Estreia mundial de Mulher-Maravilha 1984 só deve ser “boa” no Brasil
“Mulher-Maravilha 1984” estreou no Brasil e em mais 31 países neste fim de semana. Mas o resultado não foi o esperado por muitos que planejavam utilizar seus números para atacar a tática da Warner de lançar o filme simultaneamente em streaming nos EUA. Nos locais onde começou a ser exibida com exclusividade nos cinemas – e antes que uma suposta pirataria das cópias digitais prejudicasse suas bilheterias – , o filme abriu com uma arrecadação de cerca de US$ 38,5 milhões, bem abaixo dos US$ 60 milhões que o mercado esperava na véspera do fim de semana. O desempenho foi especialmente reduzido na China, com US$ 18,8 milhões, valor decepcionante comparado aos blockbusters locais do período da pandemia. O filme também foi prejudicado por novos fechamentos de cinemas em vários países e por uma Europa em lockdown. A ausência de boas notícias da Europa e a decepção da China acabou quase compensada com resultados sólidos em países negacionistas. Na América Latina, o filme abriu em 1º lugar. O que significa que os cinemas ficaram lotados para a estreia no Brasil, um dos maiores mercados da região. De acordo com a revista Variety, o novo longa da super-heroína arrecadou US$ 1,7 milhões por aqui — o que equivale, aproximadamente, a R$ 8,5 milhões. Os números oficiais devem ser divulgados na segunda-feira (21/12). Mas os valores não devem representar a boa notícia que sugerem para o mercado cinematográfico nacional, pois refletem outro dado alarmante. Pesquisa Datafolha divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo no sábado (19/12) apontou que o número de pessoas em isolamento no país recuou ao menor nível desde o início da pandemia. Refletindo este aumento de circulação, o país voltou a registrar na semana passada números superiores a mil mortes por dia. No sábado, inclusive, aconteceu a maior média móvel de casos de infecção desde o início da pandemia, com 47.439 testes positivos. Já a quantidade de óbitos passou de 186 mil, ao todo. A permanecer esta tendência, um novo fechamento dos cinemas – e do comércio não essencial – deve voltar à pauta política de prefeitos e governadores nos próximos dias (atualização: na verdade, aconteceu um dia depois deste texto ser publicado!).
Monster Hunter perde aposta contra pandemia nas bilheterias dos EUA
A Sony fez uma aposta de risco em “Monster Hunter” e deve perder uma fortuna. O filme de monstros gigantes, orçado em US$ 60 milhões e estrelado por Milla Jovovich (“Resident Evil”), teve um desempenho muito pior que o esperado em sua estreia nos EUA e Canadá neste fim de semana. Com uma arrecadação de somente US$ 2,2 milhões entre sexta e domingo (20/12), ficou abaixo da média de US$ 3 milhões que vinha marcando as estreias dos últimos meses, durante a pandemia. O valor é reflexo da diminuição crescente dos salas de exibição em atividade. Apenas 2,3 mil cinemas estão abertos na América do Norte, dos quais 1,7 mil receberam a produção de efeitos visuais monstruosos. O estúdio não negociou um lançamento simultâneo ou antecipado em streaming com o parque exibidor, porque acreditava poder compensar o esperado prejuízo norte-americano com um grande sucesso asiático. A franquia “Resident Evil”, também estrelada por Jovovich, teve seu maior desempenho na China. Mas a estreia chinesa de “Monster Hunter” acabou prejudicada por uma cena que o público entendeu como racista, levando as autoridades do país a ordenarem a retirada do filme de cartaz. Para completar, a crítica não aprovou a nova adaptação de videogame, considerada medíocre, com 48% de notas positivas na média compilada pelo site Rotten Tomatoes. De todo modo, essa nota é bem maior que a média dos filmes de “Resident Evil”, qualificados como lixo, em aprovações que variaram de 22% a 38% em toda a franquia. Os US$ 2,2 milhões de “Monster Hunter” se tornam ainda mais abissais quando comparados à estreia que ocupou o fim de semana antes do Natal em 2019. Neste período do ano passado, “Star Wars: A Ascensão Skywalker” abriu com nada menos que US$ 177,3 milhões no mercado norte-americano. Graças ao desastre