura, Lola Duenas, Blanca Portillo e Yohana Cobo. O último filme que fez para Almodóvar foi “Abraços Partidos” (2009), mas Lampreave continuou requisitada por Fernando Trueba, com quem também trabalhou em diversas obras desde os anos 1980, como “El Año de las Luces” (1986), “Sedução” (1992) e o recente “O Artista e a Modelo” (2012). “Sedução”, por sinal, rendeu-lhe o único Goya (o Oscar espanhol) de sua carreira, como Atriz Coadjuvante. Ela ainda estrelou outras comédias espanholas bem-sucedidas, como “Miss Caribe” (1988), de Fernando Colomo, “Mátame Mucho” (1998), de José Ángel Bohollo, e “À Moda da Casa” (2008), de Nacho G. Velilla. Mas seu maior sucesso foi uma franquia cômica escrita, dirigida e estrelada por Santiago Segura, “Torrente”, da qual participou em cinco longa-metragens entre 1998 e 2014. O capítulo mais recente, “Torrente V: Misión Eurovegas”, foi também seu último trabalho no cinema. “Chus Lampreave foi esse tipo de artista que fazia parte da nossa vida, reconhecida e amada por todos que faziam parte da grande família que é a cultura”, afirmou o ministro da Cultura espanhol, Inigo Mendez de Vigo, ao despedir-se da “menina”.

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  • Música

    Gato Barbieri (1932 – 2016)

    3 de abril de 2016 /

    Morreu Gato Barbieri, saxofonista argentino que ficou mundialmente conhecido pela trilha do filme “O Último Tango em Paris” (1972). Ele faleceu no sábado (2/4) aos 83 anos, de pneumonia num hospital em Nova York, depois de recentemente ter sido submetido a uma cirurgia por causa de uma trombose. Leandro “Gato” Barbieri nasceu em Rosário, na Argentina, em 28 de Novembro de 1932, em uma família de músicos, e decidiu virar jazzista depois de ouvir Charlie Parker. Começou tocando clarinete e só aos 18 anos, quando se mudou para Buenos Aires, é que se dedicou ao saxofone. A opção definitiva pelo instrumento aconteceu durante uma excursão com o pianista argentino Lalo Schifrin (criador do tema de “Missão Impossível”) nos anos 1950. Ele se tornou conhecido como “Gato” neste período, devido à forma como saltava de clube em clube em Buenos Aires, acompanhado pelo seu saxofone para tocar com diversos artistas. Seu relação com o cinema começou logo em seguida, compondo trilhas para o cinema argentino. Uma de suas primeiras composições deu ritmo e melodia à adaptação de Julio Cortázar “El Perseguidor” (1965). Na vidada da década, ele desenvolveu uma forte ligação com o Brasil, passando meses no país. O período acabou registrado nos cinemas. Barbieri tocou seu sax em três filmes brasileiros. Juntou-se a Lenny Gordin e Naná Vasconcelos como músico de “Pindorama” (1970), de Arnaldo Jabor, serviu como diretor musical da comédia “Minha Namorada” (1970), de Armando Costa e Zelito Viana, e compôs a trilha sonora de “Na Boca da Noite”, de Walter Lima Jr, em parceria com as feras do jazz Ron Carter e James Spaulding. Após um começo influenciado por John Coltrane e outros saxofonistas do free jazz, Barbieri passou, a partir de então, a fundir a música tradicional sul-americana em seu estilo, do tango ao samba. A guinada coincidiu com a obra que lhe deu maior visibilidade, a trilha sonora de “O Último Tango em Paris”, de Bernardo Bertolucci. “Foi como um casamento entre o filme e a música”, descreveu Barbieri em uma entrevista de 1997 para a agência de notícias Associated Press. “Bernardo me disse: ‘Eu não quero que a música seja muito Hollywood ou muito europeia, que é mais intelectual. Quero um tom mediano.'” Foi o que levou ao tango e a redescoberta de sua alma argentina. “O tango sempre é uma tragédia”, ele explicou. “A mulher deixa o homem ou o mata. É como uma ópera, mas se chama tango… e é muito sensual.” O álbum derivado do filme rendeu-lhe um prêmio Grammy e impulsionou sua adoção de um estilo mais latino, levando-o a se consagrar como pioneiro do chamado “alma-jazz” ou jazz latino. O ponto alto desta transformação se deu com o sucesso comercial da gravação de “Europa (Earth’s Cry Heaven’s Smile)”, de Carlos Santana, em 1976. Preferindo se concentrar no universo musical, Barbieri acabou deixando de lado o cinema. Seguiram-se poucos trabalhos cinematográficos, como as trilhas de “Poder de Fogo” (1979), de Michael Winner, e “Uma Estranha Paixão” (1983), de Matthew Chapman. Mas a morte de sua esposa Michelle o levou a se retirar até do circuito jazzista durante um longo período. Ele foi reemergir em duas trilhas realizadas para cineastas iranianos nos anos 1990, “Manhattan by Numbers” (1993), de Amir Naderi, e “Seven Servants” (1996), de Daryush Shokof, suas últimas composições para o cinema. Os trabalhos ajudaram a devolver-lhe a energia e preparam terreno para o lançamento de um de seus discos mais populares, “Que Pasa”, que atingiu o 2º lugar da parada de jazz da revista Billboard em 1997. Apesar de afastado das trilhas, ele permaneceu ativo com gravações e shows nos últimos anos. Desde 2013, fazia apresentações regulares no tradicional clube de jazz nova-iorquino Blue Note, que emitiu uma nota lamentando seu falecimento. “Hoje perdemos um ícone, um pioneiro e um querido amigo. A contribuição significativa do Gato para a música e para as artes foram uma inspiração para todos nós.” Com um estilo geralmente definido como “torrencial e quente”, Barbieri era considerado um dos grandes saxofonistas contemporâneos e, para muitos, o segundo maior músico argentino do jazz moderno, atrás apenas de Lalo Schifrin, em cuja orquestra também tocou. Em 2015, Barbieri recebeu um prêmio pela carreira do Grammy Latino, em reconhecimento a seu talento, que cobriu “virtualmente toda a paisagem do jazz”.

