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    Para não pagar multa, Kleber Mendonça Filho se diz perseguido pelo MinC e recebe resposta

    30 de maio de 2018 /

    O cineasta Kleber Mendonça Filho voltou a se dizer perseguido pelo Ministério da Cultura. Em uma carta aberta publicada nas redes sociais, ele afirmou estar sofrendo “uma punição inédita no Cinema Brasileiro” com a exigência da devolução de R$ 2,2 milhões referentes a recursos captados para a realização do longa “O Som ao Redor” (2009), após descumprir regras do edital. Considerado pela crítica um dos melhores longas brasileiros desta década, “O Som ao Redor” foi feito com verba pública após vencer um edital do MinC que determinava que só seriam aceitos “projetos com orçamento de, no máximo, R$ 1,3 milhão”. Entretanto, a produtora do filme enviou para a Ancine (Agência Nacional do Cinema) um orçamento de R$ 1.494.991 — 15% superior ao limite máximo e, após vencer o edital, ainda redimensionou seus custos para R$ 1.949.690. A discrepância entre o custo do filme e o limite permitido pelo edital foi detectada pela área técnica da Ancine e informada à Secretaria do Audiovisual, do MinC, em 2010. Mas a irregularidade foi ignorada e “O Som ao Redor” obteve permissão para captar R$ 1.709.978. O filme acabou selecionado para representar o Brasil na disputa de uma indicação ao Oscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira. O caso, no entanto, foi denunciado à ouvidoria do MinC e ao Ministério Público Federal, o que levou a uma investigação que confirmou que a obra havia recebido recursos “em desacordo com os limites previstos no edital”. Kleber Mendonça Filho afirma ter dado um jeitinho na época para enquadrar seu filme nas regras, com recursos complementares captados no âmbito estadual, via o Funcultura de Pernambuco. E que isso teria sido aprovado – o que explicaria a irregularidade ter sido ignorada durante o período em que Juca Ferreira foi ministro da Cultura do governo Lula. Após perder os prazos para recorrer à cobrança, o diretor foi às redes sociais reclamar. “No Brasil dos últimos tempos, a nossa capacidade de expressar indignação como cidadãos vem sendo diminuída, creio que por dormência. E é bem aqui onde assumo resignado uma posição habitual demais no nosso país, a de um cidadão que precisa defender-se de acusações injustas”, escreveu, numa carta aberta dirigida ao Ministro da Cultura Sérgio Sá Leitão. O diretor afirma que seu consultor jurídico chegou a procurar a Coordenação de Editais da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura para esclarecer se a captação extra seria considerada irregular. “A SAV afirmou, via e-mail oficial, que a captação de recursos não-federais (no nosso caso, o Funcultura pernambucano) NÃO VIOLARIA os limitadores dispostos no edital de Baixo Orçamento em questão. Essa resposta está documentada (‘Sim, o edital só veta recursos federais acima de R$ 300 mil.’). Nós nunca faríamos alteração de orçamento sem o acompanhamento das agências responsáveis, elas próprias regidas por regras internas duras”, diz, na carta aberta. Dirigindo-se ao Ministro da Cultura, o cineasta questiona: “Pergunto ao senhor se houve comunicação entre o MinC e a Ancine para tentar esclarecer essa questão institucional que não deveria ser transformada numa punição inadequada para os produtores de um filme exemplar”. E acrescenta, apontando suposta “conspiração”: “Por que a denúncia feita por um funcionário da Ancine encontrou sentido dentro do MinC, mas não na própria Ancine, onde o processo interno não foi adiante?” Logo após a publicação de seu manifesto de muitas páginas, que pode ser lido abaixo na íntegra, a situação escalou a ponto de virar um movimento em defesa da “liberdade de expressão” e “uma questão própria da luta da Cultura no Brasil”, conforme assinala um abaixo-assinado encabeçado pelo ator Wagner Moura. O texto disponibilizado no começo da semana passou a receber diversas assinaturas ilustres para defender o diretor da cobrança e denunciar “com perplexidade e democrática preocupação a conduta do Ministério da Cultura”. O manifesto teve resposta do Ministério da Cultura, que voltou a destacar que a denúncia não partiu do MinC e que o enquadramento se deu por uma questão técnica, prevista em contrato assinado por representante legal da produtora do filme. Além disso, apesar da carta aberta e do abaixo-assinado reclamarem de falta de diálogo, o MinC afirmou ter recebido o advogado de Mendonça Filho a quem informou como deveria ser o procedimento legal para recorrer à cobrança. O MinC ainda informou ter dado mais 10 dias para o diretor ou seu representante encaminhar o recurso e diz rejeitar “veementemente a insinuação irresponsável e sem base nos fatos de que haveria ‘perseguição política’ e ‘atentado à liberdade de expressão’ no caso”. “A instituição está apenas cumprido a sua obrigação legal e ética, de modo técnico e isento”, diz o texto, que lamenta que a empresa do diretor, a Cinemascópio, não tenha exercido o direito de recorrer da decisão, e “em vez do caminho legal, institucional e administrativo”, tenha optado “por pessoalizar a questão e tratá-la em redes sociais, com insinuações”. Leia abaixo todos os comunicados do caso. 1. A carta aberta publicada por Kleber Mendonça Filho: “Recife, 29 de Maio de 2018. Caro Ministro de Estado da Cultura, Sr. Sergio Sá Leitão Dirijo-me ao senhor, através da presente Carta Aberta, por acreditar que essa troca tem um sentido democrático. Esse texto também está sendo compartilhado com o público, entidades de classe, a imprensa e profissionais da cultura no Brasil e no exterior. Como cidadão brasileiro, artista e trabalhador da Cultura, ainda vejo o nosso país como uma Democracia e entendo que o Ministério da Cultura tem como missão divulgar, zelar e fomentar nossa produção cultural, além de dialogar com os trabalhadores da Cultura. De forma institucional, o senhor deve nos representar, mesmo que talvez tenhamos ideias distintas sobre temas que nos são caros, como o Cinema, a Cultura e o país. Foi como cidadão e cineasta que recebi perplexo uma comunicação do seu Ministério, e isso ocorreu por email no dia 29 de março último, durante as 14 semanas de trabalho no meu filme novo, ‘Bacurau’, co-dirigido por