da Sony, devem diminuir muito as críticas feitas contra a Warner por decidir lançar seus filmes, a partir de “Mulher-Maravilha 1984”, simultaneamente nos cinemas e na plataforma HBO Max para os assinantes do serviço de streaming, que por enquanto só é comercializado na América do Norte. Um bom parâmetro pode ser traçado pelo desempenho de “Croods 2: Uma Nova Era”, da Universal e DreamWorks Animation. Cumprindo seu cronograma de apenas três fins de semana exclusivos nos cinemas, o filme foi lançado na sexta (18/12) em PVOD (locação digital premium) e, mesmo assim, ocupou o 2º lugar no ranking das bilheterias de cinema, com uma arrecadação muito próxima da atingida pelo líder estreante: US$ 2 milhões. A sequência de “Os Croods” rendeu até agora US$ 27 milhões nos cinemas norte-americanos, mas já soma US$ 84,5 milhões mundiais, com cerca de 60% desse valor vindo da China, onde o filme faturou US$ 50 milhões. Tanto “Monster Hunter” quanto “Os Croods 2” sofreram adiamentos em suas previsões de estreia para o Brasil. Os dois filmes foram remanejados para janeiro, respectivamente nos dias 14 e 21. Mas, com isso, correm o risco de encontrarem os cinemas fechados devido à disparada de casos de covid-19 no país.
Zooey Deschanel recria cena de Um Duende em Nova York com Will Ferrell
A atriz Zooey Deschanel (“New Girl”) postou em seu Instagram um trecho do reencontro – à distância – com Will Ferrell, que acompanhou o relançamento de “Um Duende em Nova York” (Elf) nos cinemas e ajudou a financiar a campanha ao senado do Partido Democrática no estado da Georgia. O trecho divulgado foi uma recriação do dueto acapella de “Baby, It’s Cold Outside”, que, no filme, acontece enquanto Jovie (Zooey) toma banho. A cantoria ocorreu durante uma leitura virtual do roteiro, que Deschanel batizou de #ElfForGeorgia. Bem-sucedido, o evento também contou com participações de Busy Philipps (“Cougar Town”), Ed Helms (“Se Beber Não Case”) e Gaten Matarazzo (“Stranger Things”). No Instagram, a atriz agradeceu a todos que participaram da transmissão ao vivo. Ela escreveu: “Adorei reunir-se com o elenco e todos os nossos convidados muito especiais”. Nostalgia em nome de uma boa causa? Agora é disso que estamos falando!”. Detalhe: o relançamento do filme de 2003 ficou em 3º lugar nas bilheterias deste fim de semana na América do Norte. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Zooey Deschanel (@zooeydeschanel)
Os Croods 2 completa três fins de semanas no topo das bilheterias dos EUA
A animação “Os Croods 2: Uma Nova Era” manteve sua liderança nas bilheterias da América do Norte em seu terceiro fim de semana seguido. O filme da DreamWorks/Universal faturou US$ 3 milhões entre quinta e domingo (13/12), totalizando US$ 24,1 milhões na América do Norte. No mercado internacional, a sequência arrecadou outros US$ 8,4 milhões, chegando a um total global de US$ 76,3 milhões. Apesar do valor razoável diante da pandemia, ainda não é suficiente para equilibrar as despesas. A animação custou US$ 65 milhões apenas para ser produzida. Mas os planos da Universal para recuperar o investimento neste e em outros títulos têm chamado a atenção do mercado. Graças a um acordo sem precedentes com as redes de cinema dos EUA, que permite ao estúdio encaminhar os títulos em cartaz para locação online após apenas três fins de semana nos cinemas, o retorno tem sido praticamente garantido. Isto também dá à Universal uma disposição para realizar lançamentos nos cinemas que nenhum de seus rivais parece demonstrar. Não por acaso, os cinemas dos EUA atualmente só exibem filmes da Universal, ao lado de títulos antigos de catálogo (como “Um Duende em Nova York” e “Férias Frustradas de Natal”) e a comédia indie “Guerra com o Vovô”. Não houve nenhum novo lançamento amplo no circuito norte-americano desde que “Os Croods 2” foi lançado por volta do Dia de Ação de Graças. No entanto, o drama romântico “Wild Mountain Thyme”, estrelado por Emily Blunt, teve um lançamento limitado na sexta passada (11/12). Destruído pela crítica (só 28% de aprovação no Rotten Tomatoes), o longa chegou em 450 cinemas e rendeu somente US$ 100 mil.
