Estreias: Tarzan é o rei dos cinemas neste fim de semana
Tarzan volta às selvas com grande orçamento e inúmeros efeitos visuais, no maior lançamento desta quinta (21/7) no Brasil. Acompanhado pelo ator Alexander Skarsgård (série “True Blood”), que veio ao país para entrevistas e première, “A Lenda de Tarzan” chega em 840 salas, incluindo 555 telas 3D e todo o circuito IMAX (12 salas). Com direção de David Yates, responsável pelos quatro últimos filmes de “Harry Potter”, o longa custou uma fortuna (US$ 180 milhões), mas teve apenas desempenho modesto nos EUA (levou 18 dias para superar os US$ 100 milhões). A crítica americana não gostou (36% de aprovação no site Rotten Tomatoes), mas o público aprovou (A- no CinemaScore). A Warner agora torce pelo sucesso internacional. A segunda maior estreia é uma comédia nacional. Apesar de ter Ingrid Guimarães (“De Pernas pro Ar”) no elenco, “Entre Idas e Vindas” não é um besteirol ululante. Trata-se de um romance com final e elenco de novela, sobre como Fabio Assunção (novela “Totalmente Demais”) e seu filho vão parar num motor home cheio de mulheres. A direção de José Eduardo Belmonte transmite mais seriedade ao projeto, que visivelmente possui baixo orçamento, mas, por outro lado, os cinéfilos talvez preferissem um trabalho menos ligeiro do grande cineasta brasiliense. Estreia em 283 salas. A melhor comédia da semana, na verdade, é americana: “Dois Caras Legais“, do cineasta Shane Black (“Homem de Ferro 3”). Passada nos anos 1970, com figurino, música e recriação até do espírito dos filmes da época, traz Russel Crowe (“Noé”) e Ryan Gosling (“A Grande Aposta”) como detetives investigando o sequestro de uma jovem em plena era das discotecas. Hilário, o filme tem 91% de aprovação no Rotten Tomatoes, feito raríssimo para comédias. Ocupa 215 salas. Em contraste, o principal lançamento da semana é restrito a 46 salas – sendo 12 CEUs, do circuito SPCine na capital paulista. Trata-se do novo drama de Anna Muylaert, diretora do aclamado “Que Horas Ela Volta?” (2015). Com tema diferente, mas núcleo similar, de mãe, filho e deslocamento da representação do lar, “Mãe Só Há Uma” parte de uma história real para contar a história de um adolescente que descobre ter sido roubado na maternidade e que, após tratar a ladra como mãe por toda a vida, precisa se readequar à família biológica. Para complicar, ele também atravessa crise de identidade sexual. O filme destaca o estreante Naomi Nero (sobrinho de Alexandre Nero) como protagonista, uma grata revelação com futuro brilhante, além de Daniela Nefussi (“É Proibido Fumar”) em dois papéis, como as mães (de criação e biológica) do menino, num artifício que visa destacar a confusão criada na cabeça do rapaz. Filmaço para poucos. O circuito limitado também recebe o drama francês “Chocolate” em 55 salas, mostrando Omar Sy (“Intocáveis”) como o primeiro palhaço negro de circo da França, no século 19. Em 32 salas, “Life – Um Retrato de James Dean”, traz Robert Pattinson (“Mapa para as Estrelas”) como o fotógrafo que ajudou a criar a aura de mito que acompanhou a curta carreira do astro de “Juventude Transviada” (1955). Por fim, a comédia espanhola “Um Dia Perfeito” mostra seu humor negro em quatro salas, com Benício Del Toro (“Sicario”) liderando um grupo de agentes humanitários em meio a uma zona de conflito armado.
