Concorrência de youtubers faz Eu Fico Loko passar por cima de Internet – O Filme
A Paris Filmes ia lançar dois filmes com o mesmo tema quase na mesma semana. Acabou prevalecendo o bom senso e a popularidade de Christian Figueiredo. A cinebiografia do youtuber, que usa como título o nome do canal do YouTube “Eu Fico Loko”, teve a preferência da distribuidora e agora chegará antes aos cinemas. Originalmente previsto para março, o filme foi adiantado para 12 de janeiro há poucas semanas e permanecerá nesta data. Já “Internet – O Filme”, estrelado por outros youtubers, ia estrear em janeiro, mas acabou adiado para 23 de fevereiro. A trama é ambientada em uma convenção de youtubers, em que os personagens entram em conflito em busca de fama. Que sincronicidade. Para resumir, os dois filmes contam histórias de youtubers que querem ser famosos e fizeram filmes em que interpretam youtubers que querem ser famosos. Mas um passou por cima dos demais. Ao menos, nas prioridades do estúdio.
Eu Fico Loko: Trailer da cinebiografia do youtuber Christian Figueiredo parece série teen americana
A Paris Filmes divulgou o trailer de “Eu Fico Loko”, cinebiografia do youtuber Christian Figueiredo. A prévia é bem mais promissora que o primeiro vídeo, mostrando que, por trás do projeto de vaidade, há uma história com personagens de série teen americana dos anos 1990 – época em que ainda não havia diversidade racial nos elencos. Até o termo “loser” é evocado. Mas isso não dura muito, pois a certa altura a quarta parede e o encantamento são quebrados por uma aparição do cara-de-pau em pessoa: Christian Figueiredo entra em cena para comentar… a cena. Sua participação, por sinal, não se resume à metalinguagem. Ele também está no elenco, no papel de Christian Figueiredo “adulto”. Mas não parece interpretar tão bem o personagem quanto o jovem Filipe Bragança (novela “Chiquititas”), mais à vontade como Christian Figueiredo adolescente. A direção é de Bruno Garotti, que estreia na função após trabalhar como diretor assistente dos dois “S.O.S.: Mulheres ao Mar” e “Linda de Morrer”, entre outras produções. E o elenco ainda destaca Alessandra Negrini (“2 Coelhos”) como a mãe do rapaz. A estreia está prevista para 12 janeiro, mas vale avisar que, em janeiro, chega “Internet – O Filme”, sobre outros youtubers que queriam ser famosos e fizeram um filme em que interpretam youtubers que queriam ser famosos. O bagulho é mesmo pra ficar loko.
Pesquisa indica que Selma é a cinebiografia mais verídica e O Jogo da Imitação a menos real de Hollywood
O site Information Is Beautiful resolveu tirar à limpo o quanto são reais as cinebiografias e os filmes baseados em fatos reais dos últimos anos. E o resultado da pesquisa e checagem de fatos revelou que um filme ignorado pelo Oscar foi o mais consistente, enquanto outro, que venceu o Oscar de Melhor Roteiro, o mais chutado de todos. Escrito pelo estreante Paul Webb e dirigido por Ava DuVernay, “Selma – Uma Luta pela Liberdade” foi o filme que se saiu melhor em relação à veracidade de sua história. A cinebiografia do pastor e ativista social Martin Luther King Jr refletiu de forma 100% verídica os fatos históricos, mostrando como de fato foram as marchas realizadas por ele e manifestantes pacifistas em 1965, entre a cidade de Selma, no interior do Alabama, até a capital do estado, Montgomery, e a repressão que enfrentaram. Já o filme que sepulta os fatos com a maior quantidade de invenções é “O Jogo da Imitação”. Escrito por Graham Moore, vencedor do Oscar por sua adaptação do livro de Andrew Hodges em que a trama se baseia, o filme só tem dois acontecimentos que aconteceram conforme mostrado: que Alan Turing trabalhou como criptoanalista durante a guerra e que foi preso por conta de sua homossexualidade após o conflito. Já a invenção do computador aconteceu de forma muito menos apaixonante, assim como a quebra do código da máquina Enigma, aponta o relatório do site. A conclusão é que apenas 41% das cenas dirigidas por Morten Tyldum correspondem a fatos históricos. “Alan Turing (o protagonista) chegou sim a trabalhar como criptoanalista em Bletchley Park durante a guerra e sua prisão foi por causa de sua homossexualidade. Isto é verdade. Mas o restante do filme não é. Para ser justo, reproduzir a incrível complexidade da Enigma e da criptografia em geral nunca seria tarefa fácil, mas o filme conseguiu simplesmente mostrar isso de forma falsa”, diz o site. Outros filmes que contaram pouco mais que meias verdade foram “Clube de Compras Dallas” e “Sniper Americano”, ambos indicados ao Oscar de Melhor Filme e Roteiro do ano, mesmo com pilhas de fatos imprecisos. Confira abaixo como se saíram os filmes examinados: 1. Selma – Uma Luta Pela Igualdade (100.0%) 2. A Grande Aposta (91.4%) 3. Ponte dos Espiões (89.9%) 4. 12 Anos de Escravidão (88.1%) 5. Rush – No Limite da Emoção (82.9%) 6. Spotlight – Segredos Revelados (81.6%) 7. Capitão Phillips (80.4%) 8. O Lobo de Wall Street (80.0%) 9. A Rede Social (76.1%) 10. O Discurso do Rei (74.4%) 11. Philomena (70.9%) 12. Clube de Compras Dallas (61.4%) 13. Sniper Americano (56.9%) 14. O Jogo da Imitação (41.4%)