Juliano Dornelles. ‘Bacurau’ é uma co-produção franco-brasileira. Estávamos no Sertão do Seridó, no Rio Grande do Norte, quando a comunicação do MinC nos informou que todo o dinheiro do Edital de Baixo Orçamento utilizado na realização de ‘O Som ao Redor’, meu primeiro longa metragem, realizado em 2010, teria de ser devolvido. Desde o fim das filmagens de ‘Bacurau’, há duas semanas, e isso inclui uma pesada desprodução, que tentamos agendar uma visita com o senhor para discutir essa questão. Tentamos de várias formas, contato pessoal e marcação de uma agenda oficial, sem sucesso. Para além disso, sempre nos colocamos à disposição de dialogar. A carta por nós recebida do MinC sugere uma punição inédita no Cinema Brasileiro e que nos pareceria mais adequada a produtores que não teriam sequer apresentado um produto finalizado, e isso após algum tempo de diálogo. A carta veio, inclusive, do mesmo Ministério da Cultura que indicou ‘O Som ao Redor’ para representar o Brasil no Oscar, em 2013. É de suma importância que esse meu escrito não perca de vista a natureza dessa situação. No Brasil dos últimos tempos, a nossa capacidade de expressar indignação como cidadãos vem sendo diminuída, creio que por dormência. E é bem aqui onde assumo resignado uma posição habitual demais no nosso país, a de um cidadão que precisa defender-se de acusações injustas. O valor exigido para devolução (com boleto já emitido) na carta do Ministério da Cultura é R$ 2.162.052,68 – Dois Milhões Cento e Sessenta e Dois Mil e Cinquenta e Dois Reais Com Sessenta e Oito Centavos – já corrigidos. ‘O Som ao Redor’ custou R$ 1,700,000,00 – Um milhão e setecentos mil reais – no seu processo de produção, nos anos de 2010 e 2011. Em câmbio corrigido do dia de hoje, ‘O Som ao Redor’ custou 465 mil (quatrocentos e sessenta e cinco mil) dólares. O MinC deveria premiar produtores que fazem tanto e que vão tão longe com orçamento de cinema tão reconhecidamente enxuto. Os recursos complementares foram captados no âmbito estadual, através do Edital de Audiovisual do Funcultura de 2009 no valor de R$ 410.000,00, sendo que esse valor foi devidamente declarado e autorizado pela ANCINE, após comunicação entre as duas instituições (Ancine e Secretaria do Audiovisual). São informações públicas e declaradas, já há oito anos: MinC/Edital: Um milhão de reais. — Petrobras: 300 mil reais. (Obs: o prêmio do edital da Petrobras era de 571 mil 805 reais, mas saiba que 271 mil 805 reais foram devolvidos para respeitar o limite definido claramente no edital para verbas federais – de um milhão e 300 mil reais). — Funcultura Pernambuco: 410 mil reais, verba estadual (não federal). ‘O Som ao Redor’ é fruto do Concurso de Apoio à Produção de Longas Metragens de Baixo Orçamento 2009. Destaco aqui o trecho do Edital: “11. DAS VEDAÇÕES 11.1 É expressamente vedada: (…) C) O acúmulo do apoio previsto neste Edital com recursos captados através das leis 8.313/91 e 8.685/93, bem como com recursos provenientes de outros programas e/ou apoios concedidos por entes públicos federais, acima do limite de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais)”. Isso parecia entrar em conflito com o item 2.1d acerca da definição de obra cinematográfica de baixo orçamento: “2.1. Para fins deste Edital, entende-se que: (…) d) OBRA CINEMATOGRÁFICA DE LONGA METRAGEM DE BAIXO ORÇAMENTO é aquela obra audiovisual cuja matriz original de captação é uma película com emulsão fotossensível ou matriz de captação digital, cuja destinação e exibição seja prioritariamente e inicialmente o mercado de salas de exibição, cuja duração seja superior a setenta minutos e cujo custo de produção e cópias não ultrapasse o valor de até R$ 1.300.000,00 (um milhão trezentos mil reais);” Nosso consultor jurídico à época levou à Coordenação de Editais da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura a dúvida sobre recursos não-federais. A SAV afirmou, via email oficial, que a captação de recursos não-federais (no nosso caso, o Funcultura pernambucano) NÃO VIOLARIA os limitadores dispostos no edital de Baixo Orçamento em questão. Essa resposta está documentada (“Sim, o edital só veta recursos federais acima de R$ 300 mil.”). Nós nunca faríamos alteração de orçamento sem o acompanhamento das agências responsáveis, elas próprias regidas por regras internas duras. Pergunto ao senhor se houve comunicação entre o MinC e a Ancine para tentar esclarecer essa questão institucional que não deveria ser transformada numa punição inadequada para os produtores de um filme exemplar. Por que a denúncia feita por um funcionário da Ancine encontrou sentido dentro do MinC, mas não na própria Ancine, onde o processo interno não foi adiante? Pergunto-lhe ainda o porquê de o MinC não ter nos respondido ao nosso pedido de compartilhar o processo relativo ao filme entre o Minc e a Ancine, fruto de um email oficial por nós enviado em 28 de agosto de 2017? O MinC também não observou a vedação acima, nem tampouco registra nossa prova de boa fé documentada de termos nos comunicado com a SAV para esclarecer essa questão. Também não observa a maneira correta com a qual tratamos o patrocínio da Petrobras, respeitando o limite claro de um milhão e trezentos mil reais às verbas federais. A interpretação também nos parece equivocada quando analisada a praxe do processo de captação no setor; a interpretação é absurda ainda por representar verdadeiro enriquecimento injustificado da União (a devolução de todo o valor do edital e com valores corrigidos) em virtude da entrega do filme (reconhecida pela própria AGU em parecer). Na época, outros filmes dos primeiros editais de Longas Metragens de Baixo Orçamento esclareceram da mesma forma ética a vedação destacada acima, complementando seus orçamentos com recursos estaduais ou municipais. São informações públicas disponíveis também há anos. Vale observar que o edital de Longas de Baixo Orçamento de 2011 viu o seu texto passar por alteração, finalmente vetando de fato qualquer tipo de recurso extra, municipal e/ou estadual. Caro senhor ministro, preciso ainda registrar que a carta recebida do vosso MinC veio como uma surpresa, especialmente por não termos tido a chance de dialogar com o Ministério. Como artista, o mínimo que espero de um Ministério como...