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  • Filme

    Valerian: Dane DeHaan e Cara Delevingne são heróis espaciais nas fotos da nova sci-fi de Luc Besson

    27 de março de 2016 /

    A revista Entertainment Weekly divulgou as primeiras fotos oficiais da nova sci-fi do cineasta francês Luc Besson (“Lucy”), que mostram Dane DeHaan e Cara Delevingne como os heróis espaciais de “Valerian and the City of a Thousand Planets”. A adaptação dos cultuados quadrinhos franceses, criados por Pierre Christin e Jean-Claude Mézières em 1967, vai acompanhar os exploradores espaciais Valérian (DeHaan) e Laureline (Delevingne) em uma missão no planeta Sirte, para descobrir se seus habitantes representam um risco para a Terra. O elenco também inclui Clive Owen (série “The Knick”), Ethan Hawke (“Boyhood”), o veterano ator Rutger Hauer (“Blade Runner”), a cantora Rihanna (“Battleship”) e o jazzista Herbie Hancock (“Por Volta da Meia-Noite”). As filmagens começaram em janeiro, marcando o retorno do cineasta francês Luc Besson à ficção científica, duas décadas após “O Quinto Elemento” (1997). Além de dirigir, o cineasta assina o roteiro do filme, que será o mais caro já produzido por sua empresa, a EuropaCorp, responsável pela franquia “Busca Implacável”. A estreia está marcada para 21 de julho de 2017 na França e nos EUA, e ainda não há previsão de lançamento no Brasil.