Os Croods 2 aumenta domínio do estúdio Universal nas bilheterias dos EUA
A animação “Os Croods 2: Uma Nova Era” manteve sua liderança nas bilheterias da América do Norte em seu segundo fim de semana em cartaz. Exibido em 2.205 telas, o filme da DreamWorks Animation/Universal faturou US$ 4,4 milhões entre sexta e domingo (6/12). Lançado em 25 de novembro, na véspera do feriadão do Dia de Ação de Graças, o longa já soma US$ 20,3 milhões nos EUA e Canadá. Muito pouco para 12 dias em qualquer outro ano, mas o suficiente em tempos de pandemia. De acordo com estimativas da Comscore, apenas 35% dos cinemas estão funcionando na América do Norte e, mesmo assim, os que permanecem abertos estão operando com capacidade reduzida, horários limitados e mantendo requisitos de distanciamento social. Em termos de comparação, há sete anos o primeiro “Croods” (2013) arrecadou US$ 89 milhões durante seus dois primeiros fins de semana, com lançamento em 4 mil salas. Apesar do predomínio da sequência animada, o circuito recebeu algumas estreias neste fim de semana, como a comédia “Half Brothers”, coprodução mexicana que abriu em 2º lugar, mas fez apenas US$ 720 mil em 1.369 locais, e o romance “All My Life”, estrelado por Jessica Rothe e Harry Shum Jr., que ficou em 4º lugar, com US$ 350 mil em 970 salas. O detalhe é que estas duas estreias são produções da Universal, assim como “Os Croods 2” e o 3º lugar do ranking, o terrir “Freaky – No Corpo de um Assassino” (US$ 460 mil em 1.502 telas). De forma impressionante, das oito maiores bilheterias do fim de semana, apenas um título não foi produzido pela Universal, a comédia indie “Guerra com o Vovô”, estrelada por Robert De Niro, que aparece em 5º lugar. O estúdio reina sozinho nos cinemas, enquanto os demais fogem do circuito como o diabo da cruz, preferindo adiar seus filmes à arriscar as arrecadações pífias da pandemia. A coragem da Universal, na verdade, reflete um acordo do estúdio com duas das principais redes de cinema dos EUA, a AMC e a Cinemark, para encurtar a janela de exibição. Em vez de deixar os filmes em cartaz por até três meses, o estúdio acertou mantê-los em tela grande por apenas três fins de semana, passando a seguir a disponibilizá-los em PVOD para locação digital. O detalhe é que outras redes que se recusaram a negociar essa janela estão exibindo os filmes assim mesmo, simplesmente porque não tem opção. Não há outros filmes para exibir. Com isso, apenas as produções da Universal, alguns títulos independentes e outros lançados simultaneamente em PVOD estão chegando ao mercado exibidor. A Warner pretende se juntar em breve ao circuito com um modelo de distribuição ainda mais radical: lançamentos simultâneos em cinema e streaming (via HBO Max) nos EUA. A iniciativa vai começar com “Mulher-Maravilha 1984”, que recebeu comentários elogiosíssimos no fim de semana, após as primeiras sessões para a crítica americana. Além deste filme, a Sony manteve o lançamento de “Monster Hunter” para o Natal nos EUA, mas sua estratégia digital ainda não é conhecida.
