Trailer da nova animação de massinhas do criador de Wallace e Gromit subverte expectativas
A nova animação de massinhas da Aardman Animation ganhou um novo pôster e trailer que subvertem as expectativas em relação à sua trama. “Homem das Cavernas” (Early Man) acompanha, como diz o título nacional, personagens de uma tribo pré-histórica, mas não se passa na Idade da Pedra como dava a entender o teaser anterior, o primeiro pôster e todas as imagens divulgadas até aqui. Na verdade, a aventura animada acontece muitos séculos depois, na Era do Bronze. A trama acompanha as aventuras de Dug (voz de Eddie Redmayne, de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”), guerreiro da última tribo das cavernas, que enfrenta o exército “moderno” do tirano Lord Nooth (Tom Hiddleston, de “Thor”). Dono de um castelo e elefantes encouraçados, ele expulsa a tribo, mas, numa tentativa de retomar suas terras, Dug o desafia para uma batalha. Na verdade, um combate numa arena de gladiadores. Onde atletas vigorosos disputam ferozmente… futebol. O elenco de vozes britânicas originais ainda inclui Maisie Williams (série “Game of Thrones”), Timothy Spall (franquia “Harry Potter”) e Richard Ayoade (série “The IT Crowd”). O filme tem direção de Nick Park, criador de “Wallace e Gromit”, “Shaun: O Carneiro” e diretor do divertido “A Fuga das Galinhas” (2000). “Early Man” estreia em janeiro de 2018 no Reino Unido e em 15 de fevereiro no Brasil.
Lady Macbeth aborda consequências da opressão masculina de forma desconsertante
Após tantos séculos de opressão do patriarcado, começam a despontar cada vez mais obras sobre a libertação feminina. E embora haja uma série de outros títulos que prefiram denunciar situações de sofrimento intenso, como são os casos de “A Vida de uma Mulher”, de Stéphane Brizé, e “Faces de uma Mulher”, de Arnaud des Pallières, para citar exemplos recentes, há outros filmes – uma minoria, é verdade – que preferem seguir por outro caminho. Pode-se dizer que o caminho seguido por “Lady Macbeth”, primeiro longa-metragem de William Oldroyd, diretor britânico de teatro, é no mínimo desconcertante. Baseado no romance “Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk”, do escritor russo Nikolai Leskov, o filme acompanha a história da jovem Katherine (a ótima Florence Pugh, do terror “The Falling”), que é vendida pela família e passar a viver um casamento de conveniência com um homem rude e de comportamento doentio. É um homem que parece não saber dar conta da bela esposa que tem, e que deseja que ela fique enclausurada dentro de casa, lendo um livro de orações. “Mas eu prefiro o ar fresco”, diz a jovem, ainda que seja sempre recebida de forma desrespeitosa pelo marido. Sua vida muda quando ela encontra um serviçal da família, um homem de pele escura chamado Sebastian (Cosmo Jarvis, de “Spooks: O Mestre Espião”), que até pode não ser o melhor dos homens, como dá a entender pelo modo como trata a empregada/escrava da casa, Anna (Naomi Ackie, da série “The Five”), mas, comparado ao marido, trata-se de uma promessa de felicidade para a jovem e carente Katherine. Mas engana-se quem pensa que as ousadias de Katherine se resumirão apenas às infidelidades, às transas na cama da casa, enquanto o marido e o sogro estão fora. Essas infidelidades, aliás, são inicialmente mostradas como um elemento bastante libertador e agradável, ao mesmo tempo que também funcionam como uma espécie de desforra. No entanto, a jovem mulher acaba por repetir nos demais as ações de repressão e violência por ela sofridas. E de maneira ainda mais brutal. O diretor Oldroyd trata seu filme como uma pintura, com o capricho de quem quer causar maravilhamento em nosso olhar. E funciona que é uma beleza. Mesmo quando serve para atenuar os crimes cometidos em nome dos caprichos e das vontades de Katherine, em sua busca por algo próximo de uma vida ideal, perto do homem que ama. O uso dos silêncios e de uma ausência de maiores sentimentalismos torna o filme uma experiência especial.