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  • Filme

    Drama islandês premiado, Desajustados é muito melhor que seu título nacional

    26 de março de 2016 /

    Fúsi (Gunnar Jónsson) é um homem grande, obeso, na faixa dos 40 anos de idade, ingênuo, de interesses e comportamentos ainda infantis. Ao conviver com uma menina vizinha, suas atitudes se equiparam às dela. É virgem, vive com a mãe, tem bom coração, sofre bullying de colegas no trabalho como despachador de malas no aeroporto, mas os perdoa com facilidade. Ele é o personagem central de “Desajustados”, filme islandês que foi o vencedor do Festival de Tribeca do ano passado, cujo título original é “Fúsi”, o nome do protagonista. O longa revela sua rotina sempre repetitiva, do restaurante, das músicas pedidas no rádio e do seu interesse por reconstruir com soldadinhos, tanques e outras peças, batalhas da 2ª Guerra Mundial, ao lado de seu único amigo. Que Fúsi possa ser considerado um desajustado, por seus comportamentos, para os padrões sociais esperados para alguém como ele e com sua idade, parece óbvio. Mas o título brasileiro não deixa de ser um julgamento, um rótulo que rejeita a figura. Por que a rejeição a uma doce criatura como essa? Por ser um loser, na visão capitalista difundida pelos Estados Unidos? Por entendê-lo como um doente mental? Ou o quê? Acontece que o título está no plural, o que engloba também a personagem Alma (Ilmur Kristjánsdóttir), uma mulher ativa e vibrante, que ama flores e trabalhava numa floricultura. Mas perde seu emprego e o que lhe resta é aceitar um trabalho como lixeira. Ela entra na vida de Fúsi por acaso, ele se dedica a ela e a ajuda numa crise de depressão. Chamá-la também de desajustada só agrega julgamento aos que ficam desempregados e aos que sofrem de depressão. Sem que uma coisa precise levar à outra. Não faz sentido. É muito infeliz o título brasileiro desse belo filme islandês. Na realidade, o filme é terno como seu protagonista e cheio de vida, como a mulher que se envolve com ele, capaz de valorizar o respeito humano e de entender a mente ingênua dos que passam pela vida sem acesso maior aos bens culturais, sem ambições, sem conseguir vencer uma timidez atávica. Ou, quem sabe, sem conseguir entender esse mundo onde vieram parar. Basta esquecer o título do filme para perceber que estamos diante de figuras humanas frágeis, que se debatem num dia-a-dia frustrante e pouco acolhedor. Não como derrotadas, mas como sobreviventes. Isso também é uma batalha, às vezes tão dura quanto as da guerra que Fúsi reconstrói. O ator protagonista, Gunnar Jónsson, recentemente visto em “A Ovelha Negra” (2015), está ótimo, perfeito para o papel. Foi premiado nos festivais de Marrakech e de Tribeca em 2015. Merecidamente. Ilmur Kristjánsdóttir, que faz Alma, também está muito bem. O contraste da dupla, em todos os sentidos, é cativante. O frio e a neve que fazem parte da história, como é inevitável acontecer em filmes da Islândia, servem para acrescentar um clima cinzento e triste à narrativa. Mas é apenas um elemento acessório e nem tão explorado assim pelo diretor Dagur Kári (que já dirigiu, nos EUA, “O Bom Coração”). Os ambientes internos, um tanto escuros, dizem mais dos sentimentos e limites de vida dos personagens do que qualquer outra coisa. Porém, é um filme que também tem muito carinho e muitas flores. Portanto, é também cheio de esperança.

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  • Filme

    Luc Besson divulga primeira foto de Dane DeHaan e Cara Delevingne como os heróis espaciais Valerian e Laureline

    25 de março de 2016 /

    O cineasta Luc Besson revelou em seu Instagram a primeira foto de Dane DeHaan e Cara Delevingne como os heróis espaciais de “Valerian and the City of a Thousand Planets”. Ele também aparece na foto, além de ter divulgado dezenas imagens dos bastidores das filmagens, com vários alienígenas, cenários, Rihanna e muita tela azul. Confira abaixo. A adaptação dos cultuados quadrinhos franceses, criados por Pierre Christin e Jean-Claude Mézières em 1967, vai acompanhar os exploradores espaciais Valérian e Laureline em uma missão no planeta Sirte, para descobrir se seus habitantes representam um risco para a Terra. O elenco também inclui Clive Owen (série “The Knick”), Ethan Hawke (“Boyhood”), o veterano ator Rutger Hauer (“Blade Runner”), a cantora Rihanna (“Battleship”) e o jazzista Herbie Hancock (“Por Volta da Meia-Noite”). As filmagens começaram em janeiro, marcando o retorno do cineasta francês Luc Besson à ficção científica, duas décadas após “O Quinto Elemento” (1997). Além de dirigir, o cineasta assina o roteiro do filme, que será o mais caro já produzido por sua empresa, a EuropaCorp, responsável pela franquia “Busca Implacável”. A estreia está prevista para 21 de julho de 2017 na França e nos EUA.