Joaquin Phoenix negocia filmar projeto que seria estrelado por Robin Williams
Segundo o site da revista Variety, o ator Joaquin Phoenix e o diretor Gus Van Sant estão planejando tirar do papel um projeto que seria estrelado por Robin Williams. Trata-se da adaptação de “Don’t Worry, He Won’t Get Far on Foot”, autobiografia do cartunista John Callahan. Nascido em Portland, Callahan teve infância difícil, marcada por abusos sexuais e vícios, e virou cartunista após ficar quadriplégico por conta de um acidente de carro sofrido aos 21 anos. De estilo inconfundível, seus quadrinhos cheios de humor negro – e por vezes controversos – o tornaram famoso. Desde a publicação do livro, em 1989, Hollywood tenta filmar a história e durante muitos anos Robin Williams esteve cotado para interpretar Callahan. Joaquin Phoenix e Gus Van Sant tentam retomar a parceria há bastante tempo. Os dois trabalharam juntos em “Um Sonho sem Limites (1995), segundo filme do ator, então com 21 anos. Marcante para o jovem, a produção foi o primeiro trabalho em que ele foi creditado como Joaquin Phoenix, já que até então era chamado de Leaf Phoenix. No momento, Phoenix grava o filme de Maria Madalena com Rooney Mara, enquanto o diretor se prepara para lançar a minissérie “When We Rise”.
Diretor de Rua Cloverfield, 10 deve filmar cinebiografia de Houdini
A cinebiografia do ilusionista Harry Houdini pode finalmente sair do papel. Segundo o site Deadline, o diretor Dan Trachtenberg, que estreou no cinema à frente do elogiado “Rua Cloverfield, 10”, está negociando assumir a produção da Lionsgate. O longa vai adaptar o livro “A Vida Secreta de Houdini: A Invenção do Primeiro Super-Herói da América”, de William Kalush e Larry Sloman, e mostrará toda a trajetória do mágico que era expert em ocultismo e conseguia escapar de todas as armadilhas, inclusive de seu mais famoso truque de tortura aquática, em que era algemado e mergulhado numa caixa transparente, com poucos minutos de ar para escapar. Sua morte foi provocada por sua fama, após fraturas de uma surra provocada por um estudante cético, que o atacou em março de 1926 sem lhe dar tempo de se preparar para receber os socos que dizia suportar. O roteiro está a cargo de Noah Oppenheim (“Maze Runner”), que recentemente escreveu outra cinebiografia, “Jackie”, sobre a ex-primeira dama Jacqueline Kennedy. O projeto ronda Hollywood há muito tempo e chegou até a ter o ator Johnny Depp (“Sombras da Noite”) cotado para o papel principal. A Summit comprou os direitos do livro em março de 2009 com a intenção de lançar uma franquia de thrillers de ação, que seria uma mistura de “Indiana Jones” e “Sherlock Holmes”. Na ocasião, o filme seria dirigido por Gary Ross (“Jogos Vorazes”), que acabou não chegando a um acordo financeiro. Depois disso, também teve Dean Parisot (“RED 2: Aposentados e Ainda Mais Perigosos”) próximo de fechar, mas a produção acabou engavetada quando Depp entrou em outros filmes. Vale lembrar que a Sony Pictures também chegou a contratar o roteirista Scott Frank (“Minority Report”, “Marley & Eu”) para escrever um filme centrado nos truques de ilusionismo e escapismo de Houdini, que seria dirigido por Francis Lawrence (“Jogos Vorazes: Em Chamas”). A DreamWorks, por sua vez, ainda desenvolveu “Voices from the Dead”, sobre amizade de Houdini com o escritor Arthur Conan Doyle, criador de “Sherlock Holmes”. E a Chenin Entertainment comprou os direitos de “The Houdini Box”, o primeiro livro de Brian Selznick, autor de “A Invenção de Hugo Cabret”, que acompanha a história de um menino e seu envolvimento com um mistério relacionado ao célebre mágico. Nenhum desses projetos se materializou. Mas não foi por mágica. A culpa foi o lançamento da minissérie “Houdini”, pelo History Channel, e a série “Houdine & Doyle”, com a premissa do filme da DreamWorks, que fracassou em audiência na rede Fox.