Noomi Rapace e Orlando Bloom enfrentam terroristas em trailer de filme de ação
A Lionsgate divulgou o pôster americano e o segundo trailer de “Unlocked”, thriller de espionagem com direção do veterano cineasta britânico Michael Apted (“007 – O Mundo Não É O Bastante”). A prévia traz a sueca Noomi Rapace (“Prometheus”) como uma ex-interrogadora da CIA, que é convocada para voltar à ativa e ajudar a extrair informação de um terrorista, sem saber que está sendo usada como parte de um plano para um ataque biológico em Londres. Ao perceber que nem tudo é o que parece, ela se alia a um agente do MI6, vivido pelo inglês Orlando Bloom (trilogia “O Hobbit”), para tentar impedir o ataque iminente. O elenco ainda inclui John Malkovich (“Horizonte Profundo: Desastre no Golfo”), Michael Douglas (“Homem-Formiga”) e Toni Collette (“xXx: Reativado”). O filme foi lançado em maio no Reino Unido, estreia em setembro nos Estados Unidos e não tem previsão para os cinemas brasileiros.
Gary Oldman aparece irreconhecível no trailer da cinebiografia de Winston Churchill
A Focus Features divulgou dois pôsteres, uma novo foto e o trailer de “Darkest Hour”. Se as imagens trazem Gary Oldman irreconhecível, a prévia destaca ainda mais sua transformação em Winston Churchill (1874-1965), o político que liderou o Reino Unido durante a 2ª Guerra Mundial. O Oscar 2018 já tem seu primeiro favorito na categoria de Melhor Ator. O filme acompanha Churchill em 1940, no início de seu mandato como Primeiro Ministro britânico. Diante do avanço do nazismo pela Europa, com Hitler expandindo territórios e colecionando vitórias, ele se vê diante de um dilema: aceitar a pressão de seus colegas por um vergonhoso acordo de paz com a Alemanha ou declarar guerra com a perspectiva de uma derrota iminente. O roteiro foi escrito por Anthony McCarten, responsável por “A Teoria de Tudo”, trabalho indicado ao Oscar e vencedor do BAFTA, e a direção está a cargo de Joe Wright, de “Orgulho e Preconceito” (2005), “Desejo e Reparação” (2007), “Anna Karenina” (2012) e “Peter Pan” (2015). O elenco conta ainda com Kristin Scott Thomas (“Suite Francesa”) no papel de Clementine, esposa de Churchil, Ben Mendelsohn (“Rogue One: Uma História de Star Wars”) como o rei George VI, John Hurt (“O Espião que Sabia Demais”) como o ex-primeiro ministro Neville Chamberlain e Lily James (“Cinderela”) como a secretária de Churchill, Elizabeth Nel. A estreia está marcada para 22 de novembro nos EUA e apenas em 11 de janeiro no Brasil.
The Book of Birdie: Terror escrito, dirigido e estrelado apenas por mulheres ganha fotos e trailer mórbidos
A Reel Suspects divulgou fotos, o pôster e o primeiro trailer de “The Book of Birdie”, terror britânico escrito, dirigido e estrelado apenas por mulheres. A prévia mistura heresia e visões religiosas com imagens mórbidas, de freiras suicidas. A trama se passa num convento para onde se muda Birdie (a estreante Ilirida Memedovski), uma adolescente frágil e introvertida, cuja imaginação hiperativa inspira obsessões grotescas. Sua vida tediosa ganha uma distração quando ela conhece Julia (Kitty Hall, também estreante), uma garota que trabalha na manutenção do local, que lhe desperta uma paixão crescente. Mas não tão forte a ponto de afastá-la de sua principal fascinação: o sangue. “The Book of Birdie” marca a estreia na direção de Elizabeth E. Schuch, que trabalhou no departamento de arte de “Mulher-Maravilha”, e seu elenco destaca Suzan Crowley (“A Filha do Mal”) como a Madre Superiora. Atualmente em exibição no circuito de festivais internacionais, o filme teve première brasileira no Fantaspoa, em maio, mas ainda não possui previsão de estreia comercial.