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    Boa Noite, Mamãe faz terror com mistério, violência e clima de pesadelo

    13 de março de 2016 /

    O terror parece viver um momento de renovação, com produções independentes e de países diferentes que fogem dos estereótipos mais tradicionais do gênero. O austríaco “Boa Noite, Mamãe” (2014) tem cativado a crítica, mas dividido o público, algo que também tem sido uma característica da safra atual. Alguns espectadores, por exemplo, percebem logo de cara um dos segredos do filme. E isso até pode ser considerado um problema, já que supostamente seria a surpresa do final. De todo modo, o que conta mesmo é a atmosfera densa, criada na relação entre dois meninos gêmeos de nove anos de idade e a mulher que pode ou não ser a mãe deles, que, após uma cirurgia plástica, volta para casa com o rosto enfaixado. Como ela se comporta de maneira diferente e também um tanto cruel, os meninos começam a suspeitar de que se trata de outra pessoa. Um dos problemas do longa de estreia da dupla Severin Fiala e Veronika Franz é o andamento arrastado e repetitivo da primeira metade da narrativa, quando as crianças são mostradas como vítimas. A partir do momento da virada, porém, “Boa Noite, Mamãe” ganha contornos mais interessantes. A obra explode em sangue e tensão, com uma exibição de violência e tortura que aproxima o filme do subgênero torture porn. Por outro lado, há, também, vários elementos de mistério na trama, tanto que o final deixa sem resposta certas situações, como o túmulo cheio de ossos humanos em que os meninos encontraram um gato, e mesmo os detalhes do acidente da mãe – mas provavelmente nada disso seja importante. De fato, é até bom que certas coisas permaneçam sem explicação, como a obsessão dos gêmeos por baratas, que alimenta repulsa e gera bons momentos, ou a tendência mais sombria de um deles, em comparação com o outro. Por ser climático, é um filme que cresce à medida que pensamos nele. Se é um dos melhores exemplares do gênero dos últimos anos? Talvez não seja para tanto. Afinal, o quanto é bom lembrar de um pesadelo?

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    Tudo Vai Ficar Bem é volta triste de Wim Wenders à ficção

    11 de março de 2016 /

    O veterano cineasta alemão Wim Wenders avança pelo século 21 mostrando a vitalidade de um verdadeiro artista – seja por meio de suas mais diversas experiências tecnológicas, com destaque para a bela filmagem em 3D de “Pina” (2011), seja através das tentativas de variação estilístico/temática do seu cinema. O que “Tudo Vai Ficar Bem” vem demonstrar, no entanto, é que os acertos do velho mestre em seus recentes documentários (“Pina”, “O Sal da Terra”) não se confirmam em sua volta para a ficção, sete anos após seu último drama, “Palermo Shooting” (2008). Sem música indie e com exteriores reduzidos em relação a alguns dos seus registros mais característicos, Wenders apoia-se na trilha sonora orquestral do francês Alexandre Desplat (“O Grande Hotel Budapeste”) para desenvolver uma fantasia dramática em tons mais convencionais. Baseado num roteiro do norueguês Bjorn Olaf Johannessen (que chamou atenção com o sucesso de “Nowhere Man”, em Sundance), “Tudo Vai Ficar Bem” conta a história de um escritor (o americano James Franco) em crise existencial, particularmente no casamento e na carreira, que vê a sua situação agravada pela culpa, após um acidente de trânsito com vítima fatal. Wenders continua fascinado por filmar em 3D e, se tal propósito ajuda a sacudir a poeira da idade, “Tudo Vai Ficar Bem” vem falhar no outro polo da sua proposta – a tentativa de contar uma história relativamente linear. A leveza dos movimentos e os fade-outs (e algumas soluções inventivas, como a câmera que sai detrás de um monte de gelo no acidente) são acompanhados por uma fotografia em 3D que visa esmiuçar visualmente o interior dos personagens – num jogo onde os disfarces e os truques dos atores não são permitidos. O problema é que os distribuidores brasileiros não levaram em conta esse detalhe, ao programarem apenas projeções convencionais, em 2D, do longa-metragem. O que ajuda a fazer com que as “almas” dos personagens revelem-se brutalmente desinteressantes. Parte da culpa pela falta de profundidade também cabe ao roteiro de Johannenssen: na sua tentativa de evitar os lugares comuns de uma trama, que bem poderia ser a base de um dramalhão-clichê, o roteirista criou um conjunto de sequências isoladas, em que as elipses constantes parecem uma forma desesperada de compensar a falta de inspiração com novos recomeços. As tantas idas e vindas do enredo transitam do penoso para o exasperante e, se a familiaridade com algumas soluções das obras de Wenders (“Paris, Texas”, por exemplo) permite adivinhar o final, a certa altura isto já não interessa, desde que ele chegue depressa.