Demon Slayer supera Titanic e se torna segundo filme de maior bilheteria do Japão
A animação baseada no mangá e no anime “Demon Slayer” continua a ser um fenômeno no Japão. No fim de semana, o filme ultrapassou “Titanic” e se tornou o segundo filme de maior bilheteria da história do país. Com US$ 264 milhões arrecadados em um mês e meio, a produção japonesa superou a quantia de US$ 251 milhões do longa de James Cameron, que em 1997 se tornou o maior sucesso do Japão. “Titanic” ficou só quatro anos na liderança do ranking, sendo ultrapassado pela animação vencedora do Oscar “A Viagem de Chihiro”, que desde 2001 se mantém no topo de arrecadações com US$ 295,5 milhões. O mais impressionante em relação ao sucesso de “Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba the Movie – Mugen Train” é que ele acontece durante o ano da pandemia de coronavírus, quando as salas de cinema operam com até metade de sua capacidade. Na semana passada, o longa já tinha superado o sucesso de “Frozen”, que arrecadou US$ 254 milhões em 2014, e as apostas do mercado é que ele conseguirá superar o desenho campeão de Hayao Miyazaki. “Demon Slayer” é baseado em um mangá popular, escrito e ilustrado por Koyoharu Gotōge e serializado desde 15 de fevereiro de 2016 na revista semanal “Weekly Shōnen Jump”, com seus capítulos sendo reunidos em 18 volumes até o momento. A publicação também já tinha sido transformada num anime no ano passado, que se tornou campeão de audiência – e pode ser visto no Brasil na plataforma Crunchyroll. Por sinal, o filme é uma continuação direta da 1ª temporada do anime “Demon Slayer” e tem o mesmo diretor da série, Haruo Sotozaki, que estreia no cinema. A história acompanha Tanjiro Kamado e sua irmã, Nezuko, que levavam uma vida pacata até serem atacados por demônios. Além de perder todos seus familiares, Tanjiro viu sua irmã se transformar também em um demônio. Para tentar torná-la humana novamente e impedir que outros passem pelos mesmos transtornos, o menino se transforma em um matador de demônios.
Os Croods 2 fatura menos que Tenet em sua estreia nos EUA
Único grande estúdio de Hollywood que está lançando filmes de forma praticamente semanal desde a reabertura dos cinemas na América do Norte, a Universal manteve o cronograma para sua principal estreia em meio à pandemia de coronavírus. Mas a animação “Os Croods 2: Uma Nova Era” cumpriu as piores expectativas, faturando bem menos que a estreia de “Tenet” entre sexta e domingo. O desenho animado arrecadou US$ 9,7 milhões nos três dias do fim de semana oficial, menos da metade dos US$ 20,2 milhões de “Tenet” em sua estreia. Mas, em compensação, aumentou bastante seu montante ao longo do feriado estendido do Dia de Ação de Graças nos EUA, devido a uma abertura antecipada na quarta-feira (25/11). Com os dois dias extras, o fim de semana de cinco dias de “Os Croods 2” pode ter rendido entre US$ 14 e US$ 17 milhões, segundo diferentes avaliações publicadas na imprensa especializada dos EUA. Os valores são bem mais elevados que a média recente das estreias no país, a maioria na casa dos US$ 3 milhões. Mas no contexto dos lançamentos históricos do feriadão do “Thanskgiving”, os números são horríveis. Para completar, a animação não é um filme barato, mesmo que tenha sido realizada de forma mais econômica que o longa original de 2013. Sua produção teve custo estimado de US$ 65 milhões – metade do que custou o primeiro filme, porque agora a Universal é dona da DreamWorks Animation. Mas ainda somam-se a isso os valores de P&A, cópias e publicidade. A consultoria iSpot apurou que a Universal gastou mais US$ 27 milhões apenas em anúncios televisivos para promover a estreia nos EUA. Com cinemas vazios ou fechados na América do Norte, a expectativa do estúdio para recuperar o investimento está focada no lançamento em PVOD (aluguel digital premium), que, graças a diversos acordos com exibidores, deverá acontecer em menos de 20 dias. Mas ainda há esperanças de retorno nos cinemas do mercado internacional, especialmente na Ásia, onde o controle da pandemia tem sido melhor administrado. “Os Croods 2” faturou cerca de US$ 20,8 milhões no exterior, dos quais US$ 19,2 milhões vieram da China. Esse retorno faz com que a soma completa de suas bilheterias chegue, numa avaliação otimista, a US$ 37,8 milhões mundiais. O lançamento de “Os Croods 2” também estendeu o reinado da Universal nas bilheterias dos EUA, que agora soma cinco fins de semanas consecutivos (ou um mês completo). O atual Top 5 dos filmes mais vistos no país incluem 4 títulos do estúdio: o terrir “Freaky – No Corpo de um Assassino” (2º), o thriller “Let Him Go” (4º) e o terror “Come Play” (5º), que já saiu em PVOD nos EUA. Entre eles, ainda aparece em 3º lugar a comédia independente “Guerra com o Vovô”, estrelada por Robert De Niro (no papel do vovô). No Brasil, a estreia de “Os Croods 2: Uma Nova Era” está, a princípio, marcada para os cinemas no dia 24 de dezembro.