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    Anitta desiste de estrelar filme do roteirista de Tropa de Elite

    30 de maio de 2018 /

    Não foi desta vez. Cheia de compromissos, Anitta precisou recusar o convite para estrelar um filme policial do roteirista de “Tropa de Elite”. A trama da produção, que não teve seu título revelado, vai abordar a derrocada das UPP (Unidades de Polícia Pacificadora) no Rio de Janeiro, e Anitta viveria a protagonista da história: uma policial chamada Larissa, que entra na polícia não por vocação, mas por precisar de um emprego para se sustentar. A história chegou a ser confundida pela imprensa com um suposto “Tropa de Elite 3”, já que foi desenvolvida por Rodrigo Pimentel, ex-Capitão do BOPE que escreveu o roteiro de “Tropa de Elite” (2007) e também trabalhou na história da sequência de 2010. Seria o primeiro filme em que Anitta viveria uma protagonista, após fazer pequenas participações em diversas produções. Curiosamente, ela fez sua estreia no cinema justamente numa paródia de “Tropa de Elite”, a comédia “Copa de Elite” (2014). Seu trabalho mais recente nas telas aconteceu no filme “Meus 15 anos”, vivendo a si mesma no ano passado. Apesar da desistência desse projeto, ela continua envolvido com a produção de uma animação para o público infantil, “Clube da Anittinha”. A animação irá contar a história da popstar como uma espécie de heroína fofa e poderosa.

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    Mulheres Alteradas: Comédia baseada nos quadrinhos de Maitena ganha trailer

    28 de maio de 2018 /

    A Paris Filmes divulgou o pôster, o trailer e um vídeo com comentários de “Mulheres Alteradas”. Sim, mais uma comédia brasileira da Paris Filmes. Só que o trailer revela um enredo bem diferente das comédias brasileiras tradicionais, caracterizadas por fazer humor preconceituoso. Em contraste, “Mulheres Alteradas” conta as lutas de quatro mulheres adultas no mundo moderno, às voltas com angústias de relacionamento, casamento, filhos, trabalho, idade e vida social. Enfim, crises existenciais reais. E com um elenco realmente ótimo, liderado pelo quarteto fantástico Deborah Secco (“Bruna Surfistinha”), Alessandra Negrini (“O Gorila”), Monica Iozzi (“A Comédia Divina”) e Maria Casadevall (novela “Os Dias Eram Assim”). Um dia, as amigas em crise com seus cotidianos resolvem trocar de papel e o resultado nas prévias parece divertido sem perder de vista o realismo – ao contrário das fábulas moralistas de trocas sobrenaturais de corpos que volta e meia aparecem nas comédias brasileiras. Dito isto, o tom se mantém no volume histérico que prevalece em todas as comédias brasileiras – reparem como os dramas parecem sussurrados diante dos filmes cômicos gritados produzidos no Brasil. Vale dizer que desta vez a histeria tem a ver com o tema. Está no título e remete ao material original, as tiras em quadrinhos homônimas da cartunista argentina Maitena Burundarena, que retrata questões femininas com humor ácido. São os traços de Maitena que aparecem no trailer, transformando as personagens em cartuns. Para garantir uma boa transposição do humor, a adaptação foi feita por outra fera das tiras de quadrinhos, o brasileiro Caco Galhardo (autor de “Os Pescoçudos”), em sua estreia como roteirista de longa-metragens. O filme também marca a estreia no cinema do diretor Luis Pinheiro, que dirigiu, entre outras, a série “Lili, a Ex”, inspirada em tiras de Galhardo – e também estrelada por Maria Casadelvall. O lançamento de “Mulheres Alteradas” está marcado para 21 de junho.

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    Festival Cine PE sofre adiamento devido à greve dos caminhoneiros

    28 de maio de 2018 /

    Pelo segundo ano consecutivo, o festival Cine PE, de Pernambuco, terá sua estreia adiada. O evento estava previsto para começar na terça (29/5), mas teve sua abertura atrasada em dois dias e agora irá acontecer na quinta, dia 31 de maio, estendendo-se até 5 de junho. O adiamento aconteceu em decorrência da greve dos caminhoneiros. As informações completas poderão ser acessadas no site oficial do festival e nas bilheterias do Cine São Luiz, em Recife, a partir de terça-feira. Apesar do adiamento, há uma boa notícia para os cinéfilos pernambucanos. Neste ano, o acesso ao evento será gratuito. Mas para conseguir os ingressos é preciso ir antecipadamente reservar lugar nas bilheterias do cinema. O Cine PE terá uma programação mais curta neste ano, em que vai homenagear a atriz Cássia Kiss, a cineasta Kátia Mesel e o ator Rodrigo Santoro. No ano passado, o festival sofreu adiamento de cerca de um mês, devido a um boicote de cunho político por cineastas que integravam a seleção do evento. Sete cineastas anunciaram a retirada de seus filmes com a alegação de que a seleção favorecia “um discurso partidário alinhado à direita conservadora e grupos que compactuam e financiaram o golpe ao Estado Democrático de Direito ocorrido no Brasil em 2016”. Eles se referiam ao documentário de Josias Teófilo “O Jardim das Aflições”, que acabou vencendo o festival, e ao drama “Real – O Plano por Trás da História”, de Rodrigo Bittencourt, sobre os bastidores da criação do Plano Real em 1994, exibido fora de competição.