Repleto de lacunas, o filme Elis dá saudades da cantora Elis
Elis Regina (1945-1982) foi uma cantora perfeita. Voz, dicção, técnica e afinação impecáveis. E uma intérprete fabulosa, da dimensão de Edith Piaf, Amália Rodrigues ou Ella Fitzgerald. Um portento. Nada mais justo e razoável que uma carreira como essa seja objeto de uma cinebiografia. A questão é alcançar a qualidade artística necessária para fazer jus ao projeto. Isso, o filme “Elis”, de Hugo Prata, alcança parcialmente. Quando entra em cena Andréia Horta (da novela “Liberdade, Liberdade”), Elis realmente revive na tela. A atriz faz um trabalho notável, digno de muitos prêmios. A figura de Elis emerge em gestos, movimentos, risos de arreganhar a gengiva, coreografias que acompanham o canto, enfim, no seu conhecido estilo de ser, determinado, irônico e agressivo. As interpretações de Elis estão lá inteiras, com alta qualidade de som, já que não é Andréia quem canta, ela dubla Elis. Perfeito! Bem, nem tanto. O repertório escolhido é todo muito bom, como aliás era o repertório de Elis Regina em todas as fases de sua carreira. Mas há ausências inconcebíveis. Elis foi a principal intérprete de Milton Nascimento e Gilberto Gil. Nenhuma música deles está no filme. Como não está nada da antológica gravação que ela fez com Tom Jobim. Nem suas inovadoras interpretações de Adoniran Barbosa. Problemas com os direitos das músicas? Falha grave, do ponto de vista artístico. O começo real da carreira dela também foi deletado. Vendo o filme, tudo parece ter começado no Rio, com “Menino das Laranjas” (de Theo Barros), embora se faça referência à sua origem gaúcha e trabalho em Porto Alegre. Só que Elis Regina gravou 2 LPs na gravadora Continental: “Viva a Brotolândia”, em 1961, e “Poema”, em 1962. São 24 faixas gravadas, de discos escancaradamente comerciais, tentando lançar a cantora para concorrer com Celly Campello (1942-2003), que fazia muito sucesso na época. Elis renegou essa fase de sua carreira, rejeitou esses discos (que não são tão ruins assim), mas é algo que teria de ser registrado numa cinebiografia que deu relevo ao trabalho da cantora. Da vida pessoal de Elis, o casamento com Ronaldo Bôscoli durou pouco, uns cinco anos, foi muito conturbado, já que ele era mulherengo, infiel. Seu papel artístico junto a ela acrescentou pouco à arte de Elis. Pelo filme, ele foi o maior amor da vida dela e teve papel artístico muito relevante. Uma forma de romancear e fazer uma narrativa atraente? O fato é que o casamento com César Camargo Mariano foi mais longo e muitíssimo mais importante, do ponto de vista artístico. No filme, ele perde essa força. Mas nunca Elis foi tão brilhante como quando entoou canções arranjadas por César. Era algo de arrasar quarteirão de tão bom, tão sofisticado. Quem viveu esse período sabe disso. E as gravações estão aí para comprovar. Algumas no filme, também, claro. Os conflitos políticos que envolveram a ditadura militar, o canto de Elis na Olimpíada do Exército, a reação fulminante de Henfil no Pasquim, colocando-a no cemitério dos mortos-vivos, e a evolução que a levou a entoar o hino informal da anistia, “O Bêbado e a Equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc, onde se pedia a volta do irmão do Henfil (Betinho), estão muito bem retratados. A cena em que ela aparece sendo vaiada em show ao vivo me parece excessiva para ser considerada real. Os espetáculos, muito bem produzidos para palco, com ênfase teatral, além do show, como “Transversal do Tempo” e “Saudade do Brasil”, não aparecem. E o grande sucesso, “Falso Brilhante”, um ano em cartaz, não é retratado, realmente. Apenas a música cantada surge e não o frenesi que foi aquela montagem teatralmente empolgante. Em suma, o filme está cheio de lacunas e falhas, que não vão passar despercebidas aos fãs de Elis, que conhecem a sua trajetória. Ainda assim, é um espetáculo bom de se ver, com uma atriz sensacional e uma música extraordinariamente bela. A produção serve mais é para dar muita saudade!