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    White God usa beleza e agressividade de forma extraordiária

    10 de março de 2016 /

    “White God”, do húngaro Kornél Mundruczó, engana quem pensa que se trata de “um filme de cachorro”. Ou seja, mais uma história de cãozinho abandonado/desaparecido, que passa por várias aventuras, como “Lassie” e similares. Desta vez, o bicho pega mesmo. Nos dois sentidos do termo. O filme acompanha a jornada da menina Lili (Zsófia Psotta), que vai passar três meses com o pai, com quem não tem muita intimidade. Como ela leva seu cachorro consigo, começa a enfrentar uma série de dificuldades de aceitação: não é permitido cachorros no condomínio e, no dia seguinte, eles acordam com um fiscal da prefeitura informando que é preciso pagar uma taxa para mantê-lo, coisa que o pai não quer fazer de jeito nenhum. Para ele, o mais prático é largar o cão em algum lugar. E é o que ele faz, para desespero de Lili. É fácil para o espectador se sentir nos sapatos da garota e também nas patas do cachorro naquele momento. E só por ter conseguido essa façanha, Mundruczó já merece respeito. Mas há muito mais por vir. Inclusive, cenas bem barra-pesada, que fazem alguns espectadores saírem antes de terminar a sessão, por não aguentarem ver os maus tratos. Mesmo que eles não sejam mostrados de maneira explícita, são bastante perturbadores. Assim, o filme segue durante um bom tempo em duas narrativas paralelas que se complementam: a de Hagen, o vira-latas que tenta sobreviver a essa situação, encontrando, inclusive, outros cãezinhos que levam a vida fugindo da carrocinha e até mesmo de pessoas com intenções piores, e a de Lili, procurando por seu amiguinho, ao mesmo tempo em que tenta levar uma vida mais ou menos normal, tocando em uma orquestra e experimentando também a maldade de jovens da sua idade. A trama funciona muito bem como um misto de drama e horror, envolvendo a maldade da sociedade contra os cães, especialmente aqueles que não são de raça, mas também serve de parábola sobre o racismo e a imigração. De fato, não há como não sentir um gosto amargo ao ver a transformação do animal, de manso e adorável, em uma máquina selvagem de matar. E nisso, o filme encontra similaridades com “Cão Branco” (1982), de Samuel Fuller, que também trata de racismo, mas de maneira menos alegórica. Mundruczó consegue criar imagens de uma beleza rara, como antecipa, logo no começo do filme, ao mostrar Lili andando de bicicleta em uma cidade abandonada, perseguida por uma matilha de cães de todas as raças e cores. A cena é impressionante e parece saída de um sonho. E faz parte da trama central do filme, que une a beleza e a agressividade de maneira extraordinária.

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    Estreias: Pior filme da franquia Divergente chega a mais de mil cinemas