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    A Cidade do Futuro encontra amor em meio ao ódio e outras heranças da ditadura

    19 de maio de 2018 /

    O município de Serra do Ramalho foi criado durante a Ditadura Militar brasileira para abrigar as cerca de 73 mil pessoas deslocadas dos seus lares para dar lugar à represa de Sobradinho. Essa é a tal “cidade do futuro” do título, prometida pelos militares nos anos 1970, localizada no interior da Bahia, no Vale do São Francisco. Um filme oficial do regime militar na época entra em cena e promete dias melhores para os moradores removidos, mais uma prova real da falácia dos milicos, já que a nova cidade seria deixada à própria sorte, as perdas dos moradores seriam incontáveis (“Os militares chegavam, olhavam a casa e diziam: ‘Vale R$ 10 mil’. E nós: ‘Moço, ela vale no mínimo R$ 20 mil’. E eles: ‘É melhor você aceitar os R$ 10 mil ou então vai ser encoberto de água junto com a casa’”) e o destrato público uma nova regra social. É nesse ambiente de abandono que vivem os professores Gilmar (Gilmar Araújo) e Milla (Milla Suzart) mais o jovem Igor (Igor Santos). Gilmar e Igor vivem um romance enquanto Milla logo depois estará aos beijos e promessas com uma garota. Milla, porém, está grávida de Gilmar, e esse novo bebê, o futuro, irá causar várias reviravoltas na rotina da pequena Serra do Ramalho, já que o trio (Gilmar, Igor e Milla) decidirá assumir o bebê como deles, o que dispara uma onda de preconceitos – faz com que a família de Milla a coloque para fora de casa, com que ela perca o emprego na escola e com que Igor seja constantemente assediado nas ruas, culminando em uma forte agressão de ex-amigos vaqueiros em uma fazenda. Em determinado momento, o romance de Gilmar e Igor caminha em direção do destino cruel retratado por Ang Lee em “O Segredo de Brokeback Mountain”, mas Marília Hughes e Cláudio Marques enveredam por outro caminho numa relação pansexual que poderá fazer de Serra do Ramalho não a cidade do futuro que os militares mentiram, mas a cidade do futuro em que o amor (a igualdade, a fraternidade, a bondade) irá vencer qualquer barreira. Um belo filme que segue no nível da boa estreia da dupla, “Depois da Chuva” (2013).

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    Todos os Paulos do Mundo presta bela homenagem a Paulo José

    19 de maio de 2018 /

    Paulo José é um dos maiores atores da história do cinema brasileiro. Sua força interpretativa, aliada a uma voz marcante e a uma versatilidade impressionante, povoam o nosso cinema de grandes personagens e alguns filmes históricos. É só lembrar de “Macunaíma”, “O Padre e a Moça”, “Todas as Mulheres do Mundo”, “Edu, Coração de Ouro”, “O Homem Nu”, “Os Deus e os Mortos”, “O Rei da Noite”, “Ilha das Flores”. São incontáveis os trabalhos de Paulo José que marcaram o cinema nacional desde os anos 1960. São seis décadas de atuação desse nosso carismático ícone. Não se pode deixar de lado, também, a contribuição de Paulo José para o teatro. Seu papel como integrante do renovador Teatro de Arena, nos anos 1960 e 1970. E a sua participação ativa na TV, especialmente depois que o Ato Institucional no. 5 aprofundou a opressão da ditadura militar sobre as artes, fechando as portas que tinham sido abertas pelo Cinema Novo e o teatro de resistência do período. Na TV, pôde fazer alguns trabalhos importantes, que serão sempre lembrados, por terem reunido naqueles tempos artistas de muito gabarito, que não conseguiam se expressar melhor por outros meios. Pois bem, Paulo José chega aos 80 anos e é muito justo e oportuno que seja homenageado pelo cinema, para quem tanto contribuiu e ainda contribui, mesmo enfrentando há 25 anos o mal de Parkinson, que acabou por produzir uma perda de voz, ou melhor, uma voz mais fraca e tímida, que se pode ouvir no documentário “Todos os Paulos do Mundo”, de Gustavo Ribeiro e Rodrigo de Oliveira. O filme costura um vasto material de arquivo de imagens do trabalho magnífico do ator no cinema e também na TV, com momentos atuais de Paulo José. E o faz de uma forma poética, estabelecendo um vínculo entre esse legado e o autorretrato verbal do próprio ator. Paulo José escreve sobre aspectos importantes de sua vida e de sua arte, além de suas reflexões sobre a cultura brasileira e esses textos são interpretados por ele e por seus amigos e parceiros artísticos, como Fernanda Montenegro, Milton Gonçalves, Selton Mello, Helena Ignez, Marieta Severo, Mariana Ximenes, Matheus Nachtergaele, entre outros. Também vemos em cena suas parcerias com Dina Sfat, Marília Pêra, Joana Fomm, Flávio Migliaccio, José Lewgoy e tanta gente mais. É uma profusão de talentos que preenche a tela. Esse formato que acopla textos do próprio ator às suas performances, sem entrevistas de outros, nem avaliações críticas de quem quer que seja, mostra que a arte de Paulo José e seu pensamento falam por si. A importância do sua obra salta aos olhos, até para aqueles mais jovens que só conhecem seus trabalhos mais recentes, como o de “O Palhaço”, dirigido por Selton Mello, em 2011, ou suas participações na TV. Quem viveu e acompanhou a trajetória de Paulo José tem no filme um mergulho na história cultural do país, na realidade brasileira com suas mazelas, utopias, tragédias e alegrias. Inevitavelmente, uma saudade e um sentido nostálgico aparecerão. Não porque ontem tenha sido necessariamente melhor do que hoje, mas porque o vivido foi bonito e envolveu muita luta. Paulo José é uma testemunha de tudo isso, numa trajetória que ele diz que foi mais marcada por fracassos do que por sucessos. É possível. Mas o que fica do seu trabalho é tão denso que o que se vê é o dinamismo e a beleza de sua arte. O resto já se perdeu, ganhou novo significado ou não importa.