England Is Mine: Cinebiografia do cantor Morrissey ganha seu primeiro trailer e imagens
A eOne divulgou o pôster, quatro fotos e o primeiro trailer de “England Is Mine”, a cinebiografia de Steven Patrick Morrissey, ou simplesmente Morrissey para milhões de fãs de rock ao redor do mundo. Para estes, o vídeo se apresenta quase como uma enciclopédia de referências com sons, roupas, cabelos e nomes que reverberam intensamente a história do rock indie britânico. A prévia começa no final da década de 1970, quando Morrissey era um crítico musical de Manchester, que passava o tempo destroçando os roqueiros da época, até alguém lhe sugerir que montasse sua própria banda. Como o vídeo demonstra, a transição não aconteceu da noite para o dia. Antes de seu futuro parceiro dos Smiths, Johnny Marr, surgir na última cena do trailer, Morrissey ainda formou um grupo com Billy Duffy, futuro guitarrista do Cult. O elenco destaca Jack Lowden (“Negação”) como Morrissey, numa profusão de penteados que vão da era glam ao visual indie icônico dos Smiths, e Jessica Brown Findlay (“Downton Abbey”) como a artista plástica Linder Sterling, melhor amiga do cantor e também roqueira da banda pós-punk Ludus. “England Is Mine” marca a estreia em longa-metragens do diretor-roteirista Mark Gill, que já disputou o Oscar de Melhor Curta – por “The Voorman Problem”, em 2014. O lançamento está marcado para 4 de agosto no Reino Unido, mas, como tantos outros filmes sobre o rock britânico, não há previsão para sua distribuição no Brasil.
Peter Sallis (1921 – 2017)
Morreu o ator britânico Peter Sallis, conhecido por dublar Wallace na franquia de animação “Wallace & Gromit”. Ele faleceu na sexta (2/6), aos 96 anos de idade, num abrigo para artistas idosos. Sallis tem uma longa carreira no teatro britânico, onde chegou ser dirigido por Orson Welles e Peter Brook. Também apareceu em diversos filmes, com destaque para produções de terror da Hammer, como “Maldição de Lobisomem” (1961), “Grite, Grite Outra Vez!” (1970) e “O Sangue de Drácula” (1970). Mas é mais celebrado por seus trabalhos televisivos. Ele faz participações em episódios de séries clássicas como “Os Vingadores”, “Doctor Who” e “The Persuaders!” antes de estrelar “Last of the Summer Wine”, que marcou época na TV britânica. A atração cômica girava em torno de três amigos que se recusavam a aceitar a idade, lembrando das proezas da juventude e vivendo aventuras que idosos não costumavam experimentar. Curiosamente, a produção acabou se provando um fenômeno de longevidade, rendendo 31 temporadas, exibidas entre 1973 e 2010. E o personagem de Sallis, Norman Clegg, foi o único que apareceu em todos os 295 episódios. “Last of the Summer Wine” tornou Sallis muito conhecido no Reino Unido, mas seu reconhecimento internacional só veio com “Wallace & Gromit”. O ator aceitou participar do primeiro curta de Nick Park, então um estudante desconhecido na escola de cinema de Beaconsfield, sem imaginar que voltaria a dar voz ao inventor Wallace em inúmeros outros desenhos. O primeiro curta, “Wallace & Gromit: Um Grande Passeio” (1989), já foi logo indicado ao Oscar, prêmio que acabou sendo conquistado pelo segundo, “Wallace & Gromit: As Calças Erradas” (1993), e bisado pelo terceiro, “Wallace & Gromit: O Fio da Navalha” (1995). A partir daí, vieram videogames e o primeiro longa do personagem, “Wallace & Gromit: A Batalha dos Vegetais” (2005), que venceu o Oscar de Melhor Animação. Ele ainda dublou “Wallace & Gromit: Uma Questão de Pão ou Morte” (2008), o quarto e último curta da franquia. Peter Sallis foi “a primeira e única escolha” para dar voz a Wallace, lembrou Nick Park, no site oficial de seu estúdio, Aardman Animations. “Quando olho para trás, vejo que fui abençoado e afortunado por ele ter tido generosidade de espírito para ajudar um pobre estudante de cinema no começo dos anos 1980, quando gravamos pela primeira vez, e nenhum de nós fazia a menor ideia do que ‘Wallace & Gromit’ iria se tornar”, acrescentou Park.