    10 de março de 2016 /

    O penúltimo episódio da saga “Divergente” é a maior estreia da semana, alcançando 1.023 salas de cinema. A ocupação é a maior de toda a franquia, atingindo quase o dobro das salas que receberam “Divergente” (524) em 2014 e acima de “Insurgente” (837), de 2015. A má notícia é que “A Série Divergente: Convergente” também é o pior filme dos três. Repetindo o que vem sendo feito com as adaptações da literatura juvenil desde o final de “Harry Potter”, o último livro foi dividido em dois filmes, mas no caso de “Convergente” não daria meio longa-metragem. Tanto que os roteiristas se desviaram da história original. E o resultado é lamentável. A nota no Rotten Tomatoes resume tudo: 0% de avaliação na média da crítica americana. Como o filme vai ocupar um terço de todo o parque exibidor, que já se encontra sobrecarregado com “Kung Fu Panda 3”, “Deadpool” e “Os Dez Mandamentos”, todos os demais lançamentos da semana ficaram restritos ao circuito limitado. De fato, as condições de ocupação até criaram um paradoxo: o lançamento limitado de shopping center. Caso do filme “Little Boy – Além do Impossível”, produção mexicana, falada em inglês, que explora a fé alheia com uma fábula moralista sobre milagres, ridicularizada pela crítica americana – 21% no Rotten Tomatoes. Chega em 26 salas, todas na rede Cinépolis (por sinal, também de origem mexicana). Apesar dessa distribuição dirigida, “Little Boy” consegue ser um dos maiores lançamentos da semana, tão poucas foram as salas que sobraram. A falta de espaço prejudicou até um dos melhores filmes de terror dos últimos tempos, “Boa Noite, Mamãe”, filme austríaco mais premiado de 2015, que chega em 48 cinemas. Talvez o fato de não ser falado inglês amedronte mais o circuito que sua trama. Releve, pois o longa venceu o famoso festival de cinema fantástico de Stiges, considerado o “Cannes do terror”. Sua história, sobre duas crianças gêmeas que não reconhecem mais a própria mãe, após ela passar por cirurgia plástica, ultrapassou até os limites de gênero, conquistando o “Oscar austríaco” como Melhor Filme do ano, além do troféu de Melhor Direção de Fotografia da Europa, respectivamente pelas Academias Austríaca e Europeia. Para completar, tem 85% de aprovação no Rotten Tomatoes, a melhor cotação entre todas as estreias da semana. Outro destaque do circuito, “Tudo Vai Ficar Bem” marca o retorno do cineasta alemão Wim Wenders à ficção após dois documentários premiados, “Pina” (2011) e “O Sal da Terra” (2014). Mas não impressionou a crítica – 22% no Rotten Tomatoes. Traz James Franco como um escritor envolvido em uma tragédia. O que o distingue de um melodrama convencional é justamente a filmagem do diretor, que usa 3D para perscrutar os recônditos dos personagens. O detalhe é que será exibido no Brasil somente em 20 salas de projeção convencional. Incrível. Os demais lançamentos são praticamente invisíveis. O documentário “Glauco do Brasil”, sobre o pintor tropicalista Glauco Rodrigues, chega em quatro salas (duas no Rio, uma em Florianópolis e uma em Curitiba), assim como o drama francês “É o Amor”, em que o corso Paul Vecchiali (“Noites Brancas no Pier”) aborda a infidelidade (duas em São Paulo, uma em Porto Alegre e uma em Goiânia). Para completar, duas estreias chegam exclusivamente em São Paulo: o romance francês “Astrágalo” (Imovision), que a atriz Brigitte Sy (“Um Lugar na Terra”) filmou em preto e branco com ecos da nouvelle vague, e a dramédia “O Presidente”, do iraniano Mohsen Makhmalbaf (“A Caminho de Kandahar”), sobre um ditador deposto, que se disfarça de sem-teto para escapar do linchamento com seu pequeno príncipe desencantado. Cada um desses filmes chega em apenas uma sala. Estreias de cinema nos shoppings Estreias em circuito limitado

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    Kill Your Friends: Nicholas Hoult é capaz de matar por um hit, em trailer de comédia sobre a indústria musical britânica

    26 de fevereiro de 2016 /

    A Well Go Entertainment divulgou o trailer americano da comédia “Kill Your Friends”, estrelada por Nicholas Hoult (“X-Men: Dias de um Futuro Esquecido”). A prévia destaca o humor negro e violento da produção britânica, que se passa nos bastidores da indústria musical. A trama é ambientada em 1997 e acompanha a trajetória do personagem de Hoult, jovem funcionário de uma gravadora que busca um grande hit para emplacar nas paradas de sucesso durante a explosão das boy bands e do britpop, e se mostra capaz de passar por cima de tudo e todos para se dar bem nesse negócio. O elenco ainda conta com Ed Skrein (“Deadpool”), Rosanna Arquette (série “Ray Donovan”), James Corden (“Caminhos da Floresta”) e Tom Riley (série “Da Vinci’s Demons”). Adaptação do best-seller homônimo de John Niven, com direção de Owen Harris (série “Misfits”), “Kill Your Friends” dividiu opiniões no Reino Unido, onde estreou em novembro. A estreia nos cinemas americanos acontece em 1 de abril e não há previsão para seu lançamento no Brasil.

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    Filme derivado da série Absolutely Fabulous ganha primeiro teaser

    26 de fevereiro de 2016 /

    A Fox Searchlight divulgou o primeiro teaser do filme derivado da sitcom britânica “Absolutely Fabulous”. A prévia mostra as amigas Edina (Jennifer Saunders, criadora da atração) e Patsy (Joanna Lumley) curtindo férias à beira-mar, em clima de êxtase – e de comercial de bebida – , dando início a mais uma bebedeira. A série original, exibida com grandes hiatos entre 1992 e 2012, girava em torno de Edina Monsoon, uma agente de relações públicas decadente, que passava o seu tempo enchendo a cara e seguindo tendências bizarras numa tentativa desesperada de se manter jovem para sempre, quase sempre acompanhada por sua melhor amiga Patsy Stone, muito mais bêbada e promíscua, e com a total desaprovação de sua filha careta Saffron (Julia Sawalha). Feito comédia brasileira, o filme será intitulado “Absolutely Fabulous: The Movie”, e vai acompanhar Edina e Patsy acordando após um porre, sem lembrar da noite anterior. O detalhe é que se encontram em um iate no meio do oceano, sem sinal de celular. A estreia está marcada para 1 de julho no Reino Unido e não há previsão para seu lançamento no Brasil.