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    Ex-Pajé denuncia consequências da evangelização dos índios brasileiros

    19 de maio de 2018 /

    Luiz Bolognesi é um de melhores roteiristas brasileiros de ficção. Só no ano passado, ele assinou o roteiro de dois dos filmes mais importantes do período, “Bingo – O Rei das Manhãs”, de Daniel Rezende, e “Como Nossos Pais”, de Laís Bodanzky, sua esposa. Isso para citar apenas dois mais recentes. Mas já havia dentro de sua filmografia um interesse muito especial pela Amazônia e pelos índios. Além de documentários sobre a Amazônia, seu longa anterior como diretor foi a animação “Uma História de Amor e Fúria” (2013), que também contava em parte a história do índio brasileiro. “Ex-Pajé” é um documentário que mais parece com ficção. A história de Perpera, o personagem-título, é fascinante em sua dimensão trágica: um homem que se sente proibido de exercer a sua função tão importante na tribo (dos Paiter Suruí) porque virou evangélico e os líderes religiosos dizem que o que ele fazia antes era coisa do diabo. E agora o pobre ex-Pajé tem medo de dormir de luz apagada por causa dos espíritos da floresta, que estariam furiosos com sua atitude de renúncia. Esse mal estar é sentido em cada cena, em cada enquadramento, no modo como a tecnologia e o hábito dos brancos parece invadir aquele espaço. Por outro lado, não há uma vilanização dessa tecnologia. Como julgar um povo que, como nós, está aberto a certos confortos, como um ventilador, uma máquina de lavar roupas ou o acesso à internet? Inclusive, a internet é usada para fins muito nobres por parte dos índios mais jovens, dispostos a denunciar qualquer invasão de madeireiros ilegais no Facebook, com apoio internacional. Mas aí voltamos novamente ao aspecto trágico de Perpera, que veste um terno enorme para ficar de porteiro na igreja, sem entender sequer a língua portuguesa. Passa boa parte do tempo olhando para a natureza que parece lhe chamar a todo instante. O modo como o filme parece se transformar cada vez mais em uma obra de ficção se multiplica no momento em que o ex-Pajé é chamado a voltar à forma. Por manter a atenção do espectador com uma narrativa sem voice-over ou algo que o caracterize mais facilmente como um documentário, “Ex-Pajé” é dessas obras que funciona como denúncia real e drama envolvente. Uma arma em defesa dos direitos dos habitantes do Brasil pré-cabralesco, mas também um exemplo de como utilizar cenas do cotidiano para construir um roteiro tão perfeito que parece ter sido tudo combinado. Muita coisa deve ter sido, mas a mágica do filme e a sua verdade estão presentes o tempo todo. Inteiras.

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    Filme sobre índios brasileiros é premiado no Festival de Cannes 2018

    18 de maio de 2018 /

    A mostra Um Certo Olhar 2018, principal seção paralela do Festival de Cannes, consagrou o longa luso-brasileiro “Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos”, codirigido pelo português João Salaviza e a brasileira Renée Nader Messora, com seu Prêmio Especial do Júri. Filmado no Brasil, o longa embaralha os limites entre ficção e registro documental. Com elenco extraído de uma aldeia de índios Krahô, no estado de Tocantins, a obra recria na tela histórias e dramas da comunidade, encenados pelos indígenas em seu próprio idioma. Exibido na noite de quarta-feira (16/5), o filme teve uma première marcada por protestos no tapete vermelho do festival. Os dois cineastas e os protagonistas do filme, Ihjac Kraho e Koto Kraho, desfilaram de preto com cartazes vermelhos, com os dizeres “Parem o genocídio dos povos indígenas” e “Pela demarcação das terras dos povos indígenas”. O protesto ecoa a mobilização de líderes indígenas no Brasil, diante de favorecimentos a empresários agrários – alguns, inclusive, famosos delatores de propinas – , além dos desastres ecológicos causadas por obras faraônicas do antigo PAC (Programa de Aceleração de Crescimento da administração de Dilma Rousseff), como a usina de Belo Monte. A situação apenas se agravou com a ascensão do vice da coligação PT-PMDB-PP, Michel Temer. Ao final da projeção, o filme e sua equipe foram aclamados com palmas demoradas pela plateia do cinema Debussy, na Riviera Francesa. “Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos” foi o terceiro filme com integrantes brasileiros premiado nas mostras paralelas do Festival de Cannes 2018. Os anteriores foram “Skip Day”, documentário codirigido pelo americano Patrick Bresnan e a brasileira Ivete Lucas, vencedor do prêmio de Melhor Curta da mostra Quinzena dos Realizadores, e “Diamantino”, coprodução de Brasil, Portugal e França, dirigida pelos portugueses Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, que conquistou o Grande Prêmio da Semana da Crítica de Cannes. “Border”, de Ali Basi, coprodução entre Suécia e Dinamarca que flerta com a ficção científica, ficou com o troféu de Melhor Filme da mostra Um Certo Olhar.

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    Eloísa Mafalda (1924 – 2018)

