Disney oferece US$ 52,4 bilhões pela Fox
A Walt Disney Company fez uma oferta oficial de US$ 52,4 bilhões pelas divisões de entretenimento da 21st Century Fox. O negócio, que marca a união de dois gigantes de Hollywood, foi aceito preliminarmente nesta quinta-feira (14/12). O valor total da transação é, na verdade, mais alto: US$ 66,1 bilhões, uma vez que a Disney também assumiu US$ 13,7 bilhões de dívidas da Fox. Com a compra, a Disney vai se tornar o maior conglomerado de entretenimento do mundo, adicionando a seus negócios o estúdio de cinema 20th Century Fox, a produtora indie Fox Searchlight Pictures, a produtora Fox 2000, mais um estúdio de animação, o Blue Sky (de “Rio” e “A Era do Gelo”), o grupo de canais pagos FX e National Geographic, assim como mais de 300 canais internacionais. Também estão inclusas a participação de 30% da Fox no serviço de streaming Hulu e a fatia de 50% da companhia na Endemol (responsável por criar realities como “Big Brother” e “MasterChef”), além das ações da Fox na rede europeia de canais pagos Sky e na rede indiana Star. E, como se não fosse suficiente, participação em mais uma editora de quadrinhos, a Boom! Studios. Em declaração oficial, o CEO da Disney, Bob Iger, afirmou que a aquisição “reflete a demanda crescente dos consumidores por uma maior diversidade de experiências de entretenimento, que sejam mais atraentes, acessíveis e convenientes”. “Estamos honrados e gratos por Rupert Murdoch [diretor da 21st Century Fox] ter confiado a nós o futuro do negócio que ele passou a vida construindo, e estamos felizes com essa oportunidade de aumentar significativamente o nosso portfólio de franquias amadas e conteúdos de marca para aprimorar nossas ofertas aos consumidores. O acordo também irá expandir substancialmente o nosso alcance internacional, permitindo a nós oferecer conteúdo de primeira qualidade e plataformas de distribuição inovadoras a mais consumidores em mercados estratégicos ao redor do mundo”, acrescentou. Murdoch também se pronunciou em comunicado: “Nós estamos extremamente orgulhosos de tudo o que construímos na 21st Century Fox, e eu acredito muito que essa junção com a Disney irá trazer ainda mais valores aos acionistas, conforme a nova Disney continue a ditar os rumos do que é uma indústria empolgante e dinâmica. Além disso, estou convencido de que essa combinação, sob a liderança de Bob Iger, será uma das maiores empresas do mundo. Sou grato a Bob por ter decidido prosseguir e estar comprometido a ser bem-sucedido com um time que não fica atrás de ninguém”. A empolgação de Murdoch se deve ao fato de parte do pagamento pela 21st Centory Fox ser com ações da Disney. Na prática, ele virou sócio de seu comprador, e tem interesse em que Iger seja bem-sucedido no comando dos negócios. Bob Iger, por sinal, estendeu seu contrato como CEO da Disney por mais dois anos, para liderar a transição do novo gigante, pois a expectativa é que o negócio só seja concluído em 18 meses, por precisar ser aprovado pelos órgãos regulatórios do governo americano. Além disso, a Disney tem planos de completar a aquisição da rede Sky e isso enfrentará outra etapa burocrática no Reino Unido. Haverá ainda um período longo de ajustes, com definições de quem comandará cada setor da nova empresa. São esperadas demissões, pois alguns cargos serão duplicados na junção das duas companhias. A Disney espera economizar US$ 2 bilhões só na unificação das operações, fechando escritórios internacionais, divisões de distribuição e marketing da Fox, já que passaria a administrar o estúdio no modelo em que trabalha com a Pixar, a Marvel e a Lucasfilm, suas aquisições anteriores, todas incorporadas numa única operação de distribuição, marketing, etc. Alguns desdobramentos são mais fáceis de alinhavar que outros, como a absorção dos personagens da Marvel que estavam na Fox. Heróis como X-Men, Deadpool, Novos Mutantes e Quarteto Fantástico passarão para o Marvel Studios, algo que o produtor Kevin Feige estava “ansioso” para que acontecesse. Mesmo assim, as consequências disso para a continuação da franquia “Deadpool” e filmes de super-heróis para maiores – “R-rated” – como “Logan” ainda são uma incógnita. A Disney, que já era líder em franquias de animação e de super-heróis, também vai virar a maior produtora de filmes de ficção científica de Hollywood, passando a explorar os mundos de “Avatar”, “Alien”, “Predador” e “Planeta dos Macacos”. Ao mesmo tempo, a companhia terá que aprender a trabalhar com filmes menores: as produções da Fox Searchlight, que costumam ser fortes candidatos ao Oscar. Para se ter ideia, o estúdio “indie” da Fox é responsável por “Três Anúncios de um Crime”, “A Forma da Água” e “A Guerra dos Sexos”, que devem aparecer no Oscar 2018. O conteúdo televisivo também é promissor. A Disney domina o mercado de séries infanto-juvenis por meio de três canais: Disney Channel, Disney XD e Freeform. Mas não tinha acesso ao mercado adulto, que o FX e seu spin-off FXX lhe abre. Além disso, o Fox Studios é responsável por diversos hits em exibição na TV aberta, como “This Is Us”, “Modern Family” e, claro, “The Simpsons”. Sem esquecer das séries clássicas da 20th Century Fox Television que podem ganhar novas versões. Uma delas, por sinal, já estava sendo desenvolvida na Netflix: “Perdidos no Espaço”. E, sim, há planos ambiciosos para o lançamento de um