Trailer legendado de Victoria e Abdul traz amizade escandalosa da Rainha da Inglaterra e seu criado indiano
A Universal divulgou dois pôsteres e o primeiro trailer legendado de “Victoria e Abdul”, produção britânica de época, que traz Judi Dench (“007 – Operação Skyfall”) como a Rainha Victoria. A trama retrata os anos finais da segunda monarca mais longeva da história da Grã-Bretanha, quando, entediada com os problemas do reino, acaba desenvolvendo uma amizade com um criado indiano, o Abdul do título, vivido por Ali Fazal (“Velozes & Furiosos 7”). A amizade é considerada escandalosa e deixa a corte em polvorosa, mas ela se recusa a ser contrariada, lembrando a todos, o tempo inteiro, quem é a Rainha da Inglaterra. A trama é baseada no romance homônimo de Shrabani Basu, foi roteirizada por Lee Hall (“Cavalo de Guerra”) e marca a volta do diretor inglês Stephen Frears às biografias da monarquia britânica, após seu excelente trabalho à frente de “A Rainha” (2006), justamente sobre a monarca mais longeva do Reino Unido, Elizabeth II – neta de Victoria. O elenco ainda inclui Olivia Williams (“Mapas para as Estrelas”), Michael Gambon (franquia “Harry Potter”), Eddie Izzard (série “Hannibal”), Simon Callow (série “Outlander”) e Adeel Akhtar (série “Utopia”). A estreia foi marcada para 16 de novembro no Brasil, dois meses após o lançamento no Reino Unido.
Continuação de As Aventuras de Paddington ganha primeiro trailer
O StudioCanal divulgou o pôster e o primeiro trailer de “As Aventuras de Paddington 2”, continuação do filme infantil de 2014. A prévia mostra que o simpático urso de pelúcia falante continua atrapalhado, além de introduzir os novos personagens vividos por Hugh Grant (“Florence: Quem é Essa Mulher?”) e Brendan Gleeson (“O Guarda”). Com roteiro e direção de Paul King, que comandou o primeiro filme, o filme também traz de volta o elenco original, formado por Hugh Bonneville (série “Downton Abbey”), Sally Hawkins (“Godzilla”), Julie Walters (“Brooklyn”), Madeleine Harris (série “Man Down”), Jim Broadbent (“O Bebê de Bridget Jones”), Peter Capaldi (série “Doctor Who”) e Ben Whishaw (“007 Contra Spectre”) como a voz de Paddington. “As Aventuras de Paddington 2” tem estreia marcada para 8 de novembro no Reino Unido e apenas dois meses depois, em 18 de janeiro no Brasil, último país do mundo a exibir o filme.
Roger Moore (1927 – 2017)
O ator britânico Roger Moore, famoso por interpretar o agente secreto James Bond em sete filmes, morreu nesta terça-feira (23/5), aos 89 anos. Segundo a família, Moore faleceu na Suíça, “após uma brava luta contra o câncer”. “Obrigado, papai, por ter sido você, e por ter sido tão especial para tanta gente. Com o coração pesado, compartilhamos a péssima notícia de que nosso pai, Sir Roger Moore, morreu nesta terça-feira. Estamos devastados”, disseram os três filhos do ator, em comunicado publicado no Twitter. Moore atuou em dezenas de filmes ao longo de mais de 70 anos de carreira na TV e no cinema, mas será sempre lembrado como o ator que melhor substituiu Sean Connery no papel de James Bond — ele foi o terceiro intérprete do agente secreto no cinema. Sua filmografia começou quando ele tinha apenas 18 anos, como um legionário romano no filme “César e Cleópatra” de 1945, estrelado por Claude Rains e Vivien Leigh. E após meia dúzia de outras figurações, ele conseguiu passar num teste da RADA (Academia Real de Artes Dramáticas) para estudar como virar um ator profissional. Entre as aulas, conheceu sua primeira esposa. Mas a convocação para o serviço militar interrompeu provisoriamente seus planos. Depois de três anos no exército, Moore tentou retomar a carreira, mas só conseguiu novas figurações e trabalho como modelo fotográfico de revistas de moda. Sem desistir, resolveu se mudar para Nova York em 1953 com a segunda esposa, a