Cinemas dos EUA registram pior bilheteria da pandemia
O circuito cinematográfico da América do Norte registrou um recorde negativo histórico de bilheteria neste fim de semana. Se o fim de semana do Halloween tinha assustado o mercado com uma bilheteria de Top 10 que totalizava pouco mais de US$ 8 milhões, representando o faturamento mais baixo do ranking em quase meio século, neste fim de semana os cinemas americanos somaram US$ 6,5 milhões entre todos os títulos exibidos. Isto mesmo: este foi o valor total das bilheterias de todos os cinemas dos EUA e Canadá entre sexta e domingo (22/11). São os rendimentos mais baixos desde a reabertura dos cinemas em setembro, durante a pandemia, e provavelmente os menores valores desde os anos 1960. O montante também representa uma queda de 35% em relação à semana passada, quando o total girou em torno dos US$ 10 milhões. Os cinemas continuam fechados desde março em Los Angeles e Nova York, e os que ainda funcionam sofreram novo impacto com decisões de governos estaduais tomadas nos últimos dias. O horário de funcionamento do comércio voltou a encolher em alguns estados americanos, que implantaram até toque de recolher e emitiram novas orientações para a retomada do isolamento social, após o crescimento exponencial de casos de covid-19. Neste ritmo, os próprios exibidores podem optar por nova fase de fechamento para estancar seus custos de funcionamento, independente de decisão governamental. Como parâmetro, a maior das redes de cinema dos EUA, a AMC, gasta US$ 25 milhões semanais para manter suas salas abertas. A conta de manutenção não faz mais sentido. Por mais que tenham implementado medidas de higiene e protocolos de segurança, os multiplexes não despertaram confiança do público por continuarem a vender comes e bebes que são consumidos sem máscaras em salas herméticas com circulação de ar artificial. Puxando as bilheterias para baixo ainda há a falta de grandes lançamentos dos maiores estúdios de Hollywood. Entre sexta e domingo houve apenas a estreia de um filme chinês de distribuidora sem tradição cinematográfica, especializada em VOD (locação digital). O thriller de ação “Vanguard”, estrelado por Jackie Chan, abriu em 7º lugar com US$ 400 mil. Apenas um filme faturou mais de US$ 1 milhão, o líder “Freaky – No Corpo de um Assassino”, que fez US$ 1,2 milhão em sua segunda semana em cartaz. Somando seus 10 dias de liderança no ranking, a comédia de terror da Blumhouse/Universal fez ao todo 5,5 milhões nas bilheterias da América do Norte. Para dar noção da diferença, neste mesmo fim de semana do ano passado a Disney lançou “Frozen 2”, que faturou US$ 130 milhões em seus primeiros três dias no mercado interno.