serviço de streaming capaz de rivalizar com a própria Netflix. A marca Fox, porém, continuará com o magnata Rupert Murdoch e seus filhos, James e Lachlan. Segundo rumores, o CEO da 21st Century Fox, James Murdoch, tende a ir para a Disney com a venda, enquanto seu irmão, diretor executivo, deve passar a comandar a nova Fox. James Murdoch é considerado um executivo visionário, por ter ampliado sensivelmente a participação da Fox no mercado internacional, o que, no final das contas, foi a cereja no bolo negociado. Com o acordo, a Disney se tornará a maior provedora de conteúdo da rede Fox. O conglomerado não poderia ter duas redes de TV aberta nos Estados Unidos e já é dono da ABC. Mas pode produzir o que o outro canal exibe, já que Murdoch pretende se focar em desenvolver apenas notícias e coberturas esportivas, explorando os canais Fox News, Fox Business e Fox Sports. Por conta destes canais, a Fox também manterá a parte física dos estúdios e escritórios da companhia nos Estados Unidos. Especula-se ainda que os bens da Fox sejam recombinados com os da News Corp., a empresa de Murdoch dedicada a conteúdo impresso – jornais e revistas. As duas companhias haviam sido separadas em 2013, para evitar que a Fox fosse atingida pelo escândalo de espionagem de celebridades que acabou levando ao fechamento do jornal News of the World no Reino Unido. Este escândalo, por sinal, foi o que levou os reguladores britânicos a barrarem o crescimento do controle da Fox sobre a Sky. A Disney não enfrentará o mesmo problema para adquirir a maior companhia de TV paga da Europa. Mas as repercussões do negócio ainda não foram totalmente exploradas. Muitas novidades serão anunciadas nos próximos dias.
CEO da Disney garante: Filmes de Star Wars e da Marvel serão produzidos “para sempre”
Se depender de Bob Iger, o CEO e presidente da Disney, os filmes de super-heróis da Marvel e as aventuras espaciais de “Star Wars” serão produzidos “para sempre”. Em entrevista ao programa “BBC Newsbeat”, Iger revelou que os planos para a franquia “Star Wars” não se resumem às produções já anunciadas – duas continuações de ‘O Despertar da Força’ e três spin-offs – e informou que a história central não será encerrada após o final da nova trilogia. “Ainda terão outros depois disso, mas não sei quantos mais, e nem com que frequência”. Já sobre os super-heróis da Marvel, Iger foi curto e grosso: “Com a Marvel, estamos lidando com milhares de personagens – isso vai durar para sempre”. Para Iger, é “improvável” que os fãs percam o interesse nesses filmes com o decorrer do tempo. “Penso que estamos cada vez mais elevando o nível de como contamos essas histórias, o que sempre traz os fãs de volta e os anima. Isso traz frescor aos filmes e é o que fazemos para viver”. Sempre é bom lembrar que, nos anos 1940, Hollywood também achava que os filmes musicais e as aventuras de piratas e cowboys dominariam os cinemas “para sempre”.
Disney confirma planos para quinto Indiana Jones
O CEO da Disney Bob Iger confirmou que um novo capítulo da saga de “Indiana Jones” faz parte dos planos imediatos do estúdio. O que não chega a surpreender, diante do sucesso de “Star Wars: O Despertar da Força”. Em entrevista à rede de notícias Bloomberg, Iger deixou escapar que o quinto filme da outra franquia da LucasFilm estava em pleno desenvolvimento. “‘Indiana Jones’, aliás, está vindo”, ele mencionou casualmente, enquanto falava sobre as aquisições da empresa, como a Pixar, a Marvel e a própria LucasFilm. Iger não deu mais informações sobre o futuro do arqueólogo aventureiro, mas é a primeira vez que a Disney – por meio de seu maior executivo – confirmou oficialmente seus planos para a franquia, desde que o estúdio comprou a companhia de George Lucas. No começo de dezembro, o ator Harrison Ford, intérprete de Indiana Jones, revelou que o roteiro do quinto filme da saga estava sendo escrito. “Estamos na etapa de desenvolver ideias, mas há uma pessoa contratada que, se não está atualmente trabalhando o roteiro, deveria estar”, disse o ator com seu tradicional humor. A tal pessoa seria David Koepp, o roteirista do quarto filme da saga, “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” (2008), que arrecadou cerca de US$ 800 milhões em bilheteria. Ford quer retomar o personagem. Do mesmo modo, Steven Spielberg, diretor de todos os filmes da franquia, deseja dirigir o próximo também. Mas a Disney pode optar por uma renovação completa, afastando Spielberg como fez com Lucas em “Star Wars”, e optando por um novo ator no papel principal. Quando “Guardiões da Galáxia” estourou nas bilheterias, em 2014, chegou a circular a notícia de que Chris Pratt estaria cotado para viver uma versão mais jovem do aventureiro. Spielberg, porém, discorda frontalmente dessa abordagem. “Não acredito que ninguém possa substituí-lo. Não acho que isso vá ocorrer. Claro, não é a minha intenção que seja como ocorreu com James Bond ou Homem-Aranha. Só há um Indiana Jones e ele é Harrison Ford”, disse o diretor em entrevista recente. A única coisa que parece resolvida, até aqui, é o afastamento de George Lucas, que tinha sido o autor das quatro histórias anteriores. Após sua história para a nova trilogia “Star Wars” ter sido recusada pela Disney, a sugestão de que David Koepp estaria trabalhando num roteiro significa que Lucas também foi desconsiderado neste projeto.