cantora Dorothy Squires, para tentar a sorte na televisão americana. E após três telefilmes, chamou atenção da MGM, que lhe deu seu primeiro contrato. Ironicamente, o ator inglês foi se destacar em Hollywood, antes de ser reconhecido em sua terra natal. Sua breve passagem americana incluiu papéis nos clássicos “A Última Vez que Vi Paris” (1954) e “Melodia Interrompida” (1955). Mas o que chamou mais atenção foi sua bem-sucedida carreira de herói da TV, a começar pelo papel de Ivanhoé na série homônima de 1958. Ele também teve um papel recorrente na série de western “Maverick”, aparecendo em 16 episódios como o primo britânico do personagem-título, vivido por James Garner. A popularidade crescente o levou de volta à Europa para desempenhar seu primeiro papel de protagonista, como Romulus, fundador de Roma no épico italiano “O Rapto das Sabinas” (1961). E finalmente o conduziu ao personagem que lhe permitiu explorar o charme cínico que marcaria sua carreira: Simon Templar, o ladrão herói da série britânica “O Santo”. Moore estrelou “O Santo” por mais de 100 episódios, entre 1962 e 1969, chamando atenção pelo carisma demonstrado na tela. Basicamente um Robin Hood moderno, o Santo era um ladrão britânico elegante, que roubava criminosos em nome de boas causas, daí seu apelido. Mas claro que ele também enriquecia e se divertia com as femme fatales enquanto ajudava os oprimidos. A série foi um fenômeno tão popular que conseguiu projeção internacional, algo ainda raro para as produções britânicas dos anos 1960. Seu final fez o ator ser disputado para vários projetos, mas ele preferiu protagonizar um filme, “O Homem Que Não Era” (1970), que lhe rendeu vários elogios. Entretanto, foi um novo papel televisivo que determinou seu futuro. Os produtores comemoraram quando ele topou viver o playboy aristocrata Lord Brett Sinclair em “Persuaders!”, contracenando com o americano Tony Curtis. A série era inspirada nos filmes leves de ação da época, envolvendo grandes golpes em tom de comédia. Na trama, ambos eram playboys, mas de temperamentos e origens diferentes. A motivação da dupla para solucionar crimes “que a polícia não conseguia resolver” era se divertir. O inegável atrativo dos dois astros parecia destinado a transformar a atração em outro sucesso. Mas “Persuaders!” teve apenas uma temporada, exibida entre 1971 e 1972. Porque, em 1973, Roger Moore virou James Bond. Os produtores da franquia 007 se viram em apuros quando Sean Connery desistiu de viver o espião pela segunda vez – após a primeira substituição, com George Lazenby, não ser bem-recebida pelos fãs, a ponto de implorarem para Connery retornar. A solução se mostrou óbvia quando o nome de Roger Moore entrou no páreo. Ele já era um protótipo de James Bond, como Simon Templar e como Brett Sinclair. E tudo o que precisaria para assumir o papel era dizer Bond, James Bond. Moore estreou como James Bond em “Com 007 Viva e Deixe Morrer” (1973), introduzido por uma música-tema inesquecível de Paul McCartney. Foram sete filmes como o espião britânico com licença para matar, até “007 – Na Mira dos Assassinos” (1985), desta vez com trilha do Duran Duran, para demonstrar como o mundo mudou desde que ele assumiu o papel. Sua interpretação moldou Bond, dando-lhe mais características de playboy e sedutor, além de uma leveza que deixou suas aventuras bem-humoradas. Os filmes ganharam títulos que refletiam essa mudança, como “007 – O Espião Que Me Amava” (1977), “007 – Somente Para Seus Olhos” (1981) e “007 Contra Octopussy” (1983). As Bond girls se tornaram cada vez mais sexy e importantes, ao mesmo tempo em que a ação foi se aproximando do ridículo, como em “007 Contra o Foguete da Morte” (1979), que teve cenas rodadas no Rio de Janeiro, com James Bond lutando contra o vilão Dentes de Aço no alto do bondinho do Pão de