Barry: Filme sobre a juventude de Barack Obama ganha trailer completo
A Netflix divulgou o trailer completo de “Barry”, longa sobre a juventude do Presidente dos Estados Unidos Barack Obama. A prévia recria a época em que Obama era um estudante universitário, entre o final dos anos 1970 e o início dos 1980, com figurino, grafite, clima de festa e música soul. O filme vai mostrar a vida de Obama, interpretado pelo estreante Devon Terrell, como um universitário em Nova York, que apesar de idealista enfrentou preconceito em seus primeiros passos rumo à conscientização política. O elenco também inclui Anya Taylor-Joy (“A Bruxa”), Ashley Judd (“Divergente”), Ellar Coltrane (“Boyhood”), Jenna Elfman (“A Eterna Namorada”), Annabelle Attanasio (série “The Knick”) e Linus Roache (série “Vikings”). Produção independente, o filme do diretor Vikram Gandhi (“Kumaré”) foi bastante elogiado no festival de Toronto e chega à plataforma de streaming em 16 de dezembro. Este é o segundo filme sobre a juventude de Obama lançado em 2016. O outro, “Southside with You”, mostrou o início do namoro com a Primeira Dama Michelle Obama, e também foi bastante elogiado.
Metallica divulga 13 clipes com todas as músicas de seu novo disco – e uma provável cena do filme do Mayhem
A influência de Beyoncé chegou ao Metallica. Nesses dias de “disco visual”, a banda de heavy metal produziu clipes para cada uma das faixas de seu novo disco, “Hardwired… To Self-Destruct”, e disponibilizou todos eles no YouTube. Como se vê, já vão longe os dias em que Lars Ulrich achava que música de graça na internet (mais especificamente, no Napster) era caso de polícia. O novo álbum da banda será disponibilizado nessa sexta-feira (18/11) nos serviços pagos de streaming e download, mas já pode ser conferido na íntegra, de forma sonora, visual, gratuíta e na ordem do disco, logo abaixo. São, ao todo 13 clipes, dentre os quais se destacam a animação “Murder One”, um tributo ao falecido cantor do Motörhead Lemmy Kilmister, com direção de Robert Valley (série “TRON: Uprising”), e “ManUNkind”, dirigido pelo cineasta sueco Jonas Åkerlund (“Spun – Sem Limites”), que trabalhou recentemente com… Beyoncé. Detalhe curioso de “ManUNkind” é que, no lugar do Metallica, o diretor filma atores jovens, vestidos como a banda finlandesa Mayhem, durante um show claramente situado nos anos 1990. Neste sentido, o clipe pode ser encarado como um ensaio (ou até mesmo uma cena) de seu próximo filme, “Lord of Chaos”, que será justamente uma cinebiografia do Mayhem. Há ainda uma dicotomia interessante no clipe de “Confusion”, em que a diretora Claire Marie Vogel (clipes de “Red Hot Chili Peppers” e “My Chemical Romance”) enquadra uma mulher dividida entre o serviço militar e o trabalho num escritório, e duas outras animações: “Here Comes Revenge”, de Jessica Cope (que trabalhou em “Frankenweenie”), e “Spit Out the Bone”, de Phil Mucci (clipes de “Korn” e “Monster Magnet”). Mas os demais vídeos (a maioria) se limita a mostrar a banda tocando. Confira abaixo.