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    Documentário sobre refugiados vence o Urso de Ouro do Festival de Berlim

    21 de fevereiro de 2016 /

    O tema mais incontornável da Europa no momento está no centro de “Fuocoammare” (Fire at the Sea), escolhido pelo júri liderado pela atriz Meryl Streep como o vencedor do Urso de Ouro do Festival de Berlim 2016. Documentário como todos os filmes do diretor Gianfranco Rosi, entre eles “Sacro GRA”, vencedor do Festival de Veneza 2013, “Fuocoammare” foca a dura realidade da ilha de Lampedusa, que há cerca de duas décadas é um dos principais destinos das trágicas jornadas pelo Mediterrâneo dos imigrantes. O diretor destaca não só as pessoas em fuga, mas também o quanto a situação afeta a vida de quem vive na ilha. Em seu discurso de agradecimento, ele dedicou sua vitória “àqueles cujas viagens de esperança nunca chegaram a Lampedusa” e aos habitantes da ilha que “há 23 anos abrem os seus corações àqueles que ali chegam.” Nascido há 51 anos na Eritreia, na África, sob nacionalidade italiana, Rosi saiu ainda com os prêmios do Júri Ecumênico, da Anistia Internacional e dos leitores do jornal alemão Berliner Morgenpost, sendo alçado à condição de “embaixador” dos refugiados sem voz. Para Meryl Streep, presidente do júri, seu filme é “urgente” e “imaginativo” e se comunica com o mundo atual. A politização também marcou o Grande Prêmio do Júri, vencido pela coprodução franco-bósnia “Death in Sarajevo”, em que o bósnio Danis Tanovic (“Um Episódio na Vida de Um Catador de Ferro-Velho”) cria uma fábula irônica sobre a situação da Europa atual, mostrando a dificuldade de convivência dos europeus dentro de um mesmo bloco. A francesa Mia Hansen-Love (“Eden”) venceu o Urso de Prata de Melhor Direção por “L’avenir”, sobre uma professora de filosofia (Isabelle Huppert) que se vê obrigada a se reinventar em plena meia idade, enquanto o polonês Tomasz Wasilewski foi considerado o Melhor Roteirista por “United States of Love”. Entre os atores, o novo filme de Thomas Vinteberg (“A Caça”), “The Commune”, rendeu à sua protagonista, a dinamarquesa Trine Dyrholm (“O Amante da Rainha”), o prêmio de Melhor Atriz, enquanto o Urso de Prata de interpretação masculina ficou com o tunisino Majd Mastoura por “Hedi”, de Mohamed Bem Attia, obra que ainda venceu o Urso de Prata de Melhor Filme de Estreia. Completando as distinções, o chinês Mark Lee Ping-Bing foi destacado pelo seu trabalho como operador de câmera em “Crosscurrent”, enquanto a proposta mais ousada da Berlinale, “A Lullaby to the Sorrowful Mystery”, um filme com oito horas de duração do filipino Lav Diaz (“Norte, o Fim da História”), levou o prêmio Alfred Bauer – destinado a produções que “abrem novas perspetivas”. No universo das curtas-metragens, o Urso de Ouro coube à portuguesa Leonor Teles, com “A Balada do Batráquio”, filme que aborda a discriminação contra as comunidades ciganas no país. Aos 23 anos, Leonor também se tornou a mais jovem vencedora do Urso de Ouro da história do Festival de Berlim. Vencedores do Festival de Berlim 2016 Urso de Ouro – Melhor Filme Fuocoammare, de Gianfranco Rosi (Itália) Urso de Prata – Grande Prémio do Júri Death in Sarajevo, de Danis Tanovic (França/Bósnia e Herzegovina) Urso de Prata – Prêmio Alfred Bauer A Lullaby to The Sorrowful Mystery, de Lav Diaz (Filipinas) Urso de Prata – Melhor Direção Mia Hansen-Løve, por L’avenir (França) Urso de Prata – Melhor Atriz Trine Dyrholm, por The Commune (Dinamarca/Suécia) Urso de Prata – Melhor Ator Majd Mastoura, por Hedi (Tunísia) Urso de Prata – Melhor Roteiro United States of Love, de Tomasz Wasilewski (Polônia) Urso de Prata – Melhor Contribuição Artística Crosscurrent, de Mark Lee Ping-Bing (China) Melhor Primeiro Filme Hedi, de Mohamed Ben Attia (Tunísia) Urso de Ouro – Melhor Curta-Metragem Balada de um Batráquio, de Leonor Teles (Portugal) Urso de Prata – Segundo Melhor Curta A Man Returned, de Mahdi Fleifel (Reino Unido/Dinamarca/Holanda) Prêmio Audi para Melhor Curta Anchorage Prohibited, de Chiang Wei Liang (Taiwan) Prêmio European Film A Man Returned, de Mahdi Fleifel (Reino Unido/Dinamarca/Holanda) Veja Também BERLIM: PREMIAÇÃO DA MOSTRA PANORAMA CONSAGRA O CINEMA ISRAELENSE FILMES DA LETÔNIA E DO CHILE SÃO OS PRIMEIROS PREMIADOS EM BERLIM