Deadpool supreende, quebra recordes e lidera bilheteria nos EUA
A estreia de “Deadpool” antecipou o verão nos EUA. Com números de blockbuster, o primeiro filme de super-herói de 2016 faturou US$ 132 milhões em seu primeiro fim de semana na América do Norte. O valor chega a US$ 152 milhões nas projeções que incluem o feriado de segunda-feira (15/2), em que se comemora o Dia do Presidente nos EUA. O valor é recorde entre todos os lançamentos de fevereiro nos EUA, superando com folga os US$ 85 milhões conquistados por “Cinquenta Tons de Cinza” no mesmo período do ano passado. Mas, principalmente, é a maior estreia de todos os tempos para um filme classificado com censura “R” (impróprio para menores de 17 anos). O sucesso pegou de surpresa a própria 20th Century Fox, que, após relutar muito com a ideia de lançar um filme de super-heróis para maiores, foi convencida de que o público aceitaria o projeto e deu liberdade para o time criativo da produção, encabeçado pelo ator-produtor Ryan Reynolds e o diretor estreante Tim Miller. Reynolds vestiu não só a camisa, mas o uniforme completo, fazendo uma verdadeira blitz de marketing (provavelmente passou mais tempo gravando vídeos de divulgação do que propriamente filmando o longa). Só na reta final o estúdio passou a considerar que a loucura daria certo, estimando uma abertura na casa dos US$ 65 milhões. Ninguém esperava que rendesse o dobro. Ou que seu êxito repercutisse no mercado internacional – foram mais US$ 120 milhões no exterior. Vale observar que o estúdio não quis investir muito na produção. Mas graças ao “baixo” orçamento de US$ 58 milhões, também considerou que não perderia muito com seu humor insano, repleto de palavrões, sexo e ultraviolência, deixando Reynolds à vontade, numa atitude bem diferente dos relatos associados aos bastidores de “Quarteto Fantástico”, que teria sofrido intervenção. A lição, aparentemente, foi aprendida. Agora, é ver qual o legado “Deadpool” deixará, além da encomenda confirmada de sua continuação. Afinal, até então, todos os filmes de super-heróis da Marvel foram lançados com censura “PG-13”, para maiores de 13 anos. “Deadpool” inaugura uma nova era. O mais importante é que o público adorou. A nota da pesquisa do CinemaScore foi A, a máxima. Até a crítica aplaudiu, com 85% de aprovação no site Rotten Tomatoes. Bem ao contrário do que aconteceu com as outras duas estreias amplas da semana norte-americana. Os lançamentos das comédias “Como Ser Solteira” e “Zoolander 2” ficaram muito abaixo das pretensões de seus estúdios. O besteirol que junta Dakota Johnson (“Cinquenta Tons de Cinza”) e Rebel Wilson (“A Escolha Perfeita”) fez US$ 18,7 milhões, abrindo em 3º lugar, abaixo da animação “Kung Fu Panda 3”. Mas a grande decepção ficou por conta de “Zoolander 2”, que contou com quase tanto marketing quanto “Deadpool”. Com US$ 15,6 milhões, o filme de Ben Stiller (“A Vida Secreta de Walter Mitty”) não passou do 4º lugar, além de acumular as piores avaliações de público (C+) e crítica (23%) da semana. Em relação à semana passada, o que mais chama atenção é a queda de “Orgulho e Preconceito e Zumbis”, que após dez dias nem aparece mais no Top 10, desabando para o 13º lugar. Segurando-se em 8º lugar, “A Escolha” também não tem muito a comemorar, demonstrando o pior desempenho de uma adaptação dos livros melosos de Nicholas Sparks. BILHETERIA: TOP 10 EUA 1. Deadpool Fim de semana: US$ 132 milhões Total EUA: US$ 152 milhões Total Mundo: US$ 284 milhões 2. Kung Fu Panda 3 Fim de semana: US$ 19,6 milhões Total EUA: US$ 93,9 milhões Total Mundo: US$ 225,3 milhões 3. Como Ser Solteira Fim de semana: US$ 18,7 milhões Total EUA: US$ 18,7 milhões Total Mundo: US$ 26,8 milhões 4. Zoolander 2 Fim de semana: US$ 15,6 milhões Total EUA: US$ 15,6 milhões Total Mundo: US$ 24,1 bilhões 5. O Regresso Fim de semana: US$ 6,9 milhões Total EUA: US$ 159,1 milhões Total Mundo: US$ 340,1 milhões 6. Ave, César Fim de semana: US$ 6,5 milhões Total EUA: US$ 21,3 milhão Total Mundo: US$ 21,3 milhão 7. Star Wars: O Despertar da Força Fim de semana: US$ 6,1 milhões Total EUA: US$ 914,8 milhões Total Mundo: US$ 2 bilhões 8. A Escolha Fim de semana: US$ 5,2 milhões Total EUA: US$ 13,2 milhões Total Mundo: US$ 13,2 milhões 9. Policial em Apuros 2 Fim de semana: US$ 4,1 milhões Total EUA: US$ 82,6 milhões Total Mundo: US$ 108,2 milhões 10. Boneco do Mal Fim de semana: US$ 2,9 milhões Total EUA: US$ 30,7 milhões Total Mundo: US$ 30,7 milhões