    17 de maio de 2018 /

    Morreu Eloísa Mafalda, a Dona Nenê da versão original da série “A Grande Família” e atriz que marcou época na TV brasileira. Ela faleceu aos 93 anos em casa, em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, na noite de quarta-feira (16/5) de causas naturais. A veterana atriz foi, ao longo de meio século de atividade, a grande mãe da TV brasileira, intérprete de inúmeras figuras maternas que embalaram séries e novelas da Globo. Mas Mafalda Theotto, que nasceu em 1924, em Jundiaí, interior de São Paulo, podia ter se tornada famosa por outro talento que possuía e que nada tinha a ver com interpretação. Em 1936, aos 12 anos de idade, foi convidada a integrar o time olímpico brasileiro, como atleta de natação. Porém, seu pai não deixou. Em vez disso, incentivou-a a trabalhar como costureira e auxiliar de escritório nas Emissores Associadas para ajudar nas contas da família. Assim que o irmão conseguiu emprego como locutor de rádio no Rio de Janeiro, ela aproveitou seus contatos para fazer um teste de elenco e acabou estreando nas radionovelas da Rádio Nacional. Ao se destacar com sua voz, ambicionou mais e conseguiu figurar num filme em 1950, arranjando em seguida trabalho como atriz no “Teledrama” da TV Paulista, onde ficou até a emissora ser vendida para a TV Globo. Eloísa Mafalda estrelou a primeira “novela das oito” da Globo, “O Ébrio”, em 1965. E já na época não era uma donzela, com 41 anos. Pela idade, acabou se especializando nos papéis de mãe, quase sempre da classe trabalhadora, da qual Dona Nenê é a maior representante. Isto lhe dava enorme identificação com o público alvo da emissora, as então chamadas “donas de casa”, que tinham nas telenovelas seu principal passatempo. Não por acaso, a maioria de seus personagens se chamou “dona”: dona Consolação (“O Astro”, 1977), dona Mariana (“Paraíso”, 1982), dona Pombinha (“Roque Santeiro”, 1985), dona Delfina (“Meu Bem Querer”, 1991), etc. Mas não eram mulheres fracas. E a mais forte de todas dispensava reverências simbólicas, por ser dona de si mesma: a fantástica cafetina Maria Machadão (“Gabriela”, 1975). Versátil, apesar da insistência com que foi escalada como mãezona, também interpretou papel oposto, como a beata Gioconda (“Pedra sobre Pedra, 1992). Sua última novela foi “O Beijo do Vampiro”, de 2001, onde interpretou mais uma dona de sua galeria: Dona Carmem. Os dramaturgos da emissora a amavam e gostariam que ela fosse mãe eterna de seus personagens. Mas Mafalda decidiu por conta própria se aposentar, porque já na época da última novela encontrava dificuldades para decorar os textos, lutando contra a perda de memória. Mesmo assim, acabou convencida a fazer um curta em 2010 pelo ator (e diretor da obra) Giancarlo Di Tommaso, “Obrigada!”, em que aparecia numa cadeira de rodas. Foi seu último trabalho. Ela fez poucos filmes, embora tenha começado a carreira cinematográfica em 1950, como figurante de “Somos Dois”. Outros trabalhos incluem participações nas antologias “Os Mansos” (1976) e “O Ibraim do Subúrbio” (1976), nos dramas “O Mau-Caráter” (1974), de Jece Valadão, e “Beijo 2348/72” (1990), de Walter Rogério, e na comédia infantil “Simão, o Fantasma Trapalhão” (1998), escrita e estrelada por Renato Aragão. Foram muitos papéis, mas ela será sempre lembrada como a Dona Nenê, personagem que virou título até de música dos Titãs. Dona Nenê foi a mãe que simbolizou as famílias brasileiras no pior momento do país, entre 1972 e 1975, fazendo de tudo para manter todos unidos contra as inúmeras adversidades, como crises financeiras e de relacionamento, num Brasil de inflação desenfreada, censura e repressão. Bem diferente do país do remake, que até chegou colorido, quando lançado em 2001.

