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  • Etc,  Filme

    Carlos Saura, um dos maiores cineastas da Espanha, morre aos 91 anos

    10 de fevereiro de 2023 /

    O cineasta espanhol Carlos Saura, responsável por filmes conceituados como “Cria Corvos” (1976) e “Carmen” (1983), morreu nessa sexta-feira (10/2) de problemas respiratórios na sua casa na Espanha, aos 91 anos. Ele já estava com a saúde debilitada há algum tempo. No ano passado, Saura teve um AVC e, em outro momento, sofreu uma queda. Esses dois incidentes contribuíram para a deterioração do seu estado de saúde. Com mais de 50 trabalhos no seu currículo, Saura era considerado um dos principais cineastas espanhóis, ao lado de grandes nomes como Luis Buñuel e Pedro Almodóvar. Nascido em 4 de janeiro de 1932, em Huesca, no nordeste da Espanha, Saura tinha apenas quatro anos quando a Guerra Civil Espanhola estourou em 1936, e sua infância foi impactada pela conflito. Anos mais tarde, ele ganharia sua reputação como um crítico do regime de Franco. Mas não tratava dessa temática de maneira direta. Em vez disso, usava alegorias em seus filmes para se esquivar da censura. Saura começou a sua carreira no cinema na década de 1950, realizando curtas-metragens. Sua estreia no comando de um longa-metragem aconteceu em 1960, quando ele dirigiu “The Delinquents”, selecionado para o Festival de Cannes. Ele ficou conhecido internacionalmente com “A Caça” (1966), vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim. O filme abordou o legado da Guerra Civil Espanhola por meio da história de três veteranos que relembram suas experiências durante uma viagem que fazem para caçar coelhos. A partir daí, Saura se tornou uma presença frequente no festival alemão, vencendo o Urso de Prata novamente no ano seguinte, pelo suspense hitchcockiano “Peppermint Frappé” (1967), e o Urso de Ouro com “Depressa, Depressa” (1981), trama criminal de delinquentes juvenis. Mas foi o Festival de Cannes que consagrou um dos seus trabalhos mais conhecidos, “Cria Corvos” (1976), que conta a história de uma mulher que acredita ter sido a causadora da morte do seu pai, um militar franquista, por meio de um estranho poder. O filme venceu o prêmio do júri no festival francês. Com uma filmografia repleta de clássicos, ele também dirigiu o drama “O Jardim das Delícias” (1970), o gótico “Ana e os Lobos” (1973), o nostálgico “A Prima Angélica” (1974), a comédia fantasiosa “Mamãe Faz 100 Anos” (1979), e a partir dos anos 1980 se especializou em musicais com coreografia e iconografia ibérica e latina-americana. Foram nada menos que 11 obras do gênero, entre dramatizações e documentários: “Bodas de Sangue” (1981), “Carmen” (1983), “Amor Bruxo” (1986), “Sevillanas” (1992), “Tango” (1998), “Salomé” (2002), “Fados” (2007), “Flamenco Flamenco” (2010), “Argentina” (2015), “Jota de Saura” (2016) e “El Rey de Todo el Mundo” (2021). Ativo ao longo das décadas, ele também filmou o épico “El Dorado” (1988), os policiais “Taxi” (1996) e “O Sétimo Dia” (2004), a cinebiografia “Goya” (1999) e a homenagem ao surrealismo espanhol “Buñuel E a Mesa do Rei Salomão” (2001). Seu último longa foi o documentário “Las Paredes Hablan” (2022), sobre a história da arte. “Tive sorte na vida fazendo aquilo que mais me atraía: dirigi cinema, teatro, ópera e desenhei e pintei a minha vida toda”, disse ele, em 2020, em entrevista ao jornal El País. E se definiu como “um ser de sorte, que dirigiu uns 50 filmes e fez os filmes que quis. E isso é um milagre.” Ao anunciar a morte do Saura, a Academia Espanhola de Cinema descreveu-o como “um dos cineastas mais importantes da história do cinema espanhol”. Ele receberia, neste sábado (11/2), um prêmio Goya de honra, que assim se torna um prêmio póstumo.

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  • Filme

    Verónica Forqué (1955–2021)

    13 de dezembro de 2021 /

    A atriz espanhola Verónica Forqué, que estrelou três filmes de Pedro Almodóvar, foi encontrada morta aos 66 anos nesta segunda-feira (13/12) em sua casa de Madri. Relatos iniciais apontam para possível um suicídio, mas não há maiores detalhes até o momento. Seus primeiros trabalhos de destaque foram em filmes de seu pai, o diretor José María Forqué – como “Una Pareja… Distinta” (1974), “Madrid, Costa Fleming” (1976) e “El Segundo Poder” (1976). Mas logo ganhou aval do respeitabilíssimo diretor Carlos Saura, que a escalou em “Olhos Vendados” (1978), e do jovem Almodóvar, responsável por lhe dar destaque em “Que Fiz Eu para Merecer Isto?” (1982). O filme de Amoldóvar deu grande popularidade a Forqué e os dois voltaram a colaborar em mais dois sucessos, “Matador” (1986) e “Kika” (1993), que a estabeleceram como uma atriz querida do público espanhol. Ela acabou se tornando protagonista e especializando-se em comédias, seguindo a carreira com filmes premiados como “Sin Vergüenza” (2001) e “Rainhas” (2005). Mas também fez dramas famosos, como “Clara y Elena” (2001), em que contracenou com outra musa de Almodóvar, Carmen Maura. Um de seus últimos trabalhos foi “Vovó Saiu do Armário” (2019), em que interpretou a personagem-título, uma senhora idosa que decide se casar com uma mulher e cria uma crise com a neta conservadora. Ao saber de sua morte, Almodóvar emitiu um nota de pesar por meio de sua produtora, El Deseo. “O vazio que isso deixa em nossas vidas e no nosso cinema é irrecuperável. Foi-se uma atriz extraordinária e uma pessoa insubstituível com quem tivemos a honra de trabalhar e compartilhar a vida. Faça uma boa viagem, Verónica”. Antonio Banderas, que trabalhou com ela em “Matador”, também se manifestou, descrevendo-a como “uma mulher doce, espiritual e boa companheira”. Já a Academia Espanhola de Cinema a reverenciou como “um rosto essencial do cinema espanhol nas últimas décadas”. Os motivos do suicídio são desconhecidos, mas o diretor, ator e produtor Carlo D’Ursi escreveu uma triste reflexão em seu perfil no Twitter, citado nesta segunda-feira pelo jornal El Confidencial: “Morrer sozinha, com 66 anos e vítima de depressão não estava escrito em nenhum roteiro”.

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