Açúcar, além da infame caminhada por uma lagoa infestada de jacarés, utilizando os bichos como “ponte”. Numa entrevista, ele explicou que sua abordagem mais cômica do personagem se devia ao fato de James Bond não ser um bom espião. “Você não pode ser um espião de verdade após fazer questão que todos saibam qual é seu nome e sua bebida favorita. Isso é apenas engraçado demais.” Apesar do tom leve, durante a filmagem de “Octopussy” na Índia, Moore teve sua visão de mundo mudada pelo contato com a miséria, e a partir daí resolveu usar sua popularidade para ajudar a combater a pobreza extrema. Por conta disso, tornou-se embaixador da Unicef, participando de eventos em todas as partes do mundo. Seu trabalho humanitário o levou a ser nomeado Cavaleiro do Império Britânico. James Bond foi seu personagem mais marcante, mas Moore precisou deixá-lo de lado aos 58 anos, quando passou a ser considerado velho demais para se insinuar para garotas de biquíni. Durante o período em que estrelou a franquia, também foi protagonista de filmes de ação, encabeçando produções de grande elenco, como “Selvagens Cães de Guerra” (1978), “Fuga para Athena” (1979) e “Resgate Suicida” (1980), além de ter feito uma bem-sucedida incursão pela comédia, com “Quem Não Corre, Voa” (1981), ao lado de Burt Reynolds. Entretanto, após deixar de viver 007, sua carreira estagnou. Até uma parceria com Michael Caine, a comédia “Ladrão de Ladrão” (1990), falhou em encantar. O que o levou a contracenar e ser dirigido por Jean-Claude Van Damme em “O Desafio Mortal” (1996). Depois disso, ainda fez uma aparição no musical “O Mundo das Spice Girls” (1997) e coadjuvou no besteirol americano “Cruzeiro das Loucas” (2002), que seus fãs preferem esquecer. Em 2016, Moore chegou a fazer uma participação no piloto de um revival de “O Santo”, que acabou não virando série. Por conta disso, seus últimos papéis foram como o personagem que mais marcou sua vida. Não James Bond, mas Roger Moore. Ele viveu a si mesmo em seus dois últimos filmes, ambos comédias: o francês “Incompatibles” (2013) e o britânico “The Carer” (2016). Em sua autobiografia de 2008, “My Word Is My Bond”, ele resumiu sua carreira como a arte de interpretar a si mesmo. “Passei a vida interpretando heróis porque parecia ser um”, escreveu. “Praticamente, todos os papéis que me ofereceram exigiam apenas que me parecesse comigo mesmo. Mas a verdade é que adoraria ter podido interpretar um verdadeiro vilão”.
Filme britânico mais comentado do ano, Lady Macbeth ganha trailer legendado
“Lady Macbeth”, um dos filmes britânicos mais comentados do ano, ganhou seu trailer legendado. Divulgado pela California Filmes, o vídeo, inclusive, traz frases de efeito pinçadas das críticas internacionais elogiosas. E as cenas tensas ecoam cada palavra. Drama de época, passado na Inglaterra rural do século 19, o longa acompanha Katherine, uma jovem presa num casamento sem amor, obrigada a se relacionar com um homem com o dobro de sua idade e a agradar sua família fria e cruel. Mas, como ele vive viajando, ela logo embarca num caso romântico com um dos empregados, o que tem consequências terríveis para todos os envolvidos. O filme é uma adaptação do romance homônimo de Nikolai Leskov com direção de William Oldroyd, diretor britânico de teatro que estreia em longa-metragem. O papel principal destaca Florence Pugh (“The Falling”), que tem causado sensação entre a crítica por sua atuação contida, mas também provocante. E o elenco ainda inclui Christopher Fairbanks (“Guardiões da Galáxia”), Cosmo Jarvis (“Spooks: O Mestre Espião”), Bill Fellows (série “Broadchurch”) e Naomi Ackie (série “The Five”). Após causar sensação no circuito dos festivais, “Lady Macbeth” estreia nesta sexta (28/4) no Reino Unido, chega em 14 de julho nos EUA e duas semanas depois, em 27 de julho, no Brasil.