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  • Filme

    Brooklyn é um romance cativante com várias camadas de profundidade

    20 de fevereiro de 2016 /

    “Brooklyn” é um filme que vai conquistando o espectador aos poucos. Inicia aparentemente um pouco atabalhoado, com uma pressa de enviar logo sua protagonista para os Estados Unidos, mas uma vez que Eilis (Saoirse Ronan, de “O Grande Hotel Budapeste”) está em Nova York, numa comunidade irlandesa, sua história começa a ficar mais e mais interessante, cativando até espectadores que nunca sofreram com a saudade da família e do lar, em um lugar distante. Na trama, Eilis é uma jovem de uma família simples da Irlanda que consegue, através de um padre irlandês que trabalha nos Estados Unidos (Jim Broadbent, de “Um Fim de Semana em Paris”), a chance de ter melhores condições de vida na “terra das oportunidades”. Ela já vai, inclusive, com um emprego garantido e hospedagem na pensão de uma senhora (Julie Walters, de “As Aventuras de Paddington”) muito tradicional e exigente, no que se refere a comportamento, ainda que as meninas que lá moram vivam tirando sarro dela. Depois de tanto chorar de saudade de casa e de escrever e receber cartas de sua terra, Eilis muda de atitude quando conhece um rapaz italiano (Emory Cohen, de “O Lugar Onde Tudo Termina”) muito gentil e disposto a ter um relacionamento sério com ela. O amor e o carinho elevam o seu espírito, tornando-a mais confiante e feliz com a vida no novo país, assim como melhoram seu desempenho no trabalho – numa loja de perfumes. Assim, a vida no velho continente vai ficando em segundo plano. Até que algo acontece e chama Eilis de volta para a Irlanda, deixando-a dividida. “Brooklyn” já é o sexto longa-metragem de John Crowley. Embora ele ainda não seja tão conhecido do grande público, sua filmografia contém bons trabalhos, como o cultuado “Rapaz A” (2007), que como os demais saiu direto em DVD no Brasil. Graças às indicações ao Oscar, seu novo filme conseguiu alcançar uma audiência maior. A maior parte dos elogios, porém, vão para o trabalho de adaptação de Nick Hornby, escritor conhecido por “Alta Fidelidade” (2000) e “Um Grande Garoto” (2002), que virou roteirista com outro filme de época sobre uma mulher em crise, “Educação” (2009). Destaque também para a bela e caprichada reconstituição de época, para as cenas de retorno na Irlanda, que elevam o filme a um patamar ainda mais amplo com a discussão de identidade, e às performances de seus atores, em especial Saoirse Ronan, adorável, mas também Domhnall Gleeson (“Questão de Tempo”), que faz o atraente pretendente de Eilis em sua terra natal. Aliás, é interessante notar também o quanto a personagem, em sua relação de amor e desamor com a Irlanda, parece saída de um conto de James Joyce, escritor que lidava com a questão da paralisia reinante em seu país. A história de “Brooklyn” é, na verdade, adaptada de outro escritor irlandês, Colm Tóibín, que também se destacou por escrever sobre a dificuldade de se encontrar a própria identidade no mundo moderno – por sinal, a história de Eilis é exceção em sua obra, repleta de personagens homossexuais.

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