Universal chega ao terceiro líder seguido nas bilheterias dos EUA
A comédia de terror “Freaky – No Corpo de um Assassino” estreou no topo das bilheterias da América do Norte neste fim de semana. Foi o terceiro filme diferente e consecutivo com distribuição da Universal a ocupar o 1º lugar em faturamento nas últimas semanas nos EUA e Canadá. Todos os três filmes campeões abriram com rendimentos similares. O atual fez U$ 3,7 milhões, demonstrando um padrão de arrecadação durante a pandemia, que só gerou resultados muito superiores com “Os Novos Mutantes” e “Tenet”, logo na reabertura dos cinemas. Como Hollywood desistiu de lançar novos candidatos a “blockbuster”, os valores se assentaram numa faixa de bilheteria de 50 anos atrás. Após “Freaky”, o Top 3 inclui o thriller “Let Him Go” e o terror “Come Play”, os dois campeões das semanas anteriores, formando uma trinca da Universal no topo do ranking. O motivo da predominância da Universal reflete um acordo do estúdio com uma das principais redes de cinema dos EUA, a AMC, para encurtar a janela de exibição. Em vez de deixar os filmes em cartaz por até três meses, a Universal pretende mantê-los em tela grande apenas três fins de semana, passando a seguir a disponibilizá-los em PVOD para locação digital. Em troca pelo Ok, a AMC ficou com direito a uma parcela dos lucros da comercialização online. O detalhe é que outras redes que se recusaram a negociar essa janela estão exibindo os filmes assim mesmo, simplesmente porque não tem opção. Os outros grandes estúdios suspenderam suas estreias até 25 de dezembro – espera-se, inclusive, que essa margem amplie. Com isso, apenas as produções da Universal, alguns títulos independentes e outros lançados simultaneamente em PVOD estão chegando ao mercado exibidor. Por conta desse negócio, o estúdio manteve, inclusive, um possível “blockbuster” em sua programação. A animação “Os Croods 2: Uma Nova Era” segue marcada para a semana que vem nos EUA, na quarta-feira (25/11), véspera do feriado local do Dia de Ação de Graças. Para completar as informações, “Freaky” foi o 14ª longa da produtora de terror Blumhouse a liderar a bilheteria para a Universal. O anterior tinha sido “O Homem Invisível”, que faturou US$ 28,2 milhões no início do ano, antes da pandemia. A estreia também foi bem-recebida pela crítica, com 85% de aprovação. Como sugere o título original, trata-se de uma versão slasher de “Freaky Friday”, produção infantil que (em seu remake mais recente) foi batizada de “Sexta-Feira Muito Louca” no Brasil. Para quem não lembra, é uma história de troca de corpos entre uma mãe e uma filha adolescente. Na versão da Blumhouse, a troca acontece entre uma adolescente e um serial killer, vividos respectivamente por Kathryn Newton (de “Supernatural” e “The Society”) e Vince Vaughn (“Penetras Bons de Bico”). “Freaky” foi escrito e dirigido por Christopher Landon, que já tinha feito sucesso com outro terror derivado de comédia, “A Morte Te Dá Parabéns” (versão slasher de “Um Feitiço no Tempo”). O lançamento no Brasil está marcado para 10 de dezembro nos cinemas. Veja o trailer abaixo.
Demon Slayer atinge US$ 200 milhões nos cinemas do Japão
Com os cinemas de Nova York e Los Angeles bloqueados desde março e a maior parte da Europa sofrendo uma segunda onda de fechamentos, os únicos países que registram reação do setor cinematográfico estão na Ásia – e a situação deve continuar assim por um bom tempo. As bilheterias do Japão, por exemplo, estão registrando recordes como se a pandemia nunca tivesse existido. Depois de se tornar a estreia mais bem-sucedida do cinema japonês, o longa animado “Demon Slayer”, baseado no mangá de mesmo nome, chega à sua quarta semana em 1º lugar, atingindo estimados US$ 200 milhões de arrecadação no país. Com base nas estimativas, o filme, cujo título completo é “Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba the Movie – Mugen Train”, também entrou no Top 10 das maiores bilheterias mundiais de 2020 – incluindo lançamentos pré-covid. Apesar disso, ainda está US$ 100 milhões atrás de outra animação, “A Viagem de Chihiro”, filme de maior bilheteria de todos os tempos no Japão. O detalhe é que está atingindo seu faturamento de forma mais rápida que o clássico de 2001 dirigido por Hayao Miyazaki, que acabou vencendo o Oscar de Melhor Animação. “Demon Slayer” é baseado em um mangá popular, escrito e ilustrado por Koyoharu Gotōge e serializado desde 15 de fevereiro de 2016 na revista semanal “Weekly Shōnen Jump”, com seus capítulos sendo reunidos em 18 volumes até o momento. A publicação também já tinha sido transformada num anime no ano passado, que se tornou campeão de audiência – e pode ser visto no Brasil na plataforma Crunchyroll. Por sinal, o diretor do filme é o mesmo da série animada, Haruo Sotozaki, que estreia no cinema. A trama é ambientada no Japão de 100 anos atrás e acompanha um menino que luta contra demônios devoradores de humanos, que mataram quase toda sua família e contaminaram sua irmã para transformá-la numa criatura maligna. Veja o trailer abaixo.