Sem ser memorável, Snowden consegue entreter, informar e provocar
Apesar de um pouco distante da grande mídia, em comparação com seu destaque nas décadas de 1980-90, Oliver Stone segue ativo e perseguindo ainda mais um tipo de cinema militante de esquerda, numa opção ousada, já que são poucos que manifestam tamanha simpatia por medalhões da esquerda. Os documentários “Comandante” (2003), “Ao Sul da Fronteira” (2009), “Castro in Winter” (2012) e “Mi Amigo Hugo” (2014) são exemplos disso. Mas pouca gente viu esses filmes. Em “Snowden – Herói ou Traidor”, ele tenta voltar a ser relevante, deixando o bajulamento de políticos de lado para voltar a se embrenhar na boa luta contra o sistema. No novo filme, Stone denuncia a capacidade e o poder que o governo americano tem de não só vigiar cidadãos de seu próprio país, mas como também de provocar até mesmo apagões em vários outros países com apenas um clique. Stone encontrou em Edward Snowden, vivido na tela por Joseph Gordon-Levitt (“A Travessia”), um prato cheio para fomentar uma nova controvérsia, e sem poupar o Presidente Barack Obama, que não é apenas cúmplice das armações maquiavélicas do Estado, embora percebamos que isto é parte de algo maior e já instituído. Snowden, ex-empregado da NSA (Agência Nacional de Segurança), e testemunha de segredos de estado chocantes, é mostrado inicialmente em 2013, quando decide contar tudo o que sabe para um grupo de jornalistas. A divulgação cairia como uma bomba, mas o rapaz, então com menos de 30 anos, tinha consciência dos riscos que ele e sua esposa sofreriam. A estrutura narrativa é convencional, através de flashbacks que remontam ao tempo em que Snowden era um simples soldado, que acabou se afastando do exército depois de quebrar as duas pernas em um acidente simples. Neste período, foi recrutado para trabalhar em uma agência de espionagem. E é aí que sua história realmente começa. A narrativa não poupa esforços para elevar o protagonista, de delator/traidor, à categoria de herói. Mas isso não chega a ser um problema. O problema é quando o diretor lança mão de artifícios banais para forçar a situação, como a utilização de uma trilha sonora épica e cafona. A personagem da esposa de Snowden também acaba ficando relegada a segundo plano, embora a atriz Shailene Woodley mostre ser, da turma de garotas que protagonizaram filmes para adolescentes recentemente, a que menos tem problema em fazer cenas de sexo ousadas (quem viu “Pássaro Branco na Nevasca”, de Gregg Araki, sabe do que estou falando). No mais, é um filme que se beneficia bastante de seu elenco de apoio. Um luxo poder contar com Melissa Leo, Zachary Quinto, Tom Wilkinson, Joely Richardson e até Nicolas Cage, em papel bem pequeno. E embora não seja tão memorável quanto gostaria de ser, “Snowden” consegue entreter, informar e provocar. Sem falar que, para o público brasileiro, não deixa de ser interessante ver o nome do país sendo citado em um par de vezes, inclusive sobre o caso da Petrobrás.
Diretor de Pequeno Segredo revela planos de filmar o assassinato da freira Dorothy Stang
Graças à projeção conseguida com “Pequeno Segredo”, candidato brasileiro a uma vaga no Oscar, o diretor David Schürmann está desenvolvendo duas novas produções com investimento internacional. Segundo o site da revista Variety, uma delas é “Blood Rose”, drama escrito pelo americano Andrew McKenzie (do western “Sweetwater”) passado na Rússia nas vésperas da 2ª Guerra Mundial. O outro, menos adiantado, mas bem mais interessante, é “Dot”, suspense baseado no assassinato da freira norte-americana Dorothy Stang na região amazônica. Militante da Pastoral da Terra, ela atuava em defesa dos moradores da região e do desenvolvimento sustentável desde os anos 1960 e colecionava ameaças de morte, até ser assassinada em 2005, aos 73 anos, em Anapu, Pará. “O que me fascina nessa história é o que a fez ficar marcada. Por que ela continuou defendendo as pessoas mesmo sabendo que poderia ser assassinada? Ela sabia que poderia morrer a qualquer momento. Acho que essa tensão tem que fazer parte do filme”, disse o diretor à Variety. Ele revelou ainda que pretende ter um roteirista americano e dois brasileiros trabalhando na trama, que deverá acompanhar a personagem principal a partir do ponto de vista de um jornalista que desembarca no Brasil para entrevistá-la. O crime já foi tema do documentário “Mataram a Irmã Dorothy” (2008), de Daniel Junge.