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  • Filme

    Deadpool 2 vira maior lançamento “para adultos” de todos os tempos no Brasil

    17 de maio de 2018 /

    A classificação etária para maiores de 18 anos não mudou a programação da Fox para “Deadpool 2”, que chega aos cinemas nesta quinta (17/5) em aproximadamente 1,4 mil salas. Trata-se da maior distribuição de um filme para adultos de todos os tempos no Brasil. Contribui para a elevada expectativa de comparecimento o fato de os filmes de super-heróis arrasarem quarteirões no país mesmo quando são ruins – o Brasil foi um dos países em que “Liga da Justiça” fez mais sucesso – , além de ser uma continuação com personagem conhecido e o investimento em marketing criativo ter sido esmagador – até Rubens Barrichello se envolveu na divulgação. A cereja no topo é o fato de “Deadpool 2” ser uma fantástica explosão metalinguística de violência e humor negro, que tende a deixar o público na dúvida se acredita no que está vendo ou se cobre os olhos para não ver. A história? O que que menos importa é a história. Quem viu o primeiro, já sabe o que esperar. E tem o detalhe: o filme está com 85% de aprovação no site Rotten Tomatoes, então é oficialmente melhor que o primeiro, que teve 83% de críticas positivas. A contraprogramação nos shoppings é um desenho animado para crianças, infantilóide a ponto de dispensar trabalho aos neurônios. Produção alemã, “A Abelhinha Maya: O Filme” é um derivado de uma série televisiva do Studio 100 Animation (o mesmo que produziu as novas séries de “Heidi” e “Vicky, o Viking”) exibida no canal pago Disney Junior. No circuito limitado, o destaque é o documentário “O Processo”, de Maria Augusta Ramos, que venceu vários prêmios internacionais. Ao cobrir o Impeachment de Dilma, o filme escancara a bizarrice que reina no Congresso nacional, um show de horrores que os eleitores precisam parar de prestigiar. Dito isso, sua narrativa tenta diferenciar os que vestem vermelho, embora, na vida real, tanto estes quanto aqueles se igualam em outros processos, que não são políticos, mas criminais. Completam a programação limitada quatro dramas. Dentre eles, o brasileiro “Querida Mamãe” e o japonês “Entre-Laços” têm em comum o tema da aceitação e da tolerância em relação à sexualidade de pessoas que compõem as famílias abordadas. Vale avisar que o japonês é muito melhor resolvido, tanto que venceu o Teddy Award (melhor filme de temática LGBT) do Festival de Berlim. Confira abaixo todos os filmes, com sinopses e trailers, que estreiam nesta semana nos cinemas. Deadpool 2 | EUA | Super-Heróis Quando o super-soldado Cable (Josh Brolin) chega em uma missão para assassinar o jovem mutante Russel (Julian Dennison), o mercenário Deadpool (Ryan Reynolds) precisa aprender o que é ser herói de verdade para salvá-lo. Para isso, ele recruta seu velho amigo Colossus e forma o novo grupo X-Force, sempre com o apoio do fiel escudeiro Dopinder (Karan Soni). A Abelhinha Maya: O Filme | Alemanha | Animação Quando a entusiasmada Maya surpreende de maneira negativa a Imperatriz de Buzztropolis, ela é forçada a formar uma equipe para competir nos Jogos de Mel. Com a chance de salvar sua colmeia, Maya irá conhecer novos amigos, além de adversários extremamente habilidosos, e se aventurar além do jogo. O Processo | Brasil | Documentário A diretora Maria Augusta Ramos passou meses no Planalto e no Congresso Nacional captando imagens sobre votações e discussões que culminaram no Impeachment da “presidenta” Dilma Rousseff, e mostra os bastidores políticos da crise política sem nenhum tipo de abordagem direta, como entrevistas ou intervenções nos acontecimentos. Querida Mamãe | Brasil | Drama Heloísa (Letícia Sabatella) é uma médica que sofre de infelicidade crônica, tendo problemas com o marido (Marat Descartes) e a própria mãe (Selma Egrei), a quem constantemente acusa de tê-la preterida pela irmã. Após se separar do marido, Heloísa conhece no hospital em que trabalha a pintora Leda, que sofreu um acidente de carro. Grata pelo atendimento prestado, Leda deseja pintar um quadro da médica. Inicialmente reticente, ela aceita a proposta e, ao visitar o ateliê, acaba se envolvendo com a pintora. Entretanto, por mais que o novo relacionamento deixe Heloísa bem mais feliz, ela precisa lidar com o preconceito tanto de sua mãe quanto da própria filha. Entre-Laços | Japão | Drama Aos 11 anos de idade, Tomo é abandonada pela mãe e terá que confiar na ajuda de seu tio, que a leva para morar com ele e sua namorada Rinko. Inicialmente com pensamentos confusos após descobrir que Rinko é uma mulher transexual, Tomo vai aos poucos descobrindo o verdadeiro sentido de família. A Natureza do Tempo | Argélia, França, Alemanha | Drama Argélia, tempos atuais. Entre as novas configurações da sociedade árabe contemporânea, a vida de três pessoas completamente distintas irão se interligar inesperadamente: a de um corretor de imóveis rico, de um médico neurologista ambicioso preso ao seu passado e a de uma bela jovem totalmente dividida entre a razão e a emoção. Paris 8 | França | Drama Etienne se muda para Paris para estudar cinema. Na faculdade, ele conhece dois jovens que compartilham objetivos similares aos seus, mas, ao longo do ano, nem tudo sai como o planejado.

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  • Etc,  Filme,  Série,  TV

    Cláudia Celeste (1952 – 2018)

    14 de maio de 2018 /

    A atriz Cláudia Celeste, primeira travesti a atuar em novelas brasileiras, morreu na madrugada de domingo (13/5), aos 66 anos, no Rio de Janeiro. Segundo informações das redes sociais, a atriz estava com pneumonia e o quadro se agravou. Carioca de Irajá, Cláudia começou a carreira como dançarina Go Go-Girl do Beco das Garrafas, após trabalhar como cabeleireira em Copacabana. Mas não demorou a teatralizar sua vida, após se destacar num concurso de danças como “A Lebre Misteriosa do Imperial”, nome que fazia referência a seu padrinho artístico, Carlos Imperial. Foi o produtor artístico quem também a batizou de Cláudia Celeste. Sua estreia nos palcos aconteceu na montagem histórica de “O Mundo É das Bonecas”, em 1973, no lendário Teatro Rival, na Cinelândia. Realizado por Américo Leal (avô da atriz Leadra Leal), foi o primeiro show de travestis a obter uma licença do governo, depois da ditadura militar proibir este tipo de produção. A projeção a levou a ser eleita Miss Brasil Trans e a chamar atenção de produtores de cinema e TV. Ela acabou estreando nas telas na comédia “Motel” (1974), três anos antes de o diretor Daniel Filho resolver incorporar um espetáculo do Rival – “Transetê no Fuetê” – na trama da novela “Espelho Mágico” (1977), da TV Globo. A atriz chegou a contracenar com a mocinha Sonia Braga. Mas sua participação na novela acabou cortada depois que a imprensa celebrou – ou denunciou – a primeira travesti na TV. “Antes, ninguém sabia que eu era travesti, nem Daniel Filho. Ninguém nunca me perguntou! E, como ficou muito ti-ti-ti, tiraram os capítulos que eu já tinha feito”, contou a atriz em entrevista à revista Geni, em 2013. Mas Cláudia foi recompensada e manteve seu pioneirismo, 14 anos depois. Em 1988, ela se tornou a primeira travesti a integrar o elenco de uma novela do início ao fim. Foi em “Olho por Olho”, na extinta TV Manchete, no qual interpretou a travesti Dinorá, apaixonada por Mário Gomes. Ela também participou de dois filmes nos anos 1980: o drama criminal “Beijo na Boca” (1982), também estrelado por Mário Gomes, e o inacreditável trash futurista “Punks – Os Filhos da Noite” (1982), com Lady Francisco. Na época desse filme, até chegou a ensaiar uma carreira como cantora de rock, formando a banda Coisa que Incomoda. Em 2016, a atriz foi a grande homenageada na primeira edição do Festival TransArte, evento que trata de identidade de gênero e sexualidade.