Thriller de vingança de Kevin Costner lidera bilheterias na América do Norte
Não é comum que um estúdio de lançamentos limitados, mesmo um pseudo-indie como o Focus, que na verdade pertence à NBCUniversal, lidere as bilheterias de fim de semana da América do Norte por duas semanas consecutivas. Mas esses não são tempos comuns e foi exatamente o que aconteceu, após a Focus Features conquistar o 1º lugar na semana passada com o terror “Come Play” e novamente assumir o topo neste domingo (8/11) com o thriller de vingança “Deixe-o Partir” (Let Him Go), estrelado por Kevin Costner e Diane Lane (os pais de Superman em “O Homem de Aço”). Espécie de “Rambo: Até o Fim” (2019) mais refinado, “Deixe-o Partir” agradou público e crítica. Atingiu 75% de aprovação no Rotten Tomatoes e faturou US$ 4,1 milhões em seu fim de semana de estreia, em 2,4 mil salas. O mais interessante é que, segundo pesquisas de mercado, a maior parte de sua bilheteria vem de espectadores mais velhos (66% acima dos 35), uma demografia que têm sido vista como relutante para voltar ao cinema. “Há cinéfilos que querem voltar aos cinemas. Se você não oferecer um filme a eles, se não der às pessoas a oportunidade de ver um filme, você nunca saberá se eles voltarão ou não”, disse a chefe de distribuição da Focus, Lisa Bunnell, ao site Deadline. Apesar desse discurso, não foram somente cinemas convencionais dos EUA que lotaram para ver o longa. O maior faturamento da produção foi registrado no Five Drive-In em Toronto, um cine drive-in canadense, que sozinho rendeu US$ 12,6 mil para a produção. Outra curiosidade da estreia é que, graças ao medo de Hollywood de queimar seus grandes lançamentos durante a pandemia, “Let Him Go” se tornou o primeiro líder de bilheteria protagonizado por Kevin Costner neste século – ou, mais especificamente, desde “Uma Carta de Amor”, em 1999. Ao contrário dos lançamentos indies tradicionais, a Focus, com o dinheiro da NBCUniversal, divulgou maciçamente a produção em comerciais de TV, iniciando sua campanha em 23 de agosto, durante o final da temporada de “Yellowstone”, série estrelada por Costner, e amplificando sua presença nos últimos dias, ocupando o espaço publicitário da CNN em plena apuração das eleições presidenciais – quando o canal registrou recorde de audiência nos EUA. O estúdio fez dobradinha no topo do ranking, já que “Come Play” ficou em 2º lugar, rendendo US$ 1,7 milhão em seu segundo fim de semana, após aumentar em 30 o número de salas de sua exibição – para atingir 2.213 telas, ao todo. Veja abaixo o trailer de “Let Him Go”, que não tem previsão de lançamento no Brasil.