Rosario Dawson vai viver garota vendida pela família que virou ativista pelos direitos das mulheres
A atriz Rosario Dawson vai estrelar a adaptação da biografia “A Little Piece of Light”, baseada na história real de Donna Hylton. A informação é do site Deadline. Nascida na Jamaica, Hylton foi vendida pelos pais para um casal em Nova York quando tinha 7 de anos. Achando que iria viajar para a Disney, ela acaba sendo vítima do padrasto pedófilo. Aos 19 anos de idade, Hylton foi presa por uma suposta participação no sequestro e assassinato de um policial. Condenada a 25 anos de cadeia, ela saiu da prisão em 2012 e se tornou uma ativista pelos direitos das mulheres. A produção ainda busca uma diretora e uma roteirista e, por isso, a data de lançamento de “A Little Piece of Light” nos cinemas ainda não foi definida.
Andrea Bocelli ganhará cinebiografia com participação de Antonio Banderas
O tenor italiano Andrea Bocelli vai ganhar uma cinebiografia com direção de Michael Radford (de “O Carteiro e o Poeta” e “O Mercador de Veneza”). Segundo o site da revista The Hollywood Reporter, o papel do cantor será vivido pelo inglês Toby Sebastian, que interpretou o personagem Trystane Martell em “Game of Thrones”. Mas o espanhol Antonio Banderas também terá destaque no elenco, vivendo o mentor de Bocelli, identificado nos créditos apenas como Maestro. Intitulado “The Music of Silence”, o longa vai contar a trajetória do tenor, que ficou cego aos 12 anos e se dedicou a apurar a voz e o ouvido, vendendo mais de 80 milhões de discos ao redor do mundo. O roteiro foi escrito por Radford e Anna Pavignano, que anteriormente trabalharam juntos em “O Carteiro e o Poeta” (1994), sobre Pablo Neruda. A produção ainda vai contar com os atores Jordi Mollà (“No Coração do Mar”), Ennio Fantastichini (“A Primeira que Disse”) e Luisa Ranieri (“Cartas para Julieta”), além de músicas que foram compostas por Bocelli na juventude, mas nunca foram lançadas.
Eu Fico Loko: Cinebiografia de Christian Figueiredo ganha clipe. Isto mesmo: cinebiografia de Christian Figueiredo!
Nesses dias em que 15 minutos de fama vale por uma vida inteira, mais um Youtuber está ganhando filme. A diferença é que, ao contrário da fantasia de fada de Kéfera Buchmann, o filme de Christian Figueiredo é uma cinebiografia. A obsessão do rapaz por se tornar popular atingiu outro nível, incentivada por produtores que consideram que sua história de vida é cinematográfica. Tudo bem, vai ver que ele lutou numa guerra, liderou um movimento, criou uma lei famosa, compôs hits que marcaram época, teve papéis icônicos, viveu romances escandalosos… Não? Não, ele tem 22 anos mesmo e seu filme é a história de um moleque que quer ser popular. O final é spoiler: ele vai fazer um filme sobre como era um moleque que queria ser popular. Enfim, Justin Bieber começou assim. E a maioria das pessoas sem idade para votar acha que ele é talentoso. E, como Justin Bieber começou assim, a primeira prévia do filme de Christian Figueiredo é um clipe. Ou melhor, um trailer com música, que os produtores chamam de clipe. E quer saber como as pessoas que podem votar não entendem nada (e sem precisar ver quem elegem)? O clipe/trailer já foi visto 1,7 milhão de vezes em quatro dias, no canal do Youtuber. O nome do filme, claro, é “Eu Fico Loko”, o mesmo do canal. A direção é de Bruno Garotti, que estreia na função após trabalhar como diretor assistente dos dois “S.O.S.: Mulheres ao Mar” e “Linda de Morrer”, entre outras produções. E o elenco destaca Alessandra Negrini (“2 Coelhos”) como a mãe do rapaz. A estreia dessa loucura está prevista para março. Vale avisar que, em janeiro, estreia “Internet – O Filme”, sobre Youtubers que queriam ser famosos e fizeram um filme sobre serem Youtubers que queriam ser famosos. O bagulho é loko.