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  • Etc,  Filme

    Roberto Farias (1932 – 2018)

    14 de maio de 2018 /

    O diretor Roberto Farias, um dos nomes mais importantes do cinema nacional, morreu na madrugada desta segunda-feira (14/5), aos 86 anos. A casa da morte não foi divulgada, mas ele faleceu em casa, após relatos de saúde fragilizada. Irmão do ator Reginaldo Faria, com quem trabalhou em seus principais filmes, Roberto iniciou a carreira na época das chanchadas, como assistente de direção de Watson Macedo (“Aviso aos Navegantes”), na Atlântida. Entre seus primeiros filmes como diretor estavam comédias da época, como “Rico Ri à Toa” (1957), estrelada por Zé Trindade, e “Um Candango na Belacap” (1961), com a dupla Ankito e Grande Otelo. Mas os destaques de sua carreira foram obras dramáticas, incluindo um clássico da filmografia nacional, “Assalto ao Trem Pagador” (1962), thriller que viabilizou o gênero policial no Brasil. O próprio Farias tinha feito uma incursão anterior ao gênero, “Cidade Ameaçada” (1960), sobre um perigoso criminoso de São Paulo, vivido por Jardel Filho, que chegou a participar da disputa da Palma de Ouro do Festival de Cannes. Mas “Assalto ao Trem Pagador” foi o longa que acabou com a romantização do “bandido do bem” no Brasil, um inspiração dos filmes dos foras-da-lei de Hollywood. “Assalto ao Trem Pagador” também marcou época ao deixar os cenários dos estúdios e invadir as ruas e favelas, dando mais realismo às cenas de ação. Por isso, é considerado o grande precursor dos filmes de crime no país, tendo influenciado de “Cidade de Deus” a “Tropa de Elite”. Farias ainda foi responsável pela invenção do cinema pop nacional, ao levar Roberto Carlos e a Jovem Guarda para as telas. O diretor assinou a trilogia “Roberto Carlos em Ritmo de Aventura” (1969), “Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-Rosa” (1970) e “Roberto Carlos a 300 Quilômetros por Hora” (1971), inspirados nos filmes dos Beatles – “Os Reis do Iê-Iê-Iê” e “Help” – e também incluiu participações de Erasmo Carlos e Wanderléa. Para completar, antecipou-se à abertura política com o primeiro filme de denúncia da prática de tortura da ditadura militar e o uso político da Copa do Mundo de 1970 para alienar os brasileiros, no impactante drama “Pra Frente, Brasil” (1982). Além de vencer o Festival de Gramado, o filme foi premiado em Berlim. Mas ele não foi só um grande diretor. Sua importância para a cultura brasileira também inclui o período em que presidiu a Embrafilme, entre 1974 e 1978, estimulando a produção daquela que é considerada a fase áurea do cinema nacional. Ele conseguiu convencer a ditadura que investir na produção de filmes brasileiros era uma forma de fortalecer a identidade nacional diante da influência americana, que dominava a cultura da época. E o resultado foi a liberação de uma verba jamais vista para a produção de filmes no país, elevando a participação dos filmes nacionais a 33% do total do parque exibidor, culminando no surgimento dos primeiros blockbusters brasileiros – como “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976), “Xica da Silva” (1976) e “A Dama da Lotação” (1978). Isto, claro, não o transformou num aliado da “direita”, como demonstrou o tapa na cara de “Pra Frente, Brasil”. Ele também assumiu a produção de um punhado de clássicos, cujos temas polêmicos não chegariam às telas sem seu empenho pessoal, entre eles “Azyllo Muito Louco” (1970), de Nelson Pereira dos Santos, “Toda Nudez Será Castigada” (1973), de Arnaldo Jabor, “A Rainha Diaba” (1974), de Antonio Carlos da Fontoura, e “Mar de Rosas” (1978), de Ana Carolina. Entretanto, “Pra Frente, Brasil” custou caro a Farias. Embora premiado, foi considerado “capaz de provocar incitamento contra o regime vigente, a ordem pública, as autoridades e seus agentes” e acabou vetado para exibição pública. Além disso, o fato de ter sido produzido com dinheiro público causou a demissão do sucessor de Farias na Embrafilme. Além disso, os militares exigiram o ressarcimento da verba da produção. Além de enfrentar dificuldades para realizar seu lançamento comercial, o diretor perdeu apoio da Embrafilme para novos projetos. Endividou-se e sua carreira sofreu, ainda que o filme tenha finalmente vindo à público um ano depois, após as eleições em que os candidatos do governo foram derrotados. Apaixonado por Fórmula 1, Farias ainda fez um documentário sobre Emerson Fittipaldi, “O Fabuloso Fittipaldi” (1973), e um vídeo sobre Ayrton Senna, “Acelere Ayrton” (1986). Mas só comandou mais um longa de ficção em toda a vida, “Os Trapalhões no Auto da Compadecida” (1987). Os anos seguintes foram dedicados à TV, principalmente à séries da TV Globo, como “As Noivas de Copacabana” (1982), “Contos de Verão” (1993), “Memorial de Maria Moura” (1994), “Decadência” (1995), “Sob Nova Direção” (2004-2007) e “Faça Sua História” (2008), seu último trabalho como diretor, realizado há uma década. Mas ele não se afastou completamente do cinema, tendo fundado a Academia Brasileira de Cinema (ABC), entidade que dirigiu nos últimos 11 anos, com a proposta de lançar um equivalente nacional à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, responsável pelo Oscar. A ABC criou o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, que anualmente premia os melhores do cinema nacional. E em 2018 assumiu a função de selecionar o candidato brasileiro a uma vaga no Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira.

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  • Filme

    O Processo: Filme do Impeachment de Dilma vence festival de documentários de Madri

    13 de maio de 2018 /

    “O Processo”, de Maria Augusta Ramos, que retrata o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, venceu o principal troféu do Festival Documenta Madri, na Espanha, como Melhor Documentário Internacional. O júri justificou o prêmio “pela energia e tensão com que revela a teia de interesses que subjaz a uma situação de ressonâncias globais para as quais é dado um tratamento deliberadamente simples”. O filme já tinha levado o Prêmio Silvestre e o Prêmio do Público de Melhor Filme no Festival Indie Lisboa, em Portugal, e vencido o Festival Internacional de Documentários Visions du Reel em Nyon, na Suíça. Antes disso, tinha sido escolhido pelo público como o terceiro melhor documentário da mostra Panorama, durante o Festival de Berlim.

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