Tenet vai ganhar versão digital em dezembro
“Tenet” entrou em cartaz apenas na semana passada no país, oferecendo um alívio efêmero ao circuito exibidor, mas já vai chegar ao mercado digital. A Warner agendou o lançamento do novo filme de Christopher Nolan nas plataformas digitais, em Blu Ray e DVD nos EUA em 40 dias, no dia 15 de dezembro. O Brasil foi o penúltimo país do mundo a recebê-lo – antes apenas da Argentina – , quando o desencanto com seu desempenho já tinha se tornado constatação. Até John Stankey, CEO da AT&T, conglomerado de comunicações que comprou a Warner, admitiu que o estúdio não marcou um gol ao apostar que o lançamento faria o público perder o medo da covid-19 para lotar novamente as salas de exibição. Antes visto como salvação do mercado por exibidores, preocupados em ter um grande lançamento para a volta das sessões de cinema, “Tenet” passou a ser lamentado como responsável por desencorajar Hollywood a lançar novos títulos de peso em 2020. Sua baixa bilheteria nos EUA – US$ 53,8 milhões – levou os estúdios a atrasarem suas produções de grande orçamento para 2021, com a exceção provisória de “Mulher-Maravilha 1984”, também da Warner e ainda esperada – sem muita convicção – neste Natal. Talvez não seja coincidência que sua distribuição em streaming tenha sido programada para antes da estreia prevista da continuação de “Mulher-Maravilha”, dando a Warner uma pista do interesse do público em assistir grandes lançamentos em PVOD (locação digital premium, isto é, mais cara). Afinal, “Tenet” não foi exibido nos cinemas de Nova York e Los Angeles, os dois maiores mercados dos EUA, porque eles continuam fechados devido à pandemia de coronavírus. Com os cinemas sendo novamente fechados na Europa, o filme também não terá mais como aumentar tanto suas bilheterias internacionais, que atualmente somam US$ 347,1 milhões – insuficientes para suprir as despesas de uma produção orçada em mais de US$ 200 milhões.
Christopher Nolan diz que Hollywood está equivocada sobre desempenho de Tenet
O diretor Christopher Nolan finalmente se manifestou sobre o desempenho de seu mais recente filme, “Tenet”, nas bilheterias. O longa teve uma performance razoável no mercado internacional, mas foi considerado um fracasso nos Estados Unidos por ter faturado apenas US$ 53,8 milhões em dois meses. Em uma entrevista ao jornal Los Angeles Times, Nolan reclamou da abordagem que clama que seu filme fracassou. Para ele, Hollywood e a imprensa estão tirando conclusões erradas a respeito do lançamento. “A Warner Bros. se dispôs a lançar ‘Tenet’ e fiquei realmente emocionado pelo filme ter arrecadado quase US$ 350 milhões (mundiais). Mas estou preocupado que os estúdios estejam tirando conclusões erradas de nosso lançamento: que, em vez de olhar para onde o filme teve êxito e como isso pode ajudar um possível lançamento a não perder dinheiro, eles estejam olhando para as expectativas pré-covid e começam a usar isso como uma desculpa para não entrar no jogo e se adaptar – ou reconstruir nosso negócio, em outras palavras. Desse jeito, se cria uma desculpa, e faz com que os exibidores se tornem os únicos prejudicados, ao invés de tentar coloca-los no jogo para se adaptar à essa nova realidade. A longo prazo, ir ao cinema faz parte da vida, como ir a restaurantes e tudo mais. Mas, agora, todo mundo tem que se adaptar a uma nova realidade.” De fato, as conclusões de Hollywood a respeito do lançamento de “Tenet” foram assustadoras, a ponto de limparem o calendário, adiando todas as grandes estreias de cinema para 2021, à exceção de “Mulher-Maravilha 1984”, por enquanto ainda marcado para o Natal, embora a expectativa é que também seja levada para o ano que vem. Por outro lado, “Tenet” faturou quase US$ 300 milhões no mercado internacional e ainda está em cartaz em vários lugares do mundo, incluindo no Brasil, onde fez sua estreia no último fim de semana. Mas com um orçamento de mais de US$ 200 milhões, a Warner esperava pelo menos o dobro do que já rendeu no exterior para cobrir suas despesas de produção.