Além das Palavras mergulha no universo da poeta Emily Dickinson
“Além das Palavras”, do diretor britânico Terence Davies, focaliza a vida da poeta moderna norte-americana Emily Dickinson (1830-1886). Ela só foi reconhecida após a morte, teve apenas uns dez poemas publicados em vida. Mesmo assim, alguns deles saíram sem nome, sem o devido crédito. Emily viveu uma vida discreta, reclusa, em que a família era o seu universo e dela nunca se afastou, inclusive rejeitando, até agressivamente, várias propostas de casamento. Mil e setecentos poemas foram encontrados após sua morte, revelando uma obra poderosa. De sua vida pouco se sabe, exceto pelas cartas que escreveu. As questões de gênero, que eram um forte fator da opressão feminina da época em que viveu Emily Dickinson, impediram que seu talento literário pudesse brilhar e se destacar socialmente. Ambiente familiar acolhedor, complexos quanto à presumida feiura e incapacidade de colocar em ação os sentimentos que a oprimiam, parecem ter tido um peso importante nessa história. O cineasta Terence Davies mergulhou nesse universo familiar de Emily Dickinson (vivida por Cynthia Nixon, a Miranda da série “Sex and the City”) e na sua bela poesia para construir um filme impecável, de grande talento e beleza. Desde as primeiras cenas, entra-se em cheio na ambientação do século 19. Todos os detalhes cuidadosamente recriados mostram a vida dentro da casa de uma família com posses. Móveis, objetos de uso e decorativos, roupas, ornamentos, janelas, cortinas, são absolutamente perfeitos. A iluminação é um destaque à parte, com uma fotografia deslumbrante para a descrição daquela realidade. A luminosidade interna, que ousa romper a escuridão, sem nunca afrontar o tom mortiço do ambiente, nos remete a um mundo que restringe, mas também protege, um universo familiar que cria uma zona de conforto, parece bastar-se a si mesmo. Assim como a personagem que sofre, vive sua solidão em família, mas ali se protege do mundo exterior. A narrativa põe em relevo a questão de gênero, a opressão ao desabrochar e ao desenvolvimento femininos, numa sociedade que confinava e impedia o êxito e o sucesso das mulheres, desvalorizando de modo absoluto seus talentos que escapassem à esfera doméstica. O que Terence Davies obtém do desenvolvimento do elenco também é notável. O espectador mergulha naquele universo, como se estivesse voltando no tempo, e encontra nas atrizes e atores a encarnação perfeita daquele mundo, nos diálogos, nos gestos contidos, nos silêncios, na agressividade que brota súbita em alguns momentos, enfim, em cada situação ou fala. A vida passa lenta, ruminando por dentro, rotineira, sem grandes sobressaltos. As atuações dão conta disso muito bem. A música de estilo clássico, belíssima, complementa a narrativa, pontuando a dimensão do tempo. Excelente filme do diretor de “Canção do Pôr do Sol” (2015), “Amor Profundo” (2011), “A Essência da Paixão” (2000), “O Fim de Um Longo Dia” (1992) e “Vozes Distantes” (1988). Uma carreira impressionante de filmes que primam pela elaborada e meticulosa qualidade artística, em que a beleza das imagens sempre se impõe.
Snatch: Série estrelada por Rupert Grint é renovada para a 2ª temporada
O Crackle, serviço de streaming da Sony, anunciou no Twitter que “Snatch” ganhará uma 2ª temporada. Veja o post oficial abaixo. A série é baseada no longa homônimo de 2000, lançado no Brasil como “Snatch: Porcos e Diamantes”. Para quem lembra, foi um primeiros filmes escritos e dirigidos por Guy Ritchie (“O Agente da UNCLE”), caracterizado por muita ação, humor negro e reviravoltas sem fim, além de um elenco de peso, com o então iniciante Jason Statham (“Velozes e Furiosos 8”), Brad Pitt (“A Grande Aposta”) e Benicio Del Toro (“Sicario”). Concebida pelo roteirista Alex De Rakoff (“Menino Cálcio – Um Lutador Duro na Queda”), a versão de TV traz uma história inédita estrelada por Rupert Grint (franquia “Harry Potter”), Dougray Scott (série “Fear the Walking Dead”), Luke Pasqualino (série “The Musketeers”), Stephanie Leonidas (série “Defiance”), Lucien Laviscount (série “Scream Queens”), Ed Westwick (série “Gossip Girl”), Phoebe Dynevor (série “Dickensian”) e Juliet Aubrey (“Fallen”), entre muitos outros. A 2ª temporada terá novamente 10 episódios, com estreia prevista para 2018. Get ready for more gangster! #SnatchTV #Season2 #Crackle pic.twitter.com/kyphth5bL9 — Snatch On Crackle (@Snatch) April 19, 2017












